Violetta e León: Te Quiero Leonetta
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Por Violetta:
Encontramos papai e Angie nos aguardando no sofá da sala, ele parecia irritado, pra não dizer furioso, enquanto Angie tentava acalmá-lo. León e eu sentamos no outro sofá, de frente pra eles, ficamos quietos, esperando pelo pior.
— León, nós tínhamos um trato! Realmente eu esperava que você fosse cumpri-lo! — papai começou a falar, pelo menos estava mais calmo.
— Germán, peço desculpas, não queria que você ficasse sabendo de tudo hoje, tampouco desta forma! Não esperávamos que vocês voltassem antes! — León falava um pouco envergonhado.
— De que trato vocês estão falando? — perguntei-lhes.
— Seu pai pediu pro León te cuidar e não deixar ele ter certeza de que vocês estavam transando! — explicou a Angie, me deixando espantada.
— Ah, Violetta, vocês acham que eu sou idiota? Eu sabia que isso ia acontecer! Só não esperava pegar vocês nus na cama! Não faz nem um mês que vocês voltaram a namorar. Achei que você ia ter mais paciência, León! Desde quando isso começou? — indagou papai.
— Germán, essa parte do trato eu cumpri, não forcei nada, foi escolha da Violetta! — esclareceu o León.
— A decisão foi minha, papai. — confirmei.
— Meu amor, preciso te dizer que eu já sabia. A Violetta me contou, foi na nossa última noite em Sevilha. – Angie disse ao papai.
— E por que você não me disse nada, Angie? — perguntou papai.
— Porque você deixou claro para o León que não queria saber! Se me lembro bem das suas palavras, você disse: “oficialmente não quero tomar conhecimento”! Por isso não comentei contigo. — respondeu a Angie.
— Agora que já está feito e você já sabe, o que vai acontecer conosco? — perguntei aflita ao papai.
Papai permaneceu alguns minutos em silêncio nos olhando, o meu desespero foi aumentando e eu apertava a mão do León, tentando ficar segura.
— Nada! — disse papai depois de soltar um longo suspiro.
— Não estou te entendendo papai! Como nada? — perguntei assustada.
— Só espero que você cumpra a última parte do trato, León! — papai começou a rir, sendo acompanhado pela Angie e pelo León.
— Com certeza Germán! Tenho tomado todas as precauções para não quebrar essa parte do trato! — respondeu León.
— Que droga! Vocês podem me explicar direito desse trato, em vez de ficarem rindo?!!!! — falei irritada.
— Vilu, quando o León veio falar comigo e com o seu pai sobre as alianças, o Germán pediu pra ele não forçar nada, deixar você escolher, mas também pediu pra ele não ficar sabendo quando vocês transassem e que vocês tomassem cuidado para não nos darem netos antes de se casarem. Esse foi o trato que eles fizeram em Sevilha. — respondeu a Angie.
— Mas então, por que todo esse escândalo se você até já tinha conversado com o León sobre isso, papai?
— Eu sabia que ia acontecer, mas não esperava ver! Me apavorei na hora! Desculpa filha se eu te deixei assustada, não quero que você pense que eu sou um hipócrita, ao deixar a Ludmila dormir no Federico e te proibir de fazer o mesmo com o León. Espero que da próxima vez que o León dormir aqui em casa, você me avise antes ou, pelo menos, tranque a porta do seu quarto, não preciso presenciar outra cena como essa de agora pouco!
Fiquei sem palavras, não esperava essa reação do papai, tinha certeza que ele ia mandar eu arrumar as malas e me levar para o outro lado do mundo para me separar do León, já estava me preparando pra brigar com ele. Ao invés disso, estava falando sobre a próxima vez que o León dormisse aqui! Será que eu estou sonhando? Não, ouvi muito bem, mas era muita coisa pra minha cabeça processar que tive um acesso de riso, dissipando a tensão do momento.
— Papai, eu ainda não acredito! Juro que achei que estaria ferrada, arrumando as malas para viajar! Achei que travaria uma guerra contigo para não me separar do León.- falei ainda não conseguindo conter o riso.
— Ai Violetta, eu não sou tão retrógrado assim! Até parece que eu ia te mandar pra longe, você não é mais uma criança, é uma mulher adulta! Não posso simplesmente te obrigar a mais nada! — papai falou parecendo ofendido.
— Germán, convenhamos que eu também esperava que você fosse nos separar! — disse León.
— Verdade Germán, confesso que isso passou pela minha cabeça. — concordou a Angie.
— Acho que está na hora de eu contar um pouco da minha vida pra vocês, esclarecer algumas coisas, que acabei relembrando enquanto estávamos em Sevilha. Isso vai ajudar a vocês me entenderem um pouco.
— Por falar em Sevilha, meu amor, o Pedro disse que você estudou no Studio, por que escondeu isso? — perguntou a Angie.
— Eu terminei o colégio cedo, com 16 anos fui convidado pelo Antônio a estudar no Studio Sevilha, fiquei lá por um ano. Destaquei-me nas matérias, sempre amei a música, mas o meu sonho era cursar engenharia, por isso voltei pra Buenos Aires e fiz faculdade aqui. Alguns anos depois, o Antônio abriu o Studio 21, convidou-me para a assistir à apresentação de final de ano no Teatro Colón, eu estava bem adiantado na faculdade de engenharia e tinha 19 anos. Foi nesta apresentação que eu conheci a Maria, ela era a estrela da noite, no auge dos seus 16 anos.
— A Maria era incrível, a Violetta me lembra muito ela nos palcos. Não me lembro dessa apresentação, mas eu devia ter uns 4 anos na época. — disse a Angie.
— Sim Angie, mas você estava nesta apresentação. Eu era três anos mais velho que a Maria e a diferença de idade entre vocês era de doze anos. Agora vocês entendem a minha relutância em me apaixonar pela menina que um dia eu peguei no colo? Foi muito difícil pra mim. — desabafou o papai.
— Pra mim também não foi fácil, você é quinze anos mais velho do que eu, era o meu cunhado e, ainda por cima, tinha sumido com a minha sobrinha depois da morte da minha única irmã. Mas o tempo passou e a gente não manda no coração.
— Eu sei meu amor, aprendi isso quando quase te perdi! — papai deu um beijo na Angie.
— Continua papai, você nunca falou sobre isso comigo antes, por sinal, quase nunca conversamos sobre a mamãe!
— Bom, me apaixonei pela Maria no mesmo instante que ouvi a sua voz. O Antônio se encarregou de nos apresentar e eu não perdi tempo, logo estava frequentando a sua casa e começamos a namorar, meio a contragosto do seu avô Miguel. Ele queria que ela focasse apenas na sua carreira na música, mas a sua avó Angélica me ajudou a conseguir a confiança do seu avô. No aniversário de 18 anos da Maria, tivemos a nossa primeira noite juntos e fomos pegos pelo Miguel, que ficou uma fera. Ele mandou a Maria para a Itália, mais precisamente para a Sicília. Desculpa Angie, mas seu pai era obcecado pela carreira da Maria, de uma forma que eu não gostava nada!
— Eu sei Germán. Meu pai só se deu conta disso quando a Maria morreu. Ele se culpava por tê-la obrigado a fazer a última turnê, tanto que acabou morrendo logo depois que vocês foram embora de Buenos Aires. Foi horrível pra nós perdermos a Maria, depois vocês sumiram e papai morreu.
— Fiquei alguns meses sem saber de notícias da Maria, até que a Angélica me disse que ela estava numa casa de artistas administrada pela Isabella Juarez, em uma ilha da Sicília. Não pensei duas vezes, peguei o primeiro voo pra Itália e fui ao seu encontro. Cheguei a tempo de ver a sua apresentação no festival da ilha. Isabella é uma grande amiga, inclusive foi nossa madrinha de casamento e voltamos lá todos os verões. Depois deste show, Maria virou uma grande estrela internacional. Nos casamos quando ela fez 20 anos e sempre que podia eu acompanhava sua turnê, se não tinha como ir por causa da empresa, pelo menos nos finais de semana aparecia para vê-la, não importava em qual país ela estivesse.
— E quando eu nasci, papai? Ela parou com os shows?
— Quando ela descobriu que estava grávida, foi uma alegria imensa para todos nós! Ela começou a fazer shows em lugares mais próximos, sem precisar se deslocar muito e diminuiu o ritmo. Você nasceu, ela tinha 23 anos e nós te amamos muito. Ela sempre te levava junto nos ensaios e nos shows, se recusando a ficar longe de ti. Seu avô insistiu por uma turnê na Europa, quando você estava com cinco anos. Maria não queria levá-la, por isso fiquei aqui com você. Ela fez seu avô prometer que seria a última turnê, pois queria ficar mais tempo conosco, esperar você crescer, para só então retomar a carreira. Mas daí aconteceu o acidente e nós a perdemos.
Papai deu uma pausa abraçando a Angie. Sabia que era doloroso para ele relembrar tudo que viveu, mas eu precisava saber mais. León passou o braço ao redor dos meus ombros e me puxou para o seu peito, entendendo que o assunto era delicado.
— Eu fiquei viúvo aos 31 anos e perdi o meu chão! Enterrei junto com a Maria uma parte do meu coração! Culpei o Miguel pelo acidente e fiquei com medo que ele influenciasse a Violetta da mesma forma que fazia com a Maria, ela só tinha cinco anos. Entrei em desespero, queria te proteger de tudo e de todos, Violetta, por isso eu fugi com você! Tranquei todas as lembranças da Maria naquele quarto, foquei a minha vida na carreira e criei você sozinho, do meu jeito tosco, mas eu sempre te amei e fiz o que eu pude para suprir a falta da sua mãe.
— Eu sei papai. Também te amo e entendo o quanto você sofreu! Sei que tudo que você fez, mesmo que não parecesse, era para me proteger! Confesso que no início, fiquei furiosa contigo por ter me escondido aquele quarto onde você guardou todas as roupas, lembranças e o diário da mamãe.
— Quando a Angie entrou em nossas vidas, eu me apaixonei, mas tive medo de me machucar, não conseguia abrir meu coração novamente. Era muito mais fácil me envolver com a Jade, a Esmeralda ou a Priscila, eu até gostava delas, porém nunca amei nenhuma. Tinha alguém para estar ao meu lado sem que precisasse sofrer. Eu fui um covarde e enganei a mim mesmo, porque eu sofri igual por não estar com a Angie, por tentar esconder os meus sentimentos e não me entregar. Só percebi isso em Sevilha, com a ajuda de vocês, Vilu e León!
— Germán, quando percebi que você não era um monstro sem coração, que me afastou da minha sobrinha porque estava sofrendo e tinha medo de perdê-la, te vi com outros olhos, acabei me apaixonando por você, mas lutei com todas as forças para sufocar esse sentimento. Não podia amar o marido da minha irmã! Não via futuro na nossa relação! Também tentei ser feliz com o Pablo, mas eu o amo como um irmão, sempre foi meu melhor amigo, não era justo iludi-lo. No momento em que decidi lutar por este amor, você recuou, se acovardou e quebrou meu coração. Quando eu estava quase desistindo, você abriu seu coração e agora, finalmente, podemos ser felizes! — desabafou a Angie.
— Sim, meu amor! A partir de agora vamos conversar abertamente sobre tudo e decidirmos juntos como resolver os problemas que surgirem! Não quero mais saber de mentiras nesta família! León, você faz parte da nossa família! Preciso admitir que fiquei muito contente que a Violetta te escolheu! Você se parece muito comigo quando tinha a sua idade, até mesmo quando me enfrenta. Sei que vocês se amam, já te disse que não quero interferir no namoro de vocês, mas não a faça sofrer. — terminou o papai.
— Germán, já conversamos sobre isso, e te digo que nós queremos a mesma coisa: a felicidade da Vilu! — respondeu o León.
— Agora que já esclarecemos as coisas, tenho que dizer que voltamos mais cedo para um almoço em família! Estava com saudades de almoçarmos todos juntos, inclusive já reservei o restaurante em Puerto Madero. — papai falou animado.
— Mas papai, voltamos tarde ontem do show da banda e ainda temos que nos arrumar…
— Não aceito não como resposta. León, pega o carro das meninas e vai pra casa se arrumar, enquanto a Vilu se apronta. Já avisei a Ludmila e o Federico, vou buscá-los com a Angie e nos encontramos no restaurante. Não demorem, não quero ter que voltar aqui pra buscá-los! — interrompeu-me papai.
Depois de tudo que aconteceu hoje, quem era eu pra discutir com o papai sobre um simples almoço em família? Rapidamente subi pra me arrumar, enquanto León ia pra casa. Chequei o meu celular antes de ir tomar banho e vi uma mensagem da Ludmi, de uma hora atrás, me avisando da chegada do papai e da Angie. Resolvi ligar pra ela, antes que desse tempo deles chegarem lá no apartamento do Fede.
— Oi sister. Tudo bem por aí? Germán já chegou?
— Ludmila, você podia ter me ligado em vez de mandar uma mensagem! Só fui vê-la agora, tarde demais!
— Como assim, tarde demais? O que aconteceu?
— Eles nos pegaram na cama, Ludmi!
— Meu Deus, eu não acredito! Sorry maninha, se eu soubesse que ele ia chegar tão rápido, tinha te ligado. Mas, e aí, Lion tá vivo?
— Claro que está, também não é pra tanto! Papai quase nos matou do coração, mas no final deu tudo certo! Depois te conto, vou me arrumar, papai e Angie já foram buscar vocês, daqui a pouco o León volta. Nos encontramos do restaurante, tchau.
— De noite quero saber todos os detalhes! Até daqui a pouco! Tchau.
Desliguei o celular e corri pro banho. Estava terminando de me arrumar e León entrou no quarto.
— Pronta, princesa? — perguntou me beijando o pescoço.
— Quase, só falta pegar a minha bolsa.
— Mais calma? Eu disse que tudo ia dar certo!
— Teria ficado mais calma se você tivesse me contado toda a conversa que vocês tiveram em Sevilha.
— Achei que você não acreditaria. Mesmo depois desta nossa conversa, sinceramente, achei que o Germán ia me matar ao ver a gente na cama! Felizmente ele entendeu e eu estou vivo!
— Deixa de fazer graça! Agora vamos pro restaurante, antes que papai resolva mudar de ideia.
— Ok, mas antes eu quero um beijo!
León me puxou pela cintura, de encontro ao seu corpo, iniciando um beijo calmo, nos separamos com vários selinhos e logo fomos ao restaurante.
O almoço transcorreu bem, no início era o pouco estranho, mas papai fez questão de esquecer a cena que viu pela manhã, que acabamos nos divertindo. Estava realizando o sonho de ter uma família, por anos me senti sozinha, apenas com a companhia de papai, mas agora, tinha a Angie. Ela era mais que minha tia, era quase uma mãe, era minha amiga e seria minha madrasta em poucos meses. Fede e Ludmi são praticamente meus irmãos e León… Ah, León é o ar que eu respiro, meu coração…
Fale com o autor