Violetta - O Recomeço
16 Capítulo 8 - O Reencontro (Continuação)
Notas iniciais
Pablo e Angie tinham acabado de chegar ao Hotel, Angie estava nervosa mas feliz…Pablo olhou para ela e riu-se…
— Do que te estás a rir?- e Pablo riu-se ainda mais…- Pablo para, eu já estou nervosa o suficiente…- ela respira fundo…
— Parece que vais tirar o pai da forca…- e ri-se de novo, é engraçado olhar para Angie nervosa…
— Para Pablo, toma conta da minha mãe, diz-lhe que a adoro e que quando puder dou notícias.
— Está descansada ela fica bem. Vai, vai agarrar a tua felicidade, a tua vida está ali dentro.- Dá-lhe um beijo cheio de carinho e sorri-lhe.
— Obrigado, por tudo. Por seres como és: meu amigo, meu confidente, meu conselheiro, meu irmão…- e dando-lhe também ela um beijo sai do carro, pega na mal e dirige-se para o Hotel.
Quando entra dirige-se para a recepção e pergunta qual o número do quarto de Gérmen, a recepcionista estranha e hesita em lhe dizer, mas Angie diz-lhe que é a esposa e que queria fazer-lhe uma surpresa. É notório que aquela conversa de surpresa não está a convencê-la, diz que não pode dar os números dos quartos que são regras…Angie não desiste e acaba por lhe contar parte da história: que eles se tinham chateado por ciúmes estúpidos e que ela queria fazer as pazes e fazer-lhe uma surpresa. Apesar de ainda estar algo reticente acabou por lhe dizer qual o número, assim Angie dirigiu-se até ao elevador e subiu até ao piso do quarto de Gérmen. Chegou ao pé da porta do quarto, respirou fundo, ouviu Clara a chorar, o que a deixou mais ansiosa…e bateu á porta.
Clara estava com uma birra de sono, daquelas que apenas Angie conseguia acalmar, Gérmen já fizera de tudo mas como ela não sossegava nem por nada chamou Rosário para o ajudar. Quando ouve bater à porta abre-a sem perguntar quem é, pois única pessoa que ele esperava era a mãe…quando a abre…
— Finalmente mamã…- quando a viu, Gérmen gelou…Angie…ela estava ali à sua frente...- Angie...- foi a única coisa que ele conseguiu dizer. Angie, a sua Angie...estava ali e ele nem podia acreditar. Clara continuava a chorar, mas foi só estar ao colo da mãe que logo se acalmou...era como se finalmente tivesse encontrado o seu lugar, o seu porto seguro.
— Minha pequenina...porque estavas a chorar? Tinha tantas saudades tuas...- e dá-lhe tantos beijos, tantos carinhos que a faz gargalhar. De repente Clara olhando para Angie diz o que todas as mães anseiam ouvir "Mamã"...Angie nem acredita no que acabou de ouvir...- Ela disse...ela chamou-me de Mamã...
— A Vilu andou a ensiná-la desde que saíste lá de casa...era a coisa mais gira de se ver: sentava-se com Clara à sua frente com uma foto nossa e ia-lhe falando de nós...de ti em particular.
— A nossa Vilu...- e as lágrimas começam a cair...não eram lágrimas de tristeza mas de alegria, de gratidão...
— Angie...- Gérmen limpa-lhe as lágrimas, dá-lhe um beijo leve...- Angie, que fazes aqui, não que eu me esteja a queixar...mas...
— Eu não aguentei esperar por amanhã. Eu não sei como vou conseguir encarar tudo o que aí vem mas tenho apenas uma certeza: não consigo viver sem vocês...não consigo viver sem ti.
— Angie, minha Angie...- e deixam-se ir pela saudade...de repente batem à porta...- é a minha mãe...eu vou...espera...- e dirigindo-se até à porta — Mamã...demoraste..eu já consegui adormece-la...podes ir...e Vilu?
— Desculpa...foi precisamente por causa de Vilu que demorei...tive quase que arrastá-la para ir dormir.
— O Leon claro...obrigada mamã. Bom vamos dormir também...amanhã temos que acordar bem cedo. Boa Noite mamã.
— Boa noite Gérmen, qualquer coisa diz...- e vai-se embora, Gérmen vira-se e aquela visão o deixa sem palavras. Angie estava com Clara ao colo cantando, embalando-a para ela adormecer...eram momentos daqueles que ele queria guardar...e viver para sempre. Quando finalmente consegue adormece-la Angie coloca Clara no berço e vira-se...e quando o faz encontra o sorriso mais lindo que ela conhece, o mesmo sorriso que ela tanto ama...
— Já tinha saudades desse teu sorriso...- e aproximando-se...-...tinha saudades desses olhos, do toque dos teus braços — e nessa altura Gérmen começa a deslizar as suas mãos pela cintura de Angie, que ao sentir o seu toque se aproxima. Logo os seus lábios se tocam, e eles entregam-se a todo aquele amor que sentem, à paixão, à saudade. A noite foi passando, sem que nenhum dos dois tivesse dormido, as saudades eram imensas e a noite parecia curta. Estavam os dois deitados olhando para Clara que entretanto acordara e estava junto deles brincando e rindo...
— Está a amanhecer, daqui a pouco temos que nos levantar e ir para o aeroporto...
— Gérmen...sobre isso, eu estive a pensar...e se...
— Angie não me vais dizer que desististes de ir? Por favor não me faças isso...sabes que um dia vais ter que...
— Gérmen...- dá-lhe um beijo de forma a silencia-lo...- deixa-me continuar por favor. — Ele olha para ela deixando-a falar... — Estava a pensar em irmos os quatro passar uns dias juntos sozinhos longe de tudo e de todos...depois podíamos ir para Sevilha…
— Os cinco, por muito contente que Vilu fique por teres voltado, não vai querer ir sem o Leon.
— Sim tens razão...então vamos os cinco...- e ri-se para Clara que gargalha enquanto olha para Angie.
— Então onde é que estas duas lindas vão querer ir...?
— Não sei...mas seja onde for desde que estejamos todos juntos eu vou estar feliz...que tal perguntarmos a Vilu e decidimos todos juntos?
— Então...- levantando-se pega no telefone...- vamos chamá-la...- mas Angie tenta impedir...- Que foi agora?
— Sabes que horas são? — e como ele não responde...- são cinco da manhã, deixa-a dormir mais um pouco...depois eu quero aproveitar este tempo para matar saudades de vocês os dois...- dando um beijo a Gérmen e enchendo Clarita de mimos.
E assim se deixam ficar durante um tempo até que adormecem os três...de repente ouvem alguém a bater à porta com muita insistência, Gérmen é o único que desperta e olha para as horas no seu relógio e depressa percebe que estão atrasados, não...muito atrasados..
— Angie...amor...acho que todos perdemos o avião...acorda amor.
— Como? Quem é que perdeu o avião? O avião...Vilu...
— Eh, e ou muito me engano ou é ela que está a bater e...- nesse instante o telemóvel começa a tocar e ele vê que é Violetta a chamar…- e neste momento a telefonar tenho umas vinte chamadas não atendidas…- levanta-se e vai abrir a porta, Angie veste-se a correr... — Oi Vilu...eu…
— "Oi Vilu"...é a única coisa que sabes dizer...sabes que perdemos o avião, estamos há mais de uma hora a telefonar-te...
— Vilu, podes te acalmar por favor e não gritar. Primeiro adormeci por uma boa razão...- e ao dizer isto não evitou um sorriso meio gozão...- segundo podemos sempre apanhar outro...e em terceiro...- nessa altura como se tivessem combinado Angie aparece com aquele sorriso que Gérmen amava mais que tudo. Vilu fica de queixo caído, ela nem queria acreditar, parecia um sonho. Angie estava ali à sua frente, e sem esperar por mais nada corre para os seus braços, a sua Angie, a sua tia, a sua mãe voltara, ou será que não?
— Angie tu voltaste? Isto não é um sonho pois não? Não te vais embora?
— Não minha pequenina não é. Eu nunca mais vos deixo, estava com tantas saudades, parece que estive meses longe de vocês.
— Nem acredito que estás aqui, então já não vamos viajar? Contaste à avó Angélica?
— Não, eu quis contar-lhe, depois de te ver a sofrer, mas quando lá cheguei eu não consegui. Em relação à viagem nós tivemos uma ideia...
— Vilu, o que achas se fossemos os cinco viajar? Recuperar o tempo que perdemos com toda está história...
— Os cinco? — Vilu fica algo confusa... — Angie tu...
— Não, Vilu...estamos a falar do Leon...mas o que achas da ideia?
— Eu queria muito sim...mas acho que devem ir vocês os dois sozinhos. Eu, o Leon e a Clarita vamos para Sevilha com a avó...e vocês vão namorar...
— Bom...até que concordo...ter-te só para mim, não é uma má ideia...
— Não sei...acho que não vou conseguir ficar longe da Clara...
— Ah, meu amor vamos. Depois Clara fica com a minha mãe e com a Vilu, e tem também a Tia Mercedes e a...- Gérmen se arrependeu de imediato não devia ter falado dela...
— Está bem, tudo bem...mas vão os dois ter que me prometer uma coisa: Gérmen, vai ser uma viagem bem curta e Vilu tomas conta da tua irmã?
— Prometemos...- reponderam os dois ao mesmo tempo. Deixaram-se estar os quatro, agarradinhos matando saudades, decidindo qual o destino da viagem dos dois, cada um dava a sua sugestão e os outros davam a sua opinião...de repente Violetta lembra-se de Leon e da avó. Gérmen liga para Rosário pede-lhe desculpa por se ter atrasado e pede que ela suba com Leon, que lhe explicaria tudo. Assim que chegam ao quarto percebem o porquê de Gérmen se ter atrasado; Rosário está feliz por Angie finalmente ter ultrapassado todos os seus medos e por fim arriscar a ser feliz e Leon está feliz por Vilu. Assim que todos se acalmam um pouco Gérmen conta-lhes então o plano: ele e Angie iriam fazer uma segunda lua-de-mel, enquanto os outros iriam para Sevilha como estava programado. E enquanto Gérmen desce para tratar de marcar de novo as passagens, Rosário queria muito falar com Angie, mas sozinha sem mais ninguém, então sugeriu a Vilu e a Leon que fossem até à piscina com Clara deixando-as assim sozinhas.
— Estou feliz por ti e por Gérmen…só não percebi uma coisa Angie, se já contaste a Angélica porque é que…
— Eu não contei…- Rosário olha para ela admirada e confusa…- Eu queria, quando saí lá de casa eu sabia que era o que tinha que fazer…
— E quando lá chegastes…
— Mas quando cheguei a casa dela…eu simplesmente não consegui…não consegui suportar dar aquela dor à minha mãe…
— Angie, sabes que mais dia, menos dia a tua mãe vai saber…
— Eu sei eu vou contar, eu prometo-lhe…
— Mas antes de mais nada…sabes o que tens a fazer? Tu tens que aceitar…e não sei se ires para Sevilha será a melhor solução…
— Em relação à minha ida para Sevilha…eu sei que vou ter que conviver com…”ela”…
— Angie, tu nem consegues dizer o nome de Luzia, da tua irmã, como é que tu vais conseguir viver com ela no dia a dia…
— Rosário eu não lhe vou dizer que vai ser fácil para mim, porque não vai ser…mas por Gérmen e pelas minhas meninas eu estou disposta a tudo.
— Angie…eu não quero que vocês sofram, e quando eu digo vocês eu refiro-me aos três.
— Eu sei que não, mas foi por não enfrentarmos os erros que tudo isto começou, e eu não quero seguir por esse caminho.
— Erros de nós quatro, e que que agora são vocês que estão a sofrer. Como eu me arrependo de não ter lutado mais…
— Rosário se há uma coisa que o meu pai me ensinou é que não vale a pena chorar pela passado. Sim por enquanto eu não consigo chamá-la pelo nome e muito menos por... mas não quer dizer que um dia…
— Posso pedir-te só uma coisa…- Angie acena com a cabeça e assim ela continua…- dá uma oportunidade à tua…a Luzia, ela é tão inocente como tu nesta história.
— Eu prometo, vou tentar por si…e por ela…mas têm que me dar tempo. Não vai ser…
— Angie, eu sei que não vai ser fácil e que não vai ser de um dia para o outro, a única coisa que eu quero é que tentes, lhe dês uma chance de se dar a conhecer…e que tu te dês essa chance também. – e assim continuam a conversar, apesar de ter algum receio em conhecer a “sua irmã” Angie tinha alguma curiosidade em saber como ela era: com quem se parecia, o que gostava de fazer, se era casada, se tinha filhos.
Rosário ficou feliz por saber que apesar de todo o receio e todas as dúvidas, Angie queria saber como era Luzia; começou então a falar dela e como qualquer mãe os seus olhos brilhavam quando falava dela, Angie não pode evitar um sorriso ao ver o ar orgulhoso de Rosário. Ficou a saber que Luzia era uma mistura da mãe e do pai Miguel, que era médica, adorava música mas não a ponto de fazer disso carreira, era casada com Luís Velasquez um cirurgião muito conhecido em Espanha, tinham três filhos e havia ainda mais uma menina filha do primeiro casamento de Luís, e que era como se fosse sua filha, uma vez que a mãe da menina morrera no parto.
Angie e Rosário conversaram durante o que pareceram ser horas, falaram de tudo: de Luzia, de Mercedes, de Violetta, de Gérmen. Rosário mostra-lhe então uma foto dos netos: a Tatiana, ou Tati como era chamada e tinha 8 anos, o Miguel com 4 anos, a Sofia com 3 anos e o Tomás com um ano Angie não pode evitar um sorriso pois afinal eram seus sobrinhos; depois dessa ela mostrou-lhe a foto de Luzia com Luís, e quando Angie olha para a foto, não quer crer no que vê…ela pega na foto…e uma lágrima cai-lhe sem que ela consiga evitar.
— Maria…é…- as lágrimas começam a cair-lhe sem controlo…- é igual…- e as lágrimas naquele momento parecem uma cascata a escorrer…
— Sim, é muito parecida com Maria…quis-te mostrar antes que a conhecesses pessoalmente…
Angie levanta-se e vai para a janela, começa a lembrar-se do dia em que Maria morreu. Ela tinha feito 12 anos à uns meses, estava em casa com os pais, quando o pai que estava sentado a ver televisão recebe uma chamada, diz qualquer coisa a Angélica e saem deixando-a em casa de Pablo, que já na altura era o seu melhor, e talvez o único, amigo. Nessa noite ela dormiu em casa do amigo, não era nada que não acontecesse de vez em quando por isso Angie nunca desconfiou de nada, porém no dia seguinte quando os pais chegaram ela estava no jardim a brincar com Pablo, e nessa altura sim estranhou pois eles entrarem em casa sem a irem buscar por isso correu para lá, apesar da mãe do amigo o tentar evitar. Quando chegou o pai estava fechado no escritório, e a mãe estava sentada no sofá a chorar, ela aproximou-se de Angélica e logo percebeu que alguma coisa tinha acontecido, colocou uma mão no seu queixo fazendo que a mãe olhasse para ela e perguntou-lhe apenas «Mamã, foi a Maria ou a Vilu?», Angélica não consegue responder, mas de repente Miguel dá um grito, chamando por Maria, e nessa altura ela percebe o que aconteceu. Dá um abraço à mãe e sai, ainda ouve Angélica a chamar por ela…mas ela não volta atrás, vai a casa de Pablo, e fica por algum tempo sentada com ele em frente de casa de ambos, sem dizer nada. Até que se levanta, pergunta a Pablo se quer ir com ela a casa da irmã, ele não sabe o que se passou e por isso aceita, indo com ela, seguem até a casa de Gérmen e de Maria é nessa altura que Angie se vira para Pablo e lhe diz «Eu acho que a minha irmã morreu. E eu tenho que ir tratar de Vilu, ela ficou sem a mãe. Agora sou eu que tenho que tratar dela», depois de dizer isto ela fica em silêncio mais uma vez. Quando lá chegam, é a Olga que abra a porta, Gérmen que está na sala com Ramalho e os pais fica admirado por vê-la, no início ele fica com algum receio pois não sabe se Angie sabe de alguma coisa, e não quer que Vilu saiba, mas depois de ver Angie sorrir e de perguntar se pode ir brincar com Vilu pensa que ela ainda não sabe e deixa-a subir. Pablo está completamente espantado, Angie acaba de saber que a irmã morreu e age como se tudo estivesse bem, no entanto, não diz nada e continua a seguir a amiga e entra no quarto de Vilu. Passam a tarde a brincar com Vilu, até que anoitece e Angie decide ir para o jardim com Vilu, quando vê uma estrela bem brilhante conta-lhe que aquela estrela que brilha muito é a sua avó que morrera há uns anos, e que agora era uma estrela que brilhava muito cada vez que ela tinha saudades dela. Vilu acaba por adormecer ao seu colo olhando para as estrelas, Angie olha para uma outra estrela que brilha ainda mais e olhando para Vilu que dorme «Eu vou cumprir o que te prometi Maria, eu vou tomar conta dela» e é nessa altura que Gérmen entra com Angélica, olha para Angie e ia zangar-se mas percebe que Vilu está a dormir, esta percebe que ele está com medo…medo que ela lhe tenha tido alguma coisa, mas ela sossega-o e diz-lhe que nunca faria isso. Dirige-se até à mãe e vai-se embora…ela nunca deitara uma lágrima por Maria, nunca em momento algum ela chorou, todos achavam que ela devia ser seguida por um médico, pois ela não podia estar bem não era normal…mas todos os médicos a que ela fora diziam a mesma coisa «Ela está a reagir muito bem…ela percebeu que perdeu a irmã».
— Angeles...Angie estás bem? Estás a chorar...eu não devia ter-te mostrado...
— Desculpe Rosário, eu estava só a recordar aquele dia. Há tanto tempo que eu não me lembrava daquele dia…
— Ah...quando chegaste a casa de Gérmen a querer brincar com Vilu, todos nós pensámos que tu não sabias de nada, tu chegaste lá com um sorriso…nunca pensamos que…
— Eu não podia mostrar que sabia, nunca me deixariam ir ter com a Vilu.
—Sim o Gérmen tinha-nos acabado seduzente que Vilu não iria saber de nada...quando tu chegaste eu acho que ele gelou...
— Eu acho que eu própria tinha gelado por dentro...a única coisa que eu queria era estar com a Vilu e cuidar dela...eu era nova mas sabia que não podia dizer nada ela era tão pequenina.
— Nem no enterro tu deitaste uma lágrima. Eu olhava para ti e…estavas serena, calma demais. Apenas olhavas para o caixão e davas a mão a Angélica…
— Eu tinha que ser forte, pela minha mãe e principalmente por Vilu.
— Angie tu eras uma criança, ninguém esperava isso de ti. Mas sabes o que mais me recordo: no final já todos se tinham ido embora e tu ficaste ali parada e de repente deste um sorriso…daqueles que davas a Maria e que a derretiam.
— Eu senti-a ali comigo naquela altura…e foi naquela altura que eu lhe prometi mais uma vez que iria cuidar da Vilu…mas não consegui cumprir o que lhe prometi, porque Gérmen…
— Porque Gérmen fugiu com Violetta?
— Sim, e foi nesse dia que realmente eu quebrei. Quando soubemos que ele tinha saído do país com ela, os meus pais discutiram, tiveram uma discussão enorme, eu saí de casa sem que eles percebessem…fiquei horas a andar até que cheguei ao cemitério e desabei junto de Maria.
— Foste para o cemitério…mas como chegaste até lá, tu eras uma miúda…?
— Não sei como cheguei. Foi o Pablo que me encontrou, e me trouxe de volta a casa. O meu pai nem ligou, mas a minha mãe abraçou-me e disse-me apenas que nós iriamos encontrar a Violetta…e a partir daquele dia a minha vida andava á volta dessa missão…encontrar a Vilu. Era a única coisa que me interessava, a única coisa em que eu pensava…
— E viveste anos a odiar o Gérmen…e hoje…
— Hoje amo-o…amo-o como nunca pensei amar alguém...como nunca pensei amá-lo.
— E ele ama-te…como nunca pensei que pudesse amar. Nunca o tinha visto tão apaixonado…tão feliz.
— Ver esta foto, fez-me recordar que tudo tem um propósito na vida, e que de alguma forma a Maria está sempre comigo.
Quando Gérmen entra no quarto as duas estão abraçadas, e sorriem quando o veem…
— Porque é que se estão a rir? E onde estão os miúdos?
— Porque estávamos a falar de ti, e os miúdos foram para a piscina com a Clara. – Diz Rosário rindo-se do ar assustado de Gérmen
— Gérmen…amor, tem calma…ainda te dá uma colapso…- diz-lhe Angie dando-lhe um beijo.
— Estão sozinhos…os dois…- Gérmen estava em pânico, só não sabia o que temia mais: o facto de estarem os dois sozinhos ou de estarem sozinhos com Clara.
— Gérmen por favor tem calma. Eles estão com a Clara, não comeces já a criar fantasias. Conseguistes alterar os voos?
— Sim, desculpa. Mas às vezes ainda é difícil pensar que a minha menina está a virar uma mulherzinha.
— Bem, acho que é melhor começares a habituar-te então…e então para quando conseguiste o voo, tenho que avisar a tua tia.
— Ah sim, só consegui para amanhã depois do almoço. – e indo ao encontro de Angie que estava de pé, abraçou-a pela cintura, deu-lhe um beijo no pescoço…- e nós temos o voo a meio da tarde, como vamos ter que fazer escala, pensei que seria mais fácil porque assim podemos dormir durante o voo.
— E posso saber para onde vamos…- Gérmen vira-a, dá-lhe um beijo.
— Não, é surpresa…só te posso dizer que nunca lá fui por isso vai ser novo para os dois.
— Ah Gérmen, assim não vale. Vais-me deixar neste ansiedade…dá-me só uma pista por favor…até porque preciso saber que roupa levar.
— Não…se precisares de roupa compra-se...e agora vou ter com os meninos. Vocês não vêm?
— Sim já vamos…e Gérmen — este já estava à porta…- por favor a Vilu já não é a tua bebé. – Ele volta atrás e dá-lhe um beijo, sorri e sai.
— Nunca vi o meu filho tão feliz. Nem com Maria…tu fazes-lhe muito bem, conseguiste o que ninguém conseguia há muito tempo: fazer com que ele voltasse a ser o Gérmen de antes.
— O Gérmen sofreu muito com a morte de Maria, como todos nós…e reagiu conforme conseguiu, no caso dele colocou uma carapaça, como a das tartarugas, para esconder tudo o que tinha a esconder.
— E tu conseguiste ver através dessa carapaça. Vistes quem ele era na realidade e vou-te estar sempre grata, devolveste-me o meu filho.
— Eu não fiz nada demais, mas…bom vamos descer? É que sabendo como Gérmen é ciumento e possessivo em relação a Violetta, já devem estar em pé de guerra.
E desceram as duas ruma à piscina, quando lá chegaram Vilu e Leon estavam na piscina com Gérmen e Clarita. Assim que as viram chamaram-nas, Rosário não quis ir dizendo que preferia ficar sentada tomando qualquer coisa, já Angie não teve outra hipótese pois se bem que não lhe apetecia muito Clara começou a chamar por ela, e ela não resistiu. Ficaram assim os cinco durante um tempo a brincar com Clara até que mesmo não querendo sair da água, pois ela era um perfeito peixinho adorava estar na piscina, toda ela tremia de frio. Assim Gérmen saiu da piscina, embrulhou-a na toalha e entregou-a a Rosário que ficou com a neta, brincando e rindo com ela, e ele volta para a piscina. Angie ficara na piscina com Vilu e Leon, de repente sente as mãos de Gérmen na sua cintura…volta-se e dá-lhe um beijo.
— Nós vamos ali mais para o fundo…é que tanto mel ainda chama as abelhas…e eu não quero ser picada. – Diz Vilu rindo e puxando Leon para longe de Angie e de Gérmen.
— Estamos muito engraçadas Dona Violetta…- responde-lhe Angie…
— Vilu não te quero longe. E tem cuidado com as abelhas! Se é que me percebes…
— Não te preocupes vocês tem mel suficiente para uma colmeia inteira…
— Vilu…- mas nessa altura Gérmen beija-a de novo…- Gérmen, estamos na piscina…- mas Gérmen já não a ouvia…-Gérmen…- e Angie afasta-o de novo.
— Está bem…mas a culpa é sua mocinha…- diz Gérmen com um sorriso de orelha a orelha.
— Minha? Eu estava aqui no meu cantinho, tu é que vieste ter comigo…e…começaste com as tuas coisas…
— É que eu não consigo resistir-te…que culpa é que eu tenho se tu és irresistível? – e quando a ia beijar de novo Angie mergulha e foge dele…e começam a fugir um do outro, parecendo dois adolescentes. Ele acaba por conseguir apanhá-la e se perdem nos braços um do outro.
— As abelhas já andam á vossa volta…- diz-lhes Vilu…- nós vamos sair, vêm?
— Não, vamos ficar para ser picados por abelhas muito metediças…e sabias que uma tem um nome muito familiar…é chama-se Violetta…- e Gérmen começa a fazer cócegas em Violetta e a tentar pegar-lhe ao colo.
— Papá chega, por favor. Desculpa, papá…- Angie e Leon riem-se com toda aquela cena…- ajudem-me vocês estão para aí a rir…ajudem-me.
— Agora estás a pedir ajuda “abelhita”…mas aqui o “mel” atacou-te…
— Está bem, ganhaste…desculpa.- ele larga-a e ela sai da piscina e quando já estava longe de Gérmen…- mas que estavam muito “melosos” era verdade.
Gérmen saiu da piscina e foi atrás de Violetta, mas desta vez em vez de cócegas pegou em Vilu e começou num ataque de beijos…Vilu tentava afastar-se dele mas por muito que tentasse não conseguia.
— Gérmen chega…olha que eu assim vou ficar com ciúmes…- disse Angie mais para ele a largar do que propriamente por ter ciúmes.
— Que não seja por causa disso…eu dou para as duas…- e agarra as duas distribuindo beijos entre as duas.
— Bom a conversa está boa, mas temos que ir tomar um banho e almoçar, porque há uma menina aqui que está aficar algo rabugenta — diz Rosário que está com Clara ao colo.
— Anda minha pequenina...vamos tomar um banho e almoçar...- Angie pega em Clara e sai com Germen, que lhe diz alguma coisa ao ouvido provocando um sorriso nela. Rosário, Violetta e Leon sobem pouco depois para também eles tomarem um banho e arranjarem-se para o almoço. Depois de dar banho a Clara, Angie deitou-a no berço, Gérmen olhava-a completamente embevecido, quando Angie passou por ele para ir ela tomar banho, ele agarrou-a pela cintura, virou-a e deu-lhe um beijo daqueles que tiram o fôlego a quem vê...Angie afasta-o ou pelo menos tenta...porque apesar de saber que estão à espera deles...
— Gérmen para temos que nos despachar...já devem estar à nossa espera...
— Que esperem...fugiste de mim na piscina...não vais fugir de mim aqui também ou vais?
— Tudo bem mas sem segundas intenções...temos a noite toda...
— Hmmm...agora fiquei ansioso, a noite toda...- e beija-a de novo, tomam banho, arranjam-se e descem com Clara.
O resto da tarde passam-na todos juntos: brincando, rindo, conversando. Quando chega à noite Gérmen já combinara com a mãe para ela ficar com Clara no seu quarto com Vilu. Assim quando começa a ficar tarde Gérmen inventa uma desculpa qualquer para Angie subir com ele, deixando Clara com a avó. Esta não está muito convencida mas acaba por ir com ele. Assim que entram no quarto Gérmen agarra-a pela cintura.
— Gérmen...a tua mãe daqui a pouco está aí com Clara...- diz-lhe Angie tentando afastar-se…
— Não...não está...- diz-lhe ele virando-a para si e beijando-a primeiro na testa, depois na ponta do nariz, descendo até ao pescoço...- Hoje a noite é só nossa...a Clara vai dormir com a avó e com a irmã...- e depois de dizer isto beija-a como se fosse o último beijo que lhe daria. Foi uma noite maravilhosa...Angie estava cada vez mais apaixonada por ele, como é que ela pudera pensar que conseguiria viver sem ele? Nunca seria possível, eles eram dois num, eram as únicas duas peças de um puzzle que se completavam na perfeição. Já era de madrugada quando finalmente adormeceram abraçados um ao outro...
No dia seguinte, Rosário acordou Violetas e Leonardo e juntamente com Clara foram tomar o pequeno almoço. Pediu que levassem o pequeno almoço ao quarto de Gérmen, Vilu bem tentou ser ela a levar mas Rosário impediu-a.
— Avó deixa-me ser eu a levar...por favor. Eles nunca mais vão sair daquele quarto e vamos perder de novo o voo.
— Não Vilu...o teu pai e a Angie têm o direito a estar um pouco sozinhos sem interrupções.
— Avó...tiveram a noite toda...sem terem interrupções...
— Chega Violetta...já te disse que não...
— Vilu porque não vamos jogar um pouco...
— Não Leon...tu ganhas-me sempre. Não tem graça.
— Eu prometo que desta vez te deixo ganhar...e até te conto alguns truques para me ganhares. Anda deixa esse ar de birrenta...se bem que ficas linda com ele...
— Leon...- se bem que algo contrariada, porque ela queria mesmo ir acordar os dois pombinhos, Vilu acaba por concordar e vai com Leon para a sala de jogos do hotel, enquanto isso Rosário vai dar uma volta pelos jardins do hotel com Clarita.
Na hora que bateram à porta Gérmen já tinha acordado, e olhava para Angie...a sua Angie. Remexia-lhe os caracóis louros, e desejava olhar para aqueles olhos verdes, que se encontravam fechados naquele momento, mas onde ele se perdia. Quando ouve bater à porta levanta-se, ele pensa que é Violetta, contudo da de caras com um rapaz do hotel com a bandeja do pequeno almoço. Gérmen deixa-o entrar, dá-lhe uma gorjeta...e vê-o a sair. De repente sente as mãos de Angie na sua cintura, vira-se e fica a olhar para aqueles olhos verdes...para o sorriso ainda meio que ensonado...e beija-a.
— Bom Dia meu amor…quem era?
— Bom dia meu Anjo...acho que houve alguém que se lembrou de nos mandar o pequeno almoço...estás com fome?
— Muita...nem imaginas quanta...mas depois da noite de ontem...- e dá-lhe um beijo no peito nu de Gérmen.
— Não queres começar de novo pois não...é que temos dois voos para apanhar e eu não me responsabilizo pelos meus actos se continuares.
— Está descansado, eu estou mesmo com outro tipo de fome...- e rindo-se começa a comer e Gérmen junta-se a ela. Depois de comerem deixam-se estar mais um pouco no quarto conversando e namorando um pouco. Vilu apesar de estar a gostar de estar com Leon, até porque sem a presença do pai podem estar mais à vontade para estar com ele. No entanto, Rosário acaba com os momentos a dois pois estava na hora de se arranjarem, de fazer as malas, almoçarem e saírem para o aeroporto. No fim de arrumar a sua mala, Vilu sai do quarto com Clara e vai ter com Gérmen e Angie, apesar de Rosário tentar impedir, ela nem quis saber e foi ter com o pai e com a tia. No quarto Gérmen e Angie conversavam e namoravam, até que ouvem a porta.
— Aposto que é a Dona Violetta, mas vai ter que esperar...porque eu quero ficar mais um tempo assim sozinho com o meu amor...- e enquanto diz isto a Angie meio a sério meio a brincar Gérmen vai-lhe dando beijos.
— Gérmen chega...eu vou abrir a porta...- e Angie levanta-se deixando-o a fazer cara de uma criança à qual acabaram de tirar o brinquedo...- Olha só quem são: as minhas duas princesas...
— Espero que não tenha interrompido nada, mas a Clarita estava com muitas saudades...- e ri-se ao mesmo tempo que olha para Gérmen ainda com cara de birra...- Ups...interrompi não foi...mas a sério papá a culpa foi da Clara ela estava com saudades vossas...a sério...
— E porque será que eu não acredito nisso Vilu...- diz-lhe Angie que já estava sentada junto de Gérmen com Clara no meio deles.
— Porquê não sei, porque é a verdade...perguntem à Clara...- e ri-se de novo com um ar de perfeito gozo.
— Sabes porque é que eu te perdoou? — diz Gérmen aproximando-se um pouco de Vilu que estava já sentada aos pessoas da cama...e abraçando-a pela cintura...- porque eu adoro-te...e ainda mais de te fazer cócegas.
E começa assim mais um ataque de cócegas, ao qual Angie também se junta, mas em vez de fazer a Vilu ataca Gérmen...Clara ri-se até que...diz algo que os faz parar...
— Ela disse o meu nome...eu...Clarita disseste meu nome...- e Clara repete "bilu"...- ela disse o meu nome...- Vilu estava eufórica, ela nem queria acreditar, era a melhor sensação do mundo.
— A minha pequenina está a aprender tão depressa...não é meu amor. Já só falta dizer papá...- e sem ninguém esperar ela aponta para Gérmen e diz "papá"...todos sorriem e mimam Clara.
— Esta minha princesa está a crescer muito depressa...- diz Gérmen...- Clarita, ouve o papá por favor não cresças...
— Papá...sabes que ela vai crescer, vai aprender muitas coisas, vai cantar como eu e vai conhecer...
— Podes parar Vilu...a minha Clarita vai ser só minha...
— Gérmen...sabes que isso é quase impossível, mas como ainda vai demorar algum tempo até chegar esse dia...- e faz-lhe um mimo.
— Papá...qual foi a minha primeira palavra? — pergunta Vilu.
— A tua primeira palavra...eu gostava de te dizer que foi papá...mas não tive essa sorte...
— Eu lembro-me desse dia, tínhamos ido fazer um piquenique. E lembro-me que fiz uma birra enorme...
— Tu fizeste uma birra porquê Angie?
— A tua tia teimava que tu tinhas tido o nome dela...e todos nós achávamos que tinhas chamado a tua mãe. Mas afinal estavas a falar da gata da vizinha...que se chamava..."Mia".
— A minha primeira palavra foi "Mia"...foi o nome de uma gata? Que desilusão...a sério...tanto esforço para depois me sair isso...
— Tu sempre foste assim...gostavas de ser diferente. A tua mãe dizia que tinhas alma de artista, e como todos os artistas tinhas a tua forma de ver o mundo.
— A tua mãe sempre soube que tu serias especial...- diz Angie.
— Angie! Que raio de forma de ver o mundo…podia dizer tudo “mamã”, “papá”, “tia”…mas fui logo olhar para a gata e dizer o nome dela…
— Bom e agora enquanto vou tratar do check-out as meninas podem acabar de fazer as malas.
Depois de fechar as contas do Hotel, Gérmen vai chamar Rosário e Leon e vai ajudar com as suas princesas com as malas. Como só tinham o carro de Gérmen e eles eram muitos, ele decidira pedir um transporte para os levar ao aeroporto, depois ligaria a Ramalho para ir buscar o carro ao hotel. Assim após o último almoço todos juntos, pelo menos durante o tempo que duraria a viagem de Angie e Gérmen, entraram todos na carrinha e seguiram viagem. Todos estavam felizes, afinal iriam estar juntos…sem as ameaças de José.
Quando chegaram ao aeroporto, e depois de fazerem o check-in dos seis encaminharam-se para a porta de embarque do voo para Sevilha, já que o voo de Gérmen e de Angie era um pouco mais tarde. A despedida foi algo complicada, principalmente por causa de Clara que não queria largar a mãe nem por nada. Valeu-lhes Violetta que com toda a calma e ternura conseguiu que Clara se acalmasse e fosse para o seu colo sem chorar.
Angie também acaba por deixar cair algumas lágrimas, não era fácil ver as suas meninas partir sem ela, apesar de ser por pouco tempo...o seu coração estava pequenino. Gérmen percebeu o que ela estava a sentir e abraça-a pela cintura dando-lhe um beijo no pescoço tentando animá-la um pouco.
— Angie, se quiseres ainda podemos ir para Sevilha...não precisamos de fazer está viagem...- Angie vira-se e beija-o...
— Precisamos sim...eu amo-te...- e de novo se unem num intenso beijo.
Seguem assim os dois até à sua porta de embarque à espera que chegue a hora do voo. Passado algum tempo...que para eles foi pouco pois estavam quer um quer outro perdidos nos olhos um do outro...chamaram para o voo.
— Os passageiros do Voo 537 rumo ao Rio de Janeiro favor dirigirem-se para a porta de embarque numero 5.
— Vamos é o nosso...- diz-lhe Gérmen.
— Nós vamos para o Brasil? Mas tu disseste que...
— Tem calma...eu também disse que teríamos que fazer escala certo? Pois teremos que fazer escala no Rio...agora vamos.
— Não me vais mesmo dizer para onde vamos, pois não?
— Não...- e dito isto beijou-a. E seguiram até à porta de embarque rumo ao desconhecido. A única coisa que Angie sabia é que fosse para onde fosse ela estava com ele...com o amor da sua vida.
Gérmen também estava feliz, ele nunca teria conseguido viajar sem Angie...era como se metade dele ficasse para trás. Ele já não sabia viver sem ela...
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