Violetta - O Recomeço
21 Capítulo 10 - A Esperança é a Ultima a Morrer (Continuação 2)
Notas iniciais
E assim seguem até ao Hospital, em silêncio...um completo silêncio, costuma-se dizer que o silêncio é de ouro, mas este era tudo menos de ouro...nenhum tinha vontade de falar aquilo que lhes ia na alma, no coração e na mente. O medo era maior que qualquer palavra proferida por qualquer um deles...nada que dissessem poderia afastar aquele temor que sentiam ao saberem que finalmente iam saber o que se passava com Violetta. Assim que chegam são levados por Luís para o gabinete do Professor Castro, onde já estavam o Dr. Herrera, Leon e Frederico.
— Bom Dia a todos, espero que tenham descansado alguma coisa?- diz Rodrigo...
— Mais ou menos…diz Gérmen…
— Bem, pelo menos descansaram mais que este jovem, que pode ser muito persuasivo...e que acabou não sei como por dormir no quarto da Violetta.
— Eu só queria ficar mais perto dela...- e as lágrimas corriam-lhe pela face...por muito que ele tentasse evitar, ele não suportava ver o amor da sua vida assim...tinha saudades do seu olhar, do seu sorriso, da sua voz, de cantar com ela...
— Professor Castro, Dr. Herrera; podemos ir directos ao assunto. — Diz Gérmen olhando ora para um ora para outro, Angie estava ao seu lado apertando-lhe a mão com tanta força que ele já quase não a sentia...- como está a Violetta? O que é que aconteceu com a minha filha?
— Bom Sr. Castillo a Violetas teve um Acidente Vascular Cerebral...
— Teve o quê? Mas ela ainda é tão nova...não...eu não percebo...
— O Senhor tem razão, não é normal acontecer em alguém tão jovem...mas acontece.
— Como assim acontece…como é que a minha filha de repente entra em coma e o senhor simplesmente me diz que acontece…
— Gérmen…tem calma. Deixa o Prof. Castro continuar.- Diz Rosário…
— O caso da Violetta não é dos mais graves, o mais provável e que ela tenha tido mais sinais do que estaria a acontecer mas ninguém se tenha apercebido.
— Que sinais? Quer dizer que podíamos ter evitado isto? Que foi por nossa causa que ela...- Angie chora sem conseguir controlar as lágrimas...
— Não, o professor não quis dizer isso. Ouçam mesmo que tivessem percebido alguma coisa, tudo isto podia ter acontecido.- diz Luís tentando acalmar os dois.
— Eu vou tentar explicar-vos. Um AVC é nada mais que uma queda no fluxo sanguíneo para o cérebro. Pode ter várias causas, uma delas é uma simples taquicardia que foi o caso da vossa filha. O facto de ter feito a paragem cardiorrespiratória também não ajudou...
— Mas a Vilu nunca teve problemas de coração? Como é que de repente tem essa coisa de taquicardia?- pergunta Rosário.
— Rosário...acho que no caso da Violetta com tudo o que tem acontecido nas últimas semanas, bastava para um adulto ter um enfarte…tem sido muita coisa junta e ela já sofreu muito.
— Dr. Herrera e agora, quanto tempo vai estar assim desacordada e ligada àquela máquina.
— Bom em relação ao facto de ela estar inconsciente, a verdade é que neste momento só depende dela, em relação ao ventilador ela já está a respirar por ela. E isso só por si é muito bom sinal.- diz Rodrigo
— Só mais uma coisa que vocês têm que saber...- diz o Professor Castro...- em relação a possíveis sequelas...- e de repente todos olham para ele...- isto se existirem mas só quando ela acordar podemos analisar...
— Que tipo de sequelas? O que pode acontecer...por favor não me esconda nada Professor.
— Bem podem ser muitas, mas as mais comuns passam por: perda de memória recente, movimentos, fala...
— Está a dizer que a Vilu pode...não...eu não...- Angie fica pálida, branca...e sai da sala. Ela não aguenta ouvir mais nada, vai direção à primeira cada de banho que encontra e...tudo o que comerá naquela manhã acaba de sair do seu estômago. Ela sente-se perdida, enjoada e levemente tonta...pensar em Vilu sem falar ou sem se mexer...não isto não está a acontecer. Quando sai da cada de banho vê Tatiana com Luzia, e de repente aparece Gérmen e todos os que estavam na sala.
— Angie, estás bem? Estás pálida...
— Eu estou bem...podemos ir ver a Vilu?
— Sim...claro que sim...- Gérmen beija-a na testa e abraça-a, sentindo ainda a sua ansiedade, o seu medo...que era também o seu medo.
— Eu também vou...não é Tio Rodrigo? O papá disse à mamã que tu tinhas deixado?
— Sim. Mas vamos deixar primeiro os pais da Violetta irem vê-la, depois levo-te lá pessoalmente pode ser?
— Mas...eu queria ir logo...- uma ou outra lágrima começam-lhe a cair...
— Tati...- diz-lhe Angie...- Se quiseres podes vir connosco...queres?
— Não Angie, vocês devem ir sozinhos.- diz Luzia não com um tom de autoridade mas calmo…- A Tati vai esperar que vocês a vejam e...
— Luzia deixa-a vir...por favor.- Diz-lhe Angie já com Tati junto dela com o ar mais fofo do mundo...
— Acho que com aquelas duas caras não vamos conseguir dizer que não Luzia...- diz-lhe Rodrigo.
— Eu já desisti de dizer que não aquela cara...- diz Gérmen apontando para Angie...- há muito tempo...
— Está bem...- Luzia não aguentava dizer que não quando a filha fazia aquela carinha…- Mas Tatiana comporta-te e lembra-te do que conversámos no carro...
— Sim...mamã eu vou-me portar bem e não vou pular, nem gritar, nem...
— Bom...eu e a avó vamos para o gabinete do papá depois vais lá ter com ele.
E assim foram os quatro a caminho do quarto de Violetta, enquanto os restantes seguiam cada um o seu caminho. Os dois médicos seguiram o seu rumo e foram tratar dos seus outros pacientes; Leon, Ludmila e Frederico foram até à cafetaria do hospital para comerem alguma coisa e conversarem um pouco. Rosário e Luzia foram para o gabinete de Luís, e enquanto a mãe lhe contava o que o Professor e Rodrigo lhe tinham tido Luzia fica cada vez mais inquieta.
— A culpa foi minha...eu sabia. Eu gritei com ela sem sequer lhe dar uma hipótese...a culpa foi minha mãe.
— Luzia, por favor a culpa não foi tua querida. A Violetta...ouve querida, com tudo o que aquela menina já sofreu na vida eu até me espanta como é que ela aguentou tanta coisa.
— Mamã, ela teve um AVC porque entrou em colapso ela pode ficar com sequelas para o resto da vida, tudo porque eu fui egoísta e insensível. Eu só pensei em mim, nem por um minuto pensei no que ela estaria a sofrer...no difícil que era ver a imagem da mãe em mim…
— Querida estares a penalizar-te dessa forma não ajuda ninguém...nem a ti, nem à Violetta. Por favor para com isso e agora em relação a Angie, estiveram a falar durante muito tempo hoje?
— Sim...falámos sobre muita coisa: sobre nós, sobre Maria, sobre a Violetta, mas fundamentalmente sobre o papá.
— Sobre o teu...o vosso pai? E falaram sobre o quê?
— Muita coisa mamã. Mas percebi que não fui a única a sofrer com tudo isto. Eu nunca tive o meu pai comigo...mas a Angie, a quem eu culpava por mo ter "roubado" também nunca o teve na realidade.
— O Miguel...ele...a pessoa em que ele se transformou, aquele que Angie retratou, não foi o Miguel pelo qual eu me apaixonei...
— O papá apenas se perdeu no caminho mamã. Eu acho que ele não era mau ou indiferente, ele perdeu o rumo e fez e disse coisas que não devia...mas ele foi e sempre será o homem pelo qual te apaixonaste.
— Há uma coisa que ainda não percebo...porquê é que a Tati tem tanta vontade em ver a Violetta?
— Também não sei mamã...eu tentei perguntar-lhe a caminho daqui mas a única coisa que ela me disse foi "que eram coisas de primas..." nem lhe perguntei mais nada.
Entretanto na cafetaria do hospital Ludmila e Frederico tentavam convencer Leon a ir descansar um pouco a casa ou pelo menos ir tomar um banho.
— Leon sei que não queres sair daqui mas pelo menos tomar um banho...qualquer dia por muito que não queiras sair expulsam-te do Hospital por atentado à saúde pública.
— Lu...- Frederico olha para Ludmila...- se bem que de uma forma não muito cuidadosa...- e olha de novo para ela...- a Ludmila tem uma certa razão, porque não vais pelo menos tomar um banho. O Gérmen e a Angie estão com a Vilu...levo-te e trago-te assim que acabares.
— Tudo bem...vamos, mas alguém tem que avisar que vamos a casa.
— Não te preocupes...- e com telemóvel na mão Ludmila estava já a escrever...- já estou a tratar disso, vamos?
Assim saíram os três para casa, quando chegaram Clara estava de novo a chorar, Chica tentava acalmá-la mas nada resultava. Assim que vê Ludmila estica os seus bracinhos e quando se sente ao seu colo dá um suspiro e aninha-se bem ao colo desta. Leon sobe logo para tomar o seu banho e Frederico senta-se ao lado de Ludmila.
— Minha estrelinha...o que aconteceu porque é que ela estava a chorar...
— Ela está a chorar desde que Angie e Gérmen se formam embora...- diz Mercedes.
— Acho que ela presente que algo não está bem. Nós pensamos que não mas estes anjinhos sentem tudo.- Diz Chica.
— A Clara gosta muito de ti...apesar de...desculpa a minha pergunta mas ainda não percebi a tua relação com Gérmen e com Angie.
— Digamos que o Gérmen e a Angie me abriram os seus corações e a sua casa quando fiquei sem ninguém.
— Desculpa não devia ter-te perguntado...- Diz Mercedes já muito aflita.
— Não há problema, eu considero o Gérmen como um pai e a Vilu é como se fosse uma irmã para mim. Eles transformaram-se numa família para mim depois da minha mãe…ter feito umas coisas erradas.
— Ai, querida desculpa, esta minha mania de querer saber tudo, desculpa.
— Não há problema…ela errou porque está doente e o Gérmen cuidou de mim…ele tem sido o pai para mim. E a Vilu…é muito mais que uma irmã para mim…
— O engraçado é que nem sempre foi assim, viviam a discutir as duas e odiavam-se de morte...- diz Frederico já a rir-se, Ludmila fuzilava-o com os olhos, mas a verdade era essa: elas passaram de um ódio mutuo para um amor fraterno. Era estranho até para Ludmila perceber que tudo o que sentira por Vilu tinha mudado tanto.
— Frederico...mas não foi bem assim, a verdade é que eu tinha muitos ciúmes da Vilu. Ela tinha tudo o que eu nunca tive: uma família capaz de tudo para a proteger...e bem, fiz muitas coisas de que hoje me arrependo profundamente.
— O importante é sabermos reconhecer e arrependermo-nos do que fizemos de errado e acho que isso tu fizeste…- diz Mercedes dando um sorriso a Ludmila…- Porque conheço o meu sobrinho o suficiente e se ele abriu o seu coração para te receber é porque o mereceste…
— Acho que sim…vou deitar esta princesa…- e vira-se para Frederico…- e tu devias ir ver do Leon, aquele miúdo está a demorar mais no banho que eu e Vilu juntas.
Todos se riem daquele comentário e enquanto Ludmila e Frederico sobem, Mercedes e Chica tratam das três crianças que estavam já a fazer uma barulheira infernal. Enquanto Ludmila vai colocar Clarita no berço, Frederico vai até ao quarto de Leon e encontra-o a dormir, se bem que tem consciência que o seu amigo queria ir logo para o Hospital também sabia que ele precisava de descansar, então deixa-o a dormir e vai ter com Ludmila que estava no quarto de Gérmen e de Angie a deitar Clara. Abre a porta bem devagar pois a pequena estava a dormir…mas assim que o faz para de imediato e fica a ouvir a conversa das duas, ou pensando bem era mais um monólogo pois apenas Ludmila falava…era uma cena que ele não queria interromper.
— A Violetta vai ficar bem princesa não quero que te preocupes, até porque ficares com rugas antes do teu primeiro aniversário seria…um desastre. E depois quando ela voltar vai-te ensinar a cantar tão bem como ela…é isso mesmo apesar de simplesmente desmentir o que acabei de dizer se algum dia tu o reproduzires, mas a verdade é que a nossa irmã canta melhor que eu. Mas não te preocupes porque eu vou-te ensinar como ser uma Supernova sempre a brilhar. E vamos ser muito felizes, todos…e a Vilu também…porque ela vai voltar para nós, por isso não que te preocupes.
— Eu tenho a certeza absoluta que vamos…- diz Fede que não aguenta mais estar escondido vendo a sua Lu a chorar…- Amo-te.
— Frederico…- ela tenta disfarçar as lágrimas…- Estavas aí há muito tempo?
— Sim…cada dia que passa apaixono-me mais por ti…
— Frederico…- Ludmila baixa a cabeça e olha para Clara tentando fugir de um contacto com Frederico que iria com certeza levá-la a um caminho que ela não sabia se estava preparada…
— Tu és a minha estrela companheira, juntos brilharemos ainda mais. És a estrela que me guia sempre que me perco, sempre que está escuro e não encontro o caminho…tu sempre estás lá para iluminar o meu caminho…o caminho que me leva até ti…a minha estrela gémea…Amo-te.- e depois de dizer tudo isto segura-a pela cintura e beija-a com paixão, com amor…Ludmila separa-se um pouco daquele beijo…
— Também te amo…- e de novo se entregam àquele beijo apaixonado, profundo daqueles em que ficamos sem ar. Quando se separam Ludmila olha para ele…- E o Leon já está arranjado?
— Não…- Ludmila ia falar alguma coisa mas Fede não a deixou e continuou…- Ele adormeceu, eu sei que ele queria ir para o hospital…
— Não. Deixa-o ele precisa de descansar. Ele está há dois dias naquele hospital. Ele tem que descansar senão daqui a pouco em vez de um temos dois no Hospital.
— Ele vai ficar furioso…mas é para o bem dele certo…- Ludmila acena-lhe que sim com a cabeça, dá-lhe um beijo calmo no início, mas que logo começa a ser mais empolgante, separa-se dele com algum custo, pega no intercomunicador e desce com Frederico para a sala. Apesar de serem umas pestes barulhentas, Ludmila começara a gostar realmente daqueles seus “primos”…principalmente da Tati que naquele momento estava a ver Violetta, era impressionante a ligação que elas as duas tinham. Na verdade Ludmila via-se muito em Tatiana, aquela maneira de ser determinada, respondona, argumentativa; mas ao mesmo tempo via nela um pouco de Vilu, era doce, prestativa, carinhosa…e apesar de não ter noção tinha uma voz linda.
No Hospital Gérmen, Angie e Tati estavam à porta do quarto de Violetta, quando o primeiro recebe a mensagem de Ludmila, avisando-o que tinham conseguido convencer Leon a ir tomar um banho, que mais tarde voltariam os três. Eles ficam um pouco para trás e Tatiana vai entrando no quarto…sozinha, embora Luís quisesse entrar, ela não o deixou.
— Passa-se alguma coisa? Quem é que te mandou mensagem? Foi a Clara?
— Calma…foi só a Ludmila a avisar que conseguiram convencer o Leon a ir tomar um banho. Ah! Também disse que ia ficar um pouco com Clara para ficares descansada.
— A Ludmila tem sido…incansável…e o Leon, estou preocupada com ele, não achas que devíamos avisar os pais dele…não sei…
— Por enquanto deixa que nós tratamos dele…e agora vamos ver a Vilu.- Quando chegam à porta veem apenas Luís…- e a Tatiana?
— Ela quis entrar sozinha…desculpem, eu quis entrar com ela mas…
— Não há problema Luís…vamos Gérmen. – Quando abrem a porta veem Tatiana de joelhos em cima de uma cadeira para assim conseguir ficar mais perto de Vilu, uma das suas mãos segurava a mão de Violetta e com a outra fazia-lhe festas muito suaves na face, e conversava…Angie e Gérmen deixaram-se estar perto da porta abraçados a assistir àquela cena, os dois estavam sem conseguir dizer ou fazer nada, eles apenas olhavam para Tatiana…
— Vilu, eu vim ver-te porque temos que conversar muito a sério. O papá disse-me que estavas assim de olhos fechados como se tivesses a dormir e que não os ias abrir se eu falasse contigo, mas eu perguntei-lhe se tu me ouvias e ele disse-me que sim, por isso vou falar tudo o que quero falar e no fim quero que abras os olhos…porque eu sei que vais abrir…- Angie tinha já algumas lágrimas nos olhos, aquela criança...tudo era tão simples para ela…- Bem para começar quero agradecer-te pelo passeio que demos, foi simplesmente maravilhoso e eu adorei cada segundo; és a melhor prima que eu podia ter, eu sei que não és minha prima a sério mas eu gosto de ti como se fosses por isso…és a melhor prima do mundo, não do Universo…- Angie já não conseguia segurar as lágrimas e estas corriam-lhe pela cara sem controlo…- Depois e esta é a parte mais importante, por isso espero que o papá tenha razão e que me estejas a ouvir: eu quero-te pedir desculpa, porque a culpa foi minha…se eu não tivesse feito aquela birra, não tinha ido contigo ao passeio…o que eu ia odiar pois eu adorei o nosso passeio…mas pelo menos a mamã não se tinha zangado contigo…- Angie não aguentou e tentou desembaraçar-se de Gérmen, mas este não a deixou ir, Tatiana chorava…agarrada a Vilu…- Vilu desculpa…a culpa foi minha por favor acorda, eu prometo que me vou portar melhor…não vou fazer mais birras…vou fazer tudo o que mamã me dizer e também vou obedecer á avó e á tia Mercedes, mas por favor podes abrir os olhos e deixar de dormir?
— Tatiana…- Angie nem olhou para Gérmen, desprendeu-se do abraço e foi ter com Tati, não aguentava ver aquela carinha com lágrimas e não fazer nada para aliviar aquela dor…era de cortar o coração e Angie já não aguentava mais vê-la ali a chorar agarrada à mão de Vilu.- Tatiana…
— Ela não acorda…porque é que ela não acorda…- Tatiana falava entre soluços…mas sem nunca largar a mão de Vilu.- Ela tem que acordar…
— Não sei Tati…eu não sei, e eu também queria que ela acordasse mas infelizmente não depende de mim…nem de ti.
— Mas eu pensei que se ela me ouvisse…se ela soubesse que eu estou arrependida…que nunca mais faço birras…
— Minha querida a culpa não foi tua…simplesmente aconteceu, e eu tenho a certeza que a Vilu não te culpa de nada e que te adora tanto como tu a ela…- e naquele momento Tati fez uma cara de susto mas também de espanto…e…
— VILU…ela apertou-me a mão…eu senti…- tanto Angie como Gérmen olharam um para o outro, este saiu do quarto e foi chamar Luís…- Papá ela apertou-me a mão…ela vai acordar…Vilu, acorda…acorda…
— Tatiana…se calhar foste tu que apertaste…e…
— Não papá…eu juro, eu juro que ela apertou…não estou a mentir…chama o Tio Rodrigo, ele vai acreditar em mim…chama papá.
Luís não teve outra opção, por um lado era algo quase impossível mas Tati estava tão segura de si, depois tinha Gérmen e Angie que embora também eles aparentassem estar algo incertos de tudo tinham um brilho nos olhos, como se estivessem a segurar-se àquela pequena esperança, àquela luz no fim do túnel. Depois do Dr. Rodrigo examinar Vilu, todos olharam para ele, excepto Tati a única que olhava para Violetta, dizendo muito baixinho “Vilu acorda, abre os olhos. Por Favor.”
— Tati…eu sei que tu queres muito que ela acorde, todos nós queremos, mas…- todos perceberam o que ele ia dizer, estava tudo na mesma; nessa altura a menina levanta os seus olhos e encara o Tio e com um olhar muito sério e meio zangado…
— Eu senti a Vilu apertar-me a mão e não me interessa o que tu digas…eu senti e ela vai acordar, eu sei que vai…porque ela está a ouvi-me e ela vai acordar porque eu estou a pedir.
— Tatiana, chega. Vamos embora.- Diz Luís que já está cansado de toda aquela confusão…Tatiana quando ouviu o pai a falar-lhe daquela forma começou a soluçar.
— Luís deixa-a ficar mais um pouco, não vale a pena levá-la assim…e depois não foste tu que lhe disseste que a Vilu ouvia, deixa-a ficar a falar para ela, mal não vai fazer…- diz Gérmen que deixou uma Tati feliz da vida abraçando-se a Angie, e um Luís sem saber o que fazer, mas que acabou por deixar.
— Afinal a esperança é a última a morrer…- diz Angie.
E assim os dois médicos saíram do quarto deixando os três com Violetta, Angie pegou em Tati ao colo e sentou-se com ela ao colo, na cadeira onde esta estava antes de joelhos, podia ouvi-la a repetir sempre a mesma frase “Vilu acorda, abre os olhos. Por Favor.”, parecia quase um disco partido…mas que não parava…até que adormeceu mas sempre a murmurar a mesma frase. Gérmen estava de é junto de Angie…e olhava para aquela menina pensando em como ela acreditava que se continuasse a pedir a sua filha iria acordar, olhando para aquela criança cheia de esperança como podia ele duvidar…Violetta iria acordar sim, podia ser amanhã ou depois de amanhã…mas ela iria acordar.
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