Violetta - O Recomeço

20 Capítulo 10 - A Esperança é a Ultima a Morrer (Continuação 1)


Notas iniciais
Dedico este capitulo a duas pessoas muito importantes: — Larissa...a minha leitora numero 1, espero que gostes... — Madalena...a pessoa que me incentivou a escrever esta história aqui no Nyah (e apesar de não acompanhar esta historia por motivos pessoais...agradeço-te minha sosia...adoro-te...)

Frederico interrompeu o silêncio dizendo que ia ter com Leon ao Hospital, Ludmila aproveitou e também saiu decidindo ir deitar-se, ela sabia bem que Luzia ia berrar e como não conseguiria calar-se preferiu subir. Ficaram assim apenas os quatro: Mercedes, Rosário, Gérmen e Luzia.

— Posso saber o que está a passar contigo? Desde ontem que andas nervosa, discutes com toda a gente...

— Nada mamã, não se passa nada...- Luzia tenta disfarçar e desviar a conversa...- E como é que está a Violetta, alguma novidade?

— Não está tudo na mesma, fizeram os exames mas só amanhã vão ter os resultados.- Diz Gérmen...

— Mas não desvies o assunto...- diz-lhe Mercedes...- O que é que se está a passar, nunca te vi assim, nunca gritaste com os miúdos e hoje é a segunda vez que gritas com a Tatiana.

— Porque ela anda muito respondona...viu como me falou, sempre a desafiar-me.

— Ela apenas queria ir ver a Violetta ao hospital não vejo nada de mal nisso...- Gérmen tenta perceber qual seria o problema...mas em vez de ajudar...

— O problema Gérmen, é que a filha é minha, eu decido se ela vai ou não ao Hospital. E agora graças à Angeles vou ter que aguentar a birra dela amanhã. Porque ela não se vai calar…

— A Angie só quis ajudar...ela estava a chorar e ela tentou acalmá-la...devias era agradecer-lhe e não ficares para aí ofendida…

— E só porque a Tati estava a chorar ela promete-lhe algo que não pode nem vai cumprir, porque o Rodrigo nunca a vai deixar ir ver a Violetta.

— Eu não sei qual é o teu problema, sabes eu estava com medo de te conhecer por seres tão parecida com Maria...mas percebi que não tens nada de Maria…muito menos de Angie. E com esse feitio não sais de certeza á minha mãe…

— Nossa mãe…ela também é minha mãe…

— O que tu quiseres, pensando bem puxaste mesmo os genes do teu pai…és tal e qual ele...

— Gérmen!- Angie aparece sem eles se apercebessem...- O meu...-e virando-se para Luzia…- o nosso pai...podia ter muitos defeitos, porque tinha…e tu sabes melhor que ninguém o que eu passei e sofri, mas não deixava de ser meu pai.

— Desculpa Angie...desculpa, mas enervei-me e saiu sem me aperceber.

— Só faltava para além de dizerem e fazerem o que querem com os meus filhos...dizerem mal do meu pai, o qual nunca conheci por causa…- e antes que Luzia dissesse alguma coisa que se arrependesse Rosário tentou acabar com aquela discussão que não iria levar a lado nenhum, e apenas iria fazer com que se magoassem uns aos outros…

— Luzia chega, estás a ir longe demais. Acaba com este disparate antes que digas o que não queres...

— Estou o quê Mamã, ele era meu pai também e eu nunca o conheci, e ela ainda se queixa do que sofreu...pelo menos teve-o durante anos...

— Eu até posso perceber que estejas magoada por nunca o teres conhecido, a sério que sim...mas não me podes culpar a mim...

— De me teres tirado a hipótese de ter um pai presente na minha vida...posso sim...

— Eu não vou discutir contigo, o dia foi complicado, estamos todos cansados...por isso vamos dormir, peço-te desculpa se interferi de alguma maneira não era minha intenção.

— Agora não queres discutir...claro eu é que sou a má da fita: zango-me porque levam a minha filha não sei para onde, prometem-lhe o que não deviam e ainda falam mal do meu pai...

— Em relação ao nosso pai um dia falamos mas não hoje...como te disse o dia foi longo e acho que TODOS precisamos de descansar.- E virando-se para Gérmen deu-lhe a mão e subiram os dois.

— Luzia eu não te estou a reconhecer, eu não estou a acreditar nas barbaridades que acabaste de dizer.

— O quê...é a verdade mamã. Eu vivi a vida toda sem conhecer o meu pai por causa dela...e ela vem para aqui e diz mal dele assim.

— Chega Luzia...tu estás a passar das marcas. A Violetta está no hospital e tu fazes-me uma cena destas...pareces a Tati a fazer uma birra. Vou-me deitar mas amanhã vamos ter uma conversa muito séria.

Rosário sobe por fim, deixando Mercedes e Luzia sozinhas; esta olha para a tia e desata num pranto, Mercedes não consegue dizer-lhe mais nada e abraça-a, ficam as duas sem dizer nada durante um tempo até que Luzia deixa de chorar e Mercedes quebra aquele silêncio.

— Minha querida o que é que se passa? Tu não és assim, mas desde que a Violetta chegou que estás estranha...arredia, distante de todos, implicativa, constantemente irritada…

— O que se passa tia…sou Eu...a culpa é minha tia. Se eu não tivesse gritado com ela, se eu...mas eu estava cansada daquela atitude dela...a mamã andava tão triste…eu não sabia que ela ia falar comigo...

— Luzia, tu não tens culpa de nada...por favor não te culpes. E pelo que sei nem os médicos que estão a tratar de Violetta sabem o que ela tem, e o porquê daquele desmaio.

— Mas eu sinto-me culpada Tia. E...hoje gritei com...toda a gente...com. a Tatiana, com a mamã, com...a minha vida está um caos…nem a trabalhar me consigo concentrar…hoje coloquei uma semana de férias…

— Férias? Luzia, tu adoras o teu trabalho…

— Sim adoro…mas não me consigo concentrar em nada ultimamente. Hoje ia dando um medicamento a um paciente ao qual ele era alérgico, senão fosse a Adriana, eu nem sei o que iria acontecer…

— Luzia vamos nos deitar sim, amanhã é outro dia...e como eu costumo dizer: "O amanhã ainda não chegou..."

— "Porque o amanhã é sempre melhor que o hoje..."- e sorriem as duas, passado algum tempo sobem cada uma para o seu quarto.

No quarto de Angie e de Gérmen, Clara ainda está acordada parece que sente que algo se passa e tem receio que os pais se vão de novo embora. Quando parece que está a dormir basta sentir-se no berço que logo acorda aos berros. De repente alguém bate à porta...

— Eu vou lá...- diz Gérmen...- deve ser a minha mãe que vem perguntar o que se passa com Clara...- mas em vez de Rosário ele vê...- Ludmila?

— Desculpem mas estava sem sono e ouvi a Clara chorar...e...

— Entra Ludmila...esta menina hoje não vai mesmo dormir na cama dela...- assim que a vê Clara sorri...- Acho que alguém ganhou uma fã.

— É...eu disse à Vilu que iria fazer da Clarita a mais nova Supernova...- e de repente uma lágrima corre-lhe pelo rosto.

— Ludmila...- Gérmen que estava perto dela abraça-a...- A Vilu vai ficar bem..."A esperança é a última a morrer"...

— Ludmila...afinal o que é que aconteceu. Nós sabemos que a Vilu e a Luzia discutiram...mas o que é que se passou, a Vilu não gosta de discutir com ninguém...

— Execpto com ele...- e Ludmila aponta para trás onde estava Gérmen, e riem-se os três...- A Vilu ficou mal quando conheceu a Tia, ela disse-me que a lembrava da mãe e da falta que esta lhe fazia...

— Eu devia ter falado com ela antes da viagem...mas com tudo o que se passou naquele dia nem me lembrei.

— Ela ficou zangada com a avó por não lhe ter contado nada...e com Luzia acho que ela apenas não conseguia olhar para ela sem se lembrar da mãe...mas...

— Mas o quê Ludmila...?- pergunta Gérmen.

— No dia em que cheguei nós falámos…muito…e acho que ela percebeu que tinha errado. Pediu desculpa à avó e tudo.

— E Luzia…conseguiste perceber…

— Em relação à Luzia não foi tão fácil foi preciso a intervenção de um anjo...a Tati. Ela é que acabou por convencê-la a falar com a Tia.

— Essa menina...faz-me lembrar a própria Vilu...sempre com uma resposta na ponta da língua, e com um poder de argumentação...- Diz Angie.

— Nesse dia decidimos ir ao Estúdio onde tu estudaste...- virando-se para Gérmen...- queríamos relembrar os momentos que passámos em Sevilha. Aproveitar para cantarmos os quatro...

— Eu tenho boas lembranças desse tempo...- disse Gérmen saindo de perto de Ludmila e chegando perto de Angie dando-lhe um beijo.

— A Tati fez uma birra daquelas insuportáveis porque queria ir. A Vilu acabou por conseguir convencer a avó a deixá-la ir. O passeio correu bem só que acabamos por perder um pouco a noção das horas. Quando chegamos a Luzia estava passada começou a gritar com a Vilu...nem a deixou falar. E depois aconteceu aquilo...

— Ludmila...a Luzia...ela fez alguma coisa mais à Vilu...?- pergunta Gérmen um pouco a medo.

— Não...quer dizer se me estás a perguntar se ela lhe bateu ou algo do género não, como disse a Angie a Violetta odeia discutir, por isso decidiu sair dali. Mas há uma coisa que me tem andado a remoer a cabeça

— O quê Ludmila? – pergunta Gérmen com curiosidade…

— Quando a Vilu se afastou de nós ela parecia ofegante, como se estivesse com falta de ar, e ia com as mãos na cabeça, como se estivesse com uma dor de cabeça daquelas...na altura não liguei mas será que...

— Não vale a pena estarmos a fazer especulações nós não somos médicos, vamos ter que esperar pelos resultados dos exames...não podemos fazer mais nada...- diz-lhe Gérmen...- Vai descansar minha querida...amanhã é outro dia.

— Sim eu vou...adoro-vos aos...quatro, vocês passaram a ser a minha família depois do que aconteceu.

— Nós também te adoramos Ludmila...agora vai descansar, como o Gérmen disse amanhã é outro dia.- Ludmila despede-se dos dois e sai indo para o seu quarto. Clara acaba por adormecer junto dos pais.

Entretanto no Hospital, Frederico tenta convencer Leon a ir para casa descansar mas este repete o que disse a Angie: só iria sair daquele lugar com Vilu. Ele podia não estar ao seu lado o tempo todo porque os médicos não deixavam mas estava perto e para ele isso já era bom. Os poucos minutos que o deixavam estar junto de Vilu valiam muito mais do que ir descansar, Frederico desistiu e acabou por optar apenas fazer-lhe companhia.

No dia seguinte e como sempre os primeiros a acordar foram os quatro pequenos, Chica e Lia estavam já a dar-lhes o pequeno-almoco quando Luzia chega à sala, cumprimenta cada um deles e chegando perto de Tati dá-lhe um abraço.

— Desculpa meu amor...a mamã tem andado nervosa com isto tudo. Eu falei com o papá e ele ia falar com o Tio Rodrigo para saber se podias ir ver a Violetta.

— A sério mamã...tu vais deixar...eu posso ir ver a Vilu?

— Se o Tio Rodrigo deixar...vais sim.- Tati atirou-se ao pescoço de Luzia e sussurra-lhe algo que deixa Luzia com os olhos marejados de lágrimas "És a melhor mamã que o papá me podia ter arranjado, adoro-te..."- Eu não sou a melhor Tati...mas obrigada meu amor.

— Posso ir contar à Tia Angie e ao Tio Gérmen, por favor?- Luzia fica a olhar para ela de uma forma estranha...espantada...- Eles não são meus tios?

— Sim meu amor, claro que sim. Mas se calhar ainda estão a dormir...e...

— Eu bato à porta antes e só entro se eles mandarem. Por favor?- e fazendo uma cara que derrete qualquer um lá consegue permissão. Quando chega à porta do quarto ouve Clara a rir, e a voz de Germen e de Angie um a falar com Clara e a outra a ralhar com os outros dois; ela percebe que eles estão acordados mas prometera à mãe que não entraria sem bater à porta.

— Estão a bater à porta...vocês os dois já conseguiram acordar a casa toda...- diz Angie olhando para Gérmen e Clara...- Tati, Bom Dia...

— Bom Dia Tia Angie, Bom Dia Tio Gérmen tenho uma coisa para vós contar...eu vou ver a Vilu hoje a mamã falou com o papá e ele ia falar com o Tio Rodrigo para saber se eu podia ir lá mas eu sei que ele vai deixar eu sei.

— Calma...mais devagar Tatiana. O Tio Rodrigo? Estás a falar do Dr. Herrera, Rodrigo Herrera?- pergunta Gérmen.

— Sim ele é meu tio e padrinho. Ele é irmão da minha mãe Flor... Ela morreu quando eu nasci. E depois o papá arranjou-me a mamã Luzia, que é a melhor mãe do mundo...

— Tati...porque é que queres tanto ir ver a Vilu?- pergunta por fim Gérmen que desde o dia anterior ficara curioso.

— Porque sim...porque preciso. São coisas de primas...

— Coisas de primas...- Angie sorri...- Tudo bem fico feliz que a Luzia tenha resolvido falar com o teu papá mas o Dr. Rodrigo ainda não...

— O Tio Rodrigo vai dizer que sim...ele nunca me diz que não. Vou andando a mamã não vai trabalhar hoje e prometeu ir connosco à piscina, queres ir com a Clara.

— Logo vemos sim...agora vou tratar de dar banho ali à Dona Clara e o teu Tio também tem que tratar de se levantar.

— Está bem eu vou dizer à mamã para esperar um pouco por vocês...- e sai correndo.

— Agora...vocês os dois...- Angie aproxima-se de Gérmen e de Clara...-Que tal levantarem-se...- assim que se senta Gérmen puxa-a para si e começa a fazer-lhe cócegas, Clara ri-se...- Gérmen para...

— Levantar porquê...estamos tão bem aqui...nós os três...- E de repente olha para Angie e os olhos teimam em ficar com lágrimas que ele tenta segurar...- Só falta a Violetta...

— Ela vai voltar para nós...eu sei que sim.- dá-lhe um beijo e pega em Clara para lhe dar banho. Quando finalmente estão prontos depois de muita brincadeira à mistura descem os três ainda a rir, tomam o pequeno-almoço com Rosário que também descera à pouco, até que Tati vem chamar Angie para a piscina, se bem que não lhe apetecia ir para a piscina ela queria falar com Luzia.

— Parece que ganhaste uma fã...podes ir eu fico aqui com a Clara e com a minha mãe.

— Obrigada amor...eu não demoro. Até porque temos que ir ao hospital.- e assim sai em direcção à piscina...- Bom Dia.

— Bom Dia Angeles...- diz Luzia, e virando-se para a Tati...- Querida vai ter com os teus irmãos, sim.

— Está bem mamã...- mas de repente vira-se para Luzia...- Mamã o Tio Rodrigo já disse alguma coisa sobre eu poder ir ver a Vilu?

— Não amor...mas já te disse que assim que ele autorizar eu levo-te lá...- Tatiana seguiu então para a piscina...- Ela não...é impressionante, conhece a Violetta à tão pouco tempo mas...

— A Vilu tem esse dom...fascina todas as pessoas que conhece principalmente as crianças...

— A Tatiana foi connosco ao Show que vocês deram e ficou logo fascinada por ela.

— Vocês foram ao Show? Eu não sabia...deve ter sido estranho para ti.

— Um pouco...afinal ver o irmão pedir a irmã em casamento é no mínimo estranho…

— Como é que…quando é que…

— Quando é que eu soube?- Angie olhou para ela…- Desde pequena a minha mãe nunca me escondeu nada. Eu tenho fotos vossas dos Natais, do casamento de Maria com Gérmen, do nascimento de Violetta.

— Nunca pediste à Rosário que…

— Pedi muitas vezes principalmente quando era pequena da idade da Tati…depois acabei por aceitar que nunca iria conhecê-lo, e quando a minha mãe me disse que ele tinha morrido…eu…

— Culpaste-me a mim? Eu percebo…porque eu fiz o mesmo, eu cheguei a odiar-te…tu eras a razão pela qual o meu…o nosso pai nunca me amou de verdade...eu sei que nunca conviveste com ele e me culpas por isso.

— Não...eu disse aquilo porque estava zangada. Eu sei que a minha mãe disse ao...nosso pai que tinha abortado...e...

— Mas ele soube que tu existias, não me perguntes como, eu não sei mas ele soube. E depois da Maria morrer a única coisa que o fazia viver era esperança de te encontrar.

— Infelizmente não conseguiu...se eu soubesse que ele andava à minha procura...mas sempre pensei que ele não soubesse...

— A Rosário também só agora soube que ele sabia, a verdade é que ele me pediu para te procurar…

— Ele queria encontrar-me? Ele…

— Foi a última coisa que ele me pediu...mas eu...a única coisa que eu queria era encontrar a Vilu.

— Tu sabias quem eu era?

— Não...na altura não. Só agora depois de tudo o que se passou é que comecei a juntar as conversas dele: o insistir em te procurar sem dizer nada à minha mãe, o querer que eu gostasse de ti como gostava de Maria, as ameaças quando lhe dizia que o queria era encontrar a Vilu...

— Ele ameaçava-te...ele...era violento?

— Ele nunca me bateu...mas sabes que uma palavra é por vezes bem pior e o meu...o nosso pai era perito em me magoar dessa forma desde pequena.

— Eu nem sei o que te diga, eu tinha uma outra imagem do nosso pai...sei lá a minha mãe sempre me falou dele...

— O nosso pai era...ele com Maria era uma coisa, mas comigo era diferente pelo menos quando estávamos sozinhos à frente dos outros mostrava-se sempre super carinhoso...

— Mas porque é que ele era assim tão diferente...tu eras tão filha dele como Maria não percebo...

— Porque ele me culpava por não te ter assumido, pelo menos acho que era isso. Eu confesso que quando me apercebi que ele só me dava carinho quando estávamos acompanhados me aproveitava desses momentos, e nessas alturas eu esquecia tudo o resto.

— Afinal tu é que ficaste sem ter um pai presente por minha causa...

— Não. Ele fez o que fez porque quis...se fiquei zangada com ele? Muito e depois de Maria morrer nós deixamos de falar um com o outro...foi como se eu vivesse com um desconhecido.

— Posso fazer-te uma pergunta?- Angie assente e Luzia continua...-Quando ele morreu...ele estava sozinho?

— Não...- Angie respira fundo...- Eu estava com ele...eu fui a casa buscar um casaco e encontrei-o, ainda falou comigo mas acabou...

— Desculpa ter-te feito a pergunta, mas sempre me perguntei a mim mesma se ele estava...

— Não há problema, eu percebo-te...se bem que é algo que eu não gosto de lembrar. Apesar de tudo era meu pai, sim magoou-me muito mas não deixava de ser meu pai e eu amava-o apesar de…

Elas ficaram um tempo em silêncio, não porque a conversa tivesse sido má, apenas porque ambas se tinham perdoado uma à outra, até que...

— Sabes que quando a Tati soube que eu era tia da Violetta ficou eufórica e nem vale a pena tentar explicar-lhe que ela não é prima dela porque ela nem nos ouve.

— Luzia...eu queria pedir-te desculpa de novo, eu sei que não devia ter tido nada à Tatiana mas...

— Angeles, sei que o fizeste para ajudar. E eu é que te tenho que pedir desculpa, não devia ter falado daquela forma mas a verdade é que isto me tem deixado nervosa...e bem sinto-me um pouco culpada também...

— Estamos todos...e por favor chama-me Angie. Mas eu também não devia ter falado nada daquilo. E por favor não te sintas culpada, o que Vilu tem, não teve nada a ver com a vossa discussão...

— Como soubeste da discussão e...

— A Ludmila contou-nos tudo ontem à noite. A Violetta era muito nova quando perdeu Maria, e depois Gérmen afastou-a de nós, vivendo com ela enclausurada com medo de a perder…

— Não deve ter sido fácil para ele, eu lembro-me que nessa altura a mamã passava mais tempo na Argentina que aqui em Espanha.

— A Violetta cresceu longe de tudo e de todos, quando a reencontrei…nem sei o que senti. Foi…como se reencontrasse Maria.

— Eu sou mesmo parecida com Maria?

— Sim, são muito parecidas com o nosso pai...- diz Angie já com um ar completamente calmo, era como se com aquela conversa tivesse sarado todas as feridas de uma e de outra.

— Só não tenho os olhos dele...esses ficaram para ti e para a Clara.

— Sim eu tenho os olhos dele mas de resto sou muito parecida com a minha mãe. A Clara tem os meus olhos, mas a Sofia também tem os olhos do avô.- e sorriem ambas…

— Angie, porque é que não contaste à tua mãe sobre...tu sabes...

— Porque vou ter que lhe contar muitas coisas que...quero esquecer. Eu não quero vê-la sofrer mais.

— E sobre a Violetta? Vais-lhe contar?

— Não sei...talvez devesse, mas ao mesmo tempo tenho medo...

— Que ela venha e descubra toda a verdade...sobre mim?

— Também, mas do que tenho mais medo é de José...tu sabes que ele quer a guarda de Clara e de Violetta só porque não aceita o meu casamento com Gérmen.

— Sim a mamã contou-me, aliás eu é que insisti para ela ir ter com Gérmen para o ajudar, quando saíste de casa. Achas que vai conseguir?

— Não sei...a única coisa que sei é que não consigo suportar a ideia de ficar sem Clara e sem a Vilu.

— Tu gostas da Violetta como se fosse tua filha, apesar de ser apenas tua sobrinha.

— Eu tinha 10 anos quando a Vilu nasceu, para mim na altura era como se eu tivesse ganho uma irmã e não uma sobrinha. Depois Maria morreu, eu já era uma adolescente e quis ser eu a ocupar o lugar da Maria...mas o Gérmen fugiu...e quando a reencontrei já te disse foi como se Maria estivesse comigo de novo.

— Tu e a Maria eram muito unidas, a maneira como falas dela...sinto até inveja por não ter tido nada disso.

— Eu e Maria éramos, sei lá: amigas, companheiras, cúmplices...mas Maria também gostava de se armar em minha mãe e era nessas alturas que eu e ela chocávamos. Lembro-me quando ela levou o Gérmen lá a casa a primeira vez, fiz uma cena de ciúmes...

— Uma cena de ciúmes ou uma birra?

— Acho que as duas em uma, tu não estás a ver...- diz Angie com um sorriso...- Fiz de tudo para que ele me detestasse, mas em vez disso ele ria-se de cada coisa que eu fazia.

— A sério? E Maria o que fez?

— No fundo ela queria rir-se tanto como Gérmen, mas manteve-se séria o tempo todo até me mandar para o quarto de castigo. Depois deu-me na cabeça quando ele se foi embora.- De repente Gérmen chega perto delas...

— Desculpem interromper; Angie, temos que ir o Luís ligou os resultados dos exames saíram, eles querem falar connosco.

— O Luís ligou-te a ti? Eu pedi-lhe que me ligasse...

— Bem na verdade ele ligou para a minha...a nossa mãe, ele tentou ligar para ti mas não atendeste.

— Ah! Deixei o telemóvel no quarto, como vinha para a piscina com os miúdos...ele disse mais alguma coisa?

— Ele pediu que levasses a Tati, acho que o Dr. Herrera concordou em que ela fosse ver a Vilu.

— A Tati vai ficar contente...- diz Angie olhando para Tatiana que brincava na piscina.

— O Rodrigo não lhe sabe dizer que não...bom vão lá eu vou tratar dos miúdos e depois vou com a Tati.

— E a Clara, onde está?

— Está com a minha tia e com a Chica, fica descansada...vamos a Ludmila e a minha mãe já estão à espera no carro.

— Sim vamos. Até já...- diz Angie virando-se para Luzia. Esta despede-se dos dois; e vai até onde está Tatiana, Angie consegue ainda ouvir o grito desta...entram os dois no carro onde Ludmila já está à espera.

— Estava a ver que nunca mais...o Frederico ligou...

— Alguma novidade?- pergunta Angie já alarmada...

— Não...apenas para saber se já estávamos a caminho.

Notas finais
Como esta metade ficou muito grande, este capitulo vai ser dividido em três... Comentem, Favoritem e RECOMENDEM...se quiserem....LOL