Violão, lua e poesia
2 Capítulo 2
Apocalipse mental
Linhas traçadas
Fogo cruzado
Cidades desertas.
Ninguém sabe nada.
Foram todos derrotados.
Nos correios não há cartas.
Acabaram-se as festas.
Alguém se rebelou
Todos os sete mares secaram.
Sempre algo resta,
Dessa vez nada restou.
Até os vilões se purificaram.
Implodiram-se vulcões.
Juízes são agora réus.
Beberam a última gota.
Arrancaram corações.
Queriam ir para o céu.
Se agarraram em cordas soltas.
Não houve mais vento.
Se extinguiram pensamentos.
Muito consolo pra nenhum lamento.
Não chove mais nenhum pouco.
De tanto gritar estou rouco,
De tanto pensar estou louco!
Bar da vida
–Vai querer o quê?
–Depende. Que 'quê' é esse? É a nova da casa?
–Não. Perguntei o que você vai escolher pra tomar.
–Ah, água, sem gás.
–E veio num bar pra isso?
–Uai! Água também não é bebida?
–Não a mais comum aqui.
–E qual a mais comum?
–Cachaça, cerveja, uísque...
–E todas num têm que ter água, meu caro Moe?
–Ta me fazendo perder tempo, tem água ardente, quer?
–E como é que água arde? Tem pimenta?
–É por quê tem álcool, senhor.
–Ah, claro. Mas por hora num quero essa água ardida não. Já basta o ardor fugaz da vida.
–Pois olhe ao seu redor.
–To olhando, e?
–E todos afogam o ardor da labuta desta vida no ardor mais ardido e forte que se pode colocar em um copo.
–E funciona?
–Me diga você. O primeiro copo, eu faço de graça. O segundo, o terceiro... Até você entender!
Dali em diante aquele homem começou a beber, e até hoje ainda não entendeu se funciona ou não.
Pensamentos estranhos...
Não se preocupe, são apenas sonhos estranhos.
Nem os magos irão decifrar,
Nem profetas irão interpretar.
É que tudo se torna ilusão,
Quando a cabeça deixa mandar o coração.
Não respeitamos essas leis.
Não nos ajoelhamos diante de reis.
É que tudo é sem sentido,
Pensamentos esculpidos.
Eu prevejo vários futuros,
Derrubo os muros entre nós com murros.
“A minha vida é tão confusa quanto a América Central,
Por isso não me acuse de ser irracional.”
Já fui mais herói que o Super-Man.
Fui mais honesto que o Dirceu.
Fui um sátiro de Pã.
Joguei no lixo o resto do meu eu.
É como são as nuvens com formas disformes.
No meu mundo não se transforma,
Tudo é criado.
Nesse mundo ninguém chora,
Ninguém está errado.
Quem quiser vive o que quer.
Quem tiver pernas para andar que vá a pé.
Quanto a mim, tenho asas,
Ando sobre brasas.
Já não queimam mais.
São apenas sonhos e nada mais.
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