Vinte e sete anos depois

2 Dê um pé na bunda da sua esposa


Richie estava tirando um cigarro do maço quando Eddie soltou a bomba. Naturalmente e lentamente ele levou o cigarro até a boca e o acendeu. Tragou a nicotina e todos os seus males e cruzou as pernas, inclinando-se para frente, para perto de Eddie. Quando soltou a fumaça para o alto, Richie disse que

— tudo bem, garotão.

Eddie quase engasgou na própria saliva e Richie tragou o cigarro novamente, da forma mais tranquila possível. Estava desacreditado, totalmente desacreditado. Supôs a si mesmo que fosse piada, que Richie só estava esperando o minuto certo para começar a rir e a fazer uma piada sem graça com ele. Richie começaria a gargalhar sem parar e deixaria vodca escorrer pelo nariz, diria que aquilo era a coisa mais absurdo e ridícula que Eddie poderia dizer a ele depois de vinte e sete anos.

— Eddie?

— O quê?

— Eu disse “tudo bem”.

Eddie encarou Richie. Sabia que seu rosto estava vermelho e sentia sua pulsação pular violentamente pelo ouvido. Richie terminou o cigarro e o apagou no beiral da janela, jogando a bituca na rua.

— Richie, se você está brincando comigo…

Eddie mal pode terminar de falar. Richie segurou seu maxilar e o beijou repentinamente. Ele mal enxergou, apenas sentiu vagamente a respiração de Richie esquentar sua bochecha e seus lábios serem docilmente beijados. Em resposta, Eddie segurou Richie pelo rosto e o beijou mais intensamente, já sentindo a malícia tomar totalmente conta de seu corpo. Quando o beijo cessou, seus narizes estavam encostados um ao outro, até Richie subir seu lábios até a orelha esquerda de Eddie e sussurrar que ele falava demais. Beijou seu lóbulo carinhosamente, desceu pelo seu pescoço e voltou a beijar e explorar seu lábios. Eddie sentia seu rosto tão vermelho quanto um tomate passado. O coração palpitava loucamente e a respiração estava massiva. Ele empurrou Richie contra a cama, deitando-o e beijando-o de forma feroz. Richie sorriu em meio ao beijo e retirou os óculos, procurando colocá-los em cima do criado mudo, falhando ao ouvir a armação colidir com o tapete do chão. Eddie ignorou e beijou-o novamente, com calma e carinho, levantando a camisa de Richie que, ao contrário, apalpou o membro enrijecido de Eddie, que grunhiu de prazer. Sentia uma explosão de sentimentos ao toque. A malícia e excitação tomava o corpo de Eddie de uma forma que ele jamais poderia imaginar. Todas as transas que havia tido em vinte e sete anos pareciam miseráveis perto da carga de energia que Richie lhe causava. Já havia beijado um menino no segundo ano do colegial, feito um boquete depois de completar vinte e quatro anos e até masturbado o colega de quarto da faculdade em uma festa de república, mas nada chegava perto da explosão que Richie lhe causava. Sabia que no fundo nunca havia esquecido Richie, que a Coisa não era capaz disso. Seu primeiro beijo havia sido com um garoto que usava óculos fundo de garrafa. Quando pagou o primeiro boquete, o que mais lhe excitava era como o seu algoz podia soltar um palavrão atrás do outro. Em todo garoto, ou até mesmo garota, que procurava, sabia que inconscientemente havia um gostinho de Richie em cada um deles.

— Eu te amo — Eddie sussurrou em meio aos beijos — Eu te amo pra caralho.

Richie sorriu e impulsivamente mordeu o lábio.

— Eu sei — respondeu por fim — Eu sempre soube, Eds, e eu nunca tive a oportunidade de poder dizer que eu também, e eu juro, juro poder Deus, Eddie, que esse foi o meu maior arrependimento da minha vida toda.

Richie acariciou o rosto de Eddie mais uma vez.

— Eu quero lhe pedir uma coisa, Eds. Está bem? Escute, se nenhum de nós morrer, eu quero que passe o resto da vida comigo. Dê um pé na bunda da sua esposa e nós vamos embora, nunca mais voltamos pra cá, vamos para bem longe. Nós vamos ser felizes, se nenhum de nós…

Eddie o beijou novamente, disse que com certeza daria um pé na bunda da esposa e sussurrou que

— ninguém vai morrer, Richie.

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