Notas iniciais
Olááá, meu amores amantes de reddie! Estou aqui com uma short-fic fresquinha pra você ;) só vou mandar alguns avisos, está bem?

❥ A fanfic é baseada no livro pelo simples fato de que o segundo filme ainda não foi lançado, então ainda não se foi apresentada a versão adulta do clube dos otários além do que vimos nos trailers;
❥ Como disse bem ali em cima, a fanfic, como dito o nome, passa-se vinte e sete anos depois, então, consequentemente, nosso casal está adulto e muito bem maduro;
❥ Procurei não colocar muito spoilers. Na verdade creio eu que não tem quase nenhum além de apenas algumas menções não muito importantes por agora :)
❥ Divirtam-se e não esqueçam de deixar a sua opinião, favoritar e se divertir com a nova fanfic!

Eddie levantou a cabeça e ouviu aquele som de novo. O som do galho riscando a janela do quarto nº 609 em que estava hospedado, batendo como se estivesse desesperado para poder entrar e bater um papo antes de Eddie tirar as calças e dormir. Eddie estava com as mãos apoiadas na pia quando pulou com o susto. Sentiu o coração dar uma cambalhota, a respiração apitar e a garganta secar, mas respirou fundo e se olhou no espelho. As olheiras da viagem estavam fundas. Observando-se, molhou os lábios numa mordiscada, coçou os olhos e abriu o compartimento secreto do espelho, pegando uma de suas cartelas de remédio. Encheu o copo de cima da pia com água, jogou o remédio no fundo da boca e o engoliu na segunda tentativa.

Quando deixou o banheiro, Eddie começou a pensar no episódio que acontecera no Jade do Oriente. Tentou distrair-se endireitando as camisetas na mala, sem sucesso algum, ainda com os relatos de Mike sobre Jeffrey Holly, o menino Cowen, John Feury e a rua Neibolt e das outras milhares de crianças ainda lhe batucando na mente. Não tardou e logo surgiu o choque ao ser obrigado a lembrar do leproso, com o papo sobre ter filhos e com o incidente com a sobremesa. Eddie lembrou também das histórias e do problema na biblioteca de Derry e dos intermináveis minutos que passou pelas ruas de Derry. Tudo o rodeava de forma alta, clara e dolorosa. E logo o inseto do biscoito da sorte, as histórias de como Ben havia emagrecido, a lembrança da sua fratura feia, o novo vivenciamento da casa da rua Neibolt e a grande descoberta de Mike sobre as crianças mortas foram sugadas por uma favorável batida na porta.

Eddie abruptamente levantou, como se estivesse fazendo algo culpado, e aproximou-se da porta enxugando o suor da testa com as costas da mão.

— Sim?

— Hei, Eds. Edward… Eddie! Sou eu. Abra a porta, sim?

Eddie abriu e Richie entrou com seu andar gingado, sempre sorrindo.

— O que veio fazer aqui? — perguntou Eddie, trancando novamente a porta.

Richie andou até a janela do quarto, as mãos sempre enterradas no bolso da calça de linho. Olhou para fora, de um lado para o outro, depois para a rua e virou novamente para Eddie.

— Não consigo dormir.

Eddie coçou a base do nariz e fungou.

— Não parece que você tentou — disse ele, apontando com a palma da mão para o cobiçado visual envolvente que Richie vestia — É a mesma roupa de hoje à tarde. Você definitivamente não veio aqui por falta de sono. O que você acha de desembuchar logo, heim? O que você acha, Richie?

Richie sorriu e se encolheu. Sua voz ficou aguda e ele começou a caricaturar o Garoto Negro pedindo diversas desculpas até arrancar um riso de Eddie. Vencido, começou a explicar que

— vim aqui porque não conseguia parar de pensar no que vamos fazer. Não é que não consigo dormir não, Eds. É que eu não consigo nem pensar em dormir. Eu estou com medo. Vai dizer que você não está?

— É claro que estou! — Eddie rebateu rapidamente — Tudo o que Mike contou e o que eu lembrei não sai da minha cabeça, Richie! É claro que estou com medo. É a Coisa, aquela coisa. Aquela coisa, meu deus.

Eddie arrastou-se até o banheiro enquanto sugava de sua velha bombinha. Bebeu mais um copo de água, respirou fundo e voltou para o quarto. Richie havia tirado o paletó e pendurado atrás da porta. Estava sentado na cama com as pernas cruzadas e um cantil prateado aberto na mão. Num gole e numa careta continuou a falar:

— Não consigo parar de pensar em como vai ser. E se um de nós morrer?

— Por Deus do céu, ninguém vai morrer, Richie!

— Mas e se? Heim, Eds? Edward? Aquela coisa… aquela coisa

— não vai vencer — Eddie concluiu, sentando ao lado de Richie. — Agora me diz, porque você veio me ver?

Richie parou e suspirou. Olhando para as mãos, mexeu o cantil de um lado para o outro, ouvindo a vodka tombar entre as paredes de alumínio. Deu mais um gole, fungou e ajeitou os óculos.

— Senti sua falta, meu jovem. É verdade, a mais pura verdade. Pronto. Está satisfeito agora, Eds? Está? Queria te ver antes do nosso juízo final. É algum crime, heim?

Eddie balançou a cabeça negativamente e sorriu, puxou a mão que Richie segurava o cantil para perto e deu um grande gole na vodca, arrancando uma baita tosse do seu pulmão afogado.

— Opa, vai com calma, camarada — alertou Richie, lhe dando tapas nas costas —, tem vodca pra todo mundo nesse quarto! Vamos precisar de você amanhã, nem pense em ameaçar a bater as botas agora.

— Não estou — retrucou Eddie, com dificuldade, e deu um grande suspiro — Não estou nem perto disso.

— Ótimo! — Richie largou o cantil em cima do criado mudo e esfregou as mãos — Vamos festejar! Me diga, Eddie, Eds. Pare e pense. O que quer fazer antes do juízo final de amanhã, huh? Pense com carinho, certo? As coisas estão em jogo. E então? O que me diz?

Eddie engoliu em seco e suas mãos começaram a suar instantaneamente. Tentou limpá-las na calça do pijama e não obteve sucesso. Encarava Richie e depois baixava os olhos, o coração tamborilando cada vez mais rápido. Sabia o que queria desde que sentou na aconchegante cadeira do Jade do Oriente e ficou observando Richie Tozier conversando com Beverly Marsh da forma mais carismática possível. Talvez soubesse o que queria a mais tempo. Naquele momento, naquele precioso momento, conseguia se ver como Eddie de vinte e sete anos atrás, junto do Richie de vinte e sete anos atrás, com os seus óculos fundo de garrafa remendados com esparadrapo e os joelhos ralados das correrias no Barrens.

— Eu quero beijar você — ouviu-se dizer.

(Beep-beep Eddie!)