Vingança

2 Vingança - Capítulo 2


A trilha de sangue projetou-se pelo corredor sombrio, no caminho vísceras e restos mutilados espalhavam-se por todo lugar e no final uma pilha de corpos de youkais elevava-se desde o chão. Do meio dos cadáveres fétidos brotava uma pequena flor que se alimentava da morte, transformando-a numa beleza sórdida na forma de uma delicada rosa negra, denunciando o único capaz de realizar essa façanha.

- Chegamos tarde demais, já é a terceira vez esta semana.

- Algum sinal dele? — perguntou-lhe a voz pelo comunicador.

- Nada.

- Está ficando perigoso Yusuke, se não o encontrarmos logo serei obrigado a tomar outras atitudes.

- Peraí Koenma, ele é meu amigo, merece uma chance, além do mais, sabemos o que está passando.

- Mesmo assim não pode sair por aí matando qualquer um.

- São apenas youkais, na verdade ele está fazendo um favor ao Ningenkai limpando esse lixo.

- Quem nos garante que serão apenas youkais???

A pergunta morreu sem resposta. Yusuke calou-se desligando seu comunicador. Precisava encontrar Kurama logo, queria ajudá-lo, acalmá-lo e tentar restabelecer a razão que parecia ter perdido. Antes que sua raiva superasse sua humanidade, antes que seu sentido de justiça se tornasse uma ameaça e esperava ... antes que cometesse uma loucura.

- Kurama, me deixe ajudá-lo. Por favor .... — murmurou.

As palavras se perderam no meio da noite quando Yusuke decidiu partir, deixando para trás aquele cenário de morte. Acontecesse o que acontecesse não abandonaria seu melhor amigo em meio a dor na qual mergulhara.

****

Olhos estreitos acompanharam o percurso do detetive até que sua energia estivesse fora de alcance e seu rastro desaparecesse em meio à escuridão.

O vento soprou mais forte, agitando a capa negra daquele que se escondia nas sombras, seus olhos se fecharam com o pesar das lembranças e a flor entrelaçada em seus dedos despedaçou-se com sua raiva. Seu punho fechou-se nos espinhos daquela rosa deixando a marca do seu sangue naquele lugar. Um lamento entristecido ecoou no sibilar do vento até morrer no silêncio da noite, mas ainda assim repetiu-se incessante naquela mente perturbada ... "Ninguém pode me ajudar ... ninguém."

***

- Encontrou alguma coisa Urameshi?

- Nenhuma pista Kuwa.

- Droga, a situação está se complicando, Koenma ameaçou mandar o esquadrão especial de defesa atrás de Kurama. Mas, ele não fez nada de errado. Ou fez? — questionou-se Kuwabara.

- Eles acham que Kurama perdeu o controle e que a qualquer momento pode cometer algum crime.

- Não acredito nisso.

- Nem eu, mas de qualquer maneira preciso que me faça um favor.

- O quê?

- Procure Genkai e peça isto a ela.

- Têm certeza Yusuke?

- Vá e seja rápido, eu seguro as pontas por aqui.

Cada noite era uma nova jornada a procura de pistas e de informações que o levassem até Kurama. Visitava cada beco e lugar escondido da cidade, os arredores e refúgios de bêbados e marginais sem sucesso.

***

Os risos da roda animada logo se transformaram em gritos de terror, e o pequeno grupo de youkais indefesos foi dizimado antes de qualquer reação. Seus restos foram pisoteados e suas cabeças cortadas foram estudadas buscando um rosto conhecido, um rosto que habitava os pesadelos de Kurama.

- Limpando o lixo raposa? — foi a voz rouca que o trouxe de volta à realidade.

O ruivo arrumou a franja volumosa e colocou as mãos no bolso do sobretudo negro que vestia, deixando cair o chicote que ao chegar no chão nada mais era que uma simples rosa.

- Devia se preocupar mais com seu trabalho Hiei.

- Não sou mais responsável pelas fronteiras — resmungou.

- De qualquer maneira não me interessa — pisou a pequena flor e afastou-se.

- Está com problemas não é?

- Não é da sua conta — rebateu Kurama.

- Não que me importe com isso, mas matar alguns miseráveis que mal têm condições de se defender por puro prazer não faz muito o seu estilo. Pelo menos não que eu me lembre — acrescentou com uma pontada de cinismo.

- Sei o que faço. Agora porque não volta para seu maldito mundo e me deixa em paz.

Hiei resmungou com a provocação, mas nem mesmo sua perspicácia foi capaz de localizar a energia do Youko que desapareceu sem vestígios. Ainda assim teve a impressão de ter ouvido um sussurro, ou melhor, uma ameaça. Enraivecido, tomou uma atitude que jamais imaginara, e seguiu noite adentro a procura de Yusuke.

"Não se meta em meu caminho, pois não pouparei ninguém da minha vingança..."

***

O negror da madrugada fria era enterrado pelo alvorecer, o cintilar dos raios luminosos incomodava a vista cansada daquele que vencia mais uma noite na sua incansável vigília. Yusuke suspirou em desabafo, novamente não encontrara as pistas nem aquele que guiava suas buscas. No último ataque de Kurama ele destruíra um grupo de youkais que vivia pacificamente em refúgios de esgotos. O youko não poupara nem velhos, nem crianças, já não era alguém procurando o culpado de sua desgraça, era a própria desgraça na forma de um assassino cruel e impiedoso.

Se a notícia chegasse ao Makai logo haveria uma revolta e grupos viriam ameaçar a segurança do Ningenkai, indo contra as ordens gerais e contra todos os acordos estabelecidos.

Koenma lhe dera um ultimato naquela noite, teria até o final da semana para encontrar Kurama e convencê-lo a se retratar, caso contrário comunicaria seus superiores e a prisão seria decretada. Entretanto não acreditava que o Youko se deixasse capturar, Kurama era esperto, inteligente e audacioso. Suas qualidades não só tornavam sua localização impossível como dificultavam qualquer possibilidade de ajudá-lo. Nesse aspecto Kurama era superior a todos, tal como a raposa que era, tê-lo como aliado até há pouco era um privilégio, tê-lo como amigo era uma fonte inesgotável de conhecimento, nem queria imaginar como seria tê-lo como inimigo.

Tentativa após tentativa continuaria até encontrá-lo, mesmo que tivesse que enfrentá-lo.

Arrastou-se desconsolado até seu apartamento, precisava descansar para estar preparado a noite. No caminho, a casa em cinzas que outrora fora a residência dos Minamino, agora nada mais era que um terreno abandonado à espera que alguém o reclamasse. Nada naquele lugar lembrava a casa de dois andares, seu jardim bem cuidado e as adoráveis pessoas que ali moravam.

Yusuke se aproximou e rezou por aquelas almas como fazia todas as manhãs, foi quando visualizou uma flor solitária nos escombros. Uma pequena e delicada rosa branca erguia-se perante o cenário trágico, ao lado desta uma pedra enfeitava o pedaço de terra, e nela podia se ler uma mensagem de saudade que lhe dizia que ainda havia esperanças. “Com amor para sempre seu filho”.

***

O pesadelo se repetia cada vez que fechava os olhos, os rostos e lembranças guardados na sua mente repetiam-se como um filme sem final, atormentando-o dolorosamente. Sua vida, sua família, sua mãe .... tudo se perdeu naquela noite, todas as promessas e sonhos morreram junto com ela. Toda sua humanidade e respeito foram enterrados nas profundezas de sua mente, seu único desejo se alimentava da raiva que o consumia dia após dia. Queria encontrar a morte e terminar seu sofrimento, mas antes levaria o culpado de sua dor e todos os youkais que encontrasse.

Balançou a cabeça querendo se livrar do sono que o invadia, as olheiras profundas marcavam o belo rosto e os olhos escurecidos em nada lembravam as jóias brilhantes que encantavam a todos.

Cruzou os braços e acomodou-se na árvore que lhe servia de encosto. Ali esperava o anoitecer todos os dias, abandonado e isolado como um órfão que agora era, sem lar, sem amor, sem esperanças ... apenas esperando as trevas, nelas encontrava a vazão para o seu mal, sua dor e a vingança que o impelia a continuar até a morte.

***

-Hiei?

-Estava te esperando detetive.

-Espero que seja importante, ainda tenho que cumprir uma missão importante.

-Veio por que quis, agora se as informações que tenho não te interessam, não é problema meu.

-Nem mesmo no que se refere a Kurama?

-O que sabe de Kurama?

-Estive com ele há algumas noites.

-E como ele está?

-Ele mudou, não é mais aquele que conhecemos, ele assumiu seu lado demoníaco, tornou-se frio e cruel como no passado.

-Não pode ser.

-Não entendo como ainda pode duvidar.

-Temos que ajuda-lo Hiei – baixou a guarda, revelando toda a preocupação que escondia do amigo invocado.

-Eu sei – concordou, assumindo a mesma postura – por isso investiguei alguns youkais suspeitos, provavelmente seguidores de Sakio, e descobri que haverá uma reunião para planejar e promover o tráfico de humanos.

-Isso quer dizer que Kurama vai estar lá.

-Exatamente, mas há um problema, além de youkais, há humanos, meio humanos e se ...

-E se Kurama matar um humano mesmo que este seja mau, estará condenado pelas lei do Reikai.

-Temos que impedi-lo.

-Melhor, estaremos lá esperando – disse Yusuke convicto.

Pela primeira vez Yusuke concordava com Hiei em alguma coisa, já que o inimigo real não era Kurama e sim quem iniciara aquela trama maligna. Se o Youko não tivesse sucumbido, certamente eles seriam os próximos da lista.

***

O vento trazia o cheiro forte característico dos seres das trevas e revelava uma aglomeração de youkais próxima. Seu faro aguçado de raposa lhe indicava a direção, revelando quantos demônios teria que enfrentar. Seguiu os rastros camuflando-se como uma criatura da noite, estudando minuciosamente o esconderijo, visualizando as possíveis rotas de fuga e preparando-se para fechar todas as saídas, para assim não deixar nenhum demônio escapar.

Silencioso como a névoa que se apossa das ruas, o estranho seguiu camuflado nas sombras, levando a morte àqueles que haviam sido escolhidos perante seu julgamento.

Bastaram alguns minutos e todas as defesas compostas de youkais medíocres jaziam em pedaços pelos arredores. A suntuosa mansão escondida trazia escombros de um subúrbio afastado, era a fachada das operações sujas e ilegais da escória ningen, de demônios fugitivos e mestiços.

Observou a todos desde o ponto mais alto, visualizando suas vítimas, buscando em cada face demoníaca o monstro que jurara perseguir, planificando qual seria o primeiro a morrer. Um comando e as plantas surgiram do nada, cercando e devorando cada monstro, dilacerando e se alimentando do medo daqueles que tentavam fugir.

Um sorriso brilhou no rosto impassível que observava o massacre, e a linda rosa que brincava em suas mãos transformou-se no chicote ameaçador que acabaria por exterminar os chefes daquela organização.

Todas as saídas foram bloqueadas e os estilhaços de vidro espalharam-se sobre os corpos sem vida. O desespero tomou o pequeno grupo que tentava escapar do trágico destino.

As plantas abriram caminho para o seu mestre em meio ao caos que se formara. Um humano, três mestiços e vários youkais se aglomeravam em um canto obscuro, tentando fugir daquele que se tornara seu pior pesadelo. As plantas carnívoras e demoníacas já invadiam a parede quando Kurama se apresentou como um carrasco preste a eliminar suas vítimas.

O youko absteve-se das súplicas e das propostas que lhe eram feitas em troca da vida, seus olhos apenas fitavam cada rosto, buscando o assassino que jurara matar. Dois youkais avançaram ao mesmo tempo num instinto de defesa, rápidos como poucos, os demônios alcançaram o kitsune, cada um segurando-lhe um braço, convencidos da própria proeza. A última coisa que viram foi um sorriso, perverso como tal, Kurama desapareceu frente aos inimigos, segundos depois seus pedaços manchavam o chão com o sangue azulado.

As súplicas calaram antevendo o inevitável. Com movimentos suaves e perfeitos, Kurama retirou uma semente do seu cabelo que brotou em suas mãos transformando-se em uma rosa magnificamente bela.

-Não vão mais sofrer — sentenciou a voz calma, porém fria enquanto a pequena flor perdia sua cor e forma assumindo seu novo aspecto assassino como arma.

Como alguém que brinca sadicamente com um condenado à morte, Kurama ameaçou-os, satisfeito ao ouvir a dor dos pingos de ácido queimando a carne dos primeiros a morrer.

Então sua expressão impassível mudou ao encontrar os olhos assassinos do meio youkai que caçava. Abandonado pela razão, ordenou que todas as suas plantas avançassem contra o grupo rendido.

O chicote pontiagudo estalou no ar antes do seu bote final, quando uma energia desconhecida implodiu no ar desorientando Kurama. Não teve tempo de finalizar sua obra pois vários feixes de energia vieram em sua direção, fazendo-o desconcentrar seu youki esquivando-se do ataque inesperado.

Os golpes fizeram a parede ceder, possibilitando a fuga daqueles que condenara, e pior, deixando escapar aquele que jurara matar acima de tudo. O grito de fúria explodiu elevando a energia das plantas que cresceram com a ira descontrolada e destruíram todo o lugar.

O silêncio dos escombros trouxe o fim daquela noite. Kurama ergueu-se, dificultado com o ferimento aberto em sua alma, a cicatriz profunda fora exposta trazendo o sofrimento da dor e incapacidade. Odiou-se por isso e odiou aquele que o impedira de realizar sua vingança.

*****

O vento frio da noite calou a ira com morte e os expectadores emudecidos com o espetáculo sangrento se fizeram notar ao carrasco da noite.

Fitaram-se silenciosamente durante alguns minutos, enquanto o vento levava seus lamentos. Olhares preocupados foram rebatidos com o olhar frio e indignado que dizia tudo o que em palavras não conseguiam expressar.

Yusuke se adiantou, apresentando-se frente ao amigo, mas a voz trêmula hesitou ao ver a personificação do mal na figura de Kurama. Kuwabara permaneceu paralisado e não se atreveu a confrontar o Youko. Hiei apenas observou, estudando aquele que agora se tornara seu inimigo.

A voz antes meiga e gentil veio com um ultimato triste e rancoroso.

-Porquê? – foi a pergunta atirada na arena – Porquê interferiram?

-Kurama, nós estamos preocupados, estávamos à sua procura há muito tempo – explicou Yusuke.

–Também sentimos muito por sua perda – acrescentou Kazuma.

-Vocês não sabem nada sobre sentir dor – cortou cerrando os punhos – suas mentes simplórias nem sequer imaginam o que estou sentindo.

-Por isso queremos te ajudar amigo – completou Urameshi.

-Ajuda? – um sorriso cínico iluminou seu rosto – Ninguém pode me ajudar – transformando-se numa risada doentia – Não preciso da ajuda de nenhum de vocês.

-Kurama, meu chapa, acorda pra vida, queremos pegar os caras que fizeram isso tanto quanto você – replicou Yusuke.

-Vamos acertar contas juntos, como nos velhos tempos ... – adiantou Kuwabara.

-O passado morreu junto com minha alma – foi o lamento que se ouviu – Não quero a ajuda de vocês, nem quero que interfiram no meu objetivo. Isso é problema unicamente meu.

-KURAMA, vamos não seja tolo, pare com isso – gritou Yusuke.

-Tolos serão vocês se voltarem a cruzar meu caminho ou tentarem me impedir – avisou-os antes de dar-lhe as costas para partir.

-Kurama entenda, não pode continuar, esta se pondo em perigo, Koenma vai ...

-Koenma nunca se importou com nada e com ninguém, não me interessa o que ele pretende, também não irá me impedir.

-Kurama, você é nosso amigo, podemos te ajudar a recuperar o controle, venha com a gente.

Olhares ansiosos esperaram pela resposta, até mesmo Hiei acreditou naquela possibilidade, mas estavam enganados. Silêncio foi a negativa que receberam quando Kurama se retirou deixando-os para trás.

-PARE – gritou Yusuke, inconformado correndo para interceptar o amigo – Não vou permitir que ponha tudo a perder.

Um olhar frio sobre os ombros fez Yusuke parar com a barreira de plantas que se ergueu em seu caminho.

-Em consideração a amizade que uma vez compartilhamos, deixarei você e os outros viverem ... se tentarem me impedir não terei a mesma piedade.

Yusuke pulou sobre as plantas e caiu frente a Kurama, queria apenas ter a certeza de estar agindo certo. Olharam-se mutuamente estudando uma ao outro, Yusuke viu raiva naqueles olhos, e ainda que, escondidos sobre uma camada de rancor, estava o Kurama que conhecia. Kurama viu nos olhos castanhos toda a sinceridade que caracterizava a personalidade do amigo e soube exatamente o que ele faria a seguir.

Um soco veio em sua direção, mas Kurama se esquivou, seguiu-se uma sucessão de golpes contra o ar que cessaram apenas quando um soco atingiu o rosto de Yusuke. Então o rapaz baixou os olhos e deixou os braços caírem em sinal de desistência.

Kurama desviou-se e seguiu seu caminho, Yusuke olhou-o de lado e murmurou algo que o Youko viria a compreender apenas quando um golpe o atingiu em cheio. Seus joelhos se dobraram com a dor repentina e inesperada. Caiu ao chão resmungando palavras fortes por ter sido pego desprevenido. Pressionou o estômago com força e firmou a outra mão no solo fazendo-o tremer e rachar à sua volta.

-MALDIÇÃO!

Sua ira foi expressa num grito de revolta, revolta por sua dor, por sua condição e principalmente por sua indecisão em lutar com os únicos que ainda o mantinham preso à realidade. Mas, não podia mais voltar atrás, não agora.

A energia elevou-se, o youki dourado concentrou-se prestes a explodir. Do chão caído em sua própria ruína, preparou-se para atacar aqueles que considerava amigos. Sua mente em prantos de raiva e dor lembrou-lhe o caminho que iniciara, não havia mais razão, nem sentimentos que o impedissem. Uma fração de segundos e o chão explodiu com inúmeras plantas demoníacas. À margem da loucura, Kurama se manteve no chão sem a coragem para encarar aqueles que atacava.

Em meio ao alvoroço que se formara, o Youko pôde ouvir o breve murmurar que entenderia a seguir. As palavras em pesar foram repetidas novamente e foi o último que Kurama ouviu antes de cair inconsciente aos pés de Yusuke. “ Me perdoe ... amigo.“

-Hiei? Por quê fez isso?

-Você vacila muito detetive, não era isso que queria? Impedí-lo? Eu apenas ganhei tempo.

-Mas ... – Yusuke agachou-se para ver o amigo, Kurama parecia dormir, seu semblante sereno em nada lembrava o demônio que o havia possuído. Queria detê-lo e tinha conseguido com a ajuda de Hiei, agora só lhe restava seguir adiante com o plano.

***

-Kuwabara? Trouxe o que pedi?

-Está aqui Yusuke, mas têm certeza que quer fazer isso?

-É o único jeito.

-Vai mesmo deixa-lo aqui?- assustou-se Kuwabara, não acreditando no que estavam fazendo com Kurama.

-Não importa o que façam, isso não vai impedi-lo – comentou Hiei quando Yusuke espalhou os símbolos espirituais ao redor de Kurama, prendendo alguns junto ao seu corpo.

-Ao menos impedirão sua energia de se manifestar durante um tempo – respondeu Yusuke que ainda verificou as correntes que separavam os braços do amigo inconsciente.

-Não podem prendê-lo e escondê-lo para sempre – retrucou o koorime.

-Aqui estará protegido e em segurança até descobrirmos a verdade – justificou Urameshi.

-Que verdade? – perguntou Kazuma.

-Toda essa tragédia não aconteceu ao acaso, há muito mais em jogo do que um ataque pessoal – explicou Hiei.

-Mas porquê a família de Kurama? – insistiu Kuwabara.

-Toda pessoa que morre obrigatoriamente passa pelo Rekai, lá sua conduta em vida é avaliada e arquivada, e depois disso a alma é encaminhada seja para a provação, reencarnação, céu ou inferno. Segundo Koenma não há arquivos nem registros que comprovem a passagem dos parentes de Kurama por lá – relatou Yusuke.

-Isso quer dizer que eles podem estar vivos? – espantou-se Kuwabara.

-Existe essa possibilidade e se isso for confirmado quer dizer que temos um intruso servindo o Reikai – completou Hiei.

-Uma conspiração – afirmou Yusuke.

-Provavelmente Kurama está sendo manipulado – concluiu Hiei.

-Temos que descobrir a verdade e trazê-lo de volta à realidade – Kuwabara.

-Estamos perdendo tempo, quanto antes encontrarmos os responsáveis, mais rápido descobriremos e solucionaremos o problema – Hiei.

-Têm razão, vamos ... – Yusuke.

***

As vozes calaram-se e o silêncio retomou seu domínio, trazendo a escuridão e a solidão como companheira do seu prisioneiro. O tilintar tímido de metal se fez notar, como uma melodia melancólica que preencheu o lugar. Na escuridão daquele quarto isolado, um brilho dourado despertou em meio às trevas, reluzente em seu reflexo, um olhar frio e cruel.

Um lamento entristecido ecoou com o rompimento de uma promessa antiga, e com ela a ressurreição de um passado esquecido.

O uivo do vento lacrou o túmulo do jovem que se entregara ao passado e trouxe um novo propósito para o demônio lendário que retomou aquilo que lhe pertencia. “ Terei minha vingança .....”

E uma explosão inesperada apagou todos os vestígios de vida daquele lugar abandonado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.