Vingando a Rainha Branca
1 Tic Tac, Tic Tac
Notas iniciais

Alice estava lendo mais um livro. Ela adorava ler. Quando pequena gostava de escrever também, mas desde que aconteceu a pior coisa que poderia acontecer, Alice nunca mais escreveu. Ela tinha completado dezesseis anos e ainda se lembrava com um certo medo daquele dia, daquela Rainha, daquela guerra.
Poderia parecer uma jovem normal, mas Alice tinha visitado outro mundo. Um mundo com criaturas bizarras, mas outras amigáveis. Um mundo com uma Rainha boa, mas uma má. Um mundo que naquele instante estava sendo governado pela mais profunda escuridão. Ela queria se livrar daquela lembrança maldita, de quando a Rainha Branca perdeu para a Rainha de Copas. Agora, o País das Maravilhas mergulhava em trevas.
Sonhava toda noite com aquele lugar onde ela se sentia pura e feliz. Quando acordava anotava tudo, o Gato Risonho, o Chapeleiro, a Rainha Branca. Mas tinha a rainha de copas. Ela era cruel e tinha sede de vingança. Queria o País das Maravilhas só para ela.
Depois de sete anos sem visitar o tal País, Alice ainda negava escrever sobre ele. De vez em quando acordava no meio da noite por conta de pesadelos. As vezes tinha alucinações com o coelho branco, aquele que ia para uma toca onde o levava para o País das Maravilhas.
Quando a Rainha de Copas cortou a cabeça da Rainha Branca, o céu do lugar mais bonito existente tinha escurecido. As pessoas pareciam tristes e com medo. O Chapeleiro mandou Alice de volta para casa e ela nunca conseguiu voltar, mesmo em seus pesadelos.
Alice uma vez com apenas nove anos, correu atrás de um coelho branco e caiu na toca com ele. Depois ela chegou no País das Maravilhas de seus sonhos, mas chegou no meio de uma guerra. Uma guerra que o bem perdeu.
Um vento soprou os cabelos de Alice. Ela se levantou da cadeira de balanço que ficava em seu quarto e fechou a janela. Ela iria voltar a ler se não tivesse ouvido uma música curiosa. “Tic Tac, Tic Tac. O tempo está acabando. Tic Tac, Tic Tac. O tempo está passando. Tic Tac, Tic Tac. A terra está perdida. Tic Tac, Tic Tac. Você é a escolhida.”
Seguindo o som de onde vinha a música, Alice caminhava com uma pulga atrás da orelha. Ela também estava com um pouco de receio, pois conhecia a voz de algum lugar. De repente a música parou. Só dava para escutar passos rápidos. Alice apressou-se e tentou chegar mais perto do barulho. Então ela viu um coelho branco saindo pela porta dos fundos da casa, em direção ao quintal.
Alice não morava em uma mansão e sim em uma casa muito charmosa. Um pequeno jardim na frente, móveis de madeira, um quintal com muitas árvores e vizinhos com casas parecidas, mas alguns com verdadeiras mansões.
Quando viu que o coelho usava paletó, Alice falou:
– Não pode ser! Não... Não agora... A Rainha... O Coelho... O... O País das Maravilhas!
Ela correu atrás do Coelho Branco mesmo que seu vestido longo atrapalhasse. Então o animal falante que Alice conhecia muito bem passou entre as grades do quintal. Sem nem pensar, a garota subiu mesma grade e pulou. A saia de seu vestido rasgou deixando parte das pernas de fora. A parte de trás continuava intacta, mas a parte da frente do traje estava um pouco acima dos joelhos. Alice nem se importou, precisava seguir o coelho.
Suas botas de couro batiam no chão de sua rua. O Coelho entrou em um quintal de uma casa luxuosa em que o dono era um aristocrata arrogante. Alice pulou a grade de seu vizinho e outra parte de seu vestido rasgou. Para deixar simétrico, a menina puxou grande parte da saia do vestido e deixou bem curta. Não era a intenção, mas não podia fazer nada depois que tinha rasgado sua saia.
O Coelho Branco entrou em uma toca de uma árvore. A toca era grande o suficiente para Alice entrar sem problemas. Ela pulou logo atrás do Coelho, mesmo sabendo que poderia nunca mais voltar.
– Tinha esquecido como essa queda demorava... – Falou Alice enquanto caia – Não poderia chegar logo?
– Calma Alice, calma. Não acredito que perdeu o costume em apenas sete anos. – Disse o Coelho em algum lugar abaixo dela.
Alice estava cansada de esperar e suspirou. Enquanto caia bebeu um chá, comeu duas torradas e praticou piano. “Para onde todas essas coisas vão e de onde elas veem?” Questionou-se em pensamento.
Então um barulho forte bateu no chão. Era o Coelho. Logo depois Alice caiu. Ela olhou para os lados e viu a pequena portinha. A garota perguntou:
– Coelho, diga-me como passarei por essa portinha? Não tem mais aquela bebida em nenhum lugar...
– Calma Alice, calma. Vamos arranjar um jeito...
Alice esmurrou a portinha que foi para o belo jardim. Depois ela chutou a parede em volta. Nada. Só rachaduras finas. O Coelho disse que poderia arranjar um jeito, mas Alice não escutava, ela estava completamente frustrada e com raiva.
E aí uma luz acendeu na mente de Alice.
– Coelho, rápido! Diga-me se só você já foi para lá pra cima.
O Coelho fez que não com a cabeça e em seguida disse gaguejando:
– A-a Ra-Rainha de Co-Copas j-já foi pa-para o seu mun-mundo.
– Para que? – Perguntou Alice.
– Para encontra-la Alice... – Respondeu o Coelho.
– E por onde ela passava?
O Coelho puxou Alice pelos cadarços que quase caiu. Eles foram em direção a uma das portas maiores. O Coelho gritou:
– ABRA-SE!
A porta imediatamente abriu. Alice passou por ela e parou em frente ao castelo da Rainha de Copas, também conhecida como Rainha Vermelha. O Coelho tremeu de medo e falou:
– Alice, vamos. O Chapeleiro gostaria de vê-la.
Olhando mais uma vez para o castelo, Alice respondeu:
– Sim! Vamos!
Fale com o autor