Vingador Vol. II

9 8. Noivo sem modéstia. Tour das Bebidas e Reencontro de rivais.


Notas iniciais
Volteeeeeiii! Depois de uma semana sem internet! Acabei mexendo mais com meus originais, mas pelo menos em Vingador eu fui bem, tenho até o próximo cap já quase pela metade, e.e ♥ Enfim, achei esse muuuito divertido, eu amava a interação deles no primeiro volume mas no segundo, eles estão tãoooooo amorzinhos que fico babando e rindo ahsuashuhau

O som do baque do corpo dela foi mais alto do que se esperava ouvir, dado seu tamanho e peso pena.

Mikoto e Izumi observaram-na no chão, se entreolharam e encararam Sasuke, ele encolheu os ombros, embora tampouco estivesse satisfeito.

— Esta foi e não a reação que eu esperava...

— Eu pensei que ela gritaria – Shisui disse.

— E por isso me deve cinco mil – Itachi o lembrou.

— Cartão ou cheque? — Itachi o encarou de lado.

— Espécie viva.

Shisui se voltou para frente, encarando a matriarca.

— Perdão, Veena-sama – Pediu antecipadamente, então encarou Itachi — Filho da puta.

— Fizeram uma aposta de como ela reagiria? – Sasuke indagou, irritado. Eles encolheram e deram de ombros. — Porque diabos não me chamaram também? Eu não ando dormindo na grana como vocês, preciso tirar o meu no duro – Resmungou, então caminhando até onde a coisinha havia tombado. — Quanto ela está pesando? Que barulho do caralho ela fez, melhor ver logo se não arrebentou a cabeça – Segurou sua cabeça, erguendo-a e analisando o couro cabeludo, e inspirou profundamente sentindo a textura dos fios enroscando-se em seus dedos.

— Não é como se a criássemos numa jaula – Mikoto resmungou — Mas engordou uns dois quilos, só por dizer.

— Dois quilos? Pra onde foi? – Disse, pegando-a e erguendo, sentiu alguma diferença mesmo, apertou sua perna onde a segurava e meneou a cabeça, avaliativo — Hum, pra um bom lugar, pelo menos.

Mikoto revirou os olhos.

— Pare de apalpar a garota de graça.

— Vai me pagar então? Vai me dever três vezes o que já me deve de herança.

— Quem disse que você terá herança? Leve-a para dentro, ainda está atordoada com o “assalto”. – Sasuke lhe mandou um olhar afiado antes de dar as costas.

— Trabalho com nomes.

— Não só você – Ela rebateu — Mas já temos gente em busca, ao que parece.

— Hn.

֍

Parecia que havia sido atropelada por uma carreta, seu estomago embrulhava e sua boca aguava com a ânsia de vomitar crescendo. Sakura se apoiou no lugar acolchoado onde estava, que aos poucos descobriu ser um divã de uma das varandas da casa, uma brisa fria ultrapassava as portas sacudindo as cortinas.

Sentou, tocando a testa, e apertando o ventre embrulhado. Olhou para frente e viu as portas da sala mas também, uma das poltronas próximas ocupada.

Lá estava ele, sentado, cheio de si, agora parecia tão perfeitamente encaixado quanto ela sabia que jamais seria.

Ele era um deles afinal, tinha o sangue, inclusive a aparência, o trejeito insinuando-se, o ar ainda mais superior até.

Ele inclinou a cabeça, encarando-a com um sorriso de lado, as mãos juntas sobre o joelho cruzado sobre a perna flexionada.

— Olá, amor? Ou devo dizer, querida noiva?

As portas se abriram Mikoto entrou junto de Danica que segurava uma bandeja, e os dois a encararam, ela mandou um olhar aborrecido para ele.

— Você não poderia esperar mais um pouco?

Sakura se levantou correndo para a varanda e despejando lá fora mesmo o que tinha no estomago.

Ele franziu o cenho em desagrado.

— Esta é a segunda reação que não esperei, até foi bom não ter entrado em nenhuma aposta – Resmungou. Mikoto suspirou, chateada e a empregada entrou, deixando a bandeja sobre a mesa próxima ao divã.

— Está assim porque se entupiu de besteira durante a viajem – Disse, Sakura voltou, apoiando-se na empregada até se sentar, esta lhe ofereceu uma água, para tirar o gosto horrível da boca.

— Me desculpe, me desculpe – Murmurou, querendo chorar, atordoada. — Não era para ser assim, eu sei que não era para ser assim, estou tão envergonhada.

Os dois Uchihas se entreolharam, Mikoto suspirou sentindo-se um pouco mal por também não ter gostado de como as coisas se deram. Havia, mesmo tentando evitar, posto muita pressão na criaturinha e um pouco de suas próprias expectativas.

Sasuke se levantou, arrumando o terno e seguiu até o divã.

— Não faço ideia do que está falando – Declarou, com displicência, e sentou-se próximo a ela, encarando-a profundamente — Afinal, encontrei minha belíssima noiva, novamente, não é como se fosse a primeira vez e não tem nada do que reclamar desta segunda, afinal, tenho? – Disse, com um sorriso satisfeito, Sakura afastou as mãos do rosto, o encarando.

— Não... Não foi... Era você... No museu, e na... Na festa.

— Não existe outro igual.

Ela piscou, processando aos poucos.

— Era você... o tempo todo... Mas não disse que era você...

— Detalhes, detalhes...

— Detalhes? Detalhes? – Sakura o encarou lívida de horror com seu descaso — Eu fiquei... Fiquei... Detalhes?

— Nomes são apenas nomes, afinal, certo? – Ele piscou.

— Você é meu noivo mas fingiu que era um estranho...

—­ Tecnicamente, eu er-...

— Oh! – Mikoto exclamou, chocada como não se sentia a um bom par de anos, o som do estalo ecoou pelo cômodo inteiro e Sasuke moveu o pescoço, sentindo que o impacto havia deixado uma certa dorzinha de torsão. Ela não estava só gordinha, estava fortinha também.

Sakura se levantou, soltando um bocado de impropérios que não chegavam exatamente a ser impropérios, mas eram o máximo que conseguia chegar.

O mais pesado foi “Patife”, ela saiu ainda cambaleante do cômodo, mas deixando toda a casa saber que nunca que se casaria com semelhante pessoa dissimulada.

Danica, sempre polida e silenciosa, ofereceu a ele um dos panos quentes que trouxera por precaução, ele o pegou, pressionando na bochecha, a barba provavelmente esconderia a marca vermelha, mas não havia nada que abafaria o tapa em sua dignidade, com sua mãe gargalhando quase como uma louca.

— Deixe de escândalo, nem é como se tivesse doído...

— Eu vivi para ver isso, eu vivi! Chame Fugaku, chame meu marido! Oh, ele vai amargar ter perdido isso! – Pediu entre risos, deixando-se cair numa das poltronas, praticamente deitada.

Sasuke bufou se levantando e largando o pano.

— Esta foi a reação esperada como primeira, se estivéssemos num universo alternativo, claro. Mas ainda estou puto, você a deixou agressiva também, porque não me surpreende?

— Oh, não, não, não, não me culpe! — Defendeu-se logo — Ela veio aqui como sua bonequinha de vidro, e foi cuidada assim...- Mikoto gargalhou, e enxugou os cantos dos olhos marejados com as unhas — Ela fez por si mesma! Quão hilário isso é? Tinha que ver sua cara, querido! Eu deveria ter continuando usando a velha filmadora, sabia!

— Hilariante – Resmungou, Fugaku chegou, encarando-os com o cenho arqueado, se perguntando que tipo de veneno teria deixado a esposa neste estado, ela se ergueu quase não conseguindo andar o ventre contraindo-se toda hora de tantas risadas.

— Querido, querido, tinha que ver, tinha que ter estado aqui!

— Não tenho tanta certeza.

— Oh, você vai ter, vai ter!

֍

— Eu tinha que ter estado lá – Fugaku suspirou, aborrecido, Mikoto já havia rido até ficar cansada, praticamente.

Sasuke deixou a sala, e seguiu pela casa, olhando as janelas, percebeu que o pequeno coquetel ainda não havia se encerrado. Seguiu em frente, até chegar a cozinha, repleta de garçons e comida sobre os balcões, a movimentação agitada e contínua para servir os riquinhos lá fora.

Se aproximou de um dos balcões e catou um canapé sobre a bandeja. Sentada numa banqueta, com um enorme copo de suco e um prato cheio de comida, Sakura suspirava completamente abatida, ela o encarou já reanimando sua recém apresentada animosidade e ele mostrou as mãos em rendição e paz.

— Sem tapas, pelo menos não sem dar a Mikoto, o prazer de filmar – Ela comprimiu os lábios num bico pronto para soltar um chorinho, e fungou voltando-se para frente, ergueu os ombros e trouxe um canapé para boca.

— Não fale comigo. – Avisou, antes de abocanha-lo.

Ele observou tudo, afim de avisar que aquele vestidinho talvez não fosse caber na próxima vez que ela tentasse usar. Mas, como tudo tinha uma primeira vez na vida.

Ele estava literalmente medindo as palavras para não apanhar, veja de quem, Sakura.

Suspirou, apanhando a jarra próxima e um copo, servindo-se.

— Isso parece um pouco complicado, como se faz um casamento em que as pessoas não se falam?

— Não vou casar com você. – Sakura bufou, aborrecida e magoada.

— Oh, eis algo interessante, você aceitou casar-se com um cara que nem conhecia o rosto, mas agora que conhece...?

Ela inspirou, erguendo os ombros novamente, e fechando a cara numa expressão cheia de si.

— Eu sinto que conheci bem mais que o rosto hoje, não? Seu caráter e senso de respeito foram bem prejudicados neste primeiro julgamento.

— Resumindo? – Sakura o encarou irada, percebendo o tom de zombaria em sua voz.

— Que eu não gostei de você! – Desceu do banco e seguiu para fora da cozinha.

Sasuke deu de ombros, embora enfadado.

— Ao menos foi mais direto e simples, não sei se percebeu mas eu não sou muito dado a tanta...- Começou, seguindo-a.

— Educação?

— Eu chamo de frescura mesmo, sou muito prático.

­— Deselegante lhe serve mais!

Quanta banca, parecia uma versão algodão doce de sua mãe.

Seria quase broxante se petulância dela não fosse tão engraçadinha até.

— Veja só, em suma, eu sou o que você chamaria de “Ovelha negra da família”, okay? Ou seja, sou apenas o filho incompreendido.

— Está mais é para desgosto.

Agora ele estava levemente puto.

— Quanta banca para quem estava se derretendo toda na festinha proibida – Comentou por alto, Sakura girou sobre os calcanhares, arregalando os olhos e enrubescendo naquele tom adorável, até as orelhinhas.

— Qu-que disparate! Nunca aconteceu algo assim!

— Sua vermelhidão parece sinal de que é verdade.

— É sinal de irritação! De estresse, eu tive um dia péssimo!

— Posso melhora-lo, consideravelmente – Ofertou.

— Acaba de falhar miseravelmente!

— E pra isso servem as segundas chances – Sakura soltou o ar, esbaforida e estressada, cansada.

Ele parecia... Impossível!

E ele sabia quando tinha ganhado, talvez antes de ganhar, e era frustrante.

Ela fungou novamente, erguendo os pulsos para enxugar os olhos.

Sasuke se aproximou, primeiro afagando sua cabeça, e ela quis chorar mais por ser um toque tão bem feito.

— E-eu estou cansada, desculpe se fui horrível...- Porque estava se desculpando? Ele só estava fazendo o mínimo, era culpa dele — É tudo sua culpa, porque tinha que fazer tudo assim? – Soluçou. — Eu esperei você direitinho, você que demorou, porquê?

— Shh – Sasuke ciciou, puxando-a para perto, Sakura se manteve arisca ainda, permitindo-se apenas recostar a cabeça em seu peito, para esconder o rosto. — Não foi minha intenção, acho que estou muito acostumado a... Entrar sorrateiramente, e esquecer quem eu sou.

— Não tem que fingir pra mim...

Ele sorriu, apoiando o queixo em sua cabeça.

Da sua inocente boca, parecia tudo tão simples.

Mas não era.

Parecia inclusive, o jeito certo de mantê-la feliz e saudável assim.

Mas seria mesmo?

Ele já havia interpretado longos papeis a troco de muito pouco, manter mais este, em troca dela, não era uma escolha difícil, apesar que ainda frustrante.

— Okay, amor. Agora você me tem. – Disse, afastou-se para encara-la, e sorriu sensualmente apreciando o brilho nos olhos dela — Faça bom proveito. – Completou, tocando sutilmente os lábios cheios e viciosos.

Pois sempre apreciaria muito mais, o rubor das orelhinhas.

֍

— Ah, aí está você – Mikoto disse, ele revirou os olhos, e forçou um sorriso empolgado, ao se aproximar, puxou a taça da mão dela, recebendo um olhar reprovador.

— Apenas resolvendo as coisas, como você bem gostaria.

Mikoto o encarou, desconfiada.

— Mesmo, sim? – Sasuke deu de ombros, balançando a taça suavemente.

— Duvidou mesmo que eu conseguiria?

— Sim.

— Humpf.

De certo que Sakura estava mais maleável com a ideia, mas não o bastante para agir como mulher dele, ainda.

Fugiu para o quarto, como a ratinha que era, ante o primeiro gracejo.

— Agora desmanche essa cara, as pessoas querem te conhecer. – Ela avisou, apertando seu queixo de leve e o puxando pelo braço.

— Que empolgante.

֍

O quarto estava tomado de gritinhos finos, Plum corria em sua rodinha como se desse para usa-la para escapar daquela baderna.

— Aaaaah! Eu não acredito!

— Isso está acontecendo mesmo!

— Vestidos, vestidos, agora!

— E aquele batom!

— Meu deus! Ele é lindo! Você viu? Eu acho que já o vi!

— Ele tem uma baita cara de safado! Sakura vai perder a virgindade hoje mesmo!

— Aaaaaah! Meu deus, ela precisa de camisolas novas também!

— Parem com isso! Não quero surtar de novo!

— Cale a boca, é o seu noivo, não tem nada para dizer?!

— E ele é um gato! Juro que achei que ele não era nada comparado com o Itachi, mas drooooga se minha língua queimasse estaria só carvão! – Robin reclamou, jogando roupas pelo chão.

— Eu sei que ele é bonito!

Como não saber? Sakura se sentou na cama, as mãos toda hora queriam cobrir o rosto que não largava daquele vermelho irritante, ela não queria parecer tão vulnerável, já era injusta o bastante toda a situação.

Robin vasculhava seu guarda-roupa, e Louise surtava mexendo na penteadeira, parecia que elas eram as noivas, e Sakura até estava agradecida, apesar que fugira para o quarto dizendo que se prepararia melhor para o evento acontecendo agora, queria mesmo era se enfiar em baixo da cama.

— Vamos lá, não ouse desmaiar ou qualquer coisa do tipo, tem que estar linda, é o seu noivo, o dito cujo, finalmente aparece e veja só, está cheio de perua lá fora rondando ele!

Sakura ainda não estava exatamente feliz com seu noivo para se achar ciumenta ou possessiva. Aquele presunçoso bem que deveria estar adorando a atenção demasiada, inclusive de Mikoto, nunca a vira tão radiante.

— E-eu não sei se eu gosto dele, é muito metido!

— E não era pra ser?! Ele. É. Um. Gato!

— Ele é excessivamente metido, vocês não entendem!

— Ora, então mostre pro senhor Todo poderoso lá, que você está no mesmo nível.

Sakura ainda custava a acreditar, mas, talvez fosse ao menos divertido tentar.

֍

— Porquê tanto doce, afinal? – Sasuke resmungou, perto da mesa com comida — Parece uma festa de criança.

Mikoto revirou os olhos, ao seu lado, já entediada com tantos resmungos, não sabia de onde ele tirava tanto mau humor ou veneno, nem Fugaku, na maioria das vezes muito assustador, era tão aborrecedor.

— Ás vezes duvido que te pus no mundo – Ralhou.

Ele a fitou, genuinamente chocado.

— Como pode? Sou sua cria mais perfeita.

— Perfeição é relativa, e suas reclamações quanto a doces, são quase hipócritas dada sua escolha de parceira.

Sasuke abriu a boca para contestar, mas preferiu calar-se, a filha da mãe tinha um ponto, impossível de negar.

Touché. – Admitiu. Ela deu de ombros, Presunção era seu segundo nome.

Ou talvez fosse Mortal.

— Então, já posso começar os preparativos? – Ela indagou, o tom aparentemente desinteressado.

Ele deu de ombros, apenas olhando em volta e se perguntando se teria de ir até o quarto arrancar aquele rato da toca, ainda mais depois que se entocara junto com aqueles dois péssimos exemplos.

— Tanto faz.

— Ótimo então, direi ao seu pai. – Mikoto declarou, dando as costas se afastando, escondendo sutilmente o sorriso satisfeito e esperto.

Foi a menção ao pai que fez Sasuke prestar a atenção. Ela definitivamente não falaria de mencionar algo trivial ao velho. Seguiu-a logo e puxou pelo braço.

— Calma lá, de que preparativos estamos falando, exatamente? – Mikoto deu de ombros, elegantemente.

— Do seu casamento, ora.

— Meu o quê?

— Casamento.

— Casamento de quem?

— O seu.

Ele riu.

— E quem disse que eu vou casar? – Mikoto quase disse algo, mas se calou, olhando para atrás dele e virou a cara para longe imediatamente, tomando um bom gole de licor, ele olhou para trás e deparou-se com os “três ratos cegos”, apesar que os olhos estavam muito bem fixados nele.

Virou logo para a mãe.

Agora? Quer dizer, porque tanta pressa? Mal cheguei, além do mais, tenho certeza que Sakura também vai concordar. – Alegou, logo se virando e puxando a garota pela mão, ela o encarava ainda com as poucas engrenagens da cabeça girando, mas os olhos desconfiados. — Afinal, eu compreendo que ela precise assimilar melhor a situação, e claro, se acostumar comigo, certo, amor? – Instigou, abraçando sua delicada cintura, ela assentiu, lentamente.

— Bem... Acho que sim, esperei um ano, não? – Comentou, tão docilmente, que nem parecia uma indireta.

Mikoto sorriu como uma serpente, e ele se conteve para não revirar os olhos, voltando-os para sua adorável e petulante presa.

— Não é? – Concordou — Mas de agora em diante, não vai precisar esperar por nada. – Avisou, mirando com atenção seus lábios naturalmente intumescidos pintados com um batom cor rosa forte, fosco e opaco. Seus cabelos estavam completamente soltos e afoitos como sempre seriam, e usava um vestido quase branco, bordado com flores lilases e mangas e colo quase transparentes, a saia era volumosa e cumprida, e ele teve vontade de alfinetar que parecia um discreto modelo de noiva, mas conteve a língua, satisfeito em vê-la ruborizar escandalizada e incomodada com as risadinhas das outras duas coisinhas.

— Pois bem que assim seja. – Mikoto disse.

— Além do mais, você ainda nem casou seu primogênito, então deveria nos deixar em paz. – Ele espetou.

— Oh, querido, jamais. E você sabe muito bem porque o ritmo de Itachi e Izumi é tão... diferente. — Ela espetou de volta, e ele deu ombros, pondo a mão vaga num bolso, e aborrecido com aqueles três pares de olhos enormes grudados em si, cheios de perguntinhas indiscretas, curiosos demais.

Maldita Vaisravana.

— Não sei não, estou fora há muito tempo, ainda preciso me atualizar.

— Aham, claro, aliás, falando em nos atualizar, vamos ali, tem pessoas que querem ver meu adorável casalzinho ainda.

— Oh, me desculpe a demora. – Sakura pediu.

— Não tem problema, querida, vamos lá?

Sasuke assentiu, apreciando se livrar do olhar de pelo menos dois ratos bisbilhoteiros, seguiu a coroa, junto de Sakura.

Ela parecia ainda muito arisca mesmo após terem conversado, antigamente era fácil adivinhar o porquê de seus aborrecimentos, posto que tinha poucos, visto que vivia longe do mundo normal ao máximo e por isso, era ilesa dos problemas comuns nele.

Agora estava bem reinserida, bem até demais, diria, mas não era como se fosse uma derrota.

Era uma vitória quase assombrosa, aparentemente improvável, impossível, mas era uma vitória, frágil como uma pena de cristal.

Assim que tiveram alguma pausa, ele a conduziu, calmamente e sem aparentar interesse até uma das tendas, onde pegou uma taça de um drink que misturava espumante e suco de morango e ofereceu a ela.

Sakura o fitou receosa de primeira e desconfiada, mas ergueu a mão para pegar, ao que ele afastou a taça de seu alcance.

— Aprecia tomar? – Indagou, ela assentiu, levemente aborrecida. — E toma com frequência?

Sakura estreitou o olhar e então cruzou os braços.

— Quer saber se sou alcoólatra ou algo assim? – Ele riu um pouco, dando-a a taça que ela provou por pura birra e degustou.

— Apenas não parece o tipo que bebe.

— Só bebo socialmente, e você? Já que viaja tanto, deve ter provado um bocado de bebidas.

Ele sentiu uma nova indireta, mas não se importou, pensativo.

Uma ideia um tanto cruel cruzou sua mente.

Mas ele não era bom mesmo.

— Ah, eu bebi muita coisa diferente, o último lugar que estive, foi a Suíça, nos Alpes.

Sakura piscou, surpresa por sua boa disposição, mas, ainda continuava adorando saber sobre o mundo lá fora, mesmo que não quisesse estar nele.

Ele vez ou outra havia soltado algo sobre algum lugar que visitou, deixando-a calada nos momentos em que a tagarelice atacava ao ponto de fazer sua voz pouco exercitada cansar e pinicar a garganta.

— Mesmo? Como é? Já me convidaram para ir esquiar, mas fiquei com um pouco de medo, não tenho jeito pra isso, e um medo um tanto irracional de avalanches...

Ele apostava que ela tinha mais medo de ficar sozinha numa planície branca e inóspita.

— Quem sabe um dia, é um bom lugar para Lua-de-mel. – Ela arregalou os olhos e se virou para o lado, sorvendo um bom gole da bebida, Sasuke se recostou na mesa e prosseguiu.

— Na Suíça eles têm uma bebida chamada Rivella, na verdade é um refresco – Sakura o fitou atenciosa e curiosa — Não é alcoólico, e é chamado de “Segundo leite materno dos Suíços” tem uns quatro sabores, acho que provei o Blau quando estive lá.

— Oh, era bom?

— Bebível? Prefiro cerveja preta, em suma.

— Achei que preferia Gim.

— Gim, porquê?

— Não é a bebida dos ingleses? – Ele concordou, e ela sorriu, empolgada.

— Mas eu sou mais do mundo do que inglês, já provei de praticamente tudo.

— O que mais provou?

Absinto por exemplo, advinha onde?

— Hum...? – Sakura estreitou os olhos pensativa.

— Sua resposta está bem ali. – Ele apontou, ela olhou para trás, vendo a sogra em meio um grupo de senhoras, numa conversa agradável, riu, pois não foi difícil adivinhar. Mikoto a fitou, parecendo adivinhar que a olhava e ela se virou rápido, não contendo uma risada.

— França!

Touché, mon amour.

— Próximo, próximo!

— Vejamos, na Colúmbia e Equador eles tem uma chamada Aguardiente.

Aguardiente?

— Lindo sotaque.

— Não zombe! É boa?

— Forte e amarga, gostei muito.

— Ugh... Já esteve na América do Sul, que legal.

— Mais vezes do que gostaria, muito calor e mosquitos.

— Oh, eu não suportaria, prefiro o frio.

Preferia mesmo, a criaturinha hibernante.

— Na Áustria eles têm um refrigerante. O Almdudler, não gostei muito, apesar que era popular, todo mundo te empurrava Almdudler goela abaixo, “Se eles não têm Almdudler, eu vou voltar para casa!” eles diziam, gente chata.

Sakura riu, a essa altura já havia terminado a taça, ele pegou uma outra de cor amarelada e lhe ofereceu.

— Oh, não, já estou bem...

— Em Israel, Iraque e no Líbano – Começou, e ela logo pregou os olhos nele, as mãozinhas distraídas seguraram a taça. — Eles têm uma chamada Arak, que parece com leite, quando se adiciona água ou gelo, então chamam de “leite de camelo” quando toma esse aspecto, também não é doce, mas eu gostei.

— Você não gosta de coisas doces? – Ela perguntou, quase ofendida, e bebericando a taça, ele sorriu tortamente.

— Depende do doce, amor.

— Hum...

— Na Grécia, eles tomam Ouzo, mas, é praticamente a mesma coisa que o Arak.

— Jura?

— Aham, estranhamente, achei melhor...

— Hum, e na Espanha? O que tomam?

— Espanha? – Sasuke coçou a barba, pensando, estivera lá fazia até pouco tempo, mas não bebeu ou teve tempo para tal.

— Hn, Sangria.

— Oh, parece assustador.

— Só de nome, é um coquetel, mistura vinho tinto ou branco, com suco de fruta, pedaços de frutas e açúcar.

Ela adorava frutas e lhe pareceu apetitoso, lambeu os lábios imaginando.

— Hmm, parece bom. – Sasuke inspirou, apreciando o movimento da língua dela, e os lábios recém umedecidos.

— Tem um restaurante italiano bem tradicional aqui, tenho certeza que tem uma boa versão lá.

Ela o fitou, corando com o que isso implicaria.

Um encontro? Parecia uma denominação muito errônea, eles já eram noivos, não duas pessoas se conhecendo aos poucos... Ou eram exatamente isso?

— Um dia qualquer? – Disse, timidamente.

— No dia que quiser.

— Combinado então.

— Prosseguindo, na Nicarágua eles tem o famigerado Rum. – O rostinho dela se iluminou numa risada pronta para sair.

— Como a dos piratas?!

— É. – Então a risada saiu e mais um gole foi para dentro.

֍

Os últimos convidados mal haviam saído pelo portão, e Mikoto arrancou a tiara nos cabelos, deixando-os caírem livres sobre os ombros, e suspirou. Fugaku ao lado, a fitou, com a sobrancelha arqueada.

— Achei que gostasse dessa tiara. – Ela deu de ombros, com um sorriso calmo e encarou a joia em mãos com um ar nostálgico.

— Como não gostar? Foi a primeira joia que me deu quando firmamos noivado. Mas ela ainda aperta um pouco a minha cabeça.

— Claro...

— Vou mandar prepararem o jantar, e pensar que isso demorou quase o dia inteiro. – Ela resmungou, aborrecida.

— Comida e bebida de graça. – Shisui comentou, aproximando-se. — Ninguém recusa.

— Onde está Itachi? Ele pensa que não percebi que ele se aproveitou de Sasuke ser o centro das atenções para escapar?

— Meio justo, não?

— Poupe-me, que ao menos levasse Izumi, assim ela não ficaria me aborrecendo.

— Ela não foi porque não quis, preferiu ficar pagando de vigia.

— Vigia? – Ela logo se empertigou, recordando que tampouco deveria descuidar de Sasuke, e mais ainda da gazela nas mãos dele. Mas estivera tão afogada em meio aos convidados que mal pudera dar uma ou duas olhados nos dois.

Soltou o ar esbaforida, e seguiu pelo jardim.

— Onde estão? A essa altura devo ser avó. – Resmungou.

— Tenda. – Shisui aponto para o maior aborrecimento dela.

— Devo ter dois netos agora – Bufou, chegaram até a tenda maior, começando a ser desmontada pelo pessoal do buffet contratado, garrafas e taças eram recolhidas, e Izumi estava parada em frente a entrada da tenda, os braços cruzados e a expressão melancólica e aborrecida.

— Muito bem devo ser avó de quantos, agora? – Mikoto indagou, as mãos nos quadris, Izumi a fitou e bufou mais, virando a cara.

— Só se for avó de garrafas vazias. – Retorquiu, Mikoto olhou para dentro, havia um pequeno bar montado, um balcão semi circular, alguns bancos e uma estante com bebidas atrás dele. Franziu a testa e estreitou os olhos vendo a gazela praticamente esparramada sobre o balcão, as bochechas rubras, e tão risonha que parecia a ponto de rasgar os cantos da boca, e segurava uma taça de bebida vazia, do outro lado, Sasuke chacoalhava uma coqueteleira o terno estava jogado de lado, sobre o balcão, a gravata esgarçada, as mangas da camisa levantadas, e um sorriso raro e aberto, expondo-se.

— Porque eu estou surpresa? – Ela suspirou.

— Diga mais, diga mais. – Sakura pediu, a voz embevecida, tonta e manhosa, quase deitando a cabeça no balcão ou escorregando da banqueta, languida.

— No Peru e no Chile eles tem uma chamada Pisco, muito boa, feita de pisco, açúcar, limão, e clara de ovo.

— Clara de ovo? Ecaaaa!

— Fica ainda melhor, mas é bem perigosa, te deixa caído bem fácil.

— Quero provaaar, é bom?

— Muito doce para mim, mas você iria gostar, como sempre. Continuando, na Bolívia eles gostam do Singani, é bem forte e barata, feita de uva e tomam muito nas Discotecas de La Paz.

— Você dançou em La Paaaaaz? – Ela indagou, travessa.

— Uma dança bem explosiva, se quer saber. Ah, mais uma das que eu mais gostei foi da Aquavit, feita na Noruega.

— Oh, Noruega é tão lindaaaa.

— Aham. – Ele disse, pondo parte do conteúdo da coqueteleira na taça dela, e dando a volta no balcão, sentou ao seu lado, de costas para móvel e recostou-se nele, vendo-a bebericar como um passarinho, ergueu a mão tocando o fundo da taça e empurrando para cima e ela tossiu ao beber mais do que planejara. — É uma bebida feita de babata e algumas especiarias, eles a põem num barril de carvalho por doze meses e depois e mandam para navios que passam quatro meses fazendo ida e volta entre a Noruega e a Ásia.

Sakura afastou a taça de si, pondo no balcão, rindo e ofegando, o rosto um pouco suado e o cabelo ainda mais desgrenhado que de costume.

— Bas-mas porquê? – Ele enrolou os dedos nos cachos que caiam em seu rosto.

— Para que a viajem juntamente ás mudanças de temperatura, refinem o sabor.

— Oh.

— Tudo milimétricamente calculado, amor, e então, a perfeição – Sasuke completou, roçando os dedos em seus lábios cheios. Sakura enrubesceu mais do que parecia possível, mas desta vez pareceu adorar e se envaidecer com o gracejo, se inclinando para o recompensar.

Mikoto ficou satisfeita de chegar nesta hora.

— Ora, ora, aí estão vocês. – Sasuke a fitou, aborrecido, virando o rosto para ela, e Sakura se desequilibrou do banco, indo ao chão, e lá ficado com um gemido mais de sono do que de dor, muito anestesiada para sentir.

Puta merda, você abusa do privilégio de ser minha mãe. – Sasuke grunhiu.

— Não senti que foi grande privilégio quando sua enorme cabeça petulante fez um estrago tentando abrir passagem na minha pélvis.

— Que dramática, eu até me comoveria, se fosse o primogênito, a não ser que Itachi tenha sido tão mirrado que você nem o sentiu passar.

— Itachi era saudável, você era gordo e cabeçudo mesmo.

Ele ignorou a óbvia mentira (em sua opinião) e se levantou, voltando a erguer a as mangas da camisa e suspirado ao olhar para o chão.

— Saco, mais de sete taças, três coquetéis e você me interrompe na hora do pagamento.

— Sua autoestima é admirável, não sei se ficaria feliz de ter que embebedar seu pai para ganhar carinho. – Ela ronronou, maldosa, ele resmungou algo, baixo ela não ouvir, claro, e se abaixou puxando Sakura. Ela despertou um pouco, e tentou ficar de pé, lamuriando, rindo, resmungando, até ensinando alguma coisa em uma língua enrolada que misturava japonês, inglês e dialeto de bêbado.

— Vamos lá, minha ratinha? – Disse, passando um braço dela ao redor do pescoço. — Nunca vi uma coisinha tão linda cheirar como um bebum depois de cair numa banheira de lavanda.

— Bom, agora que fez questão de deixa-la incapacitada até para dizer o próprio nome, podemos deixar o jantar em família de lado e você se vira com ela pela manhã.

— Hn? O que tem de mais para acontecer? Não vai me vir com preparativos, vai? Porque eu jogo esse projeto de alcoólatra que eu criei numa mala grande e me mando pra Las Vegas.

Mikoto revirou os olhos, não se importando com a ameaça, nem precisaria se esforçar para abortar o plano. Sakura o faria com maestria.

— Meu querido bebê, eu faria questão de pagar a melhor suíte num hotel de Vegas e muitas fichas para você se divertir nos cassinos se conseguisse a empreitada de convencer sua noivinha a casar numa reles capela cafona em Las Vegas.

Sasuke suspirou, aborrecido, e se arrependendo de não ter bebido tanto quando empurrava bebida na boquinha da garota.

Touché de novo, mãe, touché de novo. Mas o que está aprontando, então?

— Nada de mais, só acho que era hora de parecer menos cafajeste e dar algo mais simbólico para pobrezinha do que uma ressaca infernal.

— A primeira ressaca – Ele pontuou.

— Ela com certeza vai te agradecer pela gentileza... Enfim, falo de dar algo mais como um presente, ora.

— Mimar ela? Você já não mimou o bastante? Esse anel no dedo dela bancaria minha vida por um bom tempo. – Mikoto o fulminou com os olhos gelados.

— Se ousar tocar nesse anel, seu pequeno golpista...

— Eu não disse que faria.

— Humpf, é você que tem de mima-la agora, e muito. Ela tem algumas joias sim, um presente ou outro de datas comemorativas, e se mostra muito modesta nas próprias compras, mas...

— Mas?

— Ainda é uma mulher, e mulheres amam joias.

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Sakura sentia que cada mínimo som era capaz de deixa-la surda de dor, totalmente ampliado. Estava para enlouquecer com o leve rangido que a rodinha de Plum fazia, o arrancou de lá e o colocou na bola para que andasse pelo quarto, foi maravilhoso até ele começar a bater nos móveis.

Afundou o rosto num travesseiro e cobriu a cabeça com outro, não sabia o que doía mais, sua cabeça ou sua dignidade. Como foi ficar assim?

Ela nunca quis tanto ter o pescoço de um ser humano em mãos para torcer, e tinha que ser justo o de seu noivo.

Como queria arranhar aquele rosto bonito.

— Milady? – A voz de Danica, geralmente suave e polida retumbou em sua cabeça dolorida. — Aqui tem alguns analgésicos, remédios contra azia também.

Sakura espiou entre as frestas de seu capacete de travesseiro e notou apenas um copo e um pires com vários comprimidos na bandeja.

— E-e o café da manhã?

— Sr. e Sra. Uchiha saíram para compromissos logo cedo, bem como o resto da família, mas seu noivo a espera para tomarem o café juntos.

Ela se ergueu de uma vez.

— Ele ainda está aqui? Ele ainda ousa estar aqui? Ui...- Jogou um travesseiro no chão, agarrou o copo e o pires com três comprimidos diferentes engolindo-os de uma vez junto da água e seguiu para a porta, saindo por ela carregando apenas um travesseiro em mãos — Onde ele está? Onde?! – Danica a seguia, calmamente acompanhando seu passo.

— Na varanda da sala branca, milady.

Sakura marchou até lá, a sala branca era denominada assim motivos óbvios. Móveis e papel de parede brancos com detalhes dourados, ela atravessou as portas duplas como se pudesse derruba-las, eu travesseiro não pode ser usado ainda porque não havia ninguém na sala, seguiu até a grande varanda de portas de vidro abertas onde a brisa fria da manhã sacudia as cortinas, e encontrou a mesinha repleta de comidas, e o sofá de madeira e estofado em talhe francês ocupado por seu noivo bonito e patife.

Ele usava calça jeans preta, e um sobretudo escuro de lã, e tomava café tão bem quanto um lorde inglês, não fossem as pernas esparramadas pelo sofá onde seu traseiro folgado já não ocupava.

Ele a fitou e cumprimentou com um aceno da xícara.

— Bom dia, amor? Parece tão acabada quanto cupcakes de amostra grátis.

Ela parecia um cupcake pra ele? Espere, essa não era a questão!

Sakura soltou algo como um rosnado que parecia o miado de um gatinho nervoso, e veio pra cima dele munida de seu mortalmente macio travesseiro de penas de ganso.

Ele pousou o pires com a xícara na mesinha e recebeu seu ataque, achando muita graça, infelizmente para ela, que ficou apenas mais irritada e frustrada.

— Seu... Grande... Patife! Me embebedou!

— Isso é muito questionável, amor. Os dez ou doze drinks foram ingeridos de muita boa vontade.

— Você é um manipulador!

— Eu classifico como charmoso.

­— Oportunista!

— Alguém com bons olhos para as oportunidades...

— Mau caráter!

— Um tanto inclinado para o cinismo, talvez?

Ela parou, esbaforida, as penas do travesseiro caindo suavemente ao redor deles, Sasuke pegou o travesseiro e pôs atrás da cabeça com um sorriso preguiçoso, então restou apenas ela escarranchada sobre ele, rubra e numa camisola longa de mangas cumpridas.

— Não sou um anjo, de fato – Ele admitiu. — Mas você deve confessar que não está fazendo as coisas muito difíceis, hm? – Ofertou, os olhos escuros passeando com satisfação na posição dos dois. — Pelo menos de vez em quando, claro.

Sakura ficou vermelha, e pegando uma das almofadas do sofá, afundou no rosto dele, enquanto saltava de cima de seu corpanzil.

— Abusado! Aproveitador! – Correu para a poltrona e se sentou encolhida, lamentando não usar nem sequer um robe, embora sua vestimenta não fosse minimamente provocante ou aberta, e apenas aliviada que Danica já houvesse partido, ao menos naquele momento.

Sasuke tirou a almofada do rosto, bufando, e penteando o cabelo entre os dedos.

— Falou quem estava por cima. – Alfinetou, e ela teve ímpetos de jogar o bule de café em seu rosto. Bufou virando o rosto, e ele voltou a tomar café pacificamente.

— Onde estão os outros?

— Trabalhando, aparentemente.

— E você, não trabalha? – Alfinetou, ele deu de ombros.

— Se estivesse não, estaria aqui.

— Hum, o que você faz, exatamente?

— Como você sabe, a família trabalha com investimentos, o velho e o resto dos manés da família, vigiam e dirigem esses investimentos, eu sou o que procura o melhor lugar para investir.

— O melhor lugar...?

— É, é como uma caça ao tesouro, eles querem o melhor tesouro para gerar mais dinheiro, seja uma empresa pequena, ou uma grande indo a falência que pode vir a ser salva pela minha genialidade. De modo que, eu sou o caçador.

Sakura riu suavemente, apoiando a cabeça na mão.

— Ou um pirata.

Ele ergueu a xícara em sua direção.

­— Mais para isso, de fato.

Ela sorriu, satisfeita e se dedicou ao café da manhã. Ele pegou o jornal, dando uma breve passeada pelas páginas.

— A taça de Sangria no restaurante espanhol ainda está de pé? — Perguntou, por alto. Ela corou, muito compelida a negar ainda, e mastigou um pedaço de croissant.

— Hum, eu não sei... Acho que preciso estudar...

— Hm, claro, Literatura, sim? Que dramático.

— Humpf, deve se achar algum tipo de gênio das finanças, seu ego é extremamente desconcertante e inadequado.

— Bem como a minha beleza.

Ela revirou os olhos, daria mesmo conta disto para o resto da vida?

Preferiu se limitar a comer quieta e rápido, não estava exatamente confortável na presença dele naqueles trajes, adoraria aliás, que ele terminasse logo e se retirasse primeiro. O que parecia impossível, ele estava tal qual um gato preguiçoso e presunçoso naquele sofá.

Danica finalmente veio, trazendo seu robe, e também um telefone. Sakura se levantou quase num salto e o pegou, vestindo.

— As senhoritas Price e Bennet ligaram, muito ansiosas para lhe falar.

— Oh, verei com elas agora.

— As deixei em espera. – Sakura pegou o telefone e correu para a sala, cruzando-a e por fim saindo dela.

— Alô?

— Finalmente você atendeu!— Louise gritou do outro lado. Sakura ainda sentia resquícios da dor de cabeça, e fez uma careta com o barulho.

— Me-me desculpem... Eu ainda estava dormindo, o que houve?

— Ainda dormindo?! Oh meu deus!— Robin falou mais ao fundo. As duas gritaram de euforia e Sakura quase quis desligar.

— O que há com vocês?

— Nos diga você! Como foi a noite? O que aconteceu? Onde está o seu bonitão?

— Neste momento?

— Sim!

— Tomando café da manhã como um gato preguiçoso, ele tão é tão cheio de si! – Lamuriou — Estava praticamente se lambendo ali!

— Como assiiim? Achei que você era que estaria lambendo ele depois de ontem!

— Robin!— Louise reprovou.

— Eu?!

— Claro! Da última vez que nós vimos vocês, estavam conversando tão íntimos!

— E você não parava de rir e sorrir, ele tava com aquele sorriso sexy e tudo o que parecia era...

— Que iriam transar muito!— As duas exclamaram, e Sakura deixou o telefone cair.

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— Me lamber igual um gato. – Sasuke ironizou — Se eu fosse um gato, haveriam gatas para me lamber. – Disse, mudando a folha de jornal. — Seria bem melhor ser um gato, mesmo.

Sakura não tinha percebido que a casa era quase uma caverna, ecoando conversas, mesmo que estivesse no corredor. Logo o bochicho irritante se foi, ela provavelmente foi se trocar. Por algo mais curto, esperava.

Não tirara uma manhã de tédio atoa, queria ao menos observar um par de cochas brancas de vez em quando.

A empregada permaneceu calada observando o nada e ele quase achou graça disso. Como se ela realmente pudesse soar como se não tivesse ouvidos.

E como se não houvessem todos os ouvidos em cima exclusivamente dele.

Eles realmente o subestimavam, chegava a ser divertido.

Em algum momento, ele viu alguma coisa amarela passeando pelo chão, ignorou, achando que fosse algo no café, mas logo algo bateu em seu pé, olhou para baixo, pôs o jornal de lado e se sentou, pegando uma bola de acrílico amarelo.

Que diabos sua mãe estava inventando agora? Era algum tipo de robô com câmera para vigia-lo?

No entanto, ele viu algo peludo se movendo ali dentro, e não soube o que o impediu de acertar aquela bola no chão com violência ou simplesmente sacudi-la com tanta força quanto se fazia com uma coqueteleira, ao reconhecer aqueles olhinhos escuros e aquele traseiro peludo e ainda mais gordo do que se lembrava.

Ergueu os olhos para a empregada.

— Isso é o que estou pensando?

— Um hamster, senhor.

— É o rato que estou pensado que é?

— Se refere-se ao animal de estimação que milady tem desde que veio do Japão com ela...

Sasuke pousou a bola sobre a mesinha e se afastou, encarando-a, e xingando.

— Isso só pode ser piada, é uma piada, não pode ser o mesmo. Esse filho da puta... Como essa... Como esse corno do caralho está vivo?!

— Não tenho muitas informações, mas pelo o que ouvi, o animal sobreviveu por pouco a explosão, bem como milady, a gaiola foi encontrada entre os destroços, e devolvida a ela.

Ele se recostou no sofá, os braços cruzados, encarando a bola rolar pela mesinha, atropelando as bandejas, copos e talheres.

— Se bem me lembro também. – Ela prosseguiu — Ele era manco, por conta do acidente, mas passou por uma cirurgia pequena para corrigir o problema depois que aqui chegou, e agora tem toda a mobilidade.

— Ah, o rato fez cirurgia? O rato fez cirurgia! – Sasuke pegou a bola e encarou aquela coisa de perto — Fez cirurgia, mas não arrumou essa sua cara de filho da puta, não foi?! Como pode? Sobreviveu a uma porra de explosão? Tem o quê em baixo desse pelo gordo? Adamantium? Eu devia meter uma bala nessa sua...

— Voltei! – Sakura anunciou.

— Nessas suas bochechas enormes, que bochechas enormes, uma daquelas balas de amendoim ou sei lá.

Sakura o fitou, com estranhamento, mas logo arregalou os olhos, reconhecendo a bola.

— Plum! O que faz aqui?!

— Eis a questão. – Ele resmungou, ela pegou a bola de suas mãos, observando preocupada.

— Como veio parar aqui, bebê? Oh, eu não acredito que deixei a porta do quarto aberta, você não pode ficar tanto tempo aí dentro.

— Ah, ele fica no seu quarto. – Porque ele não estava surpreso?

Sakura se sentou, ao seu lado, abrindo a bola e tirando o grande filho da puta de dentro, ele estava um pouco maior e gordo como uma bola de tênis.

Ele adoraria usá-lo como bola de tênis.

— Ele não pode ficar muito tempo na bola, é pra passear, mas pode enerva-lo, né, menininho.

— Que adorável. – Ele dissimulou, e ela sorriu, genuinamente acreditando.

— Oh, não foram apresentados, este é Plum, Plum, este é Sasuke, tenho certeza que vão se dar bem. Gosta de bichinhos, Sasuke?

— Claro, nunca tive, mas ainda pretendo comprar uma cobra.

Sakura arregalou os olhos, e imediatamente encarou o bicho, o segurou entre as mãos e trouxe para perto, afastando-se dele.

— Ma-mas logo uma cobra?!

Ele deu de ombros, inocentemente.

Por cobra, na verdade se referia a uma jiboia ou píton, mas nem ela nem aquele rato filho da puta precisavam saber.

Ainda.

Ninguém o fazia de trouxa, muito menos aquela bola de pelos bastarda e oportunista.

Ou o bastardo que mandou matar Sakura num posto.

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Mikoto adentrou a sala com seu habitual olhar gelado e trajes elegantes, tirou das mãos um par de luvas de couro marrom, e se aproximou do marido, parado em frente a vidraça que exibia, do outro lado, uma saleta de iluminação dúbia, com uma mesa, uma cadeira e uma mulher sangrando algemada.

Ela era relativamente baixa, cabelo curto tingido de loiro, e vestia um macacão de corrida verde abacate, e um sobretudo preto por cima.

— Sem identificação? – Ela indagou, não vendo novidade nisto, mas, seu marido suspirou, pesadamente. Um ar aborrecido que não transparecia fazia tempo.

Mikoto o encarou, intrigada, e ele enfim pousou seus olhos escuros sobre ela.

— Foi contratada, dois milhões.

— Oh, tudo isso pela nossa gazelinha? Está valendo mais do que alguns dos nossos iniciados, deveríamos ficar orgulhosos – Gracejou, ele meneou a cabeça.

— Não, não devemos. Ela foi contratada pela KuranUchiha*.

Mikoto o encarou, num misto de choque, indignação, e raiva.

Inspirou, profundamente, sentindo as mãos tremerem de ira.

— Está me dizendo... Que foi um dos nossos?

— Ao que parece, ainda estamos verificando a fonte das transferências bancárias.

— Mas já tem um suspeito, quem? Izuna? Izumi? Madara?

— Eu desconfiaria de Izuna, e quase o mandei para uma viajem por segurança, mas não foi preciso. Ainda não confirmamos quem contratou, mas este e-mail chegou para mim – Ele disse, tirando o celular do bolso — No meu e-mail pessoal.

Mikoto encarou o endereço de e-mail e sentiu o sangue borbulhar nas veias.

— Tinha que ser... Tinha que ser... Maldita serpente, maldita Antanasia.

Notas finais
*** KuranUchiha = Clã Uchiha (segundo o google tradutor :v) Cap cheioooos dos SasuSaku (ou do Sasu perseguindo Saku, mas é bom mesmo assim) Muita coisa? Muitas tretas pela frente? O que mais estão ansiosos? Pra saber quem é o francês do cap anterior, a tal Antanasia, ou quem vai ganhar o embate Sasuke VS Veena (adoro esses dois) ou o de Sasuke VS Plum? Pessoalmente eu diria que esta última já é óbvia, quem mais seria além do dono, estrela e proprietário de Vingador, Plum, o absoluto?! #SorrySasuke Vestido Sakura > http://imgur.com/a/87e8Y Limks de ondem eu pesquisei sobre as bebidas, mais alguns detalhes eu tirei do Wikia mexmo :v > http://viajandobemebarato.com.br/2014/09/gastronomia-suica-10-comidas-e-bebidas-de-babar-para-experimentar-em-zurique.html > https://viagem.uol.com.br/listas/veja-bebidas-tipicas-de-paises-pelo-mundo-que-podem-derrubar-qualquer-um.htm > https://papodehomem.com.br/a-volta-ao-mundo-em-80-drinks/ Page> https://www.facebook.com/KinesterFanfictions/