Notas iniciais
YOOOO! Como prometido, aqui o prox cap e segunda parte do presente da diabólica do meu core ♥ SENPAI! TU LEMBRA QUE EU DISSE QUE ERA MELHOR NÃO POSTAR OS DOIS CAPS DE UMA VEZ PRA VCS NÃO PASSAREM MAL? ENTÃO RS PS: Por algum motivo eu morro de rir da carinha desse baby da capa AKKKKKKKKKKKKKKKKKK

Martino enfim parou de xingar em italiano até a décima segunda geração anterior a Sasuke e se sentou.

Sasuke puxou a cadeira sentou de frente para ele enquanto Sakura seguiu para fora do quarto com o bebê, que chorava, o mais rápido possível.

— Ah, que maldade, você espantou meus dois ratinhos, se soubesse o trabalho que eu tenho para encontrá-los sempre...

— Difícil de crer. – Martino ironizou de volta.

— Mas é verdade, eu mal acompanhei a gestação, se quer saber. Antes que ponha toda a culpa em mim. Algo nós dois concordamos, aquela ratinha se tornou uma pedra no sapato.

— Ah, sim?

— Aham. – Sasuke assentiu, tirando um cigarro amassado e velho do bolso da calça e um palito de fósforo que ele acendeu contra a madeira da cadeira. — E esse cara aí também. – Indicou 87, que os fitou com desdém.

— É sempre um prazer. – Retrucou.

— Viu? Vou te passar as coordenadas direito, você e o Luca, onde ele está mesmo?

— Lá em baixo, sua ratinha dissimulada não gosta dele desde Roma.

— Eu não gosto a mais tempo, peça pro idiota subir.

— Enfim, qual sua grande desculpa?

— Não me sinto mal a tal ponto... Mas é verdade que só estou seguindo fluxo criado.

— Que fluxo?

Luca entrou no aposento com pressa, parando ao dar com a cara de Sasuke, sua face se distorceu de raiva e ele começou a xingar.

— Já passamos dessa parte, cara. – Sasuke interrompeu logo.

— Já devia saber que um merda como você...

— O fluxo, você dizia. – Martino que interrompeu, irritado.

— Criado por Itachi, infelizmente ele teve bastante tempo para por caraminhola na cabeça daquela tonta e vejam só? Ela agora gosta até demais de brincar com a Folha, mas principalmente, ela acha que pode derrubar o sistema.

— Ah, hahaha, coisa de jovens eu presumo. A coitadinha quer fazer bem ao mundo.

Sasuke estreitou os olhos enquanto soprava uma baforada.

— O pior é que ela pode.

Sakura entrou na sala, segurando uma pasta grossa, veio até onde Sasuke estava sentado e atirou-a no colo dele.

— Se começou, agora termine. – Ordenou, com uma carinha ríspida e zangada. O bebê deveria estar ainda nervoso para ela estar querendo arrancar a cabeça de Sasuke ela mesma.

— Era o que eu estava fazendo, e não atire coisas nas minhas bolas só por que já explorou elas o bastante.

Sakura o encarou quase assassina, e logo recorreu á 87, com toda seriedade.

— Atire nele se precisar ser mais convincente.

— Entendido.

Ela marchou pra fora do quarto em seguida.

— Isso foi sexy e tirano pra caralho! – Sasuke gritou. — Está vendo? Sou o mais fodido aqui. Um completo cachorro amestrado.

— Me convença mais. – Martino retruco, sarcástico e 87 fez menção de puxar a arma.

Sasuke atirou a pasta para o italiano.

— Não tem melhor forma de fazer isso que não seja mostrando, que agora você também é o cachorrinho dela.

¤

Indra finalmente estava mais calmo e dormindo quando ela viu Martino deixar a casa e seguir para o barco, cuspindo fogo para seus homens enquanto levava a pasta amassada em mãos.

Sasuke entrou no quarto, bocejando e franziu o cenho ao vê-la deitada com filho na cama.

— Por que ele não está no berço?

— Por que eu não quero e não é como se esse lugar fosse estar vago pra você.

— Ah, qual é. Você iria abocanhar a casa italiana cedo ou tarde e sabe disso, sua megalomaníacazinha.

Sakura bufou, aborrecida, acariciando as bochechas de seu nenê.

— A casa italiana é grande demais e influente demais, me sinto muito mais segura indo até casas como a dos Balcãs ou a Senegalesa...

— A Senegalesa que eu já dei fim por tentar se revoltar? – Ele revirou os olhos enquanto tirava a camisa. Sasuke foi até a cama e se sentou atrás dela, beijando seu ombro. — Mesmo sendo quase irrelevantes eles se revoltaram, mas uma casa grande como a italiana e justamente por assim ser, vai comer na sua mão, amor.

— Como tem tanta certeza?

— Por que eu os conheço bem. Quanto mais visibilidade pública tiverem, mais ameaçados se sentirão. A Itália tem seu histórico com famílias mafiosas mas a casa D’Amico associada com matadores do mundo inteiro e ligada a conspirações de poder até no Vaticano? – Ronronou contra o pescoço dela. — Deixe Martino dar o chilique dele, depois o pai dele, por fim toda a família, e logo vão estar na sua porta esperando ração.

— Não sei se gosto disso. Mas não é como se tivesse outra opção, sim? Você já tomou a dianteira de novo. – Sakura fez muxoxo e ele riu roucamente.

— Ter uma casa grande como eles vai assegurar você e Indra, principalmente agora que eu sei que Gulbrandsen tem a casa Galesa, de igual poder, do lado dele.

— São tão fortes assim?

— Eles têm um parente na alta cúpula, o que pode significar que o velho tem mais influência na mesa do que se imagina. – Sasuke suspirou, pensativo, ainda era estranho pensar que a herdeira da casa galesa, irmã de Estela, seria capaz de trair o sistema. — Além que era uma das casas mais próximas a Kuran, quase casas irmãs, ambas fundadoras...

Sakura sentiu o rancor na voz dele, e imaginou que talvez essa gente fosse amiga dos pais dele, e houvessem pessoas com quem ele e Itachi cresceram juntos.

Ela suspirou voltando os olhos para Indra. Nenhuma opção ou aliança era totalmente segura para ele nesse meio. Restava a ela e Sasuke cuidarem de apostar nas chances mais altas usando fichas ainda mais sujas, se preciso.

¤

Sakura olhou para trás uma última vez antes de embarcar no avião, suspirou, um pouco chateada e sorriu cordialmente para a bonita aeromoça que a aguardava. Seguiu até o assento indicado por ela e logo 33 embarcou trazendo Indra na cadeirinha que foi encaixada na poltrona ao lado dela, na janela.

O bebê estava acordado, os olhinhos apertados ainda mas cada vez mais claros. Ela esfregou sua bochechinha com dorso do dedo, lamentando que o pai dele não aparecesse pra se despedir e o ver de olhinhos abertos, visto que vivia reclamando de ele ser tão dorminhoco.

— Ah, cadeira de avião outra vez, eu achei que tinha viajado muito na minha época ativa. – Kakashi lamuriou bem humorado e se sentou de frente para ela.

— É tão cansativo na sua idade? – Sakura sorriu. — Apesar da sua perna, me parece estar sempre em ótima forma.

— Ah, quem me dera, mas esta velha carcaça aqui ainda pode fazer alguma coisa. – Ele riu, o tapa-olho continuava conferindo-o um ar enigmático como Sakura recordava. Kakashi voltou os olhos para Indra e sorriu outra vez.

— Dá até uma certa inveja, não? Uns terminando, para outros iniciarem.

— Oh, sim.

— Aqui. – 32 disse, ao passar por ela, entregou-lhe a pequena gaiola com Plum.

— Oh, obrigada!

— Fazia tempo que eu não via esse rapaz... – Kakashi comentou.

— Digamos que Plum estava em férias particulares. – Sakura de uma risadinha e esfregou a testa do hamster com a ponta do dedo. — O deixei com um criador em Capri, ele estava conhecendo e, bem, se aventurando com algumas mocinhas italianas, em prol de alguns filhotinhos tão fofos quanto ele.

— Ele estava.... Cruzando?

— Uhum.

Kakashi teve que concordar com Sasuke agora, sem dúvida, este hamster não era normal já a contar com sua popularidade. A gaiola foi posta na cadeira ao lado dele e o ratinho corria na roda com um vigor invejável.

— Por favor, ponham os cintos, vamos decolar agora. – Uma aeromoça, de um cabelo ruivo cobre, disse, oferecendo uma taça de champanhe para Kakashi, ele aceitou e Sakura negou, gentilmente.

— É um lindo bebê. – A comissária elogiou. Ela tinha aquele sorriso superficial que não chegava aos olhos, Sakura imaginou que trabalhar a base de sorrisos a vida toda devia dar esse tipo de efeito.

— Ah, obrigada.

— É sempre tão tranquilo?

— Sim, sim, ao menos espero que fique nesse voo, ele geralmente não parece gostar de viajar.

— Que bom que não se irrita tão facilmente! – Kakashi brincou, Sakura assentiu, rindo.

— Mas quando se irrita...

— Temos quartos disponíveis lá atrás, pode usá-los se sentir que será mais confortável.

— Uh, sim? Incrível. – Sakura olhou para trás um pouco. — É um avião grande mesmo... Não é muito exagerado?

87 estava sentado no sofá atrás dela, bebendo whisky com gelo.

— O outro avião não estava em condições, foi o melhor que nossos anfitriões puderam arranjar sem atrasar sua saída.

— Entendo.

A aeromoça se retirou de perto deles. Nas outras poltronas estavam as gêmeas, Karin e Ino que cochilavam e 42, o contingente que os acompanharia enquanto o resto já estaria aguardando quando desembarcassem.

Logo o avião decolou e puderam abrir os cintos, Sakura pegou Indra nos braços e o ninou, a decolagem sempre o aborrecia e atrapalhava o sono, mas notou também que a fralda estava cheia. Pegou a bolsa com itens necessários e se levantou.

— Tudo bem? – Kakashi disse, baixando a revista.

— Ele resolveu encher mais que o vazio dos nossos ouvidos...

— Rapaz vingativo.

Sakura seguiu até o sofá, achando ali mais confortável para fazer a troca.

— Vingativo que nem o pai...- Ino alfinetou enquanto passava para o banheiro. Sakura riu.

— Seu cabelo que o diga. – Karin falou de onde estava.

— Não cutuca a minha ferida! – Ino bateu a porta atrás de si.

Sakura nunca entendia o que elas queriam dizer quando citavam cabelo, e sempre esquecia de perguntar, mas talvez Sasuke também soubesse já que quase toda vez que falavam disso, o nome dele (e mais alguns adjetivos feios) estava no meio.

Felizmente Indra só esvaziara a bexiga. Adorava ser mãe, mas cuidar do número dois dele estava longe de ser a melhor parte da maternidade.

— Tem que por tanto talco assim? – 87 indagou, bastante intrigado.

— Uh... – Sakura olhou para o bumbum branco do filho e concordou que talvez ainda precisasse mais tempo para pegar as medidas disto ou aquilo de cor. Mas bem, só era mãe a dez dias, então estava indo até bem, supôs.

— Talvez eu deva contar quantas vezes eu coloco...

— Talvez...

— Ora, 87, você tem tanta perícia nisso desde quando? – 33 perguntou, irônica.

— Ele deve ter lido sobre isso também. – 32 completou sorrindo igualmente maldosa. Ele se limitou a inspirar, aborrecido e voltar a ler e Sakura lamentou por ele sofrer bullying das meninas assim.

Terminou de trocar a fralda e vestiu Indra novamente.

— Você vê? Basta por seu bumbum fora que arranja confusão. – Falou com ele, levando-o de volta pra cadeirinha, o acomodou lá e notou que ele continuava com os olhinhos abertos. — Ora, seu papai vai ficar chateado assim.

Sentou-se novamente e tentou colocar o cinto que pareceu emperrar para encaixar.

— Deixe-me ajudá-la. – Uma das aeromoças disse, vindo até ela, Sakura a fitou surpresa, ainda mais por que ela veio com outras quatro logo atrás.

Kakashi ergueu os olhos, viu três comissários de bordo nada simpáticos virem dos fundos e puxou um canivete do bolso, atirando o braço para trás e atingindo no meio da coxa da segunda comissária, que guinchou e atacou-o com uma linha metálica em torno do pescoço.

Sakura gritou, jogando o corpo na direção do bebê e a primeira mulher, loira e esbelta como um cisne, puxou-a pelo cabelo, erguendo uma faca de caça na direção de seu pescoço, 87 veio para cima dela, e ela arrastou Sakura do assento para o chão enquanto as outras duas avançaram sobre o homem, as gêmeas, e 42, interceptaram os três homens.

Sakura se debateu no chão, tentando se livrar da mão daquela mulher.

Karin veio por trás desta e atingiu-a com um computador, ela caiu batendo contra outro sofá, e Sakura se levantou, afastando-se dela.

— Ajude Kakashi e pegue o bebê! – Karin ordenou dando o notebook a ela, Sakura avançou desesperada para o filho, enquanto a ruiva se interpôs no caminho da aeromoça loira.

Sakura largou o notebook e puxou a mulher de pele negra e cabelos curtos, que estrangulava Kakashi pelo coque. Esta gritou de raiva, quase caindo para trás, livrou uma mão e acertou um tapa em Sakura atirando-a no piso.

Kakashi aproveitou da mínima brecha e puxou de volta a faca da perna dela, e jogou o pulso pra cima, fincando-a em seu olho. Ela caiu morta ao lado de Sakura que se levantou tentando chegar até o bebê.

— Não chegue perto! – 87 gritou, enfiando o braço entre as duas mulheres e empurrando-a para o chão novamente. Kakashi atacou uma, passando o braço em torno de seu pescoço e batendo-a duramente contra as janelas. A outra, de cabelo castanho e curto, sacou uma pistola pequena na direção de Indra e Sakura gritou tão alto que ecoou por todo avião.

87 acertou o pulso da assassina e o tiro morreu no compartimento de malas acima deles. Puxou-a pelo braço, torcendo-o e girando-a, empurrou-a na direção de 42. Ele agarrou-a pelo pescoço e jogou-a no chão já com ele quebrado.

33 e 32 bateram a cabeça de um dos homens contra a porta do banheiro, violentamente, o outro já havia sido neutralizado e o terceiro recuou puxando uma arma.

— Caramba, já vai! – Ino reclamou, abrindo a porta, as gêmeas atiraram o homem para dentro com ela, o rosto deformado de sangue e inchaços. A Yamanaka arregalou os olhos assombrada e 33 enfiou um punhal na jugular dele, quando a puxou, o sangue espirrou na parede e em Ino.

Ela fitou a blusa de seda manchada e depois as encarou, muito chateada.

— Isso foi sacanagem!

Fez menção de sair mas o último homem começou a atirar e todos se abaixaram. Sakura se jogou entre as poltronas fazendo de tudo para alcançar Indra, que berrava a plenos pulmões.

— Shhh, estou aqui, estou aqui.

O resto deles não tinha como atirar ou puxar uma arma sem ser baleado.

A loira atirou Karin contra a poltrona e antes dela avançar novamente, também sacou uma arma, sorrindo, vibrante, com o canto da boca cortado.

— Boa tentativa, até que está em forma pra uma vira-latazinha.

Karin a encarou com desprezo e cuspiu sangue aos pés dela.

— Antes vira-lata do que ser a cadelinha frufru que o cachorrão não quer montar. – Rebateu.

A loira a fitou surpresa e furiosa.

— Achou mesmo que não saberíamos quem é você?

— Um pouco tarde de toda forma. – Retrucou ela. — Você, venha até aqui. – Ordenou para Sakura. Ela se levantou, deixando o bebê ainda chorando na cadeira, contornou as poltronas e se aproximou dela.

— Traga a porcaria do bebê. – Ela rosnou, Sakura encarou-a profundamente e respondeu.

— Nunca.

A mulher riu de raiva e apontou a arma em sua cabeça.

— Que seja, ele vai morrer de todo jeito nem que pra isso eu derrube o avião.

— Se pretendia isso, devia ter se atentado melhor aos pilotos... – Sasuke comentou, encostado na parede da entrada da cabine de comando.

A mulher estremeceu e Izuna surgiu atrás dele, com uma automática e baleou a testa do homem aos fundos da nave.

A loira se virou mas ao mesmo tempo ele cravou novamente a faca que ela havia perdido na luta com Karin exatamente no mesmo lugar em que a fincara, dez dias atrás.

Estela ganiu, baixando o braço que segurava a arma e enfraquecera justamente por ser o lado da ferida e o encarou com dor e ressentimento.

— Por que você faz isso?! – Lamuriou estridente, e ele desviou os olhos, lembrando que ela já fora uma menina como ele e um bebê como Indra. Mas nem por isso poderia vacilar com ela.

Era assim que o mundo era, era o que o sistema os tornara.

Sakura atingiu o rosto dela com um tapa que reverberou na nave e os deixou estacados em espanto. A loira caiu e ela se jogou sobre ela, desferindo mais tapas.

— Maluca! Cadela! Vadia! Como pôde ameaçar um bebê inocente?! Você não é mãe?! Nunca pensou em ser?! Monstro! – Estela conseguiu desvia uma mão dela e estapeá-la de volta.

— Sai de cima de mim, vira-latas!

Sakura caiu pro lado e Kakashi fez menção de afasta-la, ela se desvencilhou catando o notebook destruído e subiu na mulher outra vez, batendo nela com ele.

— Seu monstro! Vou deixar sua cara igualzinha ao que é por dentro! Um monstro!

— Eu devo intervir ou posso ficar aqui, bem chocado? – Sasuke consultou Izuna.

— Você fez o moleque, e você estragou ela com hormônios de grávida, então lide com isso.

— Ah...

— Ela devia mandar tudo pra você, já que demorou tanto pra sair da cabine. – Karin espetou.

— Em minha defesa, não piloto um modelo desse a bastante tempo e meu copiloto é péssimo.

— Seu rabo, quem foi que pôs esta coisa no ar?! – Izuna rebateu. Sasuke deu de ombros e foi até Sakura, tomando-a o que restou do computador e levantando-a de cima da mulher.

— Pronto, acabou, ela vai precisar de plástica, satisfeita?

Sakura arquejava rubra e descabelada, mais chorando do que com raiva, mas ainda havia sobrado um pouco para ele e atingiu-o com um tapa.

— Por que você só aparece assim?!

— Me desculpe, sério.

— Ela ameaçou meu bebê! Nosso! E aquela- aquela! – Ela foi até o corpo de uma das mulheres e chutou-o. — Ela tentou atirar no meu bebê! – Berrou, descontrolada e soluçando. — Se não fosse 87!

— Você está muito nervosa, acalme-se, já passou. – Izuna disse.

— Cala essa boca, não quero ouvir nada de você, seu pirralho insensível!

Izuna deu a volta, resmungando que iria pousar a aeronave nem que fosse em alto mar, o que fosse preciso pra ficar longe da louca.

Se ela estava instável antes, agora só pioraria, Sasuke observou. Não havia jeito de ela lidar com a pressão como antes, com Indra envolvido ela surtaria facilmente.

Encarou-a o mais sinceramente possível e proferiu com clareza, enquanto afagava o braço dela.

— Me desculpe, eu falhei de novo. Nunca deixaria chegarem tão perto dele se pudesse prever, entende?

Sakura o encarou de volta, diminuindo o ofego e a animosidade aos poucos, restando apenas medo e culpa, Sasuke suspirou tocando seu rosto e foi quando enfim notou a mancha vermelha que expandia na blusa de seda dela. Sakura se aproximou, o abraçando e então perdendo força nas pernas.

— Merda. – Xingou, abaixando-se com ela nos braços.

87 passou entre os corpos, vindo até eles.

— Ela foi atingida! Tragam a caixa de primeiros socorros! – Sasuke gritou, pressionando o ferimento.

Estela começou a rir ainda no chão, Izuna a pegou, tirou a faca e jogou-a na poltrona algemada com as mãos nas costas.

— Mova-se daí, putinha, e vou mirar sua garganta.

— Levem o bebê daqui. – Kakashi ordenou para Karin e Ino, elas pegaram Indra, ainda berrando vigorosamente e o levaram ao quarto. 87 limpou a bancada de bebidas com uma braçada e Sasuke deitou Sakura nela.

Rasgou a blusa expondo o ferimento pouco acima da saia lápis e 33 chegou com a caixa.

— Não atravessou. – Ele rosnou, tateando na base das costa dela.

— Então vai ter que sair por onde entrou.

— Isto certamente foi uma falha, deveríamos ter usado aquelas balas com mercúrio que você gostava de usar. – Estela comentou. — Um tiro e um “bum”.

Sasuke fitou as próprias mãos vermelhas do sangue dela por um momento quase interminável.

“— Será que você ainda se lembra? De ser uma lenda? ‘O homem de mil armas’, ainda está vivo aí?”

Sasuke jogou os olhos aterrorizantemente escuros e sanguinários na direção da mulher.

— Você não faz ideia do que acaba de fazer a si mesma. – Decretou, gelidez quase maligna escorrendo em sua língua.

Ele se voltou para Sakura, inconsciente e apressou as mãos, mergulhando-as no balde de gelo, 32 derramou bebida forte nelas, ajudando a esterilizar.

— Tem bolsas de sangue aqui, não tem?

— Claro que sim.

— Então é melhor trazer por que dentro dessa nanica não deve haver muitos ml pra esbanjar assim.

42 se afastou indo atrás das bolsas, Sasuke pegou uma pinça afiada e os outros seguraram ela enquanto ele tinha de enfia-la na ferida e tatear em busca da bala. Sakura gritou abafado, com uma toalha na boca.

— Vamos, porra! – Ele insistiu, até encontrar e puxar, mais sangue minou e eles gastaram mais toalhas estancando. Limparam com álcool. Sasuke lavou as mãos rapidamente, e voltou até ela, segurando seu rosto lívido e exausto.

— Ei, vai ficar tudo bem, sim? Você só precisa ser recarregada outra vez, sim? Não fique assustada, o bebê vai ficar bem, eu vou cuidar do bebê, sim?

Pegou-a no colo e carregou até o quarto, Karin e Ino ainda tentavam acalmar Indra, menos histérico, cansado de chorar.

Sasuke deixou-a na cama, e Kakashi ajeitou a bolsa de sangue pendendo acima dela.

— Agora ela precisa descansar ao menos até ter atendimento apropriado. – Disse, retirando-se.

Sasuke ficou encarando-a, sem muito o que dizer, apenas esfregando uma toalha molhada com álcool nos braços

— Ela foi baleada e nem sentiu...? – Constatou.

— Instinto materno? – Ino, sugeriu.

Ele voltou os para Karin, segurando um bebê soluçante, rubro, com os olhos apertados e molhados.

E por mais que não houvesse sofrido um único arranhão, Sasuke não podia olhar pra uma criatura tão inocente, tão sensível e pura se desmanchar de em lágrimas sem nem ser capaz de saber o por quê ainda.

Era assim que podia protegê-lo? assim?

Ele sabia onde esse caminho iria dar, pois o fizera com Sakura e ela quase se matou.

Não deixaria se repetir, não protegeria o corpo e deixaria a sanidade de seu filho ser estraçalhada antes mesmo que pudesse falar.

Largou a toalha e se levantou.

— Dá aqui.

— Certeza? – Karin ainda reconhecia aquele olhar perturbado, fora refém dele anos atrás.

Ele afirmou com a cabeça e Karin o entregou. Indra se agitou novamente, o chorinho já rouco e seco e ele o balançou, esfregando suas costas e conversando baixinho.

Ambas saíram, Sakura já tinha alguma cor na pele e o curativo não manchou com mais nenhuma hemorragia.

Quando saiu do quarto, o corredor já estava livre dos corpos ele seguiu, murmurando uma melodia inventada para o bebê e se sentou na poltrona de frente para Beladona, cruzando uma perna e ajeitado Indra melhor contra o peito.

Estela virou a cara cheia de cortes, um dos olhos foi pego em cheio pelo notebook mas o resto era mais resultados das unhas de Sakura.

Encarou a criança de lado, com desprezo então se incomodou mais com o olhar maligno do homem sobre si.

Sasuke suspirou calmamente e beijou a cabeça do menino, satisfeito em o ver se acalmar sem entregar ao sono, permaneceu com os olhos abertos, talvez com receio da calma ser novamente interrompida de forma brutal.

— Você não se deu nem um mês, garota. – Iniciou, 87 veio, já sem o termo e com as mangas da camisa sujas de sangue, deixou um copo com whisky sem gelo no braço da poltrona e Sasuke pegou, com a mão livre, a outra afagando lentamente a cabeça do filho. Tomou um gole e suspirou. — Péssima escolha.

Ela não respondeu de imediato.

— Quando esse avião pousar em Gales, você é que vai perceber ter feito uma escolha ruim.

— Ah, sério? Estamos bem perto de lá agora. – Sasuke olhou através das janelas. Deu de ombros. — Izuna já deve estar fazendo o desvio pro destino original.

— Original?

— Claro, você acha mesmo que eu os deixaria pisar no seu ninho depois de entregar que está com os noruegueses? Você me ofende, Beladona. – Desdenhou, balançando o copo.

— Pra onde estamos indo agora? – Ela indagou, atônita.

Sasuke baixou os olhos para Indra, notando que ele finalmente dormiu, suspirando profundo e cadenciadamente. Sorriu de lado, contemplativo.

— Hora de expiar os pecados, boneca, que lugar melhor que Roma? – Disse. — Além de... Também ser um bom lugar para batizados.

¤

Roma.

Martino tomou um último gole de licor e deu as costas para o bar, seguindo para fora da sala, alcançou o pátio do magnifico palazzo onde os bentleys estacionavam agora e sorriu com toda empolgação que se poderia reunir.

A primeira coisa que saiu do carro foi uma mulher ensanguentada e algemada que foi atirada ao chão em seus pés e ele deixou os ombros caírem, muito aborrecido. Odiava quando estragavam sua recepção.

Sasuke saiu do carro, sorrindo por que sabia bem disso e era um filhinho da puta.

Segurava o pequeno Indra nos braços com muita satisfação e naturalidade inclusive.

— Desculpe sujar seu tapete de boas vindas, Martino.

— Como se houvesse arrependimento... Onde está a mãe do garoto?

— No hospital trocando um curativo. – Ele chutou a mulher no chão e ela guinchou. — As comissárias de hoje dia são tão ruins, não acha?

Martino arqueou a sobrancelha finalmente encarando a mulher e reconhecendo.

— Oh... Interessante.

O italiano não deixava de enxergar as possibilidades tampouco e sorriu macabramente, enquanto Sasuke passou a encarar o filho meio desconfiado.

Pois o cheiro que havia agora não parecia vir só da alma podre de Estela e sim das fraldas de seu bebê.

Fez uma careta, essa geralmente era a parte em que dizia que o bebê queria Sakura, o dava para ela e ia dormir. Mas a mamãe teve que tirar licença médica no momento e tinha a ligeira impressão de que ninguém estaria disposto a quebrar essa pra ele.

— Martino... Seu velho ainda gosta de bebês ou já se o decepcionou bastante com você e suas irmãs?

— Hã?

¤

— Francamente, você é patético.- Martino ironizou. — Tutorial no youtube, sério?

Sasuke fez pouco caso, a menininha do vídeo trocava as bonecas dela com muita habilidade e tinha melhor didática que alguns professores que ele já tivera. Não era isso que deveria ser vergonhoso?

Achou que os pais de hoje em dia estivessem focando em mandar as filhas pras melhores faculdades, e não brincando de bonecas e continuando a propagar o emprego de ser mãe e esposa submissa.

Bem, a maioria deles não sabia que se bem treinada, uma garotinha simpática, poderia colapsar a economia de um pequeno país, sem deixar pistas. E talvez fosse melhor assim, ele certamente não queria uma garotinha com esse potencial (e se Indra fosse uma, teria), mas se tivesse tido, ela estaria aprendendo a jogar banco imobiliário e depois a fazer transferências de contas bancárias para paraísos fiscais.

Isso sim, garantia o futuro.

Grudou a última aba da fralda descartável e sorriu com satisfação de quem finaliza uma obra de arte.

— Perfeito.

Martino, encostado no berço, olhou por cima do ombro, para o bebê.

— Parece aceitável.

— Está perfeito. Eu não preciso rever sequer uma vez pra pegar a coisa. – Ele retrucou, desligando a TV por onde vira o vídeo.

— Pensei que era autodidata...

— Autodidata, não onisciente, animal. Quer que eu adivinhe as coisas?

— Não vai vestir ele?

— Hm? – Sasuke olhou para Indra, balançando as pernas e braços livres, a fralda estava até meio apertada e embora ele não parecesse ter crescido tanto, Sasuke se perguntou se ele usava um tamanho extra ou coisa assim.

Essa coisa rechonchuda realmente passou pela...

— A natureza é incrível mesmo! – Martino gargalhou vendo sua careta.

— Detesto saber que minha mãe deve estar se vangloriando agora, mas devo admitir que não sei como ela ainda teve coragem de parir mais um.

— Ela sempre disse que o cabeçudo foi você. Eu lembro!

— Balela, tsc. Deixa eu ver o que encontro aqui... – Sasuke seguiu até o sofá, pegando uma das bolsas branca e azul bebê onde deveriam haver pertences de Indra.

Martino olhou para o garoto, bem-humorado. Observou novamente o brilho do pouco cabelo que tinha, e olhando agora com mais atenção e sob a clara luz solar que vinha da porta da piscina, notou algo.

— Por um momento torci que você tivesse sido corno.

— Vai se foder. – Sasuke resmungou, já virando a maldita bolsa sobre o sofá. — Que porra...? Como se enfia isso numa criança...?

— Mas acho que vai ser pior, teu filho vai ter cabelo rosa.

— E daí? Podia ter nascido com a tua cara.

— Eu não me importaria mas não fui selecionado...

— Humpf. Quem liga pra cabelo rosa hoje em dia? Tem gente até cortando o pau, transformando em boceta.

— Pior que fica parecido.

— Heh, já foi tapeado?

— Não que eu saiba! Mas se tiver, ao menos significa que foi um processo bem feito, não vi nada de diferente.

— Nem vou opinar. – Sasuke retornou segurando um conjunto de calça, camiseta e camisa brancos, o mais fino que achou pois estava uma temporada bem quente por ali.

Retornou, pondo ao lado de Indra e começando pela calça.

— Mas pense comigo, o que as garotas vão pensar quando baixarem a cueca e encontrarem um bilau cheio de pentelho rosa?

Sasuke franziu o cenho, ambos fitaram o garoto, se entreolharam e chegaram a mesma conclusão, sorriram maliciosamente para o bebê.

— Vão achar exótico. – Sasuke declarou, orgulhoso.

— Esse vai comer mulher a rodo...

— Hehe.

— Pena que não é menina, meus filhos agradeceriam.

— Nem se fossem sete meninas, uma pra cada dia da semana, eles saberiam o que é segunda-feira. Mas se tiver meninas, ao menos o garotão aqui pode garantir uma primeira experiência especial.

— Mas nem por um caralho.

Sasuke deu de ombros, agora pondo a camisa no menino, pegou o casaquinho e parou por aí, estava calor demais.

Indra passou a se agitar quando parou de tocá-lo, ameaçando chorar.

— Não quer mesmo que eu arranje uma ama de leite? Minha prima Audrey teve menino e não queria deixar as “tetas caírem”.

— Que ridículo, aquelas tetas já eram caídas.

— Bem sabe, chupou muito.

— Foi só uma vez.

— Bom saber.

Eles se viraram, deparando-se com Sakura sentada numa cadeira de rodas, usando roupas limpas e os fitando como se fossem dois palermas que ela queria muito mandar alguém atirar.

— Isso foi mil anos...

— Dá logo o meu bebê.

Sasuke o entregou sem mais delongas, ela o acomodou no colo, verificando-o todo como se tivesse estado aos cuidados do bicho-papão e então fitou Martino.

— Qual o nome dela inteiro?

— O quê?

— É D’Amico, também?

— Nem pensar, você não vai matar a Audrey. – Sasuke cortou e ela o fulminou, desconfiada.

— Quer matar minha prima? Por que ele chupou as tetas dela?! Ora mate ele! Se for matar toda mulher da minha família que ele comeu, só não mataria minha mãe e tias! – Sakura o encarou, estupefata.

— Heh, é mesmo... – Sasuke refletiu agora, Sakura o fitou e ele desfez o sorriso. — Puro exagero, sensacionalismo barato.

— Eu tenho oito primas, minhas irmãs e uma sobrinha quase da minha idade.

— O quê?! Eu não comi a Sofia!

Todo mundo comeu a Sofia, Sasuke. – Martino revirou os olhos. — Se não lembra é por que estava chapado.

— Você dormiu com sua própria sobrinha? – Sakura indagou, horrorizada.

— Eu não, seria imoral, mas prima pode.

— Ele tem razão.

Sakura suspirou e acenou para 33 puxar sua cadeira e dar a volta.

— Acho que vamos ter uma chacina. – Sasuke ironizou, recordando do que ela fora capaz de fazer só com Estela e um computador. — Não que eu me importe, minhas bolas estando livres.

— Vai começar por elas, ela tem o bebê agora, lembra?

— Ah, ela não seria tão sentimental assim...

— Talvez não agora, mas como convidei toda a família para o batizado...- Martino deu de ombros, retirando-se dali.

— Você o quê?

¤

— Meu bebê, liiindo bebê! Não vai ser nada parecido com o animal promíscuo do papai, não é?

Sasuke revirou os olhos enquanto jogava roupas numa bolsa.

— Não oprima os instintos naturais do garoto, vai traumatizá-lo.

— Deveria ter circuncidado ele... – Sakura refletiu, pesarosa. Sasuke se virou, encarando-a com horror. — Será que ainda...

— Não mexa com o bilau do garoto! – Ordenou e Sakura bufou.

— O que tem de mais? É só por questão religiosa...

— Você e nem eu somos judeus, filha da puta! Quer aparar o pinto do moleque pra quê? Vai mandar ele ser padre também?!

— E o que teria de mais?!

— Dá aqui o meu bebê!

Sakura fez cara feia, segurando o menino e negando.

— Sua controladora descarada... Nem minha mãe era louca assim...

— Humpf.

Sasuke catou alguns cartuchos e jogou-os na bolsa, passando a selecionar um passaporte.

— Aonde você vai? Vai voltar antes do batizado, não vai?

— Não é como se eu fosse poder estar lá, de toda forma.

Sakura suspirou, olhando para Indra que finalmente dormiu, desconsolava-a que o pai dele não pudesse participar da pequena cerimônia, ainda que não fosse algo totalmente espontâneo. Se fosse, certamente não seria Martino o escolhido para apadrinhar seu filho.

Mas ele exigiu isto como garantia de que tinham uma aliança. Por mais que Sakura lutasse para empurrar Indra para fora dessa teia, parecia que teria de dar um passo ou outro para trás novamente, hora ou outra.

Sasuke se curvou, beijando a cabeça dele, despedindo-se silenciosamente como sempre fez, era a primeira vez que ficaria longe deles desde que Indra nasceu e ela podia sentir que ele também não gostava disso e nem da ideia do batizado.

Ele ergueu os olhos para ela, através do silêncio que ela já a tanto conhecia, novamente despedindo-se. Beijaram-se demoradamente, reafirmando que ele estaria de volta logo.

— Cuide-se e descanse, não fique o tempo todo ao redor do berço dele, vá deitar. – Ele aconselhou, sabendo que ela ficaria uma corujinha em torno do menino o quanto tivesse forças para tal.

— Uhum.

— Estou falando sério.

— Eu sei.

Sasuke beijou sua cabeça e foi pegar a bolsa na cama.

— Tenha cuidado.

Aa.

Sasuke saiu e Sakura levou Indra até o berço, bem ao lado da cama, mas no fim, não foi o bastante, ela arrumou um círculo de almofadas em torno de ambos, fechou bem as cortinas do dossel, abaixou só um pouco mais a temperatura do ar condicionado e deitou encolhidinha em torno de seu bebê com uma manta macia. Agora tinha uma fofa companhia na cama para esperar o pai dele.

¤

Cardigan, País de Gales.

Florence St. Gale era a atual cabeça da família e da casa Galesa, até onde Sasuke tinha certeza, ao que recordava dela, três anos mais velha que ele, era uma garota que na idade dele e de Martino, você não desejava ou odiava, você “pagava pau”. Florence fora criada aos moldes do pai, como o filho que ele não teve.

Inteligente, sagaz, bem articulada e de certa forma, até limpa demais. Itachi, que era mais próximo assim como Shisui e Izumi, descrevia que ela não fora feita para estar na Folha e comandar uma casa, e na época, Sasuke achara aquilo estúpido e até frustrante.

Se alguém foda como Florence não era boa o bastante, quem seria tão perfeito?

Mais tarde ele entendeu melhor, topou com a Sálvia em algumas viagens mesmo depois de desertar, recordava que ela continuava com aquele olhar de anjo, não no sentido de pureza, mas no sentido de um saber oculto, seu rosto marcado de traços singulares dava-a uma expressão enigmática e gentil, talvez nunca houvesse sentido raiva o bastante para expressar na face.

Florence era muito boa, realmente, principalmente com diplomacia e informação, se comparada a Itachi, talvez estivesse a mais passos na frente de todos que ele, mas Sasuke não podia ter certeza desde que ela mandou a cadela passional da irmã (se é que mandou) atrás deles. E isso parecia brusco demais para o estilo dela.

Florence pensava por si e além de todos enquanto Estela, pensava na caixinha feita pelos pais. Sasuke tinha quase certeza que hoje em dia o velho Patrick deveria amargar que sua fabulosa criatura se tornara forte demais para suas rédeas enquanto Estela, se conformara com a mediocridade feudal de se tornar moeda de troca para estabelecer alianças que não durariam mais do que duas ou três gerações.

Os casamentos de Casas entre si só eram arranjados entre filhos secundários por motivos óbvios. Os primogênitos estavam livres para escolher cônjuges de ramificações dentro da família (primos distantes em mais de três graus) ou mesmo de totalmente fora do sistema (só não tão fora quanto Sakura era).

Sasuke e Izuna chegaram á mansão onde Florence, até onde sabia-se, estava reclusa a quase um ano, e isto parecia ter haver com a queda da Kuran e outros problemas internos da família.

Sasuke adorava ser motivo de discórdia, não negava, mas era fato que, nutria respeito por aquela herdeira. Lembrar dela remetia a lembranças antigas e sossegadas, ele ainda era uma criança, cujo o treino ainda era mais como uma atividade extra depois da aula, via mais os pais, aprontava junto de Martino e outros garotos e observava o irmão mais velho andar ao lado de outros fodões como Florence, invejava e tudo mais, trocando boatos de que Itachi matara vinte caras em Xangai e coisa assim pra se gabar um pouco.

Isto foi a infância dele.

Parecia bom, nessa perspectiva, mas ainda não era e nem seria a que ele desejaria para Indra.

Ambos foram conduzidos até uma grande sala, decorada com o tradicional estilo rebuscado e sóbrio da família, um dragão dourado estava no brasão da família St. Gale tal como no da bandeira do país. Estela gabava-se disto tanto que os garotos passaram a chamar ela de dragão por um tempo.

Florence estava na frente da grande lareira, a parede cheia de livros acima era bem mais seu estilo do que a sala repleta de armas que o pai dela se orgulhava de ter na casa deles em Cardiff.

Ela se voltou para ambos, loira e esbelta, sempre teve um ar mais andrógino do que feminino, era a garota transformada em filho homem pelo pai que não acreditava em liderança feminina.

Agora ela tinha o cabelo curto e recordava até um dos almofadinhas do curso de Sakura (não que ele tivesse reparado muito).

— Sálvia. – Cumprimentou primeiro.

Ela os fitou intrigada sorrindo sempre cuidadosamente e contemplativa.

— Falcão... E Susanoo, o filho de Izanagi, que aliás... Não foi você quem matou, Sasuke? – Falou, genuinamente admirada de ver ambos lado a lado. Ela continuava com o péssimo costume de apontar coisas desnecessárias.

Izuna não deixou de encarar Sasuke com sarcasmo e este revirou os olhos.

— Matar foi muito relativo nesse caso específico.

— E como seria? – Ela disse.

— Bem, pra mim ele já estava morto, um velho decrépito achando que estava nos anos dourados. Também, é fato que quase surrei o coroa até a morte, mas é fato também que ele não foi embalado e enviado por inferno por mim, quando cheguei pra fazer isso, já tinham me feito o favor, só dei o fora. – Deu de ombros. — Daí temos pelo menos três formas de afirmar que ele morreu ou estava morto, não tenho culpa de ser inocente em todas elas.

Izuna revirou os olhos impaciente e Florence fitou Sasuke com atenção, ele ainda se recordava de sentir-se acuado quando ela o dava atenção. Como um novatinho temendo ser enrabado no chuveiro.

Ela sorriu, admirada.

— Ah, Itachi tinha toda razão. – Disse, com um tom solene para a amizade deles. — Você, com esta seu ardil estupendo, sua habilidade sem igual para se esquivar e encontrar sempre uma maneira, é que mudaria os rumos de toda a Folha. E vejam só, apesar do meu esforço e do esforço dele, é você quem está indo a frente, Itachi está morto e eu...

— Você? – Ele indagou.

Florence suspirou, sentando-se no braço de uma das poltronas.

— Talvez banida seja a palavra.

— Banida? Você?

— Significa que Estela está no comando da Casa?

Florence deu uma suave risada meio pesarosa.

— Estela como chefe da casa? Seria uma utopia para mim. Não, minha irmã não tem espírito de comandante, nem de desbravador como você, meu falcãozinho. O que aconteceu já estava escrito, não tem haver com a queda da Kuran, embora eu não negue que tenha esquentando mais os ânimos.

Florence acenou para que se sentassem logo, e estalou os dedos para que um empregado trouxesse-lhes algo de beber.

— Vamos começar do início que vocês não conhecem tão bem. – Sasuke não gostava de arremedos mas não quis interferir no divertimento dela.

— Se insiste.

— Ah, eu insisto. – Florence pegou uma xícara com chá e iniciou, com aquele ar de anjo sábio que só ela tinha. — Itachi me procurou primeiro, era como ele sempre foi, um homem de visão, de cálculos, ele somou antes de todos nós. O fim da Folha estava chegando, e teríamos que trabalhar para sobreviver a ele, nos adaptar, como animais evoluindo com mudança do ambiente.

Sasuke se inclinou para a frente, encarando seus olhos claros.

— Já sabia sobre Gulbrandsen?

— Ah, Gulbrandsen, vocês se preocupam demais com o vetor da doença e não com ela. Não importa quem derrubará a Folha, Sasuke, se você, ou ele. O que importa é a queda.

Izuna estreitou os olhos, não gostando muito dos rumos disto e Sasuke se recostou, maquinando. Florence assistiu os dois com prazer, como se pudesse ver as engrenagens nos cérebros de cada um, sabia que Sasuke encaixaria a peça primeiro.

— Então os pendrives... – Ele suspirou, não gostava quando sabia que estava respondendo algo já concluído, mas já sabia que com ela, seria assim.

— Sim, sim! Fomos nós, fui eu, Itachi, Izumi e Shisui.

— De certa forma é quase um alívio, eu acreditei na primeira olhada, que pudesse ser sim, tudo informação acumulada pela Kuran, mas quanto mais mergulhava, mais coisa aparecia. Tinha que ter mais uma mão, talvez do meu pai, mas agora é que faz realmente sentido, ali tem informações de outras casas acumuladas não só pela Kuran, Mas pelos St. Gale também.

— Sabe como foi o primeiro tratado entre os Uchiha e os Gale, Sasuke? Não houve casamento arranjado, nem troca de bens, informações ou a mão da Folha, que eles mesmos criaram, Sir. Edmond St. Gale e o rico mercador japonês Indra Uchiha cortaram suas mãos, e apertaram elas juntas, foi assim, assim que misturaram seus sangues numa aliança de amizade, respeito, ajuda mútua e principalmente, lealdade, lealdade acima de tudo, acima da Folha. Era o que os nossos avós haviam firmado, o que eu e Itachi firmaríamos quando subíssemos ao poder, mas eu descobri que meu pai não estava mais de acordo com isso. E o que você faz? Tira fora o galho infectado ou o deixa infectar o resto, toda a árvore quase milenar que é nossas famílias juntas? Eu escolhi honrar isso, não é irônico que seja eu a banida?

— Ele descobriu?

— Não. – Ela suspirou. — Ele queria eu me casasse com uma das frutas podres da casa nórdica, me adiantei antes que comunicasse e declarei que não casaria, e que geraria herdeiros por inseminação.

— Por quê? Por quê não outro? Ou por que não jogar o jogo e espionar eles de volta?

— Apenas por que estou cansada do jogo deles. Me desliguei da casa, e atualmente estou escondida aqui. Papai finge que não sabe para poder encontrar uma forma de me arrastar sem perder metade do apoio da família.

— Você partiu a casa ao meio?

Sasuke estava boquiaberto e não tentaria disfarçar. Eis o feito dos fodões, otários como ele eram escorraçados sozinhos, deusas como ela, saíam levando o apoio de quase toda a casa e desarticulando o poder do atual cabeça.

— Devia erguer um altar pra você.

Florence riu, verdadeiramente divertida.

— Patrick está perdendo as rédeas, isso é o que significa ser corrupto num meio não corrupto, Sasuke. Estamos tão acostumados a ver o contrário que esquecemos que nem sempre a mancha tomará todo o branco. A casa St. Gale é uma casa honrada e leal, eu acredito nela e na minha família, assim como Itachi acreditava em você, seus pais acreditavam em você e por isso você foi embora sozinho, e voltou sozinho.

— Meio tarde.

— Tudo teve seu tempo. Os sacrifícios eram necessários, Itachi sabia disso. – Afirmou, e soprou o vapor da borda com um olhar denso. — E eu também sei.

— Entendi...

— Mas a Folha, ela sim tem que cair, ser extirpada, talvez até recriada, mas a atual está fadada ao fracasso, meu pai, a casa nórdica, eles são apenas fantoches do destino. Imagine como se a Folha fosse um reinado, reinados começam, crescem, expandem, e então chegam ao seu ápice, e caem.

— Derrubados por outros reinados. – Izuna pontuou.

— Ou não, ás vezes é o que tem de ser, Atlântida afundou sob os mares, Pompéia foi sepultada por um vulcão e nós, vamos queimar a Folha, na hora certa.

— Significa então que... Está propondo um acordo?

— Ele sempre existiu, Eduard e Indra, recorda?

— Ah.

Florence levantou, deixando a xícara na mesinha, foi até a lareia e pegou uma faca de punho de prata, e um medalhão de ouro já velho, de dentro de uma caixa acima dela.

— Quando deixei a casa em Cadiff, abri mão de tudo, pai, mãe, minha irmã, mas não disto. Isto está na nossa família, eu tomei a prova da aliança entre as nossas famílias, está aqui.

Jogou o medalhão para Sasuke, ele abriu encontrando apenas uma camada de papel de seda fino e limpo acima de outras que pareciam manchadas de algo.

— Cada camada guardada aí é a gota misturada do sangue de dois cabeças da nossa família. A última tem meu sangue e o de Itachi, e pela primeira vez em uma centena de anos, meu sangue vai se repetir aqui, por que vou deixar outra prova, de que vou apoiar a atual cabeça da Kuran Uchiha, assim como apoiei Itachi até o fim. – Declarou, oferecendo a faca. Sasuke segurou o cabo e ela puxou, revelando a lâmina já bem gasta.

— Esse negócio... Deve dar um tétano do caralho.

— Oh, é velhinho mesmo.

— Caralho, você não respeita nada? – Izuna se indignou.

Sasuke não tinha mais a paciência de antes pra exaltar as tradições.

— Se é pra cortar eu até corto, aqui e agora. Mas não vim aqui pra isso. – Disse. — Eu vim te dar o recado, se era você mandando Estela nos matar, matar a minha garota, eu vim esfregar a droga do dossiê na sua cara e dizer “Se junte ou morra, vadia”.

— Assim?

— É.

— Nesse tom?

— É mais, denso, jogando na sua cara e tal.

— Oh, eu teria me assustado, você era perigosinho quando invocado!

“Perigosinho”.

— Nem comentar...

— Mas, como você descobriu que não teria nada sobre St. Gale que eu já não tenha ciência total, e que não tenho nada haver com sua adorável amante...

— Eu posso descartar o “morra, vadia” e me concentrar no “se junte a nós”.

— Maravilhoso! – Florence cortou a palma sem delongas e ofereceu a ele. — E eu aceito!

— Claro, valeu, mas como disse, só vim dar o recado. Agradeço que ache que eu poderia, mas nem se quisesse eu poderia, eu não sou a cabeça da Kuran Uchiha, sou apenas um extraviado.

Florence piscou com entendimento.

— Claro... – Olhou para o corte que já manchava o tapete. — Você poderia ter avisado antes...

— Eu sei, desculpe. – Ele riu. — Mas você foi com tão boa vontade, eu fiquei: “Cara, ela realmente cortou”. Hilário.

Izuna estava a ponto de surtar entre eles. Florence suspirou e deu de ombros. Talvez estivesse mesmo, ansiosa demais. Adorava tradições de família. Apesar dos apesares, seria muito triste se não tivesse nascido numa família com tradições.

— Se é assim, então terei que conhecer sua famosa gazela, hein?

— Aham. Vamos te esperar em Roma, na casa D’Amico.

— Hm, pegou uma casa grande para o seu lado do tabuleiro.

— Achei que Gulbrandsen tivesse os Galeses com ele.

— Mas ele só tem metade. Não é ainda melhor? – Ela brincou e Sasuke concordou.

Na verdade, as coisas viraram tão bem pro lado deles que estava com vontade de voltar e transar com Sakura por três dias. Uma pena ela estar em resguardo ou sei lá.

Uma pena.

Era o que precisavam pra melhorar as coisas depois o episódio com Estela. O que o levou a outra ideia, em sua humilde opinião, espetacular.

— O que maquina aí, falcãozinho? – Florence instigou.

Sasuke sorriu, ardiloso, jogando o medalhão de volta pra ela. Pegou a faca e cortou uma linha no centro da palma.

— Vamos fechar outro trato aqui, também simbólico.

Florence adorava esse tipo de coisa e arqueou a sobrancelhas, interessada.

— Você precisará retomar a casa hora ou outra, mas seu pai pode te impugnar o direito usando a outra herdeira.

— Eu já pretendia cuidar disso...

— Não precisa mais. Te dou Estela St. Gale, ela é hóspede de Martino em Roma e posso te entregar ela de bom grado e ainda com uma festinha, comida e bebida pra fechar o evento.

— Belíssima proposta, que negociador fantástico você se tornou, como seus antepassados mercadores de armas...

Sasuke assentiu logo antes que ela viesse com mais uma historia pra dormir.

— Mas, em troca de quê você me oferece tudo isso?

— Martino será o padrinho, então seja você a madrinha do meu filho, Indra.

Florence entreabriu a boca, com espanto e seus olhos brilharam de uma forma tão maternal que ele teve que chegar a conclusão de que ela era não só uma garota que assumiu um papel masculino, mas o administrou para tornar-se uma mulher a própria maneira.

Ela segurou sua mão com entusiasmo e assentiu, quase emocionada.

— Temos um trato, seu filho não será só meu afilhado, mas meu filho também, sempre gozará do meu cuidado e proteção. Sempre.

Sasuke concordou, satisfeito.

As peças voltaram a ser espalhadas no tabuleiro e agora ele tinha duas rainhas e o triplo de peões para utilizar no jogo.

Notas finais
Sasuke fez filho na Sakura, Plum pra provar que é mais foda, embuchou todas as ratinhas da ilha de Capri. Boto fé. Estela se meteu no ninho errado, rs. Mexeu com o ovo, ca galinha e ainda emputeceu o galo. R.I.P Estela. Amo os momentos da família Uchiha e vou zuar neles e muito ainda. Sasuke cuidando do Indra - Feat Martino dando pitaco: AAAAAAAWN Sakura, a gente não mata as puta, a gente dá uma torcida no pau do marido pra ele nunca mais desviar pra ppkas erradas, fia. Aí se desviar de novo a gente corta e vai procurar outras. To certa. AAAA SÁLVIAAAA! Florence é a minha Itachi loira e com ppka então eu daria pra ela também, um cristal desses bicho pra até o Sasuke baixar a crista e pagar pau, TEM QUE REXPEITAR Atéeeeee!