Vingador Vol. II
20 19. Matriz Uchiha e uma lição para Sasuke.
Notas iniciais

— Isso é o mais perto que deveríamos ir. – Kakashi disse. — Não se esqueça que está sendo caçado, entrar num castelo repleto de assassinos não é uma ideia muito inteligente...
Sasuke deixou o carro, e observou o local a distância.
— Eu acho que seria mais prudente esperar a festa acabar... Não é como se alguém fosse ralar um dedo nela. – Damian avisou, mas o primo apenas seguiu em frente com uma careta de cão raivoso.
— Eu definitivamente vou ralar mais que um dedo naquela rata.
***
Sakura sentia vontade de espirrar, segurou muito bem, até se orgulharia, mas se o mito de que espirros significavam que alguém estava falando de você por aí era real, ela deveria estar feliz de não ter uma crise alérgica então.
Todos os olhares destacavam-se sobre ela hora ou outra, atiçando não só o medo (afinal alguém ali matou ou mandou matar Itachi e a família Uchiha) mas também aquele sentimento traumático que acompanhara sua vida desde muito nova e a fazia fugir do convívio social.
Continuava odiando estar fora de um cubículo seguro e assim também as pessoas próximas. Só que agora, havia todos os motivos do mundo para temer as pessoas ao redor, e toca nenhuma poderia mantê-la segura deles se não fosse para cima primeiro.
E, oh, ela iria.
— Com sede, cara mia? – Martino perguntou, oferecendo-a uma taça de champanhe.
— Agradeço. – Sakura pegou-a, e passou os olhos pela decoração do recinto, ornada com obras de arte, cortinas e arranjos florais discretos. — É uma bela recepção, apesar que não sei bem o motivo...
— Nada em especial, como já deve saber, acabei de tomar o comando da casa D’Amico, este tipo de evento ajuda a reafirmar as ligações.
— Ah, sim. Entendo...
— Parece estar procurando alguém, Sakura. – Ele observou, afiado. Sakura o fitou, surpresa.
— Ah... Não exatamente... Acho que estou apenas... Me resguardando.
— Resguardando-se, hm? De quem?
Sakura o fitou, tensa.
— Mais gente do que nós dois podemos imaginar, acho.
E voltou a olhar em volta, mesmo tendo 87 e os outros por perto.
— E principalmente dele. – Acrescentou.
— Dele?
— Sasuke. – Sakura ciciou, olhos evasivos, voltou a andar com ele em seu encalço. — Tentei ser cuidadosa. – Explicou. — Mas eu não sei nada sobre esta coisa de assassinos. Me dizem o tempo todo que fugir dele será inútil se não fizer algo para contê-lo mas... O que posso fazer? Sasuke parece está em todo lugar... Como um demônio.
Sakura parou diante o homem, num corredor pouco movimentado, e o fitou com olhos angustiados e medrosos.
— Eu preciso de ajuda. Sr. D’Amico, ou Sasuke vai me matar.
***
— Eu vou matar aquela maldita. – Sasuke rosnava a cada passo que davam no esgoto abaixo do castelo. Apesar de obviamente já ter um novo e mais eficiente sistema de encanamento, essa estrutura estava lá ainda, longos corredores subterrâneos, úmidos, fedidos, com água no joelho em alguns pontos e ratos que poderiam comer cães.
Era verdade que ele já andara em lugares piores, todo mundo sabia que ele só estava puto por estar nessa por causa da dita cuja.
E bem, o cheiro ruim impedia qualquer um de sentir compaixão por Sakura no momento.
— É bom esse mapa estar certo. – Damian avisou, desgostoso.
— Foi você que arranjou o mapa. – Naruto o lembrou.
— Não assinei nada que me impedisse de ficar puto por isso.
— Bem...
Sasuke parou, fazendo um sinal de silêncio. Eles pararam de se mover e logo ouviram vozes um pouco abafadas, ele caminhou mais alguns passos até um corredor e olhando para o fundo dele, viu um portão de ferro trancado com correntes e dois homens da casa italiana vigiando enquanto conversavam e fumavam.
Sasuke acenou para Damian, e ambos seguiram em frente, pé por pé, recostaram-se contra as paredes furtivamente aproximando-se do portão até que pudessem espiar melhor a área externa e ver que não havia outras pessoas.
Então enfiaram os braços através das grades, puxando os pescoços do assassinos com brutalidade, usando um mata leão violento e silencioso. Um deles puxou a arma mas Sasuke conseguiu empurrá-la de volta no coldre dele e forçou o braço até ele ficar roxo.
Soltaram-nos devagar e tatearam os bolsos, encontrando chaves. Sabia que Martino não estava apenas mantendo a passagem segura de invasores, mas para uma boa rota de fuga também.
Abriram o portão e saíram. Jogando os homens dentro do túnel. Shikamaru ligou para Kakashi.
— Nenhum movimento?
— Ainda não.
— Certo.
Sasuke tateou atrás de um vaso e ficou bem satisfeito de achar uma sub metralhadora atrás dele.
Ia fazer questão de tocar uma música com ela durante a festa.
***
Sakura se desfazia em lágrimas e soluços diante Lorenzo agora. E Martino tinha certeza que se ainda havia uma alma humana em seu velho, que não fosse obcecada apenas no bem estar dos de seu sangue, ele acataria qualquer pedido vindo dela.
Primeiro, que Sakura aparentemente tinha um ponto em comum, que aparentemente, era querer Sasuke sob uma coleira ou mesmo morto.
Segundo, que ela era a herdeira absoluta de tudo o que a casa inglesa representava e possuía. Seu pai não era tolo de ignorar isso.
E terceiro que ela era uma fadinha apetitosa. E seu pai era seu pai, afinal.
No entanto, Sakura tinha muito choro para legitimar sua posição na brincadeira, mas fatos e argumentos, ainda eram necessários.
— Já lhe disse... Eu não fazia ideia do que estava acontecendo até que... Até que aquilo tudo aconteceu. — Ela lamuriou, esfregando os cantos dos olhos com um lenço.
— Isto foi dois anos depois de a Kuran trazê-la, não duvido que possam tê-la mantido no escuro, mas você era amante de Sasuke no Japão, foi por mais de dois anos e sabia o que ele fazia. – Lorenzo explanou, oferecendo-a o próprio lenço do bolso.
— Obrigada... Eu não estou negando essa parte. Mas não foi tudo como parecia... Eu realmente ajudei Sasuke. Mas acho que os senhores já devem ter milhões de cópias dos meus prontuários psiquiátricos da época... – Ela encolheu os ombros. — A minha versão nunca foi ouvida afinal. Mas vou contar. Eu conheci Sasuke como um mero assassino de aluguel. Eu... Tinha pessoas que eu queria ver mortas... Eu tinha esse direito. E ele apareceu, me perguntou o que eu deveria lhe dar em troca, mas eu não tinha nada além da minha própria vida... Que eu já não fazia questão... Ele aceitou, na época achei que fosse algum resquício de bondade, ele me disse pra ficar viva até quando ele quisesse e aceitei aquilo como um tipo de... sentimento... Eu fiquei sozinha e passei a depender dele totalmente. Então se me perguntar se eu sabia que ele matava pessoas, eu não posso negar, por que eu o pedi para matar, e não me arrependo. Mas sobre a Kuran, a família Uchiha uma sociedade como a Folha, foi tudo Itachi quem me contou logo depois que...
— Que matou a família inteira. – Martino completou, Sakura se sobressaltou no sofá, completamente vermelha de indignação.
— Não! Nunca! Foi Sasuke que os matou!
— Como é?
Ela caiu numa nova crise de choro, Lorenzo adorava mulheres sensíveis e honestas mas nunca teve muita paciência para o drama.
87, parado atrás dela no sofá, se inclinou apertando seu ombro em sinal de conforto. Mesmo até ele estando bem desconfortável.
Sakura inspirou, fungou novamente e tentou prosseguir.
— Eu vi tudo. Todos mortos, ele lutando com Itachi mas no momento eu não entendia. Perdi a memória e até então tudo parecia tão... Perfeito. Sasuke era meu noivo e mesmo dando sinais de... de ser no mínimo um sociopata, eu achava que só tinha que entendê-lo melhor... Então Itachi me arrastou para Roma, despejou tudo sobre a família e o quanto Sasuke a estava prejudicando... Mas vendo ele tentando matar pessoas, tentando atirar em mim e no próprio irmão... Eu não poderia ficar parada, muito menos ao seu lado.
Ambos se entreolharam, não gostando nada do que ouviram, Martino se arrependeu grandiosamente de ter trago Shane e outros representantes de algumas casas para esta reunião. Mesmo sendo impossível ofuscar a atenção que todos tinham sobre a portadora de uma rara carta de legado.
Acabou, ajudando a legitimar o testemunho dela.
— Se Sasuke exterminou a Kuran... Por que ele diria que foi Itachi? Conheço o maldito há muito tempo, querida. Pode não gostar que lhe esfreguem as mancadas, mas odeia que lhe tirem os créditos.
— Mesmo se lhe desse maior vantagem? – Ela rebateu, afiada. E soluçou novamente. — Nós erámos os únicos vivos naquela casa, ele tentou matar Izumi e Itachi e sabia que eu estava confusa demais para acusá-lo ou lutar contra ele. Se Itachi morresse, tomaria a culpa pela conspiração, Sasuke seria o herdeiro e eu ainda teria que casar com ele...
Martino se sentou na beirada da mesa, encarando-a de perto, estreito.
— Que conspiração?
Sakura o olhou assustada, e fitou todos os presentes com receio. Se aproximou dele e sussurrou com seus belos lábios uma resposta que verdadeira ou não, poderia abalar toda a hierarquia da Folha de cima á baixo.
— Uma casa, ou várias casas, não sei qual ainda. Estavam encobrindo Sasuke no golpe contra a Kuran, em troca de informações que os ajudariam a derrubar outras casas... e principalmente, a alta cúpula.
Martino inspirou e se virou, olhando por sobre o ombro e vendo fantasma da desconfiança deitar sobre todos ali.
Sakura se encolheu, intimidada com os olhares.
— Itachi que me disse... Ele disse que diria a você... Ele não disse? – Indagou, curiosa. — Acho que não, não é? Ele não teve tempo. – Chorou de novo. — Nem a pobre Izumi. Sequer poderá recomeçar o clã.
Martino suspirou, olhando-a desconfiado e frustrado. Dar a mão ao diabo só por ele ser bonito? Olhe no que deu!
Na verdade ele duvidava que o diabo pudesse ser homem.
Qualquer criatura que portasse bolas, divina ou maldita, não poderia ser tão perigosa quanto uma mulher.
Se Sasuke havia enlouquecido mesmo ao ponto de conspirar contra o sistema, ainda só podia ser culpa do feitiço dela.
E quanto as palavras de Itachi antes de morrer, ambiguamente poderiam legitimar tanto o que Sakura dizia agora, quanto a defesa do próprio Sasuke.
"— ...Existe um conspirador entre nós... Martino. Dê-lhes algum tempo e vai saber quem é, mas dê tempo demais, e será apunhalado junto com a Folha... E quanto á garota... Ela é parte do problema, e a única solução”.
— Ele disse que você poderia ser a solução, mas é você que está aqui pedindo proteção, querida. Ainda sem saber, se até mesmo eu, não sou parte do lado mau.
— O lado mau para mim é Sasuke. E vi um pouco como vocês se dão... e tive medo de vir aqui, mas se não viesse, ele viria te manipular para me capturar, além que Itachi confia em você, e por isso nos levou até Roma.
— E estragaram minha festa.
— Isto também foi Sasuke.
— Bem, bem, bem... Então você, quer se livrar de Sasuke, quer proteção.
— E não só dele.. De quem ele está ajudando. Por isso gostaria de falar com os senhores da alta cúpula.. Isso tem haver com eles, além que pelo o que me foi aconselhado... – Disse, olhando para 87 buscando apoio em suas palavras. — Eu preciso falar com eles a respeito de como refazer a Kuran Uchiha.
— Refazer? – Lorenzo indagou, levantando-se. — Refazer como?
Sakura baixou os olhos, adoravelmente assustada e corada.
— I-Itachi queria que ao menos Izumi ficasse viva, e usasse inseminação artificial para ter filhos dele, para o clã recomeçar, di-digo... Ele até congelou aquela coisa pra ela. – Falou baixinho, como se só mencionar a “coisa” fosse um ataque ao pudor.
— Você diz, esperma?— Martino sibilou, assombrado.
Sakura assentiu, tão envergonhada que era difícil qualquer um ali não se envergonhar com uma palavra tão idiota.
—... Mas ela se foi... E eu...E-Eu sou mulher de Sasuke, querendo ou não ele, e não quero! Veena-sama me ensinou que já sou uma Uchiha, e sendo herdeira da família... Eu, tenho que fazer isso, o clã recomeçar... Isso quer dizer bebês, mas o que eu deveria fazer? Usar a coisa do Sasuke e depois eliminá-lo é mórbido.... Além que, ele é a maçã podre da família, continuá-lo seria o mesmo que jogar o trigo fora e ficar com o joio, não?
— E seria um prazer antes da morte que ele não merece. – Shane comentou, ela corou mais e escondeu o rosto.
— Ou então eu teria que usar de Itachi, e soa mais mórbido ainda além de desrespeito com Izumi... Mas também tem a outra opção, 87 disse.
— Que opção? – Lorenzo exigiu, 87 juntou as mãos atrás das costas.
— Assumir que o sangue Uchiha agora é apenas o que corres nas veias dela, desprezando tanto o de Sasuke quanto o de Itachi. De modo que ela se torne uma espécie de matriz, porém, como ela não vem de nenhuma família tradicional, e por si só sequer é treinada. Teria então de começar isso da forma mais arcaica. Casando-se com um assassino de uma outra casa que esteja disposto a abrir mão da própria herança e assumir a dela para os filhos que nascerem.
E desta forma todos os olhos fixaram-se em Sakura e em somente Sakura, de modo que apenas iria suavizar o sutil e discreto caminho que ela estava traçando dentro da Folha.
As iscas foram jogadas, agora faltava apenas o lobo vir mordê-las com cega ferocidade e fome para que o público se assombrasse e esquecesse que o maior perigo estava no cordeiro.
Quando os tiros de uma submetralhadora ecoaram pelo castelo inteiro interrompendo a música do salão e iniciando algum pânico, 87 poderia até vibrar com o timer perfeito.
Ele realmente tivera dúvidas de que isso daria certo, até porque contar com qualquer colaboração, ainda mais involuntária de Sasuke parecia tolice.
Mas talvez Sakura fosse ou estivesse se tornando mais consciente do poder que tinha sobre ele do que se imaginava.
Em se tratando dela, ele iria até o inferno, mas ambos queriam coisas um pouco divergentes.
E a menina estava aprendendo a usar suas armas contra ele e também... Contra toda a Folha.
Sakura saltou no sofá ao mesmo instante, gritando, e isto fora a coisa mais sincera que ela fez desde que pôs os pés ali. Só depois de quase se esconder no bolso de 87 que ela entendeu que só poderia ser Sasuke e que isso era bom (mesmo que ela devesse fingir que não).
A pior parte, achou que seria por a culpa em Sasuke, mas talvez por estar zangada com ele ainda, isso foi até bem satisfatório... E imaturo, claro. Mas o homem não estava sendo o mais sábio ultimamente, ora.
Ruim mesmo foi falar tudo aquilo sabendo que eles poderiam simplesmente estapeá-la e mandá-la de volta sem alguns dedos pela ousadia de tentar enganá-los, mas 87 estava certo.
Justamente pelo trágico histórico mental dela, essa gente não contava que ela pudesse tentar manipulá-los, por que sempre tiveram certeza que era apenas uma marionete de Sasuke e da Kuran.
Mandaram Utakata para atingi-la bem no trauma, esperando que ela não pudesse ajudar Sasuke a fazer o que Itachi queria nem se quisesse.
Então a menina louca e suicida não oferecia risco algum aos grandiosos assassinos da Folha, sim?
Que assim fosse, para eles então.
Ela faria seu papel de boneca dependente das cordas, ansiosa para ter alguém mandando em seu destino para não sucumbir á loucura.
Enquanto achavam que ela queria levar o renascimento do clã Uchiha em seu ventre, Sakura estaria usando esse tempo para ajudar Sasuke a ter em mãos, a queda da Folha.
Bem, claro, isso se o seu agora declarado ex noivo sociopata obsessivo colaborasse...
***
Sasuke avançou pelo pátio desferindo tiros pelas paredes e janelas e esperando ver os ratos saírem da toca. Escondeu-se atrás de um pilar que foi alvejado cuspindo o pó do concreto no ar, verificando em volta, notou uma parede de tijolos com vasos pendurados até o alcance de uma janela no segundo andar.
Baixou a arma e tateou os bolsos retirando uma granada de fumaça, atirou-a para trás e no que a névoa implodiu engolindo o pátio, correu e escalou os vasos até a janela, escondendo-se do outro lado.
Ergueu a cabeça devagar e investigou o pátio e um tiro atingiu a janela ao lado de seu rosto, ele viu as gêmeas na janela da outra extremidade do pátio.
— Malditas cadelas.
Sasuke se levantou e atravessou o corredor atirando em direção a elas através das janelas, mais uma nuvem de pó engoliu o pátio e ele chegou até um par de portas, verificando o cartucho da arma, agora vazio.
Chutou as portas e apontou mesmo assim e se deparou com 87 vindo em sua direção com Sakura sob a asa, Shane e Martino logo atrás.
— Ora, ora parece que cheguei no momento certo, hein?
Sakura gritou cobrindo a vista e se escondendo atrás dos três e ele se perguntou qual foi a do drama agora.
— Seu vira-latas filho da puta. É a segunda festa minha que você arruína em menos de um mês! – Martino latiu para ele.
— Não posso faz muito se você me atrai com o doce da festa, agora quer dar fim nisso? Me passe essa ratinha pra cá, que eu tenho negócios a resolver com ela. – Ordenou apontando a sub.
Shane e Martino se entreolharam e tiraram as armas pagando pela aposta dele.
Sasuke mordiscou a bochecha ciente de que não poderia pagar com uma metralhadora sem munição.
Longos segundos se arrastaram até e saber que um deles atiraria logo mesmo com Sakura ali.
As portas se abriram atrás deles e uma das gêmeas fodidas surgiu com um lança foguetes.
— Abaixa! – Gritou ao mesmo tempo em que atirou, 87 puxou Sakura pra abaixo de si. O foguete atravessou o corredor e Sasuke se atirou no piso entre a porta e parede vendo o projétil atingir as portas por onde ele viera. Fogo e concreto engoliram aquela parte e ele largou a sub de vez, engatinhando sob a fumaça até perto dos quatro idiotas.
Se ergueu sacando a arma mas Shane interceptou desviando eu pulso e o atingindo na costela, Sasuke puxou o braço de volta esquivando-se do avanço de Martino e acertando no pescoço de Shane com a mão onde levava um soco inglês. Este tropeçou para trás atordoado mas vivo.
Martino atirou num vaso que Sasuke empurrou nele a terra veio em sua visão e o fez recuar.
— Porque sempre se veste de branco se sempre vai se sujar? – Indagou, Martino rugiu de ódio e Sasuke atirou uma granada direto onde as cadelas estavam prontas para mandar outro tiro de foguete. Elas saltaram para longe da arma, outra explosão estremeceu toda a construção onde estavam.
— Não pode esconder ela e lutar comigo. – Avisou.
87 recuou segurando-a atrás de si e por fim parou, dando de ombros.
— Não pretendo.
E em seguida puxou Sakura como uma boneca e atirou-a através da janela ao lado. Ela gritou em pânico, e Sasuke quase subiu na janela. Congelando ao ver a pequena pousar num enorme lençol estendido acima do chão do pátio pelos outros sem nome. Eles abaixaram o tecido até o traseiro dela estacionar seguro no chão, a ajudaram a levantar e guiaram-na mais tonta que de costume para fora do pátio.
O que diabo ela fez no cabelo?
Sasuke recuou fugindo dos tiros e encarou 87 como se fosse a coisa que ele mais quisesse matar em anos, logo depois de Sakura.
***
— I-I-I-Isso não estava nos planos. – Sakura gaguejou, sentindo que poria todas as vísceras pra fora a qualquer momento.
— Alguns improvisos são sempre necessários.
50 e 43 a guiaram quase segurando-a o mais rápido possível para fora dali com os outros dando cobertura.
Eles atravessaram os esplendorosos jardins do castelo, carros fugiam da propriedade e tiros e bombas eram ouvidos de longe, intensos o bastante para o solo tremer sob seus pés.
O carro que a trouxe já estava a espera e a porta se abriu, Sakura se sentou ainda grogue e nervosa com tudo aquilo. E enfim encarou a mulher no banco ao lado.
— O-Onde está a senhorita Uzumaki?
Ino arregalou os olhos e se abanou, nervosa.
— Não tenho nada haver com nada!
— Ela acabou fugindo e como não era prioridade...
— Entendo.
— A senhora deve ir agora. Terá um helicóptero aguardando e vai estar fora de Luxemburgo antes do dia acabar.
— E 87? E aonde vou?
— Ele vai cuidar de distrair Sasuke e o passar a mensagem que ele precisar saber. A senhora tem que ficar escondida até ser convocada pela alta cúpula. Nem Sasuke nem nenhum deles pode saber onde está por um tempo. – 43 instruiu. Ela teve que concordar, relutante.
Esse era o plano, mas não era menos difícil cumpri-lo. As portas foram fechadas e o carro voou pela estrada.
— E então... – Ino iniciou. — Festa boa?
***
Sasuke não era o tipo que admitia desvantagem, mas não idiota de ignorar que estava em uma.
Outrora chutar o traseiro de outros dois herdeiros de casas importantes seria um bom bálsamo para seu ego. Mas estava tão puto que nem se apanhasse (o que jamais aconteceria) se importaria menos.
Já não havia mais armas entre os três além de facas e deram passos em círculo estudando os movimentos um do outro.
O fodido 87 havia escapado assim que pode, mesmo que com um bom corte no supercílio.
— Cacete, olhe só pra você. Um fodido doente mesmo, hein? – Shane sibilou, Sasuke estudou as palavras com atenção e mirou Martino.
— O que eles disseram pra você? Pretende realmente conseguir uma reunião com a alta cúpula para ela?
— Considerando a situação como nos foi passada. É quase uma obrigação. – Ele terminou, cortando o ar em sua direção, Sasuke desviou e repetiu o golpe na direção de ambos. Recuaram mantendo novamente a distância segura.
— Ela é uma louca suicida, Martino. Itachi a manipulo e agora ela acha que pode fazer algo sozinha.
— Sozinha certamente não pode, mas não está mais. Além que, quem é você para falar de manipulação? Controlou a garota, a Kuran, até mesmo outras casas, Sasuke? Aonde pretende chegar com tudo isso? Sakura é um sonho molhado, claro, mas tão longe por um rabo de saia?
Sasuke parou, saindo da posição de ataque e andou para trás, os encarando estreito.
— Está dizendo... Que acha que eu exterminei o clã inteiro. O meu sangue?
— A única testemunha disso apontou você e suas atitudes não tem sido as mais cristalinas há anos.
Ele quase riu.
— Aquela ratinha... Me acusou? Ela teve essa...
— Parece chocado, Sasuke. É assustador quando a marionete toma as cordas, não?
Sasuke esfregou a barba, por longos minutos até, como se houvesse saído da realidade um instante.
Sua mente nunca foi das mais lentas, mas tinha um certo mau hábito de que, uma ver acostumada a não esperar tal coisa de um determinado fator, tinha dificuldade em aceitar que este fator mudara.
Alguns diriam que era arrogância, mas ele pensava mais que era questão de reservar energia estudando e se precavendo de situações sempre novas.
De modo que ao menos concluir o que concluiu agora, e num sentido tão literal e leviano chega poderia deixá-lo atordoado, mas estava sem duvidas, puto a níveis homéricos.
Afinal, se realmente estava certo, Sakura o estava manipulando, usando como joguete, num jogo próprio, o usando com peão e bode expiatório.
Então não só a reunião com Martino fora usurpada por ela, como se tornou basicamente uma armadilha para ele, pois todo assassino ali adoraria os quinze milhões que a casa italiana estava oferecendo por sua cabeça.
O telefone de Shane começou a apitar quase junto do de Martino. Ambos verificaram sempre mantendo um olho nele, mas ao lerem, quase poderia ter esquecido.
— Ora, ora... Parece que ela segui o conselho do pai.
— E com muita boa vontade.
Guardaram os telefones e Martino suspirou teatralmente enquanto puxava outra faca do terno.
— Me sinto totalmente humilhado, Sasuke. Minha oferta por sua cabeça foi completamente coberta.
Sasuke continuou calado, contemplando a situação.
— Sua ex dama, acaba de por sua cabeça ao prêmio quase recorde de vinte e cinco milhões.
— Me pergunto se é um presente para si mesma. Ela fará vinte e cinco logo, não? – Shane comentou.
— Melhor ainda. Posso dar ele de presente, e ainda limpar minha honra ganhando esse dinheiro todo...
Sasuke olhou para trás, percebendo aproximação de Luca.
— Então, Sasuke...
— Por favor, facilite e morra hoje, sim?
***
—E-u ainda não tenho certeza... Será que não foi um exagero? É muito dinheiro... – Sakura disse, realmente insegura ao encarar o computador em frente a poltrona. 87 negou, estranhamente bastante relaxado mesmo com um corte tão feio no rosto que estava sendo suturado por um irmão. — Mas assim, vão perseguir ele ainda mais brutalmente... Eu não realmente matá-lo ou machucá-lo muito... Era só para ele Aprender a lição...
— Vai servir como recado.
— Mas acha que ele pegou?
87 até riu, e se recostou na poltrona, olhou a janela vendo as nuvens do espaço aéreo luxemburguês.
— Agora sim, ele deve ter entendido.
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