Vingador Vol. II
14 13. Dama Uchiha, Koyosegi e Coronation
Notas iniciais
Paris, um dia depois.
Sakura já sentia os dedos meio dormentes, a pele estava mordiscada em vários pontos por sempre prender-se nas reentrâncias dos encaixes das armas diante dela.
O relógio ao seu lado fazia um tic cada vez mais irritante, ela nunca detestou tanto o passar dos segundos, ou o olhar sereno e atento de Itachi a sua frente e como ele perturbadoramente parecia capaz de atrasar o próprio Tempo para montar uma arma tão rápido.
Ele disse que ela não precisava realmente ser tão ágil quanto ele, que era algo praticamente impossível, ou que só conseguiria vez ou outra, mas ainda era muito frustrante sentir como se seus movimentos fossem em câmera lenta comparados aos dele.
Era como um jogo de mente e corpo, suas mãos poderiam até gravar os movimentos, mas se seu cérebro não estivesse absorvido o bastante, o nervosismo ou pensamentos avulsos a faziam trocar a ordem da coisa toda.
— Esqueceu de conferir o número de balas. – Ele avisou, cordialmente.
Era um professor paciente, mas a essa altura não havia como ela ficar satisfeita com nada assim.
As coisas eram mais simples uma semana atrás.
Soltou um bufo frustrado, voltando a desencaixar o cartucho e olhar se estava cheio da balas douradas. Já sabia que estava carregado, mas ele insistia que deveria se acostumar a fazer isso, pois um dia, talvez não estivesse. E deveria estar sempre pronta para lidar com essa possibilidade.
Sentiu uma pontada na coluna, alertando-a que não havia dormido a noite inteira, seu cansaço mental voltou a ficar evidente, sua vontade de ter direito a desfrutar do luto pinicava o canto dos olhos dela. A mente traiçoeira insistia que tudo aquilo não passava de um absurdo jogo mental, uma tortura.
Sasuke estava mesmo vivo? Ele queria mesmo encontra-la?
Itachi não parecia interessado em responder mais que isso, ela não sabia se ainda queria saber mais, mergulhar mais quando sequer sabia nadar. Sabia que não era como se pudesse recusar, mas o que mais a perturbava era a possibilidade de estar contribuindo para algo ainda mais hediondo que a morte da sua família.
Itachi enfim se levantou da cadeira, olhando o relógio uma última vez.
— Vamos parar por aqui, durma um pouco e se troque, vamos partir para Roma logo.
Sakura pousou a arma incompleta na mesa com alívio, ter algo tão mortal na palma da mão, sendo ciente que seu próprio estado mental não era dos melhores a deixava angustiada.
Itachi saiu do aposento, e ela se levantou, cuidadosamente seguiu até a cama, tirando os sapatos se escondeu sob as grossas cobertas e apenas lá se deu a liberdade de investigar seu pequeno segredo novamente. O celular ligou, mas a bateria estava fraca e não pegava sinal algum. Com frustração, investigou os arquivos não encontrando nada, nem fotos ou sequer jogos. Na agenda, haviam apenas dois números com no máximo quatro dígitos. Discou um deles sem muita esperança e quase gritou mais de susto do que de exultação quando pareceu chamar.
O silêncio veio do outro lado.
— A-alô? – Balbuciou e um sinal agudo ressoou do outro lado.
— Falha no reconhecimento de voz. Protocolo de encerramento da linha e dos adjacentes iniciado em dez, nove...
Sakura se empertigou no lugar ante a contagem de uma voz feminina e impessoal. Afastou o telefone vendo a tela parecer dar indícios de que estava pifando.
— Eh? Quê? Pare!
— ...Quatro, três, dois, um. — E a ligação simplesmente caiu enquanto ela apertava os olhos temerosa de alguma coisa estrondosa acontecer que a denunciasse. Mas a tela simplesmente apagou e reascendeu voltando a tela inicial normalmente.
— U-ué...?
*
— Ué... Isso era pra acontecer mesmo? – Naruto disse, com uma cara de tacho. Observando o maxilar de Sasuke travado de raiva, Karin duvidou.
As chamas e fumaça davam fim no andar em que o apartamento que ele disse que precisava passar se localizava. As sirenes do corpo de bombeiros já se aproximavam e Sasuke deu a volta, furioso.
Kakashi observou o padrão do incêndio com olhos estreitos bem como relembrou o som da explosão que aconteceu poucos minutos antes de chegarem.
— Isso me parece um protocolo...- Comentou.
— E era. – Sasuke rosnou, voltando para o carro.
— Algum outro lugar em que queira ir?
Sasuke suspirou, aborrecido, porém não era como se pretendesse economizar todas as suas cartas. Abriu a porta do carro.
— Tem um lugar.
Era uma boate, bem cara e decadente, Sasuke adentrou o andar primário, a iluminação, praticamente nula entrecortada por flashs de luzes vermelhas, azuis e roxas revelava a movimentação bastante considerável visto a hora. Mulheres serpenteavam em postes pretos, muita fumaça de maconha preenchia o espaço, uma música eletrônica de tom decadente ressoava não muito alto.
Era uma vez em uma terra distante
Lá vivia um menino e ele bebia o dia todo
Amigos o chamavam de estúpido e seus irmãos o chamavam de gay
Esvaziou todas as garrafas até que a dor fosse embora
Sasuke cruzou o espaço, sob todos os olhares, as dançarinas e atendentes do balcão, pareciam reconhecer sua presença e aprecia-la.
Ele se sentou no bar e uma dose de algo forte lhe foi prontamente oferecida.
Whiskey era seu amigo
Ele não tinha outro
Vicodin seu vício
Seu amante real e único
Sim
Fumou um ou dois pacotes
Nunca foi um problema
Colocou uma pílula ou duas
Realmente o fizeram florescer
Sim
— Vai encontrar alguém? – Kakashi disse, um pouco desconfortável com a recepção das moçoilas, lhe oferecendo bebidas e acariciando os ombros, Naruto aceitou uma dose grátis de bom grado e Shikamau mantinha aquele típico olhar de policial, como se se coçasse para apreender aqueles cigarros suspeitos.
Tome um gole, tome um gole, tome um gole
E uma viagem, e uma viagem, e uma viagem
E eu curto
Você reclama, você reclama, você reclama
Falso hipócrita, puta merda
— Você não é o único a manter certos contatos. – Sasuke devolveu, puxando o quadril de uma das garçonetes, ela praticamente se enrolou nele de bom grado, usava apenas um top de couro, e um short que mais parecia uma calcinha sobre meia calça arrastão. Ele disse algo em seu ouvido e a dispensou logo com uma palmada de premiação no traseiro. A garota deixou a bandeja sobre o balcão e seguiu muito empolgada até um elevador.
Era uma vez em uma terra distante
Vivia um garotinho e ele chorava o dia inteiro
Revistas de coelhinhas da Playboy nunca o fariam transar
Ele virou outra garrafa até a dor desaparecer
Sasuke pegou a bebida e suspirou, ainda muito aborrecido.
— O que pretende aqui? – Naruto disse.
— Preciso de armas, um bom plano, dinheiro, e um bom plano.
— Então você vai mesmo atacar na festa do Martino? É quase suicídio. – Kakashi avisou.
Whiskey era seu amigo
Ele não tinha outro
Vicodin, seu vício
Seu amante real e único
Sim
Fumou um ou dois pacotes
Nunca foi um problema
Colocou uma pílula ou duas
Realmente o fizeram florescer
Sim
— Essa vida é um suicídio. Nada novo sob o sol. Não pretendo matar Martino a não ser que ele se meta no meu caminho.
— Você e Martino se conhecem desde as fraldas, mas deve entender como ele vai e deve se sentir ofendido por estragar o momento dele. Querendo ou não matá-lo, se fizer algo tão ousado ele vai e sentir na obrigação de retalhar. Ainda mais tendo acabado de assumir a casa, vai estar sob pressão de se mostrar um bom líder.
— Martino sabe que não quero confusão com ele, ele me deve a vida e vice e versa. Italianos são bem leais a suas dívidas. Mas não sabemos se ele não está metido no jogo do Itachi. Se estiver, não posso deixar passar.
— Ah, que droga.
Sasuke deu de ombros, como se fosse óbvio. Não demorou para que a mesma garota voltasse do elevador e pegasse a bandeja de volta.
Tome um gole, tome um gole, tome um gole
E uma viagem, e uma viagem, e uma viagem
E eu curto
Você reclama, você reclama, você reclama
Falso hipócrita, puta merda
— Ele está lá em cima. – Ronronou. Sasuke deixou uma nota enrolada dentro de seu decote e se levantou seguindo ao corredor. Sem muita opção, eles o acompanharam. O elevador reabriu num andar cheio de portas, algumas eram completamente transparentes deixando total visão do que acontecia lá dentro. Garotas montadas em velhos barrigudos ou orgias entre jovens, a música era mais alta ali.
Tome um gole, tome um gole, tome um gole
E uma viagem, e uma viagem, e uma viagem
E eu curto
Você reclama, você reclama, você reclama
Falso hipócrita, puta merda
E no fim do corredor, uma porta escura revelou um escritório espaçoso e de ar um tanto extravagante, havia um aquário de areia onde lagartos de aparência pouco simpática observavam o redor. Também serpentes e até um escorpião noutras caixas embutidas na parede.
Um sofá escuro e circular em torno de uma mesa de centro e mais a frente uma grande mesa de mogno. Onde havia uma cadeira de couro virada de costas para eles.
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
Sim
Foi então que uma cabecinha ruiva se levantou acima dos sofás, uma garotinha de cerca de sete anos, com o cabelo ruivo preso em uma fita e grandes olhos castanhos, os encarou não parecendo assustada, mas curiosa, e correu do sofá até a mesa, onde parou do lado da cadeira e segredou a presença deles.
Sasuke apenas seguiu adiante e se sentou na cadeira em frente a mesa.
Tome um gole, tome um gole, tome um gole
E uma viagem, e uma viagem, e uma viagem
E eu curto
Você reclama, você reclama, você reclama
Falso hipócrita, puta merda
— Com medo de eu ser uma assombração? – Comentou, desinteressado. A garotinha subiu no colo da pessoa da cadeira e esta enfim girou dando-os a contemplação de ninguém menos que Gaara no Sabaku, vestido num caríssimo terno branco, a beleza nipo-europeia ainda mais assombrosa pela idade e óbvio luxo do qual desfrutava, um charuto na boca e o cabelo ruivo penteado para trás. Ele sorriu para Sasuke daquele jeito cínico que encantou a garotinha em seu colo tal qualquer garotinha olharia o pai, e mostrou as mãos dando de ombros.
— Ora, meu amigo, nós bem sabemos que você está mais pra um demônio do que uma assombração. Demônios sempre voltam, apenas aguardei.
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
Todo mundo fica chapado
(Everybody Gets High – MISSIO)
*
Estação Termini, Roma, duas e trinta e cinco da tarde.
Sakura desceu do trem com um olhar acuado em torno. Nunca havia estado fora da Inglaterra desde que chegara nela, seu conhecimento de italiano, francês, alemão e russo era muito básico, sendo essas duas últimas línguas as mais difíceis para ela. Seu próprio sotaque japonês fazia sua dicção ser própria de uma criança aprendendo a falar. Tampouco era isso que mais a assustava, e sim a nova companhia que tinham, que a deixava severamente perturbada.
Os grandalhões que antes os acompanhavam com olhares de rapina, era ao menos silenciosos e imperscrutáveis, o que os fazia oferecer um grau menor de perigo, posto que não tocavam um dedo nela sem ordem de Itachi. No entanto, os homens que agora acompanhavam eles, os recebendo já na saída do trem, não disfarçavam a total apreciação e deleite em estar na presença dela ou de Izumi. Esta parecia tão pouco interessada quanto sempre. E Itachi continuava seu caminho com sua habitual impenetrável expressão.
Dois carros luxuosos e espaçosos os aguardavam, Sakura entrou e não evitou se espremer contra o banco, quando um homem italiano fez questão de sentar ao lado dela, observando-a com minúcia. Itachi e Izumi sentaram a sua frente e ele por fim tirou um cigarro do bolso.
— Signore Itachi está muito bem acompanhado hoje, hã? Já conhecia sua beldade Izumi, mas não conhecia esta aqui.
— Humpf. – Izumi ignorou.
— Como está Martino? – Itachi disse, Sakura pressionou os dedos contra a beirada do vidro da janela, focando na visão do Coliseu acima de alguns prédios a algumas quadras onde deveriam estar passando.
— Muito empolgado. Principalmente para dançar com as noivas. Espero que não se importe de participar da tradição, signora Izumi.
Izumi deu de ombros e ele se voltou com todo interesse para Sakura.
— E a signora também. Que se chama?
— Deixe-a em paz, Dante. Não vai gostar de saber a quem ela pertence.
*
— Seu maldito... – Tão logo o sangue ferveu em suas veias, Shikamaru fez menção de avançar sobre a mesa e socar o cunhado.
Gaara o fitou com uma quase inescrutável centelha de reconhecimento, mas apenas suspirou com desânimo e deu uma olhada acusatória a Sasuke, e este apenas apontou Kakashi com a cabeça, eximindo-se com prazer, de qualquer culpa.
A garotinha no colo dele, foi a única coisa que impediu Karin de deixar o Nara ter a cabeça dele.
— E as surpresas não param. – Gaara falsamente se empolgou.
— Quem são eles, papai? – A menina perguntou, muito sapeca.
Gaara a pôs no chão, com um breve sorriso paterno porém não menos caloroso.
— Uns amigos do Sasuke, vai lá cumprimentar ele, não disse que ele era seu noivo?
Sasuke arqueou o cenho, e percebendo seu mero olhar sobre si, ela disparou para uma discreta porta ao fundo e saiu por ela.
— Aproveite e chame a Odessa! Preciso dela aqui. – Ele gargalhou maldosamente.
— Você é sádico até com a pentelha.- Sasuke ironizou.
— Ora o que eu deveria fazer? Deixar ela alimentar a uma primeira paixonite logo por um matador filho da puta que nem você? Posso ser um bandido mas quero o melhor pra minha herdeira. Inclusive estava pensando em convento.
— Sádico.
Gaara nem se importou, apenas se recostou mais na cadeira arrumando o terno confortavelmente.
— Então, que planos o trazem aqui? Sei que não foi pra me dar a alegre notícia de que vaso ruim não quebra. Apesar que confesso que foi bem convincente...- Ele tirou um jornal da gaveta e largou sobre a mesa, Sasuke não demorou muito o olhar. Era a uma matéria do jornal inglês sobre o incêndio que vitimara quase todos os Uchiha.
— Itachi armou, parece que quer subir como cabeça, talvez até uma cadeira no conselho.
— Puta merda! O seu irmão?! Espera... – Gaara se inclinou para frente, o fitando. — Como ela está?
Sasuke o devolveu o olhar sombrio que sempre o fazia lembrar porque de todas as opções, trai-lo ou deixá-lo na mão não era pra se cogitar.
— Está com ele.
O ruivo, o encarou longamente e então, se ergueu.
— Vai falando, tenho tudo o que precisa.
— Eu sei que tem.
*
O local se chamava Villa D’Antônio, uma fabulosa construção ao estilo renascentista, cercada de pessoas armadas, e um ar de castelo completamente sublime.
Sakura não poderia dizer que ficou satisfeita em ficar sozinha como das outras vezes. O aposento em que a largaram era tão opulento sombrio, com enormes quadros antigos a vigiando, que lhe causava um nervosismo sem igual, a varanda disponível dava para um verdadeiro precipício, uma queda direta ao concreto e ainda sob a visão de gente armada.
Ela se aproximou da cama gigantesca, ainda inquieta, e seu coração deu um salto quando a porta foi novamente aberta, achou ser Itachi vindo retornar com seu jogo, mas a cor lhe sumiu a face ao dar com Luca Sorello, o homem do carro. Ele fizera muita questão se se apresentar, chegando a tentar iniciar diálogo até mesmo em japonês muito fluente até, ela teria tido um ataque se não tivesse chegado a casa logo.
— Signora, vim verificar se as acomodações estão agradáveis.
Não fosse o medo pinicando sua pele, ela riria, aquele quarto seria muito até para um deus.
Assentiu fracamente, mantendo o olhar fora, apenas nos pés dele.
— Io sto bene... – Ciciou.
— Ah, ficamos muito satisfeitos. – Ele a fitou longamente, Sakura esfregou os braços, sobre o casaco que vestia, incomodada com seu olhar vagando sem pressa sobre si, os olhos azuis brilhando de fascínio.
— E ‘belo come um angelo, o force uma dea, signora. As palavras do Corvo me deixaram curioso, mas espero que não signifiquem grande impasse, mal vejo a hora de vê-la na festa. E claro, desfrutar da sua companhia. – Com uma breve reverência, ele se retirou com o melhor dos humores.
Sakura não sentiu as pernas depois que ele se virou, então quando a porta finalmente fechou, ela ficou no chão, então apenas se arrastou até a beira da cama, apertando a colcha entre os dedos e forçando o choro contra o tecido.
Porque isso tudo tinha que estar acontecendo?
Porque estava tão perdida entre esses objetivos alheios, manipulada como uma boneca?
Porque parecia que não havia ninguém por ela?
Porque sentia que nem mesmo ela deveria mais lutar por si mesma?
*
— Pistola Hecker e Koch P30L, equipada com compensador personalizado. – Gaara era como um vendedor empolgado com uma grande e lucrativa compra, só que tinha uma enorme sala escondida repleta de armas.
Só podiam concluir que ele expandiu e se especializou bastante durante esses últimos anos. Sasuke pegou a arma testando o encaixe e a mira, e o ruivo, com um controle, apontou uma parede livre que se abriu revelando uma pequena sala onde só havia um manequim com um alvo desenhado no tronco.
— Fique á vontade.
— O que tem de sniper? – Kakashi indagou, interessado.
— Ah, pode vir, tenho algo que vai adorar. – Ele seguiram até um balcão envidraçado e ele tirou uma espécie de carabina. — Carabina Ruger M77, com supressor e bipé, claro. Sou generoso.
— É maravilhosa, não estou podendo fazer muito mais do que dar apoio tático mesmo...
Sasuke atirou no manequim, a sala abafava o som, ele suspirou retirando o cartucho.
— Quero mais duas de apoio, e algo mais... bruto também.
— Hmmm. Tenho essas duas, Glock 26, e pistola Walther P99. – Indicou, Odessa, uma belíssima dama porto-riquenha se aproximou com um sorriso muito branco e portando duas armas, Sasuke pegou uma e desmontou num piscar, estudando cada peça.
— Como conseguiu tudo isso? – Karin teve que indagar.
— Apenas contatos certos, alguma grana e claro, um ótimo tino para os negócios.
— Além de nenhuma humanidade e caráter. – Shikamaru pontuou, observando o armamento.
— Ah, é aquele ditado: “Eu apenas vendo, o que fazem com elas não é da minha conta”, cunhado. Aliás, o que faz aqui? Desse lado do jogo? Resolveram rever alguns conceitos? – Gaara rebateu, com uma leveza invejável. — E quanto ao que você quer, Sasuke. – Ele pegou uma arma pesada e longa de estilo robusto, Sasuke se aproximou, interessado. — Tenho essa Benelli M4 Super 90. E aquela Coharie Arms CA-415/HK 16, cano encurtado, mira RedDot E0 Tech 553, visão holográfica e aperto vertical. – Odessa segurava a dita arma, Sasuke a pegou com bastante satisfação.
— É disso que estou falando.
— Boa. – Kakashi concordou.
— Algo mais?
— Uma boa faca, e granadas.
— Sasuke... – Kakashi avisou.
— Apenas para o caso de Martino precisar de ajuda pra animar sua festa.
— Adoro festas bombásticas, assistir de longe, claro. – Gaara esfregou as mãos, empolgado.
— Que bom, porque vai me ajudar a entrar lá. – Sasuke declarou, o ruivo o fitou, surpreso, então voltou-se ligeiramente para a assistente.
— Odessa, leve Roselly para o motorista e o mande dar uma volta na sorveteria com ela, isso aqui vai demorar.
Ela assentiu, deixando a sala logo em seguida, Gaara retirou o terno e o pousou na bancada, empurrando as mangas da camisa para cima até os cotovelos. — Então, Roma, não é?
*
— Está ficando boa. – Sakura se sobressaltou na cadeira e olhou por cima do ombro, encarando Itachi, então, constrangida, olhou a arma entre os dedos.
Não era como se quisesse melhorar arduamente, mas precisava de um jeito de ocupar as horas de ócio a qual estava sujeita naquele lugar. Um empregado lhe trouxe uma farta refeição, e avisou que a tinha permissão de circular na casa, caso quisesse. Mas ela não estava interessada em encontrar seus anfitriões, seja lá quem fossem.
Itachi deixou uma caixa preta grande e achatada sobre a cama, atada com um laço de seda cor champanhe.
— O que é isso? – Indagou, embora não esperasse uma resposta clara.
— É para a festa, um evento muito importante, se tudo sair como planejado, estaremos a um passo de uma pequena revolução, e você e Sasuke, da paz e liberdade. – Ele declarou, sentando-se a sua frente no sofá, Sakura deixou a arma sobre a mesa de centro e engatinhou até perto de seus pés, o fitando de baixo com os olhos vermelhos.
— Paz? Liberdade? E isso realmente ainda existe? E você, Itachi?
Ele a fitou longamente e pela primeira vez ela viu sombras e cansaço em seus olhos profundos, Itachi afagou sua cabeça suavemente e quase que segredou.
— Não existe liberdade ou paz para um homem que executa a família. – Concluiu, Sakura engoliu um bolo, e apertou sua mãos, abaixando o rosto contra o joelho dele, orou e chorou por esta alma atormentada, mas não sabia dizer se queria realmente que ele, ou ela fossem salvos.
Por algum motivo, existia uma certa simpatia, que não conseguia entender, em relação a este assassino, bem lá no fundo, cutucando sob sua pele e a fazendo sentir-se quase uma hipócrita.
Talvez só estivesse enlouquecendo para acompanhar esta nova realidade.
Mas ela insistiu, e focou sua prece apenas nele, Itachi identificou sua intercessão e suspirou, exaurido.
— Fé não vai salvá-la.
Sakura ergueu seus grandes e brilhantes olhos para ele, com uma grossa lágrima descendo, ela balbuciou com um sorriso agridoce, misericordioso.
— Quero salvar você.
Itachi entreabriu os lábios repentinamente, estudando-a como se fosse um animal raro, então, pareceu concluir que já deveria esperar por isso. E soltou um breve riso anasalado, por um segundo, ela sentiu-se em casa novamente quando discutiam como ganhar no xadrez e nas cartas, ou perturbavam a paciência de Izuna.
Então ele sorriu de maneira mordaz e enigmática e se encurvou na direção dela, segurando sua mão, e com a outra, enxugando sua lágrima com o polegar, encarando-a atentamente.
— Já brincou com uma Koyosegi, Sakura?
— Koyo-...segi...? – Demorou para ela processar a palavra, e ainda assim não entendeu a necessidade dela agora, Itachi foi paciente como sempre.
— Porque você será a minha.
Ela o encarou, muda. Não fazia sentido.
— Mas, enquanto se arruma, quero apenas que faça uma coisa. – Ele continuou, levantando-se e seguindo até a porta. — Lembre-se de tudo que já conversou com Mikoto.
Sakura se virou, em choque, mas viu apenas a porta se fechar calmamente.
— Veena...-sama?
*
Roma, cinco e vinte duas da tarde.
Passaram pela magnífica Piazza Navona, em seu caminho para um aconchegante hotelzinho, Ino contava as poucas sementes de amendoim que lhe sobraram, e os depositou dentro da bolsa para o ratinho obeso comer, decidida a arranjar outro lugar pra ele que não fosse sua bolsa quando finalmente parassem um pouco.
Ocuparam apenas dois quartos e pela postura já claramente alerta de Sasuke e Kakashi á cidade, eles notaram que dormir não era uma opção.
Estavam num dos ninhos das cobras.
— De quem a menina é filha? – Shikamaru quebrou o silêncio de vigília instaurado, Karin já esperava que ele não fosse segurar muito.
Temari havia errado muito com Gaara, e sempre se ressentiria de não o ter alcançado quando podia. Mas Gaara escolheu seu caminho, e mesmo não podendo fazer nada para interceptá-lo, sabia que Shikamaru queria ao menos dar um breve consolo e dizer a esposa que o irmão dela estava vivo, ao menos ainda.
Sasuke se limitava avaliar o mapa dos túneis e catacumbas abaixo de Roma, fornecido por Gaara.
— Quem sabe, talvez de alguma peguete de Tokyo, ou de Londres, ele simplesmente passou a cria-la, não temos tanto contato, só o procuro quando preciso, ele me dá o que quero, e em troca até arranjo clientes para ele além de manter-se fora de vista.
— Apenas um trato, huh?
— Sempre foi, deixe-o ter a coisinha pura dele. O problema não é ter sua própria caixa de sanidade, é conseguir mantê-la a salvo da insanidade alheia.
— Quando vamos começar? – Kakashi disse.
— Preciso ter certeza de que o primeiro movimento é meu. Vou averiguar essas entradas que Gaara indicou, já estive em Caracalas, é enorme, porém bem ao estilo D’Antônio para suas festas.
— Damian pode conseguir que entremos, o problema é você, nunca vai conseguir passar ali desapercebido, meu caro.
Sasuke sorriu á sua moda arrogante.
— Só preciso de discrição até um ponto.
— Isso me faz ter que pontuar, que pode ser tudo mais simples, se focarmos apenas em Sakura. – Ele declarou, o olhar enviesado. Sasuke bufou. — Você está sedento por sangue, e não posso culpa-lo, mas isso tudo não valeria a pena se não fosse por Sakura.
— Então você quer dizer que o sangue deles não vale a pena?
— Você sabe o que quero dizer. – O tom de Kakashi subiu oitavas perigosas. — Seus pais, sua família, eles nunca mentiram sobre quem são, nem para si mesmos. Você sabe que nunca poderá acusa-los disso, nunca foram mentiras que o afastaram de casa, mas a verdade, você não pode aceitar a verdadeira natureza do seu sangue, e seguiu seu caminho. E sua família o dela, sem contudo, largar de tentar te trazer de volta porque você é o filho amado deles. – Apoiando-se na bengala ele fez algum esforço pra se erguer. — Eles sabem o que são e sabem seu valor, tanto comparados aos do seu mundo, quanto ao mundo de Sakura. Eles sabem que não valem mais que ela, como seres humanos, você sabe que não vale mais que ela e que é tudo culpa sua. Não os culpe por suas decisões egoístas, estão todos no mesmo nível. E não castigue Sakura, porque é o que vai acontecer de um jeito ou outro se você não fizer isso direito, filho.
Batendo suavemente em seu ombro, ele seguiu até a saída, mancando com uma careta de dor, ás vezes a perna começava a doer pelo tempo em pé ou em movimento, e foi um dia exaustivo.
Sasike se recostou na cadeira, esfregando a barba com um olhar sinistro e ao mesmo tempo desmoralizado, apenas encarou a janela.
E então brincou de montar e desmontar a arma.
*
“— Esse mundo, ás vezes funciona de forma que parece incompreensível.
Sakura a fitou através do espelho, os ombros retesando enquanto a sentia pentear seu cabelo calmamente, Mikoto a fitou ligeiramente e suspirou.
— Não estou tentando relevar o que aconteceu, não vamos discutir isso agora. – Avisou, Sakura voltou-se ao espelho, encarando o fundo dos próprios olhos enquanto a ouvia. — Como disse, ás vezes parece que o mundo funciona apenas sob o caos, incompreensível. Talvez seja tudo exatamente assim, eu não acredito que aja uma ordem maior para tudo, tal como você, querida. – A jovem não pode deixar de se encolher em constrangimento.
A última coisa que conseguia pensar agora era nesta ordem maior, ou aceitar que ela estava guardando algo além para ela, quando a deixou passar por aquilo naquele carro.
Talvez fossem pensamentos blasfemos, mas não era como se sentisse amparada agora.
— Mas, ainda acredito que aja sim uma linha, várias linhas e que quem as conduza esteja tão próximo da nossa natureza quanto imaginamos.
— Que quer dizer?
— Sakura, sabe por que você foi escolhida para desposar Sasuke?
Sakura baixou a cabeça, encarando os dedos nervosamente, o anel lhe trouxe um sentimento de perda enorme, um medo de perda. Passara um longo tempo temendo o que este anel lhe poderia trazer, agora, sentia como se ele pudesse ser arrancado de si, por conta do que havia acontecido.
Não sabia porque Veena escolheu logo ela, ela não era o tipo de mulher romântica ao ponto de trocar promessas com outra pessoa que envolvessem a felicidade de seu filho.
Não achava que ela trocara esse acordo com sua falecida mãe. Nem lhe parecia completamente viável que a escolhesse apenas em prol da velha amizade, e claro, não sabia porque Sasuke a aceitara, afinal e uma partezinha dela ainda tinha sérias dúvidas de que ele estivera longe para não se submeter a tal acordo.
Essa perspectiva agora a machucava, pois a possibilidade de ele a deixar, desistir e sumir, agora que gostava tanto dele, era muito cruel, e não impossível.
Sasuke era encantadoramente sombrio, e absolutamente, imprevisível. A forma como ele conseguia quebrar suas defesas e penetrar sob sua pele, ás vezes a fazia duvidar que ele era humano.
— Não. – Admitiu, enfim.
Mikoto continuou deslizando as cerdas do pente em seu cabelo.
— Eu também não. – Comentou. — Mas aconteceu, algumas coisas não podemos evitar. Um dia, você talvez seja capaz de compreender porque foi parar aqui. Mas o que quero que saiba, o que é mais importante, é que você já é uma Uchiha. Você é Uchiha Sakura. E os tempos estão mudando, você terá que acompanha-los, vai chegar o momento que você achará que se perdeu, e que não tem armas para lutar e principalmente, para permanecer ao lado de Sasuke.
— Sasuke...? Ele realmente me quer?
Mikoto riu suavemente, começando a prender seu s fios.
— Tenho a impressão de que já descobriu o vai descobrir logo. Sasuke é taciturno, sutil e ás vezes indiferente, mas não á você. Você o tira do eixo, meu bem, esta é sua arma contra ele, e deve aprender a usa-la.
— Devo?
— Homem e mulher não são inimigos, Sakura. Mas eles devem saber quando domar um ao outro. Não deixe Sasuke te domar, você percebe como ele é voluntarioso, tem pose de superior, e ele é, em muitos aspectos, mas nem sempre pensa com a cabeça, e estou me referindo ás duas... Uma vez fora de controle, ele é uma força da natureza. Você é, a partir de agora, o epicentro dele, você deve zelar por seu equilíbrio, bem como ele por sua segurança. Uma Dama Uchiha é muito mais do que a bela e mortal mulher ao lado do homem, você e Izumi tem que aprender, que uma vez ao lado de seus companheiros, é para a vida, e para a morte. Vocês tem de permanecer ao lado deles, não significa que tenha de lutar, ás vezes só precisa ser o fôlego dele. Seja o fôlego de Sasuke, Sakura, aquele que tomamos no momento mais ruim e que nos obriga a pensar com calma. Quando eu digo que deve estar preparada para ir para a morte com ele, não significa que não deva questionar o porquê, no momento. Sua intromissão pode ser a chave da ascensão ou ruína dele. Vocês são um só a partir de agora, seja como parte frágil ou não, você não pode se tornar um apêndice dispensável.
Veena a virou para si, as mãos em seus ombros, os olhos gelados agora transmitiam poder e saber, e Sakura quase sentiu como se pudesse absorvê-los.
Ela poderia? Poderia se tornar ao menos um terço do que esta mulher era? Poderia ser um pilar para Sasuke bem como ela era para Fugaku mesmo eles se vendo tampouco?
De fato, apesar de constatar solidão nela ao falar do marido, Veena nunca se mostrou distante, não como se mostrava sentir de seus filhos. Em relação a Fugaku, sempre que os via juntos, Sakura sentia como se eles sempre estivessem estado juntos. Não havia aquele estranhamento de quando não se via alguém por muito tempo, nem tampouco uma demonstração de saudades explícita.
Fugaku assumia seu lugar como se sempre estivesse estado lá.
Ela poderia ter isso com Sasuke? Essa ligação acima do físico e papável? Estar lá para ele e o ter de volta com a energia de sempre, sentir sua falta mas permanecer confiante?
— Quando ele for cabeça, seja coração, quando for vísceras, seja sangue e nervos. Quando for frio, seja cautelosa, pois mesmo a frieza pode trazer decisões erradas. Quando ele for quente, seja terna e lidere. E quando ele fraquejar, seja o mais forte pilar para ele. Pois estar ao lado dele lhe faz uma dama Uchiha, mas ele tem que estar mais que preparado, para ser digno da sua senhora, e de ser um Uchiha também. Sim?
— Sim...
— Você será diferente de todas as outras, isso lhe será dificultoso, mas você já passou por muita coisa, Sakura e sozinha, com Sasuke ao seu lado, você pode ir muito além, e o levar além também. É nisso que tenho fé. Agora vamos procurar algo para vestir, uma Uchiha está sempre impecável, não importa o que haverá de estar a sua espera, seja uma ordem, ou próprio caos.”
Diante o espelho, ela procurou absorver novamente o significado daquelas palavras e lidar com os enigmas daquele olhar tão gelado em imponente.
De fato, nunca seria uma Mikoto Uchiha.
Mas seria Sakura, e parte mais forte de si carregaria aquele sobrenome.
A porta rangeu suavemente, Itachi adentrou, parando a alguns metros para observar seu perfil, o vestido, um modelo diferenciado de noiva, tom de areia, bordado com centenas de cristais lilases, uma fenda em frente era um tanto alta demais para seu gosto, mas criava o delicado arrastar de uma cauda.
Sakura nunca havia se imaginado como este tipo de noiva, ainda mais nesta situação. Mas não era como se não pudesse se enxergar ali, como se fosse outra pessoa que desconhecesse.
Itachi era sempre mais atencioso do que demonstrava, e se ele a via naquele traje glamoroso, se Veena via sua próxima substituta, era porque sabiam que ela tinha essa capacidade, e que só precisava encontrar em si mesma.
— Está magnífica. – Ele declarou, ela voltou a se encarar no espelho, ainda um pouco incerta disto, o vestido deveria ser só mais uma parte de sua presença, mas não teve muito mais disposição para maquiar-se se não para ocultar o abatimento visível no rosto, e pentear os cabelos e deixá-los soltos.
Percebeu Itachi se aproximar com uma nova caixa e pousa-la sobre a penteadeira.
— Vou lhe explicar o básico. – Disse, pegando o cabelo dela com uma sutileza assombrosa, ela não notaria se não o estivesse assistindo através do reflexo. — A festa é para o herdeiro dos D’antônio, Martino, ele vai assumir a cabeça do sindicato do crime daqui da Itália, é uma festa grande, particular e cheia de gente perigosa firmando seus acordos e reafirmando tratados.
— Sindicato...? Máfia?
— Quando Sasuke a levou para jantar...- Ele começou, ela não pode deixar de resfoguelar com a lembrança do suntuoso ambiente, dos momentos que tiveram tão extremos em emoções e sensações. Itachi abriu a caixa, era preta e do tamanho de uma caixa de joias mediana, por isso ela não estranhou tanto que houvessem joias mesmo lá. No entanto, sua atenção firmou no interior da tampa de veludo vermelho, onde havia claramente gravado, em linha douradas um desenho que formava uma folha singular. — Você notou algo diferente?
“— Esse símbolo...?
— É como um cartão de crédito exclusivo. – Ele disse. — Uma moeda restrita, para determinados serviços. – Sakura fitou seus olhos.
— Que tipo de serviços?
Ele aproximou o rosto, e com a mão, envolveu a dela, fazendo-a sentir a peça de ouro gelada entre as palmas.
— O serviço que quiser, basta que o lugar tenha esta mesma folha.”
— Folha...
— A Folha, é o que você chamaria de um conselho popular formado por grandes nomes do meio do crime, não crime organizado, exatamente, ou de máfia ou colarinho branco. Somos um grupo grande porém como propósitos muito mais perigosos e discretos.
— Que propósitos?
— Não é importante agora, o importante é que preciso de você para que os planos que estou fazendo se concluam, e então, ao menos uma parte estará cumprida.
— E quanto ao resto? – Ele inspirou, e catou dentro da caixa uma delicada tiara de prata, com pétalas do que pareciam ser cristais rosados como imitação de flores, ele pousou-a em sua cabeça, encaixando-a entre os volumosos fios.
— O resto, deixarei para você e Sasuke.
Sakura o fitou de lado, assombrada.
— Não é como se tivesse armado para deixar em suas costas. Mas é que ele é o único que pode termina-lo. Sasuke é um transgressor, extraviado, desertor, aquele que transgrediu e quebrou todas as regras que regiam nossa existência, criou as próprias, e principalmente, sobreviveu além do que qualquer um que tenha feito isso já foi. Por isso, não existe mais ninguém capaz de proporcionar esta mudança além dele.
Sakura suspirou, abatida. Este novo caminho parecia não só mais tortuoso do que imaginara, mas também desumano.
— E a mim? Qual o meu verdadeiro papel nisso?
Itachi pegou um delicado kanzashi com pétalas de cristal e enrolando um punhado de suas mechas, o prendeu neles. Ela se sentiu uma boneca sendo preparada para a venda.
— Seu papel, é ser exatamente o que sempre foi. A ruína de Sasuke, sua maior obsessão, aquilo que o faz ir além de toda e qualquer expectativa. Seu papel é ser Sakura, a mulher dele, e por quem ele vai matar qualquer um para manter em segurança. Está perfeita, hora de ir, ah, apenas não perca isto, jamais. – Ele indicou o enfeite de cabelo e por fim, tirou da caixa uma fina corrente prateada com uma chave muito bonita com gravações entalhadas, ergue-a na sua frente e com o outro indicador, aconselhou.
— Também não perca isso, quando esta noite acabar, precisará estar com o enfeite e a chave a salvos consigo, tudo dependerá deste pequeno passo, Sakura.
Sakura assentiu, lentamente, e ele pousou a chave em sua palma, a forma como deixou á sua escolha que escondesse o item como achasse melhor, a fez sentir-se um pouco mais independente até.
Mostrou que ele confiava em suas escolhas.
Talvez ela não fosse só uma boneca.
Não era o que fora educada pelos Uchiha para ser.
— Lembra que disse que seria minha Koyosegi, Sakura? – Ele indagou, pegando seu braço e enlaçando ao próprio enquanto a conduzia para a saída do quarto.
— Sim.
— E sabe o que é?
— Uma... caixa. – Ela nem tinha mãos certeza, sendo ele que indagava.
— Uma caixa de segredos. – Ele corrigiu. — É uma caixa cheia de compartimentos e mecanismos ocultos, geralmente concebida para exercitar a mente, mas principalmente para guardar segredos.
— Um teste?
— Os dois. Você vai ser a portadora dos segredos necessários para por a Folha em cheque. Essa é a sua missão, mas você ainda vai precisar desvenda-los para saber como usar, ou melhor, Sasuke vai.
— Sasuke... Eu vou vê-lo? Ele vai estar lá? – Agitou-se, enquanto cruzavam a grande sala em direção a saída.
Itachi a fitou de lado, sombriamente o bastante para fazê-la fraquejar em sua ansiedade de rever o noivo.
— Eu realmente espero que esteja.
Nove e vinte cinco da noite.
— Todo mundo pronto, eu imagino. – Kakashi concluiu ao ver os homens aprumando os trajes de gala no corpo, Ino e Karin deixaram o outro quarto dentro de caros vestidos de noiva, um azul celeste, e um de tom lavanda, respectivamente, ambos com muitas camadas de saia propositais para carregarem armas discretamente.
— E pensar que prometi que nunca usaria um desses na vida. – Ino resmungou, aborrecida com o peso extra. Já Karin nunca se incomodara realmente com a ideia de casamento, mas sendo um pouco tradicional, sabia que optaria por um casamento japonês mesmo.
— Suigetsu iria gostar de ver isso. – Naruto brincou, ela revirou os olhos mas não pode deixar de se encabular minimamente com a ideia.
— Tem certeza que vamos passar de boa com isso? – Shikamaru disse, segurando duas armas e um coldre axilar.
— Acredite, gente armada lá não vai faltar. – Kakashi explicou. — É uma confraternização de assassinos, armas são o de menos, tendo os convite certos, não serão as armas que questionarão, mas sim quem nós realmente somos, eu sou um antigo membro, tenho passe livre para levar quem eu quiser, minha situação não é como a de Sasuke, ele é visto como desertor, eu estou mais para um eremita que trapaceia de vez em quando.
— Achei que tivessem te dado como morto.
— Voltar dos mortos, muita gente volta, até faz parte do charme de alguns. Considerando que nunca fui posto a prêmio, minha chegada lá só será estranhada, mas não vão questionar sobre minhas duas belas acompanhantes nem meus seguranças. Lá dentro, já sabem o que fazer.
— Claro, a garota.
— É o melhor que podem fazer, o resto é com Sasuke, eu duvido que a sede de sangue dele vá diminuir, então será mais seguro para todos, tirar a pequena de lá, cair fora e torcer para que ele dê conta do recado, pelo menos disposição não lhe falta...
— Onde ele está?
Kakashi suspirou, e apenas distribuiu entre eles, oque pareciam ser moedas quadradas de ouro, gravado nelas havia o símbolo da folha e do outro lado, uma gravura de um santo, talvez, com o nome da casa D’Antônio gravado bem como a data de hoje.
Kakashi já havia distribuído entre eles também as moedas de comércio que circulavam entre os assassinos, para que parecessem mais convincentes. De resto, um nome falso e uma boa lábia teriam de bastar.
Não era como se eles fossem querer ficar muito tempo de qualquer jeito. Quanto menos fossem vistos, melhor seria para eles. Se tudo desse errado, ainda teriam de lidar com a Folha em seu encalço.
— Sasuke já foi pra lá. – Kakashi disse com pesar.
— O fodido...
— A parte boa é que Damian está com ele e vai o conter para que não avance antes da hora...
— Melhor que nada
— A parte ruim é que Damian, está com ele e pode acabar o irritando a ponto de sair atirando em tudo pela frente.
— Foda.
*
Termas Caracalla, Dez da noite.
— Sakura, por aqui. – Itachi estendeu-lhe a mão. Ela inspirou profundamente, fechando os olhos por um momento. Pôs o primeiro pé para fora do carro, e segurou sua mão, saiu sentido uma rajada fria de ar e arrumou o casaco de pele sobre os ombros lutando para não se encolher. Itachi a conduziu através de uma espécie de corredor em meio ás ruínas das termas, que agora se tornara uma espécie de pista de dança repleta de pessoas em frente a um palco entre as construções de pedra. Uma mulher de longos cabelos cantava músicas de teor melancólico e sombrio.
Itachi conduziu ela e Izumi, um modelo singular de traje de casamento, um conjunto de calça, corselete de alças pendentes e uma cauda de renda, tudo preto. Combinava com sua personalidade, afinal.
Seguindo-os haviam os homens de Itachi, ao que parecia os outros, italianos já estavam aqui.
Eles atravessaram a ponte adentrando corredores de pedra iluminados debilmente por luzes diferentes, o cheiro de terra, fumaça de cigarro e perfumes era pungente, e em alguns pontos, o local era sufocante.
Até que chegaram a uma espécie de salão, iluminado com luzes arenosas, não muito cheio, com a música do show ecoando entre as paredes num volume que não impedia as discretas conversas.
Infelizmente ela teve que se separar do casaco, e caminhar cumprimentando estranhos de olhares pontiagudos e poses majestosas. Todas as damas trajavam um tipo elegante de vestido de noiva, nada como o sonhando vestido branco e bufante, algo mais como se via nas altas passarelas de Paris e Milão.
— Ora se não é o Corvo. – Um altivo homem que parecia a própria imagem de um anjo caído, aproximou-se deles num traje de gala branco, seu cabelo era loiro, ondulado que alcançava o pescoço, os olhos bem azuis, e o corpo bem trabalhado evidente na roupa perfeitamente ajustada.
— Olá, Martino. Achei que não o veria. – Itachi o cumprimentou com um pouco mais de familiaridade, e ele voltou-se para Izumi, trocando um abraço apertado até demais.
— Bela Harpia, mortal como sempre?
— Não faz ideia do quanto. – Ela ronronou de volta, acenando com a taça de champanhe que tinha consigo.
— Como está seu pai? – Itachi indagou, varrendo o local com o olhar, Martino deu de ombros, e então direcionou seus olhos para Sakura, e sorriu de maneira muito encantadora, embora claramente não disfarçasse um olhar mais ousado, e pediu sua mão.
— E a signora? Já fomos apresentados? Tenho certeza que jamais esqueceria tamanha formosura.
Sakura a pegou, engolindo a relutância, forçou um sorriso mais simpático, ele só parecia o tipo que apreciava flertar.
— Sakura...
— Também pode chama-la de Koyosegi. – Itachi declarou, calmamente os três o fitaram.
— Koyosegi? Que singular. Enigmático até. – Martino elogiou, e por fim beijou o dorso de sua mão. — Mas me parece mais que adequado a tamanha beleza. Que minhas primas não ouçam, mas e fosse uma dama da casa D’Antônio, signora, Afrodite ou Vênus seriam os únicos adjetivos a poderem nomeá-la.
— Muito gentil da sua parte, signore. E... parabéns... Pelo seu momento... – Ela ciciou não se sentindo muito segura de falar com propriedade.
No entanto, sua óbvia ignorância parecia apenas encantar D’Antônio, e ele fez mais questão do que deveria de ficar conversando com eles, posto que ainda tinha muitos convidados a atender.
Tentando disfarçar a inquietação, ela bebericou um pouco de champanhe, e teorizou o porque de eles praticamente só se falarem por apelidos estranhos, e inclusive de ter ganho um agora.
Captou um olhar sobre si, e percebeu a figura de Luca Sorelli observando-a de uma coluna em meio um pequeno grupo de convidados, seu o olhar fixo e apreciativo, ele ergueu a taça num cumprimento mudo, e Sakura fez o mesmo, ligeiramente, logo buscando outro ponto para olhar.
*
De fato Kakashi tinha razão, o maior exemplo de excentricidade e opulência que viram desde que chegaram era a bebida caríssima, as roupas e claro, o local escolhido para o evento, as pessoas que ali circulavam pareciam sentir-se os próprios deuses ou imperadores romanos em sua época de ouro.
Karin e Ino mantinham-se com a fachada de acompanhantes de Kakashi, Nara e Naruto calados e observando, mantendo expressões fechadas tal como observavam no resto dos seguranças.
— Algo está errado, não vejo ninguém da alta cúpula aqui. – Kakashi comentou, baixo e calmo.
— Talvez já estejam em reunião? – Shikamaru disse.
— Não seria muito adequado, vejo Lorenzo D’Antônio, o antigo cabeça e Martino ali. – ele indicou os dois homens de impecável aparência em meio a convidados.
— Uau. – Ino admitiu. — Ser tão gostoso assim é pré-requisito?
Karin revirou os olhos, não vendo nada demais, inclusive achava o homem uma versão mais europeia e masculina de Ino. Mas de fato haviam homens quase irreais ali, e mulheres também.
Kakashi achou graça.
— Canino Branco? – Alguém indagou atrás deles. — Achei que fosse um 14 confirmado. – Exclamou com desconfiança, mas Kakashi apenas riu jocosamente e ergueu a taça.
— Um dia talvez, mas não hoje. – O homem acabou rindo e conversaram por alguns minutos.
— O que significa ser um 14? – Karin indagou, com curiosidade, enquanto voltaram a passear.
— Conte as letras do alfabeto, qual é a 14? – Ele disse.
— Hmm, N?
— Exatamente, N, N é a letra 14, N é a letra da palavra Neutralizado. Sendo assim, quando alguém é neutralizado, damos o código N.
— Não brinca...
— Muito simples mesmo, mas você talvez não sacasse facilmente justamente por esperar algo mais complexo.
— Tem razão..
— Fora isso, temos 2, 4, 15, 18, e por fim 15-traço-6.. Que significam: Buscando, Derrubado, que difere do Neutralizado por significar que o assassino morreu por erro próprio ou numa contenda fora da Folha e seu sistema. E então Observado, quando você espiona e localiza um alvo de outra casa, ou simplesmente esbarra com ele e relata e por último o Oficializado, que como também começa com O igual a Observado, juntou-se ao número 6, que é a posição da letra F.
— Entendi! – Ino exclamou, eufórica.
— Existem mais alguns, mas esses são os mais básicos e universais, por assim dizer.
— Agora que terminou a aula, que tal fazer o que veio fazer? – Sasuke disse, asperamente através de suas escutas pela primeira vez.
— Ai que mau humor, não deveria estar alegre de encontrar sua ratinha? – Ino provocou.
— Não vai demorar muito para estar na mira da minha arma, loira. Na verdade, já estou aí, abaixo de vocês.
— Credo...
— Notou que não é Angeline cantando, Sasuke? Acho que ela está de luto. – Kakashi comentou.
— Angeline é uma psicótica obsessiva, ela está aí? Mantenha ela longe de Sakura, a obsessão dela é bem útil pra conseguir informações, então não quero estourar a cabeça dela ainda. — Ele avisou.
— Hahaha, você é um filho da puta, que titia me perdoe. — Damian riu.
— Soube que ela ateou fogo em dois empregados do hotel em que estava em Milão quando soube que você estava noivo. – Kakashi relembrou.
— Cadela obsessiva. – Sasuke não parecia se importa de qualquer jeito.
Ele nem deveria ter moral para falar de obsessivos se olhar pela perspectiva do que era capaz de fazer por Sakura.
Mas as mulheres sempre saiam de loucas mesmo.
— Puta merda, moças, por aqui. – Kakashi xingou, puxando as duas para um canto, e olhando de lado para trás. — Localizei o Corvo.
Eles olharam discretamente o grupo de pessoas que seguia para a saída do salão, a frente ia o belo Martino, junto de uma acompanhante que talvez fosse sua irmã, posto que era belíssima como ele.
Itachi Uchiha não era difícil de localizar, sua presença era avassaladora como a beleza, claramente parecido com Sasuke até no andar de felino, mais esguio e alto, o cabelo escuro amarrado baixo, conduzindo uma bela mulher de olhar penetrante e nariz arrogante de um lado, e se não fosse pelo cabelo rosa, e olhos verdes, nem reconheceriam Sakura Haruno.
Os saltos de tom claro deixavam sua estatura menos delicada e mais imponente e graciosa, o vestido parecia fácil de romper como papel de seda, abraçando sua constituição melindrosa e feminina, o corte frontal da longa saia destacava as belíssimas pernas que chamavam a atenção de todos os homens ao redor, praticamente, os enfeites na cabeça davam-na um ar divinamente pagão até.
Não parecia completamente aterrorizada como esperavam, tampouco muito a vontade com a as atenções que recebia. No entanto, mantinha os ombros erguidos e expressão mais altiva e serena que podia, que aliada a sua inerente estonteante beleza, extasiou qualquer um que pôs os olhos nela.
— Uau... – Ino admitiu. — A Europa tem sua magia.
— Não é magia da Europa, minha cara. – Kakashi declarou. — É a maldição dos Uchiha, tudo pelo sangue e pelo nome. – Ele ergueu a mão até a escuta ligeiramente. — Ela está aqui, Sasuke, preparada para você. Esta é a armadilha, você vai cair?
Durante breves segundos houve apenas silêncio, até Damian que até então apenas assobiava, calou-se.
— Ah, o que posso fazer? Eles me conhecem tão bem.
Sasuke respondeu por fim, quase como se saboreasse isso, e de fato, estava.
*
Sakura não gostou de voltarem para fora, mas não achou que se importariam muito, de qualquer forma.
O vestido era lindo e muito confortável, mas não muito protetivo.
— Com frio, cara mia? – Martino lhe indagou, muito solícito, ao seu lado.
— Deixe-a em paz, ela não gosta de receber tanta atenção assim. – Izumi ironizou.
Martino riu, achando isto uma pena, e eles começaram a cruzar a passarela outra vez para ver um pouco do show dali.
— Uma pena Angeline não ter vindo cantar. – Itachi comentou.
— Por motivos óbvios não? – Martino o fitou com desconfiança.
— A pobrezinha nunca teve chance.
— Parece que não, não é? – Martino cravou seus olhos em Sakura, e ela estremeceu não sabendo como ou se deveria se arriscar a responder algo.
Eu sinto sua respiração
Eu sinto algo profundo em meu peito
— Me pergunto se já conheço alguns segredos que você guarda, linda Koyosegi. – Ele completou com uma entonação invasiva e sombria, que escureceu até seu semblante bonito como o de um deus solar.
*
— O filho da mãe vai lá. – Naruto exclamou, de onde estavam só poderiam chegar na ponte se cruzando toda a multidão, mas iram bem quando Sasuke surgiu de entre as pedras das ruínas e escalou facilmente o engradado que firmava a ponte, as pessoas absorvidas na nova canção decadente o ignoraram quase que totalmente.
Ele então cruzou a ponte na direção oposta a que o outro grupo vinha e então havia parado.
— Falcão?
Ele parou, olhando para trás e vendo que cruzara com Luca Sorelli, o principal protetor da cabeça da casa D’antônio.
Luca o encarou meio incrédulo e não demorou para concretizar a certez que era ele.
— Ares. – Sasuke cumprimentou de volta.
— Então você está vivo...
— Um dia não estarei, mas não vai ser hoje. – Ele rebateu, rispidamente, Luca estreitou os olhos, e então repentinamente jogou os olhos sobre onde Martino estava e assistiu-o marchar para lá.
Tem algo na forma como você se move
— Não acho que saiba o que quer dizer. Senhor – Sakura declarou, por fim, cansada de olhares opressores e intimidantes.
Ela não devia nada a essa gente.
Martino piscou um tanto surpreso, e ela se perguntou se soara mais rude do que deveria.
— Ora, conseguiu algo raro, deixou-a zangada. – Itachi comentou, não em tom de chacota mas apaziguou as coisas.
Izumi estalou a língua, irada. Estava saindo errado, ninguém da alta cúpula ali estava, pelo menos não que eles soubessem. Olhou em volta, aborrecida e viu Uca marchar em direção a eles, ainda distante, mas viu onde ele focava e sentiu o sangue gelar, pois sabia bem onde Sasuke focava aquele tiro.
— Inferno, Itachi!
Itachi quase onisciente, não demorou a localizar o irmão, mas sabia perfeitamente o que poderia tirar Sasuke de seu foco assassino.
Puxou Sakura pelo braço, tirando-a da ocultação que o corpo de Martino proporcionava e deixou-a para livre visão de seu caçador.
Instantaneamente a mão de Sasuke congelou no cabo da arma. Sakura fitou Itachi, perturbada mas não demorou que seus olhos se atraíssem para os de seu irmão.
Eu não consigo explicar
Eu me entrego
Uma troca de olhares e foi tudo que era necessário, para haver confirmação de ambas as partes.
Ele veio.
Sakura sentiu os olhos banharem-se aos poucos, incredulidade ainda a dominava, mas ele estava mais perto do que esteve em o que já pareciam ser anos.
Aqueles olhos escuros, azeviche quente, que só enxergavam ela.
— Sasuke. – Balbuciou exultando de ânsia de juntar-se a ele, seu corpo se moveu na direção dele.
Mau um passo pode ser dado, e sentiu o agarre da mão de Itachi, ele a puxou para trás sussurrando e ela quase não ouviu desesperada para não perder Sasuke de vista.
A cada gota do sangue que você toma
Meu coração continua o mesmo
— Sasuke!- Implorou.
— Ainda não, querida. – Foi o que Itachi disse antes de joga-la para as mãos de seus subordinados.
Sasuke segurou a arma desta vez e puxou apontando em sua direção.
— Uchiha! – Bradou Luca em seu encalço, Sasuke se virou para revidar primeiro, caso ele atirasse em suas costas mas não vendo arma em sua mão ainda, logo virou-se assistindo os homens se afastarem levando Sakura arrastada pela cintura. Izumi sacou a arma pondo-se a frente de seu irmão.
Mas Sasuke ainda assistiu levarem ela para dentro, calando-a para que seu alarde não chamasse mais a atenção. Martino o fitou, reconhecendo-o com uma expressão nada boa.
Ele os deixaria leva-la só mais agora, não era culpa dela nem sua obrigação assistir o banho de sangue.
Não era como se ele quisesse que ela o visse puxar o gatilho.
Ainda não era capaz de deixar ela ver, talvez.
Mas eu
Eu assumo
A culpa
De me entregar a você
(Coronation – Ciscandra Nostalghia)
Assim, tão logo ela sumiu das vistas deles, nem deu pra saber quem foi o primeiro a puxar o gatilho.
Mas Sasuke não deixaria de ser o último a fazê-lo por nada.
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