Villena: A Garota Do Bairro 13.
1 Lágrimas Na Chuva...
Notas iniciais
Assim como o tempo, os momentos devem ser aproveitados ao máximo pois só serão vividos um vez..
As pessoas também vão... Algumas vão ali e já voltam.. Outras vão para nunca mais voltar...
Aproveite cada momento com cada pessoa, pois elas podem ir para nunca mais retornarem..."
Venham conhecer Villena e entrar nessa história...
Outubro de 2011.
O sol aparece manso naquela manhã de quarta-feira... Barulhos de motores fazem Villena desperta atordoada por mais uma noite de sonhos terríveis. Tem sido assim desde o acidente em Santos, onde ocorreu a trágica morte de Bradley, noivo de Villena.
Difícil esquecer a imagem de Bradley ensanguentado, deitado na calçada após um atropelamento covarde.
Dois anos morando juntos, fazendo planos e quando tudo se encaixava, um assassino covarde levou embora toda a felicidade dela. Todas as noites, nos últimos 10 meses, ela chorava e adormecia em pensamentos de ódio e saudade. Mais uma vez ela vê aquele GT preto se aproximar, derrubando pessoas, massacrando pedestres e atingindo seu grande amor. Depois, acorda atordoada, assustada, cansada de rever todas as noites aquela imagem.
Bradley, um rapaz simples, apaixonado e apaixonante. Dono de um rosto tranquilo, mas cheio de coragem. Policial há três anos, em seus 27 anos de idade já havia passado por muitas provações, levado tiros e sido ameaçado de morte por muitos. Dono de belos olhos deixava garotas a suspirar por onde passava. Aquele olhar castanho-mel, agora só deixa saudades em Villena.
Nascida na prestigiada Avenida Champs-Élysées, conhecida como La plus belle avenue du monde ("A avenida mais bela do mundo")em Paris na França. Villena Raffaelli viveu pouco tempo ali, mas tempo suficiente para trazer consigo lembranças dos seus 1,9 km de comprimento, das lojas de especialidades luxuosas e das belas cartanheiras-da-índia. Linda de se morar e extremamente cara de se viver, Villena e seus pais, se mudaram para Ilhabela, mais especificamente na Praia da Feiticeira. Uma bela praia em que duas cachoeiras deságuam entre a praia e a costeira ao sul.
Foi nessa mesma praia que Villena conheceu Bradley Staden. Um dia normal com um sol manso e céu aberto. Uma brisa serena passava pelos negros cabelos de Villena e deixavam suas madeixas voando como pássaros saboreando a calmaria das águas. Bradley não pode deixar de notar a beleza europeia que estava enfeitando aquela praia. Sabia que era o que esperava. Sentiu martelar em sua cabeça aquela frase “a pessoa certa” e foi ao encontro de Villena. Os olhos de Villena, castanhos escuros como a noite, brilharam como faróis guiando a embarcação mais modesta.
Alguns encontros, algumas horas conversando, algumas brigas sem sentido e finalmente aconteceu o inevitável... O Amor surgiu! Oito meses namorando e resolveram morar juntos. Bradley e Villena formavam um casal lindo, não como nos contos de fadas e histórias irreais, mas perfeitos em todas as imperfeições. Brigas, ciúmes e discussões eram normais, mas todos têm e não era diferente com eles.
Tudo era perfeito, pleno e realizado entre eles até aquele dia. Bradley e Villena foram se divertir no Quatro Quintas Chopperia e Gourmet e já era tarde quando saíram de lá. O movimento de Santos era incrível, muita gente bonita e simpática se divertindo. Alguns passos depois, um Ford Mustang GT500 preto, trazendo o emblema cobra na frente veio descontrolado para onde estavam... Rapidamente, Bradley empurrou Villena para que ela não fosse atropelada, mas não teve tempo de sair do caminho. Uma batida mortal ecoou pela rua e em questão de segundos, o GT saiu em alta velocidade com a frente toda amassada e desapareceu. Bradley foi levado ao hospital, mas devido a uma hemorragia interna, faleceu na mesma noite.
Na manhã seguinte, uma chuva calma molhava a calçada enquanto Villena caminhava com Dulce e Carlos, pais de Bradley, indo providenciar o velório e enterro. Durante o dia, muitas pessoas vieram. Amigos, familiares e conhecidos tinham muito respeito por Bradley que sempre foi responsável e dono de grande simpatia. No momento do enterro, caia uma chuva fina e Villena sentia que cada gota a consumia por dentro naquele dia triste... Quando todos saíram, Villena ficou mais algum tempo frente ao túmulo, pensando, refletindo e derramando constantes lágrimas. Quando se retirava do local, percebeu um carro branco, provavelmente um Corolla, estacionado há alguns metros. Desconfiada, resolveu ir ver quem era mas quando se aproximou, o carro saiu em alta velocidade. Villena não ligou, apenas saiu contando os passos e pela rua desapareceu.
Durante dias investigadores tentaram descobrir quem era o motorista do GT e como ele havia desaparecido sem deixar pistas. Todas as buscas fora tão vagas que o caso acabou arquivado. Típica situação de quando não resta mais vontade de descobrir ou quando tem gente importante metida na história. Mais uma vez uma morte sem solução, mais uma vez lágrimas trazem consigo a saudade de um passado belo e alguém especial que já se foi...
Notas finais
Contem-me o que pensaram, vou ler com atenção. Até o próximo capítulo.
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