Villain
1 Prólogo
Notas iniciais
A gente se vê lá em baixo, então. Até logo! ;)
Não ouse deixar esse coração de porcelana falar mais alto que esse cérebro genial.
O corpo de Luna Lovegood estava jogado no barro. Neville Longbottom também estava morto. A espada de Gryffindor havia sumido novamente. O segundo gêmeo Weasley, George, estava morto ao lado da irmã, Ginevra. Ronald havia desaparecido – provavelmente fugiu como o grande covarde que era. Potter ainda estava parado no mesmo lugar; o rosto vermelho. Os olhos de Lilian Potter mais brilhantes do que nunca; as lágrimas escorrendo pelo rosto sujo de sangue e barro. Sua varinha havia se partido em milhares de pedaços e parte desses pedaços, estavam a seus pés. Voldemort estava sorrindo; o sorriso que ele esperara anos para finalmente liberar. Estava vencendo. Já havia vencido. Ergueu a varinha de sabugueiro; os olhos vermelhos cintilaram.
– Avada Kedavra! – E ele ruiu. O rosto lívido afundou em lama. Estava morto.
O menino que sobreviveu, não sobreviveu uma segunda vez.
Um sorriso brotou no rosto pálido de Lord Voldemort.
– Nós conseguimos, amigos. – E sorriu. – Vejam por si mesmos. – Ele sorriu e apontou o pátio inundado de corpos. – Todo esse sangue puro derramado valerá a pena no final, amigos. Nós vamos, juntos, purificar esse mundo. – Os olhos eram fixos nos orbes vermelhos.
A guerra estava acabada. Fora tudo em vão. Toda a caçada pelas Horcruxes. Toda a guerra. Havia tudo sido por nada.
─ ∞ ─
Baixou o rosto; havia parado de contar a quanto tempo estava fugindo. Negou as memórias involuntárias que vinham em sua mente. Ela cortara o cabelo por si própria, simplesmente pegou uma tesoura cega e o fez. Estavam, agora, na altura dos ombros. Ela queria parar, às vezes. Correr até eles e implorar para que a matassem e acabassem com a dor que a consumia; queria dizer que estava cansada. Dizer que os odiava.
Queria dizer, de alguma maneira, a seu amigo morto, que sentia muito. Que deveria tê-lo ajudado. Que deveria estar do seu lado na destruída Hogwarts. Que deveriam ter lutado juntos. Morrido juntos.
– Querida? Mione, meu amor. Apareça... – Ela conteve a respiração. Conhecia aquela voz. Ele ainda tinha aquela voz rouca e irritante que ela se lembrava. Hermione Granger não estava somente fugindo de comensais. Estava fugindo de seu passado. Estava fugindo dele. – Eu posso acabar com a sua dor, Mione. Sei como você está sofrendo. Você e Harry eram tão amigos. Sei como você se culpa por não ter estado lá com ele quando o Lord o matou. Sei que se arrepende de tê-lo deixado para vir comigo. Mas eu posso te ajudar, Mione. Posso acabar com a sua dor em um segundo e você vai estar em paz. Vai se encontrar com Harry e se desculpar. Tenho certeza que ele não a culpa. Nós éramos tão apaixonados... – Ela deixou as lágrimas escorrerem pelo rosto. Não chorava pelo que já sabia há anos depois do fim da guerra. Não chorava pelo ultimo Weasley ser um comensal. Não chorava por ele se agarrar por aí com Lestrange, a mesma Lestrange que matara quase toda a sua família. Não era esse o motivo das lágrimas. Ela chorava pelo que ele trazia. Toda vez que se encontrava com Ronald, ela se lembrava. Se lembrava de Harry. De Luna. Neville. Fred e George. Gina. Molly e Arthur. Tonks e Lupin. Sirius. Olho-tonto. Dumbledore... Agora estavam todos mortos. Era essa a realidade que ele trazia. Era essa melancolia que aqueles olhos azuis a lembravam. – Ela não está mais aqui, Bella. – O ouviu caminhar para longe e aparatar com Lestrange.
Ela deixou o peso da dor tomar todo o corpo e caiu deitada sobre os cascalhos; fechou os olhos. Tudo o que ela queria era dormir. Queria fazê-lo e nunca mais acordar. Queria voltar para Harry, para a Hogwarts que se foi há tanto tempo. Ela queria, mais que tudo.
Encarou as ruínas do castelo que um dia já foi majestoso. Os aros do quadribol, as torres, o lago negro, a floresta, a cabana de Hagrid. Tudo eram ruínas agora. Poeira e cinzas. Era Hogwarts – ou pelo menos o que restara dela. Era seu lar.
Arrastou o corpo até a entrada destruída do castelo e lembrou-se de McGonnagall; e de Dumbledore. Observou tudo e fingiu que não eram ruínas; que ainda era Hogwarts, que ainda haviam montes e mais montes de alunos amontoados por ali. Forçou as próprias pernas e pôde se colocar de pé; arrastou os pés até o salão comunal e pôde ver as longas mesas; olhou para cima. Agora realmente não havia teto. Caminhou até a mesa da grifinória. Era engraçado como após todos aqueles anos ela ainda se lembrava. Sentou-se e repousou a cabeça olhando o vazio. Sentia tanta falta. Tanta saudade.
Em sua cabeça, estava ali. Olhando para as bandeiras vermelhas e douradas. Mais uma vez a Grifinória tinha ganhado a taça das casas. Estava em casa. Hogwarts era sua casa. Não havia um lugar melhor para finalmente dormir.
Se vou morrer, que eu morra em casa.
E fechou os olhos, num suspiro pesado.
Notas finais
Xoxo
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