Villain

5 Capitulo 04 – Nunca se apaixone por Tom Riddle


Notas iniciais
Bem, obrigado às lindas que comentaram, adorei todos os comentários e vocês são simplesmente demais!
Aparentemente, esse capitulo não tem muita coisa, mas não se enganem, ele é praticamente o começo da "brincadeira", então, preparem-se por que está chegando a hora!!!

\\\"\\\"“Não vale a pena mergulhar nos sonhos e esquecer de viver.”

Alvo Dumbledore

Riddle voltou a encarar o próprio livro; discretamente olhou a menina encolhida no canto da mesa da Corvinal; tinha petiscos presos no cabelo amarrado e erguia os óculos em meia-lua de minuto em minuto. Tinha certeza de tê-la visto no banheiro das meninas do segundo andar e tinha certeza que ela ouvira algo. Que sabia algo. Não poderia se deixar ameaçar por uma Corvinal sangue-ruim. Se realmente era ela, ele precisava descobrir.

Encarou na entrada do salão principal; estava de costas para ele falando algo para o gigante. Ele mantinha os olhos esbugalhados enquanto ela continuava falando e movendo as mãos habilmente. Tom sentiu a nuca se arrepiar. Depois também precisaria se ver com a novata antes que ela lhe causasse problemas. Hermione já havia deixado bem claro seus sentimentos para com ele e Tom precisava admitir que se sentira ofendido em não tê-la aos seus pés. Não importava o que havia assim de tão especial nela, ele precisava descobrir. Hagrid assentiu e saiu correndo; correndo em direção ao... Segundo andar?

Hermione sorriu minimamente e caminhou em direção à mesa coberta de alunos em verde e prata. Calidora Black falava algo com um dos gêmeos loiros. Pela longa franja dourada caindo até o queixo, Hermione deduziu se Gus Lestrange, o gêmeo antipático. Sentou-se em silêncio pegando um pedaço de pudim. Desde que chegara à Hogwarts, nem se atrevera a olhar para algumas coisas. Pudim lhe lembrava Luna – sim, a Lovegood sempre subjulgada por Hermione – e isso machucava. Ela morrera junto com Neville Longbottom; morreram se olhando na verdade. E Gina morreu aterrorizada com Harry tão distante dela, e Harry também morreu aterrorizado. E Molly Weasley chorava em plenos pulmões e não precisaria de um Comensal para matá-la, por que lhe tiraram todos os filhos. Mas eles, mesmo assim a mataram, por que, conforme eles, ela chorava muito alto sobre o corpo de George Weasley, que, de certa forma, estava triste e feliz. Triste por que abandonaria a guerra com todos ainda precisando dele, e por que machucaria a mãe, mas estava feliz, por que estava com Fred outra vez. Eles não se separaram de novo. Não mataram o pequeno Theodore Lupin, mas não precisariam por que já haviam lhe tirado tudo. E, mesmo assim, Draco Malfoy ainda parecia terrivelmente assustado com tudo. E todas aquelas memórias lhe davam vontade de chorar.

– Ei, sangue-ruim! – Chamou Abraxas novamente. – Alguém a cutuque. – Hermione ergueu os olhos, ainda avulsa. – Queria agradecer pelos pontos que nos rendeu hoje. – Ela assentiu, mas ainda estava fixa em Malfoy, e em como Narcisa Malfoy chorou quando Bellatrix Lestrange o matou quando ele se afastou dos Comensais lentamente e beijou Astoria Greengrass antes de entregá-la sua varinha e gritar que não faria parte daquilo. Até mesmo Malfoy estava morto. E Narcisa chorava pelo filho, e por Astoria. E Lucius não chorava, mas também não falava e não respirava. Parecia uma estátua, mas Hermione soube que ele chorou como uma criança na noite após aquele dia. Dia em que dera adeus ao único filho. E tempos depois Hermione chorou por Narcisa que também morreu nas mãos de Bellatrix Lestrange, e chorou por Lucius, por julgá-lo tão friamente, e depois lamentou por sua morte, e como nunca pensou que faria, chorou pelo fim do nome Malfoy. E ela chorou mais do que pensou que faria por Hagrid e por Grope, que foi morto na Floresta Negra pelos comensais. E chorou também por Fleur, que morrera aterrorizada na Guerra ao lado de Gui. – Granger? – Hermione ergueu os olhos. Finalmente saíra de sua própria mente assustadora. – O que houve, Granger? Por que está chorando? – Hermione tocou o próprio rosto secando as lágrimas lentamente com a manga da blusa. Levantou-se e caminhou em direção a biblioteca. – Mas o que houve com ela? – Perguntou Abraxas bufando.

Hermione caminhou o mais rápido que conseguia e abriu novamente o exemplar de “Hogwarts, uma história.” E colocou sobre as páginas amareladas um pequeno caderno. Fizera antes da guerra, mas nunca dissera a ninguém. Era um diário, um diário trouxa. Escrito a caneta, não à pena, com letras fixas e sem feitiços. O mais mágico que havia ali eram as fotos, que moviam-se animadamente. Tocou a primeira imagem, era Harry. No Torneio Tribruxo, vestindo àquela camisa vermelha e dourada ao lado de Cedrico Diggory; o primeiro a morrer para a volta dele. Os dois sorriam como velhos amigos, e realmente eram amigos – não tão velhos, mas eram – e Harry sofreu quando Cedrico morreu, e passou a ver testrálios depois daquele dia. Pelo menos tinha Luna. Ela fora realmente uma grande amiga. Uma grande amiga para todos. Não merecia morrer. Harry também era uma boa pessoa, uma grande amigo. Não merecia morrer. E Fred e George apesar das brincadeiras eram maravilhosos e estavam sempre lutando junto com Harry. Não mereciam morrer. Gina era uma boa amiga e uma boa menina. Não merecia morrer. Gui e Fleur se amavam, estavam casados e, muito provavelmente, teriam filhos. Não mereciam morrer. E Percy foi um aluno exemplar, um homem exemplar. Não merecia morrer. E Molly Weasley foi uma grande mãe. Não merecia morrer. E até mesmo Draco Malfoy era um bom rapaz, uma boa pessoa. Mesmo que no ultimo momento, ele foi até Astoria e a beijou. E disse que ficaria com ela até o ultimo momento. Disse que jamais a abandonaria. Nem a ela, nem a criança que levava no ventre. Não mereciam morrer. E Minerva, e Tonks, e Lupin, e Olho-Tonto Moody e toda a ordem. Não mereciam morrer. Nenhum deles nunca mereceu morrer. E Hermione baixou o rosto sobre os braços e chorou. E queria gritar, mas a biblioteca era seu santuário e não se gritava em um santuário. Mas chorou alto e as lágrimas caíram sobre o exemplar de “Hogwarts, uma história.” e a tinta manchou as páginas amareladas, mas ela ignorou o livro. E abriu os olhos tristes observando as letras embaçadas voltando a tomar forma, reescrevendo as palavras do livro. E leu o trecho que a um minuto atrás era apenas um respingo de tinta numa folha.

“E Hogwarts sempre estará lá para aqueles que a ela recorrerem.”

E Hogwarts sempre esteve lá para eles. E era em Hogwarts – nem que fosse em seus destroços – que suas almas residiam após a morte. Harry estava em paz. Com Lílian, James e Sirius. E Snape estava feliz por rever Lílian. E os Weasley estavam reunidos. E Neville estava junto a Luna, e ambos estavam juntos aos pais. E estavam junto a Dumbledore. E todos residiam em Hogwarts, que seria para sempre seus lares.

Era assim que Hermione gostava de pensar para se sentir melhor, mas agora apenas a fazia se sentir mais pesada. Sentiu um braço ao seu redor e não soube quem era, mas não importava. Ela precisava daquele abraço. Aquilo era tudo o que ela queria. E chorou novamente.

– Eles estão mortos... – Chorou em silêncio. – Eles estão mortos e eu estou viva! Eu deveria ter morrido também.

– Não diga isso, Hermione, por favor. As coisas vão melhorar. – Ela se encolheu mais.

– Eu devia ter ido lutar também, devia estar lá e lutado com eles. Seria mais honroso que estar aqui. – E o silêncio novamente formou-se na biblioteca. Hermione não tivera coragem para encará-lo – o estranho que a ajudara – assim como, também não tivera coragem para sair dali. Não importava quanto tempo haviam estado ali, ela simplesmente não queria sair. E ele não disse mais nada para tentar consolá-la e quando Hermione tentou voltar a ler, ele pegou o livro, e ele mesmo começou uma leitura calma e pausada como se estivesse lendo para uma criança. Hermione achou gostoso estar ali; era tão protetor, tão calmante. Como estar nos braços de um irmão que a protegeria do mundo, se necessário.

Era tarde e, por um instante, Hermione concentrou-se nos burburinhos do lado de fora da biblioteca. Os alunos estavam saindo das aulas e indo para o salão principal jantar. Ela passara o dia inteiro com o novo estranho amigo e nem sequer sentiu falta das aulas. Era quase noite e Hermione não se conteve. Ergueu os olhos o encarou fixamente. Ele voltou os orbes azuis acinzentados para ela e sorriu levemente com os lábios perfeitamente finos. Os fios loiros esbranquiçados estavam lindamente aparados num penteado de algum jogador de Quadribol famoso entre os adolescentes daquela época. Realmente, ele era incomodamente semelhante a Draco. Tinha até mesmo o sorriso cético de canto de boca, mas talvez todos os Malfoy o tivessem; Mas ele não sorria, nem fazia careta. Apenas continuava lendo num tom baixo e regular.

– Por que está aqui? – Perguntou voltando a encarar as próprias mãos envergonhada. Ele a havia ajudado e tudo o que ela sabia fazer e perguntá-lo acusatoriamente das coisas que nem sequer havia feito ainda. Ele riu baixinho. Não em escárnio e também não por que achara graça. Simplesmente riu baixinho pelo nariz – ou bufou, Hermione não soube dizer.

– Não somos cobras apesar de gostarmos delas, Granger. A maioria de nós, sonserinos, não tem ninguém senão as pessoas da casa. Somos uma família, Granger. Não deixamos uns aos outros sorrindo e gostando ou não, você faz parte da família. – Hermione bufou. Claramente bufou. Ele riu novamente. – Gosto de você, Hermione. Sabe, apesar de você ser uma grande sangue-ruim e não ser a mais agradável de nós, eu gosto de você. – Hermione sorriu.

– Obrigado, Abraxas. – Ele assentiu. – Quando você não está com o Riddle também é agradável. – Ele riu.

– Ninguém o entende. É isso o que o falta, ele só precisa de alguém que entenda!

– O que há para entender?

– Muita coisa, Hermione. – Disse simplesmente. – E em você, o que há para entender?

– Mais do que posso dizer. – Ele riu.

– Hermione – Ele chamou. Ela o encarou. – Desculpe Calidora. Ela está uma pilha por causa dos NOMs e toda essa confusão com Gus e Tom.

– Gus e Tom?

– Longa história.

– Temos tempo. – Abraxas riu.

– Cali tem sido amiga do Gus desde o seu primeiro ano em Hogwarts e apaixonada por Tom há talvez o mesmo tempo. Ela não vê que tom simplesmente não gosta dela. Tom não gosta de ninguém. – Bufou. – E ela acabou envolvendo Gus em suas tentativas de conquistar o Tom, o que falhou e ela pensou em abandonar nosso grupo de estudo. Para que ela não fizesse isso, Tom fingiu acreditar naquilo e agir como se realmente estivesse dando certo e que ele também morresse de amores por ela. Agora ela está mais apaixonada por ele do que nunca e Gus simplesmente não consegue acreditar. Ele está puto! Por que ele sempre gostou dela mais do que como um amigo e sempre a ajudou no que ela precisava e agora ela o está trocando por Tom, que nem mesmo gosta dela realmente. – Hermione assentiu.

– Não sugiro que ela continue apaixonada por Tom. – Abraxas riu e concordou guardando o livro na prateleira. – Aliás, não sugeriria a ninguém para se apaixonar por Tom Riddle.

Notas finais
Reviews?