Villa Lobos

5 Eu não me meto.


Notas iniciais
gostaria na parte em que tiver o asterístico (*) vocês coloquem para tocar essa música:http://www.youtube.com/watch?v=jxBKgOyMzScRocky Road to Dublin - The Dubliners

Novamente na igreja, meu lugar de inspiração, desenho conforme as ideias aparecem em minha mente. Meu emprego não era muito qualificado na sociedade em que vivia, mas eu não precisava de muitas coisas, na verdade, eu precisava sim, e agora devia lutar para sobreviver. Tinha um simples apartamento para cuidar, tinha que ter alimento, porque eu não suporto me alimentar da mesma forma que os lobos apesar de ser um, e tinha que ter roupas. Não deve ser nada confortável usar as mesmas roupas. Sinto pena daqueles que não tem emprego para se sustentar, ou não tem educação para arranjar um emprego. Fui interrompido em meus pensamentos pela mesma moça que eu havia visto no dia anterior. A moça atirada, que queria saber meu nome.

— Por que queria saber meu nome, e saber se poderíamos nos encontrar novamente? – perguntei a ela que ainda não havia dito nada, quebrando o silêncio da igreja.

— Eu não te perguntei nada ontem – ela falou, me fitando.

— Você...?

— Não, foi você que me fez estas perguntas. Não se lembra? E também as respondeu. Não sabia se estava falando comigo ou com um fantasma, ou consigo mesmo. – não pode ser, pensei. Se eu estava perguntando e respondendo, era porque eu tinha algum interesse na moça, eu não posso.

Corri para a porta da igreja, e saí deixando a moça sozinha novamente, sem dar explicações. Era eu que perguntei? Só posso estar sonhando.

— Acho que eu tive uma visão – disse Denise, que pulara na minha frente, parecia mais um vulto. Quem dera se fosse. – Você, se interessando por uma humana. Muito interessante isso! – permaneci quieto. Diante desse tipo de situação, o melhor é manter a calma. – Adoraria ver o resto do bando sabendo disso. – Mas a minha calma acabara de ter um fim. Novamente coloquei uma de minhas mãos em seu pescoço, só que dessa vez, duas moças apareceram ao lado de Denise, duas meninas integrantes do bando, Carmem e Irene, logo tirei minha mão de seu pescoço.

*Coloquei as mãos na nuca, virei-me de costas andei alguns passos e novamente fiquei de frente com as três meninas, olhando-as ainda com as mãos na nuca, bem confortável admito, não seria nada difícil brigar com três indefesas e bobas meninas.

É claro, que também não devia subestimá-las, três lobos contra um não era lá uma coisa boa. Não demorou muito para uma das meninas, a Carmem vir para cima de mim, ela era forte, não veio em forma de lobo, assim como eu não estava, desviava rapidamente de todos os seus ataques. A Irene veio em forma de lobo, era forte também, e ágil, porém eu tenho uma qualidade que muitos lobos não tem, inteligência, podem me chamar de Sherlock Holmes se quiserem. Eu deduzia todos os seus movimentos e sem muito esforço desviava-os e ela logo ficou confusa, e caiu no chão sem eu ao menos encostar um dedo nela.

Denise, a última logo chegou perto de mim, e encostou seus lábios aos meus para tirar um pouco de minha concentração, admito que por um momento fiquei confuso, o que ela causava naqueles que a beijassem, ela tentou me paralisar, mas o meu controle foi maior antes que perdesse meus sentidos, imobilizei-a. Virei seu rosto de frente para o meu e quando ela foi usar o seu “dom” novamente, do beijo (que não era bem um dom), virei o rosto, enquanto ela ficou bufando ainda imobilizada.

Ouvi sons, e ao mesmo tempo a boca de Denise fazia um formato de quem ia cuspir em alguém, e esse alguém era eu, saí de sua frente antes que percebesse, mas sem ver ela cuspiu, obviamente o cuspe não foi em mim, porque eu já tinha saído de sua frente há pouco tempo, o cuspe foi em Carmem que se aproximava para me pegar despercebido, porém esta também não havia percebido que eu já tinha saído daquele lugar. Logo Carmem e Denise começaram a brigar, uma estapeava a outra e rolavam no chão descabelando-se, quando Denise foi dar um soco, o que eu nunca imaginei que ela fosse capaz, Irene apareceu e recebeu o soco no lugar de Carmem. No fim as três estavam brigando e eu assistia rindo muito da confusão.

Pouco tempo depois, quando as meninas ainda estavam brigando, apareceu Do Contra, que cruzou os braços na hora em que chegou e viu as meninas brigando. Parei de rir no exato momento que ele chegou, e quando as meninas notaram sua presença no local pararam de brigar, mas foram arrastadas até o bando, onde teriam uma punição, não severa acredito, mas boa! Elas mereciam.