Vilarejo das Trevas
3 A Mandinga
Notas iniciais
Isa volta totalmente desnorteada para a festa. Rebeca já havia se acalmado e agora tomava um chá de ervas brisantes. Enquanto Isa estava fora, o dono do haras(o homem mais importante da cidade), Joel, acalmou todo mundo e agora tocava um pouco de Wesley Safadão para acalmar os nervos dos caipiras. Joaquim e Júlia conversavam distraidamente com Sabrina, pois Diogo já havia voltado para o Orfanato. Mal sabiam que ele queria bater uma. Isa chega cambaleando até a mesa do grupo e se senta, sem saber o que estava fazendo.
– Isa, você tá bem? — pergunta Joaquim quando vê que ela está se empanturrando de caldo de cana.
– Oi? Sim, estou bem... – respondeu, com uma voz doce.
– Tem certeza? — perguntou Júlia, ao ver Isa mergulhar o pão com salsicha no caldo de cana.
– Eu to muito melhor. Fazia tempos que eu não comia um belo pão com salsicha. Onde está a minha mãezinha? e minha vózinha?
– T-tão ali — disse Sabrina.
– Ai, obrigadinho!
Isa sai com seu caldo de cana e seu pão com salsicha para ver sua mãe e sua vó, a borda do vestido roçando na cara das pessoas e o arquinho caindo sobre sua cabeça.
– Ela tá muito estranha! – exclamou Júlia – Desde quando Isa Roça come pão com salsicha, trata bem as pessoas e toma caldo de cana?
– Isso tá estranho mesmo! Se bem que... eu prefiro ela assim... — disse Joaquim com olhar apaixonado.
– Se toca! — fala Júlia, dando-lhe um tabefe na orelha – Tem alguma coisa errada com a Isa e a gente precisa saber!
– JÁ SEI! – grita Felipe – Vamos falar com a mãe Fiorina, a velha que vende sorvete e faz macumbas por encomenda!
– Não sei não Felipe, A nossa tia sempre disse que essas coisas são roubada — disse Joaquim.
– Joaquim, quem é ela pra falar isso? É apenas uma religião! Vamos falar com a mãe Fiorina sim! — diz Júlia, e então assunto se encerra.
***
– Hum, entendô, no? bene, vamo pros fundo da sorveteria, si? – Diz Fiorina depois de ouvir a história que os quatro, Sabrina, Joaquim, Felipe e Júlia, contaram.
Eles se estreitam por uma sapataria que é perto da cozinha da sorveteria (o que torna a coisa mais nojenta pois sola de sapato com sorvete não é uma combinação boa). Nela, há um gordo com ketchup no canto da boca e um hambúrguer semi-comido ao lado de um sapato de grife (cai entre nós, leitores e narrador, repreendemos). De frente para o gordo, um homem de estatura baixa prega um sapato no suporte, enquanto reclama que sua vida está uma merda e que precisa de uma namorada antes que se mate pulando do coreto. Seu nome? Nico Zangado. O Gordo é apenas O Gordo.
Enfim, chegam na casa da mãe Fiorina (que, só para deixar claro, é uma das "véias"). Ela os leva para uma sala escura e roxa, com pôsteres de "Santana, O Cantador" (pesquisem na internet porque ele existe), Rihana no seu show na Itália, pizzaria "Mercibocú" e Fafá de Belém. Além de alguns apetrechos estranhos grudados nas paredes. no meio da sala uma mesa e uma bola de cristal.
Fiorina se senta numa cadeira de frente pra mesa e começa a mexer na bola de cristal, acariciando-a. A sala começa a tremer. As crianças se assustam.
– O que a senhora vai fazer?! — grita Júlia.
– Vô usá-los come ingredientês dos meu sorveti – todos ficam calados. – Brincadeirinha, no? – Diz ela rindo, enquanto todos voltam a respirar. – Vô fazê o que é melhor para todos, si? Vô muda os teu destiiiinooo.
– Você não vai mudar nada sua bruxa! — diz Sabrina, correndo para pular e se pendurar nos cabelos da mãe de santo
– Tardê demas!
Foram suas últimas palavras, antes de um clarão azul fazer explodir tudo e mudar o curso da história de cada um.
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