Vila Baunilha

70 Vamos brincar na água?


Notas iniciais
Tenha um boa leitura! ;)

—Aeeeeh! — gritou Luciano, caindo com tudo no lago. Carioca já estava lá há um bom tempo, nadando tranquilo nas águas serenas do Lago do Coqueiro, local onde nossa turma estava passando o dia. Talvez soe estranho dizer que Carioca estava nadando com seu boné, mas, bem, era justamente esse o caso.

—Ah, isso aqui tá muito bom — disse ele, enquanto nadava de costas na água.

—Nem me fale — concordou Luciano — Faz tempo que não dava um bom mergulho!

Já as meninas entravam na água com mais cuidado. Apesar do calor, a água estava bem fria e o choque térmico de uma água tão gelada nunca era tão agradável, embora Kelly não ligasse muito para isso.

—Vocês não estão muito devagar, não? — disse Kelly.

—A água tá gelada — comentou Anne.

—Sim, bem fria — concordou Ema.

—Entrem logo! — falou Kelly — O corpo acostuma rápido.

Enquanto isso, Samanta observava Briana de longe e comentou com sua amiga Cíntia.

—Olha lá, é nossa oportunidade — disse Samanta.

—De quê? — perguntou Cíntia.

—Acho que podemos chegar com tudo e empurrar a Briana na água — disse ela.

—Jogar a garota na água fria? — disse Cíntia — É, do jeito que ela é delicadinha, acho que não vai gostar muito disso.

—Não mesmo — confirmou Samanta, com um olhar maldoso — Vamos chegar de mansinho e jogar a Briana com tudo na água!

—Tá bom, vamos lá — disse Cíntia.

As duas foram devagar para tentar empurrar Briana no lago e fazê-la entrar de uma vez no lago frio, mas os planos delas não seria executado tão facilmente assim. Quando elas estavam quase chegando por trás de Briana, Anne chamou a garota na mesma hora.

—Ei, Briana — disse Anne.

—Oi? — perguntou a irmãzinha.

—Vê se não vai muito para o fundo, tá? — disse Anne.

—Tá.

Mas ao responder a irmã, Briana se deslocou um pouco para o lado bem na hora que seria empurrada, fazendo Samanta e Cíntia perderem o equilíbrio e caírem na água.

—Ai, frio, frio, frio! — disse Samanta.

—Que água gelada! — disse Cíntia.

—Ah, vocês já entraram? — disse Briana, ao ver as meninas na água — Como vocês são corajosas. A água tá muito fria. Prefiro entrar devagarzinho.

—Nem...me...fale — disse Samanta, ainda tentando se acostumar com a temperatura da água.

—Que gelo, amiga — comentou Cíntia, também lamentando sua sorte.

Enquanto isso, os jovens também se divertiam na água.

—Ai, espero que não seja muito fundo. A Briana sabe nadar, mas mesmo assim — disse Anne, preocupada.

—Relaxa — disse Kelly — A gente nada aqui desde que éramos mais novinhas que a Briana. Nunca aconteceu nada.

—E o soldado Caxias está aí para garantir nossa segurança — disse Ema.

Anne olhou para o soldado, observando atentamente todos no lago. Parecia levar bem a sério o seu dever como protetor da turma.

—Falando nisso — disse Anne, com um sorriso sarcástico no rosto — O que você acha do soldado Caxias, Ema?

—O que eu acho? — repetiu a garota — Ah, ele é bem gentil, educado e simpático. Gosto dele.

—Gosta? — perguntou Anne, querendo saber mais.

—Sim. É um ótimo amigo — respondeu a garota.

“Então ela só vê ele como amigo”, pensou Anne.

—Mas.. — continuou Anne — Ele te considera como amiga também?

—Que papo estranho, Anne — riu Ema — É claro que ele me considera como amiga também. Ele sempre me tratou muito bem. Claro que somos amigos!

“Essa garota...só consegue enxergar o romance dos outros”, pensou Anne.

—Mas por que não focamos em outra coisa? — perguntou Ema — Tipo, não acha que é uma boa chance de se aproximar do Luciano agora?

—Por que eu faria isso? — perguntou Anne.

—Ora, vocês já estão estudando juntos, não estão? — disse Ema — Agora estão em um momento mais descontraído. Dá para se aproximar, não acha?

—Eu já falei mil vezes que não quero nada com ele! — reclamou Anne.

—Quando você vai ser sincera com você mesma? — disse Ema.

—Ai, chega vai! — disse Anne, jogando água na cara da amiga.

—Bom, se é guerra que você quer... — Ema devolveu com mais água. Logo Kelly também entrou na brincadeira. Parece que todos estavam se divertindo, especialmente um certo garoto gênio.

—Excelente! — disse Luís, agora usando uma sunga e segurando o que parecia uma bola de praia — É hora de testar minha última invenção. A bola especial para brincadeiras aquáticas!

—E o que isso faz? — perguntou Ian, que estava bem ao lado dele.

—Parece uma bola comum, não é? Mas faz movimentos bem mais sofisticados. Olha só!

Luís jogou a bola e ela praticamente saiu voando, como se fosse um drone.

—Nossa, é como se a bola se mexesse sozinha — reparou Ian.

—É — falou Luís — Isso vai deixar nosso jogo bem divertido.

—O que você pretende fazer? — perguntou Ian.

—Você já vai ver! Ei, pessoal! — gritou Luís.

Todos ouviram e prestaram atenção nele.

—O que foi? — perguntou Kelly.

—Vamos jogar com a minha última invenção? — perguntou ele — Vocês viram o que ela faz, né? Essa bola pode voar de vários jeitos por aí.

—E o que podemos jogar com ela? — perguntou Briana.

—Que tal um tipo de queimada? — falou ele — Vamos tentar desviar da bola, mas não com equipes. Cada um tenta escapar dela e quem for tocado sai do lago. Que tal?

—Parece divertido — falou Briana.

—Claro que...vocês podem se espalhar ou atrapalhar os outros como acharem mais conveniente — disse Luís.

“Atrapalhar?”, pensou Samanta. “Sim, é isso. Vou fazer a Briana sair do lago nessa brincadeira do modo mais humilhante possível. Hehe. Isso vai ser muito malvado!”

—Podemos jogar? — perguntou Luís.

—A bola machuca muito? — indagou Briana.

—Não. Ela é praticamente de plástico. Só tem um mecanismo dentro dela que desenvolvi com microeletrônica. Não dá para sentir nada — disse ele — É bem mais seguro do que jogarmos com essas bolas por aí que não sabemos onde elas vão parar.

—Parece divertido, né, amiga? — comentou Cíntia.

—Sim. Principalmente para mim — disse Samanta.

—Não sabia que você gostava tanto de jogar bola na água, amiga — falou Cíntia, sorridente.

—Não ligo para jogar bola! — falou Samanta — É que...pode ser um jeito de fazer a Briana de boba.

—Como? — perguntou Cíntia.

—Atrapalhando o jogo dela e fazendo ela sair do jeito mais esquisito possível. Vai ser legal!

—Se você diz…

Já os mais velhos não pareciam tão empolgados.

—Parece um jogo meio bobo, não? — comentou Anne com Kelly.

—Ah, é uma invenção do Luís. Ele deve ter deixado a coisa bem mais emocionante — disse a sempre otimista Kelly.

—Não tenho boas lembranças das invenções do Luís — disse Anne.

—Ah, pode ser divertido — Kelly insistia.

—Tudo bem, vai — falou Anne — Não sou muito boa em esporte, mas a gente dá um jeito.

—Por mim, podemos jogar também — disse Ema — Adoro essas brincadeiras novas.

“E eu sempre esqueço que ela é boa nos esportes também. Ela é tão perfeita que dá raiva!”, pensou Anne.

—Vamos jogar logo! — falou Carioca (lembrando: ainda usando seu boné virado para trás em pleno lago).

—É, vamos nessa — concordou Luciano.

Pelo menos os outros meninos pareciam animados. Ian também entrou na animação.

—Se todos vão participar, contem comigo — disse ele — Já vou entrar na água.

E assim ele começou a fazê-lo, tirando sua camisa, alongando seus braços e pernas, para, enfim, começar a entrar devagar na água. A lentidão de Ian já estava deixando sua irmã Samanta irritada.

—Entra logo! — disse Samanta, puxando o irmão para o lago de uma vez.

—Ai...frio, frio, frio! — reclamou ele.

—Acredite, eu sei como você se sente — comentou Cíntia.

Enquanto isso, Luís sorria, como se estivesse tudo indo de acordo com seu plano.

“Hehe. Está indo tudo como planejei”, pensou ele. “Com esse mini-controle à prova de água que tenho escondido aqui posso controlar a trajetória da bola e manipular como as pessoas se dispersam ou são atingidas. Vou tirar todo mundo do lago e, no final, ficar só com a Anne. Hehe”

*Imaginação do Luís*

—É, Anne. Parece que somos só nós dois agora — pronunciou Luís.

—Nossa, Luís, nunca imaginei que você jogasse tão bem — disse a garota.

—Cuidado. Lá vem a bola — disse ele, apontando para a bola vindo por trás.

A bola seguiu na direção de Anne, fazendo-a se aproximar do garoto.

—Quer mesmo ficar tão perto assim? — disse ele.

—Nossa, Luís — disse a garota — Ai, vendo você assim de perto, meu coração até começou a bater mais forte.

—Entendo. Geralmente você não me vê sem camisa, não é?

—Realmente, esses músculos...não dá para resistir! — falou Luís, mostrando seu bíceps que, graças ao poder de se imaginar o que quiser, estavam extremamente musculosos.

E assim, Anne praticamente desistiu do jogo e se jogou nos braços de Luís, beijando-o apaixonadamente.

*Fim da imaginação*

“Hehe”, pensava o garoto, bem diferente do que ele imaginava de si mesmo (o corpo franzino de Luís não correspondia em nada com o musculoso da imaginação). “Ah, moleque, é hoje!”

—Ô, Luís! Vai jogar logo essa bola ou vai ficar aí com essa cara de imbecil!”, gritou Luciano.

—Hã? Ah, sim, claro. Vamos começar. Hehe.

O que sairá desse jogo?

Notas finais
Mais confusões no próximo capítulo. Até! :)