Vila Baunilha

156 Mapa do tesouro


Beni continuava empolgado com o valioso item que acabara de comprar. Tá, tudo bem, era só um quebra-cabeças vagabundo de poucas peças, mas o caixeiro viajante chinês contou uma história que deixou a imaginação de Beni em polvorosa. Faltava uma peça, uma única peça, que estava em algum lugar de Vila Baunilha. Se Beni completasse o quebra-cabeça, poderia ganhar algum poder misterioso. Claro que nosso amiguinho não conseguia pensar em outra coisa.

O garoto foi para a praça da cidade, abriu a caixa e começou a montar o quebra-cabeças ali mesmo. Não demorou muito para ele completar a figura de uma paisagem e confirmar que havia uma peça faltando. Agora, tudo que ele precisava fazer era encontrar essa peça faltante para ganhar os supostos poderes que precisava para cumprir sua missão de salvar o mundo (de acordo com os sonhos dele, é claro).

“Caraca, só falta uma peça...justamente a peça que completa o telhado daquela casinha da paisagem ali”, pensava ele, sem perceber que alguém se aproximava.

—Oi, Beni — disse Briana, sua colega de sala, chegando de mansinho perto dele.

—Ah, é você — falou Beni — Desculpa, estou muito ocupado agora. Isso aqui é importante.

—O que é isso? — falou Briana, olhando para o quebra-cabeça montado na caixa — Nossa, que lindo. Foi você que fez?

—Ah, é fácil de montar — disse ele — É só começar pelas bordas.

—Mas está faltando uma peça — reparou Briana.

—Eu sei — disse Beni — E essa é a melhor parte!

—Não entendi.

Beni explicou toda a história contada pelo vendedor. Briana ficou encantada, apesar de um pouco desconfiada.

—Mas será que é verdade mesmo? — perguntou ela.

—Bem, tem uma peça faltando — disse ele — Pelo menos isso é verdade. Segundo o vendedor, a peça está bem aqui mesmo, em Vila Baunilha.

—Onde será que está? — indagou Briana.

—Essa é a grande questão. Não sei — disse ele — Mas seria bom achar ela logo. Essa deve ser minha prova para ganhar o direito de salvar o mundo.

—Ah, é. Aquela sua missão — lembrou Briana — Você ainda não desistiu disso.

—Ei, é o destino do mundo que tá em jogo aqui! — reclamou Beni — Como eu posso desistir?

—Tá, desculpa — falou Briana — Mas não temos nenhuma pista, né?

—Pois é — concordou Beni — Isso não vai ser fácil.

—Bom, enquanto não pensamos em nada. Vamos dar uma volta? O dia tá tão lindo hoje — disse Briana.

—Ah, que seja — falou Beni — Acho que uma caminhada vai ajudar a pensar um pouco.

E os dois seguiram andando e conversando sobre o assunto, mas nem sinal de uma pista sobre a peça perdida. Em meio à caminhada, eles passam pelo posto de saúde, bem no momento em que dona Cleide saía de lá.

—A saúde da senhora está incrível dona Cleide — falou doutor Renato — Nem parece que a senhora tem a idade que tem.

—Está me chamando de velha? — reclamou ela.

—O que é isso? Com essa saúde, a senhora nem parece que tem…

—Nem complete essa frase, mocinho — disse a senhora — O importante é que meus exames estão ok. Não ligo para o resto.

Briana observou isso e teve uma ideia.

—Já sei — falou ela — A dona Cleide deve saber de alguma coisa!

—Por quê?

—Ah, ela já mora aqui faz tempo. Deve conhecer essa lenda — explicou Briana.

Assim, os dois correram até dona Cleide e doutor Renato.

—Dona Cleide! — disse Briana, com seu sorriso fofo de sempre — Precisava muito falar com a senhora!

—Heim? Comigo? O que aconteceu? — perguntou a anciã.

—Fala para ela, Beni — disse Briana — Você sabe da história melhor do que eu.

Beni explicou tudo. Dona Cleide, ao ouvir aquilo, só conseguiu pensar que passaram a perna no garoto.

—Desculpa, meu filho — disse ela — Nunca ouvi nada sobre isso. Só se aconteceu há muito, muito tempo mesmo, mas acho que…

Antes que dona Cleide terminasse de falar, doutor Renato a interrompeu.

—Não, espera — disse ele — Acho que já ouvi falar sobre isso.

—Como? — estranhou a senhora.

Beni e Briana se olharam com um sorriso.

“Ah, isso vai ser muito divertido”, pensou doutor Renato, vendo potencial naquela história para armar alguma pegadinha.

—Isso é verdade? — perguntou Beni.

—Bem, preciso ter certeza. Tenho alguns documentos antigos sobre a cidade guardados em casa. Acho que até sábado consigo ver isso.

—Sério mesmo? — Beni estava empolgado — Posso passar aqui no sábado para conferir?

—Claro — confirmou o médico.

—Que legal — disse Briana — Agora você já tem uma pista! Também tô curiosa. Quero vir com você aqui no sábado.

—Combinado — disse Beni.

E os dois saíram felizes. Dona Cleide, evidentemente, não acreditou em uma palavra.

—Fala sério, você nunca ouviu falar de nada disso, não é? — falou ela.

—Dona Cleide, não diga nada para as crianças, pode ser? — continuou o doutor — Essa vai ser uma das melhores brincadeiras que já fiz.

—Você e seu senso de humor exagerado — reclamou a velhinha — Tá bem, não falo nada. Mas vê lá o que você vai aprontar com essas crianças, heim?

—Fique tranquila.

Os dias se passaram e, quando finalmente chegou o sábado, Beni e Briana seguiram para o posto de saúde bem cedinho para falar com o doutor. Amadeu, o urso auxiliar do posto, varria a entrada quando eles chegaram.

—Bom dia, Amadeu — disse Briana — O doutor Renato está?

Amadeu fez que sim com a cabeça e apontou para a janela, onde doutor Renato acenava.

—Ei, crianças — disse ele — Podem entrar. Acho que vocês vão gostar da notícia.

Beni e Briana entraram no consultório dele. Doutor Renato abriu sua gaveta e mostrou um mapa antigo.

—O que é isso? — perguntou Beni.

—Eu sabia que aquela história não me era estranha — disse o doutor — Achei esse mapa antigo da cidade acompanhado dessa carta aqui.

Beni leu a carta. Ela dizia sobre uma antiga peça de quebra-cabeças que deveria ser guardada com todo o cuidado.

—É isso! Só pode ser isso! — disse Beni.

—Foi como você falou, Beni — disse o médico — Aquele homem não queria que os grandes poderes do quebra-cabeças lendário caísse em mãos erradas.

—Mas que poder seria esse? — perguntou Briana.

—Pode me mostrar o quebra-cabeças que você montou, Beni? — perguntou o médico.

—Claro. Estou sempre com uma foto dele aqui — falou o garoto, mostrando a imagem que tinha da paisagem que se formava quando o quebra-cabeças era montado.

—Acho que isso combina com o que foi dito no final da carta — falou o médico.

Beni releu as últimas palavras. Dizia algo como “nem todos estão prontos para desvendar os segredos da mente”

—Mas o que isso tem a ver com a paisagem? — perguntou Briana.

—Porque é um imagem que transmite tranquilidade — explicou doutor Renato — Apenas aqueles com uma mente pura e clara podem despertar o verdadeiro poder mental.

—Faz sentido — falou Beni — Deve ser algum tipo de poder mental ou psíquico!

É claro que o médico só inventou aquilo na hora, mas foi o suficiente para deixar Beni empolgado.

—E esse mapa leva ao local em que a peça está escondida? — perguntou Briana.

—Talvez — disse ele — Pelo que interpretei do mapa...

O doutor fez uma pausa, olhando para o próprio mapa que ele havia desenhado como se fosse algo muito misterioso.

—Esse local parece uma caverna antiga aqui da região — falou o médico.

—Uma caverna? — repetiu Briana, meio assustada — Então não vai ser muito fácil encontrar, né?

—Ah, não importa. Vamos dar um jeito — disse Beni, confiante.

—A Briana tem razão — falou o médico — É muito perigoso para crianças como vocês irem lá sozinhas.

—Mas…

—Mas não se preocupem — disse o médico, interrompendo Beni — Conheço a pessoa perfeita para acompanhar vocês nisso.

Notas finais
Quem será? (como se ninguém soubesse que é o Gustavo). Kkkk Obrigado por ler e até a próxima! :)