Vila Baunilha

43 Festa do pijama


Notas iniciais
Mais um capítulo na área. Boa leitura! :)

—Noite das meninas? — estranhou Anne, ao ouvir um estranho convite de Ema no outro dia de aula, durante o intervalo.

—Sim — disse ela — A visita na sua casa foi bem legal, né? Mas você estava doente e agora, que você está aí, toda saudável, inteirona, saradona...Por que não fazer uma noite das meninas lá em casa?

—Seu pai concordou com isso? — perguntou Kelly, a outra convidada.

—É claro que sim — disse Ema — Desde que vocês passem muito álcool em gel nas mãos antes de entrarem e ficarem longe do quarto dele, ele não liga de receber visitas. Claro que ele vai ficar preso no quarto até fazerem uma faxina na casa toda, mas o importante é que podemos fazer nossa festinha lá em casa, sim.

—Por mim, eu vou — disse Kelly — Vai ser divertido.

—E você, Anne? — perguntou Ema — Não vai ter graça se uma de nós não for.

—É uma noite das meninas mesmo, não é? — perguntou Anne.

—Sim — confirmou Ema.

—Então, nada de meninos. Mesmo? — Anne insistia.

—Nadinha, nadinha — respondeu a garota — Só nós mesmo. As únicas três meninas do primeiro ano. Somos como as panteras ou as meninas super-poderosas ou as três espiãs demais ou…

—Tá, tá, já entendi — interrompeu Anne — Se somos só nós mesmo, eu tô dentro. Vai ser legal conhecer sua casa por dentro. Da última vez, foi só aquele show horroroso.

—Não me lembra — disse Ema — Tive um prejuízo e tanto.

“Como se ela estivesse arrependida”, pensou Anne. “Mas, apesar de tudo, ela é gente boa. Apesar de...eu ter certeza de que ela está aprontando alguma coisa.”

—Afinal, você vai ou não, Anne? — perguntou Kelly.

—Vou, né? — disse Anne — É a primeira noite das meninas que vou participar aqui em Vila Baunilha.

—Ah, aí sim! — exclamou Ema, feliz, abraçando Anne — Vamos virar a noite papeando e fazendo maratona de alguma série! Vai ser demais!

—Espero que seja só isso mesmo — comentou Anne.

—É claro que é só isso — comentou Ema — Não é bom a gente ter algum tempinho em paz? Longe de meninos?

—É, vai ser legal — disse Kelly.

“Vai mesmo”, pensou Ema, lembrando do que conversou com Abílio alguns dias antes.

*Flashback da Ema*

—Mas...você tem algum plano? — perguntou Abílio, depois de finalmente concordar que seria melhor juntar seu filho com Anne do que expulsar os Montecarlo da cidade.

—Tenho, tenho sim — disse Ema — Vou convidar Anne e Kelly para uma festa do pijama na minha casa.

—E o que isso tem a ver com juntar a Anne com o Luciano? — indagou Abílio.

—Espera. Deixa eu terminar! — ralhou Ema — No meio da festa, vou pedir algo da lanchonete para viagem. Daí você manda o Luciano entregar.

—Sério? Ei, você vai pagar pelo pedido, não vai? — perguntou Abílio.

—Claro, claro — disse Ema — Não se preocupa com dinheiro, só faça o que estou pedindo.

—Espera...vocês nunca pedem nada tão tarde da noite. O Luciano não vai desconfiar? — perguntou Abílio.

—É só você falar que é uma das empregadas da fazenda que está grávida e teve desejo de comer um dos seus lanches no meio da noite — disse Ema — Uma mentirinha inocente por uma boa causa.

—Ah, mas mesmo que ele desconfie, é o trabalho dele — disse Abílio — Vou mandá-lo para lá de qualquer jeito.

—Isso! — falou Ema — Quando ele estiver lá, eu dou meu jeito!

*Fim do flashback da Ema*

E foi isso que aconteceu. Naquela sexta, as meninas realmente se reuniram na casa de Ema — não antes de Anne insistir muito para sua mãe deixá-la ir sem Briana, argumentando que sua irmãzinha era nova demais para ficar acordada até tão tarde. É, talvez fosse divertido. Uma noite com as amigas em uma festa do pijama. O que poderia dar errado? As meninas até seguraram o segredo da reunião para nenhum dos meninos ficar sabendo. Anne resolveu dar um voto de confiança para Ema.

—Ah, fico feliz que estejam aqui, meninas — disse Ema para Kelly e Anne. As três já estavam de pijama no quarto de Ema que, por sinal, era enorme.

“Acho que minha casa cabe no quarto dela”, pensou Anne.

—E então? O que vamos fazer primeiro? — perguntou Ema — Já sei! Que tal darmos um retoque nas unhas? Tenho um esmalte fan-tás-ti-co!

Bem, não precisamos dar todos os detalhes da festa (até porque o autor desta história é um garoto que não sabe patavinas do que acontece em uma festa de pijama só de meninas). O mais importante é quando chegou a hora do estômago roncar.

—Gente, vocês não estão com fome? — perguntou Kelly.

—Sim — disse Ema — Mas não se preocupem. Eu vou pedir um lanche para a gente agora mesmo.

—E algum lugar daqui fica aberto depois das dez da noite? — perguntou Anne.

—Ah, sim. Tem um lugar que fica aberto, sim — disse Ema — Deixem comigo.

—Tá. Pode pedir, então — falou Anne.

—Eu só vou avisar meu pai para ele não estranhar alguém chegando, tá? Já volto — falou Ema.

A anfitriã saiu, deixando Kelly e Anne sozinhas.

—Aposto que ela vai pedir alguma coisa da lanchonete do pai do Luciano — falou Anne.

—Ei, como você pode ter tanta certeza? Ela pode pedir alguma coisa do aplicativo da cidade vizinha — falou Kelly.

—Pra cima de mim, Kelly? — falou Anne — Tá na cara, né?

Kelly apenas riu.

—Você já sabia, então — disse Kelly — Mas...por que você veio?

—É que eu tinha um pinguinho de esperança de que fosse só uma noite das meninas mesmo, só uma noite para a gente se divertir como amigas — reclamou Anne — Mas ela tem essa ideia fixa de me arranjar com o Luciano.

—Ah, mas vamos ver o que ela vai aprontar — disse Kelly — Pode ser divertido.

—Seja o que for, tô pronta para dar um fora naquele babaca — ralhou Anne.

Kelly apenas riu. Como essa noite vai acabar?

Notas finais
É, vamos ver o que essa noite reserva para nossa heroína. Até a próxima! :)