Vijukei No Monogatari

10 Capítulo 9 Brincadeiras arriscadas


Notas iniciais
Oláaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Mini-san aqui de novo
o/
Mais uma cap de Vijukei no Monogatari para vcs
espero que gostem
*-*
Betado pela Azumi como sempre neh
=]
http://imageshack.us/f/502/apresentao3.jpg/( Bandas)
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara

Capítulo 9 Brincadeiras arriscadas


–Não acredito que temos que levar essa coisa com a gente – um dos três shiroyamianos encapuzados praguejou.

–Essa “coisa” é o mensageiro mais rápido, ainda que não gostemos da presença de uma meio besta aqui, se algo acontecer ele vai ser o método mais veloz de manter Aoi-sama informado – outro dos três estatuou, olhando disfarçadamente para trás onde o pequeno híbrido se mantinha distante, sabia que não era bem quisto pela maioria dos soldados, eram poucos os que não o discriminavam por seu sangue e infelizmente nenhum dos seus amigos estava entre eles...

“Eles acham mesmo que eu não estou ouvindo?”

Prepotentes demais para se permitirem tentar conhecê-lo antes de julgá-lo e covardes demais para lhe encarar de frente, foi aquela a descrição que o meio youkai dera ao trio de espiões.

Não era novidade e já tinha se acostumado a tal, ser tratado com desdém, como servo, como bicho... diferente era quando alguém o tratava com gentileza e educação...


Seus pensamentos recaíram sobre certo loiro enfaixado e o pequeno chocalhou a cabeça como se o comandante ameniano fosse desaparecer de sua mente com aquilo.


Bufou enfezado consigo mesmo, olhando para o sol forte em cima de sua cabeça. Fazia três dias que estavam viajando, se estivesse sozinho já teria chegado a Ishihara há muito tempo, mas como tinha que acompanhar os espiões chegaria provavelmente ao feudo dos artistas somente no dia seguinte.


Involuntariamente se lembrou do que prometera ao ameniano antes de partir e se reprovou mentalmente por ter feito tal ridícula promessa. Onde já se viu? Estava ficando louco mesmo, ou o loiro de faixa realmente estava fazendo uma lavagem cerebral em si.


“Deve ser algum feitiço”


Se auto-justificou ainda que soubesse que por ser o que era, era imune a feitiços e ilusões.

Levou os dedos ao pedaço de pano sujo preso a um colar no pescoço, franzindo o cenho para o tecido, mas levando-o ao nariz e aspirando o cheiro do sangue alheio. Sentiu um grunhido querer se formar em sua garganta e um estremecer quente dentro de si ao fazer aquilo, mas se conteve e franziu ainda mais o cenho, emburrado com sua reação estranha.


Por que estava tão ansioso para que os três dias restantes se passassem?


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–Está se sentindo melhor? – Kai perguntou ao velho senhor Shiroyama deitado em seu tradicional futton. Apesar da popularidade e recente usual costume do uso de camas, Fukaku preferia se manter na tradição das acomodações orientais.


–Sim, mas minha cabeça não para de doer – reclamou em um resmungo rouco e impaciente ao se manter sentando enquanto seu filho o examinava com o que ele gostava de chamar de “bugigangas estranhas”.


Kai estreitou os olhos, aquilo não era muito comum. Seu pai sempre tivera uma saúde de ferro e nunca fora do tipo de reclamar de dores... e já faziam mais de três dias...


–Vou pedir para trazerem um chá medicinal e um composto que inventei, descanse por enquanto – assentiu de modo gentil e respeitoso, ajudando seu velho pai a se deitar novamente.


–Sim... – Fukaku suspirou, fechando os olhos quase que instantaneamente ao sentir seu pescoço contra o apoio macio.


O Yutaka se erguera, uma expressão séria e ponderativa no rosto, saiu das acomodações deixando ordens para que ninguém mais adentrasse o local, e tal feito seria realmente complicado com o reforço estrondoso na segurança do senhor após o ataque. Caminhou pelos corredores, resolvendo mais alguns problemas e delegando mais funções, tinha que admitir que estar no comando não era de todo ruim, mas não era agradável também, por tal motivo não se importava do feudo ser herdado por Aoi e a ele ser reservado apenas a chefia de pesquisas... era o que gostava. Apesar de Nao o ter ensinado a ter sentimentos, era a poucos que o coração rochoso do general de pesquisa dedicava tal coisa, não era empático o suficiente para ser um senhor feudal... provavelmente transformaria a maioria de seu feudo em cobaias... tudo pelo bem da ciência é claro.


Como todo gênio tinha tendências a manipulações... e como todo gênio odiava quando era frustrado... ainda mais por alguém mais esperto que ele mesmo... e alguém que irremediavelmente poderia ter total controle sobre si.


“Naoyuki”


Odiava o fato de amar tão irracionalmente o maldito conselheiro chefe, odiava o fato do menor manter seus planos tão bem escondidos... odiava o fato de que este poderia o manipular como quisesse... o Murai nunca dava ponto sem nó, e talvez até ter lhe mostrado os sentimentos tenha feito parte de uma de suas amarras.


“Não se preocupe... eu amo você” as palavras de seu enigmático amante persistiam em ficarem rondando sua cabeça... por mais que soubesse que aquilo não passava de mais um dos pontos do conselheiro... seu peito não se constrangia em se aquecer com aquilo... e sua mente não se cansava de chamá-lo de idiota. Se deixar manipular daquele modo talvez fosse sua atitude mais burra já tomada.


Por hora era melhor dar alguma atenção a outra pessoa que também detinha seu empedrado coração, sua adorável e fofa sobrinha provavelmente o repreenderia por passar tantos dias sem ao menos procurá-la, mas comandar um feudo inteiro na ausência de seu irmão e ainda cuidar de seu pai tinha tomado todo o seu tempo... o que sobrava usava para continuar suas pesquisas e dormir, afinal tinha muitos mistérios para desvendar, sobre as misteriosas criaturas que atacaram seu pai... e sobre seus “aliados” selvagens...


–Maya-chan, onde você está pequena? – perguntou em um sorriso amável ao adentrar o quarto da sobrinha, franzindo o cenho quando não recebeu o cumprimento afetuoso e impulsivo da garotinha.


–Kai-sama, Maya-chan está dormindo! – Kaisugi se colocou em sua frente, meio assustada, meio desesperada demais... o que não passou aos olhos do senhor temporário de Shiroyama.


Maya dormindo em plena a tarde? Como se a pequena não fosse tão ativa que fazê-la dormir fosse o grande desafio.


Kai estreitou o olhar e a jovem serva se sobressaltou, sabia dos boatos de que boas coisas não aconteciam àqueles que Kai-sama desgostava, na verdade todos em Shiroyama tinham mais receio em relação ao Shiroyama mais novo que se mostrava assustadoramente simpático normalmente do que do sempre sério filho mais velho.


O Yutaka passeou os olhos até a cama pequena no centro do cômodo, estranhando o volume debaixo dos cobertores... como se de fato a pequena estivesse dormindo. Andou até o amontoado e puxou os panos com rapidez, confirmando que não passava de algum arranjo de tecidos e almofadas embaixo destes.


–Onde está Maya? – vociferou para a serva de bonitos cabelos negros.


Kaisugi já estava ajoelhada ao chão e com a testa colada no tatame quando o Shiroyama se virou.


–Perdão, Kai-sama... perdão ... – repetia em um choro iniciado... estava morta, com certeza já podia se considerar morta...


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Aoi não estava nada contente.


O general se mantinha a pulso em cima de seu cavalo, o cansaço que começava o abater dominava seus homens... e ele não estava nada contente.


“Vamos na frente!”

Foi o que Uruha dissera.


“Nada disso, você e seus homens vão se manter bem perto de nós!”


Fora o que ditara.


“Podemos chegar mais rápido do que vocês, manter o ritmo do seu exército irá nos atrasar”


E bastou aquilo para o general se ofender e se sentir subestimado, forçando seus homens a caminharem com descansos mínimos durante os três dias e duas noites que já havia se passado sem acamparem para dormir. Se mantivesse aquele ritmo de marcha chegariam a Hana em mais dois dias, mas estava óbvio que o exército já estava desgastado demais para seguir sem um descanso prolongado no meio daquela floresta aquela noite. Em contraste o exército ameniano se mostrava completamente inteiro e até mesmo entediado em ter que seguir o ritmo das tropas shiroyamianas... o que não deixava Aoi nada contente.


–Podemos acampar hoje? Meus guerreiros querem descansar um pouco – Uruha pedira em uma voz baixa e melódica ao aparecer em mais uma de suas correntes rápidas de vento ao lado do cavalo negro do general.


Era óbvio que seus guerreiros não estavam cansados, mas havia reparado no desgaste de milhares de soldados e sinceramente não gostava de ver aquilo. Sabia que o orgulho e a competitividade estranha do mais velho não o deixava tomar a atitude certa então não custava nada dar uma mãozinha. Além disso, repousar seria de valia para si e seu povo, já notava muitos se eriçarem com o período de calor próximo, e se queriam continuar o treinamento era preciso acampar, apesar de duvidar que o general e os onze samurais designados para treiná-los estariam em condições para tal.


Aoi o fitou por uns segundos, percebia que os demônios que insistiam em pular de árvore em árvore acima de suas cabeças, e por vezes sentar em algumas, esperando a primeira linha do enorme exército, estavam longe de “querer descansar”. Mas seus soldados já estavam no limite, por isso apertou as rédeas de seu cavalo e parou, fazendo os comandantes e soldados atrás de si também se congelarem. Ainda estava cedo para montar acampamento, demoraria ao menos mais três horas para anoitecer, porém achava que prolongar o tempo de descanso seria mais vantajoso, já que tinham adiantado e muito a viagem. Se não havia mensagem ou alerta algum sobre movimentações e ataques era seguro acampar na floresta aberta e ensolarada de Hana, ainda mais com um exército de mais de uma centena de milhar.


–Podem montar acampamento, vamos descansar essa noite, amanhã partimos antes do meio dia – estatuou para os comandantes, e estes cumpriram sua obrigação em divulgar entre os soldados.


O futuro senhor de Shiroyama desceu de seu cavalo, imponente apesar de sentir os dias e noites de viagem em seu corpo, fitou os olhos achocolatados do loiro andrógeno.


–Quando a noite cair quero seus selecionados na arena principal que será montada e você em minha tenda! Vamos continuar logo esse treinamento – estatuou sem dar margem a contestação, andando em passos pesados até uma pequena sombra e acomodação já montada para si até que sua tenda estivesse pronta.


Uruha respirou fundo, estava precisando de um tempo a sós com algum neko, seu corpo já começava a reclamar pelos dias sem consolo, mas parece que não seria ainda aquela noite.

Se deixou sumir em uma brisa e reapareceu alguns metros à frente onde Reita já comandava a montagem de algumas barracas. Geralmente não se incomodariam com isso e utilizariam as próprias árvores para um descanso se necessário, mas com o calor se aproximando alguns amenianos queriam privacidade, até porque discrição fora o ordenado pelo líder.


– Aoi-san já está informado sobre a época de calor? – o Suzuki perguntou.



–Sim, está, disse que contanto que seja longe de seus olhos e entre nós não tentará nos matar – assentiu, observando ao longe as carruagens tampadas que traziam os servos, moças e concubinas... não gostava daquilo. Uma coisa era propor a alguém que lhe aqueça na cama, outra coisa era tornar isso uma obrigação.


“Estrangeiros e suas coisas”


Arfou em incompreensão, realmente apesar de entender, jamais compreenderia certas coisas daqueles de fora de sua vila.


E fora quando uma das carruagens entrou em seu alcance que o ameniano estreitou os olhos de modo curioso, uma presença familiar vinha de uma delas e um sorriso humorado se abriu em sua face alva e maquiada.


–Ah! As moças e concubinas de Shiroyama... o que vamos fazer em relação aos tachis que as querem? – Reita perguntou ao ver o que seu amigo mirava.


–Aoi-san disse apenas que sodomia que envolvesse alguém de Shiroyama seria punida... não quis entrar muito em detalhes, mas entendi que contanto que não seja nenhum de nós com algum macho deles o resto não teria problema... se alguns tachis se interessaram, e as moças concordarem, não vejo nenhum obstáculo, só lembre-os de se prevenirem como sempre... com toda certeza não querem espalhar sementes sem pai por aí, muito menos em ventres estrangeiros – o líder respondeu, se adiantando em seguida em direção ao rumo das carruagens.


–Uma última dúvida – Akira gritou o fazendo retornar. E pela cara do amigo faixudo, Uruha já sabia que pergunta seria.


–Tecnicamente Ruki ainda não é cidadão de Shiroyama, apesar de ser de lá... ele é meio youkai e não sei bem se isso se enquadraria no conceito de “sodomia” deles... mas podemos usar isso ao seu favor – sorriu gentil ao aliviado amigo – eu não vou colocar barreiras entre você e o seu companheiro, Reita, não deixe que ninguém coloque, afinal só se tem um companheiro para a vida inteira e você não vai querer passar o resto de sua existência sozinho e longe dele – finalizou, mirando o amigo assentir, um sorriso no rosto de nariz enfaixado.


Kouyou sorriu de volta, meio enciumado, sempre pensou que ele encontraria um companheiro primeiro que o amigo, que teria um filho e seria pai antes mesmo de Akira marcar alguém... Olhou para o solo e voltou a fitar as carruagens, seguindo animado em direção a elas. Talvez ao menos conseguisse realizar uma das coisas antes de Akira.


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–Então aquele é o acampamento chinês... – Tora comentou em voz alta ao mirar o amontoado de barracas e algumas construções ao longe do penhasco em que estava, um comandante de Hana ao seu lado e alguns soldados. Fitou a construção central circular no que parecia ser o centro do acampamento, estava mais alta do que os rabiscos do desenho que recebera – ele fede! – constatou ao se ver atingido por uma rajada de ar.


–Esse fedor começou tem muitos dias, acho que são os corpos dos nossos soldados que morreram em batalha no dia da invasão – o comandante explicou em desconfiança, havia sido avisado de que o general de Ogata seria seu reforço, e qualquer ajuda ali seria bem vinda, mas ainda não tinha total certeza de que o jovem de olhar felino e feição séria era confiável.


–Não entraram em comunicação para pedirem os corpos? – o Amano questionou em estranheza – um funeral digno é o básico que qualquer ser humano merece.


–Tentamos, junto com os pedidos de explicação sobre o ataque, de negociação e nome do líder – o senhor que parecia ter mais de quarenta respondeu, se sentido meio ofendido por um moleque estar falando aquilo para si.


–Eles se negaram?


–Nenhum mensageiro ou espião voltou, acho que a resposta ficou bem óbvia – o comandante explicou , fazendo Tora mirar o acampamento ao redor da baía novamente...

–Por que não avançaram? Se estão tão bem armados por que não se movem? – questionou ao mais velho.


–Não sabemos, tudo que vemos são eles trabalharem dia após dia nessa construção estranha e nas casas... eles trabalham mais à noite e passam o dia menos ativos... sinceramente eu não me lembrava dos chineses serem tão estranhos assim – o velho suspirou em cansaço.


Shinji estreitou os olhos...tinha uma intuição nada agradável sobre aquilo, esperava que os homens que havia mandado ao Santuário lhes fornecessem respostas...



“É gatinho... parece que sua desconfiança estava mais do que certa”



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– É melhor me falar logo o que sabe Buu-chan – Kazuki estatuou em uma voz indiferente.


A sua frente o corpo de bruços do ameniano citado, as mãos presas ao chão da sala elegante por duas estacas que cravavam sua palma, e em suas costas nuas era possível ver dois pregos em cima de suas escápulas, fincados nos símbolos gêmeos sempre presentes, além de diversos cortes na tez pálida, o carmesim vermelho do sangue banhando a pele e sujando o tapete de bom gosto.


–Eu disse que eu não sei de nada... e é Manabu – Manabu vociferou em uma voz fraca, mas não menos altiva do que a que sempre usou. O maldito sabia seus pontos fracos... lhe avisaram que ele era esperto... não que ele já não estivesse acostumado a ser torturado.


– Buu-chan... você já se entregou, só complete toda a informação, sim? – Kazuki pediu em uma feição falsamente meiga, utilizando a pequena adaga para fazer mais um corte nas costas do outro.


Manabu cerrou os dentes para não vocalizar a dor. O proprietário não o mataria, sabia disso, mas também não descansaria até arrancar qualquer coisa de si... talvez devesse falar algo... só não a verdade.


–Eu conheço o monge Rui – soltou por fim.


O dono de Gather Roses sorriu de lado, tirando uma por uma das estacas na palma do menor.


–Viu só Buu-chan, é só começar a falar que eu vou ser bonzinho, agora me diga... de onde você o conhece? – perguntou em animação.


–É MA-NA-BU... De onde mais eu conheceria um monge? Do Santuário, ora! – rebateu em enfezamento.


–Sim, mas como o conhece? – o maior inquiriu em desagrado, tinha que dar um jeito naquele esquentadinho se ainda planejava fazer dinheiro com ele... o que com certeza planejava, pagara muito pelo garoto, e espião ou não ele daria sem dúvida um ótimo cortesão... se não abrisse a boca.


– Eu viajo por aí há alguns anos... o santuário fica perto de Akai Ame, então sempre ia lá... Rui não era um monge muito exemplar, por isso era bem conhecido, mas eu nunca cheguei a conversar com ele... – continuou, ponderando as palavras com calma e habilidade.


–Por que ele não era um monge exemplar? – voltou a questionar, se munindo de um pano e colocando a água de uma jarra próxima em uma vasilha.


–Ele bebia muito, seduzia e dormia com viajantes e cobrava por isso, ficava mexendo em coisas proibidas, saía dos domínios do santuário e voltava dias depois, era irritante, não sabia ficar quieto ou fazer silêncio, se metia em brigas, era tudo que um monge não era – continuou.


–Hum... isso explica porque aquele estranho do Yuuto se interessou por ele... – Kazuki comentou em voz alta –... não me parece interessante, então, por que esse seu empenho em ir servir Byou?


–Eu quero uma boa foda, dizem que ele é bom e está quase na época do calor – Manabu rebateu em um sorriso desafiador, mirando o cenho franzido de seu “senhor” ao se levantar com dificuldade, começando a retirar os pregos de suas costas, mordendo o lábio para não gritar.


–Sabia que amenianos podem ser bem promíscuos até encontrarem um companheiro, mas não pensei que fossem vulgares – Kazuki estatuou em uma sobrancelha erguida.


–E não são, mas como eu já disse, eu sou diferente do meu povo – rebateu, respirando com dificuldade depois de tirar os pregos que deformavam suas marcas vermelhas – eu podia te matar agora por isso, sabia?

–Você não vai me atacar até eu te atacar, e no momento eu não estou com nenhuma intenção de te ferir, devia ter sido mais cuidadoso antes – o proprietário respondeu de modo indiferente, se apoiando em uma de suas mãos no chão e levantando uma de suas pernas, o elegante traje escuro se espalhando levemente sobre o tapete sujo – seu povo é forte, mas com muitos pontos fracos.


–E quem te garante que eu tenha que obedecer a essa regra? – o menor questionou, se colocando de joelhos e se pondo de frente para o maior.


–Mesmo que não tenha, se me matar vai perder qualquer chance de entrar na fortaleza de Byou... – Kazuki sorriu, levando a mão ao queixo delicado do ameniano amendoado e trazendo para perto de seu rosto -... vai ficar sem sua boa foda, não é? – ampliou o sorriso ao demonstrar que sabia não ser verdade o que o outro dera como motivo para querer servir o senhor de Vegas – não vou te pressionar mais hoje, Buu-chan... afinal você é o meu lindo discípulo.


–É Manabu – o menor vociferou antes de ter os lábios pressionados levemente contra o do maior para logo serem libertados.


–Que seja, chame Yuko-san para limpar essa bagunça – o maior ordenou ao se por de pé – tome um banho, tem lições de etiqueta hoje à noite, e não pense em fazer corpo mole, sei que isso vai cicatrizar em algumas horas, afinal seu shaman nunca dorme, não é? — completou em um último sorriso triunfante antes de se colocar para fora da sala.


Dentro do cômodo o menor continuava de joelhos, a mão trêmula indo até os lábios recém beijados. Um sorriso de lado se abriu... Kazuki era esperto, mas ainda era humano...


“Talvez seja melhor mudar de estratégia!”


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–Eu não quero ter que servir esses soldados fedorentos, não quero! – uma jovem shiroyamiana resmungava em um canto da carruagem espaçosa e amontoada de mulheres.


–Se pudéssemos escolher, nenhuma de nós serviria – outra deu de ombros, se arrumando em um espelho pequeno de mão – é torcer para não serem muitos e serem gentis.


–Não serem muitos? Tem mais de cem mil soldados aí fora, sem falar nos amenianos... – uma terceira começou.


–Mas os amenianos não gostam de garotas – uma quarta interrompeu.


–É o que disseram, o que é uma pena, já viu o quanto eles são lindos? – uma quinta.


– E gentis também, uma das servas do palácio falou que são perfeitos cavalheiros... – sexta.


–Parem de fofocar, são demônios, estão sendo enfeitiçadas por eles – uma jovem mais ao fundo bradou.


– Aoi-sama também é lindo! Pena que ele já tem várias concubinas... – uma sétima garota comentou.


–Ouvi dizer que depois da morte da esposa dele nem as concubinas mais o interessa – a segunda garota tornou a se pronunciar.


–Ele é muito mau – a primeira jovem voltou a falar – ouvi dizer que ele matou a esposa.


–Não, ela morreu no parto da filha deles – uma outra mulher bradou.


–Pra mim, eu acredito mais que ele a matou – a primeira voltou a insistir.


–Ele não matou – a vozinha fina e brava se fez ouvir ao fundo da carruagem.


–Cale a boca pivetinha, você não sabe de nada – a primeira garota tornou a falar – não sei nem como você está aqui, deve ter algum doente por criancinhas no meio desses abutres...


E o praguejar da jovem foi interrompido pela figura andrógena e gentil que levantou o tecido, usado como porta, com um sorriso no rosto.


–Boa tarde, desculpe incomodar, mas acho que estão com uma menininha importante por aí dentro – Uruha falou em um tom brando e um sorriso amplo.


–M-menininha? – uma das moças perguntou, corando ao mirar a figura bonita do rapaz.


–Uruha! – a voz familiar bradou do final da carruagem, correndo em passinhos difíceis e se jogando nos braços delgados do maior.


–Maya-chan, o que está fazendo aqui, daminha? –o maior perguntou ao abraçar a pequena, aparando-a para que não caísse.


–Eu fugi e me escondi junto com essas moças, até coloquei roupas diferentes, sou boa nisso, não sou? – respondeu em um sorriso travesso – deixei um bilhete para Kaisugi-san, eu queria ficar junto do Uruha e do papai.


–Pequena, esse não é lugar para criança, seu pai sabe que está aqui?


–Não, eu ia procurar quando a gente parasse, mas a gente parava rápido e não dava tempo – a pequenina explicou – não conta pro papai agora, ele vai ficar bravo...


–Eu não posso esconder isso dele, e você não pode ficar aqui, daminha! – confessou em uma voz suave, notando pela primeira vez que estavam sendo alvo de olhares das dezenas de moças ali dentro – desculpe incomodar, eu vou levá-la comigo, obrigado por cuidarem dela – Uruha assentiu em gentileza, deixando o pano leve cair, dando passos com a jovenzinha encapuzada em seus braços.


–Maya-chan não é o nome da filha do Aoi-sama? – uma mulher perguntou.


–Aquele era o líder ameniano? – outra questionou


–Sim, e sim para as duas – uma jovem mais para o lado respondeu.


–Estávamos com a filha do Aoi-sama esse tempo todo?


–Ele não gosta mesmo de garotas?


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–Sabe que aquele cara vai pirar quando souber, não sabe? – Reita perguntou em tom humorado, não estava mesmo preocupado com aquilo.


–Sei, mas... Maya-chan tem um jeito muito dela de convencimento – Uruha suspirou, logo deixando um sorriso doce lhe enfeitar a face enquanto acariciava os cabelos da pequenina adormecida nas almofadas de sua pequena tenda – não tem como te dizer não, não é daminha?


“Nesse ponto se parece com ele, apesar de não ter seu sangue”


– Acho que conto para ele hoje no treino, se a tenda dele explodir já sabe qual foi o motivo – sorriu para o amigo.


–Se a tenda dele explodir vou pensar outra coisa isso sim – Akira provocou, gargalhando em seguida para a expressão estranha do amigo e líder.


–Cala a boca, Reita, tentem ter algum progresso hoje, quanto mais cedo aprendermos a atacar, mas cedo colocamos tudo em prática e mais cedo voltamos pra casa – estatuou.

–Acha mesmo que conseguimos mudar nossa natureza desse jeito? – perguntou, um pouco mais sério.


–Se antes nosso povo não conseguia nem segurar uma arma... acho que podemos aprender tudo – Kouyou respondeu.


–Isso me assusta, parece que estamos perdendo nossa essência... é estranho, parece que estamos deixando de sermos nós para nos tornamos seres como eles – o enfaixado comentou em uma expressão incomodada.


–Eu sei... por isso apenas nós doze, não passaremos isso adiante, já assumimos posturas e fizemos coisas inusuais demais até aqui, isso acaba assim que essa guerra terminar – Kouyou bradou em determinação.


–Uruha-san, Reita-san, eles estão nos chamando – um dos selecionados falou ao projetar a cabeça para dentro da pequena tenda.


–Obrigado, estamos indo – Reita assentiu.


–Peça para alguém ficar de vigia, ninguém sabe que ela está aqui, mas... – Uruha começou.


–Não confia nos soldados de Shiroyama e nem naquele conselheiro não é? Não precisa se sentir mal por isso... eu também não confio – o Suzuki deu de ombros – eu peço para alguém sim, vai logo antes que a tenda do Aoi-mal-encarado-san exploda sem você lá dentro – finalizou em provocação, recebendo uma almofada do amigo.


Uruha se levantou e foi direto para a entrada quando recebeu a almofada novamente em suas costas.


–Ei – reclamou em humor – doeu.


–Brincadeira, Uruha... pensou no que eu pensei? – Reita se levantou, como se tivesse tido uma idéia.


–Não – o líder respondeu em estranheza.


– Tudo bem, não é porque agora você é responsável que a lerdeza sumiria — o menor pareceu comentar consigo mesmo – veja, as almofadas, teoricamente eu acabei de te atacar, é diferente de quando estamos treinando com espadas de madeira, nós podemos atacar por se tratar de coisas que não machucam seriamente... mas agora, é como ... uma travessura...


–Eu ainda não entendi aonde você quer chegar... – o Takashima continuou em uma expressão confusa.


–Brincadeira, Uruha... lembra o ditado que não se deve brincar com a comida? Nesse caso, nós devemos brincar com a comida, ou melhor... com o inimigo.


–Reita, seja claro – pediu.


–Ok... lembra quando éramos crianças e inventamos de fazer armadilhas para pegar coelhos e um deles acabou morrendo?


–Lembro...


–Nós matamos um ser, o que tecnicamente não é possível para nós, mas como estávamos apenas brincando... nosso shaman não nos bloqueou nem nada...


–Então... temos que nos convencer que tudo não passa de uma brincadeira? – Uruha questionou – não sei como, não somos mais crianças Reita, sabemos as conseqüências do que fazemos, e como lidar com nossa culpa depois? Não ficamos bem com a morte daquele coelho.


–Só não pense Uruha, brinque, faça tudo como der na telha... vou tentar isso hoje, tente também, engane seu Shaman e engane a sua natureza – Ditou, sorridente e triunfante ao sair da tenda do amigo.


–Brincadeira, neh... – murmurou para si mesmo, lembrando de quando disse para a pequena adormecida que estava “brincando de brincadeira de gente grande” com o general...

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–É o seguinte, vamos brincar, quem derrubar um shiroyamiano primeiro vai dormir com o Uruha pelas três noites de calor – Reita estatuou entre seus guerreiros assim que estes se reuniram na arena central do acampamento. Não tinha falado com o amigo sobre ele ser o prêmio da disputa, mas duvidava que ele questionasse, já tinha dormido com todos os nekos selecionados mesmo.


Oito dos dez selecionados vibraram.


–E nós? Somos tachis, mesmo querendo dormir com Uruha-san não vamos aceitar ser passivos – um jovem de porte forte e cabelos acobreados questionou.


–Vocês... o que querem? – perguntou em barganha.


–Hum... comida, dizem que Uruha-san cozinha bem, se ganharmos queremos provar da comida dele – o outro tachi respondeu.


–Neh... isso era algo que Uruha estava guardando para o companheiro dele, só usava algumas pessoas como cobaias... inclusive eu... – tentou ponderar em alto tom -... ele realmente cozinha muito bem... ta, tudo bem, eu o convenço a usar vocês como cobaias também, então vamos lá, quem derrubar um shiroyamiano primeiro vence.


Os dez amenianos vibraram em sorrisos animados, enquanto do outro lado da arena onze samurais os fitavam com estranheza.


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–Boa noite! – Uruha cumprimentou ao adentrar a tenda ampla e gigantesca do general moreno, não sendo respondido em seu cumprimento. O Shiroyama já se encontrava em um espaço vazio ao canto desta, uma espada comum em mãos, um quimono negro e folgado;


–Vamos logo com isso – Aoi ditou e Kouyou respirou fundo antes de se colocar a frente do menor, notando os olhos deste se focarem em suas coxas nuas e fuzilá-las – pensei que tinha dado um jeito nesses seus trajes.


–É difícil se mover daquele jeito – o loiro explicou meia verdade – sei que não gosta muito disso, mas poderia relevar por enquanto? – pediu, meio receoso da resposta do Shiroyama.


Aoi apenas bufou em desagrado e voltou a encarar o loiro maior em sua frente, deu passos até o corpo do líder ameniano e se deixou pouco menos de um metro de distância.


–Tente me atacar, de qualquer forma, pode ser com os punhos, já fez isso antes e eu não tinha te ameaçado – o moreno vocalizou em seu tom sério e impaciente.


–Mas aquela vez era diferente, eu estava meio que... estressado – o loiro explicou, desviando o olhar para o lado – você tinha me interrompido em um momento importante e...


–Chega de conversa, tente me atacar – ditou.


–Hum... é uma brincadeira? – Uruha tentou, sem saber direito como deveria fazer aquilo.


–Brincadeira? – Yuu inquiriu em um vociferar quase que demoníaco – está levando isso a sério?


–Não é... bem, sim, mas... vamos fazer assim: se você me der três golpes eu respondo uma pergunta sua, qualquer uma, sobre meu povo, sobre Akai Ame... e se eu conseguir te acertar três vezes você me responde uma pergunta – propôs, se sentindo estremecer por ousar falar aquilo.


–Do que está falando? Ousas brincar com a minha cara? – Yuu grunhiu em uma voz baixa a ameaçadora, um olhar negro e escuro que eriçaram os poucos pêlos do líder ameniano.


–Não, não, é... só uma idéia, se eu achar que é uma brincadeira eu vou conseguir atacar sem ser para me defender – explicou, tentando se manter firme e não recuar.


–Tsc... tanto faz, faça como quiser – o moreno dera de ombros, ainda com o olhar fechado – pois bem... quem conseguir três golpes primeiro vence.


Uruha sorriu,aliviado, e Aoi desviou o olhar.


–Vamos – o loiro assentiu, levando os punhos cruzados para cima e se munindo de suas espadas finas. Foi em direção ao moreno, era fácil se mover daquele modo, sem pensar se o machucaria, apenas sabia que teria que acertá-lo três vezes.


Ainda não havia sido bloqueado por seu ser, estava bem...


“É só uma brincadeira, é só uma brincadeira”

Se repetia mentalmente para se privar de pensar que poderia ferir o outro com aquilo.

Aparecia e desaparecia em volta do moreno, desferindo um golpe a cada vez, e sendo bloqueado pela espada do outro, não estava lutando a sério, e isso não era bom... quer dizer que havia um limite para aquela auto enganação.

Ainda não era o “aprender a atacar” que queria... mas era divertido.


–Um – falou baixo ao tocar a parte sem lâmina de sua espada no braço direito do general. Este rugiu em frustração e a tirou de lá em um estalar de metal, aproveitado o movimento para projetar a espada para frente, por debaixo do braço fino do loiro e acertar a ponta debaixo do peito esquerdo deste, parando antes que o fio o cortasse.


–Um – ditou em um sorriso de lado, satisfeito, e Uruha não conseguiu parar de pensar que o moreno era realmente bonito... se não fosse como era...


Kouyou retribuiu o sorriso e também retirou a lâmina de si com o metal da sua espada da mão direita, usando a esquerda para acertar a outro braço do Shiroyama.


–Dois – intimou em humor até mirar o olhar franzido deste para si.


Aoi grunhiu e circulou a “agulha” do maior com sua lâmina, maneando-a e fazendo o líder ameniano soltá-la em um momento de desatenção, se adiantou em golpear a estrutura das costelas, tocando de leve o metal ali.


–Dois – apontou em seriedade, se adiantando e ricocheteando sua espada contra a restante do maior, também derrubando-a – parece que eu venci – ditou em altivez.


–Ainda não me golpeou pela terceira vez – Uruha apontou e num momento suas espadas estavam de volta às suas mãos.


Aoi olhou para o chão, onde as armas estavam e constatou que já não se encontravam mais lá. Fechou o cenho e tornou a atacar o ameniano, mais uma dança de ataques e bloqueios se iniciando até que Uruha decidiu seguir o ritmo do moreno e rodear a espada com o X de suas “agulhas”, fazendo-a girar nas mãos do general e saírem de seu aperto, tintilando no chão forrado de tecido.


–Parece que eu venci – Kouyou disse em repetição, e talvez estivesse gostando de provocar o moreno.


Yuu o fuzilou em ódio e uma veia saltou em sua testa.


–Mas para ser justo... – o loiro estatuou em brandura, deixando suas espadas se dissiparem no ar -... o último vai ter que ser sem armas – falou ao assumir o que pretendia ser uma posição de luta, mas novamente parecia apenas algum inicio de dança ao manter uma braço dobrado com a mão sobre o rosto e o outro estendido para a lateral.


Aoi sorriu de lado, não acreditava mesmo que o ameniano tinha sido tão burro ao ponto de propor uma luta corpo-a-corpo consigo.


–Venha – ordenou ao se manter em uma tradicional pose do estilo de luta de sua família, as pernas bem afastadas e os braços formando um semi arco, com o direito para frente e o esquerdo para trás, ambas as mãos fechadas em um semi punho, deixando a palma descoberta.


Uruha respirou fundo, nunca treinara muito lutas corporais... por que tinha proposto aquilo mesmo?


“É só uma brincadeira, é só uma brincadeira...”


Se repetiu e partiu para cima do moreno, tendo seu primeiro golpe bloqueado pelo pulso direito deste, seguindo um ritmo de direita , esquerda e chute básicos. O general notara que apesar da habilidade com espada a arte marcial do lider era bem amadora. Não foi difícil para o experiente shiroyamiano prender os pulsos do maior com suas mãos, puxando-os de modo cruzado, um para cada lado e fazendo os braços finos e alvos se esticarem. De repente se sentiu estranho ao ter o rosto bonito e maquiado do maior de frente ao seu...


Os olhos se encararam involuntariamente e a respiração foi dividida sem ser notada, os lábios se abriram minimamente como esperando algo.


Por que estava tão próximo? Era o que Kouyou se perguntava, daquele modo parecia mais uma vez que o moreno iria beijá-lo. Seu corpo todo se estremeceu e um calor conhecido o invadiu, sentiu suas bochechas corarem e as íris olhavam nervosas para os orbes negros que as queriam tragar para si. As mãos fortes do general soltaram seus pulsos e seus braços se descruzaram e caíram ao lado de seu corpo, mas o loiro se manteve estático, sem reação, sem saber o que fazer.

Sentiu os dedos alheios lhe tocarem as laterais do antebraço, subindo leves pelos ombros, não se moveu, não era capaz de se mover, seu corpo estava congelado e os orbes negros pareciam o prender em algo que não era bom, mas ainda assim o tragava... um abismo de ódio, culpas, dores...

As mãos foram sentidas em seu pescoço e seu shaman urgiu ao sentir sua vida ameaçada quando estas fizeram força, os dedos apertando sua traquéia, bloqueando a entrada e saída de ar. Por que não se movia? Por que Aoi o estava matando?


–Por que Tsuna...? – a voz baixa do moreno foi murmurada com dor, os dígitos se apertando mais no pescoço fino e alvo do ameniano.


Uruha não conseguia mais puxar ar, sentia as pontas dos dedos adormecendo, seu shaman ruindo para ser liberado e preservado, e apesar de não se manter controlando-o e reprimindo-o ele não ousou sair e controlar seu corpo... Por que?


–Papai? – a voz fina perguntou em espanto, parecendo despertar o general de algo, fazendo-o soltar o pescoço fino entre suas mãos em reflexo.


Kouyou caiu ao chão e inspirou de modo desesperado, levando sua própria mão às marcas vermelhas na tez alva, encarando o moreno acima de si.


Yuu olhou nervosamente para os lados e levou a palma direita à sua cabeça, procurando qualquer coisa para se focar até ver a pequena Maya na entrada de sua tenda... Maya... Maya não devia estar ali.


–O que está fazendo aqui? – rugiu em direção à menina que se encolheu diante da voz do pai.


–E-eu... queria ficar perto do papai e do Uruha – a pequena respondeu, os olhinhos negros se marejando – Uruha tá bem? – perguntou, focando as orbes translúcidas no loiro ajoelho no chão.


–Sim pequena, eu estou – Kouyou assentiu fracamente, abrindo os braços para a pequena que tratou de correr rapidamente para seu abraço.


–Eu deixei claro que era para se afastar de Maya, e você a trás para uma guerra? – o Shiroyama vociferou, pegando sua espada do chão e colocando-a no pescoço que antes asfixiava.


–Não papai, Uruha não me trouxe, eu fugi, eu fugi e me escondi com as moças – a pequena gritou desesperada, se adiantando para empurrar a lâmina para longe do loiro e cortando suas mãozinhas no processo, mordendo os lábios para não chorar apesar dos olhos já não suportarem mais as lágrimas e começarem a transbordar.


Aoi abaixou sua espada no momento em que viu o sangue vermelho escorrer das mãozinhas da pequena, se adiantando para pegá-la em seus braços.


–Não pode pegar em uma espada assim, Maya, não pode... – repetia em uma voz não gentil, porém menos ríspida do que costumava usar.


–Me dê ela – Uruha estatuou em nervosismo, praticamente tomando a menina dos braços do pai, não se importando se este o mataria depois por aquilo.


Pousou Maya no chão, que fungava tentando conter o choro, enlaçou a suas mãozinhas entre as suas e fechou os olhos brevemente. Os símbolos surgiram em suas coxas e num segundo o loiro soltara as mãos da pequena.


–Pronto, já ficou boa, viu só? Não precisa chorar, seu papai e eu só estávamos brincando, sim – acalmou a menina, mostrando as mãos sem feridas e erguendo-a consigo quando se levantou.


–Ela fugiu e se escondeu nas carruagens das moças que trouxeram, a encontrei hoje, mas ela me pediu para não te contar ainda, planejava te avisar assim que o treino acabasse – explicou resumidamente, embalando a garotinha que o abraçava e controlava seus ofegos.


Aoi estreitou o olhar e puxou a filha dos braços do ameniano.


–Ela é minha filha, eu cuido dela, e você fique longe – rugiu em direção ao maior – saia – ordenou, impassível, e dessa vez nem mesmo Maya teve coragem de levantar a cabeça diante da frieza que a voz do pai transmitia.


–Sim – Uruha assentiu, passando de maneira rápida pelas tendas montadas na floresta aberta, parando apenas quando já se encontrava na sua própria, encontrando Reita ali.


–Ei, o que foi? – o amigo perguntou assim que notou a feição alarmada e nervosa do líder.


–Nada, é só que... essa coisa de brincadeira... não dá muito certo... – tentou explicar, meio confuso com tudo que se passara.


–Sim, dá certo no começo, mas nós não usamos todo nosso potencial, que dizer que nunca atacaríamos seriamente, não é eficaz... seu shaman... por que seu shaman está ativado? – perguntou ao mirar as marcas vermelhas nas coxas nuas – e seu pescoço... – se aproximou, tocando as marcas de dedos que já desapareciam até a pele fina se tornar alva novamente.


–Aoi-san, e... Maya-chan, ela se feriu e eu... eu sou tão burro! – praguejou de modo controlado, apoiando a cabeça de fios loiros e semi amarrados em sua palma – eu não sei o que diabos aconteceu direito... eu acho apenas que piorei tudo...


–Calma,Uruha... calma...


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A dupla de manto negro se mantinha camuflada em uma árvore, os olhos atentos observando a vista próxima de uma ampla construção rodeada por muros altos e um portão exagerado de madeira. Uma comunicação muda entre a dupla de homens de Ogata e ambos saltaram da árvore, cada um correndo em direção oposta, observando as laterais e escalando com destreza o muro alto, se utilizando e suas espadas curtas para tal.


Pularam de forma sincronizada em lados opostos da propriedade, correndo de maneira furtiva até estátuas religiosas no local, se mantendo escondido atrás destas. Mais uma comunicação muda e assentiram ao mesmo tempo para passar por trás do templo maior da área cercada, mas fora quando se projetaram para saírem de seus esconderijos que uma luz forte veio de encontro aos seus olhos, ambos fechando as pálpebras lentamente e caindo ao chão, adormecidos.


–Invasores – a figura masculina vestida de manta azul marinho e munida de um báculo dourado apontou em tranquilidade, virando um dos homens com o pé e mirando o símbolo conhecido estampado em um cordão que saia das vestes negras – de Ogata...


– Por que Ogata invadiria nosso santuário? – uma outra figura semelhante, também trajando a mesma vestimenta, perguntou.


–Vamos levá-los a Omi-sama... ela saberá o que fazer – o primeiro ditou em uma voz calma.

Notas finais
E então... comentários?
*-* p favor?
=]
AH!
Gostaria de agradecer imensamente a quem está acompanhando a fic e me ajudando com as reviews lindas*_*
E agradecimentos especiais a:
Paola R
Lolly_chan
Takashima Lissa
Havena
que enviaram indicações lindas para a fic, ainda q ela não esteja terminada!
=]
Beijoooooooooooooo
Reviews onegai? QUem mandar o review mais apaixonante passa as trÊs noites de calor com o Uruha * a la Reita cafeton*
MOMENTO MARKETING: Então neh, propagando aqui. Gostaria de falar sobre duas fics de pessoas q gosto muito, talvez alguns de vcs já leiam, mas a fic "You are not alone" da Takashima Lissa é uma ótima história pra quem gosta de AoiHa com açucar e emoção ( https://www.fanfiction.com.br/historia/171862/You_Are_Not_Alone)
Mas se vc também gosta de um mistério sobrenatural "Anjos das Trevas" da Havena sem dúvida vai cair no seu gosto ( https://www.fanfiction.com.br/historia/126886/Anjo_Das_Trevas)
EU estou betando e revisando alguns caps de You are not Alone para a Lissa-chan, apesar de minha negligência T.T Gomen Lissa, vou reaparecer em breve sim?
E a Azumi ta betando os caps de Anjo das Trevas.
Bem, fica aí as dicas.
E então.... comentários? Onegai?
=]