Vijukei No Monogatari

31 Capítulo 24 – Como Deveria Ser – parte 2


Notas iniciais
Eu decidi adicionar mais cenas de explicação, e por tal motivo a coisa ficou maior e dividi em três partes.
Também está um pouco cansativo de ler no começo, mas acredito que sem isso muita gente não entenderia toda a trama. Então...
Betado pela Azumi-san (meu anjo)
Fic para a Lissa-san e para vocês que ainda acreditam nela.
Desculpem o atraso.

Capítulo 24 – Como Deveria Ser – parte 2

Tora sabia que não poderia fazer nada e por isso se manteve a porta do amplo e escuro laboratório enquanto olhava o amante parado ao lado do corpo do amigo de infância.


Saga talvez estivesse ali há tempo demais, e os orbes mal piscavam ao ver o corpo do amigo cravados de agulhas e espetado por uma lâmina preta em seu peito.


–Logo você que nunca quis nada disso... – o Sakamoto sorriu tristemente de lado, levando os dedos ao espeto negro que trespassava o coração do Kazamasa.


–Não, não, tire sua mão daí – a voz do cientista se fez ouvir, e por um segundo talvez todos ali tivessem esquecido do Shiroyama que há horas andava de um lado para o outro entre as prateleiras de seu laboratório – se não quer mata-lo de vez sugiro que tire suas mãos daí e se comporte.


Saga franziu o cenho, mas estranhamente obedeceu ao cientista.


–Do que está falando, ele já está morto – Takashi resmungou em um tom ácido – graças a você e suas invenções.


–Saga-san, tenho certeza de que você tem consciência de que eu não tive muita escolha, além disso, não foi ele mesmo quem me pediu para desfazer o selo? – Kai sorriu falsamente – espero que esse acidente não abale nossa tão não harmônica colaboração contra Yuuto, se vocês ficassem no caminho agora seria um problema e tanto.


–Sinceramente, já não sei mais se você é mais útil vivo do que morto, suas criações a dispor daquele bruxo tem nos dado grandes dores de cabeça – O Sakamoto rugiu.


–Quem deveria colocar sua utilidade em cheque deveria ser eu, não acha? – o Yutaka rebateu ao ainda sustentar o sorriso em seu rosto – se eu fosse você não diria isso à pessoa que irá salvar o seu amigo e colocar um fim em tudo isso de uma vez por todas.


–Shou-sama já está morto – Saga gritou ao cerrar os dentes.


–Não acha estranho uma lâmina enfincada no coração e nenhuma gota de sangue jorrando? – Kai suspirou em divertimento – talvez só eu mesmo seja atento a fatos simples humanos, já que Yuuto também não pareceu estranhar – deu de ombros, rumando para perto do corpo adormecido enquanto parecia trazer consigo alguma pequena caixa – demorou um pouco fabricar o que eu preciso, mas eu não deixaria de lado um presente que Naoyuki me dedicou, muito menos um tão útil.


–Do que está falando? – Tora decidiu intervir ao também se aproximar da maca.


Kai colocou a pequena caixa no suporte ao lado do corpo supostamente morto e ao abri-la retirou dali uma espécie de alicate, começando a retirar a primeira de sua agulha.


–Um paralisante retirado daquele youkai venenoso misturado a coisas interessantes que encontrei... como sangue ameniano... – o cientista sorriu — ... o parou muito rapidamente e... lhe deu uma capacidade de coagulação e regeneração rápida, mas a lâmina do coração deve ser retirada lentamente para que a regeneração acompanhe a liberação de espaço da ferida... – continuou a falar, e aparentemente a quantidade agulhas restantes pareceram desanimar o Shiroyama que soltou um suspiro resmungado.


–Shou-sama não está morto? – Saga questionou em surpresa, levando a mão para próximo das narinas do amigo, logo em seguida abaixando seu ouvido a altura do coração deste — não sinto a respiração dele e nem ouço seu coração bater...


–As funções vitais dele estão diminuídas ao mínimo humanamente possível, segure o pulso dele por alguns minutos e você vai perceber alguma pulsação entre esse intervalo – o Yutaka cuspiu em indiferença, olhando franzido para o trabalho longo que ainda teria – aff... podia não ter exagerado tanto.... –se repreendeu em um sussurro pessoal enquanto Saga obedecia o que acabara de dizer e segurava o pulso morto do amigo entre seus dedos, captando uma pulsação leve poucos segundos depois.


–É verdade... – Takashi ditou em surpresa — ...ele está vivo....


–Sim, sim, sim, se quer ajudar, pega uma dessas coisas e me ajude a retirar as agulhas antes que Aoi chegue e eu não tenha mais tempo para ressuscitar o meu presente.



Saga adiantou o braço por cima do corpo do amigo e pegou um instrumento semelhante ao que o cientista usava, obedecendo-o de modo estranhamente ansioso.


–Devagar, quer mata-lo? – Kai repreendeu em um rugido – você também, venha – ditou em direção a Tora que apesar de bufar para o lado atendeu à ‘ordem’ do Shiroyama.



–Por que disse que Murai-san o deu como presente? – o Amano rugiu entre dentes, não gostava do rumo que tudo estava tomando.


Saga parou o que fazia rapidamente e também mirou o cientista em questionamento, estava tão empolgado com a possibilidade do amigo ainda viver que deixara aquilo passar. Felizmente o seu tigre idiota parecia ter aprendido algo durante aqueles anos.


Kai abriu seu sorriso de covas para os dois e suspirou discretamente antes de responder.


–Convencer Kohara a me fazer desfazer tal selo sabendo exatamente que eu não confiaria nem um pouco em suas intenções e me manteria informado sobre algo do tipo depois de 4 anos sem notícias dele é um pedido óbvio para que eu tome conta das coisas aqui dentro enquanto ele cuida de tudo fora desse feudo, e também uma demonstração de que ele me ‘cedeu’ a chance de possuir tal arma em minhas mãos sabendo que eu jamais faria tal coisa sem conhecer completamente com o que eu estava lidando... é o que eu chamo de um belo presente me ofertado por Nao... cheguei a pensar que ele teria Kohara em muita estima para chegar a tal ponto, mas vejo que Naoyuki é livre de muitos sentimentalismos...


–Nao não faria isso, ele praticamente criou a mim e Shou-sama... não entregaria esse olho para você a custas da sanidade de Shou-san e da segurança completa de todos aqui... muito menos deixaria algo como isso em suas mãos, esse olho é uma grande ameaça , até mesmo o santuário se certificara de selá-lo há muito tempo atrás nas gerações Kazamasa... Naoyuki não faria tal coisa sabendo dos riscos... – Takashi assentiu em certeza – se Shou-san não tivesse dado ouvidos a você quando iniciou a carnificina ameniana a essa altura estaríamos do lado que deveríamos estar e não dentro desse feudo ridículo.


Kai fechou o sorriso em uma linha, os lábios repuxados para o lado em sinal claro de impaciência.


–Você se esquece que eu também recebi ensinamentos dele, não se achem tão importantes, se tivessem aprendido metade do que aprendi não teríamos chegado a esse ponto no momento em que chineses não teriam conseguido sequer aportar em Vijukei pela primeira vez... para início de conversa... – rugiu entre dentes – não se engane em pensar que Nao colocaria seus objetivos abaixo de qualquer possível sentimento que possa ter por alguém...


–Então por que acha que é mais especial que nós e por isso mereceria tal presente além da confiança dele para que seja o que for que ele esteja tramando você ser responsável por metade de seu plano? – o Sakamoto interrompeu em um olhar esperto e totalmente inquisidor.


Kai apenas voltou a abrir seu sorriso, parecendo estranhamente contente.


–Eu não sou especial para ele, e ele sabe que eu pensaria assim.... é por isso que estou respondendo exatamente do jeito que ele previu que eu responderia, por achar mais vantajoso para mim. Mas assim como ele provavelmente também deve ter previsto eu jamais ficaria com metade do controle de algo para complementar o que quer que ele planeje fazer, não depois de 4 anos em completa escuridão ... muito menos obedeceria a algo sem ter total conhecimento sobre isso... é por isso que vou fazer exatamente do modo como ele consideraria um cenário perfeito, obedecer fielmente ao plano piloto que ele possa ter arquitetado para que tudo saia perfeitamente bem ... e ele abaixe a guarda...


–Eu realmente não entendo sua lógica – Saga rugiu.


–Nao espera que eu vá de encontro ao que ele me pediu discretamente e pensa que ficar 4 anos longe de mim teria diminuído o suficiente minha capacidade de deduzir suas ações e principalmente abalado minha confiança em seus planos, por isso ele aguarda que eu aceite sua proposta até onde seja vantajoso para mim, mas prever que eu sairia do acordo assim que tivesse algum espaço de ação... por isso farei o contrário do que faria, porque ele está esperando que eu faça isso... não sairei do plano de ação dele e deixarei que tudo flua como ele incialmente quer até... quase o final...


–O que quer dizer? – o tigre questionou em um inicio de indiferença, continuando a retirar lentamente as agulhas do corpo do Kazamasa, era um homem de ação e não de tramas.


As covinhas se tornaram mais vistosas e um brilho satisfeito trespassou o olhar do Shiroyama.


–Se não é capaz de entender até aqui, não será capaz de entender mais, por enquanto apenas vamos despertar esse fracassado ex-senhor feudal, senhores, aquele olho será de imensa ajuda quando Uruha chegar aos nossos portões...


–O corpo pode estar aqui, mas o olho está nas mãos de Yuuto, Kazamasa-san não é de utilidade agora... – Shinji retrucou.


–Vai explicar pro seu namoradinho ou passou anos com o livro daquela sacerdotisa e não tirou nada dali? – Yutaka bufou em direção a Saga – não é possível que também tenha tido Nao como mestre e não tenha aprendido nada ... por que ele ainda preferia ficar ao lado de vocês ao invés de ficar ao meu lado? – rugiu em um sussurro raivoso, parecendo despertar levemente de algo e voltando ao seu trabalho... quando havia deixado aqueles estúpidos sentimentos saírem de seu controle?


–Como sabe sobre o livro de Oboru-san? – Takashi franziu o cenho.


–Onde acha que consegui informações sobre isso? – Kai deu de ombros.


–Como... – Saga rugiu, controlando seu gênio em seguida, houvesse o que houvesse aquele maldito maluco parecia ter algo daquela situação sob controle – como conseguiu traduzi-lo...


–Temos uma dúzia de amenianos na sala anexo do salão principal de Yuuto – o cientista respondeu em desinteresse, tentando não perder a paciência com a ignorância alheia.


–Você ficou com aquele livro? — Tora questionou ao amante, como ele poderia ter lhe escondido aquilo.


–No meio da confusão de quatro anos atrás eu acabei mantendo-o comigo – o Sakamoto assentiu em altivez — ... mas quanto ao que ele está dizendo.... – preferiu institivamente mudar de assunto — ... eu não sei se estava naquele livro, mas ... de acordo com o que eu ouvia quando era pequeno, o olho amaldiçoado sempre retornaria ao dono ainda que arrancado, os Kazamasas tentaram isso quando apareceu pela primeira vez há séculos atrás, mas ele simplesmente não aceitava ser destruído e se o dono dele ainda estivesse vivo o olho simplesmente retornaria ao seu lugar assim que o dono o chamasse... eu não sei, pode ser apenas lendas, apenas os conselheiros e a minha família ficavam a par dessa história por fazermos parte da liderança e governança de Hana... eu não sei exatamente o quanto é verdade...


–Eu sei – Kai sorriu em provocação – agora, agilizem o trabalho que para reanima-lo ainda demorará um tempo ....Aoi chegará assim que anoitecer... provavelmente Uruha também não tardará...


–As tropas da resistência já se movimentaram? – o Takashi questionou em espanto.


Kai bufou de lado, realmente estar perto de tanta ignorância o tirava a paciência.


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Estava escuro, e provavelmente aqueles numerosos soldados estariam cansados da marcha até ali se não tivessem sido trazidos em transportes flutuantes puxados por youkais.


O general chinês não parecia muito confiante nos bichos, mas tinha que admitir que aquilo lhe poupara tempo, apesar de desde o começo não ter aprovado a concessão de seu imperador em manda-los ali.


–Essa Terra é amaldiçoada, por que vossa majestade se interessaria por um lugar assim?


O estrangeiro de aparência madura sentiu o transporte de madeira solavancar e um de seus soldados espiou por fora da cortina antes de confirmar que estavam em solo.


A frente das centenas de carruagens e youkais Yuuto sorria confortavelmente, trajado em um robe e manta muito luxuosos enquanto parte do que restara de seu exército se mantinham curvados em recepção aos “aliados”.


–Sejam bem vindos ao feudo Yuuto de Vijukei – o bruxo recepcionou assim que mirou o general descer de seu transporte – fico feliz que vossa majestade fora tão bondoso em nos ceder sua força.


Rui acompanhou o amante e também dedicou um pequeno aceno de cabeça junto a um sorriso.


– Sabes que desconheço o interesse de nosso amado imperador nessas terras as quais dizem serem amaldiçoadas... – o general chinês estatuou ao se por em frente o bruxo e senhor feudal – e sabes que não confio em um rato como você que inundou os ouvidos de vossa majestade... não há ser humano vivo que me tire da cabeça que o senhor estás envolvido com desaparecimento de centenas de milhares de habitantes ao longo dos últimos século e o roubo de centenas de navios de nossa armada ... ouvi boatos de que eras muito próximo daquele bruxo Sun Han...


–Ora Ora... se eu fosse o culpado por algo tão diabólico eu teria que ter vivido muitas vidas... – Yuuto sorriu falsamente — ... acaso lhe pareço alguém com tantas primaveras passadas assim?


O chinês estreitou o olhar. Não era do tipo de homem que desacreditava nos ocultos da magia, muito menos vindos daquela ilha.


–Viemos aqui por que vossa majestade nos ordenou ajuda-lo contra sua “rebelião interna” em troca de metade de sua costa mercantil... não se esqueça do trato, de onde vieram esses 100 mil homens... há muito mais.... – destilou em ameaça – ... nem que todos os soldados dessa Vijukei maldita se unissem ainda não seriam páreos para o nosso império... tenho certeza de que estás ciente disso...


–É claro, trato é trato e eu jamais assinaria minha sentença traindo o meu acordo com Vossa majestade – o feiticeiro assentiu em um sorriso de linha – se puderem me acompanhar, os levarei até suas acomodações.


Yuuto se virou de costas e Rui o seguiu enquanto o general dava sinal para que os soldados que terminavam de desembarcar se organizassem e os acompanhasse.



Um sorriso amplo no rosto do feiticeiro, e os passos eram totalmente satisfeitos ao pisarem no solo terroso em direção aos prédios iluminados por luminárias avermelhadas. Uma pequena pausa para mirar uma das marcações caídas no chão, as íris castanhas fitando o monge logo atrás de si em um franzir desconfiado.


–Eu não mexi em nada, juro – Rui sorriu para o amante, despertando um olhar curioso do general chinês.


O estrangeiro mirou a pequena estava deitada no solo e estreitou o olhar para o círculo negro nela.


–O que é isso? – rugiu em direção ao senhor feudal.


–Apenas um sinal de demarcação do acampamento de nossos convidados, nossos adorados e uteis youkais podem ficar temperamentais às vezes e é necessário delimitar territórios para evitar algum conflito – Yuuto mentiu convincentemente em resposta – somente para segurança de nossos aliados – assegurou ao mais velho que assentiu em um resmungo audível, realmente não gostava nada daquelas terras...


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O caminhar era firme e altivo enquanto cruzava os portões da imensa propriedade feudal. Os olhos negros avistaram o irmão mais adiante e estranhou o fato de Saga e Tora estarem ao lado deste, junto a mais algumas dezenas de soldados.


–Vejo pelo número de baixas que o Uruha-san não oferecerá misericórdia – Kai assentiu para o sorriso fino ao irmão, sorrindo amargo quando notou o olhar deste vacilar para o lado...


“Tão sentimental...argh...”


Se não fosse sangue do seu sangue provavelmente não o teria nem em mínima conta.



–Eles estão vindo – o Shiroyama mais velho falou por fim – nosso destacamento dragão foi exterminado em uma armadilha.


–Ah, aqueles eram protótipos, tenho mais para você – o Yutaka assentiu em uma estranha empolgação – apesar de que provavelmente nem seja necessário utilizá-los ... – completou em baixo tom – acomode seus homens, de acordo com minhas contas temos dois dias antes de Uruha bater a nossa porta...


–Quantos? – Saga perguntou em direção ao moreno mais velho – sabe nos dizer quantos?


Aoi arfou pesado, não gostava de sua posição estar aparentemente no “mesmo nível” de qualquer outro. Mas tinha aprendido a domar seu gênio muito tem durante aqueles anos.


–A armadilha não utilizou nem um terço do que eles possuem... – Yuu ditou por fim – se colocar em números a vantagem deles não é grande, mas a especialidade de cada soldado sim, sua areia não surti mais efeito, irmão, eles utilizam máscaras capazes de bloqueá-las e... aqueles que chamam de mercenários... conseguem extinguir completamente suas presenças agora, seus explosivos também não funcionaram, de acordo com meus homens eles desenvolveram um pó capaz de desativá-los antes que explodam.


O cientista franziu o cenho seriamente, quando e como a resistência tinha contra atacado alguns de seus “brinquedos” daquele jeito? Alguém só poderia estar desafiando-o. E tinha certeza de que seu amado Naoyuki tinha participação nisso...


“O que exatamente você está querendo, Nao?”


–Conseguiu libertar nosso pai? – o Yutaka despertou de seus pensamentos com a voz do mais velho.

–Ainda não, mas... conversaremos isso mais tarde – o Shiroyama mais novo explicou ao mirar em volta de modo atento, sabia que aquele bruxo estava utilizando alguns insetos para colher informação, motivo pelo qual conversas daquele tipo eram feitas em locais específicos.


–Reunião para decidir os detalhes – Saga estatuou em nervosismo, aquilo estava totalmente fora do que esperava e completamente longe de uma margem boa de improviso.


–Tenho que reportar àquele maldito ... – Aoi rugiu entre dentes, odiava mais ainda estar sendo chantageado daquele modo e ter que se submeter — ... irei mais tarde.


Tora e Saga assentiram, dando sinal para seus subordinados os seguirem.


–Vou voltar ao meu laboratório, tenho um trabalho a fazer, quando aquele maldito o liberar me avise – Kai falou ao irmão.


–Como assim você tem mais como eles? Você deu sua palavra de que aqueles seriam os últimos que faria – o irmão mais velho rugiu ao segurar o punho do cientista – eu mandei parar com isso Kai.


–Argh, Você me mandou parar com o argumento de que voltaria da frente de batalha com tudo resolvido no seu “recente conceito” de conversa... eu apenas fiz arranjos prevendo seu fracasso – o mais novo rugiu de volta – você vai ser a merda do senhor feudal disso tudo quando conseguirmos resolver os “imprevistos”, se porte como tal e pare de desbandar a cada “casinho” seu que se vai.


Aoi respirou fundo e fuzilou o irmão.


–Se acha-se na capacidade de dar ordens ao seu irmão mais velho, porque você não se torna o senhor feudal? – Yuu questionou em uma voz rouca e pausada.


–Por que não quero e não sirvo pra isso, você sabe muito bem... — Kai respondeu no mesmo tom – deixe de ser idiota e saiba colocar a família em primeiro lugar.


Aoi soltou o pulso do mais novo e respirou fundo, Kai podia ter seus defeitos, mas não podia discutir sobre sua fidelidade à sua família. Ainda que ele tivesse agido de modo totalmente cruel no passado... era seu irmão.


–Preciso da sua ajuda – Yuu falou ao Shiroyama caçula em seriedade, depositando um pergaminho de tamanho pequeno na mão deste em um aparente cumprimento – família em primeiro lugar, certo?


Kai deixou a cabeça pender para um lado em curiosidade, Aoi apenas questionou-o novamente com o olhar e o cientista finalmente assentiu.


–Ryou irá leva-lo. Vou reportar a Yuuto – o general Shiroyama falou por fim, dando um passo para trás e caminhando com velocidade em direção contrária a de seu irmão.


Kai desembrulhou o pergaminho de maneira rápida, lendo seu conteúdo de modo muito veloz.


Os orbes negros característicos da família Shiroyama se alarmaram por um segundo, e a cabeça mirou as costas do irmão mais velho que se afastava.


–Isso com certeza muda um pouco as coisas...


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–Ainda há tempo de desistir disso... – Reita falou às costas do amigo que se mantinha imóvel em cima daquele rochedo á horas demais desde que levantaram acampamento para que os soldados humanos descansassem.


–Isso mais cedo ou mais tarde aconteceria, não foi pra isso que treinamos e montamos a resistência? – a voz rouca do líder ameniano respondeu em um tom impaciente, ainda que este não houvesse se virado — ... pare de dizer besteiras, amanhã tudo estará acabado, apenas lute e faça o que deve ser feito até lá.



Reita engoliu o praguejo e as verdades que lhe entalaram a garganta, só pioraria as coisas tentar discutir com o Takashima naquele momento...


–Suas ordens continuam as mesmas? — Akira perguntou em um mínimo vestígio de esperança.


–Matar todos e tudo que encontrarem pela frente... ninguém é confiável, apenas meu filho deve ser poupado... o que você não entendeu? – Uruha rugiu entre dentes, as costas firmes e os punhos se apertando.


–Até mesmo aqueles que não oferecerem resistência? Devemos matar até mesmo aqueles que jogarem suas armas ao chão e pedirem por ajuda? – o Suzuki retrucou em um desesperado apelo.


–Pelo o que sabemos e conhecemos, muito provavelmente estes supostos “desistentes” nos apunhalariam por trás assim que déssemos as costas... – Uruha ditou em um suspiro cansado, tirando seu olhar do horizonte inimigo e virando parcialmente seu corpo para encarar o amigo — ... nossa misericórdia, bom coração e confiança já dizimaram nosso povo... não vou cometer o mesmo erro duas vezes.



–Tem certeza de que não está apenas cometendo outro tipo de erro ainda pior? – Reita argumentou em retorno, mas não obteve resposta alguma do amigo, apenas os olhos irredutíveis deste e a postura altiva.


Balançou a cabeça e sorriu sem humor.


–Vou até o complexo hibrido, pelo visto essa pode ser a minha última chance de abraçar meu companheiro... se precisar de mim, não me chame – ditou em uma expressão séria, antes de dar as costas e caminhar para longe do líder.


Uruha respirou fundo e voltou a mirar o horizonte escuro. Depois daquela floresta estava finalmente o fim da linha... chegariam no meio da tarde e começariam o ataque a noite... era o planejado...


Repassava as estratégias, armadilhas e adaptações muito cuidadosamente em sua cabeça... apenas por não querer ter espaço para pensar em outras coisas.


“...maldição Kouyou, eu só queria ficar ao seu lado, seu idiota...”.


Falhara novamente.


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–Amanhã ao final da tarde... – Hiroto suspirou em ansiedade — ... está certo de que tudo caminhará bem?


Nao apenas abriu o sorriso fino em resposta.


–Kai não irá decepcionar – assentiu em confiança — ... o pergaminho...


–Está muito bem seguro – a sacerdotisa de aparência jovem se revelou ao canto da tenda, um olhar sério e analítico — ... nós cuidaremos de Yuuto, façam a parte de vocês e todos sairão ganhando.


O Murai novamente sorriu fino, desta vez em direção a mais velha.


–É claro...


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Um besouro sorrateiramente caminhava pelo solo incerto da mata baixa, os olhos trespassados por um rajado vermelho miravam atentamente as costas do cientista Shiroyama a seguir o comandante da tropa que a pouco tempo retornara da linha de frente inimiga.


Kai mirou em volta por um segundo e foi ao avistar o inseto se esconder entre as folhas que se apressou em levar a mão ao interior das vestes tirano de lá um pote médio de cerâmica.


–O que é isso? – Ryou indagou ao Shiroyama.


–Algo para cegar os olhos de Yuuto – o cientista respondeu em retorno, abrindo objeto.


No segundo seguinte estranhas criaturas de aparência metálica e muito pequenas pareceram voar para fora do recipiente. Um total de seis era visto enquanto as bugigangas arredondadas e semelhantes a uma abelha voavam em direções diferentes.


Uma logo voltou com um besouro negro enfincado em seu “ferrão”. Kai estendeu a mão para pegá-la e retirou o inseto real desta antes de liberá-la novamente.


O olhar analítico e curioso... não tinha total certeza do que Yuuto ganharia seguindo-os até ali.


–Bem... perímetro seguro agora, vamos... – o cientista ditou ao comandante que assentiu em espanto ao ainda mirar as estranhas criações do mais velho voarem de um lado para outro enquanto caminhavam.


“Com certeza Kai-sama é assustador...”



–Riki-san, pode sair – Ryou chamou ao adentrarem a cabana clareada pela luz do dia que nascia – trouxe comida e a pessoa que Aoi-san lhe falou.


Kai adentrou o ambiente, parecia um cômodo confortável e modestamente luxuoso. Os orbes analisavam tudo atentamente, até o maior se surpreender com a face pequena e séria logo acima de si, com os pés pendurados em alguma viga do teto baixo e os olhos negros lhe encarando com curiosidade.


–O senhor é o tio Kai? – Riki questionou em uma expressão altiva.


Kai abriu um sorriso gentil ao dar uma boa olhada na criança, com certeza tinha sangue Shiroyama ali.


–Sou sim – o cientista assentiu, estendendo os braços em um gesto involuntário para que o pequeno viesse para seu colo.


Para sua decepção o pequenino saltou de um modo incrivelmente rápido para o chão e deu passos para trás.


–Papai Yuu falou que você viria, mas Maya-chan não gostava do tio Kai, então eu não confio no titio, desculpe – Riki se pronunciou ao ir para o lado de Ryou, pegando animado o pacote que este trazia em suas mãos, indo em direção a mesa baixa mais ao lado, para se servir.


Kai sorriu em humor, com certeza aquele era um Shiroyama.


–Seu pai me pediu para verificar se você está bem e melhorar sua segurança aqui – Yutaka tomou a frente ao se aproximar do pequeno que já levava adoravelmente uma pequena porção de arroz entre os hashis à boca.


–Riki-kun faz uma barreira em torno dele se sentir alguém se aproximar, Riki-kun também corre muito rápido – o pequeno assegurou assim que terminou de mastigar e engolir.


...E é claro que também era um ameniano ali.


–Sim, com certeza, mas é melhor prevenir mais, certo? Posso te examinar? – Kai perguntou em um tom inusalmente gentil.


Riki olhou o tio por uma ótica desconfiada e atenta, mirando Ryou em seguida.


–Aoi-san pediu para que ele viesse, pode deixar – o comandante assentiu e o pequeno deu de ombros em sinal de consentimento.


Kai sorriu, seu sobrinho era adorável e sem dúvida muito esperto...


“Com certeza vai ser um senhor feudal melhor que seu pai”


No canto superior do cômodo, próximo a uma janela fechada mais um besouro negro era visto, porém não demorou mais do que um segundo para que uma das criaturas do cientista lhe cravasse o corpo com o ferrão...



A imagem do pequeno outrora nítida simplesmente se desfez e o olhar analítico do bruxo encarou sua mesa em um cenho franzido.


–Tarde demais ... – um sorriso de lado brotou em sua face — ... tragam-no aqui, sem ferimento algum. – ditou em direção às suas costas.



Duas jovens moças amenianas se postavam às suas costas e no meio delas estava o antigo líder Takashima junto a mais meia dúzia de youkais.


Os olhares mórbidos miravam o nada e um brilho avermelhado passou por eles antes destes assentirem atonitamente e desaparecem dali.

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Aoi não estava nada feliz, e a sua calma adquirida em 4 anos já não se mostrava mais tão forte.


Não quando tinha que preparar seus homens e novas “adições” para o ataque da resistência e não conseguira se livrar para ir ver seu filho desde que chegaram no dia anterior. Seus nervos estavam a flor da pele e o medo de muitas perdas que poderia sofrer em apenas um ataque lhe assolavam quase que por completo. Ainda tinha algo humano em si afinal.


Graças aos céus Ryou lhe assegurava que seu pequeno rei estava bem e que seu irmão havia reforçado a proteção deste de maneira muito eficaz.


“Vai ser minha última tentativa Kouyou... por favor ...aceite-a”


O pensamento suspirado tomou a sua mente ao mirar as formações de soldados terminarem os acertos final para o ataque esperado para aquela noite ou o dia seguinte, já que a última informação que tiveram era de que os exércitos já haviam cruzado a fronteira e destruído algumas aldeias pelo caminho – a maioria vazia já que grande parte dos moradores haviam se exilado nas terras abandonas de Ishihara.


O plano do general assim como em comum acordo com seu irmão e o Sakamoto era de manter os exércitos “inimigos” ocupados o máximo de tempo que conseguissem, antes que Kai fizesse seu movimento e conseguisse deixar Yuuto desprevenido. Enquanto uma dúzia de armadilhas manteriam o reforço chinês do bruxo sem poder de intervenção, tinham que realmente fazerem tudo dar certo antes de simplesmente saírem do caminho e deixarem a resistência ter o que queria... a cabeça do feiticeiro.


Riscos? Eram muitos. Desde não conseguirem manter Uruha e os demais ocupados sem terem muitas baixas, até as armadilhas para os chineses não funcionarem ou até mesmo Uruha manter-se naquele caminho de ódio até o final e não se satisfazer apenas com a morte de Yuuto.


“A chave é demonstrarmos que estamos com eles e não contra eles, uma vez que meu pai estiver livre e a barreira de Yuuto ser quebrada por Uruha, aquele bruxo não terá mais nada para nos obrigar a defendê-lo.”


Foram suas palavras na reunião do dia anterior.


“ Pelo número de baixas que teve é meio óbvio que Uruha-san não acreditará em nossa pretensão de ‘aliança’ .... o que faremos se ele vier atrás de nós com tudo que tem?” Tora questionou em seriedade “Nao-san não nos assegurou de que o ataque da resistência não seria impiedoso... e pelo o que os mensageiros trouxerem da fronteira... eles realmente não estão de brincadeira. Como nos aliarmos com gente que só querem nossas mortes?”


“Assim que Yuuto estiver morto não há porque nos mantermos uns contra os outros, Uruha pode estar muito diferente do que costumava ser, mas ele não é burro...”.


“Assim que Yuuto estiver morto... Vijukei inteira estará a disposição daquele que for mais forte para lidera-la e se nomear o senhor de todo o país...” Kai começou a discorrer em um sorriso fino “... não seria conveniente para uma pessoa que deseja tal coisa simplesmente dar fim a todos aquele que podem por algum motivo ameaçar seu objetivo?”


“Uruha não deseja isso...” Aoi estatuou em certeza “Isso ainda não mudou nele...”


“Não falo de Uruha-san...” O cientista interrompeu o irmão “Mas com certeza entre seus ‘aliados’ posso apontar um bom número de pessoas que certamente estão com isso em mente.”.


“Inclusive desse lado, não estariam os Shiroyama esperando se tornarem soberanos de Vijukei após tudo?” Saga acusou em um olhar afiado.


“Não me interesso por tronos e Aoi planeja apenas manter o antigo território de Shiroyama sob sua alçada, como é de direito dele e de nossa família... podem ficar com o resto” Kai estatuou em um sorriso mais amplo... não era verdade.



“Diga isso à resistência” Saga retrucou em retorno.


“Estão esquecendo que para que comecemos a discutir fronteiras e tronos, primeiro precisamos nos livrar de Yuuto” Aoi rugiu em autoridade “Vamos seguir o plano até onde for possível, se acaso se tornar perigoso demais confiar na compreensão de situação da resistência...” um suspiro pesado, o punho se fechou com força “... apenas matem todos que se opuserem a nós.”.


“Inclusive Uruha-san?” Saga estreitou o olhar para o general “Eu não sei você, mas eu não me sinto nada confiante de que poderia vencê-lo, ainda que a resistência demonstre compreensão, eu não pensaria duas vezes antes de aproveitar alguma oportunidade de matá-lo. Arriscar uma traição por parte dele é simplesmente assinar uma sentença de morte.”.



“Se e somente SE nosso plano não der certo...” Aoi respirou fundo novamente, se levantando e mantendo-se firme em sua decisão “Eu mesmo dou fim na vida do Uruha”.


“Não estou confiante nisso também” Saga estatuou em desdém.” Uruha-san já nos mostrou não hesita em tentar te matar, mas nas duas vezes que isso aconteceu... Aoi-san voltou como o lado perdedor.”


“Não haverá uma terceira vez, têm a minha palavra”.


Yuu assegurou em altivez antes de marchar para fora da sala subterrânea de reunião.


–Aoi-sama.... Yuuto-sama ordena sua presença em seu salão – um soldado do feiticeiro falou de modo pertinente às suas costas, despertando o general shiroyamiano de seus pensamentos e lembranças.


–Já não lhe reportei tudo ontem? – Aoi rugiu em resposta – diga a ele que estou ocupado, preparando nossa defesa para o ataque que brevemente sofreremos.


–Ele ordena que vá – o soldado falou por fim, antes de dar as costas ao general e seguir junto com o resto do destacamento.


Aoi mirou os homens se afastarem e franziu o cenho... mais do que odiar completamente receber ordens daquele bruxo... temia o motivo da convocação deste.


Mirou o céu cinza do meio da tarde... uma tempestade se aproximava....só desejava que aquilo não fosse um mal sinal.



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–Se tem tempo para ficar me desviando do meu trabalho as véspera de um ataque, com certeza deve ter mais apoio para nossa defesa – o general shiroyamiano cuspiu em pretensão ao se colocar de pé a frente do bruxo, sentado confortavelmente no trono que era de seu pai e que pertencia a si e a seus filhos por direito.


–Quero que retirem as armadilhas em volta das instalações chinesas que os subordinados de seu irmão colocaram lá essa manhã... – Yuuto começou a ordenar em um sorriso humorado ao ver a surpresa no olhar Shiroyama — .. quero que cancelem o seu provável plano de libertar seu pai de meu controle e me matar assim que Uruha vencer minha barreira nas fronteiras da cidade... e principalmente, quero que assegurem total proteção a mim e a esse castelo o máximo de tempo que conseguirem, e é claro que isso envolve matar todos os inimigos que puderem ser mortos, deixarei meus soldados e meus adorados youkais como apoio e vigilantes de sua “disposição” em proteger a vida de seu senhor.


Aoi respirou fundo e manteve seu controle, desenhando um sorriso de lado em seu rosto.


–E por que eu faria tudo isso? – questionou em provocação.


–Porque se o meu poder, a vida de seu pai e a barreira em torno dessas terras não são motivos suficientes para fazê-los me obedecer... é sempre bom ter mais um item na lista... – o feiticeiro respondeu em um sorriso vitorioso, se postando de pé e direcionado uma das mãos para a lateral da sala.


Aoi acompanhou a indicação do bruxo com os olhos, os orbes negros se alarmando ao ver do que o maldito falava.


Ao lado direito, diante da porta lateral estava o odioso amante daquele ser, junto a um senhor atônito que reconhecera como ameniano assim que vira as marcas nas laterais do pescoço deste e no meio dos dois, tendo seus ombros pequenos segurados pelas mãos de ambos estava seu pequeno Rei em um olhar assustado.


–Papai Yuu... – Riki choramingou em direção ao pai – desculpe...


–Me deu muito trabalho, perdi duas das minhas marionetes amenianas naquelas invenções de seu irmão... mas nada que o vovô não consiga, neh criança? – o feiticeiro sorriu em satisfação.



Aoi franziu seu cenho em ódio e por um segundo ameaçou avançar para cima daqueles dois que faziam seu filho cativo, sendo impedido assim que viu o senhor puxar uma espada com velocidade surpreendente e colocar contra o pescoço de seu pequeno.


Riki se assustou e seus olhinhos negros se inundaram de lágrimas.


–Provavelmente não o reconheça, já que não o viu antes, mas esse homem é Takashima Hitoru-san... – Yuuto começou seu discurso em altivez, caminhando pausadamente em direção ao amante e pequeno prisioneiro — ... não é lindo como tudo fica entre família? Devo chamar Fukaku-san para mais um incentivo? Só faltará a chegada de Uruha para um retrato completo.


Aoi mirou seu pequeno com atenção e lamento... como poderia ter deixado seu filho cair nas mãos daquele maldito?


Minutos depois, o general caminhava em nervosismo pelo corredor que o levaria a entrada da sala de reuniões subterrânea, e uma vez que desce as escadas e mirou seu irmão, junto ao ex-general haniano e seu comandante, dispensou cumprimentos e foi direto ao assunto.


–Mudança de planos



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Como previsto a primeira gota da intensa tempestade que ameaçava despencar dos céus desde o meio da tarde caiu durante o início da noite. A gota gelada fez seu caminho certo até o solo, porém uma cabeça de fios negros interrompeu sua rota e a partícula de água acabou por se desmanchar ali mesmo enquanto várias outras gotas decidiram também saírem das nuvens e precipitar sobre o solo, banhando as milhares de outras cabeças atrás daquele único cabelo negro rajado de uma direita parte loira.


A noite era densa e os pingos de chuva começaram a transformar o solo de terra e grama morta em lama. O calçado do líder ia até um pouco acima de seu joelho e a barra de seu kimono duplamente fendado começava a se sujar. O rosto maquiado foi coberto lentamente por uma máscara avantajada que tampava seu nariz, boca e bochechas, mas deixavam os olhos felinos e vermelhos a mostra. Atrás de si, todos pareciam compartilhar a utilização de tal máscara, sendo amenianos, mercenários, híbridos, sacerdotisas e monges ou humanos.



Kouyou se materializou alguns metros a frente, sentindo a barreira negra em seus dedos rapidamente antes unir a outra mão ao toque. Dois círculos rubros se desenharam embaixo de suas palmas e como se fosse veneno a barreira escura começou a ser corroída gradativamente.


Uruha ergueu a espada rubra de tamanho avantajado em sua mão direita e logo todo o exército também brandia suas armas e braços. Uma luz vívida fogueou pela lâmina do líder e explodiu como fogos de artifício, apesar de não emitir qualquer som.


Era o sinal.


A primeira frente hibrida se movimentou e entre relampejos negros de meio youkais para aqui e ali os muros da imensa cidade imperial foram totalmente tomados pelas criaturas que decapitavam rapidamente os soldados de guarda ali.


Ruki foi aquele quem primeiro terminou a “limpeza” de seu ponto, liberando um sinal de avanço para o resto do exército quando ergueu um estranho artefato do qual uma luz semelhante a do ameniano saiu e também explodira no céu, porém emitindo um barulho quase ensurdecedor para os mais próximos.



–Já desfizeram a barreira e tomaram a primeira muralha – Ryou reportou ao general shiroyamiano que se mantinha em frente a propriedade principal do feudo após ouvir as informações trazidas por um dos mensageiros.


Yuu respirou fundo e cerrou os punhos com força.


–Liberem a primeira frente de cotenção – ditou em autoridade, sendo assentido por um dos mais novos membros de seu recentemente extinto e refeito destacamento dragão, vendo-o desaparecer diante de seus olhos.



Um suspiro pesado e Ryou olhou o general e amigo em compaixão... era evidente a confusão e dor que aquele homem estava sentindo. Não queria nem imaginar quando Uruha chegasse até aquela parte de contenção.


“Acreditar que ele não chegaria até aqui seria pedir um milagre”.


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–Senhor... não conseguimos passar – um dos soldados reportou ao general impaciente atrás de si. Há horas estavam tentando sair da delimitação de seu “território de hospedagem” de acordo com seu anfitrião, mas uma parede invisível parecia impedir suas passagens não importassem o quanto e por onde tentassem.



–Aquele maldito – o general chinês praguejou em um rugir furioso.


–Senhor... – um de seus comandantes chamou sua atenção de modo respeitoso, mas totalmente assombrado ao olhar para cima. E foi só seguir o olhar de seu subordinado que o líder também teve reação semelhante.


Do céu escuro, a chuva caía, mas não os atingia, entretanto não era aquilo que assombrava toda a centena de milhar de estrangeiros. O que os assombrara fora o fato de daquele mesmo céu, ou talvez de algo bem abaixo dele, estacas avantajadas de coloração negra se manterem suspensa, como se estivessem somente esperando um movimento para despencarem sobre si.



O general mirou por cima do ombro e fora do perímetro que não conseguiam ultrapassar estava aquele alvo de seus praguejos e maldições.



Yuuto sorriu falsamente gentil para os ‘aliados’ e num movimento de mão pareceu liberar sua armadilha acima das cabeças chinesas. Em um segundo os corpos dos soldados estavam sendo trespassados pelas estacas. Gritos de dor e desesperados soaram como música aos seus ouvidos enquanto a cena vermelha de morte lhe parecia satisfatória.


Um círculo negro brilhou no solo cercado pela barreira e um clarão de cor fúnebre tomou o domo antes de se apagar completamente e manter apenas um ponto de luz totalmente preta vivo.


–Ah! Adoro o processo de criação delas – Yuuto sorriu de maneira animada, tocando sua barreira com cautela, passando-a lentamente enquanto esta se desfazia.


Elevou seu corpo há um metro do chão para que não sujasse seus sapatos e manta com o sangue dos milhares de corpos abaixo de si e em poucos minutos já estava diante do brilho negro no centro do selo translúcido do solo que se extinguira assim que seus dedos tocaram a joia média misteriosamente suspensa no ar.


Sorriu em satisfação e em um segundo se moveu para fora do perímetro “bagunçado”, se materializando ao lado do monge que parecia ter acabado de chegar ali.


–Hum, então era pra isso... – Rui assentiu em um assobio falsamente impressionado – pena que não dá pra reutilizá-los como escudo para atrasar Uruha até tudo estar pronto – apontou em esperteza e provocação — ... ouvi dizer que ele já está chegando na segunda frente de contenção...


Yuuto fuzilou o amante rapidamente antes de lhe fornecer qualquer resposta.


–Não seria necessário se certa pessoa não tivesse acabado com metade dos meus homens ... – o bruxo destilou em ira — ... mas parece que vou ter que esgotar minha velha e usada joia em prol de um bem maior... – deu de ombros ao puxar uma outra pedra idêntica a que tinha acabado de pegar, porém de um brilho opaco — ... esta será suficiente quando chegar ao mundo imortal... – sussurrou para si mesmo antes de liberar a joia usada em sua mão e esta se desfazer uma espécie de pó negro, se discriminando pelo ar de modo condensado e organizado, sobrevoando os corpos espetados por estacas, adentrando suas narinas e bocas.



Estranhamente os cadáveres começaram a se mover gradativamente, os olhos opacos e mórbidos enquanto os membros se movimentavam quebradiçamente e retiravam as estruturas pontiagudas que lhes atravessavam a carne e órgãos.


Os corpos se levantaram de modo curvado e desequilibrados, se mantendo parados e sem focar sua vista em nada antes de todos se levantarem. Assim que o número cem mil foi completo, as criaturas ergueram seus rostos sem vida e fitaram o bruxo a sua frente, como se esperassem algo vindo dali.


–Tenho que confessar... – Yuuto suspirou em cansaço — ... não senti nem um pouco de falta dessas coisas, Sun Han era um louco por aguentar viver perto disso por tanto tempo... Argh...


–Quer passar a chave de comando para mim? – Rui se ofereceu ao se pendurar nos ombros do feiticeiro e lhe dedicar um carinho no pescoço.



–Como se eu fosse tão burro ... – o bruxo estatuou de volta — ... matem qualquer um que tentar entrar em minha propriedade – ditou em direção aos corpos de pé e estes começaram a marchar em frente, passando por seu controlador e o amantes deste sem realmente se mostrarem ativos... na verdade estavam mais lentos do que o normal, o que não passou despercebido pelos olhos do feiticeiro — ... argh... a joia não tinha energia o suficiente... deve servir para um atraso, ainda tenho Hitoru-san ao menos...



Deu de ombros ao afastar as mãos do monge de si e se dissolver misteriosamente no ar.


Rui respirou fundo e continuou a mirar a marcha lenta dos cadáveres de modo desinteressado. Um sorriso gozador se desenhou em seu rosto e os dedos finos alisaram displicentemente as mechas soltas do cabelo dourado escuro, gostava particularmente daquela cor.



“Adeus... Yuuto...”


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Eram pedaços de carne, e parecia que apenas enxergava isso enquanto brandia sua espada de um lado para o outro e os cortava em somente um golpe. Talvez algum youkai o desse mais problemas, mas com certeza os híbridos que marchavam a frente do ataque geral já estavam se adiantando em relação a muito deles, pois não tinha sentido nenhum em sua lâmina ainda.


Estava tudo correndo como deveria ser.


Estavam avançando em direção ao objetivo, enquanto o destacamento de Kazuki e Manabu cumpriam sua missão em cortarem caminho para uma emboscada ao bruxo. Ainda que as sacerdotisas do santuário simplesmente tivessem desaparecido de seus postos no inicio do ataque.


Uruha parou um milésimo de segundo para tomar fôlego, ainda que estivesse longe de se sentir cansado fisicamente. Casas em chamas especiais azuladas apesar da chuva densa, muitos gritos, muitos pedaços de carne, muita gente morta...


Um homem inimigofora esquartejado por dois mercenários que haviam ficado para trás como auxílio, um hibrido fora atingido pela espada de um dos soldados antes de apenas arrancar a cabeça deste. Mais uma casa em chamas e seus olhos pararam assim que avistaram um corpo pequeno demais para ser de um adulto entre os montes vermelhos no chão.... ainda haviam habitantes ali?


Tinha certeza de que todos teriam fugido....



Seu peito se comprimiu, mas um ataque realmente rápido o distraiu de sua consciência por um instante. Seu corpo se esquivou por reflexo e em seu lugar um de seus soldados humanos fora atingido por ... uma substância ácida?



Os orbes vermelhos miraram o céu, e aparentes insetos gigantes cobriam parcialmente a chuva intensa daquela noite.


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Reita terminou de cortar ao meio o último corpo humano diante de si e levantou o rosto para a chuva pesada, esperando que de algum modo ela levasse toda dor em seu peito. Um suspiro profundo... estava cansado, não fisicamente, mas... cansado de tudo aquilo....



“Como será que meu amor está?”


Os olhos sorriram tristemente ao mirar o chão enlameado e sujo de sangue. Foi quando a água parou de lhe molhar. O rosto voltou a fitar o céu, e um enxame de abelhas youkais o cercavam... aquilo seria a terceira zona de contenção?


Respirou fundo e franziu o cenho, sentiu seus companheiros amenianos, os poucos que restaram, não mais que uma dúzia, e foi aquele a desferir o primeiro ataque, saltando alto e despedaçando duas das abelhas em um golpe. O pouso foi um tanto desequilibrado, mas bem sucedido... youkais voadores realmente davam algum trabalho.



–Vá ter com Uruha, cuidamos desse lado – a voz abafada pela máscara de Miku chegou a sua audição e o comandante Suzuki assentiu em confiança ao desaparecer em uma corrente de vento e água.


Correu alguns quilômetros em direção ao quadrante o qual o líder e o reforço humano do exército da resistência estavam. Se já haviam chegado àquele local, significava que o próximo era a direta contenção chefiada pelo general shiroyamiano e ex-general haniano. Desejava chegar à frente de batalha o mais rápido que podia, já que seu amado raposinha estava nesta, porém, também queria estar ao lado de Uruha naquele momento... para impedi-lo de fazer algo muito precipitado... ou desencadear sua possessão completa de uma vez.



As mechas negras do cabelo de Akira se mesclavam às loiras escurecidas pela chuva e seus olhos avermelhados se alarmaram ao avistar o amigo e líder no meio de um ataque de centopeias... não por medo de que o amigo se ferisse, Uruha não estava aparentando ter problema algum, mas pela tática que o outro estava usando para matar as criaturas em si.


Lembranças daquele mesmo selo negro diante de seus olhos, da dor de começar a sentir o inicio de explosão em seu rosto... a face desesperada de Uruha ao atingir o próprio pai descontrolado e possesso antes que o selo se completasse e o ensurdecedor som do grito de dor de Hitoru-san ao ter que apunhalar seu próprio companheiro enquanto os demais guerreiros atingiam as marcas deste e lhe ajudavam a dar cabo da vida do então líder ameniano.



Era o mesmo golpe que Ryou-sama usara para matar vários em seu descontrole, era o mesmo golpe que Ryou-sama tentou utilizar em si... o golpe que lhe deixara a cicatriz que escondia sob a faixa, e agora também máscara de respiração...


Uruha não podia estar usando aquilo... aquilo era cruel demais...


Mais um youkai teve sua cabeça explodida em segundos, a mão do atual líder da resistência logo indo para a cabeça de outro e dando mesmo fim a esta... Os soldados humanos atrás do Takashima se mantinham parados,distantes e assustados... não pelos youkais, seu líder parecia estar totalmente a vontade a dar cabo deles, mas sim por aquele que acreditavam ser um Deus parecer certamente demoníaco a seus olhos.


Por que Uruha estava usando aquilo? Estaria ele já completamente...



–URUHA... – Reita rugiu em sua voz rouca e abafada pelo acessório de seu rosto, se utilizando de energia e deixando suas marcas em seus braços reluzirem rubramente ao usar o ar denso e molhado como impulso até o líder, segurando-o pelas costas e retirando as mãos deste de dois youkais antes de pegar sua própria espada de tamanho avantajado e cortar os monstros ao meio – por que não usa sua espada? – vociferou ao líder ao mirar seus olhos, e então se deu conta... Uruha havia se perdido de vez... suas íris rubras apenas não possuíam mais brilho... ele finalmente tinha cruzado o limite... – URUHA – gritou em uma última tentativa, e se alarmou quando o amigo balançara a cabeça de um lado para o outro rapidamente, as luzes dos orbes vermelhos retornando e uma expressão confusa no rosto andrógeno.


–O que disse? – Kouyou questionou em estranheza... parecia ter se distraído por um instante?


Sentiu a presença do youkai ao seu lado e em um segundo levantou sua mão para golpear o monstro, só então percebendo que sua espada não estava em sua posse.


Por sorte Akira deu fim ao demônio antes que esse lhe atingisse e por um segundo o Takashima se sentiu desorientado ... quando havia feito sua arma desaparecer?


Deixou de lado e trouxe de volta sua lâmina vermelha, terminando com o ataque youkai em alguns minutos.


Quando os sapatos sujos e a roupa ensopada retornou ao chão o som da chuva era o único presente e o líder se permitiu respirar antes de mirar os soldados humanos atrás de si... era sua impressão ou o número deles havia diminuído consideravelmente? Era impressão sua ou parte dos corpos no chão trajavam o uniforme da resistência? Era impressão sua ou eles pareciam assustados?



–O que temem? – o líder bradou para a formação desorganizada a sua frente e aqueles que estavam na primeira fileira se estremeceram rapidamente até um deles tomar a iniciativa de responder a seu senhor.



–Uruha-sama... agora pouco... começou a explodir qualquer coisa que se aproximava de si, até mesmo soldados nossos... não sabíamos o que fazer... – o homem retorquiu de um modo acanhado e visivelmente assustado — ... nos mantivemos longe, mas... não sabíamos se deveríamos avançar ou recuar...



Uruha se alarmou repentinamente e antes que pudesse pensar em algo a voz de seu amigo chegou a seus ouvidos e a mão deste tocou seu ombro em um aperto considerável.



–Você perdeu o controle... achei que tivesse cruzado o limite, mas voltou quando gritei com você –Suzuki falou às suas costas — ... a próxima zona de contenção é a zona dele... sinto a presença de Ruki, já chegaram lá... tem certeza de que vai conseguir? Se perder o controle novamente poderá por tudo a perder....



–Não perderei... – Kouyou rugiu ao retirar a mão do amigo de seu ombro – AVANCEM – gritou em direção a seus homens e deu as costas a esses, sumindo diante de seus olhos ao se unir ao vento molhado no meio da tempestade.


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Nao caminhava calmamente pelo campo enlameado e coberto de pedaços ensanguentados enquanto uma sombrinha luxuosa o protegia parcialmente dos pingos grossos e fortes de chuva. Atrás de si Hiroto também se protegia com objeto semelhante enquanto e grupo de aproximadamente cem soldados os seguiam.



–Não acha que há mais corpos do que deveria? – o ex senhor de Ogata questionou em estranheza — pensei que eles tentariam apenas no conter e se uniriam a nós...



–Murai-san – a voz conhecida da sacerdotisa não estava nada feliz e Naoyuki sorriu fino antes de lançar seu olhar para o lado e encontrar esta e suas dezenas de sacerdotisas e monges aguardando-os mais a frente.


–Oh! Chegaram antes de nós!– o ex-conselheiro chefe de Hana exclamou em falsa simpatia.


–Sem embolações, seu miserável ... – Oboru rugiu entre dentes, saindo da proteção da sombrinha segurada por uma de suas subordinadas e deixando a chuva lhe ensopar totalmente ao avançar rapidamente em direção ao homem alvo de seu praguejo — ... você assegurou de que eles não ofereceriam resistência dessa magnitude... acaso isso lhe parece “falsa defesa” aos seus ollhos? A Passagem oeste também está bloqueada por um selo estranho que nem mesmo eu posso retirar, prometeu que estaria livre...



–Kai-san deve ter tido uma mudança de planos – Nao interrompeu as acusações da mulher ao desmanchar seu sorriso e desenhar um semblante sério em seu rosto — ... vamos ter que trabalhar com o que temos, ainda há a passagem leste, não deve estar muito reforçada, se não quer esperar Uruha abrir caminho, apenas siga o destacamento de Kazuki e espere-o abrir o dele.


–Argh.. – a sacerdotisa rugiu entre dentes, como gostaria de matar aquele homem...


–Não recomendo isso, Oboru-san, tem certeza de que sou mais perigoso vivo do que morto? – o ex-conselheiro sorriu ao ler totalmente a intenção da mulher.


–Fique fora do meu caminho – Oboru ditou por fim, antes de desaparecer em um vulto negro, e logo as dezenas de pessoas do antigo santuário também fizeram o mesmo.


–Então isso explica essa cena... – Hiroto suspirou em um calafrio estranho, mirando o mais velho com curiosidade — .. por que não parece surpresode Kai-san não ter feito o que esperava que fizesse? Achei que evitar esse combate sangrento e atacar Yuuto por dentro e por fora fosse o seu plano.



Nao abriu seu sorriso fino novamente e colocou o rosto de olhos pequenos e aparência infantil de seu pupilo em seu campo de visão.



–Essa era uma adaptação devido à situação... mas vejo que posso voltar ao plano original... – o Murai respondeu ao questionamento do mais novo.


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Ruki saltou para trás diante do ataque do soldado incrivelmente forte e rápido e Jin veio a seu socorro quando sentiu a parede dos muros internos da propriedade central em suas costas... parecia que estava sem saída.



O meio youkai cachorro atacou o estranho soldado que possuía partes de metal cobrindo parcialmente seu rosto e este deixou uma cortina fina de poeira densa antes de recuar. Felizmente o hibrido estava usando sua máscara, poderia apostar que a tal poeira era aquela venenosa.


–Tudo bem? – Jin questionou ao raposa que assentiu em um tom ofendido... não acreditava que tinha sido encurralado daquele jeito.


–Essas coisas estão melhores... pensei que tínhamos acabado com todos naquele ataque... – Jin comentou para si mesmo e sentiu as mãos conhecidas e desejadas tocarem em seu cabelo encharcado e parcialmente sujo de sangue.


–Não se esforce tanto... Uruha chegará em poucos segundos, já que aquele cara é tão forte, deixemos ele lidar com isso – Byou falou de modo entediado enquanto trazia a cabeça de seu amado para si... argh, odiava terem que usar aquelas máscaras, precisava fervorosamente sentir a saliva do outro na sua.


–Muito fácil dizer isso quando tudo que fez foi nos seguir depois que já tínhamos limpado quase tudo ... – Ruki rugiu para o ex-senhor de Vegas — ... quantos homens matou com sua espada hoje?


Byou fuzilou o pequeno, mas decidiu ignorar as palavras ditas para si... preferia muito mais continuar abraçando o seu pequeno entre seus braços, já que não poderia beijá-lo.



–Eu e meus homens fizemos tudo que estávamos responsáveis por fazer, não é de meu interesse se aquela sacerdotisa deu para trás e simplesmente desapareceu assim que o ataque começou ... – Byou retorquiu em desinteresse, ganhar território ali estava tão fácil e sem emoção — ... mesmo sem ela, demos conta da frente de avanço, não demos?


–Muita prepotência se incluir em nossa vitória ... – a raposinha resmungou para o lado ao ver o “líder aliado” segurar desrespeitosamente as coxas do meio youkai cachorro em sua frente, alisando-as antes de repousá-las nas nádegas deste cobertas pelo tecido molhado de seu kimono -... pervertido... – como poderia estar fazendo aquele tipo de coisa em uma situação como aquela?


–Pare de ficar me alisando, sou o líder dessa frente, estou tentando decidir se ficamos parados e aguardamos Uruha-san ou se tentamos avançar pra ultima zona de contenção... – Jin resmungou ao sentir as mãos do ex-dono lhe tomar a carne traseira em suas palmas.


Os demais híbridos pareceram ter a mesma reação que o meio youkai raposa e os soldados restantes do ex-senhor de Vegas apenas balançaram a cabeça em um suspiro envergonhado... não acreditavam que serviam há tantos anos àquele mesmo homem.


–Pela demonstração que tivemos com apenas quatro daquelas coisas não vamos conseguir fazer grandes ações se avançarmos... vamos esperar Uruha chegar até aqui ou algum sinal de Kazuki de dentro da propriedade central – Byou ditou por fim, como se coubesse a si aquela decisão.



–Eu sou o líder aqui – Jin retrucou ao rodar os olhos...


O ex-senhor de Vegas franziu o cenho e resmungou, tirando suas mãos do seu ex-cachorro e marchando de volta para seu destacamento em uma marcha ofendida... era tão mais fácil quando tudo que dizia era lei para aquele seu rebelde a adorável amante.


–Três séculos de vida e acabou com alguém assim? – Ruki questionou em humor para o meio cachorro.


Jin fuzilou a raposa por um segundo.



–Não esqueça que eu sou seu superior – rebateu para o Matsumoto e Ruki resmungou novamente de lado ao assentir.


–Já chegaram – a raposinha sentenciou em uma mudança brusca de feição, olhando para trás e vendo o líder ameniano aparecer repentinamente ao portão acoplado ao muro logo mais ao lado. Não demorou muito para seu companheiro surgir ao lado deste e logo o destacamento completo ameniano também se pos ao lado do Suzuki junto a quatro mercenários. Sentia os humanos próximos, mas provavelmente estes demorariam a chegar.



–Por que ficou brigando comigo se fez o que eu falei do mesmo jeito? – Byou gritou em ultraje para o meio youkai cachorro e este rodou os olhos novamente. Por que amava aquele homem completamente egoísta e sem noção mesmo? Respirou fundo e sumiu de onde estava para resurgir a frente do Takashima.


–Quatro deles vieram nos “recepcionar” não lidamos muito bem com o ataque, achamos melhor esperá-los chegar – Jin reportou ao líder e Uruha assentiu.



–Nem sinal de Oboru-san? Era para eles estarem lhe ajudando nisso – Kouyou questionou em um olhar cerrado. Não gostava nada daquela traição repentina da sacerdotisa.



–A sentimos indo para a entrada oeste, mas tirando isso, nada, talvez ela siga Kazuki-san para chegar antes de nós a Yuuto – o meio youkai respondeu e Uruha voltou a assentir.


–Não temos tantas baixas... podemos prosseguir – o líder estatuou ao tomar a frente das formações ali presentes – depois dessa contenção restará apenas Yuuto.



Koyou voltou a erguer sua espada como um sinal de que avançariam e novamente sumiu em um piscar de olhos, logo todos ali faziam o mesmo, exceto é claro o destacamento humano de Byou que junto a seu líder começaram a marchar em uma corrida rápida debaixo da densa chuva.


–No meio de tantos seres assim, ser humano é um tanto quanto frustrante — Byou ouviu o resmungo de um de seus comandantes e lançou um olhar franzido para este, fazendo o homem tossir nervosamente e fingir que não havia dito nada.


–Como se ser humano fosse algo do qual se envergonhar – o ex-senhro de Vegas resmungou para si.


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–Chegaram – Saga respirou fundo ao avistar o primeiro vulto ao longe — ... tem certeza de que podemos contê-lo? – questionou em direção ao general shiroyamiano ao seu lado – para mim, a prioridade é matá-lo.



–Kai só precisa de um pouco mais de tempo, assim que ele der o sinal nós recuamos e deixamos o caminho livre para eles... – Aoi ditou sem tirar seus olhos do portão principal a alguns metros a sua frente -... até lá, não deixem ninguém passar, se Yuuto ver que algum deles entrou nesse prédio...


–Eu já entendi... – Saga resmungou de lado, tudo aquilo estava lhe parecendo cada vez mais arriscado e sem saída — ... mas você cuida do Uruha então.



Aou fuzilou o general próximo de si por um segundo e assim que o fez percebeu o Amano ao lado deste se aproximar mais em uma postura totalmente intimidadora. O Shiroyama sorriu tristemente... aquele sentimento de querer proteger seu amado... ele o entendia bem.


–Eu já disse que cuidaria dele, enquanto isso, apenas cuidem dos demais – estatuou por fim, em autoridade e firmeza ao voltar a focar o portão central.



A chuva densa fraquejou apenas um pouco e a formação de soldados se mantinha alinhada em volta do prédio central onde Yuuto estava. Aoi respirava compassado apesar de seu coração bombear sangue desesperadamente com o quão mais próximo aquela presença estava de si. Até que suas batidas pararam e seus olhos ainda que não quisesse lacrimejaram quando fitaram mais uma vez aquele por quem seu ser gritava, mesmo que este já não parecesse mais gritar por si.



No meio do grande portão central, totalmente aberto, estava ele. Seu Kouyou...


O cabelo curto e molhado, assim como todo o corpo e roupas escuras. Lama e sangue se misturavam em suas vestes e na armadura de couro. A lâmina rubra de sua espada, o rosto semicoberto por uma máscara grande demais... os olhos vermelhos em uma pintura já borrada e a presença totalmente ofensiva que emanava dele.



“No que estou pensando? Ele já não é mais ou meu Kou...”.



Notas finais
Ainda não foi o final, neh?
Estou sem ânimo esses dias e simplesmente não consigo digitar Vijukei por mais que ela já esteja escrita no caderno. Estou postando isso porque acredito que já demorei demais e maltratei muito leito que parece gostar dessa história. Vou continuar digitando a parte 3 aqui e assim que terminar e revisar posto. Além disso tem um epílogo pedido de algumas pessoas que virá outro dia, mas espero que não decepcione a vocês leitores e a Lissa-san que são donos da fic.
Já que eu simplesmente me sinto terminando-a a pulso. T.T
O que é uma penas já que essa fic se tornou a de mais sucesso que já escrevi.
Agradeço às novas recomendações e me desculpo pela falta de responsabilidade para com vocês.
Meu texto de despedida de ultimo capitulo já está escrito a meses do tanto que eu queria logo terminar essa fic, mas aind anão tive como postá-lo, afinal não acho justo dar um final de qualquer jeito para vocês que são tão pacientes.
Espero que não esteja confuso entender os links e se tiver, me avisem que eu tento adicionar explicações e mais cenas o próximo capitulo sim?
beijos.