Vijukei No Monogatari
18 Capítulo 17 – A criação de tudo parte 1
Notas iniciais
Capitulo de hoje, está grandão gente, por isso dividi em duas partes, a próxima virá na quarta e provavelmente será do mesmo tamanho que esse
Azumi ainda não betou, mas acho q mais tarde ela passa aqui e beta! =]
http://imageshack.us/f/502/apresentao3.jpg/( Bandas)
http://imageshack.us/f/20/apresentao2k.jpg/ ( Família Ishihara)
http://img802.imageshack.us/img802/1153/vijukei3.jpg (fundadoras, Maya e simbolos)
Azumi-chan:Oláááaáá amores,atrasadinha mas betei sim,mais um cap perfô!Boa leitura *-*
Capítulo 17 – A criação de tudo parte 1
Muitos estavam ali para se despedirem dos soldados que se organizavam para a marcha ao cair da tarde. A formação central dominada pelos uniformes e armaduras escuras de Shiroyama, a parte esquerda repletas do material maciço prateado das armaduras levemente enfeitadas por pedras dos homens de Hana, e um pequeno aglomerados de guerreiros amenianos mais a direita, com suas peles expostas e trajes que se divergiam de qualquer um dos outros dois exércitos maiores.
Uruha se mantinha olhando o horizonte, seus homens ainda não haviam retornado com seu comandante e amigo... sua preocupação estava quase o enlouquecendo.
–Nada deles? – Miku perguntou ao seu lado.
–Não... sei que eles nos alcançarão sem problemas, mas... partir sem saber o motivo de Reita ter se atrasado tanto... – o líder respondeu em nervosismo, abraçando seu ventre inconscientemente, as preocupações e tensões o faziam temer pela a vida que trazia ali dentro.
Mais ao longe, em cima de seu cavalo e a frente de seu cento e vinte mil homens estava o general shiroyamiano adornado por sua armadura negra e com o estranho tecido de mesa cor a tampar a metade debaixo de seu rosto. O adereço havia levantado burburinhos entre os soldados, mas nenhum jamais ousaria perguntar a seu general o motivo de tal “enfeite”, e ainda os quatro, que talvez desconfiasse de algo, mantinham suas bocas bem fechadas sob ordem do líder moreno... caso contrário suspeitavam que teriam suas línguas arrancadas na melhor das hipóteses... o general apesar de respeitado por sua força, imponência e obediência aos valores de Shiroyama, não era conhecido por ser a pessoa mais paciente do mundo.
Yuu olhou para a figura loira distante, estreitando o olhar quando mesmo tão longe vira esse olhar fixamente para algo além do horizonte lateral, seu cenho se fechou mais ainda quando o general haniano passou por sua frente a galope, indo rápido em direção ao modesto aglomerado ameniano.
Saga parou assim que chegou em frente ao líder loiro, descendo do cavalo com pressa e se colocando a frente deste.
–Tudo bem desse lado? – questionou.
–Mais ou menos, meu comandante ainda não retornou e os homens que enviei para buscá-lo ainda não me deram resposta... mas não será necessário adiar a marcha por isso, assim que eles estiverem prontos não terão problema algum em nos acompanhar – Uruha assegurou, ainda que não se sentisse confiante sem seu amigo ali, havia muito em jogo.
O Takashi assentiu com a cabeça e se aproximou do líder levemente maior que si.
–Aquela pessoa está em uma das carruagens de equipamentos, pode manter um olho nela também? – perguntou rente ao ouvido do Takashima, se referindo a sacerdotisa que havia chegado aquela manhã.
–Sim – Kouyou assentiu, contente por saber que ao menos o líder haniano parecia ter sua pessoa em um posto de confiança – obrigado pela confiança, Saga-san.
O Takashi apenas voltou a assentir.
–Partimos em alguns minutos, Nao-san me pediu para lhe entregasse isso urgentemente – avisou ao passar seus braços pelo o corpo do loiro como se estivesse a abraçá-lo, depositando algo na bolsa simples de tecido e corda que este carregava em suas costas – geralmente eu brigaria com aquele cara por estar conspirando com gente de fora, mas acredito nas ações dele... e tenho confiança em sua honra e honestidade, por isso, seja o que for que estão tramando, sei que não será contra Hana – sorriu ao se afastar um pouco – acredito que Shiroyama seja um feudo muito mais interessante de se armar contra.
Uruha suspirou tristemente... não gostava daquilo, mas era verdade.
–Nao-san me disse para não confiar em Shiroyama, ele também só quer proteger sua gente... – o loiro assentiu em sua voz calma – estamos apenas nos certificando que tanto meu povo quanto o seu ficará protegido caso Aoi-san... – não conseguiu terminar, ainda lhe doía ter que aceitar de forma tão plena que seu companheiro era sem dúvida alguém não confiável... por sinal sentiu a presença deste se mover e se aproximar, respirou fundo e fechou os olhos, reabrindo-os em seguida.
–Por falar no demônio... – Saga começou ao mirar a figura quase furiosa a galopar em seu assustador cavalo negro na direção em que ele e o loiro estavam.
– Posso saber o que estão tramando? – o moreno rugiu em sua voz abafada pelo o tecido do rosto ao parar ao lado dos dois lideres, fitando o ameniano com um olhar estreito, não estava gostando nada da proximidade deste com o general haniano, menos ainda da cena que vira poucos minutos antes.
–Estou apenas cumprimentando nosso parceiro de batalha – Saga tomou a frente em um conversa lenta e humorada – estou contando com ele para nos dar a vitória – sorriu em provocação, satisfeito com o modo como o general shiroyamiano desceu de seu cavalo e ameaçou puxar sua espada.
–Acredita em meia dúzia de selvagens e trata meu exército com desdém... está certo de que está fazendo a escolha certa? – o moreno vociferou, a mão coçando para sacar sua lâmina.
Saga deu se ombros e voltou a se aproximar do líder loiro.
–Ao menos a liderança deles é bem mais capaz e racional do que aquela do exercito shiroyamiano – continuou a provocar – Uruha-san sem dúvida recebeu uma educação melhor que a sua.
Aoi o fuzilou com seus orbes negros, apertando seus dedos em sua arma...
–Senhores, somos todos aliados aqui, certo? – Uruha interrompeu – deixemos as diferenças para depois que Vijukei estiver segura – continuou em um tom calmo, mas firme.
–Se prepare para quando essa guerra acabar, Saga... – Aoi ameaçou, desviando seu olhar rapidamente para o loiro em um aviso mudo de que com certeza teria explicações uma outra hora.
Deu às costas e voltou a subir em seu cavalo.
–Meus homens já estão prontos, apresse o seu bando de lesmas, Sakamato – ordenou ao haniano, puxando as rédeas e galopando em direção de volta à formação de seu exército.
Saga olhou para o loiro ao seu lado e rodou os olhos, arrancando um sorriso humorado do ameniano.
–Aposto minha espada que apenas meus homens e os seus serão mais do que capazes de dar um fim nisso e esse bando de prepotentes vão ficar apenas de paisagem – bufou de lado, se recolocando em cima de sua égua pintada em branco e marrom.
–Torço para que até mesmo seus homens e a maioria dos meus só fiquem de paisagem também – Kouyou rebateu em um sorriso mínimo, gentil.
–Com certeza isso seria o melhor – o Sakamoto assentiu, compreendendo o significado das palavras do loiro – sabe... se você não fosse ameniano e se fosse uma mulher, eu te pegaria como esposa, simpatizei mesmo com você.
Uruha não conseguiu conter sua gargalhada.
–Agradeço o elogio, mas já sou comprometido – respondeu em uma expressão respeitosa e humorada, não conseguindo esconder uma pintada de tristeza da veracidade daquelas palavras.
–Hum... – Takashi deu de ombros – até mais então – sorriu rapidamente em resposta, voltando a cavalgar em direção aos seus homens do outro lado da formação... iria apressar suas “lesmas”.
.........................................................................................................................................................
–Quanto tempo devo esperar para ativar o que me pediu? – Miyavi indagou ao bruxo ao seu lado, mordiscando
–Aproximadamente uma semana... vai saber quando for o momento – Yuuto respondeu ao pegar educadamente um de seus pedaços crus da carne de algum animal.
–Por que tanto tempo? – o senhor feudal reclamou.
–Porque sim – o bruxo rebateu, desviando seu olhar para a jovem senhora afastada de si e de seu marido – Melody-san... sua filha mais nova faz um ano em breve, certo?
A senhora de Ishihara sentiu suas veias pulsarem em gelo ao ouvir aquele homem mencionar sua filha, sentia que nada de bom poderia vir daquele ser que lhe exalava terror.
–Responda ao Yuuto-san – Miyavi ordenou em um olhar franzido.
–Sim – a jovem respondeu ao se sentir pressionada.
–Gostaria de presenteá-la nesse dia – Yuuto continuou, passando a mão no cabelo do monge ao seu lado, em um movimento costumeiro, como se aquele fosse seu bicho de estimação – Rui sabe fazer selos esplêndidos, tenho certeza que um deles será de seu agrado... ou eu posso dar à pequena um youkai de classe baixa, o que acha? Gostaria de algum dos meus presentes, Melody-san?
A jovem de cabelos mel sentiu seu coração de apertar... aquele homem estava claramente a chantageando ao ameaçar uma de suas filhas.
–Não precisa se incomodar – rebateu em uma tentativa falha de calma – asseguro que o senhor não deve se preocupar comigo ou com minhas filhas.
O bruxo de negro e cabelos castanhos sorriu satisfeito, pelo o visto a senhora do feudo era esperta, tinha acertado em dar importância à notável aura espirituosa da jovem, que agora sentia esvair... não cometeria os mesmo erros do passado, não subestimaria mais nenhuma mulher.
–Bem, me avise se mudar de idéia – assentiu em desinteresse fingido – agradeço a hospitalidade, mas amanhã mesmo voltarei a Vegas.
–Hum... Byou-san não será problema aos nossos planos? – o Takamasa indagou.
–Eu darei um jeito nele, não se preocupe com isso, em breve Vijukei será completamente nossa – assegurou ao maior... realmente seu poder não estava mais o mesmo, talvez tivesse que regrar mais sua energia em relação ao senhor de Shiroyama, não era para aquele boneco Ishihara estar questionando tanto suas ordens.
“De qualquer... ninguém mais é capaz de me deter...”
.........................................................................................................................................................
– Logo saberemos a decisão de toda essa guerra... – Hiroto comentou ao lado do senhor de Hana, enquanto ambos, junto aos conselheiros do feudo, miravam a partida dos numerosos soldados da aliança. Olhou o amante pelo o canto do olho, esse se mantinha sério... indecifrável, tinha se tornado um lider meticuloso rápido demais para o seu gosto... estava estranho.
Mais atrás Naoyuki se mantinha fingidamente indiferente, um sorriso falso no rosto enquanto os olhos puxados e sérios miravam os dois lideres à sua frente.
–Nao-san – um dos outros conselheiros chamou discretamente ao seu lado – aquilo que pediu... já está em andamento.
–Obrigado – o Murai assentiu em seu sorriso fechado... daria um jeito naquela palhaçada o mais rápido possível.
.........................................................................................................................................................
O exército da aliança marchara pela noite inteira, e quando os primeiros raios de sol começaram a aparecer no céu foi decidido dar o primeiro descanso breve aos soldados. Os amenianos se mantiveram nas árvores, aguardando os demais descansarem, alguns aproveitando para comer algo ou beber a água de um rio próximo. Uruha era um dos que apenas se sentou em um galho mais alto e voltou a fitar o horizonte na direção que sabia ficar a fronteira com Ishihara, mantinha-se alerta, desejoso por presenças conhecidas entrarem em seu alcance. E fora ao insistir durante alguns minutos que um brilho de alívio se acendeu em seus olhos. O líder loiro se colocou de pé e logo mais alguns de seus guerreiros também se sobressaltaram, mirando a mesma direção que si.
Kouyou desapareceu em uma rajada de vento e em poucos segundos já estava diante de seus dois guerreiros a escoltar o pequeno meio youkai de Shiroyama e seu amigo e comandante.
–Exibido! – Reita resmungou em humor ao ver a chegada tão apressada e triunfante do maior.
–Está atrasado! – Uruha reclamou em um sorriso aliviado ao se aproximar do enfaixado e lhe dar um leve tapa no braço – me preocupe assim novamente e te faço de neko – ameaçou em brincadeira.
–Não mesmo, sou um homem completamente comprometido agora – Reita sorriu ao passar o braço ousado pela cintura do hibrido ao seu lado, puxando-o para si e arrancando uma feição zangada deste.
Ruki resmungou e arranhou de leve os dedos do enfaixado, fazendo este o soltar por reflexo.
Uruha gargalhou e pousou a mão sobre o ombro do amigo, não agüentando e acabando por dar um abraço leve neste, sorrindo para o olhar atento e estreito de Ruki sobre si.
–Fique calmo, Ruki-san... estou apenas feliz por ter meu amigo e comandante de volta – despreocupou o pequeno ainda que este tenha se negado a dizer qualquer coisa – por que demoraram tanto?
–Reita-san estava ferido quando os achamos, tivemos que curá-lo e... além disso houve contratempos – Lune começou a explicar, um olhar tenso e preocupado para Toru e para seu comandante.
Kouyou pensou ter captado algo ruim naqueles olhares e pediu uma explicação mais significativa ao amigo.
Reita respirou fundo, lançando um rápido olhar ao seu companheiro.
–Uruha-san... não temos boas notícias – Ruki foi aquele que se pronunciou – é melhor que Aoi-san e o general de Hana também estejam presentes.
### ###
Não foi demorado para se organizar uma rápida reunião entre os generais dentro de uma tenda pequena, aparentemente o descanso curto demoraria mais um pouco aquela manhã.
–Youkais? – a voz rugida do general de Shiroyama pareceu ecoar pelo o médio espaço redondo – aquele maldito Miyavi está usando youkais?
–Hun – Ruki assentiu, tinha apenas começado a contar tudo que tinha visto e o general já estava exaltado daquele jeito.
–Os outros espiões, ainda estão lá? – Saga perguntou, sentindo sua cabeça doer, será que complicações não paravam de surgir?
–Eles foram mortos, um youkai cachorro os matou – o mensageiro respondeu – Reita-san me salvou ao abater o youkai... Melody-san, a esposa de Miyavi, nos deu informação sobre uma sala que Ishihara protegida fortemente, tínhamos planejado invadi-la quando os espiões foram mortos, mas eu e Reita-san continuamos o plano e a invadimos – continuou a mexer em suas roupas e tirar de lá três pergaminhos pequenos – essa aqui era a sala e as informações que Melody-san nos deu – falou ao abrir o primeiro rolo em cima da mesa baixa e pequena improvisada – e isso era o que estava dentro da sala – disse abrindo o segundo em cima do anterior, mostrando um desenho da pedra negra, ressaltando a escuridão dela e o mencionando em letras os gritos que dela ecoavam – é uma jóia estranha, sente-se o coração comprimir apenas de ficar próxima a ela e quando eu tentei me aproximar mais para trazê-la ela simplesmente pareceu entrar em minha cabeça e me torturar mentalmente... é como se tivessem milhares de pessoas gritando e chorando dentro dela...
Uruha estreitou o olhar para o desenho, passando a unha grande e bem pintada em negro por cima dos traços... aquilo lhe parecia familiar, talvez de algum dos livros de Miko-sama que às vezes lia... só não se recordava bem... Olhou para Saga e este entendeu que talvez fosse interessante mostrar aquele desenho para Oboru, ela deveria se lembrar melhor que ele mesmo.
–Sabe o que é? – Aoi vociferou ao loiro, franzindo o cenho para o olhar que este e o general haniano trocavam.
–Não, me parece familiar, mas não lembro de onde – respondeu ao moreno – continue Ruki-san.
–Nós invadimos a sala no dia em que Miyavi estava recebendo uma visita e a segurança estava mais fraca, aliás, o feudo de Ishihara não parece mais o mesmo... as pessoas não saem mais de suas casas e Miyavi mata qualquer um que vá contra ele, até mesmo se conselho estava em estacas e... mesmo Melody-san diz temer o próprio marido, ela queria nos ajudar a interferir em Ishihara... acho que seria interessante tentar manter algum contato com ela – o pequeno continuou, lembrando-se de pedir pela jovem senhora que o ajudara.
–A única coisa que farei será dizimar todos aqueles malditos – Aoi vociferou – se Ishihara é uma ameaça, todos lá merecem perecer...
–Quem era a visita? – Saga perguntou, interrompendo o discurso de ódio do moreno, deixando este ainda mais raivoso.
–Alguém chamado Yuuto e um monge – Reita respondeu dessa vez.
Uruha e Saga se alarmaram na mesma hora, tinham a confirmação do que desconfiavam, com certeza teriam que falar com a sacerdotisa o quanto antes.
–Quem é Yuuto? – Aoi perguntou, se sentindo irado por ser o único a não entender o porquê de tanto alarde. Uruha olhou para o Takashi e esse assentiu.
–Desconfiamos que Yuuto seja o bruxo por trás do ataque a Fukaku-san e Shou-san... – Kouyou começou a explicar – aparentemente o santuário mandou alguém para monitorá-lo, mas... esse monge... o que exatamente ele fez?
–Nada – Reita continuou a responder – apenas ficou olhando enquanto eu e Ruki éramos atacados pelos soldados.
–O Santuário por algum acaso está trabalhando junto com Miyavi e esse tal bruxo? – o general moreno voltou a bracejar, socando com os punhos cerrados o tampo da mesa baixa de madeira.
–O Santuário jamais conspiraria contra Vijukei, não podemos dizer nada sobre esse monge – Uruha se pronunciou.
– Por que tem tanta certeza? – Aoi questionou em um olhar fechado – até onde sei, as pessoas de lá podem ser bastante traidoras e não confiáveis... – destilou em dor e rancor palpáveis.
Kouyou não conseguiu segurar seu olhar de compaixão, e ainda assim uma ponta de algo que reconheceu como ciúmes ameaçou queimar dentro de seu peito... será que teria sido o ocorrido com a ex-esposa a transformar aquele homem naquilo?
–Esse outro pergaminho, o que é? – Saga perguntou ao mensageiro, antes que a situação ali dentro se tornasse mais insuportável.
– Assim que chegamos a Ishihara... vimos isso, parece algum tipo de construção estranha... – Ruki começou a desembrulhar o rolo e abri-lo em cima da mesa, revelando o desenho do amontoado de pedras bem organizadas em uma estrutura circular. Uruha e Saga se sobressaltaram novamente, trocando um olhar cúmplice e surpreso.
–Vão me dizer o que é, ou vou ter que arrancar a cabeça de alguém para isso? – Aoi vociferou.
–Essa construção... há uma igual no acampamento chinês – Kouyou novamente explicou — ainda não sabemos o que é.
A respiração pesada do Shiroyama quebrou o silêncio do local, os dedos deste se apertando em punho.
–Você, corra agora mesmo até Shiroyama e avise Kai que é para nossos navios abrirem fogo contra Ishihara o mais rápido possível – ordenou ao mensageiro hibrido – não quero saber de nenhuma maldita alma viva naquele feudo...
–Aoi-san, isso é ridículo.... – Saga tentou contestar em imponência.
–Cale a boca, o que eu faço ou deixo de fazer com a minha esquadra decido eu – o Shiroyama gritou de volta – não era você quem estava preocupado em fazer dos chineses a única prioridade? Pois então, nós dizimamos esses malditos invasores enquanto a esquadra de Shiroyama destrói esse feudo de merda, mais tarde cuidaremos de Vegas e desse tal bruxo, não está feliz?
–Mas... há pessoas inocentes em Ishihara, elas não tem nada a ver com isso.... – Uruha se pronunciou, recebendo um olhar gélido e frio do moreno.
–Bem vindo á guerra Takashima, onde mata-se primeiro e pergunta-se depois, onde você mata seu oponentes antes que ele ouse se levantar para te atacar – Yuu rebateu em uma voz rouca e firme — ... ou pensava que sairia disso com as mãos limpas?
E dito isso o Shiroyama se retirou da tenda, deixando para trás outro silêncio perturbador.
–Uruha-san... – Saga foi o primeiro a falar – venha comigo – pediu ao lider loiro ao sair do local e ser seguidos por seus soldados de guarda.
Kouyou olhou seu comandante brevemente, vendo este abaixar o olhar e se aproximar do pequeno companheiro.
–Nunca vamos voltar a ser nós mesmos, não é? – Akira murmurou em tristeza para o amigo.
Kouyou não respondeu, apenas saiu do ambiente, deixando para trás o casal a se olharem.
–Seus desenhos realmente ficaram bons – Reita sorriu sem graça – tem que cumprir a ordem daquele cara não é?
–Hum... – o pequeno assentiu com a cabeça, o olhar se desviando, as garras se cerrando em punho... por que seu peito doía tanto?
–Tome cuidado, pequeno... por favor... – o maior começou em uma súplica baixa, se aproximando do meio youkai, enlaçando a cintura deste com cuidado, trazendo a cabeça loira para seu peito, abraçando-o com força — ... eu queria ir com você...
–Não pode, tem que ficar e liderar o exército com Uruha-san, pare de me tratar como uma fêmea, eu sei me cuidar... – Ruki resmungou ao se deixar abraçar. De repente era consciente da incerteza de que se veriam mais uma vez, tanta coisa podia acontecer, ele poderia falhar e não conseguir cumprir sua missão, poderia ser capturado ou... Akira podia morrer em batalha, se ferir de novo .... e isso... seu peito doía tanto.... Num movimento involuntário levou os braços por entre os cotovelos do maior, retribuindo o abraço com força — ... promete que vai se cuidar também... – pediu baixinho, com vergonha de suas próprias palavras e ainda assim sentindo que precisava dizê-las.
–Prometo... – Reita assentiu, se afastando minimamente para encarar o olhar constrangido do companheiro. Levou uma das mãos à região esquerda do peito do menor, passando os dedos por dentro da gola folgada do kimono, tocando a pele e revelando sua marca ali – eu vou estar com você, bem aqui... você é meu companheiro, e eu o amo mais do que tudo no mundo, por isso se algo acontecer com você eu nunca mais seria feliz novamente, então... não ouse se machucar – ditou, descendo a cabeça e depositando um beijo leve em sua marca, sentindo o pequeno se estremecer com o gesto – não é uma despedida, entendeu?
Ruki fechou os olhos e assentiu, não suportando mais e puxando o rosto do maior para o seu, selando seus lábios e enlaçando o pescoço deste com os braços, se mantendo nas pontas dos pés para manter o beijo... não era uma despedida... não podia ser...
.........................................................................................................................................................
Kai se mantinha observando atentamente a substância esfarinhada descer de um recipiente arredondado e passar para outro mais abaixo, correndo por um tubo de porcelana claro até cair em outro recipiente de porcelana maior ao final deste. Pegou um pouco da substância arenosa em sua palma e andou até o outro lado do amplo salão escuro que chamava de “laboratório”. Mirou sua coleção de “cobaias” deitadas em suportes grandes de madeira e foi até a cobaia mais recente que se tratava de um jovem moribundo e doente qualquer que havia encontrado entre as ruas da cidade imperial. Teria sido bom fazer da ama de sua sobrinha seu novo boneco de teste, mas torturá-la um pouco já fora o suficiente por sua irresponsabilidade, e a mensagem de seu irmão dias após havia tranqüilizado-o quanto ao destino de sua pequena Maya... quando a menina voltasse não gostaria nada de saber que sua amada ama havia virado cobaia de seus experimentos, não faria nada para ganhar a magoa de sua princesinha, por isso achou bem piedoso o fato de ter dado a jovem de presente para os soldados por um tempo antes de retorná-la ao contingente de criados da propriedade, ao menos agora ela aprenderia a ter mais cuidado com suas obrigações.
Foi até o corpo nu coberto de algo que o fazia adquirir a cor amarelada, quem olhasse de perto veria que as macas ficavam sobre uma estranha estrutura vazada por onde saia uma fumaça fria para manter os corpos menos podres por um tempo, mas as invenções do chefe de pesquisa ainda não faziam o milagre de os conservarem por mais de dois meses, o que obrigava o moreninho a se desfazer e repor o estoque de corpos. Motivo que faziam muitos se arrepiarem e temerem o Shiroyama, ainda que poucos soubessem mais do que rumores.
Kai soprou a areia negra em sua mão em direção ao nariz do jovem morto, se afastando e esperando alguns minutos. Pegou algo que se assemelhava a uma lâmina pequena e afiada, cortando a garganta do cadáver para analisar a carne escurecida e negra ali... sorriu em satisfação, mas havia um limite que corpos mortos poderiam servir.
Ouviu uma batida do lado de fora na porta do cômodo e franziu o cenho com a ousadia de lhe interromperem àquela hora da noite em suas atividades. Pegou mais um punhado da areia negra e a manteve em sua mão quando andou em direção à porta, abrindo-a e saindo do local rapidamente, vendo o soldado de seu pai tampar o nariz levemente... afinal sempre voltava com um odor não muito agradável quando entrava ali.
–O que foi? – perguntou em um sorriso falso. Aquele que se encontrava fora do local tratou de se por de joelhos.
–Desculpe incomodar, Kai-sama, mas o mensageiro hibrido trouxe uma mensagem para o senhor – avisou.
–Onde ele está? – Kai questionou.
–No salão principal, seu pai quis vê-lo – o soldado respondeu prontamente.
–Meu pai? Ele já melhorou? – perguntou em um franzir de cenho estranho, desde que os exércitos haviam partido que seu pai reclamava de dores de cabeça e se mantinha deitado durante todo o dia, o que havia lhe tomado muito tempo em assumir as obrigações de senhor, tendo disposição apenas àquela hora da noite para seguir com seus projetos.
–Acho que sim, Kai-sama – o samurai respondeu.
Kai estreitou o olhar.
–Levante-se – ordenou ao samurai que o obedeceu prontamente – fará parte de uma experiência muito importante, sim? – sorriu para o soldado que recuou diante daquilo.
Kai apenas ergueu a mão e assoprou o punhado de areia no rosto do jovem, se afastando dois passos e observando com atenção.
O samurai fechou os olhos em reflexo, levando a mão à garganta ao sentir uma coceira ali, e então percebeu que não conseguia mais respirar, apertando os dedos da outra mão no pescoço e se contorcendo em agonia ao tentar puxar ar para seus pulmões e não conseguir. O corpo fraquejou e caiu de joelhos, perdendo a consciência aos poucos, os olhos se tingindo de vermelho como se suas veias tivessem se estourado e então caiu desfalecido no chão.
Kai se aproximou e tocou o corpo com o pé, se abaixando e observando com atenção os olhos.
–Hum... parcialmente bem sucedido – ditou por fim, se levantando e andando em direção à construção mais próxima dali – um soldado colapsou ali atrás, vá removê-lo – ordenou ao primeiro de seus homens que viu, andando calmamente em direção à ala contrária onde ficava o salão principal. Talvez seu pai o repreendesse por isso depois, mas estava de mau humor e cansado... não se importava com aquilo no momento.
### ###
–Mensagem para mim? – perguntou em um sorriso ao adentrar o cômodo amplo e mirar o meio youkai curvado a frente de seu pai.
–Kai-sama – Ruki se apressou em estender o pergaminho ao Shiroyama mais novo, tampando o olfato apurado levemente ao sentir o odor não agradável de seu senhor.
Kai pegou a mensagem em sua mão e a abriu, lendo-a rapidamente.
–Pois então, o que é? – seu pai perguntou em uma feição séria, sua cabeça ainda doía, mas tinha que mostrar ao povo que o senhor de Shiroyama ainda estava completamente em condições de governar.
–Hum... – Kai murmurou em interesse — ... Yuu quer que mandemos as esquadras bombardearem Ishihara – respondeu ao franzir o cenho, não gostava nada daquilo, matanças daquele tipo o enjoavam.
–Por quê? – Fukaku questionou.
–Parece que Miyavi está tramando junto com o bruxo que o atacou, meu pai, e que está fazendo acordos com youkais e com o santuário – respondeu em uma voz respeitosa – suas ordens?
Fukaku fechou os olhos para tentar amenizar a dor em todo seu cérebro, podia ouvir vozes sussurrando dentro de sua cabeça... será que estava a ficar louco? A idade finalmente o estava punindo com sandice? Abriu os olhos e tudo pareceu se tornar estranhamente irreal... como se seus olhos não fossem apenas seus...
### ###
– Isso de novo? – Rui bufou em tédio ao ver seu dedo cortado e colocado sobre uma tábua de madeira estranha no colo do bruxo, o movimento do coche o incomodava um pouco, mas não parecia desconcentrar Yuuto de alguma imagem que via dentro daquele circulo estranho – o que tanto você ver?
Yuuto não desviou o olhar do centro do círculo onde encarava imagem da feição do segundo filho de Shiroyama e do meio youkai que vira dois dias atrás curvado atrás deste.
“...suas ordens?” a voz de Kai saiu.
O bruxo franziu o cenho, aquela manobra Shiroyama podia atrapalhar a perfeição de seu plano, ainda que jamais fosse impedi-lo... não queria ter que usar o plano B ou o C sendo que o A se mostrava tão promissor... se ao menos estivesse mais forte!
“Maldita Omi...”
Sentiu o suor de sua testa descer, já estava forçando demais, talvez não fosse problema arriscar mais um pouco. Pousou sua outra mão junto ao sangue do monge que escorria no artefato, um dos símbolos estranhos do objeto de acendeu em preto e uma mente foi subjulgada.
### ###
–Vamos esperar – Fukaku respondeu em um tom mórbido – vamos esperar mais informações, uma matança agora não é de valia.
–Sim... entendo – Kai assentiu – vou mandar mais espiões então para observarem qualquer movimentação.
–Não... deixe Ishihara por enquanto, vamos nos focar nos invasores – o mesmo tom mórbido ordenou e o Yutaka franziu o cenho, apesar de seu pai ter ficado coração mole nos últimos anos, jamais daria uma ordem para deixar algo que poderia ser ameaça sem monitoramento... não era do feitio do grande senhor feudal de Shiroyama.
–Sim meu pai – assentiu, ainda que não planejasse obedecer tal ordem.
### ###
Yuuto deixou a tábua cair no chão do coche e arfou um pouco com o esforço, ainda não estava na hora, mais alguns dias e estaria tudo bem.
–Ei... o que aconteceu? – Rui indagou ao bruxo, levando os dedos até o rosto deste, era a primeira vez que via o outro parecer cansado daquele jeito, e olhe que já tinha se esforçado para deixá-lo naquele estado usando seu corpo.
–Apenas uma mudança no roteiro – Yuuto sorriu de lado – preocupado comigo? – provocou.
–Sim – Rui respondeu rapidamente, surpreendendo levemente o maior. Yuuto encarou o monge ao lado, não era possível que mesmo com aquele selo o religioso fosse tão singular daquele modo... o que Omi pretendia mandando aquilo para monitorá-lo? Um monge rebelde, sem memórias e sem ambições ou valores... será que Omi era mesmo tão desinteressada nas coisas daquele modo? – o que foi? Não posso? – Rui perguntou em um bico e Yuuto sorriu... realmente, parecia estar diante de seu amado Joshua novamente...
–Venha aqui – ditou para o jovem que sorriu em satisfação e inclinou-se em direção a si, beijando sua boca com ânsia e lasciva.
“Falta pouco.... falta tão pouco...!”
Mil anos esperando e vivendo só por aquilo...uma semana parecia nada diante daquilo.
.........................................................................................................................................................
– E Então... tudo certo? – Kazuki perguntou para o ameniano que entrava pela janela de sua sala.
–Sim, Yuuto volta em três dias, todos estão a postos – Manabu respondeu, pousando sobre o solo do cômodo e se sentando ousadamente na mesa baixa de seu “dono” e “companheiro”, atrapalhando-o na assinatura de algum documento. Abriu as pernas e colocou os pés no chão, trazendo o corpo sentado do maior para ficar entre elas – hora de renovar os votos – ditou, passeando os dedos pela testa marcada do proprietário.
–Afinal essa é a sua garantia, não é? – Kazuki sorriu de lado – Buu-chan – provocou ao pegar o quadril do menor e puxá-lo para seu colo – me diga, por que quer tanto se aproximar desse monge? –sussurrou no ouvido do pequeno.
–Me chame de Buu-chan novamente e quem ficará por baixo é você – rugiu para o maior – e isso não te interessa realmente, interessa? Contanto que eu tenha o que eu quero e você tenha sua paz e tranqüilidade de volta, todos ficamos felizes.
– Hum... Buu-chan... você é um neko, não tente se fazer de macho alfa – o maior continuou ao mordiscar de leve o pescoço do ameniano.
–Quem disse que um neko não pode ser ativo? – Manabu rebateu em rudeza, empurrando o maior de leve para trás, sentando-se sobre o quadril deste. Passou as pernas para dentro das pernas do ex-cortesão e forçou seu membro contra o baixo-ventre alheio – Jin está inseguro, falou que se algo der errado ele apenas fugirá com seu dono e não se atará a nenhum acordo que não seu contrato... – sussurrou no ouvido de seu “companheiro”, se esfregando nele com lentidão – pode dar um jeito nisso?
Kazuki fechou os olhos, o menor com certeza sabia seduzir, como ouvira que todos os amenianos sabiam... talvez tivesse arriscado ao aceitar os termos daquele acordo carnal.
–Jin não será problema, ele e Byou são iguais: fortes, espertos e poderosos... mas estranhamente manipuláveis como crianças inocentes – respondeu ao arfar, sentindo os dedos do pequeno brincarem com sua ereção por cima do tecido de sua roupa.
–Jin é antigo demais... deveria tomar cuidado – Manabu continuou ao mordiscar de leve o lóbulo do maior.
–Hum... – Kazuki gemeu gostosamente — ... antigo e ainda virgem... ninguém que não tenha fodido ao menos uma vez pode ser considerado alguma ameaça – provocou ao enlaçar a cintura do menor e rolar, colocando-o por debaixo de seu corpo – hoje não, Buu-chan – sorriu para a expressão afrontada do ameniano, passando suas pernas para dentro das pernas deste e levantando a bela yukata que dera de presente ao pequeno, roçando seu membro na entrada deste e o forçando a dobrar mais os joelhos, levantando o quadril magro levemente – você só quer remarcar de qualquer modo, a posição não importa certo? – se forçou para dentro do orifício lubrificado naturalmente do loirinho caramelado, se deliciando com o modo como ele fechou os olhos e abriu a boca em um gemido mudo e de notável prazer. Abaixou a cabeça, esperando o corpo deste se acostumar – eu poderia me apaixonar de verdade por você, sabia? – sussurrou sedutoramente, ofegando pela pressão em seu membro.
–Tem certeza de que já não está apaixonado? – o menor sussurrou de volta em uma voz gemida e ofegada, levando a mão até a testa do maior e tirando os fios da franja loiro escuro de cima de sua marca já enfraquecida, afinal marcação daquele tempo duravam apenas um dia, mas logo ela estaria refeita.
Kazuki grunhiu em afronto e deu a primeira estocada. Os olhos do menor se esbranquiçaram e um vento fraco os rodeou, a mão na testa redesenhou a marca e então seus orbes voltaram a ser castanhos enquanto outra estocada alcançava seu fundo.
.........................................................................................................................................................
–Melhore esse humor... – Uruha sorriu tristemente para o amigo notavelmente abatido dentro de sua tenda, ainda que ele mesmo não conseguisse melhorar nada de sua tristeza.
Haviam marchado por mais alguns horas, mas decido acampar para finalizar o percurso que faltava no dia seguinte, até por que as notícias haviam trazido alguns por menores para se resolver. A conversa com a sacerdotisa não fora nada animadora, e agora tinha finalmente o tempo e a privacidade de conversar com seu amigo sobre tudo que havia acontecido... ainda que preferisse que aquela conversa jamais fosse necessária.
– Ele já deve ter chegado em Shiroyama a essa hora, ele está mais rápido por causa do meu sangue... será que mandam ele de volta hoje ainda? – o Suzuki perguntou ao brincar com seus próprios dedos.
–Não fique tão depressivo, Ruki-san volta logo... somos nós que estamos com problemas – avisou ao menor que o olhou de maneira curiosa.
–Por que diz isso? Se amanhã chegaremos à baía, demorará pouco para nossa missão se concluir, Miku-chan disse que você descobriu um método de manipular nossos shamans para que eles não nos barrem, assim que todos nós aprendermos acabamos de uma vez com essa guerra e voltamos pra casa, não? – indagou ao maior, receoso de ouvir a resposta, já que o amigo não lhe lançou um olhar muito animador – por favor, Uruha... o que aconteceu? Está me preocupando.
Kouyou se sentou ao lado do amigo no chão de sua tenda, tentando procurar as palavras adequadas para começar a contar tudo daquela manhã e dos último dias.
–Uma sacerdotisa do santuário está aqui conosco, hoje eu e Saga-san fomos falar com ela... aquela pedra que você e Ruki-san viram... a vi uma vez nos livros de Miko-sama, mas não me lembrava muito bem, só que... Oboru-san, a sacerdotisa, se lembrava e... ela não deu possibilidades muito animadoras – começou – se aquela pedra for o que ela acha que é, estamos mais envolvidos em tudo isso do que pensamos estar...
–Por quê? – Akira questionou.
–Aquela pedra, se chama: jóia das lamentações, ela... pode ser fabricada com a junção de mais de cem mil almas em dor... – o maior continuou — ela é a única coisa capaz de se assemelhar ao poder de um imortal...
Reita se sobressaltou e encarou o amigo, esperando que aquilo não fosse verdade, que o loiro fosse sorrir e falar que era uma brincadeira, mesmo sabendo que aquilo era improvável.
–Então... o que quer que seja que aquele bruxo está fazendo... – começou em entendimento.
–Tem a ver com Akai Ame e o Santurário... tem a ver com Omi-sama e Miko-sama – Kouyou completou – ela não sabe qual a ligação entre a pedra e as construções estranhas no acampamento chinês e em Ishihara, mas se realmente o objetivo disso tudo for nossa vila e o santuário... essa invasão em Vijukei, desde o começo... é por nossa causa.
Reita sorriu de lado, sem graça e sem ânimo, apenas um sorriso melancólico.
–Já avisou seu pai? – perguntou em uma voz baixa e triste.
–Enviei uma mensagem com um de nossos guerreiros hoje pela manhã, Oboru-san também enviou uma pro santuário... não sei o que Miko-sama e Omi-sama farão em relação a isso, mas nós temos que tomar providências rápidas, não sabemos quando e como seremos atacados – o líder continuou em uma voz dolorida e chorosa — pensei em voltarmos para nossa casa, em fazermos algo de lá, mas se o que desconfiamos estiver certo, temos de destruir essa pedra e o que quer que sejam essas construções... eu não sei se dou conta Reita, eu... eu não tenho mais confiança, nossa vila, nossa casa e nosso povo estão sendo ameaçados e... eu não consigo não pensar que simplesmente Akai Ame e todos nós estejamos condenados... – não conseguiu terminar e se deixou cair em choro, havia agüentado aquilo dentro de si o dia inteiro, já não conseguia mais se segurar.
–Pare com isso Uruha – Reita vociferou, limpando as lágrimas rubras cristalinas dos olhos do amigo – você é nosso líder, nós somos os guerreiros de Akai Ame, faremos o que for preciso e necessário para proteger nossa casa, não era nisso que seu pai Ryou acreditava? Não nos consideres perdedores se nem sequer lutamos ainda... – ditou em uma voz firme, abraçando o amigo em pranto em seus braços – ainda que nunca mais sejamos os mesmos, ainda que tenhamos que entrar em possessão... não vamos desistir sem ao menos tentar...
–Reita... – a voz chorosa do loiro o interrompeu e Kouyou se encolheu ainda mais contra o peito do amigo — ... eu estou esperando um filho...
Akira abriu os olhos em surpresa, afastando o amigo de si rapidamente e segurando seus ombros, obrigando-o a olhá-lo nos olhos.
–E por que me diz isso com essa cara? Não é a melhor hora, mas isso não é ótimo? – o menor começou em uma tentativa falha de animação – então também achou um companheiro?
Kouyou assentiu fracamente com a cabeça.
–Achei, mas... a situação não é nada boa, eu... eu já amo esse menininho tanto, só que... – soluçou em desespero, tanto que se fez de forte aqueles dias, agora que estava com seu amigo ali só queria poder se soltar e tirar toda aquela dor de dentro de si – Reita... ainda que consigamos acabar com essa ameaça... nossa vila, eu... eu vou arruinar tudo...
– Você não vai fazer isso... você jamais faria... – Reita trouxe o amigo de volta para seu peito.
–Hana, Shiroyama, Vegas, Ishihara... eles foram evolvidos apenas por nossa culpa, Reita... – o loiro continuou a soluçar — ... e ainda que consigamos proteger a todos... eu... meu companheiro... arruinaremos tudo...
–Pare de dizer isso, Uruha, por que diz isso? – o menor continuou a questionar, também começando a chorar diante da dor do líder.
–Uruha-san – a voz de alguém conhecido despertou o olhar triste do líder ameniano, este afastando-se dos braços do amigo gentilmente e limpando as lágrimas.
–Pode entrar, Ryou – falou de volta em um tom audível para o soldado parado do lado de fora da tenda.
–Ryou? – Reita indagou ao mirar o soldado shiroyamiano adentrar o local.
–Oh! Desculpe, mas... – Ryou se curvou rapidamente ao ver que o loiro estava ocupado – mas aquela pessoa pediu que...
–Sim, já estou indo – Kouyou assentiu, se levantando e indo pegar sua capa, jogando-a sobre os ombros – ele apenas tem o mesmo nome que meu falecido pai, Reita, não fique encarando-o desse jeito – o repreendeu.
–Ah! Desculpe, não foi minha intenção ofender seu companheiro – Akira se apressou em se desculpar – mas um soldado de Shiroyama, Uru...?
–Ele não é meu companheiro – Kouyou o interrompeu, tentando ajeitar a pintura de seu rosto e colocando algumas coisas dentro de sua bolsa, já que a levaria aquela noite.
–Não? – Reita questionou em estranheza – então quem é?
–O general dele – o loiro maior respondeu por fim, lançando um olhar para o amigo como se pedisse desculpas por aquilo, se colocando para fora da tenda, sendo seguido pelo o soldado, deixando um Akira completamente estupefato para trás.
Reita se deixou cair para trás, apoiando as mãos na parte acolchoada do futon... agora compreendia as palavras e o desespero do amigo...
–Ah cara... por que as coisas tiveram que se complicar tanto?
–Uruha... – a voz fina veio animada antes de adentrar a tenda com rapidez – ah, Reita-san... eu pensei que fosse o Uruha... será que Maya-chan se enganou? – a pequena perguntou em confusão, tinha certeza que tinha sentido a presença do loiro ali.
–Ele acabou de sair – o ameniano sorriu para a pequenina, ainda que não tivesse muita graça em seu sorriso.
–Hum? Onde Uruha foi? – a princesinha questionou em imponência, quando finalmente conseguia fugir da guarda reforçada que seu pai havia colocado a sua volta o loiro simplesmente desaparecia?
–Ele foi ver o seu papai eu acho – o maior respondeu, ainda pensativo nos rumos que tudo havia tomado.
–Hum? Então eu vou correr até lá ... – avisou ao se projetar para seguir as ações que narrara, mas os braços fortes e nus do ameniano a seguraram e a levantaram do chão, pelo o visto a pequena estava aprendendo a usar seu meio shaman já que apenas uma das mãos brilharara com a marca vermelha em sua palma.
–Opa... o que acha de passar um tempo comigo enquanto os guardas do seu pai não te acham? Acho que ele e Uruha têm muito o que conversar – sugeriu para a pequenina emburrada – você não deveria ter sido mandada de volta pra Shiroyama, daminha? Aqui não é lugar para alguém da sua idade – acariciou os fios em coque da menininha, notando ela desfazer a expressão afrontada.
–Papai não me mandou de volta, disse que eu estaria mais segura perto dele do que na estrada, que aqui ele podia me proteger – a pequena respondeu – papai é muito sério, mas ele me ama.
–Ah, sim... – Reita assentiu, esperava mesmo que aquele homem fosse capaz de ter algum tipo de sentimento bom ali dentro, pelo o bem de seu amigo e de seu povo – não quer me contar como aprendeu a usar essa marca aqui? – apontou para o desenho vermelho em sua palma direita – quando ela apareceu?
–Ah... Uruha também tem, e ele tem duas nas pernas... o que é isso, Reita-san? – perguntou – eu só sei que quando eu corro muito rápido ela aparece.
–Hum... acho que vou ter que te contar uma história muito longa, quer ouvir? – o maior convidou ao se sentar com a pequena no colo, era melhor manter a menina consigo até que os soldados a encontrassem, ainda que a pequena fosse esperta... não estavam no lugar mais adequado para uma criança, o que aquele general tinha na cabeça?
“Não tinha pior companheiro não Uruha?”
Sorriu mentalmente de maneira triste, sabia do sofrimento que aquilo implicava para amigo... e no que isso significava para o destino de seu povo. Talvez Uruha estivesse quase certo... por que se não estavam condenados, alguém estava realmente querendo que estivessem.
### ###
–Você está bem? – Ryou ousou perguntar ao loiro já que este se mantivera calado durante todo o percurso entre as tendas e barracas de soldados até a tenda central, luxuosa e grande de seu senhor.
–Desculpe, Ryou – foi a resposta do maior antes de apressar o passo para a entrada do local, recebendo espaço dos outros já conhecidos três soldados que afastaram o tecido da porta para o lado.
O soldado ficou sem entender o porquê do pedido de desculpas do maior enquanto o olhava adentrar o lugar.
Uma vez dentro, o loiro se adiantou alguns passos para frente, procurando o companheiro com os olhos, encontrando-o de pé alguns metros mais para o lado, segurando o que parecia ser sua espada de lâmina negra na mão.
–Boa noite – Uruha murmurou em uma voz chorosa, deixando sua bolsa cair ao chão, desatando o nó de sua capa e também permitindo a esta fazer companhia à bolsa.
Aoi olhou em direção ao loiro, estreitamente, mas com curiosidade para com a iniciativa tão rápida do outro. Mirou o ameniano abrir os pinos das botas longas e retirá-las com certa dificuldade.
–Por que está fazendo isso? – perguntou em seu tom sério, conseguindo com que o maior o encarasse rapidamente enquanto abria a peça de couro da cintura. Uruha sorriu fracamente e lágrimas começaram a cair de seus olhos. Se ergueu novamente e afastou os tecidos de sua roupa até que ela também já se encontrasse no chão.
Se materializou na frente do moreno e abraçou este com força, deixando o general além de surpreso em guarda ao apertar sua espada entre seus dedos e levar a lâmina às costas nuas e alvas do ameniano.
–Desculpe, Yuu... – o loiro choramingou perto de seu ouvido.
Aoi soltou a espada para o lado... que sentimento era aquele? Por que estava fazendo aquilo? Não iria pressionar o loiro até que este lhe falasse tudo que queria? Por que tinha deixado sua espada de lado? Por que estava retribuindo aquele abraço? O que aquele maldito ameniano tinha feito consigo?
–Desculpe... – o loiro repetiu novamente, afastando o rosto em lágrimas e mirando os orbes negros afogados em confusão e conflito. Levou os dedos ao tecido que cobria o rosto do general, tirando-o para observar com cuidado cada traço bonito do rosto daquele que era o seu destino, mas que provavelmente traria toda a ruína para si e para seu povo... talvez fosse algum tipo de penitência, já que aparentemente sua vila era um dos motivos da ameaça sobre todos os outros povos do país... e era por isso que pedia desculpas, por tudo, por nada... apenas sentia que deveria se desculpar... já não agüentava mais tanta dor dentro de si, queria apenas se afogar em algumas horas de satisfação nos braços de um companheiro que jamais diria que o amava, que jamais seria gentil consigo, que jamais reinaria com sabedoria ao seu lado... que jamais seria como aquele que tinha sonhado...
–Não me peça desculpas... – o moreno ditou em um timbre rouco... odiava ouvir desculpas... odiava desculpas... “Desculpe, Yuu... o que ele diz é verdade.... Desculpe, Yuu... eu nunca te amei...” Desculpas sempre vinham acompanhadas de dor... e ele não sentia mais dor... não queria mais sentir dor, nem que para isso tivesse que matar todos do mundo, ninguém jamais voltaria a feri-lo...
–Desculpe, Yuu... – Uruha mesmo assim insistiu, mirando o quanto os ônix escuros se afundavam em melancolia, melancolia que ele jamais seria capaz de exterminar... – eu te amo tanto... – continuou em apenas um sussurro – desculpe por te amar, Yuu... me desculpe...
Os olhos negros se abriram em surpresa e confusão novamente, um pedido de desculpas que não vinha junto de palavras dolorosas... o que estava acontecendo com tudo?
Quantas vezes desejou ouvir aquelas palavras? Quantas vezes odiou não ter ouvido aquelas palavras? Quantas vezes odiou aquelas palavras que jamais foram ditas para si?
Por que aquelas palavras vinham daqueles lábios?
O que estava acontecendo com tudo?
“Desculpe, Yuu... eu nunca te amei...”
“Desculpe por te amar, Yuu... me desculpe...”
Puxou o loiro de vez para si, tomando-lhe a boca com ânsia.
Aquelas palavras... sempre odiou aquelas palavras... e agora...
Andou com o ameniano colado ao seu corpo até o futon, segurando nas pernas deste para que estas fraquejassem e fosse possível colocá-lo deitado sobre o acolchoado com almofadas. Se pôs de joelhos e retirou sua usual manta de dormir, voltando a se encaixar entre as pernas alheias, colando seus baixo ventres e tomando os lábios rosados com vontade.
Ninguém jamais saberia o que se passaria ali... o que acontecia entre eles entre quatro paredes, ficaria entre quatro paredes. Ninguém jamais saberia que tomava outro homem para si às noites, ainda que abominasse qualquer uma daquelas perversões sodomitas, ninguém jamais saberia que este mesmo homem o havia marcado, dizendo ser a prova de um laço, ninguém jamais saberia que gostava... gostava de tomar aquele homem em seus braços... sentir aquela boca contra a sua, aquele corpo colado ao seu, aquele interior quente e aconchegante...aquele ameniano... aquele loiro... aquele homem... ninguém jamais saberia que ele o amava...
.........................................................................................................................................................
–Acho que seu pai também pensava que nós não éramos humanos... acho que por isso roubou meu livro, pensava que isso poderia ajudá-los a se proteger... – a jovem sacerdotisa falou em direção ao general haniano que se mantinha estranhamente pensativo ao mirar a capa de seu livro — ... talvez esteja certo, Sakamoto-san... coisas não humanas deveriam ser tratadas por aqueles que se igualam a isso...
Saga levantou o olhar para a jovem, curioso por aquelas palavras, ainda que só conseguisse pensar que estavam sem saída no meio de todo aquele fogo cruzado místico... parecia que ele e seus homens estavam apenas a serem envolvidos em assuntos que não lhe diziam respeito...
–Quer ouvir uma história, Sakamoto-san? – Oboru questionou – uma história de como Vijukei foi criada?
Notas finais
Obrigada pela compreensão sobre o carnaval e queria explicar como divido os capitulos:
Eu tenho um roteiro e nele meio que decidi os fatos que acontecem em cada capítulo, mas às vezes cada fato fica grande demais na hora de escrever e os capítulos acabam ganhando proporções monstruosas às vezes, esse capitulo eu coloquei muita coisa pra acontecer, então achei melhor dividir em dois, pq se não ele ficaria com tipo quase 20 000 palavras O.O
Por isso não me culpem por cotar um lemon desse jeito e por cortar em uma hora tipo "WTF"
Quarta vcs serão saciados ok? Então vamos esperar? ( se defendendo das pedradas)
Enquanto isso o que acham de um reviewzinho?
Gostaria de agradecer a leitora Sooky
que junto com : Kibum; Paola R ,Lolly_chane, Takashima Lissa ,Havena, Catarinne, Ruu-sama e Yuuki deixou uma recomendação na fic já somando 9 recomendações lindas!
*-*
*Pula de alegria*
Reviews onegai?
Azumi-chan:Reviews para minha flor?Sim sim?????Ela mareçe né?!♥
Beijinhooos amores
Fale com o autor