Vijukei No Monogatari

22 Capitulo 19 – O Fim de um mundo parte 2


Notas iniciais
Olá, hoje é vap vup pq sei que demorei horrores, vamos ao cap?
Ainda sem betagem e revisado meio às pressas, mas espero estar bom
Aviso: isso ainda vai ter parte 3
Oláááá aqui é a Azumi-chan.......betei o cap!*-*

Capitulo 19 – O Fim de um mundo parte 2


O Yutaka se mantinha em um cenho franzido, seu pai parecia um boneco... se perguntava o por quê de não ter desconfiado de algo antes.


“Então esses bruxos realmente existem”


Vociferou mentalmente, seu velho pai não estava em suas faculdades mentais plenas, com certeza não estava. Precisava se livrar daquela ameaça o quanto antes...


As portas duplas da sala tradicional foram arrastadas para os lados e por ela surgiu a figura de um homem aparentemente jovem e de cabelos castanhos claros semi amarrados, trajando uma manta negra e possuidor de olhos analíticos. Ao seu lado o que parecia ser um monge, fios de coloração acaramelada e um sorriso discreto, mas humorado.

Kai tratou de abrandar sua expressão, abrindo seu sorriso falso para a “recepção” dos “convidados de seu pai”


–Sejam bem vindos a Shiroyama, meu pai os aguardava – cumprimentou em fingida simpatia ao se adiantar para frente da dupla, porém recebeu um olhar completamente sério do que parecia ser o tal “bruxo” ali, recuando minimamente em seu teatro. Tinha a impressão de que não tinha funcionado.


–Então você é aquele que chamam de Kai, soube que seus experimentos são... interessantes...- Yuuto começou a falar com seu queixo erguido, se aproximando do Shiroyama – soube também que seu sorriso esconde perversidade, não pense que cairei em algo assim... – sussurrou próximo ao ouvido do caçulo Shiroyamiano que tratou de fechar sua boa expressão em um olhar afrontado – e também... Yutaka-san... por gentileza, retire a comida envenenada e os sentinelas armados do telhado, além de claro a armadilha em minha acomodação – Yuuto finalizou ao se afastar, provocando um rápido olhar surpreso no segundo herdeiro – não que alguma delas fosse funcionar de qualquer modo.... – o bruxo continuou ao passar calmamente ao lado do moreno, andando de forma altiva até o senhor de Shiroyama sentado confortavelmente ao seu trono – Fukaku-san... – Yuuto sorriu — ... como estamos? – cumprimentou como se fosse amigo de velha data do senhor.


Este lhe lançou um olhar sem vida, digno de bonecos marionetes de teatro, sorrindo mecanicamente ao passo que um brilho vermelho passava pelos olhos cansados.


–Pronto para ter o mundo em nossas mãos – Fukaku respondeu de modo estranhamente sombrio e ainda assim atônito. Yuuto abriu um sorriso satisfeito, adorava ouvir o que queria.

O feiticeiro caminhou até o lado do senhor sentado e se colocou a mesma altura deste ao se acomodar no tatami, mirando a figura fechada do segundo herdeiro para si. Poderia usar mais energia e também colocar o tão famoso cientista sob seu controle... mas ter a criatividade e esperteza do outro em suas mãos seria mais valioso, ficara curioso por aquilo que chamavam de ciência se assemelhar tanto à magia... E se podia ter algo tão interessante sob seu domínio de forma tão fácil e divertida... por que não? Não havia mais como ser detido... seria engraçado ver algum daqueles humanos idiotas tentar.


–Kai-san... – Yuuto sorriu – acho que seu pai quer que acrescente algo mais na ordem de bombardeio a Ishihara... – iniciou para a feição espantada do Yutaka, como aquele feiticeiro sabia que tinha dado a ordem de bombardeio ainda que seu pai não tenha permitido?


–Você... – Kai vociferou em olhos dignos de um demônio, estava claro que nenhum de seus teatros funcionaria ali.


–Faz algum tempo que os olhos e ouvidos de seu pai são meus olhos e ouvidos também... – Yuuto começou a falar em notável humor — ... diferente dele eu sei muito bem interpretar cada olhar, tom de voz e posição daqueles a minha volta – continuou – você vai chamar seus homens aqui e eu darei as ordens, além disso marchará ainda hoje junto a um contingente de soldados até Hana e de lá irá para a linha de frente na baía. – ditou como se já estivesse totalmente acostumado a estar no comando daquele feudo.


–Como se eu fosse fazer isso... – o caçulo iniciou em um tom de voz ameaçador e desafiador.


–Você vai.... – Yuuto o interrompeu solene e relativamente sério — ... não é mesmo Fukaku-san?


–Obedeça às ordens dele, caso contrário será considerado traidor e receberá a punição devida – o velho senhor assentiu de modo altivo e ainda assim atônito, como se fosse ensaiado a dizer aquilo.


–E como bom conhecedor das leis de Shiroyama, deves saber que a punição para traição é a morte... – o bruxo completou, vitorioso — ... mais alguma objeção, Kai-san?


O Yutaka fechou o cenho e tentou com todas as forças engolir a ira que sempre controlava seu irmão se alastrar por seu corpo, afinal era um Shiroyama. No final, não teve muito sucesso.


–Como se os soldados fossem te obedecer... – Kai retorquiu em um sibilar rugido – infelizmente meu pai não está em condições de governar e eu sou o novo senhor de Shiroyama — jogou, ainda que aquilo não fosse verdade, apenas testando até onde ia toda a trama daquele odioso estranho.


–Não, não, Kai-san, mentir é feio – Yuuto sorriu, estava tão curioso para ver aquele que diziam próximo de um bruxo... sua curiosidade não foi de total merecida assim — ... caso tente fazer qualquer coisa que vá contra aquilo que quero, sinto informar, mas seu pai e seu feudo... podem não me ser mais úteis... – permaneceu em um sorriso brando, enlaçando o pescoço do velho senhor sentado ao seu lado com a mão direita, fazendo alguns soldados se sobressaltarem — ... e o que eu não preciso eu descarto...- continuou ao apertar as unhas na pele fina de Fukaku, fazendo um filete de sangue escorrer de um ferida provocada por elas -... eu sempre posso te transformar em um dos meus bonecos também, garoto, não me faça achar que te permitir ainda ter mente não será útil, pelo o que ouvi é um cara esperto, Kai-san... sabe bem qual lado deve ficar, não sabe?


Os soldados ao redor sacaram suas espadas, mas Kai ergueu a mão em sinal de que não deveriam avançar, um filete de suor frio lhe escorria pela testa, não sabia até onde ia a capacidade do outro de cumprir o que dizia... lidar com o desconhecido.... era odiosamente complicado.


– Obedeçam as ordens dele – Kai ditou por fim, se rendendo por hora, precisava de tempo para analisar e estudar... só esperava realmente ter tamanho bem disponível...


“Maldição...”


Com certeza Naoyuki saberia como lidar melhor com aquilo....


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–Uruha... – Reita chamou logo atrás do amigo, apesar do dia estar fechado, aquela área estava absurdamente nublada até mesmo para um dia chuvoso, e além do odor fétido de carne podre preocupar o grupo de doze amenianos, que se encontravam distribuídos em duplas em seis pontos do acampamento de aparência deserta, outro fator arrepiava os pelos loiros e curtos da nuca do líder e de seu comandante.


Já haviam entrado no perímetro de alcance de seus sensores naturais e ainda assim...


–Não há nada... – Uruha sibilou em uma voz confusa e amedrontada – não há presença alguma a não ser a dos outros de nós... onde estão os chineses?


–Eu não estou gostando disso... – Reita reclamou em um estresse natural de semi possessão, avançando logo sobre uma das delimitações onde começavam as construções de cabanas, tendo a mão fina e delicada de seu líder a segurar seu braço, se desvencilhando logo em seguida e se materializando ao lado de um dos barracos de madeira e palha, adentrando-o com impulsividade.


Uruha mirou o comandante sumir por entre a porta escura e pequena, se adiantando para segui-lo, encontrando seu velho amigo de infância petrificado logo à entrada do local pequeno, redondo e de fedor insuportável.


–Reita... – chamou baixinho e se colocou mais ao lado para ver o que tanto surpreendia o amigo, tendo seus orbes arregalados e sua boca aberta em uma surpresa negativa. Seu estômago embrulhou e não sabia se já era um sintoma de sua gravidez ou apenas pela cena que mirava ser completamente algo que jamais vira em toda sua vida — ... céus...


–Eles... o que são eles? – Reita perguntou em um tom atônito, ainda olhando o amontoado de criaturas de armaduras humanas, mas com peles feridas e podres, além do odor asqueroso e a respiração quase animalesca. Por sorte aquelas coisas pareciam estar dormindo e ao menos naquela cabana não tinha mais do que cinco deles.


–Eles... são pessoas? – Uruha vocalizou sua pergunta – não sinto presença nenhuma vindo deles, ainda que estejam tão perto – continuou em quase um sussurrar, com certeza não queriam acordar o que quer que aquilo fosse.


–Uruha, venha aqui... – ouviu a voz de Reita cochichar para si e se virou, encontrando o amigo mais uma vez parado, desta vez a mirar para dentro do que parecia uma grande vasilha de madeira ao chão. Se aproximou e novamente sentiu a bile lhe chegar à garganta, levando a mão à barriga e à frente da boca para se impedir de vomitar.


–Eles... o fedor que sentíamos... os soldados de Hana que nunca voltaram e nem tiveram seus corpos devolvidos... – Reita começou em uma voz atônita e medrosa... aquilo era mesmo possível? — ... eles... os comem... são como os híbridos e os youkais.... se alimentam de carne humana... – completou ao ainda mirar com espanto os pedaços de membros, miolos e sangue dentro do recipiente no que parecia ser algum tipo de sopa feita com nada mais que aquilo.


–Temos que andar rápido.. – Uruha sussurrou em dificuldade, sentindo uma fraqueza anormal junto ao suor gelado... péssima hora para seus sintomas decidirem aparecer ...–vamos terminar logo as marcações... vamos sair daqui, temos que avisar aos outros...

–Uruha... – Reita o interrompeu ao se virar para o amigo e não foi muito lento para que o loiro captasse algo de medo nos olhos do comandante, enxergando por entre os orbes castanhos o que estava atrás de si e se virando em um único movimento, apunhalando uma de suas lâminas no peito do que parecia ser mais uma daquelas coisas.


O ser abriu a boca ensangüentada e cheia de baba junto aos olhos com veias vermelhas e íris morbidamente azulada em um gemido animalesco antes de parar seus movimentos de óbvio ataque e deixar seu corpo cair.


Uruha retirou sua espada do monte de carne e o segurou para que o impacto contra o chão não fizesse barulho... a respiração acelerada e os olhos desorientados..era a primeira vez que matava alguém... se aquela coisa estranha pudesse ser chamada de alguém...


–T-temos... que ser rápidos, não parece ter muito deles acordados... – o loiro tentou se focar no que tinha que fazer e não no que aquilo significava, se levantando de modo altivo e respirando fundo antes de se colocar para fora do lugar.


Reita sentiu um vento gélido se passar a sua volta... quando seu amigo tinha mudado tanto?


–Maldição... – praguejou ao mirar o corpo morto da criatura, logo teria que fazer aquilo também... ainda lhe parecia tão errado...


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– Invasores... – a voz distorcida vinha de um ser escondido por um capuz negro — ... Yuuto ainda não deu ordens... – continuou em um tom estranho. A mão completamente enrugada passou por cima da água contida em um suporte de mármore no meio daquela sala escura — ... expulse-os ... – ditou a alguma outra figura atrás de si que apenas lhe respondeu em rugidos e saiu por entre uma pequena fresta de luz fraca — ... Akai Ame? ... é assim que eles são? – voltou a indagar ao mirar algo dentro da água — ... devo matá-los agora?... não, Yuuto ainda não deu a ordem... – continuou a falar, como se estivesse a lhe fazer perguntas e respondê-las por si próprio — ... Sun Han deve obedecer Yuuto... Sun Han deve fazer tudo para que o novo mundo seja criado... oh... bonito... tão bonito... – permaneceu em confusão de palavras, tendo algo a lhe prender a atenção dentro do recipiente — ... Sun Han também terá sua beleza e juventude de volta... quando o novo mundo for criado... tão bonito, você é tão bonito... – voltou a indagar para a imagem do líder loiro em passos lentos e olhar assustado projetada dentro da água negra.


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–Nada bom... – Reita reclamou ao ver um grupo daquelas criaturas diante de si, ele e Uruha dando passos lentos para trás enquanto a dúzia de “chineses” se projetava de modo animal com suas faces deformadas e espadas afiadas e ensangüentadas em mãos, ameaçando avançar — ... o que fazemos?


Uruha respirou fundo e franziu o cenho de um modo que nunca havia feito... não tinha mais volta.


–Mate... – bradou com altivez e num segundo estava à frente do grupo de criaturas, no segundo seguinte estas já estavam ao chão com seus corações perfurados e corpos moles, enquanto o Takashima retirava uma de suas espadas do último monte de carne, mirando o sangue em suas mãos com nojo... a cor do corromper-se... por que tinha que ter chegado àquilo? A vertigem novamente lhe atingiu e sentiu seu corpo querer desfalecer. Fechou os olhos com insistência – não bebê, não peça cuidados agora, papai não pode.... – falou baixinho como se o feto em seu ventre pudesse lhe ouvir.


–Uruha... está bem? – Reita perguntou em preocupação, tentando ignorar o fato de que o amigo havia acabado de matar mais pessoas, ou o que quer que aquilo fosse – vamos embora...


–Vamos terminar as marcações... – Uruha ditou ao se forçar a manter-se de pé.


Mal conseguiu se equilibrar e foi surpreendido por um movimento rápido às suas costas, unhas afiadas lhe agarrando os braços e uma boca de dentes normais e cortantes lhe mordendo o ombro, sendo impedido de cortar sua pele por causa da proteção de couro de seu traje.


–Ah! – reclamou de dor com o aperto da mandíbula forte e se virou rapidamente, passando a lâmina pelo pescoço da criatura e cortando-lhe a cabeça fora, sangue espirrando em seu rosto.


–O que é isso? – acordou ao ouvir a voz de Reita atrás de si e foi ao se virar que vira mais das coisas assustadoras e inéditas acontecerem diante de si. Os homens que acabara de matar... estavam se levantando... Olhou para a entrada da cabana que há pouco abandonaram e dela saia mais criaturas, entre elas aquela que ele também pensou ter matado.


–Eles... não morrem... – Uruha sibilou em espanto, mirando o decapitado que lhe atacara... não se movia, não se levantava — ... corte a cabeça fora... se não tiver cabeça o corpo não se move...


–O quê? – Akira bradou em indignação – está ciente do que está me pedindo?


–Essas cosias não são pessoas, não têm presença, não são seres vivos, Reita – Kouyou bradou em nervosismo, mais criaturas saiam de suas cabanas — ... corte a cabeça deles fora, Akira... é uma ordem – ditou em um olhar franzido para o amigo e viu com tristeza este abrir os olhos em espanto. Virou o rosto, olhar para si dentro das íris do amigo era... odioso...


–Sim... senhor – Akira respondeu de modo irônico, realmente haviam se transformado em estrangeiros... se transformado em algo totalmente diferente do que sempre foram...


O Suzuki puxou sua espada de tamanho exagerado das costas e apenas a balançou uma vez contra uma das criaturas, cortando a cabeça desta fora como lhe havia sido ordenado, tendo que fechar os olhos ao ter o sangue espirrado em si... o que haviam se tornado?


Uruha fechou os olhos em pesar e continuou a avançar contra o monte de mortos vivos, tratando de arrancar a cabeça de cada um, não se importando no quão sujo ficaria. Avistou ao longe mais dois de seus homens também sendo encurralados por aquelas coisas e tratou de praticamente se materializar em uma rajada assombrosa de vento à frente deles – já fizeram a marcação?


Estes se alarmaram em ver seu líder manchado de sangue diante de si e apenas assentiram de modo quase mecânico em negação.


–Não deu tempo, essas coisas nos atacaram... – um deles respondeu, assustado.


–Maldição... – Uruha vociferou para si mesmo, olhando para os lados e decapitando mais uma dupla de criaturas que avançaram sobre si — ... vamos embora... tentamos outro dia... – ditou por fim, era óbvio que teriam que ter um plano melhor, não podiam simplesmente matar trezentos mil daquelas coisas com apenas doze... não sem ter de aceitar baixas... e isso jamais permitiria – arranquem as cabeças dessas coisas fora e corram em direção ao rio – ordenou de um jeito autoritário que jamais usara e seus guerreiros apesar de assustados assentiram em afirmação.


Novamente a vertigem lhe subiu a cabeça e pensou por um momento que desmaiaria o que lhe fez baixar a guarda e ter mais uma das criaturas a pular em cima de si. Por um momento se sentiu fraco e pensou que iria se ferir, quando o ser foi tirado de cima de suas costas. Olhou para trás a tempo de ver Miku segurar o que um dia pareceu ser um soldado chinês pelos cabelos ralos e lhe cortar o pescoço de modo quase atônito. Notou os cabelos do pequeno já estarem quase pela metade negros e se apressou em ter com o menor, lhe perfurando a marca do shaman de leve.


–Se controle Miku... – pediu em uma voz dolorida — ... vamos sair daqui – falou por fim, mirando mais e mais criaturas se colocarem ao seu redor... Mirou no alto a torre estranhamente escura e tão ameaçadora, estava longe ainda... mas podia sentir algo vindo dali. Olhou para o exército de criaturas diante de si, pareciam querer impedir de seguirem em frente, mas às suas costas apenas um pequeno número os barrava... – eles nos querem fora daqui...- franziu o cenho quando pensou ter visto um pequeno vulto por uma das janelas altas da torre, foi quando notou uma coloração diferente no céu... estar tão escuro... não era apenas por acaso... assim como o céu vermelho de sua vila... – barreira... – quando haviam passado por uma? Como não perceberam? – droga... – praguejou, era uma armadilha? – Miku-chan? Está melhor? – perguntou ao neko em seus braços que tratou de assentir – avise aos outros, vamos sair daqui... agora...


–Sim – Miku respondeu e desapareceu em uma corrente fraca de vento, deixando o líder para trás a lidar com centenas de criaturas que não pareciam estar nada felizes...


Uruha apertou os dedos sujos de carmim em suas espadas, respirou fundo e deixou a marca de suas pernas brilharem vivazes junto aos olhos avermelhados, uma segunda mecha negra se uniu àquele em seu cabelo e novamente sentiu seu estômago embrulhar...


–Não agora, bebê... não agora...- pediu baixinho e sumiu em uma rajada de vento em direção ao exército diante de si.


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O sol brilhava forte ainda quando a sacerdotisa pôs seus pés para dentro daquele feudo que sempre desprezara.


– O que aconteceu aqui? – perguntou em retórica, se lembrava do que ouvia sobre aquele lugar, e não parecia em nada com o que escutara.


As ruas quase vazias e o ambiente amedrontado... não era aquele o feudo conhecido como a terra do pecado? Onde todos seus desejos se realizariam e o comércio reinava?


–A linda moça veio para trabalhar em uma das casas vermelhas? – um homem sujo e nojento perguntou a si, parecendo não se importar por estar acompanhada de seis – a cidade anda parada nos últimos dias... seria melhor que aceitasse trabalhar de autônoma, o que me diz? – o homem sorriu ao lhe estender uma bolsa que parecia conter moedas.


Oboru o fuzilou com desprezo e apenas continuou seu caminho, sendo logo seguida pelos amenianos lhe cedidos, roubando os olhares das poucas pessoas que ainda transitavam pelas ruas de Vegas... chamar atenção não parecia mais ser um problema... ao longe podia avistar a construção que com toda certeza seria o local de poder do feudo... e não se tratava do monte de pedras em uma arquitetura excêntrica conhecida como o “castelo” de Byou e sim a majestosa casa grande de madeira esculpida e decoração elegante de mármore e tecido vermelho... Gather Roses.


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O clima parecia tenso na frente diante do rio. Aoi permanecia como rocha ao se manter parado e de braços cruzados, apenas contando o tempo e mirando a outra margem, enquanto Saga parecia sério e desconfortável com o olhar descarado do tigre para si, mas especificamente para sua boca... por sorte este estava sentando logo a sua frente então não pareceria muito estranho o contato visual, o que não diminuía sua raiva ... o que tinha dado em sua cabeça para beijá-lo por vontade própria na noite anterior?


“ Se concentre na batalha, na batalha....”


Se censurou mentalmente, que o general de Ogata se explodisse, tinha que se focar na guerra...


“Falta pouco tempo”


Notou ao olhar a ampulheta mais a frente que marcava o tempo que os amenianos teriam de vantagem, a areia já estava para se esgotar. E antes que os grãos e acabassem um barulho mais a frente tirou sua concentração.



–Tempo esgotado, vamos avançar – Aoi ditou a seus comandantes e Takashi tratou de se levantar, não podia deixar o Shiroyama se sentir o líder do ataque.


–Não ache que pode tomar decisões sozinho – Saga ditou em altivez – todos nós vamos avançar e seus homens estarão onde os meus possam vê-los – franziu o cenho em ameaça.


Aoi fechou o semblante em ira.


–Não importa o que faça, mas coloque seus homens para marchar... agora – o Shiroyama ditou de modo firme e se projetou em direção à margem do rio, mirando a outro lado como se esperasse muito por algo enquanto seus homens se colocavam em posição.


E foi em um segundo de ventania que os doze amenianos se materializaram a frente do general moreno. A aparência assustadora e abatida deles deixaram todos alarmados, os corpos sujos de sangue e as face tristes com certeza eram um sinal de más notícias.


Os orbes negros procuraram com ânsia a figura que desejavam e se alarmaram ao ver esta se deixar cair no chão e se curvar sobre sua barriga, vomitando em um impulso incontrolável enquanto os fios loiros, agora soltos, com duas mechas negras e manchas vermelhas lhe tampavam o rosto.


Reita e Miku se apressaram em se abaixar para socorrer o líder e os demais se mantinham alertas, porém foi quando viram o general shiroyamiano se apressar de modo quase desesperado para alcançar o ameniano caído que a surpresa e estranheza tomaram seus olhos, tomando também o olhar de todos os outros soldados ali posicionados, tanto de Hana, de Ogata quanto, principalmente, de Shiroyama, que jamais haviam visto seu general agir daquela forma para com ninguém.


–Uruha – Aoi chamou baixo ao ver o Takashima ainda colocar tudo que havia comido no dia para fora e analisou rapidamente o outro para verificar se estava ferido já que o corpo deste estava coberto de sangue. Para alivio seu verificou que ao menos feridas abertas este não possuía e que provavelmente o sangue não era dele.


Kouyou, assim que conseguiu parar de vomitar, puxou as madeixas sujas para trás, impedindo-as de se sujarem ainda mais, e olhou para cima a tempo de ver o moreno se abaixar para ajudá-lo a se levantar. Aceitou a mão e o braço do outro de bom grado, não se importando muito com a situação, entretanto não gostou do reflexo que via de si mesmo nos orbes tão negros de seu companheiro e desviou o rosto para o lado, retirando a mão fina e suja da mão do shiroyamiano. Ainda se sentia zonzo e o suor frio lhe escorria pela face, mas não estava em seu melhor no momento.


–Não avancem ainda ... – começou a falar, ainda que sua voz saísse falhada – temos que discutir algo... posso convocar uma reunião? – perguntou em um tom menos gentil do que sempre usara o que causou um olhar estranho de seu companheiro para si e do general haniano também.


–Sim – Saga assentiu, meio receoso do que o ameniano teria a dizer, a se tratar pelo estado deste não seria nada bom de certo — ... preparem a tenda – ditou a alguns de seus homens, e estes se apressaram em começar a se moverem para tal.


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–Se veio pedir emprego, não estamos contratando – Yuko vociferou em desagrado ao ver a jovem moça se aproximar, por causa do incidente que provocara havia sido rebaixada a apenas uma recepcionista da casa. Teve sorte por ter saído com vida na verdade.


–Vim falar com Kazuki-san... – Oboru respondeu em impaciência, será que toda mulher que entrasse naquela cidade já era tida como prostituta?


–Ah... – Yuko se apressou em mudar suas expressão e sorrir, não queria por nada deixar Kazuki desgostoso contra si novamente — ... e a senhorita seria?


–Kazuki não está, mas eu estou – a voz conhecida veio de uma das laterais da recepção e Oboru sorriu ao mirar o dono dela – eu vou recebê-la, Yuko-san – Manabu avisou de modo simples, recebendo um sorriso falso da recepcionista para si.


–Ei, vocês... – Yuko se apressou ao ver os seis estranhos e belos loiros seguindo a mulher.


–Estão comigo – Oboru se adiantou.


–Vou recebê-los também – Manabu explicou de modo entediado enquanto subia às escadas, sendo seguido pelos visitantes. Não gostava de ter que falar com outros da vila na qual nasceu, mas se a situação pedia isso...


Yuko fechou o cenho e bufou de lado.


–Só porque dorme com o chefe agora se acha o dono da casa...


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–Hum... se está nessa posição aqui dentro suponho que sua missão deveria estar finalizada... – Oboru comentou ao se acomodar frente à mesa baixa do escritório e mirar o ameniano a se sentar diante de si.


–Era... – Manabu suspirou — ... mas... se não está terminada lhe garanto que não é por culpa minha – o menor continuou de modo cansado — ... passei anos viajando para recolher informações e as passando pra vocês, me infiltrei aqui, cheguei a ficar frente a frente com Rui quando ele se infiltrou ao lado de Yuuto, lutei com ele, liberei o selo e o que ganhei foi um ataque pelas costas que quase me matou, pode me explicar isso? Não era pra Rui supostamente se lembrar de tudo e matar Yuuto assim que o selo fosse liberado?


Oboru pareceu alarmada, mas não totalmente surpresa com as palavras do jovem e corajoso ameniano. Liberou um suspiro longo e abaixou a cabeça em lamentação.


–Quem fez o selo e tudo relacionado a Rui foi Omi-sama... também pensei que funcionaria dessa forma, jamais teria te mandado para a morte... – a sacerdotisa continuou em pesar — ... mas se é da forma como me disse... então temo que este mundo... esteja condenado...


–Como assim? – Manabu inquiriu em indignação e certo nervosismo, os outros amenianos na sala também de mantendo alertas.


–Se Omi-sama não quer que Yuuto seja parado então... – Oboru continuou em um respiro fundo — ... o que Omi-sama quer... é ter a oportunidade de seguir Miko-sama onde quer que ela vá... Miko-sama... como ela está? – a mulher perguntou a um dos loiros atrás de si.


–Nós... não podemos dizer... – um dos guerreiros respondeu em seu tom brando e doce. – desculpe...


–Eu também sou de Akai Ame, não precisam esconder coisas – Manabu falou ao se levantar e virar as costas para os guerreiros ainda que soubesse que este já sabiam daquilo desde o momento que se aproximaram de Gather Roses, devido sua presença.


–Ainda assim, não o conhecemos – o guerreiro voltou a falar.


–Não é como se já não soubéssemos que a maldição a está consumindo cada vez mais, só quero saber qual o estado em que ela estava quando deixaram a vila há dois meses atrás? – Oboru bradou em educação, mas ainda assim imponente.

–Miko-sama já não saía mais para passear conosco fazia anos, aqueles que trabalham no castelo diziam que ela mal saia de seus aposentos... – um outro respondeu, ainda que parecesse triste em ter que falar aquilo — ... Ryou-san, nosso falecido líder, sempre dizia que devíamos parar de sempre depender tanto de Miko-sama e começar a agir por nós mesmos, para que Miko-sama não tivesse que gastar tanto de sua energia conosco...acham que, Miko-sama... pode mesmo chegar a morrer?


–Cale a boca, Ishi, Miko-sama é imortal, não há como uma imortal morrer – o primeiro ameniano do grupo a falar censurou o parceiro e este se encolheu em tristeza.


–Ela pode chegar a morrer, ela vai – Oboru interrompeu os dois loiros – a única coisa que pode matar um imortal é o poder de outro imortal, e Miko-sama foi amaldiçoada por vários deles... não há como salvá-la... – continuou em uma voz ponderada — ... agora sei o que tanto significava as coisas que Omi-sama escrevia, o por que de nos dar tanto poder... ela estava tentando achar uma maneira de livrar Miko-sama da morte, e por isso acabou por mostrar magias negras a nós... saíram de seu controle e ela simplesmente teve que lidar com isso, mas não parou de tentar achar uma saída – respirou fundo – há anos vejo Omi-sama estudar magias que sei não serem boas, mas tempos atrás ela simplesmente parou de fazer qualquer coisa, ler qualquer coisa, simplesmente vivia trancafiada em sua acomodação, atrás de sua cortina e pouco falava, menos ainda do que sempre falou... acho que ela descobriu que não haveria como reverter a maldição de Miko-sama, e se ela não tem como salvá-la então... eu penso que... o que Omi-sama quer...


–É morrer junto com Miko-sama... – Manabu completou em um raciocínio quase revoltado — ... por isso fez vista leve em relação a Yuuto, por isso Rui me atacou, o maldito foi mandado para ajudá-lo, ajudar Yuuto a se tornar tão poderoso quanto um imortal e...


–Ser forte o suficiente para tirar a vida de Omi-sama – Oboru voltou a falar.


Os amenianos entraram em uma discussão baixa e entristecida enquanto Manabu se levantou de supetão e derrubou alguns vasos bonitos e caros dos móveis no escritório de seu chefe e companheiro.


–Se Omi-sama queria morrer, não tinha que levar todo o mundo com ela – o pequeno loiro escuro rugiu em ira, sua impulsividade não estava sendo controlada.


–Acho que todos nós sabemos que tudo que importa a Omi-sama sempre foi e sempre será Miko-sama... – a sacerdotisa comentou em tristeza – se ela tivesse que acabar com o mundo inteiro para ficar ao lado dela, pode ter certeza de que ela assim faria.


–Não é justo... – Manabu vociferou -... Kazuki e Byou estão marchando para Ogata, parece que há uma possibilidade ainda de frustrar os planos de Yuuto... Oboru-san... de que lado você está?


–Confia no que um ex-prostituto e um louco propõem? – a sacerdotisa indagou em estranheza.


–Confiei nas palavras de uma imortal e uma sacerdotisa honradas antes... – o ameniano rebateu — ... e olha onde elas nos trouxeram...


–Não invente agora de usar suas ironias comigo, sabe muito bem que sempre o tive em estima – Oboru censurou o jovem — ... pois bem, não parecemos ter muitas saídas mesmo, enviarei uma mensagem para Uruha na frente de batalha, ele e o general de Hana são de confiança – ditou de modo firme — ... não temos muito o que perder mesmo, ou isso ou morremos, duvido que Yuuto vá ser muito piedoso quando conseguir o que quer, seja lá o que for... – bufou em desagrado – onde ele está?


–Em Shiroyama... – Manabu respondeu de modo ponderativo – você disse que o general de Hana é confiável, mas até onde sabemos Shiroyama, Ishihara e Hana estão sob domínio de Yuuto...


–Como? – um dos guerreiros inquiriu em desespero – os nossos estão na frente de batalha ao lado deles... se eles estão com Yuuto... então...


–Então eles estão no meio de uma armadilha... – Manabu completou em ponderação e desânimo.


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– Muito bem, podem começar a dizer o que houve lá dentro? – Saga perguntou em impaciência, olhar para aquelas face de velório já o estava deixando louco.


Uruha respirou fundo e tentou não se incomodar por ainda estar parcialmente sujo, já que só tivera tempo de lavar o rosto. Reita insistiu em também participar da reunião alegando que o líder não se encontrava em condições de participar de algo tão complicado sem ajuda e se encontrava ao seu lado. Se por um lado o deixava mais aliviado, também o tencionava, tinha medo que algo ali saísse dos eixos de alguma forma.


–Os chineses... estão mortos... – Uruha começou a narrar para espanto dos três pares de olhos olhando em direção a si e a Reita.


–Como? – Saga perguntou em um inicio de alívio – já conseguiram vencê-los tão rápido?


–Não, não... – Kouyou se apressou em interromper – de fato derrotamos talvez alguns milhares deles, mas não o quanto seria necessário... – continuou tentando tomar fôlego, ainda estava enjoado.


O movimento não passou despercebido ao general shiroyamiano e este franziu o cenho, alguma coisa estava errada ali, não lembrava do loiro ser tão frágil.


–O que eu quero dizer é que... eles estão tecnicamente mortos, mas ainda assim se movimentam, são fortes, rápidos e... se alimentam de carne humana... – continuou, sentindo a bile novamente querer ser expelida de seu corpo ainda que já não tivesse mais nada em seu estômago — ... os corpos que não foram devolvidos... vimos pedaços deles servindo de refeição... são... algum tipo de criatura ... são... horríveis...


–O que é? Não basta vocês,sacerdotisas, bruxos, youkais, híbridos... ainda temos isso? – Saga vociferou em impaciência e frustração.


–E além disso, eles... são difíceis de matar... – Kouyou continuou, tentando ignorar o tom e as palavras do general haniano — ... não vai funcionar se você apunhalar, nem mesmo seu coração... tem que... cortar a cabeça fora, caso contrário eles voltam a se levantar como se não tivessem nada.


–Isso... é mentira certo? – Tora sorriu de modo nervoso – está me dizendo que esses mortos vivos ou o que sejam realmente existem? E que temos trezentos mil dessas coisas do outro lado desse rio há algumas milhas de nós? Está brincando, não está?


–Eu... eu gostaria que isso fosse brincadeira ... – Kouyou voltou a falar de um jeito compadecido pela a confusão do outro — ... eu realmente gostaria...


–É impossível, se a situação é essa... como podemos mandar nossos homens em desvantagem numérica enfrentar coisas que simplesmente são imortais a não ser que as decapite? – Saga ditou em desânimo, se colocando de pé e começando a andar em círculos — ... não há como...


–Se esse é o caso, por que não se moviam? Por que não saíram do lugar? – Aoi se pronunciou de modo analítico e cético – se essas tais coisas são tão fortes assim, bastaria atacar a cidade imperial de Hana de uma vez.


–Eu... – Kouyou respirou fundo mais uma vez, sua barriga roncou e soube que estava com muita fome. Também depois de vomitar até o que não tinha — ... eu, tenho uma teoria e... acho que é isso que poderemos usar a nosso favor.


Reita resmungou algo para o amigo, mas Uruha fingiu que não ouviu e continuou.


–Parece que o objetivo deles é proteger a torre que construíram, nos impediam de seguir em frente, mas para fugir e sair de lá foi até relativamente fácil – começou a explicação, sentindo a mão de seu comandante se apertar em seu pulso, ignorou novamente — ... eu tentei pensar em como seres assim seriam possíveis e não há outra explicação se não magia negra, parece que tem alguém que os controla dentro daquela torre, eu não consegui ver bem, mas... seja o que for que ele usa tem a ver com a barreira...


–Barreira? – Saga perguntou em curiosidade, voltando a se sentar.


–Nós não percebemos quando entramos, porque é um tipo diferente do que estamos acostumados, mas há uma barreira em volta do acampamento chinês – Reita se pronunciou, se tinham que contar algo ao menos que fosse ele, Kouyou estava debilitado demais e em situação desfavorável por querer acreditar nas “boas intenções” de seu companheiro.


–Se tinha uma barreira, como conseguiram entrar? – Aoi inquiriu – as que vocês fazem não deixam ninguém passar.


–Isso é uma função normal de barreira, mas parece que a do acampamento chinês delimita alguma área de alcance – o Suzuki continuou a responder, impedindo o líder loiro de falar e segurando seu pulso com mais força, ação que foi captada pelo franzir de olhar do general moreno – quando saímos da barreira eles pararam de nos seguir então achamos que se trata de uma barreira inversa, ao invés de impedir a entrada, impede a saída.


–Então como conseguiram sair... – Aoi voltou a questionar em olhos sérios, vendo que o enfaixado já abrira a boca para responder novamente, o interrompendo — Uruha...? – completou ao deixar claro que quem deveria responder seria o líder e não o ousado comandante.


–Seja quem for que está no controle, parecia penas nos querer fora dali, eu não sei o motivo – Kouyou se pronunciou de modo fraco – eu... pensei em algo e...


–Uruha... – Reita bradou, os olhos vermelhos ainda presentes se cerrando em um franzir de cenho — ... já conversamos sobre isso, está fora de questão.


–Deixe-o falar e solte o braço dele – Yuu rugiu em impaciência, já tinha aturado aquilo demais – AGORA – sibilou de modo ameaçador.


O Suzuki encarou o general por um segundo, sentindo seu estresse se alastrar, não podia perder o controle, mas as cosias estavam tão misturadas e confusas nos últimos dias. Respirou fundo e libertou o pulso do amigo, tinha que tentar lidar melhor com tudo ali... até mesmo a confiança descabida de Kouyou para com aquele cara.


–Ao invés de criar uma barreira... – Uruha começou ao alisar a pele avermelhada do braço — ... já que eles não nos deixaram fazer nenhuma marcação, eu posso... tentar invadir e correr até a torre, posso enfrentar a pessoa que os controla e vencê-la... é básica a lei de sucessão de controle em qualquer tipo de barreira, seja ela de qual origem for, a controla quem a cria, mas uma vez que este seja derrotado, o vencedor se torna detentor do direto de controlá-la, assim... quando eu o derrotar, posso desativá-la e se estivermos certo essas coisas voltarão a ser apenas corpos sem vida.


–Pode fazer isso? – Saga questionou de modo preocupado – você não parece ter retornado muito bem de lá.


–Ah! Isso... não foi por causa da luta, eu nem sequer me feri, apesar de não ser prazeroso ter que matar, ainda que tecnicamente eles estejam mortos, foi até fácil para nós derrotá-los... eu poderia...


–Ele não pode, não está em condições e apesar de não serem problemas para alguém tão forte quanto ele, eles são muitos e na situação em que Uruha está fica fácil se distrair e acabar se ferindo – Reita o interrompeu.


–Que situação? – Aoi questionou, lançando um olhar direto ao companheiro, havia passado a noite inteira com ele e este não havia mencionado nada sobre “situação”.


–Ele está doente – Reita mentiu de modo difícil, mas ainda assim convincente – tontura, enjôo, são alguns dos sintomas da doença, ele teve bastante deles hoje e provavelmente continuará tendo nos próximos meses, ele não pode ir lá sozinho, por isso nós todos voltaremos lá amanhã, durante o dia, e o acompanharemos – continuou de modo firme ao ajeitar a faixa sobre o nariz – nos dêem três horas e podem invadir se não voltarmos até lá.


–Você não vão, não há como lidarmos com isso sem baixas – Uruha vociferou para o comandante, parecendo não se importar de estarem no meio de uma reunião – se apenas eu for,consigo passar despercebido, se todos nós formos será como declarar que iremos atacar...


–E se você não conseguir passar despercebido? Vai fazer o que? Morrer? – Akira rugiu de volta.


–Se for preciso... – Uruha rebateu.


–Muito digno, vindo daquele que nos ordenou cortar cabeças horas atrás... – Akira vociferou em descontrole, tentando controlar a respiração ao perceber que estava exagerando em suas palavras e tom — ... nós todos voltamos amanhã, arrancamos as cabeças necessárias e acabamos de uma vez por todas com tudo isso, se é para sermos corrompidos, nós todos seremos, não tente se fazer de sacrifício ... – sibilou baixinho em uma voz dolorida, se erguendo antes que acabasse falando demais na frente dos outros e saindo da tenda de reunião.


Uruha se viu alvo dos três pares de olhos novamente e abaixou a cabeça em tristeza.


–Desculpem o tom dele, é esse estágio de semi-possessão, mexe um pouco com os nervos... – tentou se explicar – amanhã tudo ficará bem, eu prometo, nos dêem apenas mais um pouco de tempo...


–Seu tempo acabou Uruha – as palavras do moreno caíram como facas sobre si – não vamos ficar aqui parados, amanhã todos nós , incluindo Shiroyama, Hana e Ogata invadiremos o acampamento inimigo... – Aoi continuou de modo imponente — ... Eu, Saga, Tora e você rumaremos em direção a tal torre enquanto nossos homens distraem esses tais mortos vivos, então te levaremos até essa pessoa que os controla e você o derrotará e acabará com isso de uma vez por todas o mais rápido que puder e antes que soframos baixas, entendeu?


Kouyou ergueu seu olhar em surpresa e mirou os orbes ônix para si, sérios e ainda assim lhe pareciam tão doces... Yuu estava... contando consigo? Acreditando em si?


–Se... se puderem... – gaguejou sem saber o que falar – eu... não queria ter que precisar da ajuda de vocês, mas... eu prometo que serei rápido e...


–Sim, já ouvimos, nós mesmos estaremos logo atrás de você para ter certeza disso — Aoi o interrompeu – alguma objeção ao plano? – perguntou em um tom que deixava claro que qualquer palavra contra seria completamente ignorada, mas para fim de discussão nem Saga e nem o Amano se manifestaram – pois bem, vá descansar, amanhã ao meio dia todos estejam prontos para a invasão, e você, posicione seus homens para atendimento médico se necessário – ditou ao loiro como se de fato fosse o líder ali. Uruha apenas assentiu de um modo bobamente aliviado e se levantou com um pouco de dificuldade, saindo da tenda em uma reverência simples.


–Quem te elegeu o líder desse ataque? – o Sakamoto inquiriu em desdém.


–Tem alguma idéia melhor? – Aoi rebateu com o mesmo tom provocativo, sorrindo minimamente por detrás do tecido que lhe cobria o rosto ao ver o cenho afrontado do general haniano – hunf, foi o que pensei, prepare suas lesmas para amanhã e vê se seus homens não ficam no caminho dos meus – provocou ao se erguer e também se projetar para fora da tenda, acampariam por ali mesmo.


–Oh! Vai ver se seu amorzinho está bem? – a voz de Tora em um humor charlatão invadiu o ambiente – ele me parecia bem debilitado, está preocupadinho?


O Shiroyama virou seus olhos escuros para o tigre atrás de si e levou sua mão à espada em sua cintura. Pela primeira vez pensou em deixar uma afronta passar, primeiro porque estava sem tempo e segundo porque poderia muito bem apenas esperar o outro morrer no campo de batalha no dia seguinte. E assim o fez, se resumiu a não responder e sair de uma vez por todas do local.


Tora sorriu para o olhar indagativo do Sakamoto para si.


–Troco o que sei sobre esses dois por um beijo como o de ontem à noite – provocou de modo humorado, ganhando um franzir de cenho do general haniano – tudo bem, tudo bem... – levantou as mãos em rendição — ... andei sondando alguns soldados de Shiroyama, e corre um boato entre eles...

–Boato? – Saga perguntou em descrença.


–Boato de que o general recebe em suas acomodações visitinhas noturnas sigilosas ... – Shinji continuou em um olhar significativo.


–Isso é normal, afinal aquela quantia de moças na última carruagem devia servir de algo – o general deu de ombros, no final aquele idiota não tinha nada de interessante para si.


–Não, não, não, você não está me entendendo, gatinho... – o tigre tratou de interromper — ... aquelas moças servem aos soldados, quem serve ao mal encarando com mania de Deus shiroyamiano é seu querido amiguinho ameniano, um de meus homens viu com os próprios olhos Uruha-san indo em direção à ala de Shiroyama ontem à noite – sorriu ao mirar o olhar completamente escandalizado do haniano – quem diria não é? O tão honrado e temido Aoi-san do grande e honrado feudo de Shiroyama dormindo com o líder de Akai Ame, e eu pensando que Vegas era a terra do pecado...


Saga se mantinha atônito e ponderante ao ouvir aquilo, coisas estranhas estavam começando a se encaixar em sua cabeça e não estava gostando nada do rumo que elas estavam tomando.



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Kai andava com fúria por entre os corredores externos longos das propriedades de seu pai, não acreditava que estava mesmo seguindo ordens de um completo desconhecido. Faria um último movimento ali, já que o tão precioso tempo para que analisasse melhor a situação não havia sido lhe dado.


–Maldição — praguejou junto aos seus soldados e segurou com força o punhado modesto de algo em sua mão direita, tinha que dar certo, apesar de que não sabia bem o que um bruxo podia fazer.


–Kai-san, prontos para partir? – Yuuto perguntou, acomodado confortavelmente ao lado de seu pai.


–Sim – Kai assentiu de modo totalmente sem vontade. Yuuto sorriu, com certeza era mais interessante ter as pessoas fazendo o que queria em tão notável desagrado assim.


–E já sabe direitinho suas ordens? – provocou.


–Sim, sei... – Kai voltou a assentir, se sentindo completamente humilhado em ter que dizer aquilo na frente de seus homens.


–E quais são? – o bruxo voltou a perguntar.


–Levante-se e se aproxime que eu digo, não acho que ordens como essas devem ser declaradas tão em alto tom assim – o Yutaka ditou de forma desgostosa.


Yuuto ergueu uma sobrancelha curiosa e olhou para seu amante sentado ao seu lado.


–Não confie – Rui baixinho falou ao lançar o olhar em direção à mão fechada do shiroyamiano.


Yuuto voltou a erguer uma sobrancelha e sorriu para seu adorado monge.


–Quer testar do que essa tal ciência é capaz? – sussurrou ao ouvido do religioso e este apenas sorriu animado, passando a mão discretamente pelas costas do bruxo.


–Prontinho – piscou um olho e recebeu um beijo molhado do feiticeiro.


Kai mirou a cena com asco, ainda se perguntando como era possível ter controle sobre alguém daquele modo... seu pai mal piscava....


–Pois bem, tente me mostrar o que trouxe para tentar me matar – Yuuto sorriu ao se colocar de frente para o cientista e este franziu o cenho.


–Se insiste – Kai sorriu de modo falsamente angelical, erguendo a mão e mostrando o punhado de areia dentro de sua palma.


–Oh! Areia? – o bruxo brincou – talvez essa tal ciência não seja tão interessante assim.


Kai manteve o sorriso de covinhas por mais alguns segundos e soprou o composto em grãos pequeninos de sua mão, fazendo esta ir de encontro ao rosto do feiticeiro.


Yuuto levou a mão ao olho em desagrado.


– O que você pretendia, me fazer chorar com olhos sujos até a morte? – o bruxo provocou em tédio... realmente devia apenas transformar o homem em um boneco vivo, não tinha nada de bom naquela tal ciência. Foi quando percebeu que não conseguia mais respirar e que sua garganta ardia. O ar não passava por sua traquéia e sua mente não funcionava...


Kai analisou bem o que acontecia diante de seus olhos, tinha sido tão fácil que nem acreditava, e foi ao lançar o olhar para o monge ainda sentado em seu lugar, calmo e sorridente que soube que algo ali estava errado. O corpo a sua frente caiu no que parecia ser uma morte instantânea como aquela de um de seus soldados, mas ainda assim não parecia ser o fim.


As palmas altas quebraram o silêncio do salão e foi ao mirar a figura do bruxo ao canto deste que Kai respirou em frustração... tinha falhado. Olhou para o corpo aos seus pés e viu este se desintegrar como se fosse feito de água... como aquilo funcionava?


–Parabéns, pode criar coisas interessantes... – Yuuto parabenizou de forma sorridente, voltando a caminhar para seu lugar, reverenciando com hipocrisia seu mais mais novo boneco vivo – tens um filho muito interessante, Fukaku-san – se sentou ao lado do senhor que lhe dirigiu um sorriso mecânico — .. obrigado amor, seu selo de duplicata foi bem útil – falou ao pé do ouvido de Rui e este apenas assentiu em satisfação, adorava o jeito carinhoso que o bruxo o tratava desde que mostrara toda sua história e a história de o porquê estar ali – muito interessante, Kai-san, pode levar isso para facilitar sua missão... ah... qual é sua missão mesmo?


–Matar todo ameniano inútil e aprisionar aqueles que possam lutar – Kai repetiu em um tom mórbido, havia sido humilhado, todo seu trabalho e conhecimento não parecia quase nada diante daquela coisa estranha chamada magia.


– Ótimo – O bruxo assentiu – pode ir, meus “amigos” estão esperando você e suas tropas do lado de fora dos portões.


–Amigos? – Kai questionou em estranheza.


–Um jeito mais rápido de se viajar, agora que está tudo tão certo minha ansiedade me deixa meio apressado, sabe... – continuou em desdém — ... não é só porque vivo a mil anos que estou imune a coisas tão triviais como essas... coloque isso nas suas anotações de como criar um dos seus brinquedinhos para me matar.


Kai bufou em ira e deu meia volta, odioso... completamente odioso... ainda assim...


“Continue zombando... enquanto se diverte mostrando a superioridade da sua magia, minha ciência vai recolhendo dados para te arruinar...”


–Kai-sama... ? Quais suas ordens? – um de seus homens perguntou atrás de si... por enquanto o melhor era seguir as indicações daquele odioso feiticeiro, afinal seu pai e seu feudo estava nas mãos dele.


–Matar todo ameniano inútil e aprisionar aqueles que possam lutar –falou em uma repetição fiel daquilo que havia respondido minutos antes.


“E Uruha-san parecia ser tão interessante... que pena...”


Não que se importasse de verdade, de qualquer modo.



Notas finais
Pois é gente, já querem me matar, pq ao final de " O fim de um mundo" vcs realmente vão querer minha carne frita.
De qualquer modo, peço desculpas pelo atraso horrendo de duas semanas. Saibam que foi apenas pq não consegui tempo nem sequer para comer direito essas duas semanas, nem finais de semana.... =/
Desculpe Lissa-san, atrasei sua fic! T.T
Pois é , como avisado, vai ter parte 3 pq a parte 2 ficou maior do que pensei e eu não conseguir terminá-la. Mas como eu queria postar logo para não ficar mais fazendo sacanagem com quem lê a fic e gosta ta aí. ALém disso linhas pessoinhas do twitter ficaram me animando a postar mesmo que não estivesse terminado então... ( sim são vcs mesmo podem me encher de mentios que eu deixo *-* =])
Comentários, pelo amor de Deus? T.T
Quase esqueci, agradecer a recomendação novinha e linda da
PsychopathUsagi junto às outras 9 que se quiserem saber estão lá lindas e mordiveis, vão lá da uma lidinha gente enquanto o proximo cap não vem ! *-*
hohoho
Happy Birthday LISSA o/
Azumi-chan:E então sentiram minha falta?Digam que sim please?kkkk -q
Então eu senti a de vocês,cap maravilhoso não é?Vamos deixar reviews a minha flor?No próximo cap,vou aparecer por aqui denovo!
Beijinhos Leitores super fofos....e bem queria deixar um aviso a quem está lendo a "Tsumi To Batsu"..devem ter percebido que parou não é?Peço mil desculpas mas como estamos muito sem tempo que até "Vijukei" está demorando pra atualizar eu e Mini decidimos continuá-la assim que "Vijukei" terminar já que ela está no fim,ai sim contuaremos a "TTB",por favor sejam compreensivos com a gente...prometo que assim que retornarmos com a "TTB" os caps tbm serão ótimos como os de Vijukei!
Beijos meus anjos e continuem atentos em "TTB" pode ser que vá aparecendo alguns caps antes de Vijukei acabar!^^
Amamos vocês ♥