Vijukei No Monogatari

1 Capítulo 1 O fim da calmaria


Notas iniciais
?
Oieeeeeee Azumi-chan aqui invadindo a continha da minha linda e amada flor Mimi pra betar o cap,acabei de betar agorinha e ameeeei,espero que vocês também gostem!Beijinhooos e boa leitura *---*



Capítulo 1 – O fim da calmaria

As terras de Vijukei, um país cercado por mares e dominado por cinco feudos e seus senhores feudais.

O feudo Ishihara, chefiado desde os tempos antigos pelos descendentes da família Ishihara, atualmente governado por Miyavi XVII. Terras próximas ao litoral, conhecido principalmente pela produção de hortaliças e frutos, além de ser nomeado popularmente de “o reino dos artistas”, já que muitos cantores, atores, dançarinos, músicos tinham sua origem ali.

Feudo Hana ¹, liderado pela família Kazamasa após a vitória desta sobre os antigos lordes Ogatas há quase cinco décadas. Tendo como seu atual regente o jovem Kohara, que assumira o lugar de seu pai após a morte deste durante a última grande guerra. Terras ricas em minérios, ouro e pedras preciosas, alvo de cobiça de muitos, inclusive de seus vizinhos de Ishihara.

Feudo Vegas², extensão curta de terras após Hana, pertencido anteriormente a este feudo quando os Ogatas governavam. Feudo de pouca idade, mas conhecido por atividades comerciais legais e ilegais e temido por alguns de seus vizinhos, já que é considerado um lugar sem escrúpulos e sem lei, refúgio das piores escórias sociais. Famoso pelo nome de “Terra do pecado”, pelas jogatinas desleais e grande quantidade de bairros vermelhos³, chefiado por um ex-traficante de escravos conhecido como Byou.

O maior de todos os feudos, considerado o mais antigo e mais poderoso de Vijukei, também dominado por uma mesma família desde a antiguidade, e por isso recebendo o nome desta, feudo Shiroyama. Dono de um exército numeroso e berço de estrategistas e cientistas, além de ser o maior produtor de arroz e dominar a pesca no país com seus barcos comercias, também usados para guerra. Um povo estatuado de rancoroso e vingativo, guardando uma rivalidade eterna contra o quinto e menor feudo do país, entrando em combate com esse incontáveis vezes para que o território escondido entre as montanhas fosse anexado às suas terras e submetido às suas ordens e influencia.

O quinto e menor feudo, não poderia nem ser chamado assim por se tratar de uma faixa de terra realmente pequena, escondido entra montanhas na parte norte de Vijukei e situado ao litoral da região oeste. A vila de Akai Ame¹* era um local totalmente isolado e desconhecido por outros que habitavam a imensa ilha chamada Vijukei, protegidos por um rio e uma cadeia montanhosa circundada de uma floresta densa e escura, conhecida como floresta da ilusão por confundir aqueles que ousavam enfrentá-la. Akai Ame era assim, misteriosa, pouco era sabido por aqueles que eram de fora, mesmo assim era constantemente atacada pelo povo de Shiroyama que ansiavam expandir seus domínios. Se perguntassem quantas vezes os senhores dessas terras já tinham se enfrentado com certeza a resposta não seria exata, pois os primeiros ataques, séculos atrás, mal chegavam a passar da proteção de planaltos, mas gradativamente a nação militar fora oferecendo cada vez mais riscos para à pequena população misteriosa que habitava Akai Ame. Chefiada pela família Takashima, a vila era como uma projeção do paraíso e tinha culturas e costumes muito diferentes de todos os outros feudos.

Já havia se passado quinze anos desde a última grande guerra entre Shiroyama e Akai Ame, quando os atuais líderes, já cansados de tantas batalhas que chegavam a envolver até os outros feudos, decidiram assinar uma trégua. Trégua que não foi totalmente aceita pelos habitantes do feudo militar, pois muitos encaravam o povo ameniano como inimigos mortais, mas trégua imposta a todos, garantindo quinze anos, que pareceram curtos demais, de paz e calmaria.


Calmaria que estava prestes a encontrar seu fim, mas dessa vez, por um motivo diferente.


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A figura pequena, vestida de um kimono negro e uma capa escura corria rapidamente pelo caminho largo entre as plantações de arroz. Segurava a espada curta em sua cintura e parecia querer proteger algo escondido em suas vestes ao manter a mão esquerda circundando sua barriga. Estava começando a anoitecer e quando chegasse ao seu destino tinha certeza que a escuridão já teria dominado todo o feudo. Mesmo assim corria apressado, a situação era de urgência.


–identifique-se – um dos samurais que guardava a primeira barreira até o palácio do senhor pronunciou em um tom de ordem.


A pequena figura apenas levantou parte do capuz de sua capa e mostrou os olhos esbranquiçados junto a uma parte vermelha dentro de sua roupa, algo que pareceu ser compreendido pelo guarda que deu um sinal para que abrissem o primeiro portão.


–Acendam as tochas azuis também, peçam para que o senhor seja acordado, mensagem urgente para ele – o protetor que parecia ter uma idade já avançada vociferou, logo o fogo de coloração azulada sendo aceso gradativamente em alguns pontos na lateral esquerda da propriedade – me diga que não teremos mais uma guerra – voltou para a pessoa misteriosa a sua frente.


O capuz apenas se moveu para o lado em um sinal de que não poderia falar aquilo que o homem queria ouvir.

–Que Kami nos proteja, estou velho demais pra lutar! – o guarda suspirou – pode passar, não será atrapalhado em seu caminho.


E a figura tornou a correr, tão rápida que parecia apenas um vulto ao saltar sobre os telhados das pequenas moradias da cidade imperial.


–Por que o sinal de emergência? – o homem de pele levemente morena e cabelos negros e longos, trajando um tipo de manta negra, adentrava um salão espaçoso, parando ao lado de um senhor já passando de seus sessenta anos sentado na poltrona baixa a acolchoada em cima do altar.


–Uma mensagem – respondeu – quero que a ouça comigo, meus dias já estão terminando e você deverá assumir o trono após minha morte, é bom que se acostume com a posição de decisão e não saiba apenas lidar com exércitos e batalhas.


–Sim, meu pai – a figura bonita, de lábios sedutoramente fartos e olhar sério assentiu em uma pequena reverência, indo se colocar ao lado do senhor feudal.


Não demorou para que a figura pequena adentrasse o grande salão, se adiantando rapidamente até seu senhor, ainda sem retirar sua capa, apenas oferecendo um reverência ao entregar o pergaminho vermelho dentro de suas vestes.


O Shiroyama mais velho, líder do feudo, fez um sinal para que a figura entregasse a mensagem a seu filho ao seu lado, e esta o obedeceu, repetindo o mesmo gesto anterior, mas dessa vez em direção ao Shiroyama mais jovem.


O jovem que atendia pelo nome de Yuu e apelidado de Aoi pelos subordinados pegou o pergaminho com rapidez, o lendo ansiosamente. Uma feição raivosa e preocupada se espalhou pelo rosto de traços bonitos em questão de segundos.


–Invasores, das terras além do mar, tomaram a baía de Hana, eles pedem a nossa ajuda, parece se tratar de um exército de aproximadamente trezentos mil homens, equipados com barcos, espadas e armas que jogam fogo – Aoi rugiu, o sangue quente acostumado com batalhas lhe subindo a cabeça.


–Trezentos mil homens? Isso é mais que o dobro do nosso exército! – Shiroyama Fukaku afirmou em uma expressão séria e dura – vamos enviar homens para a morte se ajudarmos.


–Eu mesmo posso liderar nossos soldados, garanto que podemos expulsar esses invasores das terras de Vijukei – Aoi se prontificou, se colocando a frente de seu pai.


–Não podemos enviar todos os nossos homens para fora do feudo, ficaríamos vulneráveis a um ataque, o povo de Vegas não é confiável, aqueles ratos tentam espreitar para dentro de nossas muralhas desde que foram considerados independentes de Hana, marchar com nosso exército para lá seria burrice – Fukaku vociferou para o filho, demonstrando o quão equivocada estava sua proposta – não temos homens o suficiente, precisamos nos aliar aos outros feudos, afinal duvido que os invasores se contentarão apenas com Hana, se eles possuem um exército tão grande, planejam dominar a nós todos.


Yuu se encolheu, frustrado por ter sido repreendido.


–Pedirei para enviarem uma mensagem a Ishihara – assentiu, puxando as mangas longas de seu traje e se adiantando para a saída do local.


–Espere! – Fukaku estatuou, fazendo com que Aoi parasse a meio caminho da porta lateral e o encarasse – não é suficiente, Ishihara não possui um exército grande, muito menos um exército bom.


–Quer pedir aliança com Vegas? – Aoi perguntou, descrente de que seu pai aceitaria se aliar a um feudo tão não confiável.


–Não – Fukaku respondeu, lançando um olhar significativo ao filho.


Aoi fechou sua expressão e pareceu encher a boca duas vezes, desistindo de proferir algum xingamento e tentando acalmar seu temperamento difícil.


–O senhor não está pensando em pedir ajuda de Akai Ame – afirmou rudemente – o exército deles não passa sequer de mil homens – tentou argumentar, indignado com a aparente loucura de seu progenitor.


–Não sabemos exatamente quantos soldados eles têm – Fukaku ditou – e mesmo que não passem de mil, foram mil homens capazes de derrotar trinta mil dos nossos melhores soldados, se precisamos entrar em uma luta com desvantagem numérica, é melhor que entremos nela com alguém que saiba lutar com essa desvantagem.


–Eles são demônios que vivem no meio de uma floresta, não são confiáveis – Aoi retorquiu – são nossos inimigos!


– Takashima Hitoru me pareceu um homem de honra e confiança quando me propôs a trégua, está na hora de parar de acreditar nessas ridículas histórias de criança e nessa rivalidade sem fundamento, mande a mensagem para Ishihara, eu me encarrego de negociar com Akai Ame – o imponente senhor proclamou, fazendo um sinal para que um de seus serviçais parados a alguns metros a esquerda se aproximasse – me traga um pergaminho em branco e tinta – ordenou.


–Meus homens jamais aceitarão lutar ao lado desses demônios! – Aoi vociferou ao ver que seu pai estava falando seriamente.


–Então ensine seus homens alguns modos e educação, já estou velho demais para lidar com soldados, e você brevemente deverá assumir todas as minhas responsabilidades – Fukaku estatuou, recebendo seu pedido em mãos, começando a escrever algo no papel enrolado.


–Como futuro senhor feudal eu me recuso a aceitar uma aliança com Akai Ame – Yuu se adiantou, furioso. Ainda lembrava das cenas horríveis da última batalha com os estranhos soldados daquele feudo amaldiçoado e não aceitaria ter que lutar ao lado daquelas bestas.


–Você disse bem: futuro senhor feudal, mas o senhor feudal presente sou eu, e enquanto eu viver você terá de obedecer as minhas ordens – o mais velho continuou, altivo e ponderado.


Aoi odiava quando seu pai o tratava como criança daquele jeito, mesmo que o general e herdeiro já tivesse seus trinta e três anos, seu pai parecia ainda não confiar em suas decisões.


–O senhor me toma por pivete, meu pai? Que precisa ser lembrado de sua obediência todos os dias? – vociferou para o mais velho.


–O tomo por futuro líder do maior feudo de Vijukei, que ainda tem muito que aprender sobre a importância das coisas, ou acabará sendo o responsável pela morte de muitas pessoas – o grande senhor feudal voltou a se impor – você tem a coragem, a garra e a estratégia, mas lhe falta a calma, a ponderação e principalmente o sentimento.


Aoi teve que sorrir amargo para que não acabasse agredindo o próprio pai.


–Esses quinze anos de trégua o amoleceram meu pai, o senhor deve ter se esquecido de todas as lutas que lutou e de todos demônios que matou, não acredito que o homem que me ensinou sobre impiedade com inimigos está agora a me dar sermões sobre sentimentos.


–Tive que liderar e enviar muitos homens para a morte antes de aprender, não quero que o mesmo se passe contigo – o mais velho continuou em um suspiro cansado, se rememorando brevemente de quando era idêntico ao filho.


–Faça o que quiser, mas eu digo que eu e meus homens não aceitaremos nos aliar com aquelas bestas – Aoi deu as costas, desrespeitoso, terminando de se colocar para fora do grande salão.


–Meu jovem, pode entregar essa mensagem para Takashima Hitoru ainda hoje ou estás cansado? – Fukaku virou para o mensageiro a sua frente.


O mensageiro apenas assentiu, se curvando mais uma vez e aceitando o pergaminho em suas mãos.


–Seja rápido – ordenou e o estranho mensageiro de capa negra pareceu desaparecer de sua frente como um vulto.


Fukaku se levantou com dificuldade de seu trono e andou vagarosamente para fora do salão, estava velho e cansado demais para mais uma guerra.


“Só espero que eu tenha acertado em minha decisão”


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– Quanta educação, meu irmão! – o moreninho também de cabelos longos, amarrados em um rabo de cavalo, e sorriso de aparência inocente comentou ao ver o irmão mais velho a jogar todos os papéis de sua mesa no chão.


– Cale a boca, Kai, não estou com humor para suas ironias agora! – Aoi vociferou – acredita que nosso pai quer se aliar com Akai Ame? – gritou em fúria, enquanto pegava um pobre pergaminho a sorte e o arremessava no chão, quebrando a haste exterior de madeira, fazendo-o abrir e se espalhar pelo cômodo médio.


–Sabia que isso aconteceria algum dia, aquele tal Takashima Hitoru parece ter feito uma lavagem cerebral em nosso pai quando eles se encontraram para assinar aquela trégua – o sorriso aberto desapareceu para dar lugar a uma expressão cuidadosa e ponderativa, diferente do mais velho, Yutaka era chefe de pesquisa e ciência, o que lhe dava uma calma bem mais acentuada.


–São demônios isso sim, são aberrações que confundem a nossa mente e devoram nossa alma, nosso pai deve estar possuído por algum mal espírito ou enfeitiçado – o mais velho continuou a vociferar, dessa vez se adiantando para a sua espada, tirando a bela lâmina negra de sua bainha e cortando a mesa de madeira em dois com apenas um golpe.


–Isso são histórias de criança, Aoi, aquele povo com certeza possui algum segredo, mas duvido que sejam demônios ou espíritos errantes – Kai retorquiu, acenando a cabeça em negativa para o descontrole temperamental do irmão.

“E pensar que daqui alguns anos vou ter que obedecer as ordens dele!”


–Eu não vou aceitar me aliar a eles, não importa pelo o que, eu não vou aceitar – Yuu continuou, dessa vez parecendo diminuir cada pedaço da mesa em pedaços menores ao continuar com seus golpes.


–Mais importante, o que fez nosso pai sugerir uma ideia dessas? — o mais novo perguntou, notando o irmão finalmente parar seu ataque de fúria e virar para si.

–Invasores, trezentos mil chineses armados na baía de Hana! – avisou, percebendo a expressão do irmão mais novo se retesar.


–Eles já tomaram a baía? – perguntou entre dentes.


–Sim, Kohara é novo demais para governar e inexperiente, não sei o que deu na cabeça dos conselheiros de Hana para colocarem um garoto de quinze anos no trono, mesmo que ele tenha trinta agora, continua muito inocente, deve ter se desesperado ao ver navios se aproximando da costa – o mais velho voltou a comentar.


–Você tinha dezoito anos quando liderou metade de nosso exército para atacar Akai Ame, e fora o que mais se aproximou da vila, não acredito que idade seja o problema, acredito que Kohara é gentil demais para tomar decisões impiedosas – Kai argüiu.


–Você fala isso porque é amiguinho do conselheiro chefe de Hana, eu ainda acredito que Kohara é um mole, deveria tomar o trono dele quando me tornar senhor feudal – o moreno mais velho comentou, arrancando um olhar repreensivo do irmão.


–Eu não acredito que você disse isso! – Kai censurou – vai acabar levando o feudo inteiro para a morte se continuar pensando dessa forma.


–Não venha você também me dar sermões, eu só agüento um por dia – Aoi bufou, respirando fundo em seguida e se decidindo por guardar seus pergaminhos antes que acabasse destruindo alguma informação importante, odiava a parte burocrática de seu trabalho.


–E parece não ser o suficiente! Estou te falando, Aoi, dê um jeito nesse seu gênio ou vamos todos morrer por sua culpa – Kai estatuou, percebendo não ser ouvido pelo irmão que continuava a recolher seus papéis como se não tivesse ninguém ali – você estava melhor quando Tsuna-san era viva! – continuou, notando que o irmão parava assim que ouvira o nome da falecida esposa – não estrague tudo só porque você sente falta dela, se não tem calma e capacidade suficiente para cuidar de um feudo cuide ao menos da sua filha que espera todas as noites o pai lhe contar uma história antes de dormir – o moreninho continuou, finalmente chegando ao ponto que queria discutir ao adentrar a sala do irmão, antes de receber todas aquelas novidades atormentadoras.


–Se meta com seus problemas Kai, deveria parar de cuidar da minha vida e procurar uma esposa logo, está ficando velho – o mais velho vociferou, deixando suas coisas no chão e recolocando sua espada na bainha, antes de sair porta a fora.


O chefe de pesquisa suspirou, cansado. Até aquele momento achava que o maior problema que teria que enfrentar seria convencer o irmão a dar atenção a sua sobrinha, e agora sabia que Hana estava sendo atacada e uma guerra estava sendo iniciada.


“Por favor, esteja bem!”


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O mensageiro de Shiroyama mais uma vez corria, agora dentro do que parecia ser uma floresta escura e densa. A assustadora floresta da ilusão poderia confundir muitas pessoas, mas não confundia uma pessoa com aqueles olhos.


–Ei! Por que a pressa? – uma voz grossa ecoou pelo local, fazendo o pequeno parar e começar a olhar ao seu redor, pressionando a meia espada que sempre carregava consigo.


–Levo uma mensagem para Takashima Hitoru – o mensageiro respondeu, sua voz grave e meio rouca.


O pequeno se sobressaltou quando uma presença se fez sentir às suas costas, e soube que estaria morto se o outro decidisse atacar. Pelo visto os guerreiros de Akai Ame eram mesmo sobrenaturais, nunca pensou que alguém conseguiria se mover mais rápido que ele próprio.


– Mensagem de quem? – a voz perguntou às suas costas, e o menor sentiu uma mão sobre a sua, retirando seus dedos de sua espada e se apossando da arma logo em seguida.


–É uma mensagem urgente do senhor de Shiroyama – respondeu, dando alguns passos para frente.


–Então entregue-a para mim que eu a entrego – o guerreiro falou e o mensageiro soltou um pequeno riso irônico e descrente


–Como se eu fosse burro para fazer isso, eu entrego em mãos – ditou, se virando para olhar aquele que o estava impedindo em sua missão.


O guerreiro era alto, não tão mais alto que si, mas tinha uma aparência robusta e de certo modo intimidadora. O kimono sem mangas e preto revelava braços fortes, a faixa também escura cobrindo o nariz dava uma sensação de mistério e a espada de tamanho exagerado presa às costas deveria ser quase da sua altura, deixava claro que com certeza não seria muito seguro entrar em um combate com ele. Além disso, tinha os cabelos em uma tonalidade clara, descolorida e bagunçada.


–Tire o capuz, não confio em quem não consigo ver o rosto – o guerreiro ditou em um movimento de cabeça.


O mensageiro respirou fundo, odiava ter que ceder a ordem de outros, mas atualmente seus feudos estavam em trégua, não poderia atacar um soldado de Akai Ame. Além de não saber se poderia vencer estaria desrespeitando o contrato e seria executado se descobrissem, sem dizer que não estava em situação de caçar confusão. Afinal seu senhor queria uma aliança, não outra guerra.


O pequeno abaixou o capuz revelando os cabelos também loiros, até os ombros, o rosto redondo e de aparência extremamente jovial, mas sem dúvida, o que mais chamava atenção eram os olhos quase que totalmente brancos, se não fosse apenas por um ponto preto pequeno no meio das íris.


–Hum! Estão usando crianças meio youkais para entregar mensagens agora? – o guerreiro provocou, entendo o porquê do garoto ter conseguido chegar até ali sem se perder ao menos uma vez na floresta.


–Eu não sou criança, e não tenho que te dar explicações, me deixe passar e cumprir minha missão – o menor vociferou.


–Hai, hai, eu te escolto – o maior suspirou, coçando a cabeça em um movimento cansado, olhou para o céu e viu que logo amanheceria – nem pense em fazer algo, baixinho, mesmo você tendo sangue youkai, ainda não é rápido o suficiente para me vencer – avisou, devolvendo a espada do garoto e dando a entender que era para continuar a andar.


–Baixinho é a mãe – o menor resmungou, odiava ser vexado pelo seu tamanho, se não estivesse em uma missão trataria de mostrar quem era o baixinho ali. “Ele não diria isso depois de eu cortar uns dez centímetros de suas pernas”.


O mensageiro se irritou mais, apertando bem o cabo de sua espada para liberar sua raiva, quando percebeu o maior sorrir de si.


–Realmente, me perguntou se vocês são realmente tão raros ao ponto de terem que usar crianças pra isso – o ameniano sorriu.


–Eu tenho 25 anos, não sou criança – o baixinho vociferou, dando as costas e continuando seu caminho, disparando a correr.


–Mentir é feio, pirralho! – o guerreiro o provocou, alcançado facilmente o pequeno hibrido – Reita, e você? – decidiu se apresentar, era um homem que gostava de criar amizades e não inimizades, mesmo com alguém que até quinze anos atrás seria considerado um inimigo. Entretanto, quem tinha guerra na cabeça eram os Shiroyamas, ninguém de seu povo jamais viu alguém como rival, apenas se defendiam e protegiam sua casa.


–Ruki, e eu não estou mentindo – vociferou a resposta, apressando mais o passo.


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–Temos um mensageiro de Shiroyama, pergunte a Takashima-sama se ele pode entrar na vila ou se o receberá aqui fora, o baixinho aqui diz ser uma mensagem urgente e ele só entrega em mãos – Reita falou para um dos dois homens que se mantinham às portas do que parecia ser um portão enorme feito de madeira bem esculpido e detalhado.


Ruki observou bem o local, não tinha idade suficiente para participar da última guerra e mesmo assim soube que o exército que mais se aproximou do local chegou apenas até aquele portão, então provavelmente estava vendo mais de Akai Ame do que muitos já conseguiram ver.


Olhou para o céu e o sol já nascia, trazendo uma coloração rosada às nuvens, bocejou inconscientemente, era a segunda noite que não dormia e não descasava. Estava com fome, e só foi pensar nisso que seu estômago roncou, confirmando seus pensamentos.


– Se te deixarem entrar eu te dou algo pra comer, vir correndo de Shiroyama até aqui não deve ser fácil! Se não deixarem, eu trago algo pra você.– Reita piscou em sua direção, um sorriso gentil e Ruki estranhou a educação para com alguém que ainda poderia ser considerado inimigo, sabia que se qualquer um de Akai Ame aparecesse em Shiroyama o máximo que receberia seria uma boa surra dos soldados que ainda não aceitavam a ideia de trégua entre os feudos.


–Obrigado! – o menor agradeceu, sabendo reconhecer a gentileza do maior.


–Você é uma gracinha, sabia? – o maior comentou e Ruki além de estranhar se sentiu constrangido com o comentário.


“Mas que diabos...”


–Pare de constranger as visitas, Reita – uma voz profunda e humorada veio de dentro do portão e só agora Ruki percebia que o monumento de madeira estava parcialmente aberto. Quando tinham aberto? Ele não havia sequer ouvido algum barulho.

Olhou para a figura alta, dona da voz, admirando a beleza andrógena do que parecia ser um belo jovem de cabelos longos e loiros, usando um traje de tecidos soltos nas cores preta e roxa, uma peça de couro apertando a cintura e fendas que deixavam partes de suas belas coxas amostra. Ruki se sentiu corar, ele era muito bonito!


–Não enche saco, Uruha, eu vi primeiro! – Reita vociferou, ousando puxar o baixinho pelos ombros, em direção ao seu peito.


Ruki se sobressaltou e se soltou rapidamente. Por algum acaso aquele reino era cheio de pessoas malucas? De onde já se viu agarrar os outros assim?


–Hai, hai! Ruki, não é? Meu pai aceitou te ver – o jovem falou – pode entrar, mas eu vou ter que te vendar, tudo bem? Você é parte youkai e sabemos que seus olhos veem através de ilusões e barreiras, peço para que entenda, mas precisamos nos defender – explicou.


–Entendo! – Ruki assentiu, se sentiria idiota se destratasse ou respondesse mal a alguém que parecia tão gentil e educado quando falava.


–Eu coloco a venda, não quero você tocando nele – Reita se manifestou, indo até o loiro mais alto e pegando a venda preta de suas mãos, encarando um sorriso descrente do amigo para si.


–Todo seu, Reita, todo seu! – Uruha deu de ombros e esperou Reita vendar o baixinho antes de terminar de abrir o portão que estranhamente não produzia som algum. Notou o amigo se aproveitar do mensageiro ao segurar a cintura do menor enquanto o guiava e sorriu de lado. O amigo de infância não mudara mesmo.


–Poderia tirar suas mãos de mim, por favor? Eu posso estar vendado, mas sei muito bem andar sem os meus olhos – Ruki vociferou, tentando ser educado.


–Ele é arisco, não acha? Deve ser o sangue youkai? – ouviu a voz do guerreiro de faixa e a risada do loiro alto e bonito, ficando desorientado e sem saber o que fazer. De repente não parecia que estava levando más notícias.


–Totalmente seu pedido, não é? – a voz de Uruha respondeu e ele não entendia do que os dois estavam falando, mas estranhamente não se sentia ameaçado. Sempre ouvira histórias de que Akai Ame escondia demônios perigosos, que confundiam sua mente e devoravam sua alma, mas aqueles dois não lhe pareciam nada algo como demônios, até porque ele mesmo era mais próximo de um demônio do que qualquer um.


–Ruki-san, você tem companheiro? – a voz de Reita lhe perguntou e o menor só queria entender do que diabos aquele homem estava falando. Decidiu responder a coisa que mais se assemelhava em sua cabeça à pergunta do outro.


–Eu tenho uma noiva, mas ainda não a conheço, vou me casar quando completar 30 anos, é a idade que pessoas como eu recebem direitos e cidadania em Shiroyama – respondeu.


–Noiva? Isso é um espécie de companheiro? – o maior tornou a perguntar.


–Acho que sim, o que seria um “companheiro”? – o menor perguntou, notando que viravam na direção norte após alguns metros, tentando decorar algum caminho, só pro caso de precisar, aprendera a desconfiar de tudo e sempre estar um passo a frente.


–O povo de Shiroyama não tem companheiros? Ou vocês apenas chamam de noivas? – o maior voltou a perguntar.


–Reita, pare de ficar fazendo esse tipo de pergunta, se prestasse atenção nas aulas de cultura estrangeira quando estávamos no aprendizado você saberia que os outros feudos são completamente diferentes, não fique espalhando nossos costumes, não é seguro – o tom de Uruha repreendeu e fizeram mais uma curva a direita.


–Tudo bem, tudo bem! – Reita assentiu – então basicamente quer dizer que Ruki-san não está livre? – perguntou em uma quase afirmação, desanimado.


–É, ele não está livre, agora cale a boca e pare de falar, meu pai está apreensivo com essa mensagem ! – Uruha terminou, se aproximando do menor e tocando seu ombro – não se assuste, Ruki – falou e o pequeno pode sentir que seus pés saíram do chão e uma rajada de vento se fez presente. Parecia que ele tinha saltado muito alto e que estava voando, mas foi muito breve para definir pois já sentia um piso sob seus pés novamente.

Sentiu a venda lhe ser tirada e encarou um grande salão, cores que pareciam se confundir e causar uma ilusão de ótica se espalhavam pelo local, e a frente estava um senhor que aparentava ter mais de 60 anos, mas que guardava indícios de que fora muito belo quando mais jovem.


–Takashima Hitoru-sama – Ruki afirmou se adiantando e reverenciando o senhor de Akai Ame.


–Não precisa disso, meu jovem – o senhor falou em um tom amável – tens uma mensagem para mim?


–Sim, é de Shiroyama Fukaku-sama, peço para que leia urgentemente, se possível gostaria de levar uma resposta ainda hoje – o mensageiro anunciou, se erguendo lentamente.


–Temo que não sejam boas notícias, mas mesmo assim, parece cansado jovem, coma e descanse um pouco, se quer mesmo enfrentar o caminho de volta ainda hoje vai precisa de energias – Hitoru respondeu, se levantando som cuidado de seu trono, estendendo a mão para que pegasse o pergaminho vermelho dentro as vestes do menor – vermelho... realmente, não são boas notícias, Reita, por que não alimenta nosso corajoso jovem aqui e deixe-o descansar um pouco em alguma acomodação? Quero discutir com Uruha o conteúdo que essa mensagem provavelmente terá.


–Hai! – Reita assentiu, segurando gentilmente no pulso do menor em demonstração de que eles deveriam se retirar. Ruki o seguiu, mesmo sem ter certeza se era certo fazer aquilo ou não. Entretanto, todos ali pareciam lhe transmitir uma confiança genuína.


–Invasores na costa de Hana, Fukaku-san nos pede ajuda, pois os exércitos chineses são vantajosos em número, também está solicitando ajuda de Ishihara, mas só acredita na vitória se aceitarmos a aliança – Hitoru começou, uma vez que ambos tinham passado pela porta lateral do salão, não precisava abrir o pergaminho para saber o que estava escrito, mas não queria que o estrangeiro soubesse disso.


–Estranho nos pedirem uma aliança, o povo de Shiroyama nos odeia – Uruha comentou, meio desanimado com as notícias – não seria nada fácil tentar lutar ao lado de um povo selvagem como aquele.


–Você nunca os viu de verdade, apenas os soldados que chegaram aos nossos portões, há pessoas boas lá, eu vi... não é como nossos antepassados falavam, eles não são demônios sanguinários sem alma e ambiciosos... nem todos – o mais velho argumentou – estou velho demais para liderar nossos guerreiros, meu filho, da última vez te poupei porque ainda não tinha idade certa para isso, mas... infelizmente, acho que dessa vez você terá que marchar, mesmo que você não goste de ferir pessoas, você precisará matar para proteger a si e aos seus amigos, não é algo fácil de fazer e nem recompensador, mas... como futuro líder de Akai Ame, você deve saber que algumas partes ruins vem com as responsabilidades – o patriarca continuou, voltando a se sentar em seu trono.


–Eu entendo, meu pai, prometo fazer o melhor pelo meu povo e por nossa casa – o mais novo assentiu, dedicando um carinho gentil à mão do velho pai.


–Fukaku também falou para ser cuidadoso e paciente com o filho dele, pediu desculpas antecipadas pelo comportamento que o futuro senhor Shiroyama terá, mas deu garantias de que nossos guerreiros serão bem recebidos, nem que ele tenha que ordenar a todo seu exército que se curve a nós – o líder continuou, suspirando, cansado – eles têm uma visão distorcida das coisas, tente ter isso em mente quando for negociar com os shiroyamianos, algo que seria abominável para nós é normal para eles e vice versa... eu acredito em você meu filho, ajude a paz a ser mantida.


–Sim, meu pai, prometo que eu e nossos guerreiros faremos o melhor para proteger nosso país – Uruha assentiu, respirando fundo e se retirando do salão. Não gostava de pensar que teria que matar pessoas, não gostava disso e não queria fazer... mesmo assim, como prometera, faria o melhor, o melhor para proteger tudo aquilo que amava.


E foi olhando pela janela do corredor que mirou a paisagem elisiana de sua vila, casas pequenas e bem adornadas, pessoas felizes e sorridentes pelas ruas, animais e árvores nos meios das vias onde cavalos eram montados por guerreiros, um céu límpido de coloração vermelha, dando a aparência de água cristalina rubra sobre as cabeças de seu povo.


Não gostava do céu azul dos outros feudos, apesar de nunca ter visto um real. Já que o máximo que conseguira ver do mundo de fora fora a região além dos portões, e ali o céu já era tinha uma coloração rosada, mas as ilusões e barreiras faziam os estrangeiros verem como azul. Sorte que o mensageiro hibrido havia viajado durante a noite, quando o céu era tão escuro que parecia comum, e chegado no começo do dia ,quando a cor rosada parecia apenas um reflexo diferente do sol, pois os olhos do pequeno o faziam imune às ilusões.Tinha certeza que Reita entreteria o pequeno até o anoitecer, quando já seria seguro enviá-lo de volta.


Sentiria falta do céu vermelho de Akai Ame, sentiria falta da calmaria de sua vila... calmaria essa que parecia ter terminado naquele dia.


Notas finais
¹ Hana é o nome de um single do Alice Nine, personagens principais desse feudo ( curiosidade, hana virou abertura oficial do Alice nine channel)
² Vegas é o nome de um single muito popular da banda Screw, personagens principais desse feudo
³ bairros vermelhos querem dizer "prostíbulos"
¹* Inicialmente pensei em colocar o nome de alguma das bandas antigas do Uruha, mas nenhum ficou legal, então eu coloquei Akai Ame, que quer dizer "chuva vermelha", vão descobrir por que =]
Espero que tenha sido legal =]
Será q merece reviews?
O próximo cap vem na semana q vem, gomen, mas atualizar duas fics, viver fora de casa e ainda manter o costume de ler é dificil...
=]
beijo!