Ray, Mark e Boogeymon caminhavam pela Planície da Carga. Não era comum Ray andar por aí sem Kentarumon, mas ele preferira patrulhar as áreas próximas ao invés de treinar com eles.

– Onde nos estamos indo, Ray? Nós estamos caminhando a um tempão! Nós não precisamos ir tão longe para treinar! — disse Mark.

Ray removeu o cabelo suado da testa e respondeu:

– Nós não vamos ter um treino de luta hoje. Há outras coisas em que eu quero saber se vocês são bons.

– Hm, nós temos um mistério! Quais são as outras habilidades que nós temos que ter para sermos vigiadores? — perguntou Boogeymon.

– Vocês vão ver. — disse Ray sorrindo.

– Eu não gosto quando ele sorri. — disse Mark para Boogeymon.

Um tempo depois eles começaram a se aproximar de uma montanha pequena. Havia uma vila no caminho para ela. Mark e Boogeymon reconheceram o lugar.

– Não, Ray, nós temos que voltar! É a vila que nós tentamos roubar! — disse Mark.

– Sim. É por isso que eu estou trazendo vocês aqui. Vocês vão se desculpar porque vocês têm que se arrepender dos erros que cometeram no passado.

Eles estão aterrorizados.

Nós realmente temos que fazer isso? — perguntou Boogeymon.

– Sim, ou eu não vou mais aceitar vocês como puilos. — respondeu Ray.

– Colocando as coisas desse jeito...

Eles continuaram caminhando e logo chegaram na vila. Havia pequenos digimons por todo o lugar: Pumpkinmon, um digimon em forma de criança com cabeça de abóbora, Palmon, um digimon planta, Biyomon, um pássaro rosa e outros. Eles todos se viraram para o grupo que chegou.

– Olhem, os sequestradores bobão viraram escravos de Ray! — disse um Biyomon.

Todos os digimons do vilarejo riram. Mark e Boogeymon ficaram morrendo de vergonha, mas tiveram medo de dizer qualquer coisa.

– Eles têm duas palavras para dizerem a vocês. — disse Ray.

– Você não vai explicar que nós não somos seus escravos? — disse Mark.

– Hã... Não. Vamos lá, eles estão esperando.

– O que nós temos que dizer?

– Caham. Olá. — disse Boogeymon enquanto dava um passo adiante – Hum... Está um dia quente, não é?

Algo verde veio voando e caiu na sua grande cabeça. Era Minomon, o inseto em-treinamento numa concha.

– Olá, Boogey-Boogey! — disse ele.

– Oh, oi. — ele pegou o pequenino. Os outros digimons da vila ficaram inquietos, mas Ray disse que estava tudo bem. Boogeymon pôs Minomon na altura dos seus olhos e disse: — Eu não tinha notado que você era tão fofinho.

– E você é terrivelmente feio. — respondeu o inseto.

– Eu acho que você devia dizer algo, Mark. — disse Ray.

Mark estava quieto e nervoso, mas ele falou.

– Bem. Vocês devem estar com raiva de nós e vocês têm razões para isso. Nós, eu e Boogeymon, éramos pessoas ruins. Mas então nós conhecemos Ray e os outros caras, e nós aprendemos que podemos vivers de outro jeito. Ai meu Deus, eu tô tão nervoso.

Ele estava tremendo dos pés à cabeça.

– Vá em frente, você está indo bem. — disse Ray.

– Bem, nós estamos aqui pra nos desculpar. Nós realmente nos arrependemos de nossas ações ruins. Nós estamos tentando mudar e queremos que vocês nos perdoem.

Todo mundo estava em silêncio. Então os digimons disseram:

– OK!

Todo mundo continuou a fazer o que estava fazendo antes.

– Isso é tudo? — perguntou Mark.

– Bem vindos à Vila da Carga! — disse outro Biyomon quando ele passou voando sobre eles.

– Então é minha vez de falar. — disse Ray. Os digimons pararam e o escutaram – Esses caras aqui são bons fazendo praticamente qualquer coisa. Como um pedido de desculpas por todo o mal que eles causaram a vocês, ou tentaram, eles vão ajudar nos seus serviços de casa e deveres hoje!

– Ay, viva! — exclamaram os digimons do vilarejo.

– Nós realmente temos que fazer isso, Ray? — perguntou Mark.

– Sim.

Então eles começaram a trabalhar. Biyomon pediu para Mark varrer o chão de sua casinha. Era uma tarefa difícil porque ele não conseguia entrar na casa por ela ser muito pequena, mas ele conseguia alcançar o fundo dela com a ponta da vassoura. Depois que ele terminou Pumpkinmon chamou ele para consertar o telhado de palha de sua casa. Um vento forte tinha levado parte dele embora, então Mark teve que pegar palha no depósito e amarrá-la. Enquanto isso Boogeymon carregava baldes de água da fonte. Eles gastaram toda a tarde varrendo as alamedas do vilarejo, brincando com as crianças, pegando madeira e cultivando a horta. No final do dia eles estavam exaustos. Eles tiveram um tempinho para descansar e se juntaram a Ray, que estava sentado ao lado de Yuki Agumon, o chefe da vila. Ele era um lagarto novato de uma cor turquesa pálida. Ele estava sob um teto de palha sem paredes cercado de ventiladores.

– Este calor está me matando... — disse ele – Os digimons da vila estão muito felizes. Vocês estão sendo de grande ajuda.

– Que bom, porque nós estamos trabalhando como cães! — disse Mark.

– Hahaha! Eles são engraçados! — disse Yuki Agumon.

Mark e Boogeymon olharam para ele perplexos. Então Boogeymon disse:

– Eu estou cansado como se estivesse no inferno, mas estou feliz também. Isso é tão estranho.

– É isso que um vigiador de verdade sente. — disse Ray.

– Então nós somos deifnitivamente vigiadores agora?

– Sim, vocês são. Eu não tenho dúvida ouvindo você dizer isso.

Ray recebeu uma mensagem no seu celular. Enquanto ele lia, se levantou.

– Kentarumon está nos chamando. Vamos, pessoal.

– Adeus e obrigado por tudo! — disse Yuki Agumon.

Os digimons da vila disseram adeus para eles quando eles passaram. Boogeymon levou Mark e Ray nos ombros porque ele podia andar mais rápido que eles. De fato, levou apenas vinte minutos para cruzar a Planície da Carga e chegar em uma cidade pequena. Ray e Mark desceram ao chão. Não havia ninguém por ali. Eles ouviram vozes vindo de algum lugar perto e seguiram-nas, passando pelas ruas e pequenos edifícios da cidade. Virando uma esquina eles viram Kentarumon cara a cara com uma digimon meio gato meio humana. Ela tinha forma humana com coxas grosas, manchas de leopardo por todo o corpo, um cabelo longo e vermelho preso numa trança e um lenço de seda cobrindo a boca. Ela usava várias joias de ouro, a maioria delas anéis, em diferentes partes do corpo. O lenço que ela usava era transparente, então seu sorriso malevolente podia ser visto. Ela tinha longas garras nas mãos e nos pés.

Ao redor desta digimon e Kentarumon havia vários digimons mutantes. Alguns deles tinham corte fundos. Ray, Mark e Boogeymon se aproximaram.

– Hmm, mais crianças para brincar. Eu realmente estou sedenta por sangue! — disse a digimon meio gato.

– Seu inimigo sou eu. — disse Kentarumon.

– Mas e u gosto de aterrorizar essas crianças! — disse ela, então se virou para um Sukamon ali perto, um mutante amarelo em forma de espiral, pegou sua única antena e levantou-o do chão. Ele sacuidiu seus longos e magros braços desesperadamente quando ela ameaçou-o com as longas garras de sua mão livre. Kentarumon avançou na sua direção e ela jogou Sukamon nele. Ele agarrou o digimon amarelo enquanto parava subitamente, seus cascos deslizando, então colocou-o gentilmente no chão. Ele flutuou para longe.

Boogeymon veio como um foguete e atacou a felina com seu tridente. Ela reagiu rapidamente segurando uma ponta da arma com suas garras. Eles lutaram ferozmente mas ela conseguiu empurrá-lo para longe e ele caiu no chão.

– Dois contra um? Isso não é justo. — disse ela em tom de zombaria.

– Injusto é machucar todos esses digimons! — cuspiu Mark em um acesso de raiva.

– Vão embora todos, nós podemos lutar contra ela. — disse Ray.

– Eu gostaria de ajudar, mas estou muito machucado. — disse Nanimon, uma bola barbuda com membros musculosos. Ele tinha cortes profundos no seu braço esquerdo.

– Não tem problema. — respondeu Ray.

Os digimons da cidade foram embora, desaparecendo de vista atrás dos prédios. A meio-gata não parou de sorrir com malícia.

– Vocês acham que estão salvando eles, mas só estão adiando o seu sofrimento. Agora, — disse ela, lambendo os lábios – eu vou provar o gosto do sangue de vocês.