Vigiadores do Mundo Digital
7 Dançando com o Diabo
Notas iniciais
Os digimons da cidade foram embora, desaparecendo de vista atrás dos prédios, deixando Ray, Mark e seus digimons sozinhos com a meio-gata. Ela não parou de sorrir com malícia.
– Vocês acham que estão salvando eles, mas só estão adiando o seu sofrimento. Agora, — disse ela, lambendo os lábios – eu vou provar o gosto do sangue de vocês.
De repente ela começou a mezer os quadris energicamente em uma dança. Os vigiadores ficaram hipnotizados por ela, tanto que nenhum deles podia se mover. Ela dançava sem parar, e a dança era sensual. Ela se aproximou deles chacoalhando o busto. Ela estava próxima de Boogeymon e ele estava completamente seduzido. Ela se aproximou tanto que quase tocava ele, pôs sua boca perto de seu pescoço, puxou o lenço de seda do rosto e abriu a boca, mostrando seus dentes afiados. Neste momento ela parou de dançar.
Kentarumon moveu-se como um raio e agarrou a trança dela e puxou. Ele segurou-a firme e encostou sua outra mão convertida em um canhão no rosto dela. Uma luz surgiu na boca do canhão e a meio-gata gritou porque ele queimou sua pele.
– Eu acho que você não pode seduzir mais de um ao mesmo tempo. — disse Mark.
– Eu estava distraída. — ela disse em sua própria defesa.
– Você quase me pegou, mas agora é o seu fim! — disse Boogeymon.
– Sério? Porque eu tenho vocês exatamente onde eu quero. — ela disse e depois acrescentou: — Helter Skelter!
Kentarumon soltou-a e como se estivesse sendo controlado por um encantamento começou a dançar, assim como todos os outros, menos a meio-gata. Ray e Boogeymon começaram a dançar juntos, e a meio-gata se juntou a Kentarumon e Mark.
– Hahaha! Bons garotos, vocês estão dançando bem! — ela disse.
Embora eles mantivessem suas consciências e lutaseem para assumir o controle sobre seus corpos, eles simplesmente se moviam contra a própria vontade.
– Ninguém dança como vocês!
Ela chutou a perna direita de Kentarumon.
– Vocês comunicam tanta emoção pelos seus movimentos!
Ela arranhou as costas de Boogeymon.
– Vocês são charmosos!
Ela se preparou para enfiar suas garras na barriga de Kentarumon, mas uma pedra atingiu sua cabeça naquela hora e ela parou. Ela virou-se. Sua voz raivosa soou quase como o rugido de uma onça.
– Quem está aí?
Ele olhou para todos os lados, mas não pôde ver ninguém.
– Quem está aí? — ela perguntou de novo.
Quando ninguém respondeu, ela voltou sua atenção para os vigiadores. Mas então outra pedra veio voando e dessa vez a meio-gata notou-a e prendeu-a entre duas garras. Agora ela também viu quem jogou a pedra. Era Sukamon.
– Helter Skelter!– disse ela.
Ele parecia terrificado, mas começou a dançar e se aproximou girando, pulando e movendo os braços como uma bailarina. Todos continuaram a dançar como se estivessem em uma festa. A meio-gata decidiu abusar de Sukamon, então ela pisou nele uma, duas vezes e então ela agarrou sua antena e levantou-o no ar. Os braços dele continuaram a se mexer.
– Você é tão nojento! Você não merece nem ter o seu sangue chupado.
Ela agarrou sua grande língua, que estava para fora de sua boca.
– Eu vou cortar sua língua. Eu vou fazer você sofrer muito antes de morrer!
– Não! — ouviu-se uma voz gritar.
Era um Chumon, um rato roxo bem pequeno com um olhar insano que apareceu ali naquela hora.
– Não machuque Sukamon! — disse ele.
– Hehe, você veio para ver a morte de seu amigo?
– Não, vá embora daqui! — disse Boogeymon.
– Veja-me cortar sua língua! — disse a meio-gata.
– Por favor, não faça isso! — implorou Chumon.
Naquele momento os vigiadores obteram o controle de seus corpos de volta. Os digimons pararam para descansar porém, porque estavam machucados. Kentarumon estava de joelhos dobrados porque a ferida na sua perna tornava difícil para ele se levantar.
– Não... machuque... ele! — disse Kentarumon.
Ele se levantou e avançou com seu braço canhão faiscando com raios e pronto para atacar. Ele disse "Heat Uppercut" e desferiu um soco em direção à felina. Ela agachou no momento certo para evitar o ataque e revidou com um corte dilacerante na cocha de Kentarumon. Ele recuou mancando e segurando sua perna.
– Minha vez! — disse Boogeymon.
– Espere! — ordenou Mark – Use um dos seus feitiços!
– Hã, mas qual?
– Eu não sei! Qual poderia ser?
– Vocês são tão chatos! — disse a meio-gata. Então ela jogou Sukamon para o alto. Ele gritou. Ela cortou-o e ele se tornou uma nuvem de zeros e uns que se espalharam para todos os lados até se tornarem invisíveis.
– Nããão! — gritou Chumon.
– Você é horrível! — disse Mark.
A tensão no ar aumentou com uma intensidade incrível.
– Deixe-me matá-la, Mark. — disse Boogeymon.
– Não, não ataque instintivamente! Você já viu que ela é mais forte que você, você deve usar sua cabeça! — disse Ray.
Mark sabia que Boogeymon tinha que usar um dos feitiços tatuados na sua pele. Mas qual?
– Já sei! Use o feitiço na sua testa! — ele disse.
– Aquele? Você tem certeza? — questionou Boogeymon.
– Eu sou seu domador! Não me questione!
– OK, lá vai... — disse o digimon demônio. A tatuagem na sua cabeça, que se parecia com um arabesco curvo, brilhou por um segundo. Depois disso a meio-gata pôs as mãos na cabeça, baixou os olhos e começou a gritar.
– Seu idiota! O que você fez? — disse ela.
Ela ergueu os olhos e eles estavam cheios de ódio.
– Uma dor de cabeça não vai me parar!
Ela avançou furiosa contra Boogeymon. Ela tentou cort=a-lo continuamente, mas ele bloqueou cada investida com seu tridente.
– Kentarumon, use o Canhão Perseguidor! — disse Ray.
Kentarumon atirou uma bola de energia que voou direto para a meio-gata e explodiu deixando fumaça em seu lugar. Boogeymon foi jogado para trás e caiu de costas no chão. A batalha poderia ter terminado naquele momento, mas a fumaça foi soprada lentamente pelo vento e a meio-gata estava ali ainda, ferida, mas inteira. Ela tinha uma carranca enorme.
– O jogo acabou. Helter Skelter!
Eles todos começaram a dançar e ela fez um grande arranhão no peito de Boogeymon. Ele gritou. Então ela se a proximou de Kentarumon e perfurou a parte de baixo de seu abdome com as três garras de sua mão.
Então ela fugiu correndo pulando longas distâncias enquanto eles continuaram a dançar apesar de seus ferimentos.
Depois de alguns minutos que pareceram ter durado muito mais o encantamento passou. Os vigiadores correram imediatamente para cuidar dos seus digimons. Logo os habitantes da cidade se aproximaram trazendo remédio. Kentarumon e Boogeymon foram carregados para um prédio e os digimons mutantes enfaixaram seus ferimentos.
Eles ficaram na cidade descansando. Mark estava silencioso e ficava separado dos outros a maior parte do tempo. Ray se aproximou dele quando ele estava olhando para o jardim do prédio
– Nós tivemos uma derrota hoje mas isso acontece às vezes. Infelizmente nó não somos invencíveis. — disse Ray.
– É minha culpa se Boogeymon está ferido. Eu devia ter pensado mais antes de dar ordens a ele.
– Bem, não seja tão duro consigo mesmo. Nós lutamos contra um oponente muito mais forte hoje. Nem eu estava preparado para enfrentá-la.
Ray suspirou.
– Vamos treinar mais duro e continuar cumprindo nossos deveres. — ele concluiu.
Ele deu um tapinha nas costas de Mark e voltou para dentro do prédio.
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