Viez-Vermelho Nº1

2 Os mortos de Cobá


"Quase achei que você não tinha assimilado que era eu, mas quando atirou na minha mão" comentou Adepto enquanto enfaixava a mão.
O outro garoto jogado no chão, sério respondeu"se eu não atirasse íamos perder o elemento surpresa". Com um movimento de mão Adepto puxou um livro com magia.
"Aquele cheiro" comentou.
"Aquele lugar" e concordou. A porta abriu sem delicadeza, uma senhora baixa e gordinha entrou no quarto."Ah meu deus, deixe me ver sua mão! Isso pode causar uma infecção, sabe o quanto de pessoas que amputam mãos anualmente?" e continuou falando desenfreadamente até o garoto que estava deitado levantar e dizer"mãe".
Ela limpava o machucado do Adepto e com um olhar sem graça percebeu o quanto estava sendo inconveniente"Desculpa Merino, bem é força do hábito...eu vou voltar a fazer as coisas na cozinha". Quase saindo do quarto ela se virou e disse"ah, ia falar pro Jonathan que houve uma noticia sobre o lugar de onde ele fez intercambio ano passado"
Adepto sem entender disse"e-eu intercâmbio?", Merino percebendo reforçando com uma expressão afirmativa"é, o intercâmbio" e o garoto concordou rapidamente"claro, claro!". A mãe de Merino balançou a cabeça negativamente rindo"garotos tão jovens e cabeça de vento."
Ao fechar a porta os dois se entreolham "Você esperava que eu dissesse o que das fotos que postou no México?", a televisão é ligada.

"[12/09/2016] Cobá, México.

Um grupo de turistas visitavam a antiga cidade maia num dia ensolarado, guias e vendedores trabalhando no turismo local, enquanto crianças andavam pelas estelas de cobá quando um cheiro forte se espalhou e fez a área ser isolada. Autoridades locais não souberam responder o que seria, mas a neblina local permaneceu e a interdição permanece até novas informações." e a tv foi desligada.

O rosto animado do Jon era extremamente irritante pra Merino, quando o sorriso foi formar palavras o outro garoto interrompeu ele"NÃO, você não vai bancar o herói de novo, nós não somos heróis". Adepto formulando argumentos disse"então por que temos essas capacidades se não pra...", respondeu diretamente"eu sou um experimento ou melhor vários experimentos que deram errado pra me curar de uma doença e você, você..." "eu sou um menino possuído por um demônio familiar que não podia ser contido?" afirmou como se achasse as palavras certas
"é, é isso", ao ver a cara do Adepto se entristecendo ele percebeu como as palavras saíram errado "cara, eu não quis...ah você sabe, não é", o garoto virou o rosto olhando bem nos olhos de Merino enquanto lágrimas caiam, um chiado muito forte começou e chamas roxas se abriram em círculo.
"Ei, espera!" pediu enquanto se equilibrava levantando, Adepto olhou, mas continuou entrando no portal"eu não posso esperar pelo viez-vermelho, se ele não existe". O garoto passa pelo portal e Merino puxa sua manga atravessando junto.

Os dois apareceram num sol intenso no meio de uma praia, Jon virando-se com ar de indiferença"Península de Yucatã, seu corpo ia precisar se acostumar com a latitude", ao dizer isso Merino começa a se asfixiar, seu corpo se adaptou ao urbano e a diferença de latitude era fatal. "Mas acho que logo suas células voltam ao normal". Ganhando cor novamente ao corpo, Merino levanta e complementa"e também precisaríamos de um lugar pra colocar essas fantasias", se trocando na praia deserta os dois garotos se preparavam silenciosamente para entrar na cidade de Coba.
"Ah não seria nada inteligente entrar com um portal,cheio de autoridades procurando um responsável..." dizia Adepto até ser interrompido"xiu, eu acho que ouvi algo", eles se abaixaram e ouviram passos no meio da névoa.

O clima quente escondia as mortes local, mortos passarvam por ali a todo momento, "senão fossem os ritos funerários feitos para acalmar esses espíritos, isso tudo seria um proble..", merino empurra Adepto
"ai,por que você..?", uma faca enfiada no ombro de Merino, seu sangue começou a escorrer, o morto atrás dele virou pó novamente.

"Excelente" disse uma voz que não era clara a origem.
Um grito foi ouvido, logo foi abafado. Um casal jovem perdido na neblina, pareciam em transe."Se continuarem aqui vão morrer e ficar presos" disse Adepto.
Outro grito, a esposa ouviu e despertou, mas ainda confusa, o marido ficou quase consciente. "allub aletut" disse Adepto, criando uma bolha em volta deles, ela estava assustada.
Uma lança com ponta de obsidiana foi lançada do topo da Pirâmide no Adepto, que desviou, mas se cortou levemente e instantaneamente a bolha se abriu. A lança encravada no chão acertou o braço do homem também,, a lâmina negra estava envolta de um plasma roxo, todos se voltaram para a pirâmide calados e em choque.

Um ponto pequeno estava exclamando palavras como um sortilégio, . Olhando mais de perto, era um homem aparentemente jovial, cabelos longos e trajes maias com uma criança amordaçada no chão. O sol se tornava vermelho e forte e sua faca foi em direção a criança.

Acima da pirâmide abriu-se um vórtice de fogo que sugou e jogou os dois pro céu. Adepto caindo em queda livre sem conseguir conjurar nada na mesma direção que Merino, que se afundou numa posição direto pro chão abraçando ele.

Se levantando da queda, ele foi na direção da criança, no instante que ele segurou ela, o maia enfiou uma faca no peito e a criança desapareceu. Seu sangue jorrou e ele caiu de joelhos, o homem apunhalou com mais uma faca, e mais uma vez nas costas com outra. Durante a luta Adepto descia numa velocidade anormal para proteger o casal e ao ver Merino caído ficou paralisado.

Merino puxou os pés do agressor que caiu de frente a ele"você tem cheiro de morto", puxando uma faca de um metal esverdeado ele cortou sua perna e aspergiu sangue no inimigo. O homem teve seu corpo fervendo como se fosse ácido e agonizando continuou repetidamente a tentar cortar ele.
O corpo jovem se tornou novamente um esqueleto , e o sangue fazia um cheiro de algo queimando. "Eu tinha percebido que não era um homem vivo, e achei que destruindo seu vínculo ele sairia do controle"
"bom chute" disse o adepto "dê os créditos para as bactérias comedoras de carne que meu sangue metabolizou externament.." Merino começou a se engasgar e a fumaça ficou mais densa ao redor dele, deixando-o o campo de visão do Adepto limitado.
Quando o viu arregalou os olhos "videtur" e nada aconteceu. Mas uma horda de novos mortos apareceram e vieram em direção dele, com os passos deles a névoa se dissipou e Adepto olhou com fúria ao ver seu parceiro no chão e disse com ódio"Hemonare", transformando tudo em sangue.

Merino retomava a consciência, enquanto o vírus se mutava, a pele dele estava vermelha, sua respiração ofegante e ele suava de febre. O guerreiro maia derrotado voltava a vida novamente se materializando com o sangue dos outros mortos que foi jogado ao chão.
Adepto acenou com a cabeça, ele já havia entendido, o sangue era o catalisador do espírito, alguém tinha evocado ele e prendido a todo sangue que podia, mas esgotado, ele só conseguia ofegar. O corpo de Merino finalmente havia voltado ao normal e novamente ele parte pra cima do guerreiro e joga seu sangue nele.
—Suere— recitou Adepto, a ferida de Merino fechou. O guerreiro aos poucos envelhecia e virava pó, enquanto Adepto avistou de outra pirâmide uma sombra batendo palmas.

"Well, well, well muito bom meus jovens" disse uma voz amplificada. A névoa se dissipou, o casal em lágrimas tremia com o trauma, e várias viaturas foram pro local, Adepto com sua última carga energética abriu o portal já deitado no chão e eles desapareceram do local.