Viez-Vermelho Nº1
3 Ação de Graças
[12/10/2016]
Adepto terminava de preparar o peru de ação de graças, Viez-vermelho lia sua décima edição de um HQ qualquer, enquanto a tv fazia som ambiente pra cozinha da casa dos pais do Adepto. O silêncio é quebrado quando Viez bateu na mesa e disse com insatisfação"A Morte contratou nós dois faz um mês, alguém está burlando as coisas e não que eu me importe, mas favores com a morte são bem consideráveis". Adepto tentando não expressar o incomodo, mas deixando bem evidente fez um som com a garganta como "Ugh! Ug!", colocou o peru sobre a mesa e disse olhando com os olhos fixos no Viez e seus pés sobre a mesa"O que combinamos sobre falar de trabalho em dias religiosos?".
Levantando da mesa e arrancando uma coxa do peru Viez respondeu"Você não é cristão e tem um demônio dentro de você esperando algo dar errado, não falamos disso...", os olhos de Adepto fixos na boca de Viez enquanto ele mexia a boca e suas palavras não saiam, e sorrindo Adepto conclui"Acho que comida de ação de graça é quase tão boa quanto a de natal". A televisão parou de pegar que no momento em que o Vermelho tocou no assunto demoníaco de seu parceiro voltou, a telejornalista dizia"Assalto ao banco central, mais informações com a correspondente Elizabeth Juet", ao passar para a jornalista na cena, o som de helicóptero e dos bombeiros era quase ensurdecedor e sua voz gritava de dentro do helicóptero "Não sabemos direito o que está acontecendo aqui, mas uma explosão de gás foi detectada na rua Alfred e logo depois de uma denúncia todo o policiamento foi desviado, enquanto acontecia duas ruas a frente o descarregamento de um artefato que iria passar a noite antes de ser entregue no dia seguinte ao seu dono".
Viez que tentava falar esse tempo todo, voltou a falar e gritando disse"Me deixa falar..." até que percebeu estar falando, Adepto disse com tom intuitivo"Artefato misterioso, explosão e roubo, quais as chances de estarmos diante de um morto?", Viez respondeu num tom seco"Poucas, muito poucas" , Adepto tentou refutar"Mas..." e o Vermelho respondeu em tom conclusivo"Mas não somos heróis, não tente ser, não somos e sabemos".
Por um momento a televisão ficou preta, Viez olhou pra Adepto e ele levantou as mãos gesticulando algo como"não fui eu", e a jornalista da cena voltou a aparecer"Algo estranho está acontecendo, o esquadrão de choque ao entrar foi alvejado com um nevoeiro, todos estão nauseados e tontos", um estrondo foi ouvido e o helicóptero tremeu, minutos depois ela retornou novamente"Inacreditável, isso parece magia, algo está mudando de forma, não consigo ver, um cheiro de cloro está subindo", depois dessa frase veio o seu grito"AAAAAAAH ARDE", e uma voz maliciosa"Nunca gostei de câmeras, mas para quem me vê prazer, bom...não tenho um nome legal ainda, mas podem me chamar de Níquel" e o Helicóptero apareceu em alguns momentos, depois alguns apagões na câmera e a filmagem estava dentro do banco com todos os policiais entoxicados e deitados no chão.
Viez virou-se e disse " Nada de morto, os defuntos descansam em paz", o som da porta bate e ele acena negativamente com a cabeça. O portal aberto, e ouvindo Adepto entrar, ele veste sua mascará vermelha que estava na mesa e desliga a tv, indo atrás. Adepto chegando no local viu uma nevoa clara e bem calma se expandindo sobre a cidade e estranhamente todos os pertences aparecendo dentro do banco. Quando chegou mais perto, seu colar roxo que carregava a jóia de ametista que prendia o demônio foi tocada, uma mão começou a puxar-la do meio da névoa o colar se manteve, era selado magicamente e repelia qualquer tipo de força, então a névoa ganhou um rosto pálido, parecia um menino com cabelo loiro e pupilas azuis desbotadas a um azul quase branco, ele suspendia Adepto no ar e soprava nas narinas de Adepto algo como um gás e o colar de Adepto tinha a mão demoníaca saindo e asfixiando ele, que foi suspenso no ar e caiu no ar solto.
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