Estranhamente percebi, observando um jogo de video game, o quanto este poderia ser semelhante a um relacionamento ou ainda como poderíamos tirar importantes lições analisando a diferença e as angústias de um video game sendo jogado por uma ou duas pessoas.

Considero bastante nítido o poder de movimento ou de impulso presente na competição. Poderia afirmar que uma competição saudável era a base para tudo. Assim sendo, não poderia ser diferente se tratando de um relacionamento.

Se um relacionamento sincero precisa de um diálogo sincero, carece também, acima de tudo, da vontade, de ambas as partes, de falar(abertamente). Para tal, é crucial, sendo também involuntário, que haja uma competição, ainda que leve ou até mesmo mental, para que se tenha o desejo de resolução do problema. Já que, por mais rude que possa parecer, a briga, quando sensata, é a maior forma de se entender e superar um impasse, seja em qualquer tipo de relacionamento.

Entendia por video game jogado com apenas um controle, algo aparentemente individual, mas em que havia o interesse de dois. Não mais espera-se a vez do outro para falar ou jogar, mas sim para ofender. Torce-se constantemente, desesperadamente para a perda ou o deslize do outro, para a tentativa, frustrada, de provar a superioridade, esquecendo não só o esforço do outro como também sua presença, sendo claramente neutralizada pela ânsia de vencer. Com a neutralização do jogador, vem também a neutralização do problema, fazendo com que este não mais tenha importância ou ainda que os participantes usem o famoso ditado: “o que não tem remédio, remediado está”, já que perderam o interesse no outro, assim como no jogo perde-se o interesse no desempenho do outro, apenas espera-se a vez de jogar.

Enquanto que no video game jogado a dois, os dois querem estar ali e admitem a importância do outro, pois sem este não haveria jogo e indo mais além não haveria também felicidade. Há a presença de briga, tristeza ou desentendimento apenas para que haja um novo jogo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!