Notas iniciais
Oee, tudo bem com vocês? Voltei rápido, não? Enfimm, espero que gostem desse capítulo muahahaha

Jesse

As coisas não poderiam estar piores. É como se, de uma hora para outra, tudo começasse a dar errado. Eu, pai? Isso não vai dar certo.

Gosto de Amy, desde a primeira vez que a vi tenho certeza disso. Mas gostar é o bastante? Gostar é o bastante para ter um filho com ela? Não tem nem como eu vacilar antes de dizer não.

— Se for menino, vai se chamar Liam, se for menina, se chamará Lisa.

Resmungo qualquer coisa e continuo anotando as lições da aula de hoje em meu caderno.

— O que você acha, amorzinho?

Mordo a parte interna da bochecha, chateado.

— Tudo bem.

— Poderíamos… poderíamos… nos casar, e sair do alojamento — murmura ela.

Contenho uma risada. Casar? CASAR? Só se for com minha porção de batatas fritas.

— Nem brincando, Amy — digo, finalmente olhando-a com um sorriso.

Ela está deitada nua em minha cama, com uma mão na barriga. É extremamente bela, rosto angelical, cabelos curtos recém cortados, corpo escultural, mas não consigo me imaginar casando com ela.

— Por que não? Quero dar uma vida confortável para a pequena Lisa ou pequeno Liam… Imagina se forem gêmeos? Lisa e Liam — ela se senta na cama, com as pernas dobradas.

— Desculpe, Amy, não quero me casar — resmungo e volto a escrever em meu caderno.

Sinto que ela continua com os olhos presos em mim, porém não quero olha-la, não quero mesmo.

— Tem muitas coisas que eu não quero, Jess, ficar grávida de um idiota estava no topo da lista.

— # —

— Sabe qual meu sonho, morena?

— Não — murmura ela. Angelina está sentada na ponta da cama e eu bem no final, encostado na cabeceira e abraçado aos meus joelhos. — Não vou saber se você não me falar.

Meus lábios se entortam em um sorriso.

— Ir embora daqui, desse alojamento, com alguma garota. Não me casar com ela, sabe? Não quero me casar. Casamentos arruínam tudo — conto. Meus olhos estão fixos nos ombros de Angelina, observando cada sardinha, cada pintinha, cada detalhe. — Alugar um apê, com no máximo quatro cômodos e ficar com ela lá, fazendo sexo o dia todo até nos formarmos nessa faculdade medíocre e… e aí… e aí… arrumar uma moto com ela e sair por aí… dirigindo.

— Por que não faz isso com Amy? — pergunta.

A pergunta fica no ar durante alguns instantes. Não tem uma razão aparente. A não ser o óbvio.

— Não sei — respondo. — Acho que… ela só não é a garota certa.

— Provavelmente ela vai odiar o vento bagunçando o cabelo.

Rio baixinho.

— E o seu?

— Meu cabelo? Meu cabelo é uma bosta e vai continuar uma bosta com ou sem vento.

Não seguro a risada e deixo ela vir.

— Não, seu cabelo não, seu sonho.

— Ah… — ela alisa o ombro e joga os cabelos por cima dele. Pensa um pouco antes de suspirar. — Sempre quis publicar meu livro, beijar na chuva e ter sentimentos correspondidos.

— Porém as coisas não são fáceis. Sempre tem um porém — digo, deprimido.

De novo, o silêncio paira no ar. Até que Angelina se vira, e engatinhando na cama, se aproxima de mim.

—- E se eu for a garota, Jess? — diz baixinho. Seu rosto está tão próximo do meu, seu cheiro doce tão inebriante, seu rosto tão maravilhoso na penumbra do quarto que não respondo. Estou assustado, meu coração bate forte. Algo não parece… certo.

Seus lábios comprimem no meu, doces, calmos e envolventes. Ele vem esquentando aos pouquinhos e eu deixo minha mão seguir automaticamente até seu rosto, para fazer uma leve carícia. O beijo está tão bom e eu estou tão confuso que quando termina, eu fico alguns segundinhos atordoado.

— O que está fazendo, morena?

Angelina

— O que está fazendo, morena? — pergunta ele, assustando.

Fico sem palavras, porque ele parece mesmo não querer corresponder. Não sei o que deu eu mim. Acho que estou desesperada. Desesperada, porque qualquer um parece ser melhor que o irmão mais velho dele, e eu prefiro sei lá, Jess do que Nathan, embora o comprometido da estória seja justamente o que acabo de beijar. Acontece que, para mim está mais que claro que Jess não gosta de Amy. Não sei bem, não sei se vai me entender.

— Desculpe — peço, bufando. — Desculpe mesmo. Sinto muito. Ah, que porra, Jesse, não, não sinto muito não, estou com medo!

Jess me encara com um grande ponto de interrogação bem estampado na cara.

— Como é?

— É que… não quero gostar de seu irmão, ele é tão mesquinho, enquanto você é tão… sei lá! O oposto! Não espero que entenda, Jess! Só estou com medo!

— Está apaixonada por Nathaniel?

Bufo.

— Não! Que caralho! É claro que não! Seu irmão é um otário e… — a boca de Jess está na minha. De novo.

Jesse

Não penso direito. Não quero pensar. Quero apenas tirar Amy da cabeça, me vingar de Nathan e esquecer um pouco o que é ter um relacionamento, a fidelidade e todas essas regras impostas. Espero esse momento há tempos, me vingar de Nathan por todas as minhas ex-namoradas que ele tomou posse. E sim, eu sei que ele fez isso. Mas é mais do que isso, não é só uma vingancinha boba, é uma atração, uma vontade louca de ter Angelina. É desejo, algo puramente carnal.

Vou descendo os lábios pelo pescoço de Angelina, sentindo cada detalhe, mordendo e chupando, para deixar marcas. Ela geme baixinho em meu ouvido, e aos poucos, vamos nos livrando das roupas.

— Jess — murmura ela. — O que estamos fazendo?

Nos deitamos na cama, e me ponho sobre ela. Quando nossos corpos se colam, sinto o choque térmico, o que faz uma nova onda de prazer percorrer todo o meu corpo, e o meu coração aumentar o ritmo consideravelmente. Em uma velocidade notável, Angelina e eu trocamos de posição, seu corpo fazendo pressão no meu, de uma forma que me proporciona a insanidade.

— O que você acha? — sussurro em seu ouvido e roço o nariz em seu pescoço, sentindo seu cheiro doce e bom.

Volto a beija-la na boca, abro mais suas pernas sobre mim e pego em suas coxas, apertando e alisando.

— Jess, somos amigos, não é? — a morena pergunta, enquanto tenta puxar meu jeans para longe do corpo, ao mesmo que me beija insaciavelmente.

— O que você quiser — murmuro. Do nada, a boca de Angelina não está mais junto da minha, a temperatura do quarto cai bruscamente e algo ali falha.

— Amigos não fazem essas coisas — diz, e segura meu rosto, me obrigando a encara-la nos olhos.

Angelina

Enquanto Jess e eu estamos prestes a fazer sexo, não consigo deixar de pensar no quanto isso é ridículo. Não posso tentar esquecer um, usando outro. É como se enxugar usando uma toalha molhada.

— Amigos não fazem essas coisas — digo, olhando as incríveis orbes cinzentas de Jess.

Jess tira seu corpo de cima do meu e fica de joelhos na cama, decepcionado.

— Desculpe — murmuro, abraçando meus joelhos e afundando a cara nas mãos. — Isso foi meio tenso, né?

— Não faz mal, morena — suspira. Jess chega de mansinho até mim, e rodeia o braço por meus ombros. Ele beija-os e eu sinto meu corpo todo se arrepiar com o toque. — Seria legal se você fosse a tal garota.

Procuro a mão dele e entrelaço nossos dedos.

— Eu adoraria — reviro os olhos —, é claro que tirando a parte do sexo o dia todo…

Não diz nada. O silêncio toma conta, até que ele se levanta, acende o abajur e busca a calça jeans no chão. De novo meu olhar fixa na coisa escultural dele que chamam de bunda. Meu Deus, que pecado.

— Sinto muito também, morena — ele se vira, enquanto enfia uma perna na calça. — Não vou mentir, morena. Eu só fiz isso pensando em mim mesmo, o.k? Estou com raiva, de Amy e de Nathan. Porque Nathan sempre rouba minhas namoradas. Amy é a unica fora da lista até agora, daí eu pensei “por que não ficar com a conquista dele?”. Sinto muito.

Isso quer dizer que… somos Jess e eu seguindo numa única estrada? Um único caminho? Preencher seu próprio ego.

Jesse

Ela fica me olhando durante um tempo indeterminado. Sua pele acobreada me parece mais bela e aveludada na luz incandescente do meu pequeno abajur antigo em cima do criado mudo. Usa lingerie turquesa, que lhe dá um charme puramente angelical. É sexy e combina com seu jeito, com seu corpo, com seu nome. É o que eu chamo de perfeito. E, no entanto, está tudo arruinado.

Angelina se levanta, e fica cara a cara comigo. Me preparo mentalmente esperando o tapa que com certeza vai doer pra porra, mas em vez disso, o que chega a mim é a maciez úmida de sua boca contra a minha. Pouso minha mão em suas costas e fecho meus olhos.

— Somos dois, Jess — murmura em meu ouvido. — Não se sinta culpado.

Ela pega minha mão que está em seu dorso e a guia um pouquinho mais para cima, achando o fecho de seu sutiã. Enquanto o abro, permito explorar com a boca seu pescoço, seus ombros… todo o gelo que havia sido instalado momentos antes volta a ser substituído por um calor, presente em nós e no ar em nosso entorno.

Sem mais perder tempo, com toda a pressa, o medo e o saber do quão é errado o que estamos fazendo, não demorando estamos na cama. Eu embaixo, Angelina em cima. Angelina embaixo, eu em cima. No tapete. Sentados. No chuveiro. Em pé, uma última vez em frente a porta.

Quando finalmente terminamos, e ela já partiu, algo me diz que sim, sem dúvidas Angelina é a garota, a do sonho.

Angelina

Vou direto para o quarto de Alyssa. Ninguém entenderia melhor. Ninguém evitaria julgamentos como ela. Ninguém aliviaria minha tensão e ninguém diria “sexo é bom, não interessa com quem seja”. A não ser ela.

Bato na porta e espero. Alguns segundinhos depois, a porta se abre e Alyssa me fita ali dentro. Mas, o é bem estranho, ela não está com um garoto. Está com Caroles, a atendente da lanchonete ao lado, a garota que deu em cima de mim.

— Ah… não sei como ainda me surpreendo — bufo, entrando no quarto.

— Oi, gata — diz Alyssa, abrindo um sorriso. — O que a faz buscar o meu maravilhoso ninho de aventuras?!

— Olá, Angelina — Caroles sorri. Seus cachos louros caem soltos pelas costas, sua pele branca parece fantasmagórica de tanta palidez e seus estupendos olhos claros fitam tudo com uma inocência falsa.

— Hm… desde quando vocês… — aponto para as duas, desconcertadas. Ambas usam uma blusa regata simples e como roupa de baixo, apenas calcinha.

— Desde que desisti do sexo masculino e conheci o sabor da boceta — Alyssa aproxima Caroles e chupa seu pescoço.

Tudo bem. Nada que venha de Alyssa deveria me surpreender, além do mais, a vida é dela, que ela faça o que bem entender.

— Hã… certo — digo.

— E então?! Não respondeu ainda minha pergunta, Angie.

— Pergunta? Ahh… só estava sentindo sua falta, Aly — cruzo os braços. Faz sei lá, semanas que não vejo minha amiga, mas, no caso, menti. — Se eu não te procuro, você também não me procura.

Alyssa ri, solta Caroles e me puxa para um abraço sufocante.

— Realmente, me desculpe — sussurra, se afasta e olha no meus olhos, juntando a sobrancelhas. — Agora me diga a verdade! Por que está aqui?!

Rosno baixinho. Droga. Essa é Alyssa e ela sempre sabe quando estou escondendo algo.

— Argh! Você sempre sacando tudo! — faço um muxoxo. — O.k, lá vai: acabei de fazer o melhor sexo selvagem da minha vida com um cara comprometido.

Alyssa me fita em silêncio. Caroles me fita em silêncio. Nenhuma expressão delas revelam nada, até que as duas riem.

— Vou apenas fingir que não sei quem é o cara comprometido — Alyssa gargalha. — Começa com J, termina com esse? Não, não, não responda! O cara com certeza se chama Jesse.

— Vocês já não trepavam antes?! — Caroles ri.

Fico quieta, esperando a hora que aquela palhaçada toda vai terminar. E não demora muito.

— Ceeerto. Como posso ajudar? — Alyssa se senta na cama e eu me jogo ao seu lado, buscando as palavras.

Umedeço os lábios.

— Amy está grávida, Aly. E eu fiquei com o namorado dela.

— Por quê?

— Por que o quê?!

— Por que você ficou com ele? Passando tempo demais comigo não é.

Dou de ombros.

— Eu acho que… usei ele pra esquecer Nathan, só isso.

— E como se sente agora?

— Não sinto nada. Só quero me jogar na minha cama e jogar uma partida de vídeo-game com Nathaniel, para sempre.

— E Jess?

Suspiro.

— Ah, Jess, com esse eu transaria até entrar em coma — murmuro, lembrando de minutos atrás.

— E Nathaniel?

— Para sempre jogaria vídeo-game com ele, e faria tudo o que ele quisesse, eternamente.

— E qual a sua grande dúvida problema? Está mais do que óbvio que você sente tudo por Nathan, enquanto por Jess é só prazer físico, amizade.

Enfio a cara nas mãos e fecho os olhos.

— Aí que está o problema, Aly. Eu prefiro ter só prazer físico por Jess, do que sentir tudo por Nathan. É como se um me levasse ao céu… e o outro me levasse ao céu também, mas em uma carruagem real e consequentemente me concedesse uma viagem de volta só de ida direto para o inferno. — Alyssa pega em minha mão, me encorajando a continuar. — Estou com medo, estou com medo porque eu iria mesmo para o inferno, apenas para ir para o céu durante alguns segundinhos com Nathaniel.

Notas finais
Eu também, Angelina, eu também. Faria isso tudo ai que cê falou kakakaka podem crer que esse não é o único hot (hétero) da fanfic, o.k? HEUHEUHE Não deixem de comentar, comentários sempre iluminam meu dia, colocam mais estrelas no céu da minha noite *-* Beijos, tchau :3