Notas iniciais
Hello, tudo bem com vocês? Bem, sem delongas, espero que gostem do capítulo! Boa leitura e até embaixo :3

Angelina

Normalmente eu não convido caras comprometidos a ir em lanchonetes comigo. Mas Jess é um caso especial.

Seguimos andando pelos corredores do alojamento feminino lado a lado. Vou demorar para me acostumar a me aventurar por eles sem me perder. É realmente enorme e confuso todo o campus.

— Eu não conheço tão bem aqui quanto você — diz Jess, fazendo uma curva.

— Não?

Ele balança a cabeça.

— Não. Vim aqui só algumas vezes por causa de Nathan. Se eu me perder, você também se perde.

Dou uma risadinha.

— Confio em você.

— Não deveria.

— Jess! Se eu soubesse, teria vindo com Nathan.

Ele gargalha.

— Conhecendo Nathan, aí sim as chances de vocês se perderem estariam maiores. Nathan adora se perder por aí com garotas.

— Por isso mesmo. Então confio em você — digo. Jess se vira, e alguns minutos depois, estamos atravessando o grande arco da saída.

— Só vim duas vezes nessa lanchonete. Mas falam por aí que o sanduíche é uma beleza. Teria experimentado, se Amy não repudiasse carboidratos — diz.

Dou uma risada. Então Jess é o tipo que deixa de fazer coisas para agradar a namorada. Uau. Eu deveria mesmo estar surpresa?

— Amy não está com a gente agora — falo sorrindo com deboche. Seguimos andando pela calçada, em seguida viramos a esquina. Em frente a gente há uma lanchonete simples, chamada Mick’s. Há na vidraça promoções do dia e um anúncio de um novo tipo de sanduíche. Parece um lugar confortável. Ao seu lado, há uma cafeteria, uma bela cafeteria em estilo colonial. Faço uma anotação mental de imediatamente fazer uma visita assim que o tempo esfriar um pouquinho, ou quando eu apenas precisar relaxar.

— Você não faz ideia do quanto estou ansioso — ri.

Empurramos a porta, e entramos. Um sininho soa. Me aproximo do balcão, onde uma garota de uns 20 anos masca um chiclete, fazendo bolhas e fitando o teto, entediada. Tem longos cabelos louros dourados presos em um belo coque. Seus olhos são azuis e vívidos.

— Olá, posso ajudar? — pergunta ela, sorrindo.

— Oi, Caroles — Jess retribui o sorriso. Que diabos?! Esse garoto conhece todo mundo ou todo mundo se conhece?! — Como vai o serviço hoje?

— Bem, bem, bem, veio hoje uns veteranos e pela não primeira vez fui assediada — ela reclama, bufando. — Mas isso não é novidade. O de sempre, Jess? Suco de laranja com gelo?

Jess ri.

— Não, não. Hoje a companhia é livre… menos… escravista.

Caroles me olha, e embora já tenha feito isso no instante que entrei pela porta, só dessa vez ela demonstra qualquer coisa no olhar.

— Novata? — pergunta, se debruçando na mesa e colocando o queixo na mão. — Qual seu nome, caloura? Gostei do seu gloss.

Meu gloss? Sabor morango? Nunca ninguém tinha reparado nisso antes… uh é.

— Angelina. Sabor morango — respondo sem graça. — Você estuda aqui?

— É, estudo. Terceiro ano em veterinária. Só não moro na universidade — responde. Ela enfia as mãos embaixo do balcão e as trás de volta com dois cardápios. Caroles olha cada canto da lanchonete, como que para contar um segredo. — Me diga, Jess finalmente largou a piranha da Amy?

Jess pigarreia.

— Ei! Não fale como se eu não estivesse aqui — Jess ri e dá uma piscadela. — Não, Caroles, não! Se você quer mesmo saber. Só Angelina está livre.

Caroles sorri pra mim e tira uma mecha que se soltou de frente dos olhos.

Agora estou sem entender. O que tenho a ver com isso? Antes que eu pergunte, Jess me puxa pela mão, me carregando até uma das mesas mais afastadas do balcão.

— O que foi aquilo? — sussurro, me sentando.

Jess abre o cardápio, enfiando a cara nele, aproxima a cadeira dele da minha.

— É impressão minha ou ela estava interessada em você? — pergunto inocentemente.

Ele dá uma revistada no cardápio, em seguida solta uma risadinha.

— Não, morena, ela estava dando em cima de você — diz, olhando em meus olhos. — Eu não faço exatamente o tipo de Caroles.

— O quê? Acho que não entendi direito — digo, embasbacada. — Tipo?

Jess solta uma gargalhada e fecha o cardápio.

— Quanta lerdeza, morena — faz um meneio de cabeça. — Pênis. Esse não é o tipo dela.

Ai meu Deus. Coro violentamente. Uma garota está dando em cima de mim. É isso. Lésbica. Velcro. Sabe como é.

— Não, não, meu tipo é você, Jess.

— Pênis?

— É, pênis.

Sorri.

— Bom saber.

Abro o cardápio.

— Melhor pegar as batatinhas e se mandar daqui logo.

— Nenhuma chance de rolar uma pegaçãozinha aqui na minha frente? — sussurra ele.

Olho-o, irritada. Isso é tão, tão, tão estranho.

— Jess!

— Que foi? Eu sou homem. pô. Acho bem excitante.

— Você é nojento, isso sim — resmungo.

Ele ri.

— Estou brincando, morena. Tudo pronto? Vamos fazer o pedido e ir embora.

Ainda seguro o cardápio, receosa.

— Que foi, Angelina? Não tem problemas em ser tão gostosa a ponto de garotas quererem você — Jesse desce os olhos para o meu decote.

E isso tem namorada.

— Pervertido desgraçado — xingo entre o riso. — Ameba imunda. Sorte sua eu estar morrendo de vergonha.

Jesse revira os olhos.

— Deveria estar lisonjeada. E então, o que vai ser?

— Dois sacos grandes de batata frita, duas garrafas de cerveja e… — sigo com o dedo a coluna de doces — 300 gramas de torta de maçã.

Jess chama Caraloes, que vem anotar o pedido, junto com o sanduíche de Jess. Ela fica me olhando, piscando com enormes cílios empastados no rímel. E eu fito o batente da mesa, corando. Alguns minutinhos depois, parte.

— Isso é… constrangedor — murmuro.

— Nunca ficou com meninas? — pergunta.

— Não, não é meu tipo — respondo.

— É que hoje em dia é tão comum todo mundo experimentar… bem… todo mundo.

— Não é o meu caso — respondo e coloco os cabelos atrás da orelha — E você? Recebeu muito na bunda?

Jess engasga com o ar, preso entre uma gargalhada e o susto.

— Não! Você é tão delicada quanto coice de mula, sabia?!

— Eita, você que disse que todo mundo experimenta todo mundo.

Ele dá de ombros.

— É… não sou mesmo todo mundo.

Sorrio.

— Então eu sou seu tipo e você é meu tipo?

— Exato!

— # —

Quinze minutos depois, um sininho soa, o que indica que nosso pedido está pronto. Jesse e eu nos levantamos, e particularmente estou nervosa. Não é todo dia que garotas dão em cima de mim. Chegamos ao balcão, onde em um computador Caroles soma nosso pedido.

— E então, quanto deu? — pergunto, tímida.

Ela olha pra tela do computador, depois me mira, um sorriso formando em seus lábios.

— Começo do ano letivo, segundo dia de seu sofrimento… — o sorriso se estende. — É por conta da casa.

Jess não consegue esconder uma gargalhada.

Idiota, idiota, idiota…

— Obrigado, Caroles — Jess sorri e pega o saco com o pedido. Rodeia o braço por minha cintura e nos viramos em direção a porta de saída.

— Voltem sempre! Bom conhecer você, Angie! Se estiver disposta a comer um lanchinho hoje a noite aqui, estarei disponível!

Mordo o lábio inferior, nervosa. Dar um fora nunca foi meu forte…

— Hãã… vou olhar na minha agenda — respondo.

Chegamos a porta, Jess a abre e a segura enquanto eu saio. Ele fita a garota com um sorrisinho maligno.

— O que ela quer dizer é que não vai dar, Caroles. Angelina está pegando meu irmão — em seguida sai para fora e a porta se fecha.

Fico boquiaberta. Filho de uma mãe!

Jess me olha com um sorriso travesso no rosto. Tira a franja que insiste em cair nos olhos da cara e cutuca meu ombro, me convidando a continuar andando.

— Filho da puta! Por que você fez isso! — bato no ombro dele repetidas vezes.

Ele ri e juntos atravessamos a rua, rumando de volta a universidade.

— O quê? Salvei sua vida — ele dá de ombros.

Bufo, desdenhosa.

— Você sabe que isso não é verdade! — exclamo. — Não tenho nada com o pateta do seu irmão!

— Calma, morena — diz ele, rodeando o braço por meu pescoço, num gesto protetor e que imediatamente me faz arrepiar, a tal da maldita calma atravessando o meu corpo. — Eu sei disso. Mas ela não sabe e não gosta de Nathan e nem das pessoas próximas a ele. Mas é claro que eu sou uma exceção.

— Isso foi totalmente desnecessário — murmuro.

Ele ri.

— Agora pelo menos você vai poder voltar lá sem ela dar em cima de você.

Me obrigo a tirar o braço dele do meu pescoço, mesmo que muito forçosamente. Então o fito, irritada.

— E isso te incomoda? — franzo a testa, juntando as sobrancelhas.

— Ah, por favor, morena, um “obrigada, Jess” cairia mil vez melhor — diz ele, soltando o ar com força.

Entramos no campus, pisando na areia verdinha e bem aparada.

— Eu não precisava da sua ajuda — rebato, entredentes.

— Está vendo? Ajudei você sem precisar — ele dá um sorriso presunçoso, um sorriso tão Nathan que é óbvio que é um sorriso de família. — Mais uma prova de como sou legal.

Faço uma careta, em seguida dou um soco leve em seu ombro e decido dar uma trégua, dando risada.

— Você não presta.

Seguimos andando em silêncio. Poucos minutos depois adentramos o alojamento feminino, contornando corredores, e explorando a infinidade que parecia ter tudo aquilo. Não demorou e estávamos parados em frente a porta de meu quarto e de sua namorada.

Jess me estende o saco com as compras e tira seu sanduíche embrulhado de lá de dentro. Ele me dá um sorriso, exibindo seus dentes perfeitamente alinhados e brancos.

— Hm… vai entrar? — pergunto, trocando o saco de mão compulsivamente.

— Não, senão Amy manda esse sanduíche delicioso direto para o lixo — diz ele, mordendo o lábio inferior. Provavelmente não tem ideia do quanto o gesto é cruel, e sexy, e covarde.

— Tudo bem, até amanha, então — digo, dando um sorrisinho, fito os pés e acabo rindo. — Obrigada, Jess.

Ele gargalha.

— Eu sabia que você cederia — ele olha por cima do ombro, indicando que já está na hora de ir. — Até amanha.

Abro a porta do quarto, observando Jess partir enquanto morde o sanduíche, fico perdida nos meus pensamentos, observando-o se distanciar cada vez mais e mais com uma suavidade bela. Desço meus olhos pelo seu dorso, quadris, até fixar o olhar em sua bunda bem definida pela calça jeans.

O quê? Garotas também olham para bundas. E eu não sou exceção. E cá entre nós, a de Jess é…

— Ei! Que demora foi essa? Deu tempo de bater punheta duas vezes, cochilar e quase morrer de fome e… onde você foi? Comprar batatas ou mandar plantar, afinal? Ah, não importa, anjo. A espera acabou — e Nathan interrompe meus pensamentos pervertidos.

Notas finais
Esse Nathaniel tsc tsc tsc... quando abre a boca... vem putaria. E aí? Reviewws, please, senti falta de gente no capítulo passado :c Beijos, tchau