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10 Fumar maconha, ouvir The Smiths e reclamar da vida


Notas iniciais
Heeey! Esse capítulo até que ficou curtinho, ou pelo menos nos meus padrões de comprido e curto, mas enfim, deem play na música How Soon Is Now - The Smiths. Boa leitura e até embaixo :3

(How Soon Is Now — The Smiths)

Jesse

Fazem exatamente três semanas desde o começo do ano letivo e já está puxado pra caralho. Estudar, estudar e estudar. Provas e mais provas. Para todos os estudantes na verdade, para alguns piores, tipo para o Nathan, que cursa justamente direito… e ainda assim arruma tempo para ser um vadio. Amy faz engenharia civil, outra que também está sofrendo mais do que eu e Angelina. Com tanta prova e estudo, é difícil arrumar tempo para minha namorada e quanto mais o tempo se esvai, mais eu esvaio ele com Angelina, no lugar de minha querida Amy.

Espera aí, eu disse querida? Ironia nunca realmente termina.

A garota está sempre, 25 horas, 8 dias por semana e 32 dias aos mês de TPM.

No momento, estamos eu e Angelina em meu dormitório. Estudando, O.k? Ela folheia meu exemplar de O Morro Dos Ventos Uivantes, enquanto eu faço anotações em meu caderno. A escrivaninha é pequena, as cadeiras são desconfortáveis, mas para mim é fácil esquecer de tudo quando estou junto da morena.

Ela sussurra algo baixinho, enquanto corre as páginas. Anota algo.

— Realmente é difícil ler só com os pensamentos? — indago de bom humor.

Angelina ri e fecha o livro, atirando-o na pilha no chão ao lado da escrivaninha repleta de outros títulos.

— Não é — responde, agora folheando o caderno e mudando a matéria. — Está incomodado?

Ergo a cabeça do meu caderno.

— Vai parar se eu disser que estou? — pergunto, já sabendo a resposta.

— Mas é claro que… não.

— Exato.

A morena solta uma risadinha e prossegue com suas leituras sussurradas e eu continuo escrevendo, mas aos poucos percebo que está difícil me concentrar. E não, não pelo fato de ela não conseguir ler sem sussurrar. Digamos que a loção de morango com… champagne de Angelina é totalmente uma tentação… e cruel. Sinto o cheiro dela e um êxtase cresce em mim. É totalmente inebriante, o perfume. Solto a caneta e fico em silêncio.

— Tudo bem aí, rapaz? — ela tira a mão do caderno e apoia no queixo, franzindo a testa, preocupada.

Pigarreio. Sério que deixei transparecer tanto assim?

— Hãã — penso em uma desculpa. — É que…

Ela semicerra os olhos diante do meu desconcertamento. Meu Deus, que gay.

— Está entediado? — sugere.

Isso! Isso! Ótimo. Estou entediado, só entediado.

— Isso que eu ia dizer! — exclamo e sinto o alívio me possuir.

Angelina ri.

— Graças! Quero dizer, fala sério! É só a terceira semana de aulas e estamos quase nos infartando de estudar! — se levanta. — Que droga! Ainda temos anos, meses, e esse é só o começo! Porque precisamos fazer isso?!

A fito de minha cadeira, com a cabeça levantada para conseguir olhar em seus olhos. Angelina pousa a mão no quadril.

— Isso? — pergunto, surpreso. Devo estar com uma cara de lesado, mas é que essa atitude toda dela me pegou mesmo de surpresa.

— Isso! Estudar! — ela gesticula com as mãos e bate-as nas pernas. — O semestre acabou de começar… e sei lá! É tão mais excitante deixar tudo para a última hora, com aquele medinho de se dar mal cozinhando! Então… sei lá!

Estou dando risada.

— Não estamos mais no ensino médio, morena…. As coisas mudaram. Se tudo der errado, não há mais nossos pais para bater um lero com os professores, e recuperação aqui não está inclusa no vocabulário.

Ela solta o ar com força e se joga novamente na cadeira.

— Cortou meu barato — murmura.

Aí eu me lembro que essa é mesmo a terceira semana de aula, o início do semestre e que se só por aquele dia pararmos de estudar um pouquinho (e estamos estudando há três semanas) não vai pesar tanto assim em nossas notas. Aliás, não vai pesar nem uma grama. Abro um sorriso e me levanto.

— Tem razão, morena. Estou farto de estudar! E ainda podemos estudar amanha, que ainda não vai estar tão em cima da hora, ou seja, não vai ser como no ensino médio — dou de ombros. — O que faremos? Hm… fumar maconha, ouvir The Smiths ou reclamar da vida?!

Angelina morde o lábio inferior, os olhos brilhando como uma lâmpada de 1000 watts.

— Que tal… os três?

— # —

How Soon Is Now soa, reproduzido pelo antigo toca-disco de papai que enfiei num FedEx no mesmo dia que vim para cá. O chão é duro. Muito duro. Mas não ligo a mínima. O relaxamento me domina, o prazer está em cada poro do meu corpo. É tão bom.

— Tá legal, eu não me importo! — exclamo e dou uma risada. Angelina me passa o cigarro, eu trago e faço anéis de fumaça em direção ao teto. — Foda-se!

— Mais alto, Jess! Foda-se! FODA-SE! — grita ela ao meu lado e rimos juntos. — FODA-SE!

— A FACULDADE! — grito

— O PROFESSOR DAVES!

— O PREÇO ALTO DA TEQUILA!

— AS NORMAS DE CONDUTA!

— OS PADRÕES DA SOCIEDADE!

— A FALTA DE AMOR RECÍPROCO!

— A NAMORADA CHATA!

— A TREPADA MAL FEITA!

— FODA-SE!

— FODA-SE O MUNDO!

— FODA-SE TUDO! — finalizo. Começamos a rir sem parar, tanto que perco a respiração, meu estômago dói e as lágrimas caiem. Estamos nós dois encolhidos no chão, abraçados ao estômago, mal conseguindo abrir a boca senão para gargalhar. Quando abro meus olhos, Angelina e eu estamos lado a lado, nossos rostos próximos. Miro-a durante alguns segundos nos olhos, ofegando. Suas íris são verdes. Engraçado, juro que eram azuis. Aos pouquinhos, inexplicavelmente na ausência de um motivo, nossos rostos vão ficando terrivelmente próximos, tanto que já posso sentir o hálito doce dela se confundindo com o meu, seu cheiro de morango me envolvendo tanto, me rodeando tanto que penso que ele é mais culpado pelo momento do que a própria droga. Sem saber direito o que estou fazendo, o que estamos fazendo e o que vamos fazer, permito o beijo chegar.

E ele não vem. Escuto uma batida na porta e percebo a cagada que iria rolar ali. Caramba, eu tenho namorada. Eu amo minha namorada. Amo, não amo? Afasto nossas cabeças sem encara-la nos olhos, e rapidamente me levanto. Pigarreio.

— Hm… quem será? — dou uma risada forçada e abro a porta. Amy está ali, e me olha nervosamente.

— Oi — digo desanimado.

— Jess, amor… — ela segura as duas mãos em meu rosto, os olhos desesperados fixos nos meus. — Eu... eu não sei uma maneira delicada de dizer isso, então vou logo ao ponto: Tô grávida.

Mantenho meu olhar no dela durante um ou dois segundos, empalidecendo, tiro suas mãos de meu rosto e seguro na maçaneta da porta.

— Foda-se — e a bato com força.

Notas finais
Huehue, pois é, último capítulo Nathan chupador de picas, nesse capítulo piriguete grávida hue. Ah, mudei a capa, gostaram? Bem... vocês podem me indicar umas músicas? T precisando de umas novas! Só não vale funk, sertanejo, pagode, rap, enfim, vocês entenderam... Não deixem de comentar! Beijos, bye :3