Notas iniciais
Capítulo final. Apesar das muitas falhas de roteiro, terminei. Agradeço a quem chegou até aqui. Até mais, espero que gostem.

O homem estava morto no chão. Ele estava... Não, não era bem morto. Tom esboçava um sorriso estranho, como se ele lembrasse que era um ser humano, mas seu sorriso era um rasgo, algo feio. Obsceno. Snape olhava pra mim, enquanto eu olhava pra ele. O que devia estar passando por sua cabeça agora? Será que ele estava preparando-se para o fim inevitável? Dava pra ver que Tom Riddle não ia parar de usar as Maldições, não agora que começara.

Dumbledore encarava o Tom trouxa no chão, com uma expressão peculiar no rosto: aquele que estava no chão era parte de uma realidade a qual era inversa a dos bruxos. Eu não saberia mais dizer se ele, um bruxo tão poderoso, conjurou outra realidade ou era apenas Dumbledore tentando nos acalmar em meio a tempestade. E se houvessem mesmo outras véus de realidade?

— Ora, Tom – começou o professor Dumbledore, que desceu da calçada – o que pretende?

— Eu pensei que você fosse mais sábio, Alvo, pensei que soubesse o que desejo.

Dumbledore suspirou.

— Eu apenas não esperava que sua ambição chegaria a tanto.

Snape me olhou nos olhos. Eu fiquei por um momento aliviada e emocionada. Ali estava ele. Ele parecia bem, ferido, mas bem. Era o Snape que eu conhecia. O Snape, inteligente, audacioso. Um príncipe das poções. Olhei para a garota que era a minha versão trouxa, e então para Tom, que olhava para o professor. Pensei no que eu poderia fazer ali. Pensei. Mas não consegui esboçar plano nenhum. O feitiço Avada Kedavra foi lançado contra o Tom trouxa, que tombou na calçada.

— Hoje, finalmente, soube de minha primeira profecia – Tom refletiu – é sempre um prazer ter seu nome flutuando em um orbe... Seu futuro descrito... Mas, como devem perceber, não gosto de maldições quebradas. Crucio!

Ele apontou contra Snape. Mas Dumbledore, ele se mexeu.

— Impedimenta!

— Avada... – ele não concluiu.

— Estupore!

A pequena troca de feitiços travada a menos de cinco metros entre professor Dumbledore e Tom veio entorno em luzes, faíscas e rugidos ameaçadores de cada varinha. Dumbledore fez um movimento de mão, e girou, derrubando Tom de costas no chão. Nesse meio tempo, enquanto os adultos lutavam, eu e Snape tentávamos bolar uma maneira de resolver aquilo.

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A profecia, a profecia dizia “"Do vermelho de seus olhos a resposta encontrará. O fervido chá da vida à morte ceifará. Dois casais apaixonados um ao outro conhecer. Realidades paralelas, a maldição desfazer". Eles já haviam encontrado a resposta: Tom estava atrás do chá da vida. Mas o chá não é eterno, então... Ele seguiu a profecia à risca, envolveu realidades paralelas. A culpa era de Tom. E era tudo verdade.

Snape era real. Lílian era real. Ambos vinham do mesmo lugar.

Snape usou a varinha que estava consigo para tentar libertar Lilian de sua maldição, mas ela estava muito atordoada. Sua pele continuava a brilhar e reluzir, era como um fantasma. Ele viu, ao lado da verdadeira Lilian o seu próprio semblante desaparecendo, e começou a entender que aquela era sim uma realidade.

Eles estavam vendo possibilidades de vida.

Os olhos de Lílian piscaram diversas vezes sob as luzes dos feitiços. Ela começou a observar seu entorno, a reconhecer as pessoas ao seu redor, e o clima, o vento e a pequena lembrança de que era noite. Ela sorriu por um momento. Depois parou, então viu o semblante de Snape desaparecendo. Uma lágrima saiu de seu olho esquerdo e escorreu pelo seu rosto, até desaparecer no véu invisível.

— O QUE FAREMOS? – gritei para Snape, que parecia estar maquinando respostas.

— TRAGA-O ATÉ AQUI!

Enquanto Tom se levantava enfurecido, e o professor se mostrava cada vez mais ativo e desenvolto em habilidades, eu corria com um rosto flutuando atrás de mim, um rosto que agora eu passava a me afeiçoar. Ele era real. Precisava de ajuda, e nós podíamos ajudar. O rosto dele se aproximou do dela, o contorno frágil e translúcido de seus lábios se encostaram... e então houve uma dobra.

Houve uma dobra inconsistente da realidade. E vi o outro Tom vivo e morto ao mesmo tempo. E vi um Tom jovem e humano, bruxo e altivo, que se substituiu pelo monstro que nos atacava. E vi Dumbledore, e sua mão estava queimada com um anel, e vi o futuro e o passado. A Londres que eu via começou a se desconstruir e reconstruir. E vi mais do futuro. E vi um garoto, lindo, com olhos como os meus. Um garotinho nos braços de Potter.

Vi picadas de cobra em Snape. Aquilo me derrubou, literalmente.

Enquanto caía, a realidade ao redor de Lilian voltava ao normal. Todos pararam, aturdidos, finalmente compreendendo que estavam mexendo com o mais frágil dos véus. Tom olhou para os lados, e, percebendo que, se continuasse atrás de um chá falível, morreria, apontou sua varinha para o corpo do outro Tom, imóvel mas, por alguma razão, não morto, e proferiu um sibilar lancinante. Ele disse, balançando a varinha cor de marfim:

— Fera verto!

E uma serpente dançou através das vestimentas, com seu tom de verde e cinza, uma cobra gigantesca que se aproximou dele. Ele apontou a varinha uma última vez, para lugar nenhum. Abbafiato. Ele olhou para Snape, e apenas para ele, e disse:

— Um dia você precisará de mim. Eu serei um lorde misericordioso, que recebe os comensais à mesa, para que desfrutem. Mas saiba que cobrarei meu preço.

Tom Riddle desapareceu com a serpente, levando o silencio consigo.

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— Eu ainda não entendo... Porque a profecia dizia “dois casais apaixonados?”

Perguntei ao professor assim que nos recompomos e subimos a ladeira de Mayfair. O sol começava a despontar novamente do outro lado, com suas nuances de rosa e violeta, trazendo o dia mais uma vez. Ele subia com dificuldade, e me olhava de vez em quando com algo que eu considerei pena. O que ele viu na dobra do tempo? Será que eu estou envolvida?

— Quem sabe seja porque vocês sejam realmente um casal. Já pensaram nisso?

Snape ficou vermelho, e não entendi porque. Enquanto isso os outros dois caminhavam a frente, com os dedos cruzados, e uma expressão de extrema felicidade no rosto. Eles não sumiram afinal de contas. Apenas colocaram os pés nesta realidade com mais firmeza. No entanto, Dumbledore os chamou.

— Eu... Gostaria de avisar-lhes que voltassem.

— Nós não sabemos como. – Lilian disse, e eu a vi, ali, como uma irmã gêmea, dando-me uma súbita vontade de abraçá-la.

— Eu sei – Dumbledore disse – mas preciso do vira-tempo Snape.

Ele tirou do pescoço a corrente, sorrindo para os outros dois. Entregou nas mãos do professor, as quais pareciam perfeitas e saudáveis. Me peguei pensando nas mãos enrugadas e queimadas que vira poucos minutos antes. Aquilo não podia ser real, parecia uma magia antiga, não queimadura com fogo.

—Um vira-tempo não serve apenas para visitar o passado. Serve para alinhar o que foi corrompido por magia.

Ele disse isso, colocando o colar nos pescoços de minha gêmea e Snape, que sorriram um para o outro. Não consegui imaginar eu bruxa com Snape, mas aqueles dois a minha frente pareciam perfeitos. Olhei pra Snape, o bruxo, que virou o rosto rapidamente. O professor Dumbledore, segurando o vira-tempo na mão, deu batidinhas no instrumento, que vibrou e zumbiu. Então, de repente, ouvi um estampido e a areia dourada da ampulheta dançou na brisa da manhã e rodeou os dois.

Na luz matinal que começou a se fortificar, nossas realidades paralelas começaram a se despedir. Então, como um erro de lente que torce a imagem, eles desapareceram diante dos nossos olhos.

— Agora, os dois – disse Dumbledore, com um suspiro de quem esconde que está com sono – me levem pra Hogwarts. Tenho que mexer numa bacia.

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A sala de Dumbledore era uma das coisas mais majestosas que podiam ser encontradas na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Era grande, espaçosa, com diversos instrumentos estranhos e fascinantes que brilhavam, zuniam, piscavam e emitiam ruídos. Numa prateleira, havia diversos objetos visivelmente trouxas, como patos de borracha, tomadas, globos de neve e disquetes.

Ele se aproximou da mesa, onde estava uma bacia repleta de um líquido incolor. Era grande e continha diversas runas e marcas antigas cravadas em suas bordas. Era bonita e brilhava ao menor sinal de vento ou movimento. Dumbeldore chegou perto e disse, e forma solene.

— Isto é uma Penseira.

Ok. Penseira. Acho que lera algo outro dia, enquanto... Não, fora recente. Eu li enquanto buscava os livros e o chá de Coquelles para Dumbedore na França. Era o que eu estava lendo quando o outro Snape apareceu e disse que me conhecia. Droga. Era o objetivo, buscar livros que ensinassem a usar a penseira?!

— Lilian, minha cara, você certamente já sabe o que é isso.

— Sim – disse, ainda embasbacada com aquilo – mas, professor, essas coisas não foram usadas para confundir os duendes na guerra, onde muitos ficaram loucos e abdicaram de suas vidas?!

Snape olhava para mim, e para o objeto, cujo brilho ainda emanava.

— Sim, de fato, Lílian, de fato. Mas existem coisas que podem ser usadas para o mal por pessoas, ou criaturas, más. Nas mãos de pessoas boas, são deveras úteis. Me diga que aprendeu a usar.

— Sim.

Peguei minha varinha dentro do bolso, e, ainda relembrando do histórico desses objetos, toquei em minha têmpora, a qual deixou fluir um fio prateado, que flutuava levemente. Snape nunca vira nada igual, dava pra perceber imediatamente. Quando deixei o fio cair na água, a imagem veio nítida e mais grotesca: a mão enrugada e apodrecida do professor. Logo após, olhava página a página do livro que esqueci em algum lugar da aventura, Usando a penseira, de Grampo.

— Sim, sim. Esperado. – foi tudo o que ele disse ao olhar.

Então, inesperadamente, ele sacou a varinha.

— Obliviate.

E tudo ficou turvo em minhas memórias. As memórias mais frescas começaram a diluir em sonhos e devaneios, e logo eu estava me llembrando de Petunia correndo atrás de mim, da primeira vez na plataforma 9 3/4 , de todos os jogos de quadribol que vira. De Snape criança, adolescente, jovem. De um garoto que eu odiava, eu odiava ele, mas... Era ele... Porque ele estava na minha memória, alto, com óculos redondos, uma cicatriz... Ela se apagou de sua testa rapidamente, então vi seus olhos, e eram os meus, e se tornaram fiéis às feições de Tiago Potter, recém acordado olhando pra mim, me perguntando para onde eu ia.

Que memórias eram aquelas?

Acordei dois dias depois, com o pensamento de que eu devia tentar compreender o garoto Potter. Dar uma chance a ele.

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— Porquê, Alvo, porquê teve de apagar a memória dela de forma tão brusca?

Dumbledore tinha em seu rosto uma expressão horrível, de alguém que se arrependera de tudo, até mesmo de ter nascido. Ele mexera com coisas que alteraram o rumo natural das coisas, fez acontecer, e agora haviam profecias a serem cumpridas, e pessoas dispostas a morrer por elas. Já haviam se passado muitos anos, vários anos, desde que o incidente das realidades paralelas ocorreu.

Snape estava na frente de Dumbledore, na mesma sala onde o clímax da missão ocorreu, o atualizando dos novos movimentos de Lord Voldemort, ou Tom Riddle, como eles já sabiam, como eles viram surgir. Snape dizia que o Lorde das Trevas conseguira, sob altos preços, se tornar imortal, por meios sórdidos. Os meios quais Dumbledore sempre temeu que seu pupilo fosse buscar. Ali, agora, a questão era outra: o que fez Dumbledore mudar a mente de Lílian aquele dia?

— O futuro é uma coisa terrível, Severo, terrível. Após vários anos usando a penseira, vendo o tempo e o alterando, percebo isso. Eu vi coisas aquele dia, coisas que fariam a vida se extinguir sob o bater de asas de um hipogrifo.

— Chega dessas parábolas! – Snape se exasperou, derrubando objetos metálicos da mesa – eu quero respostas.

— Um mestre da Oclumência poderia obter respostas invertendo o processo.

Snape caminhou lentamente, suas vestes negras esvoaçando e se debatendo.

— Quero ouvir sua voz, professor.

— Eu vi – ele começou – primeiro pensei que fosse um erro de minha visão idosa, já na época. Mas eu vi, Lílian adulta e transparente. Ela se tornaria um fantasma em determinado tempo.

Snape esperou, em silêncio.

— Eu a vi, Severo, e uma espécie de mensagem chegou até mim por meio daquela visão. Ela precisaria partir, algo que o futuro guardava demandava isso para acontecer. Vocês... não era um futuro possível.

Snape respirou fundo, seu inspirar falhando um pouco.

— E logo que analisei a memória de Lilian, vi que estava corrompida. Fragmentos da outra Lilian permaneceram nela, assim como impressões. Ela se impressionara com Potter, e nada poderia mudar tal fato.

O professor sentiu uma grande pontada no peito ao ouvir aquilo, mas permaneceu em silêncio, permitindo a Dumbledore continuar.

— Ela viu meu futuro naquela dobra Snape, ela viu, e eu logo encaixei as peças. Eu também preciso morrer para o que está por vir. Por isso, meu caro, por isso peço que, se chegar o dia...

Ele fraquejou nas palavras.

— Se chegar o momento em que você precise me matar, a mando de Lord Voldemort, para provar sua lealdade, peço que o faça.

— Sim – Severo Snape concordou, sua voz falhando e sua garganta fechando de angústia, muitas coisas reveladas... – sim, senhor.

— Reconheço, Severo, que fiz coisas erradas. Lembro-me bem do quanto era afeiçoado a Lilian. E então ela morreu, e as memórias começaram a brotar na Penseira. Você foi o primeiro a chegar no local... os Potters...

— Eu tenho... ajudado o garoto Potter há mais do que posso suportar, Alvo, e a dor da perda de Lilian, tanto para Tiago quanto para a morte, eu jamais perdoarei. Eu... amo Lilian Evans.

Isso foi como um tapa para o velho professor.

— Depois de todo esse tempo? – Dumbledore o observou sobre os óculos de meia-lua, água brotando de seus olhos.

— Sempre.

E a corsa prateada correu pela sala do diretor.

Notas finais
Obrigado! Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!