Vidas Imperfeitas
21 Capítulo 21
Alice já estava impaciente, estava anoitecendo e Jasper estava só enrolando sem querer ir embora, na realidade, ele já sabia do que tinha acontecido com Edward, foi exatamente para dizer isso que seu capanga o chamou quando estava no galpão e ele não queria ela na casa. Não sabia de muita coisa sobre gravidez, mas sabia que ela não podia se estressar, porém não tinha mais desculpas para inventar, até ele ver uma loja infantil. Era uma loja para bebês e crianças, aparentemente vendia de tudo.
— Vamos entrar ali — ele apontou para a loja, mas Alice apertou a mão dele impedindo-o de dar mais um passo. — Que foi?
— Eu não vou entrar nessa loja — ela disse firme, sabia que ele iria comprar alguma coisa para o bebê e ela não queria nem ver aquelas roupinhas minúsculas.
— Vou comprar algo pros meus sobrinhos, posso? — Ele perguntou ironicamente apontando para a mão que ela segurava. — Se não quer ir, fique! — Ele disse firme e se soltou dela, e foi isso que ela fez até vê-lo entrar na loja e uma atendente de peitões ir atendê-lo. Ela passou as mãos no ombro de Jasper com muita intimidade, então Alice respirou fundo e, a passos duros, seguiu para perto dele, segurou a mão dele e mandou um olhar intimidante para a loira, que tirou a mão do ombro dele no instante seguinte.
— Então o que deseja mesmo? — Ela voltou a perguntar.
— Vou dar uma volta na loja e decido.
— Tudo bem, qualquer coisa é só me chamar — avisou sorrindo e Alice a olhou com nojo.
— Escolhe alguma coisa para as meninas, que eu vou naquela parte ali — ele apontou para a parte masculina.
— Tá — ela respondeu e saiu andando para a parte feminina.
Assim que entrou em um corredor de roupas, pode avistar uma mulher, ela aparentava ter a mesma idade de Alice e carregava um barrigão. A mulher olhava as roupinhas penduradas enquanto acariciava a barriga. Por um momento, Alice se imaginou com uma barriga daquele tamanho e a imagem, sinceramente, não a agradou. Voltou sua atenção para as roupas que estavam penduradas no meio da loja e pegou três vestidos, um para cada uma das sobrinhas.
Quando pegou o de Kaila, que era o tamanho menor, um vestido lhe chamou a atenção, ele era muito pequeno e rosa, tinha três babados e um laço, vinha acompanhado de uma passadeira e uma calcinha de babado. Alice passou a mão em cima e imaginou um bebê gorducho dentro daquela peça, sorriu, mas logo depois espantou o pensamento, voltando para o caixa, onde Jasper já se encontrava embalando suas roupas. Olhou aquelas diversas peças e apenas três estavam embrulhadas, o que ela logo soube que eram dos meninos, mas ainda havia algumas peças brancas ali e ela respirou fundo, balançando a cabeça negativamente, encostou perto dele e entregou as peças que escolheu para a atendente.
— Você pode embalar para presente essas três também.
— Claro — a atendente respondeu sorrindo abertamente e Jasper, claro, sorriu de volta.
— Agora podemos ir embora? — Alice perguntou novamente.
— Depois que eu tomar um sorvete — Jasper disse e Alice rebateu.
— Não, chega, Jasper, você já tomou dois sorvetes hoje, eu quero ir embora, estou cansada — Alice disse emburrada.
— Tudo bem, não precisa se estressar, vamos então — Jasper respondeu segurando as sacolas que eles estavam antes e as que tinham pegado agora.
Jasper conversava com a irmã por mensagem e ela tinha avisado que Edward já estava bem, o que o deixou mais aliviado, por sorte Alice não tinha pegado no celular hoje, ele a deixou ocupada o suficiente para ela não fazer isso. No caminho, ela acabou adormecendo demonstrando o quanto cansada estava.
Na mansão Cullen, Edward tinha acabado de acordar e Bella estava o obrigando a comer.
— Vamos, amor, você precisa comer — ela disse levando uma colher até a boca dele.
— Bella, eu não vou comer isso! — Ele disse e foi para levantar a mão, mas o gesto fez com que ele mexesse a barriga, causando dor.
— Edward Cullen, pare de agir de como uma criança!
— Olha a cor disso — ele apontou para a sopa verde. — Me traga um Wisky com gelo que eu aceito.
— Não, você não vai beber, está tomando remédio, amor.
— Tudo bem, então me traga outra coisa sem ser isso — Bella respirou fundo e colocou a sopa em cima do criado mudo ao lado da cama.
— Tá bom — ela se deu por vencida. — Você pode me contar como isso aconteceu agora?
— Você sabe que não — ele respondeu acariciando o rosto dela com a mão esquerda, que era o lado que não estava machucado.
— Edward!
— Não quero envolver você nisso, querida, a única coisa que eu posso dizer é que algo saiu do nosso controle e acabamos trocando tiro com alguns homens e, por descuido meu, fui atingido.
— Ok — ela disse não muito satisfeita, então ele a puxou para perto, até sua boca, dando um selinho nela.
— Não fique chateada comigo, é para o seu bem, mas me conte, como foi o seu dia e o das crianças? — Ele perguntou mudando de assunto. Por um instante, Bella pensou em contar sobre Kaila, mas preferiu deixar para o dia seguinte.
— Foi agitado, Julia aprontou tudo o que deveria e escapou por pouco de eu dar uma surra nela — Bella contou e o marido riu.
— O que ela fez?
— Começou logo quando você saiu, ela mexeu no quarto todo, fez a maior bagunça, quando foi com poucos minutos depois, ela fez birra para não tomar banho, pegou a boneca de Kaila de cima da cama e jogou no chão. Kaila desceu da cama e bateu nela com a boneca, ela foi e chutou a barriga de Kaila, dei um tapa nela e reclamei com as duas. Fui dar banho em Kaila, ela pegou e jogou a boneca de Kaila pela janela, agora você vê uma coisa dessa, só para provocar a irmã. Kaila começou a chorar e a gritar que Julia tinha matado a boneca dela — Edward começou a gargalhar com o que a mulher contava, Bella colocou a mão na cabeça. — Pense em um dia estressante, aí antes disso veio sua mãe dizendo besteira.
— O que ela disse? — Ele quis saber e Bella contou tudo. — Eu preciso ter uma conversa com ela urgente — Edward completou com raiva.
— Depois foi quando você chegou desse jeito e, para completar o dia, Kaila cismou que queria você.
— A mim? — Edward perguntou, surpreso.
— Sim, acho que ela sentiu alguma coisa, porque aquilo não foi normal — Bella disse se lembrando.
— Você acha que ela sentiu? — Ele perguntou e Bella deu de ombros.
— Só pode.
— E o que você disse a ela?
— Disse que você tinha saído, mas não teve jeito, até que Renee a chamou pra ir ver algo na estufa.
— Renee?
— Sim, para você ver como o dia foi cheio.
— Realmente — Edward fez menção de levantar, mas Bella o impediu com as mãos.
— Pra onde você vai? — Ela perguntou.
— Ver nossos filhos.
— Não, você fica aqui e eu vou chamá-los — Edward bufou com raiva.
— Tudo bem, mas não pense que eu vou ficar só deitado aqui como um inválido — ele disse sério e Bella revirou os olhos, pensando o quanto teimoso ele era. Encontrou Jacob e Jane parados conversando no corredor dos quartos.
— Gente? — Ela chamou atraindo a atenção dos dois. — Vocês viram meus filhos?
— Eu sei que Kaila está na estufa com a senhora Swan — Jane respondeu.
— Pietro está jogando bola no campo e Julia eu não sei, deve estar por aí correndo com Sofia — Jacob respondeu.
— Obrigada — Bella agradeceu e saiu. Ia buscar logo Kaila, quanto menos tempo sua pequena passasse com Renee, melhor ainda. Ela se aproximou da estufa e podia ouvir a voz de Kaila e de Renee.
— Eu gosto dessas aqui — ela ouvia a voz fina e infantil da filha.
— Das orquídeas? — Perguntou Renee. — Eram as preferidas da sua mãe — ela completou e Bella estacou, surpresa pela mulher saber qual a flor preferida dela, já que poucas pessoas sabiam.
— Sério? — Kaila perguntou.
— Sério — Renee afirmou rindo.
— Como a senhora sabe? — A pequena perguntou.
— Eu a conheci quando ela era do seu tamanho e você se parece muito com ela, em muitas coisas — Bella balançou a cabeça negando. Renee não a conhecia, não sabia nada da vida dela, a tinha entregado para a primeira pessoa que viu na frente, isso sim.
— Você acha? — Kaila perguntou.
— Acho sim — afirmou e, antes que elas voltassem a conversar, Bella apareceu na porta da estufa.
— Kaila? — Ela chamou e a menina, que estava ajoelhada em frente a uma orquídea azul com Renee ao seu lado, se levantou.
— Oi, mamãe.
— Vamos? Seu pai chegou, ele quer ver você — ela estendeu a mão e a menina correu até ela, a segurando, Renee se levantou e seguiu até elas.
— Ele está bem? — Renee perguntou.
— Está, não foi nada grave, obrigada por ficar com ela — Bella agradeceu, apesar de tudo, não seria mal educada.
— Não precisa agradecer, gosto de ficar com seus filhos — ela respondeu e Bella apenas assentiu sem querer muito papo.
— Com licença — ela disse e saiu levando Kaila pela mão. Entrou no campo e viu Pietro correndo com os gêmeos, quando ele a viu, foi até ela.
— Mãe?
— Seu pai quer falar com você — ela disse passando a mão na testa suada do filho.
— Ei, eu vou aqui, volto logo! — Pietro gritou para os meninos que assentiram.
— Traz um lanche quando voltar — Felipe gritou.
— Tá bom — Pietro afirmou e saiu com a mãe. Para a sorte de Bella, ela avistou Julia correndo com Sofia ao redor de uma árvore.
— Pietro, corre ali e chame sua irmã, diga que o pai quer ver ela, por favor — Bella apontou e Pietro saiu correndo, chamando Julia. Bella esperou vendo o menino conversar com ela, que assentiu, falou algo a Sofia e saiu atrás dele, viu Julia chutar as pernas do irmão.
— Meu Jesus, essa criança não é normal — Bella falou sozinha colocando a mão na cintura. Pietro empurrou Julia pela cabeça, que cambaleou para cair e ficou rindo.
— Quem, mamãe? — Kaila perguntou.
— Ninguém, meu amor, a mamãe estava falando sozinha — ela respondeu acariciando a mão da menina.
— Ah.
— Oi, mamãe — Julia disse abraçando a mãe pelas pernas.
— Seu pai que ver você — Bella disse. — Mas antes a mamãe precisa falar com vocês — começou. — O papai está dodói.
— Dodói? — Kaila perguntou.
— É, ele acabou caindo da escada e machucou o lado da barriga, ele não pode pegar vocês no colo e nem pode ficar andando, entenderam? — Ela perguntou e os três assentiram, sabia que aquela era uma mentira mal lavada, mas foi a única em que ela podia pensar no momento.
— Mas ele tá bem, mãe? — Pietro perguntou.
— Está, príncipe, ele só precisa ficar quieto e logo ele fica bom — Bella explicou.
— O papai é um lerdo, todo mundo sabe que não pode correr na escada — Bella riu do que Julia disse.
— Pois é, meu amor, não pode correr na escada se não fica machucado, vamos lá?
— Vamos.
Bella abriu a porta do quarto e o marido tirou a atenção do celular, olhando para ela que entrava segurando Kaila pela mão com Julia e Pietro na sua frente.
— Papai! — Julia gritou indo abraçar o pai, ela bateu o braço perto da ferida, arrancando um gemido de dor do pai.
— JULIA! — Bella gritou e a menina soltou o pai com cara de culpada.
— Desculpa, papai — ela pediu e Edward riu.
— Tá desculpada, minha princesa — ele disse passando a mão nos cabelos da menina, que pulou na cama. Pietro chegou perto do pai e olhou o machucado.
— Você caiu da escada? — Ele perguntou olhando para o pai, desconfiado, Edward e Bella trocaram um olhar cúmplice.
— Foi sim, depois eu preciso conversar com você, garotão — Edward disse.
— O que eu fiz? — Pietro perguntou com medo e Edward riu.
— Você não fez nada, só precisamos ter uma conversa de homens — Pietro riu abraçando o pai pelo pescoço com cuidado para não machucá-lo e se sentou na cama. Bella esticou o braço que Kaila segurava, incentivando a menina a ir para perto do pai, mas a pequena tinha travado os pés no chão.
— Kaila, vai falar com o seu pai, ele está dodói — Bella disse, mas a menina botou um dedo na boca e balançou a cabeça negando.
— Kaila, vem aqui vem — Edward chamou com a mão, mas a menina negou.
— Ele vai ficar triste, Kailinha — Bella disse se abaixando a altura da menina, que esticou as mãos para ela pegá-la no colo. — Não, a mamãe não vai te pegar no colo, vá abraçar o seu pai – Bella a incentivou.
— Vem aqui, pequena, o papai quer só um abraço — Edward pediu e Kaila o olhou vencida, então ela foi até ele a passos lentos, quando ela chegou perto, ele a puxou antes que ela desistisse. Mesmo sentindo um pouco de dor, ele a segurou pelo braço esquerdo e a abraçou, ela retribuiu passando os pequenos braços ao redor do pescoço dele, Edward beijou os cabelos dela a apertando. Bella observava aquilo sorrindo.
Logo ele teve que soltá-la e Bella a tirou do colo, já que podia machucá-lo, não foi cinco segundos e uma Alice entra no quarto parecendo um furacão. Bella deu um passo para trás com Kaila no colo já que Alice praticamente se jogou no colo do irmão.
— Ai, Alice — Edward reclamou e Alice o soltou.
— Meu Deus, você está bem? — Alice estava agitada e muito preocupada, Bella olhou para a porta e Jasper estava ali, parado de braços cruzados, ela foi até ele e ele acariciou a bochecha de Kaila.
— Estou, eu estou bem — Edward respondeu. — Onde você estava? — Ele perguntou desconfiado, olhando para Jasper.
— Foi culpa dele que eu não eu vim antes, ele me arrastou pra cidade e não me contou o que aconteceu! — Ela apontou para Jasper, que riu.
— Está tudo bem agora — ele a tranquilizou.
— Graças a Deus — Alice disse mais calma, Bella desceu Kaila a colocando no chão e a garota correu atrás do controle da televisão. Julia, vendo que a irmã ia pegar o controle que estava do lado dela, correu e pegou.
— Me dá — Kaila pediu.
— Não — Julia falou abraçando o controle, Kaila bufou e revirou os olhos, o mesmo gesto que Edward fazia várias vezes.
— Me dá logo, Julia! — Ela pediu de novo.
— Não, eu vou assistir o Bobsponja — Julia disse.
— MAS EU NÃO QUERO ASSISTIR O BOB ESPONJA — Kaila gritou e Julia bateu com o controle na cabeça dela. Kaila, que não deixou por menos, cravou as unhas na pernas da irmã, que sacudiu a perna, mas nem assim Kaila soltou. Julia tornou a bater com o controle nela e dessa vez Kaila cuspiu nela, fazendo Julia agarrar seus cabelos e Kaila bater na boca da irmã. Vendo tudo isso, Alice e Bella correram para separar as duas, Julia não queria soltar o cabelo da irmã e Alice tentava a qualquer custo fazê-la soltar, Bella puxava Kaila, que chutava Julia.
— Solte o cabelo dela, Julia! — Alice pedia, mas não tinha jeito, foi quando Bella pegou uma sandália e bateu nas pernas de Julia, depois voltou e bateu também em Kaila, fazendo elas se soltarem e começarem a chorar.
— Bella! — Edward disse repreendendo a mulher, que o fuzilou com o olhar.
— Você não se meta — Bella disse levantando a mão aberta. — eu quero Julia sentada aqui — Bella apontou para um canto do quarto e depois apontou para o outro. — E Kaila sentada lá, vão ficar as duas de castigo — as duas obedeceram ainda chorando.
— Tá vendo, sua idiota, culpa sua! — Julia disse.
— Cale a boca, Julia — Bella gritou. — Eu lhe avisei que hoje você não dormia sem apanhar, parece que acordou pelo avesso hoje — Bella disse brava.
— Eu vou saindo, tomar um banho e dormir — Alice disse e Jasper foi até Edward, pegando na mão dele.
— Melhoras, parceiro — ele disse e Edward assentiu.
— Obrigada — agradeceu e Jasper saiu.
— Foi só eu que sentir o clima entre os dois? — Edward perguntou e Bella deu de ombros. — Ai ai — ele disse.
— Mamãe, o Pietro tá me enchendo — Julia acusou e Pietro riu, se levantando.
— Pietro, você também não! — Bella disse.
— Eu não fiz nada, ela que é louca, vou até sair, vou jogar bola — Pietro saiu do quarto não sem antes dar língua a Julia, que gritou e o irmão saiu correndo.
— Vocês duas não tem jeito não, o que foi que eu disse sobre vocês ficarem brigando? — Edward perguntou sério e as duas abaixaram a cabeça. — Eu só não quero que isso se repita — ele disse ameaçador.
...
Já era tarde quando Bella saiu do seu banheiro, tinha acabado de tomar banho e as crianças já tinham dormido. Edward estava deitado na cama a esperando, quando escutaram batidas na porta, ela foi abrir e deu de cara com uma Kaila sonolenta com uma boneca embaixo de um braço, a chupeta na boca e uma coberta de ursinho embaixo do braço, estava a coisa mais fofa do mundo coçando o olhinho e de pijama branco.
— O que aconteceu, princesa? — Bella se abaixou na altura dela.
— Mamãe, eu posso dormir aqui? — Ela pediu manhosa se jogando no colo da mãe, que a amparou. Olhou para Edward, que assentiu, mas ficou receosa de Kaila machucar o marido à noite, já que a garota era agitada demais.
— Pode trazê-la, meu ferimento é do outro lado, ela não vai me machucar — ele explicou, então Bella pegou-a no colo e a colocou em pé na cama, colocou a mão na testa pra ver se a febre tinha voltado, mas não voltou. — Está com febre? — Edward perguntou.
— Não, é só dengo mesmo — Bella disse rindo, Kaila se deitou ao lado do pai e Bella se deitou do lado dela, deixando a criança no meio dos dois. Edward começou a acariciar a cabeça de Kaila, que já estava quase dormindo de novo. Quando ele achou que ela tinha pegado no sono, parou de fazer o cafuné, mas na mesma da hora a menina pegou na mão dele e colocou em sua cabeça de volta, fazendo os pais rirem e o pai voltar a fazer o cafuné.
Bella abriu os olhos e o quarto já se encontrava todo claro, mostrando que já havia amanhecido. Se virou olhando Kaila atravessada na enorme cama, tinha as pernas em cima das pernas do pai e a cabeça encostada nas costas de Bella, ela se sentou na cama e ajeitou a pequena, que resmungou.
Se levantou e fez sua higiene matinal, se vestiu, passou no quarto das crianças, Pietro dormia, mas Julia já estava acordada. Bella pegou ela no colo e a ajudou a escovar os dentes, deu um banho nela e a vestiu, desceram as duas de mãos dadas e, lá embaixo, algumas pessoas já tomavam café na mesa.
— Bom dia — ela desejou, sendo respondida.
— Bom dia — todos falaram.
— E Edward, como está? — Ryan perguntou.
— Está bem — Bella respondeu. — Os remédios estão fazendo as dores melhorarem, mas ele é teimoso, não quer ficar quieto — ela disse irritada, fazendo alguns ali rirem.
— Bella, você providenciou meu vestido? — Ester perguntou.
— Sim, eles devem entregar daqui a umas duas horas por aí, liguei ontem pra central e pedir pro Brian mandar a loja mais próxima entregar — Bella explicou.
— Ah sim — Ester falou.
— O meu está incluso aí, né? — Rosalie perguntou.
— Está e o de Alice também — ela respondeu enquanto servia Julia.
— E o meu, mamãe? — Julia perguntou fazendo Bella ri.
— O seu também, meu amor, o seu é totalmente exclusivo, a mamãe desenhou especialmente pra você — ela falou e Julia bateu palma.
— Que chique! — Rosalie disse piscando para Julia, que riu.
...
Bella se preparava para contar ao marido sobre Kaila, ela estava no quarto a sós com ele, que a olhava como se ela tivesse sete cabeças.
— Bella, me conta o tá acontecendo e para de andar para lá e para cá, eu já estou tonto! — Ele pediu e ela parou, não sabia por onde começar, então falaria o que viesse a sua cabeça.
— Amor, você lembra quando eu te disse que a nossa bebê não tinha nascido morta... — Bella começou, mas logo foi interrompida por Edward.
— Ah não, Bella, essa história de novo não, por favor — ele pediu.
— Não, eu preciso te falar uma coisa e você tem que me ouvir até o final, não me interrompa — ela disse irritada e ele respirou fundo. — Como eu estava dizendo, por mais que eu tivesse entre a consciência e a inconsciência, quando os médicos a pegaram de dentro de mim, eu pude ver uma marca, nossa bebê tinha uma marca parecida com a que eu tenho nas costas, mas nela era na coxa e um pouco maior. E há um tempo, eu percebi que Kaila tem a mesma marca, no mesmo lugar — Bella esperou o marido a chamar de louca ou coisa do tipo.
— Onde você quer chegar, Bella?
— Kaila é a NOSSA filha!
— Como assim? É impossível! Quem anda te falando essas coisas? — Ele perguntou exaltado e Bella correu para pegar a carteira dele, abriu e tirou a foto de lá, jogando em cima dele, que pegou a foto.
— Eu não sou louca, Edward, eu conheceria esse bebê a quilômetros e posso te dizer com toda a certeza que esse bebê saiu de dentro de mim — ela falou respirando rápido e continuou. — Eu não sei o que e nem como Tânia fez, mas ela roubou o meu bebê e nos fez acreditar que ela era dela, por isso o DNA deu positivo, Kaila é MINHA filha e aquela desgraçada a tirou de mim, você precisa acreditar nisso Edward, por Deus! — Bella chorava desesperada e caiu no chão, o marido se ajoelhou à frente dela e a abraçou devagar, tomando cuidado com seu ferimento.
— Calma, se você tá dizendo eu acredito, mas nós temos que fazer um teste de DNA, as coisas não são assim, Bella, sua palavra não vai valer nada diante de um juiz ou de um advogado, você está entendendo? Nós precisamos de provas — ele disse e ela assentiu.
— Então vamos, nós vamos fazer esse teste agora — ela disse se soltando dele e se levantando.
— Agora?
— Sim, Edward, agora! Eu não vou suportar conviver com essa angústia dentro de mim, porque eu sei que ela é minha, mas também sei que você não tá acreditando totalmente — ela disse e ele não negou, achava tudo aquilo louco demais. Tânia era uma imbecil ambiciosa, mas ela não tinha inteligência e nem dinheiro para fazer isso, sem contar que ele viu a barriga dela grande, ela grávida.
Ele respirou fundo e se levantou, também queria que tirar a prova o mais rápido que pudesse. Bella saiu do quarto atrás de Kaila e a encontrou no jardim com Renee, Bella suspirou revirando os olhos.
— Kailinha, nós vamos sair, princesa — ela chamou e a menina deu um tchauzinho a Renee, que foi retribuído, e segurou a mão da mãe.
— A gente vai pra onde, mamãe?
— Nós vamos na cidade — Bella respondeu. Para sua sorte, encontrou Ester descendo as escadas. — Ester?
— Oi, querida — Ester respondeu parando em frente à ela.
— Você pode ficar de olho no Pietro e na Julia pra mim? — Ela pediu.
— Posso sim, vão sair? – Perguntou.
— Vou na cidade com Edward e Kaila.
— Tudo bem, mas lembre-se que sete horas o pessoal do salão vem para arrumar a gente — Ester disse.
— Vou estar aqui antes, vai ser bem rápido lá.
— Aconteceu alguma coisa? Está com os olhos vermelhos — Ester perguntou colocando uma mexa do cabelo dela atrás da orelha, e Bella negou com a cabeça, mas não se aguentou e começou a chorar de novo, era emoção demais nos últimos dias e ela estava para explodir. Ester a abraçou encostando a cabeça dela em seu peito e acariciou seus cabelos.
— Seja lá o que tiver acontecido, não chore, querida, nada vale nossas lágrimas de tristeza — ela disse, Renee entrou na casa naquele momento e ver aquela cena fez ela se encher de ciúmes.
— Mamãe, você tá chorando por quê? — Kaila perguntou também dando sinais de choro, então a mãe se separou de Ester, respirou fundo, secando o rosto, e sorriu para a filha.
— Por nada, meu amor, não precisa chorar, a mamãe já está melhor — ela disse se abaixando e pegando Kaila no colo, se virou para Ester e agradeceu. – Obrigada.
Não demorou muito e Edward, Bella e Kaila já estavam chegando no hospital. Bella estava dirigindo por causa das condições do marido e ela vinha o mais rápido que conseguia. No meio do caminho, Edward tinha feito algumas ligações e tinha conseguido falar com o gerente do hospital, depois de muita conversa ele conseguiu fazer com que o gerente fizesse o DNA e o resultado do exame saísse com até duas horas depois. Edward era bom em manipulação e sem contar que, com um bom dinheiro, ele conseguia o que quisesse e isso não foi diferente, ele desceu do carro com raiva.
— Louca, queria matar a gente? — Ele perguntou a Bella, que tirava Kaila da cadeirinha.
— Não enche o saco, Edward! — Ela pediu.
— Precisava vim correndo daquele jeito? Você fez o percurso em uma hora, UMA HORA, BELLA! — Ele disse e ela já impaciente bateu o pé e colocou a mão na cintura.
— EU ESTAVA COM PRESSA, POSSO?
— Não — ele respondeu, mas foi ignorado por ela, que saiu na frente segurando Kaila pela mão e ele as seguiu.
— Boa tarde, em que posso ajudá-los? — Uma mulher toda de branco, que parecia ser a recepcionista, falou.
— Você pode dizer ao senhor Franco que é Edward Cullen, ele já sabe o que é — Edward falou e a recepcionista assentiu, telefonando para seu chefe.
— Bom dia, senhor Franco, o senhor Edward Cullen está aqui — ela parou um tempo escutando algo que o chefe disse. — Tudo bem — ela desligou e se virou para o casal. — Vocês pode me seguir por favor? — E foi o que eles fizeram, ela os deixou em um sala toda branca, com uma cadeira no centro, não demorou nem alguns segundos, uma mulher entrou.
— Bom dia, eu sou a doutora Eliane, quem vai tirar o sangue? — Bella se levantou com Kaila no colo e se sentou na cadeira, deixando Kaila presa a ela. Quando a garotinha viu a médica mexendo com a seringa, começou a ficar agitada e Bella a segurou, foi difícil conseguir tirar o sangue, mas depois de muito choro e gritos de Kaila, elas conseguiram. Com Bella foi bem mais rápido.
Agora eles se encontravam na praça de alimentação, almoçando. Kaila já tinha brincado em vários brinquedos ali no shopping para se distrair e Bella estava tensa, apesar de seu coração dizer que a garota era sua filha, aquele teste tiraria toda e qualquer dúvida que sua mente formasse.
Edward ainda pensava em tudo o que a mulher o tinha dito, sabia que as duas eram muito parecidas, inclusive o jeito, mas chegar a ser mãe e filha, era demais para a cabeça dele. Mil possibilidades passavam em sua mente, mas uma ele tinha certeza: se tudo o que Bella tinha contado a ele fosse verdade, ele mataria Tânia sem dó e nem piedade, na verdade ele só não tinha mandado acabar com a vida dela ainda por consideração a filha dele, porque aquela desgraçada só servia para infernizar a vida dele.
Olhou para Kaila, que comia algo do seu prato, e voltou seu olhar para Bella, sem dúvidas elas eram parecidas, até o jeito de pegar no garfo. O olhar de Bella se encontrou com o dele e ela desviou, olhando para Kaila, que estava com a boca suja. Ele suspirou, sabia que ela estava chateada com ele, mas ele não estava duvidando dela e a prova é que estavam ali, ele só achava afronta demais de Tânia ou de qualquer outra pessoa fazer isso com ele, olhou para o relógio e já estava na hora de irem pegar o exame, esperou um pouco as duas terminarem de comer.
— Vamos? — Ele perguntou chamando Bella.
— Vamos — ela respondeu, limpando a boca de Kaila e se levantando, ele seguiu atrás já que a mulher foi andando mais na frente, Kaila parou e se virou para ele.
— Vem, papai! — Ela chamou com a mão e ele a segurou, deixando ela entre os dois.
Eles já tinham pegado o exame e estavam dentro do carro, Edward segurava o envelope no banco do carona enquanto Bella o olhava sentada no banco do motorista. Kaila estava atrás na cadeirinha, alheia a toda aquela tensão jogando no celular.
— Abre — Bella disse e Edward a olhou, ele abriu o envelope puxando de lá um papel, ele não se preocupou em ler as palavras que tinha ali, ele só procurava uma que estava embaixo bem destacada: POSITIVO. Bella o olhou, aquele pedaço de papel não dizia nada do que ela já não soubesse.
— Meu Deus! — Ele exclamou e virou a folha para ela, que pode ver o nome destacado ali, ela balançou a cabeça, afirmando.
— Eu disse! — Ela falou o olhando e deu um pulo quando ouviu o barulho do chute que o marido deu na frente do carro.
— Aquela desgraçada! Eu vou matar ela — ele disse, os olhos deles se encheram de lágrimas e os de Bella também, novamente deu um murro, mas dessa vez no vidro, que não quebrou por ser blindado.
— Mamãe! — Kaila chamou chorosa, estava assustada com o rompante do pai.
— Você está deixando ela assustada — Bella avisou e ele se virou para a filha com dificuldade, já que com o movimento rápido do braço, ele sentiu dor.
— O papai só ficou irritado com uma coisa, filha, eu não vou fazer mais — ele disse e Kaila assentiu. — Vamos embora — ele disse a Bella, que acelerou o carro.
Edward batia o pé no chão do carro, ele estava agoniado e, de minuto a minuto, se remexia no banco. Ele tentava entender o que tinha acontecido há quatro anos atrás, e Bella não podia se sentir melhor, agora não restava dúvida alguma, Kaila era mesmo sua filha. Olhou pelo retrovisor e a menina jogava no celular, tinha uma chupeta na boca e estava a coisa mais fofa com duas maria-chiquinhas no cabelo.
Não demorou muito e Bella já estava estacionando o carro na garagem da mansão, ela desceu e abriu os cintos da cadeirinha, tirando Kaila de lá, que logo correu abrindo a porta da mansão. Bella entrou logo depois dela, Rosalie e Alice a olhavam apreensivas, elas sabiam o que Bella tinha ido fazer, então Bella riu e elas entenderam que o resultado foi positivo. Alice pulou e Rosalie correu para abraçar a amiga, que a apertou feliz demais.
Edward subiu pisando fundo, ele tirava o celular do bolso, discou um número e não demorou muito para a pessoa do outro lado atender.
— Preciso que você ache a Tânia, nem que seja no inferno, ache aquela desgraçada — ele disse.
— Opa, boa tarde para você também — a voz do outro lado disse.
— Boa tarde, Peter — Peter era o detetive particular de Edward, o melhor do Brasil.
— E o que a gente faz com ela? — Peter perguntou. Por um momento, Edward quis mandar matar ela, mas antes de morrer ela tinha muita coisa para falar.
— Leve ela pro meu galpão — Edward desligou sem esperar a resposta do detetive.
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