Vidas Imperfeitas
19 Capítulo 19
Bella estava na academia que se encontrava na mansão mesmo, era uma área mais afastada e ela sempre gostou de malhar, porém dessa vez ela tinha ido mais para pensar. Estava sentada em um pequeno colchão onde ia se exercitar, sua discussão com Renee não saia de sua cabeça, queria saber o que ela iria conversar com Ryan, já achava estranho demais a rivalidade entre os dois casais e, depois dessa, ela começou a ficar curiosa. Saiu de seus pensamentos quando viu Pietro entrar na academia, o menino respirava rápido e parecia nervoso, ele entrava caminhando devagar com as mãos para trás, Bella franziu a sobrancelha.
— Pietro! — Chamou olhando para ele. — O que está acontecendo? — O garoto não respondeu, chegando mais perto da mãe parou, tirou uma das mãos de trás de seu corpo e estendeu para a mãe, que arregalou os olhos ao ver o objeto que o garoto estendia. — Onde você achou isso, Pietro?! — Bella perguntou pegando a arma que o garoto estendia para ela da mão dele.
— Estava em cima do sofá — Pietro respondeu, Bella olhou para o objeto e arfou, a arma estava engatilhada, a possibilidade de alguma das outras crianças terem pegado fez um arrepio subir por sua coluna.
— Isso aqui é muito perigoso, Pietro, você não deveria ter pegado — Bella disse desengatilhando a arma.
— Eu sei o que é isso, mãe, e por isso trouxe pra senhora, as meninas estavam brincando no chão em frente ao sofá, já pensou se elas pegam? — Pietro estava sério demais e Bella se surpreendeu pelo filho saber o que aquilo fazia, claro que Pietro já teve várias armas de brinquedo, mas ele se mostrou muito maduro em não querer explorar aquela como outra criança normalmente faria.
— Eu não estou acreditando que alguém deixou essa arma em cima do sofá que as meninas estavam perto — Bella estava abismada, era do conhecimento de todos ali que aqueles homens tinham e usavam armas, mas nenhum deles nunca deu um vacilo daquele, nem em sua casa, que o marido continha uma coleção de armas, aquilo nunca havia ocorrido. Ela se levantou colocando a arma na cintura.
— Vou falar com o seu pai, isso não poderia ter acontecido, é perigoso, isso machuca de verdade — Bella explicou ao filho.
— Você acha que é o do papai?
— Tenho certeza que não, seu pai ainda não saiu do quarto hoje e sem contar que ele nunca ia deixar isso assim dando mole — ela respirou fundo saindo da academia sendo seguida pelo filho, subiu as escadas pisando forte, ela estava furiosa porque seja lá quem deixou aquilo, foi uma enorme irresponsabilidade, abriu a porta vendo o marido sentado mexendo em seu Mac, ele olhou da mulher para o filho.
— O que foi? — Ele perguntou olhando os dois desconfiados, Pietro fechou a porta e olhou para a mãe, que tirou a arma da cintura estendendo-a para o marido, que franziu a sobrancelha pegando a arma. — De quem é? — Ele perguntou analisando a arma.
— É isso que eu quero saber — Edward olhou para a mulher como se ela tivesse sete cabeças.
— Como que você aparece com uma arma e você não sabe de quem é?
— Porque algum irresponsável deixou essa arma em cima do sofá e Pietro achou — Bella respondeu e Edward fechou a cara, não podia acreditar naquilo, ele se levantou furioso.
— Eu não estou acreditando nisso! — Ele passou as mãos na cabeça.
— E isso nem é o pior, a arma estava em cima do sofá na sala de televisão e as meninas estavam brincando embaixo, no chão, e não sei porque porra ela estava ENGATILHADA! — Bella gritou a última parte fazendo Edward parar e olhar para ela com os olhos arregalados, se ele já estava nervoso, agora a raiva dele se multiplicou.
— Isso nunca aconteceu antes, é muito vacilo, muita irresponsabilidade, Bella, você já pensou se alguma das meninas acham isso? — Ele disse sacudindo a arma, Bella se arrepiou, não queria nem imaginar umas das meninas achando aquilo, e se bem conhecia Julia, se ela tivesse visto, com toda certeza teria mexido.
— Eu não quero nem imaginar se uma delas se machuca com isso — Bella disse.
— Pietro, quem estava na sala? Você viu alguém que possa ter deixado a arma lá? — Edward perguntou ao filho.
— Não, só estavam as meninas mesmo, depois eu cheguei para pegar o jogo do vídeo game que eu e os meninos tínhamos deixado lá ontem e vi em cima da sofá, peguei e levei pra mamãe, pensei em trazer pro senhor, mas achei que estava dormindo ainda — Pietro se explicou.
— Eu vou descobrir quem deixou essa porra lá e o negócio não vai ficar bom — Edward respondeu saindo do quarto e batendo a porta. Pietro olhou para a mãe, ele estava assustado era óbvio, Bella se sentou na cama e o chamou com as mãos, ele se abraçou com a mãe e chorou, Bella passou a mão nas costas dele tentando acalmá-lo.
— Você fez o certo em ter chamado a mim ou a seu pai quando viu a arma, querido, estou orgulhosa de você — Bella apertou ele em seus braços.
— O tio Jasper disse uma vez que armas são perigosas e ele nos ensinou como deveríamos pegar nela para ela não disparar e como tirar as balas, por isso peguei certo, mas mesmo assim fiquei com medo, já pensou se eu atiro em alguém aqui? — Ele explicou à mãe se sentando ao lado dela, Bella se surpreendeu com isso.
— Ensinou?
— Sim, a mim, ao Gustavo e ao Felipe.
— Tudo bem, mas não se preocupe, você não atiraria em ninguém, meu amor, já passou, agora deixe isso com o seu pai, tudo bem? — Ele assentiu respirando fundo.
Dentro do escritório, Edward olhava furioso para seu pai e seus irmãos, ele tinha acabado de contar o que acontecera e Emmett estava tão furioso quanto ele.
— Mas que droga! Todo mundo sabe que não se deixa isso assim jogado, ainda mais engatilhado — Emmett falou alto, Carlisle analisava a arma.
— Creio que não seja de Ryan, ele não gosta desse tipo de arma, só anda com pistolas, não com revólveres — Carlisle disse.
— Então ou é de Jasper ou é de Charlie — Jacob falou, então uma coisa se acendeu na cabeça de Edward.
— Claro que foi, aposto que isso é coisa de Charlie, de propósito ainda — Edward disse.
— Pare com isso, Edward! — Carlisle ralhou. — Charlie não é louco, pode até ter sido ele, mas não proposital, ele não iria querer entrar em guerra com a gente.
— É bom não ter sido mesmo, se não ele irá ver o que acontece quando se mexe com um Cullen — Edward falou e saiu do escritório. Para sua felicidade, deu de cara exatamente com Charlie, que saia do quarto onde ele estava dormindo. Cego pela raiva, Edward foi até ele, segurou o pescoço de Charlie e o empurrou, prensando-o na parede, ele apertava o pescoço de Charlie, que o olhava com os olhos arregalados.
— Se alguma coisa acontece com meus filhos ou com os meus sobrinhos por causa da sua irresponsabilidade, eu mato você, seu desgraçado, se uma das minhas filhas ou Sofia tivesse sequer achado aquela porcaria você ia ver porque as pessoas não mexem comigo — Charlie já começava a ficar sem ar quando Edward foi puxado para trás, o soltando e fazendo ele cair no chão, Charlie passava as mãos no pescoço enquanto tentava se levantar e puxar o ar.
— Para com isso, Edward — Carlisle segurava um braço do filho, que respirava fundo. Edward olhou Charlie de cima para baixo em uma clara demonstração de superioridade.
— Está avisado, Charlie.
— VOCÊ TÁ MALUCO! NÃO ESTOU ENTENDENDO NADA! — Charlie gritou e Edward riu cinicamente.
— Ah não está entendendo nada? NÃO SE FAÇA DE SONSO, FIQUE LONGE DA MINHA MULHER E DOS MEUS FILHOS OU VOU MATAR VOCÊ, CHARLIE! — Edward gritou chamando a atenção de toda a casa, Esme saiu de dentro do quarto vendo tudo aquilo.
— O que está acontecendo aqui? — Ela perguntou.
— Seu filho que de uma hora pra outra me agrediu! — Charlie respondeu a Esme. Naquele momento, todas as pessoas já estavam em volta e, por último, Bella, que saiu do quarto com Pietro, ela olhou para o marido e foi até ele ficando em sua frente abraçada.
Edward explicou a mãe e ao resto das pessoas o que tinha acontecido, Rosalie começou a chorar sendo amparada pela mãe, pensar no perigo que as crianças correram a fez ficar desesperada, as meninas choravam assustadas com toda aquela gritaria, mesmo sem entender o que havia ocorrido. Renee estava parada, não tinha dito nada, estava com os braços cruzados encostada na parede, seus olhos se encontraram com os de Ester e ela os abaixou, olhando para o chão.
Rosalie respirou fundo parando de chorar e pegou as meninas pela mão, levando-as para baixo, não queria que as três presenciassem aquela discussão.
— Você não sabe se foi ele, Edward, não pode chegar batendo nas pessoas assim! — Esme falou colocando as mãos na cintura.
— Mas é claro que foi ele, nós estamos há quatro dias aqui e isso não aconteceu, é só ele chegar e essas coisas começam a acontecer — Edward falou.
— Eu não tive culpa, essa arma não é minha — Charlie falou com raiva recebendo um olhar fulminante de Edward.
— Você não pode tratar as visitas assim, Edward! — Esme gritou.
— A senhora não me estressa! — Ele gritou com raiva. — Mas deixa aí, ele já tá avisado do que vai acontecer com ele se ele se meter a macho pra cima de mim, vamos, Bella! — Edward saiu puxando Bella pela mão, entraram no quarto e ele bateu a porta, se virou chutando o abaju, que caiu no chão se quebrando. Bella se sentou na cama passando as mãos no rosto, se Charlie foi capaz de fazer aquilo, imaginava do que ele seria capaz futuramente, voltou seu olhar para o marido, que ainda estava claramente nervoso, o olhar dele se encontrou com o dela e ela se levantou o abraçando, ele a apertou em seus braços, podia sentir o medo dela só por aquele aperto.
— Não se preocupe, meu amor, não aconteceu nada e nem vai acontecer — ele a consolou e ela assentiu, se segurando para não chorar. Foram interrompidos pela porta se abrindo e uma Rosalie com os olhos vermelhos de choro aparecendo com uma Kaila aos prantos em seu colo, Bella se separou do marido indo até a amiga e pegando a filha.
— Ela está assustada — Rosalie falou.
— Tudo bem, obrigada — Bella agradeceu, Rosalie assentiu saindo e fechando a porta.
— O que aconteceu? — Kaila perguntou chorando, Bella passou a mão no rosto dela limpando suas lágrimas.
— Não foi nada, meu amor, assuntos de adultos — ela explicou. — Não precisa chorar, já acabou — Kaila fungou, Bella se virou para o marido, que observava as duas.
— Estou com medo — Kaila disse apertando seus bracinhos no pescoço da mãe, Edward suspirou e foi até elas, estendeu os braços pegando Kaila no colo, se sentou com a menina na cama e a mulher de seu lado.
— Não precisa ficar com medo, não aconteceu nada demais, o papai só estava um pouco nervoso — ele explicou calmamente.
— Não gosto daquele homem — Kaila disse se referindo a Charlie, fazendo os pais trocarem olhares cúmplices.
— Porque você não gosta dele? Ele já fez alguma coisa com você? — Edward se apressou em perguntar, se Charlie fez algo a Kaila, ele iria atrás dele e o faria pagar.
— Não, mas mesmo assim eu não gosto — Kaila respondeu.
— Tudo bem, se ele fizer algo a você ou a qualquer pessoa, você vai me contar ou contar a sua mãe, certo?
— Certo — Kaila afirmou balançando a cabeça.
[...]
Na mesa do almoço, o silêncio reinava, nem as crianças ousavam dizer alguma coisa, era clara a tensão presente no ambiente. Esme ainda estava furiosa com o filho, oitenta por cento das pessoas na mesa queriam matar Charlie e Bella ainda estava com medo do que poderia vim a acontecer, tanto que o seu apetite já havia indo embora.
Ao término do almoço, Edward e Bella decidiram deitar e assistir um filme, o homem estava encostado na cabeceira da cama com Bella sentada entre suas pernas e encostada à seu peito, ele beijava o ombro dela, mas foram interrompidos pelo toque do celular de Edward, ele pegou e olhou a tela, franzindo o cenho ao ver o nome.
— Fala — ele foi curto e grosso, esperou o que o homem disse do outro lado, Bella olhava para ele com a sobrancelha franzida. — É O QUE? — Ele gritou se levantando enquanto a mulher apenas o observava. — VOCÊS SÃO UM BANDO DE IMPRESTÁVEIS, NÃO SERVEM PRA PORRA NENHUMA, MAS QUE DROGA! — Bella balançou a cabeça vendo o marido desligar o celular e correr para o closet.
— O que aconteceu?
— Problemas com meu pessoal — Bella sabia a quem ele se referia quando falava "meu pessoal" e, para confirmar suas suspeitas, a porta foi aberta por um Emmett com um semblante preocupado, eles dois trocaram um olhar cúmplice como se conversassem um com o outro por meio dele e não foi preciso eles falarem nada para Bella saber que eram problemas com a máfia. Respirou fundo recebendo um beijo rápido do marido.
— Eu não demoro — ele disse e saiu sem esperar ela responder, Bella se jogou na cama, olhou para a televisão que ainda passava o filme que eles estavam assistindo e suspirou, escutou passinhos já conhecidos por ela e se virou vendo Julia fechar a porta. Estendeu um braço para a garotinha, que segurou e subiu na cama, Bella a abraçou apertado sendo retribuída pela filha, sentiu o cheiro que ela tanto amava ao encostar a cabeça junto com a de Julia.
— O que a minha princesa estava fazendo? — Ela perguntou.
— Nada, quero ficar aqui, vamos assistir um filme da Barbie? — Julia era apaixonada pela Barbie e com toda certeza já tinha assistido todos os filmes da boneca, mas nunca se cansava.
— Vamos sim — Bella levantou da cama para colocar o filme e depois voltou a se deitar.
— Onde está o papai? — Julia perguntou se deitando e abraçando a mãe.
— Saiu com o seu tio.
— Ele foi na cidade?
— Não, foram resolver uns problemas do trabalho dele.
— Ah sim.
Como Bella previa, Julia não assistiu nem vinte minutos do filme quieta e logo começou a andar pelo quarto, primeiro no banheiro abrindo e fechando as torneiras. De tanto a mãe mandá-la parar de mexer nas torneiras, ela passou para o closet, mexeu nas maquiagens da mãe e sujou alguns ternos do pai. Bella ameaçou colocá-la de castigo se mexesse em mais uma roupa, e então ela passou para o quarto, começou mexendo no ar condicionado, a mãe tomou o controle dela, então começou a mexer no criado mudo. Quando Bella tirou sua atenção de seu celular e olhou para a filha, Julia estava com a carteira do pai na mão, tirando de dentro todas as notas e colocando na cama, assim como os cartões, a mulher revirou os olhos, Julia parecia que tinha vindo de encomenda para Bella pagar seus pecados, porque não tinha condição de uma criança só ser tão agitada e danada daquele jeito.
— Julia, deixe a carteira do seu pai aí — Bella pediu se dando conta que o marido tinha esquecido ali na pressa que saiu.
— Só estou vendo, mamãe — Julia respondeu dando de ombros e tirando mais um cartão de dentro e colocando em cima da cama.
— Isso não é brinquedo, filha! — Disse olhando para a garota que tirava uma foto de dentro da carteira.
— Olha, mamãe — Julia estendeu a foto para a mãe, que pegou e sorriu vendo a imagem de Pietro branquelo e gorducho, se lembrava do dia em que ela mesma tinha tirado aquela foto, foi após darem o primeiro banho no garotinho, tinha sido uma experiência e tanto como mãe de primeira viagem.
— É o seu irmão — Bella respondeu entregando a foto de volta, Julia pegou olhando a foto e franzindo o rosto.
— O Pietro era gordo — disse fazendo a mãe ri, Julia guardou a foto pegando outra. — Oun olha como eu era linda, mamãe — estendeu para a mãe, que também pegou sorrindo, Julia tinha seis meses e gargalhava, tinha o cabelo em duas marias chiquinhas e as bochechas rosadas.
— Você é linda, meu amor — Bella respondeu entregando a foto a menina, que colocou na cama e voltou a mexer na carteira.
— Mamãe, é a Kailinha não é? — Julia perguntou olhando uma foto. — Nossa que feia, ela tá pelada e suja de sangue ainda eca— Julia fez cara de nojo e Bella estendeu a mão para pegar a foto e Julia entregou, Bella olhou para a foto e seu mundo parou.
Lembranças de quatro anos atrás vieram a sua mente, a imagem da sua filha sendo pega pelo médico, o som do choro dela e principalmente a marca na coxa direita dela.
Suas lembranças voltaram para um momento mais atual há alguns dias atrás quando ela vestia o biquíni de Kaila e passava o dedo sobre sua marca na coxa direita.
Depois, lembranças das pessoas dizendo o quanto as duas eram parecidas, da garota chamando ela de mãe e dela falando a Rosalie o quanto tinha se apegado a menina de uma forma inexplicável.
Bella se sentou na cama, ela agia de forma automática, seu corpo estava pesado e sua garganta ardia, Julia continuava conversando com a mãe de um assunto qualquer totalmente alheia a descoberta que a mãe acabara de fazer.
O ar de Bella faltou e ela sentia dificuldade em respirar, as imagens não paravam de correr em sua mente, o momento que acordou naquele hospital, que Edward contou a ela que sua filha tinha nascido morta, dela gritando com o marido dizendo que era mentira, que ela tinha escutado a filha chorar ao nascer.
A primeira vez em que ela visitou o túmulo da criança e lá estava escrito em sua lápide o nome VALENTINA CULLEN. Ela se lembrava de ter chorado horrores, aquele não era o nome da filha dela e, por fim, se lembrou do dia em que Edward contou a ela que a criança que Tanya esperava estava viva. Se dissesse que não sofreu e que não a machucou saber disso, ela estaria mentindo, aquela mulher tinha matado sua filha, não era justo a dela estar viva, mas nunca sofreu tanto ao ouvir Edward dizer o nome da criança: KAILA CULLEN. Ouvir que aquele era o nome que Tanya tinha escolhido para sua filha a cortou em mil pedaços, lembrava de querer matá-la, sabia que ela estava fazendo para provocar, ninguém sabia o nome que ela tinha escolhido para sua filha, entretanto se lembrava de gritar o nome pouco antes de apagar devido ao acidente.
Bella se virou para Julia, que lia algum papel que tinha tirado de dentro da carteira, ela estava tonta e sentia seu corpo fraco, podia sentir também o suor escorrer de sua testa.
— Julia? — Ela chamou ganhando a atenção da menina. — Chama sua tia Rosalie pra mim — Bella pediu e Julia assentiu saindo do quarto correndo. Não demorou muito para Rosalie entrar com Julia, ao ver o quão pálida e suada a amiga estava, Rosalie se sentou na frente dela.
— Bella? Você está bem? — Perguntou segurando uma das mãos dela. — Você está fria, o que aconteceu? — Rosalie começava a ficar nervosa, nunca tinha visto Bella daquele jeito.
— Mamãe? Tá tudo bem? — Ouviu a voz de Julia perguntar.
— Tá sim, meu amor, você pode ir brincar um pouco? A mamãe precisa ter uma conversa de adultos com a sua tia.
— Tá bom — Julia saiu correndo porta afora do quarto, Bella voltou sua atenção para Rosalie, que ainda a olhava assustada e estendeu a foto. Não foi preciso muito para Rosalie entender, na verdade já vinha desconfiando disso há muito tempo.
— Ela é minha filha — Bella disse caindo em prantos, Rosalie a abraçou. — É o meu bebê — Bella completou.
— Calma, você precisa ficar bem — Rosalie disse se separando dela e levantando da cama. — Me espera aqui, vou buscar um aparelho de pressão, você não está bem — Bella assentiu chorando e se deitou na cama abraçando o travesseiro, não demorou nada, Rosalie voltou. — Senta — ela pediu e Bella obedeceu, Rosalie colocou o aparelho no pulso de Bella e esperou ele medir, como ela previu, a pressão da amiga estava mesmo alta. — Tá alta, acho melhor você ficar calma e... — Rosalie foi interrompida pela porta sendo aberta de vez.
— Bella, você... — Alice falou parando logo em seguida quando viu as duas mulheres a olhando assustadas. — Aconteceu alguma coisa? — Perguntou olhando para o braço de Bella de onde Rosalie tirava o aparelho de pressão.
— Entra e fecha a porta, Alice — Rosalie pediu e foi o que Alice fez, fechou a porta e se sentou na cama.
— Ela é minha filha, Alice — Bella repetiu o que disse a Rosalie, mas Alice, diferente de Rosalie, não entendeu.
— Quem, mulher?
— Kaila — Bella respondeu engasgada e Alice arregalou os olhos se virando para Rosalie.
— Como você sabe disso? — Bella estendeu a mão entregando a foto de Kaila recém nascida.
— Você lembra de quando eu disse que a minha filha não tinha nascido morta? — Bella perguntou e ela assentiu. — Eu vi isso, a vi quando nasceu e sem dúvida alguma minha filha é essa criança — Bella tinha certeza do que tinha visto, poderia se passar trinta anos e ela jamais esqueceria essa imagem.
— Você não pode chegar e botar isso na sua cabeça assim, Bella, temos que ter certeza — Alice tentou ser racional, porém só irritou a cunhada.
— DROGA! EU NÃO PRECISO DE PROVAS, EU SEI — ela gritou agoniada.
— Bella, para! Nós acreditamos em você, mas temos que ser racionais, temos que pensar em tudo, porque se ela é sua filha, qual bebê foi enterrado no lugar dela? E principalmente como que ela foi parar nos braços de Tanya? — Rosalie terminou de falar olhando para Bella, que até ali não tinha parado para pensar nesses detalhes e, como um balde de água fria, ela se deu conta que alguém tinha armado para ela e, sem sombra de dúvidas, Tanya estava metida nisso.
— Eu vou matar a Tanya! Dessa vez eu mato ela! — Bella foi para se levantar da cama e uma tontura a atingiu, fazendo ela se sentar de volta.
— Você precisa se acalmar primeiro, sua pressão está alta, não quer morrer logo agora que descobriu que sua filha está viva e tão perto de você, ainda mais com mais dois filhos pequenos né, Bella? — Rosalie disse respirando fundo.
— Tudo bem, me dá logo alguma coisa pra mim tomar e liga pro Edward — ela disse mandona, Rosalie se levantou mexendo em uma caixa de remédios enquanto Alice pegou o celular para ligar para o irmão.
— Toma — Rosalie disse entregando um comprimido para Bella, que pegou e se levantou, dessa vez devagar.
— Edward não atende! — Alice disse e Bella respirou fundo, aquele não era o momento do marido sumir.
— Ele deve tá ocupado — explicou indo para a porta e sendo seguida pelas duas, elas foram para cozinha e Bella tomou o remédio. — Onde está Kaila? — Ela perguntou, queria ver a menina, pegar nela e olhá-la agora ciente de que ela era a filha por quem ela tanto sofreu achando que tinha morrido.
— Está no jardim brincando, quer que eu vá pegá-la? — Alice perguntou.
— Quero — Bella respondeu e a cunhada saiu da cozinha.
— Não vá assustar a menina — Rosalie disse e Bella a olhou irritada de canto de olho.
— Eu sei, Rosalie — ela respondeu grossa e Rosalie riu.
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