Vidas Imperfeitas
13 Capítulo 13
Eram seis da manhã, Bella estava sentada em uma poltrona no enorme quarto do hospital. Ao lado da cama, olhava para Rosalie deitada no pequeno sofá, dormindo, e depois olhou para Kaila, tão pequena naquela cama grande demais. Ela tinha sido medicada e estava em observação, como ela não tinha comido e nem se hidratado, a médica achou melhor deixá-la tomando soro através da veia, o que fez a garotinha chorar muito e consequentemente Bella também.
A mulher abaixou a cabeça e passou as mãos no rosto, estava esperando dar um horário mais tarde para ligar para Ester e perguntar sobre Pietro e Julia, sabia que eles jamais iriam desobedecer a mulher, porém conhecia Julia e sabia que a garotinha gostava de aprontar. Por coincidência, seu celular tocou dentro da bolsa, pegou olhando o visor e percebeu que era Jacob, então atendeu.
— Alô?
— Bella?
— Oi, Jacob.
— Como estão as coisas?
— Estão bem, ela vomitou um pouco quando chegamos aqui no hospital, a médica atendeu ela rápido e, como eu previ, era emocional mesmo.
— E como ela está agora?
— Ela está bem, está dormindo depois de chorar por vários minutos seguidos por causa da agulha do soro, estou esperando a médica aparecer para examinar ela de novo e nos dar alta.
— Pelo menos ela está melhor.
— Verdade.
— E você, como está?
— Cansada, muito cansada.
— Imagino.
— Você sabe se Julia e Pietro ainda estão dormindo?
— Estão sim, eu te ligo quando eles acordarem pra eles falarem com você, caso não tenha chegado, se você quiser.
— Eu agradeceria.
— Edward te ligou?
— Não sei, vim pegar no celular agora, por quê?
— Porque quando a gente chegou da rua e ele percebeu que você não estava, ele enlouqueceu.
— Eu não estou acreditando nisso não — Bella falou espantada.
— Acredite, ele acordou a casa toda, quando Ester disse que você tinha ido pro hospital com Rose levar Kaila, ele queria ir aí para o hospital, só que ele estava muito bêbado, foi um sufoco pra não deixar ele ir.
— Ele é absurdo, eu disse a ele que Kaila estava doente e ele não deu a mínima.
— Só sei que ele enlouqueceu aqui, se não fosse o pai, ele tinha ido parar aí bêbado e dirigindo, minha mãe logo fez um show depois que Edward dormiu, dizendo que tudo isso era sua culpa, você já sabe como ela é.
— Sei bem como ela é — Bella disse e a porta foi aberta passando por ela a médica. — Jacob, vou ter que desligar, a médica tá entrando, obrigada pela preocupação.
— Tudo bem, qualquer coisa eu tô aqui, é só ligar.
— Ok, obrigada, tchau — Bella desligou e se levantou cumprimentando a médica com um aperto de mão.
— Bom dia, mamãe, vou verificar a sua princesa e já lhe digo se você vai poder levá-la, tudo bem? — A doutora simpática disse e Bella assentiu se afastando da cama. A médica analisou a menina, medindo a temperatura e escrevendo algo em seu bloco de notas, depois se virou para Bella. — Ela está bem, a febre baixou, no caso de ser uma febre emocional, vamos evitar ao máximo que ela se irrite ou fique triste para que não aumente. Aqui está a receita, preciso que você compre esse remédio e dê a ela duas vezes ao dia até que a febre suma totalmente — a médica estendeu um papel para Bella, que pegou vendo a receita.
— Tudo bem, muito obrigada, doutora — Bella apertou as mãos da médica em uma despedida, a médica mexeu no bolso tirando um pirulito redondo e grande.
— Entregue isso a ela, diga que é um presente meu e o pedido de desculpas pela agulha.
— Obrigada, ela vai amar.
Depois de pegar Kaila e acordar Rosalie, ela foi até a recepção realizar o pagamento. Seu pensamento não saia da conversa que tivera com Jacob, imaginava o espetáculo que o marido devia ter feito na casa, Edward quase nunca bebia, mas, quando o fazia, ficava a pessoa mais insuportável do universo. O caminho de volta foi tranquilo, Kaila estava acordada e mais corada, o que fez Bella imaginar que ela estava melhorando.
Quando chegou a casa, Pietro e Julia correram para vê-las. Bella tranquilizou os dois dizendo que Kaila estava bem, logo foi a vez de Ester perguntar como a garotinha estava, sendo seguida por todos os outros, menos, é claro, por Esme, e era até bom ela não perguntar, porque Bella diria umas coisas que ela estava precisando ouvir. Bella deixou Kaila com Ester, que se ofereceu para tomar conta da menina enquanto ela dormia e descansava, Bella agradeceu por isso, estava precisando descansar. Entrou no quarto e viu o marido espalhado na cama dormindo, o fedor de cachaça tomava conta do quarto, ela respirou fundo tentando se acalmar e seguiu para o banheiro, tirou a roupa e entrou no box para tomar banho.
Edward acordou com o barulho do chuveiro, estava confuso e sua cabeça doía, sentou-se devagar na cama e os acontecidos de ontem voltaram em sua cabeça. Passou as mãos no rosto se amaldiçoando, Bella com certeza mataria ele e antes o torturaria um pouco, lembrou de ter dito a mulher que a febre de Kaila era para chamar a atenção e se perguntou se a garotinha estava bem. Suspirou e, quando levantou a cabeça, Bella estava saindo do banheiro, ela tinha olheiras profundas e uma aparência cansada, há anos Edward não a via desse jeito, ela não olhou para ele e seguiu para o closet.
Ele esperou alguns minutos para tomar coragem e entrar no closet, Bella penteava os cabelos.
— Precisamos conversar — Edward disse. Bella parou de mexer no cabelo para olhá-lo.
— Sim, nós precisamos conversar — ela concordou.
— Me desculpa, eu... — Edward começou a se explicar, mas foi interrompido por Bella.
— Eu não quero suas desculpas, eu não quero seu arrependimento, a única coisa que eu quero de você é que você assine os papéis do divórcio quando a gente chegar em casa — Bella falou decidida e Edward arregalou os olhos, seu coração se acelerou e ele deu um passo à frente. — Não encosta em mim – avisou.
— Bella, eu não vou assinar divórcio nenhum, para com isso, tudo isso porque eu gritei com Kaila! — Ele falou já angustiado.
— Não é só por isso, é porque eu te avisei que essa seria sua última chance de mudar e você jogou fora na primeira oportunidade, é porque eu não vou ficar com um homem que não tem amor nem pelos filhos, é porque eu não vou ficar com um marido que não me ajuda quando eu preciso, pelo contrário, ele bebe e sai me deixando sozinha, é porque todo mundo enxerga o que sua mãe faz, menos você, e você muda na frente dela, é porque eu vejo uma criança ter uma febre psicológica PORQUE O MERDA DO PAI DELA DÁ ESPERANÇAS DE QUE MUDOU E, NO FINAL, ELE VOLTA A SER COMO ERA ANTES, DROGA, EDWARD, EU TÔ CANSADA! — Bella gritou o final não conseguindo conter as lágrimas, Edward também segurava as lágrimas.
— Eu só estava incomodado com o jeito de Kaila na mesa, você sabe que eu gosto de educação — ele tentou se justificar.
— Ela é educada e você saberia disso se a conhecesse — ela o acusou.
— Eu a conheço — ele retrucou.
— Não, você não a conhece, mas eu não posso dizer nada, afinal, eu não sou a mãe dela — Bella disse sarcástica e Edward percebeu que o que ele disse realmente a tinha afetado.
— Desculpa, Bella.
— Eu não quero suas desculpas, já disse.
— Eu só quero que você me dê uma chance até a gente voltar para casa, vamos aproveitar essa viagem, eu vou mudar, eu vou ficar do seu lado, vou te ajudar e nós vamos nos divertir, por favor, só não me deixa! — Edward tinha os olhos cheios de lágrimas e lutava para que elas não descessem, ele quase nunca chorava, mas sentia seu peito doer, e pensar que poderia perder a mulher e os filhos só piorava.
— Você não vai mudar — Bella sussurrou.
— Eu vou! Eu prometo, me dê só esses dias da viagem, se eu não mudar, eu te dou o divórcio, faço o que você quiser — Edward propôs e Bella abaixou a cabeça.
— Tudo bem, você tem apenas até a gente voltar — Edward respirou aliviado e Bella passou por ele indo para o quarto.
— E Kaila, como está? — Ele perguntou.
— Bem — Bella foi evasiva, ainda estava chateada com ele.
— Ela ficou muito ruim? Como ela pegou essa febre de repente? — Ele estava curioso, quando a mulher disse que a filha estava doente, ele não achava que fosse tão sério.
— Ficou péssima, ela delirava e suava muito, a febre não cedia, chegou a 41º graus, a médica disse que era psicológica, eu realmente fiquei com medo — Bella disse suspirando e Edward se sentiu culpado, sabia que era por sua culpa.
— A médica passou algum remédio?
— Sim, eu já comprei, vou lá atrás dela pra ver se a febre não voltou a aumentar — Bella disse fechando a gaveta do criado mudo e indo para a porta.
— Eu vou com você, preciso falar com ela — Edward disse seguindo Bella, que parou e o olhou desconfiada. — Eu vou me desculpar — ele explicou e ela voltou a andar. Encontrou Kaila sentada no sofá da sala, tinha uma boneca em um braço enquanto segurava uma mamadeira no outro, Bella riu e pensou ser coisa de Ester. As outras crianças cercavam Kaila conversando com ela enquanto ela sorria um pouquinho e respondia com um balançar de cabeça, aparentemente estava melhor. Bella se aproximou chamando a atenção das crianças, encostou as mãos na testa e na barriga de Kaila, ela estava quente, mas não tinha aumentado, ela olhou pra Edward.
— Kailinha, o seu pai quer conversar com você — Bella falou e a menina arregalou os olhos, negando com a cabeça e já começando a chorar, ela estava com medo. Então Bella a pegou no colo e a menina circulou os braços no pescoço da mulher, escondendo o rosto no cabelo dela. Bella passou por Edward.
— Vem — ela mandou e ele obedeceu, entrou no escritório e sentou Kaila em cima da mesa ficando de frente para a menina. — Me escuta, o seu pai está arrependido por ter gritado e falado aquelas coisas ruins a você e ele quer falar com você — Kaila abaixou a cabeça e Bella saiu da frente dando espaço a Edward, que sem jeito ficou de frente a menina que o olhava com medo.
— Não precisa ficar com medo, Kaila, eu não vou brigar com você, só quero que você saiba que você não é estranha, eu disse aquilo da boca pra fora, e eu amo você — Edward explicou.
— Não ama não — Kaila disse e aquilo surpreendeu tanto a Edward quanto a Bella. Essas palavras doeram nele mais do que ele pensava que doeria.
— É claro que amo, Kaila, você é minha filha e eu amo você assim como eu amo Julia e Pietro — ele disse.
— Eu não acredito, você está mentindo, você é mal e eu não gosto mais de você — Bella olhou para o marido e dava para ver que as palavras dela o tinha machucado e, apesar de merecer, Bella não podia deixar a garotinha pensar que podia falar aquelas coisas para as pessoas.
— Kaila, você não pode falar assim com o seu pai, é feio e ele vai ficar triste — Bella disse, mas a menina deu de ombros.
— Eu não ligo — ela disse como se não a importasse e Bella a olhou séria a repreendendo.
— Kaila... — Bella ia reclamar novamente, mas foi interrompida pelo marido.
— Deixe, Bella, eu mereço isso — Edward disse, ele estava triste, era claro, mas compreendia a menina, tirou-a de cima da mesa e ela saiu correndo ainda com a boneca e a mamadeira. Bella olhou-a sumir de sua visão e se assustou com o barulho de algo quebrando, deu um pulo e se virou para o marido, que tinha jogado um pote de vidro na parede, ela fechou a porta e viu Edward se sentar no sofá que tinha ali, ele colocou a mão no rosto e chorou. Bella estava junto dele há mais de dez anos e tinha visto essa cena poucas vezes, na verdade, apenas quando Pietro nasceu e quando ele foi contar a ela que sua bebê havia morrido. Seu coração se apertou, queria consolá-lo, mas não podia passar a mão na cabeça dele, aquilo era consequências de seus atos. Ouviu ele soluçar e ela fechou os olhos respirando fundo, estava começando a querer chorar também.
— Eu só faço merda, droga! Eu não sei qual o meu problema — ele falava.
— O seu problema é que explode rápido demais, você enxerga as coisas como quer e não se expande para enxergar além do que sua brutalidade consegue ver — Bella o respondeu. — Você trata as crianças como se elas fossem os seus capangas, entenda que elas são crianças e só querem um pai que seja amoroso com elas, que brinque com elas e diga o quanto elas são importantes, elas não precisam de um chefe — Bella não estava sendo grossa, na verdade estava calma, queria que o marido entendesse.
— Meu pai não era assim, ele era centrado no trabalho e apenas isso o importava, eu não sei como ser assim. Às vezes eu travo e não consigo ser carinhoso, você sabe que até com você eu sou um brutamonte — ele justificou.
— Eu não tive uma mãe a quem me espelhar e, mesmo assim, não os trato como ela me tratava. Ser pai e mãe vem de dentro da gente, Edward, pense que, lembrando do seu pai, você sabe pelo menos o que não deve ser — dito isso, Bella saiu do escritório deixando Edward perdido em seus pensamentos.
Bella queria dormir, mas não queria deixar as crianças sendo cuidadas por Rosalie ou por Ester, já tinha abusado demais da boa vontade das duas. Suspirando, sentou-se no sofá da sala, Pietro assistia algo espalhado no sofá enquanto Felipe e Gustavo estavam sentados no chão também assistindo; ao ver a mãe, Pietro a olhou.
— Mãe, tá tudo bem? — Ele perguntou preocupado.
— Tá sim, meu querido — Bella respondeu sorrindo fraco.
— Tudo bem — ele concordou ainda desconfiado, logo dois furacõezinhos apareceram correndo e se jogando cada uma de um lado de Bella.
— Oi, mamãezinha, estava com saudades — Julia disse abraçando a mãe, que sorriu e a apertou em seus braços.
— Também estava, minha princesa — ela respondeu. — O que vocês estão aprontando? — Ela perguntou ao mesmo tempo que Julia sentava no colo dela.
— Nada — Sofia respondeu.
— A gente quer assistir aqui — Julia disse e Bella a olhou apertando os olhos, Julia estava provocando o irmão e os primos.
— Nem pensar, sua nojenta! — Pietro disse a irmã.
— Nem pensar mesmo — Gustavo falou em seguida.
— Cai fora! — Foi a vez de Felipe.
— Vão assistir no quarto de vocês — Bella falou.
— Não, mamãe, aqui é melhor e maior! — Julia disse fazendo bico e batendo o pé. Bella suspirou, a última coisa que queria agora era lidar com as birras de Julia.
— Julia, você vai assistir no seu quarto, os meninos estão assistindo aqui, respeite isso! — Bella falou brava.
— Que saco! Vamos, Soso — Julia chamou descendo do colo da mãe.
— Ei, onde está Kailinha? — Bella perguntou a filha.
— Está com a vovó no jardim de flores — Sofia respondeu a tia, que assentiu, seguindo para a estufa enquanto as meninas corriam escada a cima.
Edward estava com a cabeça a mil, precisava fazer algo para não perder a mulher e os filhos. Tudo era culpa da mãe dele, se Esme não tivesse começado com aquilo, ele não teria reclamado com Kaila e tudo estaria bem. Lembrou-se do que Emmett tinha dito a ele na noite anterior, que, se ele não mudasse de verdade, perderia a mulher e os filhos, e que Bella era uma mulher linda e acharia outro homem rapidinho para suprir o lugar dele tanto como marido quanto como pai. Pensar em outro homem no seu lugar o consumia de raiva, ninguém tomaria o que era dele, Bella sempre foi dele, nunca foi de outro homem e continuaria assim. Os filhos também eram dele e não teriam outro pai, nem Kaila, aliás, principalmente Kaila, já tinha avisado a Tanya uma vez que, se ela pensava que voltaria e levaria Kaila para morar com ela e com os vagabundos dela, ela estava enganada. A menina era dele.
Com isso na cabeça, ele se levantou limpando as lágrimas, ainda estava da forma como tinha dormido, foi para o quarto tomar banho, logo o fez e vestiu uma roupa mais simples. Ouviu o celular tocar em cima do criado mudo e o pegou, o nome "PUTA" piscava na tela, respirou fundo antes de atender.
— O que você quer, sua vagabunda? Já não mandei você não me ligar? — Edward respondeu grosso e torceu o nariz ao ouvir a voz fina e enjoada de Tanya na outra linha.
— Você ainda não depositou a mesada — ela falou.
— E não vou depositar — ele disse simplesmente.
— É O QUÊ? É claro que você vai depositar, Edward, NÃO BRINCA COMIGO — ele revirou os olhos ao ouvir o grito de Tanya.
— Você acha que eu sou idiota, Tanya? O dinheiro que eu te dou é pra você dar a Kaila, não pra você gastar, sua infeliz — ele falou grosso.
— Mas eu dou, a conta que você deposita a minha mãe também tem acesso, eu não uso o seu dinheiro — ela se explicou.
— Não usa? — Edward perguntou gargalhando sarcasticamente.
— Escuta aqui, Edward, você vai depositar esse dinheiro ou você vai ver o que eu vou fazer — ela novamente o ameaçou.
— Vou ver o que sua puta? Fala!
— Eu sumo com Kaila e nunca mais você vai ver ela!
— Ah some? Experimenta sumir com a minha filha, sua vagabunda, pra você ver se eu não vou atrás de você no inferno e te mato, você sabe que só tá viva ainda porque infelizmente é mãe dela.
— SEU DESGRAÇADO!
— SUA PUTA! — Ele gritou de volta e desligou o telefone, estava com raiva daquela descarada, já tinha dito que não queria ela ligando para ele, que era para ela ligar para o advogado dele, mas ela não tomava vergonha na cara. Ao se virar para sair do quarto, se assustou ao ver a mulher ali parada encostada no batente da porta.
— Era ela? — Bella perguntou.
— Era.
— O que ela queria?
— Me cobrar o dinheiro que eu não depositei.
— Porque você não depositou?
— Porque eu não vou ficar sustentando vagabunda, o dinheiro que eu depositava é de Kaila e ela tá usando tudo, chega, não vou depositar mais.
— Com certeza ela não ficou satisfeita com isso.
— Ela me ameaçou, disse que, se eu não depositasse, sumiria com Kaila. Eu mato ela, deixa ela triscar um dedo na minha filha — Bella engoliu em seco e seus olhos se encheram de lágrimas, amava aquela menina e pensar em ficar sem ela a machucava.
— Ela é a mãe, ela tem o direito de levar Kaila pra morar com ela, seja lá onde ela estiver! — Bella disse começando a chorar, Edward suspirou e foi até ela a abraçando, Bella se apertou ao marido.
— Ela não vai fazer isso, eu vou entrar na justiça para pegar a guarda de Kaila e você sabe que eu conseguirei, Tanya é vagabunda, mas não é louca — ele a apertou em seus braços passando as mãos nos cabelos dela, que não parava de chorar. — Não precisa chorar, não gosto de ver você chorando, Bella — ele falou amável, ela queria parar, mas não conseguia, todas as emoções do dia anterior e do atual, a noite sem dormir e o cansaço físico e emocional se acumularam. — Você precisa dormir.
— As crianças... — ela tentou falar, mas foi interrompida por um soluço.
— Eu cuido delas, pode deixar — Bella concordou e foi para o closet, trocou de roupa e se deitou ao lado de Edward, que tinha se sentado na cama. Ele passou as mãos no cabelo dela e depositou um selinho em sua boca e outro na testa, saiu do quarto fechando a porta vendo Julia correr até ele, a menina foi abrir a porta e ele não deixou.
— Sua mãe está dormindo, não abra a porta, ela está cansada — ele sussurrou a ela.
— Tudo bem — ela sussurrou de volta e ele pegou na mão dela saindo de lá – Pai.
— Oi — ele respondeu.
— Quero um IPhone — Julia disse e Edward a olhou indignado.
— Um iPhone? — Ele perguntou e ela assentiu.
— É, eu quero um também, o Pietro tem um e a minha coleguinha também tem, eu quero um — ela falou e Edward riu.
— Depois o papai te dá um.
— Mais eu queria hoje! — Julia disse fazendo bico.
— A gente vai comprar hoje, só tenha calma — ele explicou e ela assentiu, Edward riu balançando a cabeça, apostava que a menina não sabia mexer em 90% das funções do celular.
Deixou Julia na sala com Sofia e os meninos, perguntou-se onde Kaila estava, mas se distraiu quando entrou na cozinha e deu de cara com a irmã sentada na bancada tomando algo que parecia ser um chá. Ela estava totalmente distraída e olhava para o nada.
— Alice? — Ele chamou a irmã, que deu um pulo o olhando.
— Oi — ela respondeu ofegante com a mão no peito.
— Tudo bem? — Ele perguntou com o cenho franzido.
— Tudo, tudo ótimo, porque não estaria? — Ela respondeu rápido.
— Porque você está estranha — ele disse como se fosse óbvio.
— Eu não estou estranha! — Ela falou irritada.
— Está sim, você está pensativa demais.
— Ora, se eu não penso vocês reclamam, se eu penso, vocês reclamam também, agora foi que eu vi!! — Ela respondeu cruzando os braços e o olhando, ele ia falar algo, mas viu Kaila entrar na cozinha com algumas rosas na mão.
— Tia! — A garotinha chamou indo na direção da tia, que saltou da bancada e correu a abraçando.
— Princesinha da tia! Como você está? Você estava tão dodói ontem — Alice disse mudando totalmente de humor e Edward revirou os olhos, a irmã dele era maluca.
— Tô bem, olha o que eu trouxe pra você — Kaila disse estendendo uma rosa das muitas que ela tinha na mão e Alice segurou a rosa.
— Oun meu amor, é linda — A mulher parecia emocionada e tinha os olhos cheios de lágrimas agora. Edward arregalou os olhos se perguntando como alguém podia mudar de emoção tão rápido assim.
— Foi eu que tirei — a menininha respondeu orgulhosa de si mesma.
— Sério? Mas você é uma menina muito sabida — Alice disse fazendo a garotinha rir. — E de quem são as outras?
— Da mamãe, da tia Rose, da Julia, Soso e da Jane, a da tia Ester eu já dei, ela que me ajudou a tirar — Edward riu, Kaila ainda se lembrava do acordo dos dois.
— Hum, muito bem, então vai lá entregar a elas — Alice disse colocando a garotinha no chão e dando um tapinha na bunda dela, que saiu correndo da cozinha. — Bella está lá em cima?
— Sim, mas ela está dormindo, então nem vá acordá-la — ele disse indo até a geladeira e a abrindo.
— Droga! — Alice xingou e voltou ao balcão enquanto Edward bebia água. Logo ele se sentou na mesa e depois foi a vez de Emmett entrar, ele estava arrumado, aparentava que iria sair. — Tá cheiroso, vai sair?
— Vou na cidade, preciso comprar algumas coisa — ele disse.
— Eu também vou! Preciso fazer umas compras — Alice disse pulando da bancada, Emmett olhou pra Edward.
— Bora? Vou levar os meninos — Emmett chamou.
— Eu vou, tenho que comprar um celular, porque agora Julia botou na cabeça que quer um, vou vestir uma roupa — Edward seguiu para o quarto se trocando rápido, Bella ainda dormia na cama imóvel. Ele foi atrás de Kaila e Julia, iria levá-las com ele, primeiro porque não deixaria as duas aqui com Bella dormindo, segundo ele disse a mulher que cuidaria das crianças, terceiro, se ele chegasse ali com um celular que não fosse o que Julia queria, a menina iria colocar a casa abaixo, por sorte encontrou ela com Sofia no quarto.
— Julia, vai atrás da sua irmã, nós vamos sair, Sofia vai com a gente também, rapidão, estou esperando no estacionamento — ele avisou e fechou a porta ainda a tempo da filha gritar um "TA" e desceu as escadas. O irmão já estava lá com os meninos e Alice. — Rosalie não vai?
— Não, ela me arranjou uma cabeleireira e já tá lá em cima se arrumando, eu disse a ela que você iria também.
— Ótimo, ela avisa a Bella então — logo Julia vinha arrastando Kaila pela mão. — Julia! Assim você machuca a sua irmã — Edward reclamou.
— Se ela não anda rápido — Julia justificou.
— Mas você não pode puxar ela assim — ele rebateu.
— Tá bom — Julia disse batendo o pé e Edward revirou os olhos.
— Vamos né gente? — Alice chamou já impaciente entrando no carro de Edward e logo as meninas também estavam entrando, enquanto Emmett e os três meninos entravam no outro.
Edward estava dentro de uma loja de celular discutindo com uma criança de seis anos por causa da cor do celular de Kaila.
— Julia, ela não quer o dourado, ela quer o preto.
— Mas o preto é de menino!
— Não importa!
— Claro que importa, o senhor tem mal gosto.
— Não tenho não, você que é chatinha — Edward arregalou os olhos achando que Julia ficaria chateada, olhou para a garota já se preparando para pedir desculpas, mas, para sua surpresa, ela não parecia ter se importado.
— E o senhor é um porre — Julia retrucou e Edward a olhou indignado, não era possível que sua filha de seis anos estava agindo como uma adolescente. Foi tirado de seus pensamentos quando viu Emmett se aproximando com Kaila e Sofia.
— Quase fui lixado naquele banheiro feminino, essa porcaria não tem nem um banheiro infantil — Emmett se queixava enquanto o irmão ria da cara dele.
No fim das contas, Kaila ficou com o celular preto e Emmett comprou um para Sofia, que também queria preto, mas Julia encheu tanto o saco da coitada da prima que a menina acabou pegando um dourado também. Eles foram para a praça de alimentação, já era quase meio dia e dali para que chegassem em casa era de tarde. Emmett ficou com as meninas comprando o almoço, enquanto Edward ia chamar os meninos na área de jogos, na volta para a praça de alimentação, se perguntou onde estaria Alice, com certeza torrando o cartão do pai em compras, decidiu mandar uma mensagem.
"Onde você está, Anã?" Logo recebeu uma resposta.
"Fazendo compras, e vocês?" Ele tinha acertado.
"Na praça de alimentação, vem comer" Ele praticamente ordenou.
"Estou sem fome, vou aí nestante" Ele revirou os olhos.
"Tudo bem, não demora, já vamos embora"
" Tá bom, nojento"
Ao chegar à mesa, encontrou três crianças comendo um sanduíche, ele arregalou os olhos, se Bella soubesse que ele deixou Kaila e Julia comerem isso na hora do almoço, ela o mataria.
— Você é doente? — Edward perguntou ao irmão que comia um prato enorme de comida.
— Que foi?
— Como você dá um Mc Donalds pra elas comerem no almoço?
— Elas queriam, o que eu podia fazer?
— Dizer não?
— Edward, relaxa, é só hoje.
— Bella vai me matar!
— Vai nada.
— Claro que vai, Kaila está doente, e se ela piorar?
— Ela não vai.
— Você é muito otimista.
— É claro.
O restante do passeio foi divertido. Na volta para casa, Alice tinha entupido os dois porta malas dos carros com tantas compras e sacolas, deixando os dois irmãos assustados com tudo aquilo.
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