Na casa de Emmett e Rosalie, as coisas estavam um pouco mais calmas por enquanto. Rosalie procurava seus gêmeos, que estavam quietos demais para a cabeça dela, já havia olhado quase todos os cômodos da casa e não tinha encontrado os dois. Quando chegou à cozinha, pôde escutar sussurros, ela suspirou, sabia que alguma coisa eles estavam aprontando, seguiu os sussurros e, quando olhou, seus olhos se arregalaram: os dois estavam no chão com uma panela e chocolate derretido misturado com biscoitos e o pior não era isso, eles estavam todos sujos de chocolate, incluindo o chão, o balcão e a geladeira de Rosalie.

— Eu não estou acreditando nisso! Felipe e Gustavo, que bagunça é essa?! — O grito de Rosalie assustou os dois, que acabaram derramando a panela com chocolate e saindo correndo, o que fez com que pisassem e melassem por todo o lugar que eles passaram.

— O que foi, amor? — Emmett entrou vendo toda aquela bagunça.

— Seus filhos que melaram a cozinha toda — Rosalie disse se abaixando e pegando a panela do chão, jogando-a dentro do lavador de pratos.

— Ah sim — Emmett respondeu simplesmente, recebendo um olhar fuzilante da esposa.

— Você podia ao menos reclamar eles né? — Ela disse saindo da cozinha.

— Calma minha princesa, não se estresse com isso — ele disse agarrando ela por trás e depositando um beijo no pescoço dela, que se arrepiou, porém o parou, precisava ter uma conversa com ele, mas antes colocaria os filhos para tomar um banho.

— Tenho que conversar com você, vou mandar os meninos tomarem banho pra gente conversar — Rosalie disse se soltando dele, que engoliu em seco. Ele já sabia o assunto.

— Eu não acredito que é sobre isso de novo, nós já conversamos, Rosalie — ele disse.

— Nós não conversamos, Emmett, não conversamos mesmo — ela saiu pisando fundo e subiu as escadas a procura dos filhos, os achou na sala de jogos.

— Os dois pro banho — ela disse, porém nenhum dos dois deram atenção. — AGORA! — ela gritou e os dois se levantaram imediatamente, correndo cada um para o seu quarto. Rosalie voltou para baixo, queria conversar com o marido dentro do escritório.

— Vamos? — Ela disse ao encontrá-lo sentado na sala.

— Ro...

— Vamos, Emmett — ela não esperou resposta e foi para o escritório, o marido a seguiu respirando fundo. Ao entrarem, ele fechou a porta.

— Agora você pode me dizer o porquê você não quer mais ter filhos comigo? — Ela foi direta, Emmett conhecia bem a mulher para saber que ela seria direta, entretanto a rapidez da pergunta o surpreendeu.

— Porque sim, amor, nós já temos Felipe e Gustavo, não é o suficiente? — ele perguntou tentando fugir da verdadeira resposta.

— NÃO, você sabe que eu quero outro filho — ela disse já com os olhos transbordando de lágrimas.

— Você não quer outro filho, você quer uma filha, uma mulher, vai que você engravida e nasce outro menino?!

— Não importa! Você sabe que eu não faria diferença, no fundo, eu quero, sim, uma menina porque já temos dois meninos, mas, se viesse outro, você sabe que eu não faria diferença.

— Olha, vamos esquecer essa história, nós estamos tão bem assim, só nós quatro.

— Eu estou sentindo que você tá me escondendo alguma coisa, vamos Emmett ME FALA O QUE VOCÊ TÁ ESCONDENDO!

— Mas que droga, EU SÓ NÃO QUERO, posso ter a minha escolha?

— PODERIA, SE EU NÃO TE CONHECESSE O SUFICIENTE PRA SABER QUE TEM ALGO MAIS POR TRÁS DISSO, eu nunca menti para você ou te escondi algo, me fala o que tá acontecendo — Emmett sabia que Rosalie tinha razão, eles sempre tiveram cumplicidade e fidelidade no casamento, nunca foram de mentiras, então ele respirou fundo e falou o que deveria ter dito há muito tempo.

— Eu fiz uma vasectomia três meses depois de você me contar que estava grávida! — Ele soltou de vez e ouviu o arfar da esposa.

— Não acredito nisso!

— Você tem que me entender, eu era um adolescente maluco e inconsequente, a única coisa que eu queria era curtir, não queria filhos de jeito nenhum, então, pra que não se repetisse, eu fiz, foi sem pensar e hoje eu me arrependo, é uma das coisas de que mais me arrependo da minha adolescência, por favor, me perdoa — Rosalie estava estática, as lágrimas que ela segurava agora corriam livres pelo seu rosto, ela não podia acreditar que ele tinha feito isso, pior ainda, não tinha falado nada a ela. Rosalie correu para fora do apartamento, em direção aos quartos dos filhos, Emmett correu atrás dela a chamando.

— Felipe, nós vamos sair! — Ela avisou ao menino, que saiu do quarto e fez o mesmo com Gustavo.

— O que você está fazendo? Rosalie, fala comigo! — Emmett a seguia fazendo uma sequência de perguntas que eram totalmente ignoradas, foi quando ela chegou perto da porta que se virou para ele e disse.

— SE VOCÊ TEM O MÍNIMO DE RESPEITO POR MIM, NÃO VENHA ATRÁS DE MIM!

— Você não pode sair assim com nossos filhos, é tarde, por favor, Rosalie, vamos conversar — Emmett implorava, enquanto os meninos olhavam de um a outro sem entender o que estava acontecendo.

No final das contas, Rosalie saiu de casa dirigindo com os filhos, não sabia pra onde iria, só queria ficar longe de Emmett, queria muito seus pais com ela, porém eles moravam em outro país, suas lágrimas embaçavam sua visão e ela não conseguia controlá-las.

Na casa de Bella, as coisas estavam tranquilas. Fez o marido assistir um filme com as crianças e com ela, no início, foi motivo para mais uma briga já que as meninas queriam assistir a Barbie e Pietro, Ben 10; no final, Edward escolheu um filme de desenho qualquer lá e eles aceitaram, tinham colocado um enorme colchão no chão e Bella pediu para Maria, sua cozinheira, fazer alguns doces para as crianças. Eles estavam deitados enquanto as crianças comiam os doces sentadas no colchão, Pietro e Kaila ainda estavam agitados, enquanto Julia já se encostava na mãe querendo dormir. Bella se sentou apoiando as costas no sofá e colocou a filha em seu colo enquanto a balançava; Edward e as outras duas crianças estavam vidradas no filme, Bella olhou para o marido, que prestava atenção como se o filme fosse o mais interessante do universo, ela balançou a cabeça rindo. Minutos depois, Julia já dormia e o filme acabava.

— Prontinho, tá na hora de dormir — ela disse às crianças sentadas em sua frente.

— Eu vou dormir, tô cansadão — Pietro disse bocejando.

— Eu nem tô com sono — Kaila respondeu dando de ombros.

— Claro, você dormiu de tarde — Bella respondeu. — Leva ela pra mim? — ela disse oferecendo Julia ao marido, que pegou a filha no colo e subiu.

— Vou dormir, boa noite — Pietro levantou, abraçando a mãe.

— Boa noite, meu amor — desejou a mãe de volta e foi surpreendido por um abraço de Kaila que logo ele retribuiu sorrindo.

— Boa noite, Pietro, sonha com os anjinhos — Bella gargalhou achando graça da forma que Kaila tinha falado.

— Boa noite, Kailinha — Pietro subiu as escadas sorrindo e Bella se virou para Kaila, que a encarava.

— E você, mocinha, não vai dormir mesmo? — ela perguntou fazendo cócegas na garotinha que gargalhava.

— Não — ela respondeu. Kaila parou e abraçou a madrasta pelo pescoço. — Eu te amo, tia, muitão, do tamanho do mundo — Bella se surpreendeu com as palavras da garota e abraçou de volta, foi inevitável os olhos de Bella não se encherem de lágrimas.

— Eu também te amo, meu amor, muito — Bella respondeu com sinceridade. Edward observava tudo de cima da escada e sorria, se sentia bem em ver o carinho entre as duas, ele decidiu descer, o que chamou a atenção delas.

— Vamos arrumar isso aqui? — Bella apontou para o colchão cheio de doces, vasilhas e travesseiros.

— Vamos — os dois responderam.

— Kailinha, você vai levando essas vasilhas para cozinha, Edward ajuda ela, que eu vou levar os travesseiros pra cima — eles assentiram.

— O colchão deixa aqui, amanhã eu mando alguém pegar — Edward disse, enquanto seguia Kaila para cozinha. A menina tentava a todo custo colocar a vasilha em cima da bancada, porém suas pernas eram pequeninas demais, Edward sorriu e a suspendeu. Achou aquela oportunidade perfeita pra conversar com a menina, colocou a pequena sentada na bancada de frente para ele, que o encarou com medo.

— Kaila, eu queria conversar com você — ela apenas assentiu ainda assustada. — Eu queria saber se você me perdoa por ter batido em você daquela vez, por ter forçado você a comer hoje e por ser tão ruim pra você, eu fiz aquilo porque eu estava muito estressado com outras coisas, você me perdoa? — Edward tentava ao máximo ser sincero, nunca pensou que ficaria tão nervoso para conversar com Kaila, porém seu coração batia acelerado. A garotinha sorriu.

— Perdoo sim — ela respondeu e ele se sentiu aliviado.

— Você pode me dar um abraço? — Ele pediu e ela se jogou no colo dele o abraçando, ele a abraçou de volta apertado. Quando abriu os olhos, avistou Bella parada na porta sorrindo para eles e ele retribuiu o sorriso, ao se soltar ele a pegou no colo indo até Bella e dando um selinho nela, Bella ao afastar, beijou a mão que Kaila que passava no seu rosto.

Atrapalhando a bolha dos três, um Emmett suado e ofegante passou pela porta da sala como um furacão assustando os três.

— Ela tá aqui? — Ele perguntou e repetia a pergunta diversas vezes.

— Ela quem? — Edward perguntou seguindo para a sala perto do irmão, que mexia nos cabelos descontroladamente, ele parecia com medo.

— A Rosalie, ela tá aqui? Ela veio pra cá? — Bella e Edward se entreolharam.

— Não, ela não veio aqui, o que aconteceu? — Bella perguntou.

— A gente brigou e ela saiu de casa com os meninos, se aquela mulher me deixar, eu morro! — Emmett respondeu se sentando na poltrona que tinha ali, como em uma resposta, o celular de Bella tocou em cima de uma das prateleiras e ela pegou, vendo o nome da amiga brilhando na tela.

— É ela — Bella disse antes de atender. – Oi.

— Bella? — Rosalie tinha a voz chorosa, na verdade, ela parecia assustada.

— Rosalie, onde você está? — ela perguntou.

— Bella, eu matei uma criança — o coração de Bella se acelerou ao ouvir as palavras da amiga.

— Como assim? Explica isso direito. Onde você está? — Bella perguntava também já nervosa, Emmett estava parado em sua frente a ponto de tomar o celular de sua mão.

— Na verdade, eu não a matei, mas eu a atropelei e agora eu estou aqui no hospital e ninguém me dar notícia nenhuma, os meninos estão aqui e eles não param de chorar, você precisa me ajudar — Rosalie estava beirando ao desespero.

— Calma, em que hospital você está? — Rosalie passou o nome do hospital e Bella desligou.

— O que aconteceu? O que ela tá fazendo em um hospital? O que aconteceu com a minha mulher e com os meus filhos? — Emmett fez todas as perguntas de uma vez só.

— Calma, eles estão bem, os três, ela tava muito nervosa e não deu pra entender direito, ao que parece, ela atropelou uma criança e agora está no hospital — Bella explicou o que entendeu.

— Então vamos pra lá, me dá o endereço!

— Vamos — Bella respondeu.

— Bella, as crianças, é melhor você ficar — Edward disse, ele ainda estava parado com Kaila no colo, que já tinha encostado à cabeça no ombro do pai em um sinal de sono.

— Eu vou falar com a Ângela — Bella correu para fora de casa, no fundo de seu jardim, tinha um quartinho onde Ângela dormia meio de semana.

Ângela se encontrava com Kaila nos braços enquanto olhava os três saírem de carro em direção ao hospital. Ao chegarem, os gêmeos foram os primeiros a ver os três e logo correram em direção ao pai, que os abraçou. Bella avistou a amiga, que estava de costas, ao que parecia, gritando com a recepcionista.

— Rosalie? — A mulher se virou, vendo Bella, e a abraçou. — O que aconteceu? — Rosalie viu o marido atrás de Bella, porém desviou o olhar.

— Foi tudo muito rápido, eu estava dirigindo e de repente eu a tinha atropelado, Meu Deus, Bella, se essa criança morre, eu vou virar uma assassina, sem contar que ela é uma criança — Rosalie estava claramente nervosa.

— O que aconteceu, Rosalie? — Emmett perguntou chegando perto dela.

— Não conversa comigo, Emmett — ela disse ao marido e Bella observou sem falar nada.

— Sua maluca, você é doida! — Ele disse a ela.

— Eu não sou doida, eu não atropelei ela porque eu quis.

— Como você atropelou uma criança Rosalie? Você pode ser presa!

— EU NÃO VOU SER PRESA! Não foi porque eu quis, e saiba que o meu pai nunca ia deixar que eu fosse presa.

— Por favor, silêncio! Vocês estão em um hospital — a recepcionista pediu olhando feio para os dois.

— Seu pai está em outro país, sua maluca!

— Para de me chamar de maluca, eu liguei pra ele e ele já está vindo pro Brasil — Emmett arregalou os olhos e engoliu em seco.

— Êh Diabo! — ele respondeu, passando as mãos no cabelo enquanto Edward ria da cara dele e Bella ficava sem entender.

— Senhora Cullen? — Bella e Rosalie se viraram olhando para o médico que entrava na sala.

— Então, doutor? — Rosalie perguntou.

— Ela está bem, a pancada foi fraca, a senhora pode me dizer onde os pais dela estão? Preciso falar com eles — Rosalie ficou mais aliviada.

— Eu não sei quem são eles — o médico franziu o cenho, confuso. — Eu não sei nada em relação a ela, só sei que ela entrou correndo na frente do meu carro, eu a socorri, ainda procurei pra ver se tinha alguém com ela e não achei, aí eu a trouxe desmaiada pra cá, mas não se preocupe, doutor, eu vou arcar com todas as despesas dela, o senhor pode conversar comigo.

— Tudo bem, então venha comigo — o médico ergueu o braço mostrando o caminho para Rosalie.

— Eu vou também — Emmett se prontificou ganhando um olhar mortal de Rosalie, eles seguiram para a sala do médico.

— Bom, aparentemente ela tem uns quatro anos, como eu disse, a pancada foi fraca, não houve fraturas, porém, como o corpo dela é frágil, ela ficará com algumas manchas roxas. Ela teve alguns arranhões, se tudo ocorrer bem, ela terá alta daqui a três dias, eu sugiro que vocês procurem uma assistência social já que aparentemente ela não tem família, se vocês quiserem, o hospital mesmo pode fazer isso.

— Não, nós entraremos em contato — Rosalie disse.

— Tudo bem, eu vou liberar a visita de vocês dois a ela agora, porém apenas um de vocês poderá passar a noite aqui.

— Tudo bem, muito obrigado, doutor — Emmett disse pegando na mão do médico, que retribuiu e depois Rosalie fez o mesmo.

— Vou chamar uma enfermeira pra levar vocês até o quarto — o médico disse enquanto se virava e saía. Emmett olhou para Rosalie, que o olhou de volta com raiva, a enfermeira chegou e eles a seguiram. Ao entrarem, viram um pequeno corpinho no meio da cama de hospital, os fios loiros da pequena menina estavam espalhados pelo travesseiro, eles chegaram perto e ouviram a porta se fechar, então deduziram que a enfermeira tinha saído do quarto. Rosalie soluçou ao ver aquela criança tão linda com várias manchas espalhadas pelo corpo e tudo por sua culpa, sentiu a mão do marido apertar a sua, mas ela a puxou bruscamente, ainda estava decepcionada com ele, Emmett suspirou e não insistiu, Rosalie levantou a mão e passou nos cabelos da criança.

— Bonita ela — Emmett disse, estava encantado com a menina, ela parecia uma boneca, queixo fino, boca pequena, grandes bochechas e cílios enormes, se perguntou onde estariam os pais dela, com certeza, estariam loucos atrás da pequena.

Bella e Edward já voltavam para casa, Rosalie ficou no hospital e Emmett foi para casa com os gêmeos. Depois de tudo estar mais calmo, eles voltaram para casa.

Bella estava cansada, queria deitar e dormir. Chovia grosso na cidade, o que fez ela pensar nas crianças, até onde sabia, Julia morria de medo de trovões e se perguntou se Kaila também teria medo. No momento em que Bella pensava em trovões, um estourou no céu, fazendo Bella pular no banco do carro e Edward rir dela.

— Medrosa! — Ele zombou.

— Não estou com medo, eu me assustei, só isso — ela disse.

— Você está com medo.

— Não estou não!

Edward gargalhou e entrou no estacionamento da casa deles, esperou Bella descer e segurou na mão dela, entrando na casa. Ângela se encontrava sentada no sofá com Kaila ainda em seu colo, acordada. Bella foi na direção da menina, que estava encolhida no colo da babá, chorando.

— O que aconteceu? — Bella perguntou pegando Kaila no colo. — Ela ainda não dormiu?

— Até dormiu, mas acordou chorando por causa dos trovões — Ângela explicou.

— Tudo bem, Ângela, você já pode ir dormir, muito obrigada — Bella disse sorrindo agradecida para a babá, que sorriu de volta.

— Boa noite, senhora Cullen, Senhor... — ela assentiu e saiu ouvindo um “boa noite” dos dois. Bella apertou Kaila em seus braços quando mais um trovão soou no céu.

— Eu tô com medo — Kaila sussurrou. — Ai meu Jesusinho, socorro — Edward gargalhou das palavras de Kaila sendo acompanhado por Bella.

— Não precisa ter medo, princesa, é apenas um trovão — Bella tentou tranquilizar a menina e a si mesma, talvez, só talvez, ela também tivesse medo de trovões, porém não queria admitir. — Vamos dormir que logo passa.

— NÃO! — Kaila gritou se apertando mais a Bella. — Não vou dormir, não quero, o mundo tá acabando!

— O mundo não tá acabando, Kailinha — Bella subiu as escadas sendo seguida por Edward. Ao chegar no corredor, deu de cara com Julia abraçada a Pietro, os dois também choravam.

— Agora pronto, só tem medroso nessa casa! — Edward disse indo na direção dos dois filhos e pegando Julia no colo.

— Eu não tenho medo, só que Julia estava chorando muito — Pietro disse logo para mostrar ao pai que era corajoso, Edward sorriu.

— Tudo bem, campeão — ele respondeu passando as mãos no cabelo do filho.

— Não quero dormir sozinha, quero dormir com vocês! — Julia disse dengosa, Bella olhou para Edward, que assentiu e guiou o filho para o quarto. Bella entrou, se sentando na cama, tentou colocar Kaila na cama, mas a garotinha grudou em seu pescoço sem querer a soltar. Edward colocou Julia na cama, que logo correu para abraçar a mãe também, Pietro pulou na cama também e Edward entrou para o closet para se vestir.

— Mamãe, a senhora não vai deixar eu dormir sozinha não, né? — Julia disse chorosa.

— Não, meu amor, vocês vão dormir aqui na cama com o papai e a mamãe, tudo bem? — Julia sorriu.

— Oba! Todo mundo junto! — ela disse gritando.

— Eu também? — Kaila perguntou olhando pro rosto de Bella, ela tinha o rosto esperançoso, Bella sorriu, tirando uns fios de cabelo do rosto.

— Claro, princesa — Kaila deu um sorriso enorme e a conversa se encerrou quando Edward saiu vestido com uma camiseta e uma calça de moletom. Bella se levantou tentando novamente colocar Kaila na cama, porém não teve acordo.

— Kaila, você tem que ficar na cama, eu preciso me vestir — ela explicou.

— Não, tia, eu tô com medo, e se o mundo acabar mesmo? — Bella olhou para ela e gargalhou.

— Me dê ela! — Edward disse pegando Kaila que, assim como fez com Bella, apertou o pai.

— Eu também estou com medo! — Julia disse esticando os braços para que o pai a pegasse também. Bella sorriu, balançando a cabeça, sabia que aquilo era puro ciúmes de Julia, apesar de estar com medo, ela estava sentada na cama a minutos atrás; observou Edward segurar Julia com o outro braço e ela seguiu para o closet tirando a roupa para vestir um baby doll mais confortável. Ao voltar, Edward estava em frente à enorme janela de vidro com as duas meninas, ele parecia dizer algo a elas, porém Bella não conseguia entender o que.

Olhou o filho que estava deitado na enorme cama, ele parecia cochilar, ela se deitou ao lado dele, que abriu os olhos sentindo a mãe fazer um cafuné em seus cabelos. Ele abraçou o corpo da mãe e Bella beijou sua testa.

— Te amo — Bella sussurrou fazendo o filho sorrir.

— Também te amo — ele sussurrou de volta, fechando os olhos. Logo mais, um trovão rompeu no ar e Bella deu um pulo.

— MERDA! Edward, vem deitar logo — ela estava com o coração acelerado, o trovão tinha sido mais forte que os outros dessa vez, fazendo com que as meninas chorassem mais ainda. — E sai da frente da janela — Bella completou, entrando embaixo das cobertas. Edward obedeceu, desligou as luzes deixando apenas um dos abajur ligados, colocou Julia ao lado de Bella e se deitou com Kaila em seu peito. Julia aparentava estar com sono e logo começou a cochilar, a essa hora, Pietro já dormia em sono profundo, Kaila tinha os olhos abertos e molhados de lágrimas.

— Deus do céu, socorro — ela disse se apertando ao pai.

— Kaila, nada vai acontecer a você, vá dormir que logo a chuva passa — o pai disse.

— Não, quero tá com o olho aberto quando o mundo acabar — Bella prendeu a gargalhada novamente.

— Quem lhe disse que o mundo vai acabar, Kaila? — Edward perguntou achando graça.

— A Paula — Kaila respondeu.

— Quem é Paula? — Bella perguntou.

— Minha amiguinha da escola — Bella assentiu.

— Diga a Paula que o mundo não vai se acabar por agora não e que, quando isso acontecer, vocês já estarão grandes e olhe lá — Kaila assentiu de volta, passaram alguns minutos a pequena também pegou no sono. Bella aproveitou que estavam apenas ela e o marido acordados e perguntou uma coisa que a estava intrigando desde cedo.

— Por que o Emmett tem medo do pai da Rosalie? — Edward se virou para a mulher e riu.

— Digamos que o pai de Rosalie é um grande mafioso, sua máfia tem nome, eles já vem de gerações e não há ninguém no nosso mundo que não o conheça e saiba de sua fama, ele é bem protetor com a filha — Bella entendeu ali a aflição do cunhado, com certeza, não acabaria bem quando o pai de Rosalie chegasse.

— Você acha que ele faria alguma coisa a seu irmão? — Ela perguntou apreensiva.

— Não, Ryan é um grande amigo de Carlisle, ele sabe que, apesar de tudo, machucaria a filha e os netos fazendo algo contra Emmett e, se fosse pra ele fazer alguma coisa, tinha feito há anos atrás quando Emmett engravidou a filha dele e fugiu como um covarde — Bella concordou, nunca tinha visto o pai da amiga, pouco se ouvia falar sobre ele e a mãe dela, só sabia que eles não moravam no Brasil e que eram muito ricos. — Ryan Castelini é um homem muito poderoso, Bella, são poucos os que o enfrentam, muito poucos — Edward dizia perdido em pensamento, Bella automaticamente imaginou um homem muito arrogante e soberbo.

— Ele deve ser bem arrogante — Bella disse mais para si do que para o marido.

— Até que não, ele é um homem bem simpático, sua mulher também — Edward dizia, Bella deu de ombros. — Você deve conhecê-los esse final de semana, meu pai deve fazer alguma coisa para celebrar a vinda deles ao Brasil.

— Tudo bem, vou dormir ou pelo menos tentar — Bella se esticou e Edward deu um selinho nela, ele sentiu a mão de Julia bater em seu rosto quando a pequena de virou para ele, os dois riram e Bella se virou abraçando Pietro. — Boa noite — ela sussurrou.

— Boa noite, meu amor — Edward sussurrou de volta fazendo com que Bella sorrisse.