Vidas Entrelaçadas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa Leitura!
Depois de uma semana em que a cidade de New York estava abaixo de chuva, o céu estava finalmente límpido, em um tom de azul escuro, onde o brilho das estrelas poderiam ser vistos ao longe.
A cidade nunca dorme, sempre á o que se fazer e pessoas andando de um lado para o outro.
No final de uma rua, de um bairro que muitos nem cogitavam chegar perto, havia um pequeno prédio de quatro andares, feitos de tijolos alaranjados e desgastados. No terceiro andar podia-se ver uma cortina branca esvoaçando com a brisa fresca daquela noite, uma hora para dentro outra para afora.
A cortina ao se debater para dentro do apartamento a certava levemente o rosto da mulher pequena deita na cama, suas mãos apertavam com força o cobertor e o suor escorria de seu rosto, em alguns momentos pequenos gemidos saiam do fundo de sua garganta, fazendo com que seu corpo se estremece, como se apenas o fato de estar soltando tais sons já a ferissem.
Ela não queria sonhar com aquilo outra vez, não queria sentir o que sentiu aquela noite mais uma vez. Porém era inevitável por mais que não quisesse tê-los, os pesadelos sempre vinham.
Vinham para cobrar seu preço...
Vinham para matar sua alma...
Vinham para lembra-la todos os dias de seus pecados.
— Meu bebê – dizia a mulher robusta jogada ao chão ensanguentada – Por favor... meu bebê... – sua voz cada vez mais fraca enquanto uma de suas mãos estavam em seu ventre, levemente dilatado e a outra segurando a princípio firmemente a mão de Elis.
Elis viu o momento em que a luz deixou os olhos daquela mulher.
Alguém chorava, alguém gritava.
Gritos jogados á noite escuro e antes calma.
Gritos que foram interrompidos por sons de pneus.
O corpo magro e desnutrido de repente se jogara da cama, em meio ao grito mudo, como se até mesmo seu subconsciente já não aguentasse mais aquelas imagens horríveis e quisesse acorda-la.
Em meio ao chão, ainda enrolada com a coberta em sua perna esquerda, Elis chorava.
Chorava em quanto suas mãos se apertavam contra suas orelhas, orando, implorando silenciosamente para que aquela voz parasse em sua cabeça.
— Meu bebê.
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Seu corpo estava dolorido.
Esta foi a primeira coisa que Elis sentirá ao acordar aquela manhã no chão, a segunda foi um imenso frio. Esquecerá de fechar a janela... de novo.
Se levantando devagar, sentiu suas pernas levemente tremulas, mas isso se devia mais ao fato de que se sentia cansada.
Olhando o relógio percebera que ainda faltava uma hora para se levantar e se preparar para o trabalho. Poderia aproveitar aquele momento para limpar o banheiro mais uma vez!
Cinquenta minutos depois estava saindo do apartamento, andando rapidamente pela rua, olhando para os lados para verificar se não havia nada de estranho ao seu redor. Não importava se naquele momento não houve ninguém, Elis agia como se algo sempre a estivesse perseguindo.
Andar cinco quadras, virar à esquerda, andar mais duas quadras até o metro, descer sete estações depois, virar à esquerda novamente, atravessar a rua, entrar no prédio onde trabalhava. Enquanto andava, Elis repetia o percurso a seguir, sem parar como um mantra, para que assim outros pensamentos não surgissem sem aviso.
Depois de sentir cheiros nada agradáveis, ser apertada e ver diversas pessoas, finalmente pode respirar de alívio ao sair do metrô, porém mesmo assim Elis não podia reclamar, na verdade era grata pelo emprego e poder se manter naquela cidade tão grande.
Ao sair na rua principal, levantou a cabeça para sentir a brisa bater em seu rosto e poder ver o céu clareando pouco a pouco, Elias amava ver o céu amanhecendo, sentia-se parte de algo bom sempre que via essa maravilhosa apresentação da mãe natureza, trazendo pouco a pouco cores ainda suaves que alegravam a cidade, em meio a tantos prédios cinzas, alguns dias, para Elis, até mesmo as pessoas pareciam cinzas. Foi despertada ao sentir o empurrão que lhe deram no ombro direito, suspirou, balançando a cabeça, recomeçando assim sua caminhada.
Detestava estar entre tantas pessoas, mas aquela cidade nunca parava e as ruas eram a prova daquilo, porque apesar de ser tão cedo havia uma multidão se encaminhando rapidamente para seus afazeres.
Chegando ao prédio, pegará seu crachá de acesso, entrando assim para trocar sua calça jeans azul marinho e blusa branca simples, por seu uniforme, que consistia em uma calça marrom e blusa de mangas até os cotovelos em tom rosa claro. O uniforme em si não era muito atraente, porém era confortável e cumpria bem o seu papel .... ela era invisível vestindo aquela roupa.
Antes do almoço limpara os escritórios do primeiro e segundo andar, parando somente para comer um pão que prepara aquela manhã, para voltar e começar a limpar os banheiros do primeiro andar, estava quase terminando quando foi interrompida.
— Com licença, mas você é a moça da limpeza certo? – Elis virará rapidamente para fitar a mulher alta e ruiva, vestida em um terninho cinza a olhando.
Será que o fato de ela estar de joelho com a mão na privada, fora o que encadeara a pergunta com resposta óbvia?
— E então – a mulher em questão estava batendo seus sapatos finos no piso, com uma expressão de irritação.
— Sim, senhora – Respondeu ao levantar-se de vagar a olhando.
— Já sabia. Escute um rapaz passou mal no segundo andar e vomitou o banheiro masculino, o cheiro está insuportável e se espalhando pelo andar rapidamente, poderia ir lá e resolver isso?
Elis evitou o máximo que pode fazer caretas enquanto a mulher lhe passava as informações do trabalho a ser executado. Afinal aquele emprego era o que garantia sua vida digna.
— Se possível, pode ser mais rápida em seus serviços, pelo que percebo pode ser bem lenta e precisamos de alguém rápida. Como disse o cheiro está terrível! – Sem esperar a reposta a moça sairá do banheiro.
Se tinha uma coisa que Elis poderia ser era rápida, simplesmente não tinha culpa se fora pega de surpresa enquanto limpava a privada.
Pegando suas coisas e dando descarga, andou de pressa até seu carrinho fora do toalete para ir ao segundo andar e assim que saiu do elevador pode de fato sentir um odor desagradável no corredor e ao entrar no banheiro o cheiro era pior.
Quarenta minutos depois, pode se dizer que o cheiro era muito melhor. Depois de lavar o chão e passar o produto mais três vezes, deu seu trabalho ali concluído, aproveitaria para limpar o banheiro feminino e desceria para terminar o trabalho no andar inferior.
Faltando uma hora para seu expediente acabar, já havia concluído suas tarefas do dia. Será que achariam muito estranho se ela começasse a limpar seu próprio carrinho de limpeza? Afinal ele também estava meio sujinho.
— Senhorita Smith?
Virou-se, um pouco assustada, pelo fato que alguém a chamasse naquele lugar.
Parado a sua frente estava o supervisor da equipe de limpeza.
— Boa tarde Senhor Gordon – por um momento se lembrou da mulher ruiva reclamando da sua aparente lerdeza no trabalho. Será que a mulher fora reclamar?
— OH sim, perdoe minha falta de educação. Boa tarde Senhorita Smith, mas poderia por gentileza vir a minha sala um momento?
O homem gorducho e com grande bigode negros, nem ao menos esperou sua resposta e se, pois, a andar e para Elis sobrou apenas a opção de segui-lo.
Com certeza houvera uma reclamação, já estava a um ano naquele emprego e nunca fora chamada para a sala do senhor Gordon, a não ser claro, tirando o dia que fora entrevistada.
O pânico queria surgir, mas o reprimiu. Não poderia se deixar vencer, se fossem a dispensar, imploraria por uma segunda chance, se não desse certo, então começaria uma nova procura por trabalho.
Soltou um pequeno grunhido sem nem ao menos perceber, aquele fora o melhor emprego que arranjara em cinco anos.
O senhor Gordon levantará uma sobrancelha, diante dos pequenos barulhos que a menina soltava enquanto caminhavam.
— Sente-se senhorita – Elis sentia sua pernas fracas agradecerem por finalmente poderem descansar um pouco – Como sabe somos uma empresa séria, nosso trabalho consiste em limpar com esmero, sempre dando o melhor como uma equipe – suas palavras apenas a deixavam mais preocupada – Sempre notei como a senhorita agia com relação ao trabalho e antes de continuarmos gostaria somente que aguardássemos a chegada da Senhorita Vance.
Elis simplesmente assentiu.
Fizera algo tão ruim assim? Por que duas pessoas seriam necessárias para uma explicação?
Afinal quem era Senhorita Vance? Seria dos recursos humanos?
Suas mãos começaram a suar frio.
Precisava daquele emprego!
—Se acalme – nem ao menos tinha percebi que tinha abaixado a cabeça, franzindo o rosto e mordendo os lábios, até ouvir novamente a voz do senhor Gordon – Se acalme senhorita, vamos aguardar, você entenderá.
O modo compassivo como falará de algum modo á vez respirar fundo e voltar ao controle.
A porta se abrirá, uma mulher elegante passava por ela, mexendo no celular, suas roupas finas, claramente mostravam que era de alguma posição bem mais alta que a sua, levantando a cabeça pode observar melhor suas faces frias e olhos afiados.
Senhor Gordon se levantou imediatamente e por reflexo Elis fizera o mesmo.
Seja quem fosse, a mulher parecia ser importante.
—É um prazer recebe-la em minha sala, senhorita Vance – cumprimentou o homem calvo.
— Chega disso Edgar, vamos logo com isso, que eu não tenho tempo – respondeu ignorando sua mão – Onde está a garota?
Senhor Gordon, ficará sem graça, mas rapidamente se recuperou ficando em uma posição de respeito.
Elis apenas observava sem entender absolutamente nada.
— Esta é a senhorita Elis Smith, a moça que lhe falei.
O olhar afiado da senhorita Vance, percorreu o rosto e corpo de Elis, fazendo com que a mesma ficasse sem graça.
Pode ouvir um suspiro de insatisfação de Vance.
— Eu pedi claramente uma mulher que tivesse uma idade mais avançada Edgar.
—Porém Elis tem todos os requisitos que a senhorita pediu.
—Contudo é muito jovem!
—Ela é discreta, tem curso técnico de gastronomia, chega no horário, faz o que é necessário e depois vai embora. Iniciou na empresa a um ano e nenhuma vez recebemos uma reclamação, a menina é como um fantasma, foi difícil de encontra-la até mesmo hoje para traze-la para essa conversa.
Vance, cruzou os braços, começando a bater o pé em uma clara careta de desgosto no rosto.
—Quantos anos tem? – Perguntou rude.
— Vinte e cinco anos – Respondeu mesmo sem estar entendo nada, apenas sabia que Vance não gostara dela e Gordon á estava defendendo.
Será que se perguntasse o que afinal estava acontecendo, aquela mulher gritaria com ela? Julgando pelo tom avermelhado que a pele de seu pescoço começou adquirir, devido a clara irritação, obviamente a resposta seria sim.
Aquilo era ridículo, para que a chamaram ali se ela claramente não era apropriada e não poderia falar nada?
Depois de respirar fundo três vezes, o olhar que Vance, a lançou a vez tremer. Aquela mulher não lhe causava boas impressões.
—A senhoria, será invisível, só falara se algo for perguntado e acredite, tomarei cuidados para que não aja a necessidades de perguntas. Deverá chegar as sete, atrasos não serão permitidos, começara por limpar o andar, sendo que o café do Senhor Kannenberg, deve estar pronto para ser servido as nove horas, o almoço pontualmente ao meio dia e meio. O menu sempre estará perdurado ao lado da geladeira com as preferencias dos dias, eu mesmo o servirei.
A mesma falava tão rápido e ao mesmo tempo tão arrogante que me deixava sem ar. Sem esperar por qualquer pergunta, se virou para a porta a abrindo, se virando levemente antes de sair.
—E senhorita Smith... – comprimiu mais ainda os olhos – eu não aceito falhas.
Saiu batendo a porta, imagino, como forma de protesto.
Olhou para o Senhor Gordon, incrédula.
— O que acabou de acontecer? — Foi somente o que Elis pode perguntar.
O gentil homem sorrindo, estendeu a mão e sem ainda não a menor ideia do que fora tudo aquilo a apertou.
—Parabéns, você acabou de ser promovida.
Notas finais
Obrigado.
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