Notas iniciais
Boa noite meninas, mais um capítulo para vocês. Esse ficou um pouco chatinho, mas é um capítulo importante. Aproveitem. Beijos!

Tris

— Você foi incrível lá dentro. — Tobias diz me abraçando quando saímos do quarto. — Mas eu realmente achei que você fosse bater nela.

— Eu até considerei isso, mas ela já teve o suficiente. Bater nela, naquele estado, não me traria nenhuma satisfação. — Ele beija o topo da minha cabeça e segura minha mão enquanto voltamos para a sala de segurança para apagar os registros da nossa saída do quarto. Logo após apagar tudo agradecemos ao senhor Charles, o dono do hotel, e fomos embora.

Quando estávamos no carro o meu telefone tocou, era a baba do Theo, atendi rapidamente já pensando qua algo havia acontecido, essa é a primeira vez que fico longe do Theo desde que saímos do hospital.

— Alô, aconteceu alguma coisa?

— Não senhora, não aconteceu nada, só liguei porque a senhora me pediu para avisar quando acabasse a última mamadeira do Theo e ele acabou de toma-la. — Logo o alivio toma conta de mim, sorrio e vejo o Tobias me olhando um pouco confuso.

— Certo, obrigada, nós já estamos indo para casa. — Desligo o telefone e o guardo na bolsa novamente. — Era a babá, a última mamadeira do Theo já acabou, ele puxou ao pai, come feito um desesperado. — Digo rindo e sou acompanhada pelo Tobias.

— Isso é bom, mostra que nosso filho é forte e saudável.

Não demora muito até chegarmos em casa, encontramos a babá com o Theo no jardim. Vou em direção a eles e pego meu filho no colo.

— Obrigada, Rita. Ele deu muito trabalho? — Pergunto acariciando o rostinho do Theo.

— Que nada, senhora, ele é um amor de criança, nunca vi um bebê tão tranquilo, quase não chorou. E olha que eu já cuidei de muitos bebês até hoje. — Ela diz com um sorriso, claro que meu filho é um amor, todos podem ver isso. Sorrio para ela, entro na casa e subo para o quarto do Theo, que é só sorrisos no meu colo.

— Sentiu falta da mamãe? Claro que sentiu, né? A mamãe também sentiu falta de você, meu amor. —

— Depois eu quem falo com ele como se fosse um bobo, né? — Olho para o lado e vejo Tobias entrando sorrindo no quarto.

— Ah, me dá um desconto, é a primeira vez que eu me separo dele desde que saímos do hospital. — Tobias nos abraça, com cuidado para não machucar o Theo. E ficamos lá no quarto dele brincando até o Theo pegar no sono. Quando estamos saindo do quarto eu esbarro na câmera que o Tobias deixa sempre na cômoda do Theo para tirar fotos a qualquer momento e ela cai no chão, no mesmo momento me abaixo para pega-la e vejo que a lente está quebrada.

— Desculpa, amor, eu quebrei a sua câmera. — Estendo a câmera quebrada para ele.

— Deixa isso pra lá. — Ele pega a câmera da minha mão e coloca em cima da cômoda novamente com uma mão e a outra continua segurando a mão com a qual entreguei a câmera para ele. — Nós temos um problema muito maior nesse momento. — Ele leva minha mão direita até a boca e a beija.

— Qual o nosso problema nesse momento? — Pergunto confusa.

— Isso aqui. — Ele diz apontando para a aliança, que finalmente voltou a caber no meu dedo.

— O que tem isso? — Ainda estou confusa.

— Está no dedo errado. Você disse que depois que nos vingássemos da Holly iríamos começar a planejar o nosso casamento, bem, a Holly já não é problema, o que diz? Já podemos marcar uma data? — Ele me olha com expectativa.

— Claro, amor. Mas nós temos que ver uma data que seja boa para todos, quero todos os nossos amigos e familiares lá. Ah, e vai ser uma festa bem simples, viu?

— Vai ser tudo do jeito que você quiser, minha linda, eu quero que seja o dia mais especial da sua vida, da nossa vida! — Ele diz me puxando pela cintura e selando nossos lábios, ficamos assim por bastante tempo, até que sinto a minha barriga reclamando, já faz muito tempo que eu não como nada.

— Amor, tô morrendo de fome. — Digo afastando um pouco nossos lábios.

— Eu também, a última coisa que eu comi foi o seu delicioso café da manhã. — Ele diz me dando mais um beijo.

— Sabe… Me deu vontade de comer a comida daquele restaurante que fica perto da universidade, eu amo a lasanha vegetariana deles. Pena que eles não fazem entregas. — Faço um biquinho de desapontada e o Tobias imediatamente entende o que eu quero.

— Tá bem, eu vou lá comprar a sua lasanha vegetariana. — Fico na ponta dos pés e lhe beijo. Não poderia ter pedido um homem melhor do que ele para passar o resto da vida.

— Te amo sabia?

— Me ama só porque eu vou trazer a sua lasanha, né?

— Claro, por que mais seria? — Nós dois sorrimos e descemos a escadas.

— Volto logo. — Ele diz pegando as chaves do carro, o celular e me dando um beijo rápido.

Vou para a cozinha preparar a mesa e fazer um bolo de chocolate para a sobremesa. Quando já estou prestes a colocar o bolo no forno ouço a campainha tocar, coloco o bolo no forno e vou atender a porta. Não acredito no que vejo quando abro a porta. Evelyn está parada me encarando, fico sem palavras, não entendo o que ela pode estar fazendo aqui, já tem meses que nem escuto falar dela, mas se ela está aqui, pra boa coisa não deve ser.

— Boa tarde, Beatrice, não vai me convidar para entrar? — Volto para a realidade ao ouvir a sua voz.

— O que você está fazendo aqui? — Sei que não foi muito educado da minha parte, mas o ataque é a minha primeira reação quando se trata dela.

— Seria uma conversa bem mais agradável se me convidasse para entrar. — Ela ainda carrega o seu ar de superioridade.

— Não tenho nada para conversar com você então não vejo motivos para te convidar para entrar. — Ela me olha irritada.

— Vejo que continua a mesma menininha metida e atrevida de sempre, mas eu não vim aqui para brigar, estou voltando de uma viagem no exterior e fiquei sabendo que o filho de você já nasceu. — E o que é que ela tem a ver com isso.

— Se não veio brigar, o que veio fazer aqui então? — Ela tenta disfarçar a irritação colocando um sorriso falso no rosto.

— Eu realmente não gostaria de ter essa conversa na porta de casa, será que eu poderia entrar? — Fico na dúvida se a deixo entrar ou não, mas no final decido deixa-la entrar. Não gosto da presença dela aqui, mas no fim das contas ela ainda é a mãe do Tobias.

— Tá bom, pode entrar. — Me afasto da porta para que ela possa passar e me encaminho com ela até a sala. — Pronto, já está dentro, agora pode me dizer o que realmente veio fazer aqui.

— Vim para ver a criança. Ele é meu neto, afinal de contas. E também vim lhe pedir desculpas. Olhe, Beatrice, eu sei que nós não começamos muito bem, mas depois de tudo o que aconteceu nos últimos meses com a minha família eu repensei as coisas que tenho feito e vi que muito do que aconteceu foi minha culpa, acho que essa criança é nossa oportunidade de fazer as coisas certas, vai dizer que você não quer que ela tenha os avós por perto? — Esses avós com certeza não. Pode ser até implicância minha, mas eu não acredito em nada do que ela acabou de dizer. Mesmo assim eu não posso tomar essa decisão sozinha, apesar de tudo ela é a mãe do Tobias e o Theo é filho de nós dois, se ele quiser a mãe dele fazendo parte da nossa vida eu terei que aceitar.

— Olhe Evelyn, por mais que você tenha me feito mal não é a mim que você tem que pedir desculpas e sim a pessoa mais prejudicada com tudo isso, o seu filho e não cabe só a mim tomar essa decisão, por que você não volta em um momento em que ele esteja em casa e vocês conversam?

— Claro, você tem razão, mas será que eu posso ver a criança? — Não sei por que, mas algo me diz para deixar ela longe do Theo.

— Agora ele está dormindo, acho melhor não acorda-lo, em outro momento talvez. — Sorrio tentando fazer uma cara simpática para ela, afinal, ela diz ter vindo com boas intenções e se ela estiver mesmo falando a verdade não quero ser injusta.

— Bem, então acho que eu vou indo, diz para o Tobias que eu vim falar com ele e se ele quiser falar comigo sabe onde me encontrar.

— Tudo bem, pode deixar que eu fala com ele. — Acompanho ela até a porta e ela vai embora. Será que ela está mesmo arrependida ou é só mais uma de duas armações? Fico um tempo pensando sobre isso quando lembro do bolo que está no forno e vou correndo tira-lo de lá. Quando eu coloco o bolo sobre a pia ouço o som da porta se abrindo.

— Que cheiro maravilhoso é esse que eu estou sentindo. — Tobias diz colocando as sacolas com as comidas no balcão.

— Bolo de chocolate, como você foi mito bom em ir comprar a comida, eu resolvi te recompensar fazendo um bolo de chocolate. — Ele se aproxima de mim e me abraça pela cintura me dando um beijo bem demorado. Sentindo o Tobias tão feliz assim fico na dúvida se falo ou não sobre a visita da mãe dele, fico tensa e ele percebe.

— O que houve, amor? — Ele pergunta se afastando e olhando para os meus olhos, mordo o lábio e desvio o olhar. — Tris? — Ele segura o meu queixo e me faz olhar para ele. Respiro fundo e decido falar de uma vez.

— Sua mãe esteve aqui hoje. — Instantaneamente ele se afasta de mim com uma expressão assustada.

— Minha mãe? E o que ela queria?

— Queria ver o Theo e me pedir desculpas, disse que depois de tudo que aconteceu ela repensou melhor tudo e achou que deveríamos aproveitar a chegada do Theo e começar de novo. — Ele me olha incrédulo.

— E você acredita nela?

— Não sei, amor. — Digo acariciando seu rosto. Na verdade não acreditei em uma só palavra, mas não quero influenciar seu julgamento, no fim das contas ele é filho, por pior mãe que ela tenha sido, com certeza, ele deve querer ter uma boa relação com ela. — Mas eu disse para ela que vocês deveriam conversar e então nós decidimos o que fazer. Mas confesso que não deixei ela ver o Theo.

— Fez bem, não sabemos o que ela realmente quer, então é melhor mantê-la longe dele. — Ele diz preocupado. Ficamos em silêncio um tempo.

— Então, quando vai conversar com ela? — Digo para tentar quebrar esse silêncio desconfortável em que estamos.

— Não sei, amor, não sei. — Ele diz um pouco distante. — A única coisa que eu sei agora é que eu estou morrendo de fome, vamos comer? — Sei que esse assunto é desconfortável para ele e que ele quer mudar de assunto, por isso, sigo a sua deixa. Tiro a comida das sacolas e sirvo nos pratos. Comemos em silêncio, Tobias mal olha para a comida de tão distraído e eu tenho certeza de que ele está pensando sobre a mãe dele. Assim que terminamos de comer ouço o choro do Theo pela baba eletrônica.

— O Theo tem o timing perfeito. — Sorrio e coloco os pratos na pia. Passo por Tobias que ainda está em outro mundo, nem tocou no bolo de chocolate que eu fiz, e o abraço por trás. — Não importa o que aconteça, eu vou estar do seu lado, viu? — Ele se vira para mim e beija a minha testa.

— Eu sei, amor, essa é a única certeza que eu tenho na minha vida. — Novamente ouço o choro do Theo.

— Deixa eu ir lá agora alimentar essa criança antes que ele entre em desespero. — Subo para amamentar o Theo e o Tobias não me acompanha, ainda pensando sobre a mãe, sei que ele se importa com ela, seria ótimo se o que ela disse fosse verdade, deixaria ele mais feliz, mas se ela estiver mentindo ela vai se ver comigo, agora eu sei que sou capaz de tudo para proteger a minha família.

Notas finais
E aí, o que acham? A Evelyn está sendo sincera?