Vidas Cruzadas
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Tris
Amanhã é o casamento do Caleb, queria ter ido para hoje, mas com tanto trabalho aqui não pude sair antes. Estava terminando de arrumar a mala quando ouvi a campainha tocar e fui atender.
– Olá Jace. – Jace estava parado na porta com uma expressão angustiada. – Está tudo bem? Entra. – Me afasto dando espaço para que ele entre.
– Oi, Tris. – Ele andava de um lado para o outro na sala passando a mão na nuca. – Preciso te falar uma coisa. – Pela cara dele não deve ser nada bom. Me sentei no sofá e o chamei para o meu lado.
– Então me conta logo. – Jace se sentou do meu lado.
– É que eu passei e fui chamado para estudar no MIT. – Fiquei um pouco surpresa não sabia que ele tinha se inscrito.
– Não sabia que tinha se inscrito. Mas isso é uma coisa boa, não? Só é ruim por que é muito longe e eu vou sentir a sua falta. – Realmente sentirei falta dele, o Jace se tornou um grande amigo.
– Não te contei, pois, não sei se eu vou. – Ele me olha e eu fico confusa.
– Como assim? Essa é uma oportunidade maravilhosa para você, não era o que você queria? – Jace respira fundo.
– Era, mas tem outra coisa que eu queria mais. – Fiquei bastante confusa, o que um Nerd fascinado por tecnologia poderia querer mais do que estudar no MIT?
– O que você poderia querer mais do estudar no melhor instituto de tecnologia dos Estados Unidos? – Ele me olha por um tempo sem falar nada.
– Você. – Fiquei surpresa e não consegui falar nada. – Talvez seja surpresa para você, mas já faz um tempo que eu estou apaixonado, no começo sentia apenas amizade, mas convivendo com você e vendo a pessoa maravilhosa que você é não pude evitar me apaixonar. Por isso não te contei, tinha esperanças de que você retribuísse meus sentimentos e se isso acontecesse eu não iria. – Não acredito que isso esteja acontecendo.
– Jace, você não sabe o quanto eu gostaria de retribuir seus sentimentos, não haveria pessoa melhor para eu me apaixonar, mas infelizmente você sabe que isso não é possível. – Levanto com um pouco de dificuldade por causa da barriga enorme, já estou com seis meses de gestação e a barriga já pesa. Vou para a cozinha e Jace me segue.
– Por que não? Você mesma disse que não tem intenção de voltar com o Tobias, então por que não fica comigo? – Não queria estar tendo essa conversa, gosto muito do Jace, mas não dessa forma e agora terei que magoa-lo.
– Porque não seria justo com você, mesmo não tendo intenção de voltar com o Tobias, ainda o amo e não sei se deixarei de amar algum dia, por isso, não posso ficar com você, você merece alguém que te ame e além do mais eu estou esperando um filho. – Faço um gesto apontando para a minha barriga.
– Isso não me importa, eu criaria ele como se fosse meu filho, eu já o amo. – Ele fala acariciando a minha barriga.
– Importa para mim, eu te amo apenas como amigo e jamais poderia fazer isso com você, por favor, tenta me entender. Eu quero que você seja feliz e com certeza eu não poderei fazer isso por você. – Jace respira fundo e se afasta um pouco de mim.
– Você poderia me dar uma chance, quem sabe eu não faço você se apaixonar por mim? – Ele dá um sorriso fraco já parecendo derrotado. Me aproximo dele e lhe dou um abraço que ele retribui.
– Bem que eu queria, mas não posso te impedir de ir para o MIT por uma possibilidade que talvez não se concretize. – Me afasto um pouco para olhar para ele. – Você me entende não é? – Jace me olha e alisa o meu rosto.
– Entendo sim, princesa, na verdade já esperava por essa resposta, mas você me conhece, eu tinha que tentar. – Nós dois rimos e eu volto a abraça-lo. Esse é o meu Jace, sempre com bom humor independente da situação. – Mas se você mudar de ideia é só me ligar que eu volto correndo.
– Até parece, logo, logo você vai arrumar uma namorada lá e vai esquecer que eu existo. – Jace segura a minhas mãos e as beija.
– Arrumar uma namorada até pode ser, mas te esquecer nunca.
– Quando você vai?
– Tenho que estar lá na segunda-feira. – Claro que fiquei um pouco triste por saber que vou ficar longe do meu grande amigo, mas fico feliz por ele.
– Muito obrigada por tudo. – Digo olhando em seus olhos.
– Agora deixa eu ir que meu pai quer jantar comigo, vai me apresentar a nova namorada. – Acompanho Jace até a porta. Apesar de não aparentar sei que ele ficou triste e me senti triste com isso também.
Não menti quando disse que não haveria pessoa melhor para eu me apaixonar. Tudo com o Jace é tão leve, tão divertido, agradeço muito por ter tido a oportunidade de conviver com alguém como ele, mas infelizmente não é por ele que eu estou apaixonada e sim pelo Tobias, ainda sinto falta dele todos os dias. Mesmo já fazendo quase três meses que não nos vemos meu amor por ele não diminuiu nem um pouco. Depois da consulta para saber o sexo do bebê acabamos discutindo feio e eu pedi que ele me deixasse em paz, claro que informo para ele tudo sobre o nosso filho, e sempre mando fotos quando faço alguma ultrassonografia, mas me comunico com ele por mensagens, no começo ele insistia para falar comigo, mas com o tempo acho que acabou desistindo já que faz mais de dois meses que não me procura.
Bem, vou tentar dormir, já que me voo sai de madrugada, quero estar lá bem cedo para ajudar a Susan.
Cheguei bem cedo e como eu esperava todos já estavam acordados. O casamento vai ser na igreja pela manhã e depois a festa vai ser em um salão perto aqui de casa.
Marlene e eu passamos boa parte da manhã ajudando Susan a se arrumar e tentando acalmar seu nervosismo.
– Será que vai dar tudo certo? — Pergunta Susan levantando da cadeira e andando de um lado para o outro.
– Claro que vai, agora quer para quieta para eu terminar de arrumar seu cabelo? – Reclama Marlene que já está tentando a quase uma hora terminar o penteado da Susan.
– E se ele só estiver se casando comigo porque eu estou gravida? – Diz ela sentando novamente. Volto para a frente dela e tento terminar a bendita maquiagem.
– Deixa de ser boba Susan, o Caleb te ama e o bebê acabou sendo apenas um motivo para vocês se casarem logo, agora fica quieta e deixa eu terminar a sua maquiagem, ou você vai entrar toda borrada na Igreja.
Finalmente depois de mais meia hora conseguimos terminar de arrumá-la. Fui para casa me arrumar e checar como estava meu irmão. Entrei em seu quarto e ele ainda não estava arrumado.
– Sério, Caleb? A noiva já está arrumada e você ainda não terminou, olha que só a noiva pode se atrasar. – Tento aliviar o clima, já que ele parece muito tenso.
– Como ela está? Ela não está pensando em desistir não, né? – Nunca vi meu irmão tão nervoso.
– Claro que não Caleb, pára de pensar nisso, ela está linda e pronta só esperando a hora do casamento e se não nos apressarmos vamos nos atrasar e ela vai achar que você quem desistiu de casar. – Caleb sorri e eu o ajudo a terminar de se arrumar.
Depois de ajuda-lo finalmente é a minha vez de me preparar, tomo banho e coloco meu vestido, faço uma maquiagem bem leve e um penteado simples. Quando estou saindo do quarto encontro com minha mãe.
– Está linda filha. – Ela fala se aproximando de mim.
– Obrigada, mas sua opinião não conta, você sempre diz que eu estou linda. – Nós duas sorrimos.
– Claro, é a mais pura verdade, você sempre está linda. – Ela pára de sorrir e me olha séria. – Filha, tem uma coisa que eu preciso falar com você, mas não quero que você se chateie. – Ela faz uma pausa que me só serve para me deixar nervosa.
– Fala logo mãe. – Ela respira fundo.
– O Tobias vai ser o padrinho do Caleb. – Não consigo acreditar no que eu estou ouvindo, como assim?
– Não estou entendendo, como ele vai ser padrinho, eles nem são amigos. Mãe, que história é essa? — Mais uma vez ela respira fundo e se aproxima de mim.
– O Tobias tem se aproximado muito da nossa família nos últimos meses. – Continuo sem entender.
– Como assim, mãe? Eu nem tenho falado com ele nos últimos meses, me explica direito essa história. — Ela coloca a mão no meu ombro.
– Depois eu te explico, o fato é que você e o Tobias serão os padrinhos do Caleb e vão entrar juntos na Igreja, tenta tratar ele bem , certo? Agora vamos logo que se não seu irmão vai chegar atrasado.
– Eu não saio daqui até a senhora me contar isso direitinho. – Cruzo os braços e fico parada.
– Depois eu te explico direito, se eu te explicar agora vamos nos atrasar muito. – Concordo com ela, mas apenas por que não quero deixar a Susan preocupada, mas assim que tiver tempo ela vai me explicar essa história.
Descemos e encontramos Caleb e meu pai nos esperando, vamos para o carro e seguimos par a igreja.
Parece que todos os convidados já chegaram, inclusive o Tobias, tento disfarçar meu nervosismo e ligo para Susan que já está a caminho.
– Susan já está chegando, acho melhor nós entrarmos. – Vejo o Tobias se aproximando e tento ignorar o turbilhão de emoções em mim, ele está lindo com um terno preto e uma gravata azul combinando com o meu vestido, com certeza obra da minha mãe.
– E não iriam esperar pelo padrinho. – Ele me olha, mas vai em direção ao meu pai e o cumprimenta, logo depois é a vez do Caleb e da minha mãe, ele para em minha frente e me olha como se estivesse me pedindo permissão para me cumprimentar, balanço a cabeça lhe dando permissão. Ele se aproxima devagar e me abraça, tento fingir que não era isso que eu queria nos últimos três meses e logo me afasto do seu abraço.
– Bem vamos entrar antes que a noiva chegue. – Tobias segura meu braço e me conduz até o altar. Ficamos esperando Susan entrar e durante todo o tempo eu tento ignorar que ele está ao meu lado, percebo que ele não está muito a vontade, mas em todas as oportunidades que ele tem me toca.
Sou tirada dos meus pensamentos quando ouço a marcha nupcial e vejo Susan entrando na Igreja, ela está simplesmente linda e não poderia aparentar mais felicidade, por um momento imagino que poderia ser eu entrando ali e parece que Tobias lê meus pensamentos.
– Poderia ser você ali agora se eu não tivesse sido tão idiota esse poderia ser o nosso casamento. – Ele sussurra em meu ouvido. Não respondo nada, pois, tem um nó na minha garganta e não sei se conseguiria falar alguma coisa sem chorar.
Durante toda a cerimônia sinto Tobias me olhar, algumas vezes olho para ele e confirmo as minhas suspeitas.
Quando a cerimonia termina vamos todos para a festa, agora sim é a hora de conversar com minha mãe. Depois de cumprimentarmos todos os convidados arrasto ela para um dos cômodos vagos.
– Pronto dona Natalie, pode começar a me explicar que história é essa do Tobias ter se aproximado da nossa família. – Ela me olha com afeto e acaricia meu rosto.
– Meu anjo, você está sendo muito dura com ele. – Como se ele não merecesse isso.
– Não mude de assunto mãe. – Olho séria para minha mãe e ela respira fundo.
– Tudo bem, a pouco mais de dois meses o Tobias veio até nós, pois, ele queria saber como você estava, como estava o filho dele. – Isso não faz sentido.
– Mas eu sempre mantinha ele informado sobre tudo. – Foi a vez de ela me olhar de forma séria.
– Com mensagens de texto, fui ao médico o bebê está bem, ele queria saber mais filha, queria saber os detalhes, como o bebê estava se desenvolvendo, se você estava bem, se estava precisando de alguma coisa e como você não queria falar com ele, ele teve que recorrer a gente.
– E vocês receberam ele de braços abertos? Mesmo depois do que ele fez? – Já estava ficando irritada.
– No começo não, mas ele insistiu bastante e, honestamente, ele tinha direito de saber, ele passou a vir aqui todas as semanas e sempre me pedia para te ligar, na maioria das vezes que eu falei com você o telefone estava no viva voz e ele estava ouvindo tudo. Filha, esse homem te ama e ama o filho dele também.
– Mas ele me fez muito mal mãe, como eu posso perdoar ele? – Tento conter as lágrimas e minha mãe segura as minhas mãos.
– Pra falar a verdade filha, pelo que eu te conheço acho que já o perdoou, mas está com medo de dar mais uma chance pra ele e ele te machucar novamente. Mas ele mudou, isso eu posso afirmar, eu tenho visto tudo o que ele está fazendo, ele quer se tornar uma pessoa melhor por você e essa criança. – Ela fala acariciando a minha barriga. – Sabe, ele não queria que eu te falasse, mas eu acho que você deveria saber. Ele está montando um centro educacional para crianças carentes aqui em Seattle. Ele disse que estava fazendo por você. – Esse era meu sonho quando eu era criança, ter um lugar onde as crianças que não tem condições tivessem acesso a educação, mas não tinha como eu realizar, então acabei deixando de lado. Mas como ele descobriu isso?
– Quem deu essa ideia pra ele? — Pergunto para minha mãe que nesse momento está acariciando meus cabelos.
– Ele me disse que encontrou um caderno seu em um lugar que você o levou quando ele esteve aqui pela primeira vez. – Ele deve ter encontrado um dos meus diários na cabana. Não sei o que pensar. Sem tentar conter as lagrimas abraço minha mãe e começo a chorar.
– O que eu faço, mãe? Eu não sei se posso confiar nele. — Ela continua abraçada a mim acariciando meus cabelos.
– Você vai ter que arriscar, nenhum relacionamento é feito apenas de momentos bons, algumas vezes existem magoas, decepções, veja eu e o seu pai, você acha que nós nunca magoamos um ao outro? Para nós chegarmos onde estamos hoje foi preciso muito esforço da parte dos dois, mas o mais importante é que sempre houve amor e por esse amor nós sempre estávamos dispostos a tentar novamente, a perdoar e relevar. Sabe, Tris, sempre admirei essa força de caráter que você tem, mas se você continuar assim sendo tão dura e inflexível não vai conseguir ser feliz. O Tobias cometeu um erro, e muito grade mesmo, mas ele te ama e está tentando consertar isso, dê mais uma chance para ele, se não por você, por essa criança que vai nascer e que merece que os pais ao menos tentem fazer o relacionamento funcionar. Se eu fosse como você hoje você e o Caleb teriam sido criados sem pai. — Ela diz se afastando de mim.
– Como assim mãe?
– Quando eu estava gravida de você, seu pai me traiu. – Meu pai não teria coragem de trair a minha mãe, ele a ama tanto.
– Mas o papai te ama tanto, não acredito que ele faria isso.
– Pode acreditar, filha, quando fiquei gravida de você a gravidez foi bem chata, eu enjoava de tudo até do cheiro do seu pai o que nos afastou um pouco, com isso ele acabou se envolvendo com uma colega de trabalho, quando eu descobri, fiquei desesperada, sai de casa com o Caleb e fui morar na casa dos meus pais. O Andrew fez de tudo para conseguir o meu perdão, mudou de emprego, comprou a casa que nós moramos hoje, ele não queria morar afastado, queria ficar no centro, mas eu sempre quis morar em um lugar assim, queria criar vocês perto da floresta e mais distante do centro, e ele fez isso por mim, pela nossa família e eu agradeço muito, pois hoje eu não me imagino sem ele, quando eu paro para pensar no erro que ele cometeu eu vejo que é muito pequeno em relação a toda a felicidade que ele me deu, as vezes é preciso acontecer algo muito forte para que nós possamos aprender a dar valor ao que nós temos. O Tobias errou, mas ele está fazendo de tudo para reparar isso, você deveria perceber isso e parar de ser tão intransigente.
– E todos estão do lado dele assim como você?
– Sim, ele conseguiu conquistar a família, até já faz parte da tradição, quando ele vem fica tentando consertar os carros com seu pai e seu irmão, eles ficaram muito próximos. Aceita meu conselho, meu anjo, dá mais uma chance para ele, para a sua família, abra novamente o seu coração. — Ela me olha com afeto e quem a vê falando assim do Tobias até acha que ele é filho dela e não eu, mas a minha mãe sempre foi assim, carinhosa com todos.
– Tá bem, mãe, eu vou pensar sobre isso. — Fico impressionada com tudo o que ela me disse, sobre o Tobias e sobre ela e meu pai, nunca poderia ter imaginado meu pai em uma situação como essa, mas se minha mãe o perdoou quem sou eu para julga-lo.
– Vamos voltar para a festa, já devem estar sentindo a nossa falta. — Ela me estende a mão, mas não tenho intenção de voltar agora.
– Pode ir mãe, eu vou ficar aqui mais um pouco. — Seguro sua mão e a aperto soltando logo em seguida.
– Tem certeza? — Ela me olha com preocupação, mas eu sorrio para ela.
– Tenho mãe, eu vou ficar bem, daqui a pouco eu volto lá pra dentro. – Minha mãe vai embora e eu fico pensando sobre tudo o que ela disse, será que eu devo realmente dar mais uma chance para o Tobias, pelo que a minha mãe falou ele parece realmente ter mudado muito e está realizando o meu sonho. É muita coisa para digerir.
Depois de um tempo pensando volto para o salão e vejo o Tobias sentado na mesa junto com o meu pai, me sento com eles e não consigo evitar ficar olhando para o Tobias, ele percebe e também me olha. Sinto o bebê mexer e coloco a mão na barriga. Tobias se levanta e vem sentar ao meu lado.
– O que foi, está sentindo alguma coisa? — Ele me olha preocupado.
– Não, só o bebê que mexeu. — Sorrio e ele sorri também.
– Posso sentir? — Ele olha para a minha barriga e depois para mim.
– Pode sim. – Ele coloca a mão em minha barriga, mas do lado errado. Pego a sua mão e posiciono do lado em que o bebê está mexendo. – Aqui, ele está desse lado. – Continuo com a minha mão por cima da dele e sinto o bebe mexer novamente, Tobias abre um sorriso enorme, vejo seus olhos lacrimejarem e me sinto culpada por priva-lo desses momentos.
– Ele parou. – Diz Tobias um pouco decepcionado.
– É que ele já achou uma posição confortável. – Ele continua com a mão em minha barriga.
– Ele mexe muito? – O sorriso volta pra o seu rosto.
– Bastante, não para quieto. – Nós dois sorrimos.
– Então puxou a mãe. – Ficamos em silêncio por um tempo e eu fico repassando as palavras da minha mãe em minha cabeça. Volto a olhar para Tobias e ele divide seu olhar entre meu rosto e minha barriga, enquanto a acaricia. Minha mãe tem razão, eu já perdoei ele, não sinto mais raiva ou magoa quando olho para ele, mas tenho medo de me magoar novamente. Eu preciso pensar.
– Eu preciso ir ao banheiro. – Digo a Tobias que tira a mão da minha barriga e me ajuda a levantar.
– Quer que eu te acompanhe? – Olhando em seu olhos vejo apenas amor e preocupação. Preciso sair daqui.
– Não precisa, não. – Saio sem saber muito bem para onde, apenas preciso ficar um pouco sozinha para pensar, estou muito confusa.
Tobias
Já faz algum tempo que a Tris foi ao banheiro e ainda não voltou. Quero ficar o máximo de tempo possível perto dela , já que depois daqui não sei quando isso acontecerá novamente. Hoje senti meu filho mexer, foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida, parecia que o mundo inteiro havia desaparecido, éramos apenas nós três. A Tris já está demorando muito, será que ela passou mal no banheiro, vou lá checar. No caminho encontro Natalie.
– Oi, Natalie, você, viu a Tris? Ela disse que iria no banheiro, mas já faz muito tempo e ela não voltou ainda. — Natalie me olha um pouco preocupada.
– Não, eu cabei de sair do banheiro e ela não estava lá. Ah, Tobias, eu conversei com ela, contei que você tem vindo aqui. — Será que isso a deixou chateada, será que foi por isso que ela saiu e não voltou ainda?
– E como ela reagiu? — Falo bastante preocupado.
– Ela ficou confusa. – Pelo menos ela não ficou com raiva, mas se ela ficou confusa eu já sei para onde ela foi.
– Acho que já sei onde ela está. Obrigada Natalie. – Lhe dou um beijo no rosto e saio da festa.
O salão não fica longe da casa da Tris, se ela está confusa deve ter ido para a cabana. Quando chego na floresta logo no inicio da trilha vejo os sapatos da Tris pelo caminho, realmente não é fácil seguir esse caminho usando saltos, pego os seus sapatos e sigo o caminho.
Chego na cabana e vejo a porta aberta, me aproximo devagar e vejo a Tris de costas para a porta.
– Olá. – Digo e ela se vira um pouco assustada.
– Olá, como você sabia que eu estava aqui?
– Posso entrar? – Ela apenas assente e eu entro. – Sua mãe disse que conversou com você e você tinha ficado um pouco confusa, daí imaginei que tivesse vindo para cá. — Ela dá um sorriso fraco e olha para baixo.
– É eu fiquei confusa mesmo, ela me disse que você tem vindo sempre aqui e que está montando um centro de educação infantil. – Ela olha para o diário em que eu vi escrito que esse era o seu sonho. – Sabe que até eu já tinha me esquecido desse sonho? – Ela levanta o rosto e olha para mim.
– Eu queria arrumar um jeito de me redimir pelo que tinha feito e em uma das minhas vindas aqui eu achei esse diário, me desculpe por ter lido. — Fico com receio de ela ficar brava, mas ela não parece ter se incomodado, novamente ela sorri e volta a olhar para o diário.
– Tudo bem, tem coisas aqui que eu nem lembro de ter escrito. Estranho, não é? Tem coisas escritas aqui que me fazem imaginar que eu estava passando por um período muito difícil, mas eu não consigo me lembrar, isso me fez pensar que as vezes nós achamos que as coisas são muito importantes, mas na verdade elas não são tanto assim quando você olha o quadro geral. – Ela faz uma pausa e me olha nos olhos. – Eu também estive pensando sobre a gente, o que você fez foi muito errado, mas olhando o quadro geral, tudo que você tem feito depois disso. Ter saído da empresa e dado a presidência para o Zeck, estar correndo atrás do seu sonho, realizando um dos meus, se aproximando da minha família, todo esforço que você tem feito para participar da minha vida mesmo eu não te dando nenhum espaço, eu acho que isso tudo acaba diminuindo a importância do que você fez de errado. – Meu coração parece que vai sair pela boca, ela agora me olha com tanto afeto, já faz muito tempo que ela não me olha assim.
– Está dizendo que vai me perdoar? – Pergunto já cheio de expectativas e quase pulando de felicidade.
– Eu já te perdoei faz tempo, o problema não é esse. O problema é que eu não quero ser magoada dessa forma novamente. – Ouvir que ela me perdoou me deixou extasiado, imaginei que isso nunca fosse acontecer, mas ouvir que ela tem medo de que eu a magoe novamente me dá uma dor no coração, ainda mais nesse momento em que ela parece tão frágil. Me aproximo mais dela e seguro seu rosto em minhas mãos.
– Tris, eu juro, por tudo que há de mais sagrado, que eu nunca mais vou te magoar dessa forma, eu quero te fazer feliz e ser feliz com você e nosso filhinho que vai nascer, se você me der mais uma chance eu vou te fazer a mulher mais feliz desse mundo. – Ela não fala nada, vejo lagrimas escorrerem por seus olhos e as enxugo, ela fecha os olhos e eu me aproximo lentamente, inicialmente apenas roço nossos narizes, encosto minha testa na dela e fico sentindo nossas respirações se misturarem, depois roço meus lábios de leve nos dela e os sinto se abrirem um pouco, aproveito e começo a beijá-la, começamos com um beijo bem calmo, não há desespero e nem urgência apenas amor, quando nos falta ar nos separamos, mas não muito, continuamos com nossas testas juntas e Tris ainda com os olhos fechados, mas ainda assim com lagrimas escorrendo. – Você não tem ideia do quanto eu senti falta disso. — Digo sorrindo.
– Eu também senti. — Ela fala também sorrindo.
– Isso quer dizer que você me aceita de volta? – Olho para ela, que abre os olhos e se afasta um pouco. Sinto meu coração gelar imaginando que ela vai dizer que isso foi mais um erro e que nunca vai me aceitar de volta, começo a tirar as minhas mãos do seu rosto em sinal de derrota, mas ela as segura as mantendo em seu rosto.
– Isso quer dizer que se você fizer alguma coisa parecida novamente eu acabo com você. – Ambos sorrimos e nos beijamos, não consigo conter a minha alegria, depois de muitos beijos me afasto um pouco e a olho de cima a baixo, ela está linda, já havia reparado quando a vi na igreja, mas agora aqui comigo depois de ter me perdoado e me aceitado de volta ela parece ainda mais linda. Tomo coragem e lhe peço uma coisa que já quero a muito tempo.
– Posso ver a sua barriga? — Ela me olha confusa e com um pouco de vergonha.
– Você não vai querer ver, eu estou gorda e feia. — Ela abaixa a cabeça e cora um pouco.
– Claro que eu quero e você está linda como sempre. — Me ajoelho e seguro a barra do seu vestido. — Posso? — Ela apenas assente e eu levanto o seu vestido e vejo a barriga linda que carrega o meu filho, o fruto do meu amor com essa mulher maravilhosa. Acaricio a sua barriga e a encho de beijos como eu venho sonhando nos últimos meses. Depois de bastante tempo assim me levanto e volto a beija-la, ficamos assim nos beijando e sentindo nosso filho mexer em sua barriga, acho que ele também ficou feliz com a nossa reconciliação, não para de se mexer. Nunca imaginei que alguém pudesse sentir tanta felicidade.
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