Notas iniciais
Boa noite, como prometido, mais um capítulo para vocês. Esse está bem grande e com uma surpresinha boa para a Tris. Espero que gostem.

Tris

Estava na sala quando ouvi o som da porta se abrindo, logo levantei sabendo que era o Tobias que havia chegado e agora finalmente poderíamos começar a nossa noite. Fechei o livro e fui em direção a porta, mas logo que vi o rosto do Tobias algo me disse para manter distância. O olhar dele estava frio e parecia haver ódio, já vi esse olhar antes, mas nunca direcionado a mim, o vi no dia em que Marcos quase me bateu, o Tobias olhou para ele com esse mesmo olhar. Mesmo com os meus instintos me dizendo para manter distância me aproximei dele, que permaneceu parado onde estava, me olhando.

– Tobias, aconteceu alguma coisa? – Claro que aconteceu, ele não estaria com essa cara por nada, mas como parecia que ele não falaria nada, então eu tinha que iniciar a conversa, mas não adiantou ele continuou parado como uma estátua sem falar nada apenas me olhando com os olhos frios e com um misto de ódio e dor. Eu precisava saber o que estava acontecendo, dei mais alguns passos até ficar bem próxima dele e estendi a mão para tocar seu rosto, mas antes que eu conseguisse encostar nele senti sua mão segurar meu pulso.

– Por quê? – Foi a única palavra que saiu da sua boca enquanto ele continuava a segurar o meu pulso, tentei me soltar, pois ele estava apertando muito forte e estava começando a machucar.

– Eu preciso de algo um pouco mais concreto para responder a essa pergunta. – Tentei manter o bom humor, pois e nunca havia lidado com um Tobias nesse estado e não sabia o que fazer.

– Não me faça de idiota mais do que você já fez, por que? Por que você fez isso? Eu poderia te dar tudo o que você quisesse, bastava me pedir, eu nunca te negaria nada. – Ele falava, mas eu continuava não entendendo, do que ele estava falando?

– Tobias, eu não faço ideia do que você está falando e você está me machucando. – Falei tentando mais uma vez soltar a minha mão. Ele soltou e eu me afastei.

– Eu estou falando disso. – Ele me entrega uma pasta cheia de papeis e eu começo a analisar, quando termino eu fico praticamente em choque.

– Tobias o que é isso? Como meu nome veio parar em todos esses documentos? Que palhaçada é essa? – Pergunto ainda olhando para os papeis na minha frente.

– O único palhaço aqui fui eu, Tris, em acreditar que poderia ser amado simplesmente por quem eu sou, mas é claro que desde o começo tudo que te interessava em mim era o meu dinheiro. Você conseguiu me fazer de idiota, o que você iria fazer quando nos casássemos? Iria me fazer passar tudo para o seu nome e depois me largar como o idiota que eu sou? – Não acredito no que ele está falando, como ele pode duvidar do que eu sinto por ele, justo ele. Tudo o que eu passei por causa dele, fico tão chocada que por um momento não sei o que dizer. Mas só por um momento.

– Realmente é um palhaço idiota por acreditar que eu seria capaz de roubar dinheiro de qualquer lugar principalmente da sua empresa, Tobias, na minha vida eu nunca roubei nem caneta, quanto mais dinheiro, você viu a minha família, nós podemos não ser ricos como você, mas nunca quisemos nada que não fosse nosso e foi assim que eu fui criada. – Atiro os papeis nele.

– Como você quer que eu não acredite, estão aí todas as provas, não tem como duvidar. – Começo a gargalhar de tão nervosa que eu fico.

– Isso vindo de uma pessoa que foi pego nu abraçado com a ex, e mesmo sem saber o que tinha acontecido me jurou que não tinha acontecido nada e depois acabou descobrindo que a própria mãe tinha armado para ele, seria até cômico se não fosse trágico. – Tobias continua me olhando com raiva, mas não desvio meu olhar, pois, agora eu também estou com raiva e garanto que estou com muito mais raiva do que ele.

– Não mude de assunto, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

– Claro que tem, você não entende, Tobias, você vive rodeado de cobras, pessoas armando para você o tempo todo e você ainda consegue acreditar neles. Primeiramente, se vocês estão pensando em me acusar com esse relatório, então é melhor vocês pensarem duas vezes, porque esse relatório é a coisa mais mal feita que eu já vi, cadê os IPs das maquinas usadas para acessar o sistema com a localização em GPS mostrando que eu estava usando os computadores no momento em que o sistema foi invadido? Sim, pois se eu vou ser acusada, eu quero provas maiores do que um monte de papel com o meu nome escrito. E se eu estivesse realmente desviando dinheiro, só se eu fosse burra para abrir uma conta em meu nome. – Ele me olha atônito e eu começo a ver dúvidas em seu olhar, mas para mim já não importa mais, se ele foi capaz de duvidar de mim em uma coisa como essas eu sei que ele não merece o que eu sinto por ele.

– Como eu vou saber que o que você está falando é verdade? Você pode muito bem estar inventando tudo isso. – Tenho vontade de gritar, mas me controlo.

– Isso não me importa é problema seu. – Falo da forma mais fria que consigo. – Eu vou provar que isso foi tudo uma armação e quando isso acontecer nem adianta vir atrás de mim por perdão porque isso não vai acontecer. – Me viro e vou em direção a escada, começo a subir, mas me viro ao chegar no segundo degrau. – E Tobias, aí vai um conselho de graça, já que você acha que tudo que me interessa em você é o seu dinheiro, quando tudo isso acabar e você perceber que perdeu a única pessoa que realmente te amou de verdade, você deve se afastar dessas pessoas que tanto te fazem mal, pois, aí talvez, quem sabe você ainda tenha alguma chance de ser feliz. – Me viro com o coração destruído e volto a subir as escadas. Tudo acabou, dessa vez realmente acabou.

Chego ao quarto e começo a arrumar as minhas coisas, pegando apenas as coisas que são minhas, não vou levar nem os presentes que ele me deu, não quero nada que seja dele. Depois de colocar tudo dentro da mala a fecho e vejo os anéis no meu dedo, isso era o que faltava para finalmente eu começar a chorar, todas as lagrimas que eu estava tentando evitar de cair começam a sair em uma torrente e eu até começo a soluçar e tentar tirar os anéis, mas eles não saem, acho que engordei, pois não tem jeito de eles saírem, tento puxar com os dentes, vou ao banheiro passar sabão, mas nada adianta, começo a sentir cólicas, ninguém merece, além de tudo ainda cólica, eu devo ser a pessoa mais azarada do mundo. Resolvo ir embora e depois eu dou um jeito de tirar isso e mandar de volta para ele.

Desço as escadas com a minha mala na mão e vejo que Tobias ainda está no mesmo lugar onde eu o deixei, na mesma posição. Infelizmente o único caminho até a porta é o lugar onde ele está parado, então tenho que passar por ele. Vou em sua direção e paro ao seu lado sem olhar para ele.

– Adeus, Tobias. – Saio pela porta sem olhar para trás.

Tobias

A Tris saiu daqui com as suas malas e eu não tive reação para mais nada, continuo onde estava desde que cheguei em casa, não sei em que acreditar, será que tudo o que ela falou é verdade? Será que eu estou cometendo o maior erro da minha vida?

Caminho automaticamente em direção ao quarto e logo que entro não consigo segurar as lagrimas, o quarto está impregnado com o cheiro dela e isso me lembra de todos os momentos que passamos aqui do dia em que fizemos amor pela primeira vez, do seu aniversário quando prometemos um ao outro que sempre nos amaríamos. Lembro do anel e olho para o meu dedo, vejo ambos os anéis, o do infinito e a aliança de noivado. Noivado, lembro do meu pedido e de ver seu rosto me olhando com tanta felicidade. Por que isso tinha que acontecer?

Olho em volta e vejo que ainda tem coisas dela aqui, será que ela planeja voltar, mesmo sem a minha permissão, meu coração pula uma batida, mas percebo que as coisas dela que ainda estão aqui são apenas as coisas que eu dei para ela. Ela não levou nada. Vou até o closet e vejo as roupas que lhe dei todas penduradas, pego um vestido que lhe dei e o encosto no meu rosto deixando que seu cheiro me invada. Volto para a cama e me jogo nela abraçado com o vestido da Tris começo a chorar feito um bebê e depois de muitas horas acabo dormindo.

Tris

Chego ao prédio e entro no elevador torcendo para que ninguém mais entre e veja o meu rosto, pois, tenho certeza que ele denuncia o meu estado. Para o meu azar Peter entra.

– Boa noite, Tris. – Não consigo falar, então apenas assinto. – O que foi, você está bem? – Ele olha para o meu rosto depois olha para as malas. – Voltou de vez, pensei que estivesse morando com o seu namorado. – Não quero ignorar o Peter, mas nesse momento a última coisa que eu quero é conversar.

Agradeço que o elevador chega ao nosso andar e saio o mais rápido que eu consigo. Tento abrir a porta, mas minhas mãos tremem, sinto a mão do Peter retirando a chave da minha e abrindo a porta. Entro e ele me acompanha.

– Tris, você não está bem, o que houve? – Não sei como nem por que, mas abraço Peter e começo a chorar em seu peito, ele não fala nada e nem pergunta, apenas fica ali alisando os meus cabelos até, não sei quanto tempo depois, eu ficar mais calma. – Quer conversar? – Apenas balanço a cabeça negativamente e ele assente. – Quer que eu saia? – Novamente apenas balanço a cabeça negativamente, não sei por que, mas a presença do Peter está me fazendo bem. continuamos ali em pé, as cólicas ficam mais fortes, de repente as dores ficam tão fortes que eu não consigo me manter em pé, sinto algo morno escorrer por minhas pernas, minha visão começa a escurecer e não vejo mais nada.

Acordo em um quarto de hospital e não me lembro como cheguei aqui. Olho par o lado e vejo o Peter sentado em uma cadeira.

– Peter, o que aconteceu? – Tento me sentar e o Peter me ajuda. – Como eu vim parar aqui?

– Você desmaiou e eu te trouxe aqui. – Ele parece desconfortável.

– Obrigada, mas o que houve? Por que eu desmaiei? – Tenho péssimas recordações, lembro da última vez que estive em um hospital, foi quando Drew me atacou.

– Acho melhor chamar um médico. – Ele sai do quarto e volta poucos minutos depois com um médico.

– Bom dia, Beatrice. – Ele fala olhando o meu prontuário. – Que bom que já acordou, como se sente?

– Me sinto bem, mas o que houve? Por que eu estou aqui? – Ele me olha um pouco preocupado.

– Bem, você teve uma perda de sangue causado pelo um acúmulo de sangue entre a parede do útero e o saco gestacional também conhecido como hematoma subcoriônico... – O interrompo, pois não entendo a que ele se refere, saco gestacional, isso só ocorre quando se está gravida, mas eu não posso estar, tudo bem que o Tobias e eu quase nunca usamos proteção, mas eu tomo remédios.

– Espere aí doutor, isso não é possível, eu não posso estar grávida, eu tomo anticoncepcional. – O médico me olha assustado.

– Você não sabia que estava gravida? – Ele anota algo em meu prontuário.

– Não sabia e isso não é possível, deve estar havendo algum engano. – Tento me levantar, mas sou impedida por Peter, quase me esqueci que ele estava aqui.

– Sei que deve ser um choque para vocês descobrirem que vão ser pais, mas uma criança é sempre algum bom em um casamento. – Ele nos olha.

– Não, nós não somos casados, ele não é o pai. – Me apresso em dizer e vejo que ele me olha de forma estranha, mas não me importo muito, pois estou muito ocupada digerindo a informação.

– Bem, vou lhe encaminhar a obstetra para que possa fazer os exames e o pré-natal. – Ele se retira e eu fico lá, ainda pensando sobre o que eu ouvi, estou gravida, mas no pior momento, o que eu vou fazer agora? Lembro do que o Tobias falou no dia em que contamos a meus pais sobre a gravidez da Susan, lembro de ele dizer que já nos imaginava como uma família, mas agora isso já passou, seremos apenas eu e meu filho ele não vai nem saber da existência dele. Sou tirada dos meus pensamentos pelo médico que retorna. – Você está com sorte. – Sorrio, pois sorte é algo que realmente eu não tenho. — A nossa obstetra que está de plantão pode lhe atender agora. Ela já está vindo. – Ele se retira.

– Tris, você quer que eu ligue para alguém, seu namorado? – Novamente me esqueci da presença do Peter, ele está sendo muito legal.

– Não precisa, muito obrigada, mas se você quiser ir embora, pode ir tranquilo eu vou ficar bem. – Sorrio para ele que sorri de volta para mim e se levanta sentando na beirada da cama.

– Tudo bem se não quiser que eu chame ninguém, mas eu não vou te deixar sozinha. Ele sorri e alisa o meu cabelo. – Me sinto desconfortável, pois mesmo depois de tudo não era ele quem eu queria que estivesse aqui agora. Uma médica entra na sala.

– Bom dia, vocês devem ser os futuros papais. Eu sou a Mia, obstetra. – Ela diz sorrindo.

– Eu não sou o pai. – Peter se apressa em dizer quando percebe que eu já estava abrindo a boca para falar, ele sorri para mim e se levanta voltando a sentar na cadeira.

– Muito bem, vejamos. – Ela levanta o meu lençol e depois a minha blusa, que só agora percebi que não é a que eu estava usando ontem e sim uma típica de hospital na cor azul, e passa um gel gelado em minha barriga, depois liga o monitor do ultra son. Não consigo ver muita coisa, mas ela me aponta uma manchinha preta na tela. – Está vendo? Esse é o seu bebê. — Sou preenchida com um amor que eu não sabia que existia em mim, naquele momento eu soube que faria tudo para que esse ser que estava crescendo dentro de mim fosse feliz. Mesmo que não tivesse pai ele seria muito feliz, eu iria me assegurar disso. – Ainda não dá para ver direito, pois ele ainda tem apenas cinco semanas, mas ele está aí se desenvolvendo, logo, logo poderemos saber o sexo. – Ela me olha séria. – Você teve um hematoma subcoriônico, mas felizmente foi trazida para cá a tempo e conseguiram parar o sangramento antes que algo pior acontecesse e agora está tudo bem, nós vamos acompanhar, a gestação e ver se não há aumento desse hematoma, se você quiser ser minha paciente, é claro. – Ela me olha esperando uma resposta.

– Claro que sim, a senhora pode ser minha obstetra. – Ela sorri e continua a falar.

– Vou lhe passar alguns remédios, vitaminas e repouso, além de claro, evitar stress. – Essa parte será difícil, já que minha vida ultimamente se resume a isso, mas por meu filho eu farei tudo. – Faremos acompanhamento desse hematoma e se você seguir as recomendações teremos um bebê forte e saudável chegando nos próximo sete meses. Ela sorri e fico tranquila com as suas palavras.

– Tudo bem, quando eu posso sair daqui? – Pergunto ansiosa e ela sorri.

– Posso te dar alta agora, mas primeiro eu tenho que lhe passar as receitas para os remédios e você tem que prometer que vai fazer tudo do jeito que deve ser. – Sorrio para ela.

– Não se preocupe, vou fazer tudo que a senhora mandar. – Ela sorri e me entrega as receitas.

– Me visto e vamos embora, passamos na farmácia e Peter me deixa em casa.

– Você vai ficar bem, Tris, quer que eu fique com você? – Peter me pergunta e eu sorrio para ele agradecida.

– Não precisa, pra falar a verdade eu quero ficar sozinha, mas muito obrigada mesmo Peter, não sei o que faria se não fosse você, eu devo a vida do meu bebê a você e por isso eu serei eternamente grata. – Ele se aproxima e me dá um beijo no rosto.

– Eu estarei ao lado para o que precisar, não hesite em pedir, pode pedir qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. – Peter sai e eu vou tomar banho, depois do banho deito na cama e apago ainda digerindo a novidade de que serei mãe.

Sou acordada pelo som insistente da campainha, me levanto sem muita vontade e vou atender. Abro a porta e vejo Christina e Shauna apreensivas na minha porta, mal abro e elas invadem a sala.

– O que aconteceu, morri de te ligar, mas você não atendia o telefone. – Fala Chris quase sem fôlego.

– Hoje recebemos o resultado do semestre, nós passamos com as maiores notas da sala, a sua foi a maior de todas, já estamos de férias. – Normalmente eu ficaria feliz, mas agora não tenho vontade. Elas parecem perceber e me olham preocupadas.

– Tris, você está bem? – Não consigo responder, sei que se eu falar alguma coisa vou chorar e não quero chorar. – Tris? – Lagrimas começam a descer pelo meu rosto e as duas me abraçam. Sento com elas no sofá e conto tudo o que aconteceu, desde a conversa com Tobias até a descoberta da gravidez.

– Não acredito que o Tobias fez isso, como ele pôde duvidar de você? – Shauna fala com indignação. – Deixa só eu encontrar ele, não vai sobrar pedacinho dele para contar história. – Não consigo evitar sorrir com a forma como ela fala.

– Sério amiga, ele já sabe sobre o bebê? – Pergunta Chris colocando a mão sobre a minha barriga.

– Não sabe e vocês estão proibidas de contar, ok? Principalmente você Shauna, nada de contar pro Zeck, se não ele vai correndo contar para o amigo dele e eu não quero que ele descubra jamais sobre meu filho.

– Tudo bem, se você quer assim, mas eu acho que ele deveria saber, por mais idiota que ele tenha sido, ele é o pai, ele merece saber. – Chris tenta me convencer, mas não vai funcionar.

– Ele merece é sofrer muito, isso sim, não quero meu filho envolvido com nada referente aquela família, ele não vai ter nada dos Eaton, nem o sobrenome, vai ser apenas meu e eu já decidi. – Elas me olham contrariadas, mas não discutem.

– Tudo bem, mas já sabe o sexo do meu afilhado, ou afilhada? – Chris me faz sorrir, fico muito melhor agora que elas estão aqui.

– Ainda não sei, ainda não dava para ver, mas quanto a você ser a madrinha não sei não, vai ter muita gente brigando por esse posto. – Sorrio e começamos a falar sobre coisas alegres, como a decoração do quarto do bebê, roupinhas, quando será o chá de fraudas e tudo mais, até que chega a hora de ir para o estágio. No caminho passo no correio e envio para a casa do Tobias um envelope com as minhas alianças, que felizmente com a ajuda das meninas eu consegui tirar. Peço uma das encomendas que são entregues no mesmo dia, não quero que ele pense que eu quero ficar com essa aliança, que por sinal deve ser muito cara.

Passamos a tarde inteira ocupadas, o dia foi bem movimentado, quase no final da tarde, Lynn vem falar comigo.

– Tris, preciso da sua ajuda, vai ter uma feira de tecnologia em Holtville que começa amanhã e nosso chefinho quer cobrir, parece que o filho dele vai expor na feira, coisas de Televisão, mas como é ele quem paga o nosso salário nós não temos muita opção, temos que fazer uma matéria sobre isso, a feira vai durar cinco dias, mas eu não posso dispensar um repórter para ficar cinco dias cobrindo uma feira, sei que você é formada em engenharia de software e com certeza entende muito disso e queria saber se pode fazer esse enorme favor por mim. – Parece que finalmente as coisas estão começando a ficar melhores para mim, essa feira era tudo que eu precisava, lá com certeza vou poder me concentrar em descobrir quem me incriminou e também vou ficar um tempo fora para clarear a minha cabeça.

– Eu posso ir Lynn. — Falo com entusiasmo.

– Obrigada, então pode ir, pois o motorista vai te levar em casa para pegar suas coisas e vocês viajam ainda hoje, a feira já começa amanhã pela manhã. – Não esperava que já fosse viajar hoje, mas quanto mais cedo melhor.

Tobias

Acordei com muita dor de cabeça. Dormi completamente vestido, inclusive com os sapatos e ainda abraçado ao vestido da Tris. Olho para o relógio e vejo que dormi praticamente o dia todo, vejo milhares de ligações do Zeck no celular, mas decido não retorna-las. Mais tarde eu ligo para ele.

Tomo um banho, desço para a cozinha para beber água e me deparo com uma mesa arrumada para dois, será que a Tris voltou e ainda está aqui, novamente sem a minha permissão meu coração pula uma batida. Mas logo percebo que a mesa não é de café da manhã, nem de almoço como a Tris costuma fazer e sim do jantar, pois tem uma vela e taças de vinho. Olho para o forno e vejo que tem algo dentro, vou até lá e abro, vejo uma lasanha, minha comida preferida. A Tris estava preparado um jantar para nós, vou a geladeira e vejo um bolo de chocolate com cobertura de chocolate e morangos, ela estava fazendo as minhas comidas preferidas. Sinto uma dor no peito e percebo que a pessoa que fez isso não é a mesma que foi capaz de roubar dinheiro da minha empresa, mas qual delas será a verdadeira? Sou retirado dos meus pensamentos pela campainha que toca. É o carteiro que me entrega um envelope sem remetente. Abro e vejo os anéis que eu dei para a Tris com um bilhete.

“Espero que algum dia descubra o verdadeiro significado do amor e que quando colocar esses anéis no dedo de outra pessoa as promessas sejam verdadeiras.

Seja Feliz.

Beatrice Prior.”

Sinto o choque das palavras escritas em meu coração, seguro o anel com o símbolo do infinito e lembro do dia em que o coloquei em seu dedo e lembro das palavras que eu disse.

“Esses anéis são minha promessa de que eu nunca vou te abandonar, o símbolo do infinito gravado é para representar o amor que sentimos um pelo outro.”

Que merda eu fiz? Claro que a Tris estava falando a verdade, ela nunca faria uma coisa dessas, como eu pude ser tão idiota em acreditar no que o Erick e o meu pai me disseram? Claro que deve ter sido uma armação e eu cai direitinho, como sempre.

Por que eu sempre tenho que fazer besteira? Eu tinha a mulher perfeita e deixei ela escapar, como eu fui capaz de dizer todas aquelas coisas para ela, justo para ela, que não fez nada além de me amar e me apoiar, mesmo nos momentos em que eu não merecia ela esteve comigo, me ajudando a superar os traumas da minha vida, me mostrando o que é a verdadeira felicidade, sim eu conheci a felicidade, mas joguei fora por pura insegurança, a verdade é que eu nunca me achei digno do amor dela, sempre pensei que ela era um sonho bom e que um dia eu acordaria para a realidade de que eu nunca poderia ser amado e ver aqueles documentos, ouvir tudo o que foi dito para mim só era a confirmação do que eu mais temia, não ser verdadeiramente amado por ela. A Tris nunca vai me perdoar, não depois de ontem, mas eu preciso tentar, preciso pelo menos tentar, mesmo que ela não me perdoe eu preciso que ela saiba que eu não acredito que ela tenha cometido esse crime, ela precisa saber que eu não penso nada disso dela, pelo menos não mais.

Lembro do que ela disse para o Zeck quando ele queria se redimir com a Shauna, ela disse que um pedido de desculpas deve significar algo, deve ser algo que mostre o quanto a pessoa é importante para você, e definitivamente a Tris é muito importante para mim, a pessoa mais importante para falar a verdade, mas como farei para provar isso? Ela com certeza não vai acreditar em mim depois de tudo que eu fiz.

Notas finais
Não me matem, nem me odeiem, espero que tenham gostado do capítulo e por favor comentem. Beijos e até o próximo.