Vidas Cruzadas
5 Capitulo 05
Notas iniciais
Tris
Acordo abraçada a Tobias, no início é uma sensação estranha, mas logo se torna confortável, seus braços me envolvem de forma carinhosa. Parece impossível, mas ele fica ainda mais lindo dormindo com um leve sorriso no rosto. Olho pela janela e vejo que o sol está começando a nascer.
Lembro-me da noite anterior e um sorriso automaticamente surge em meus lábios, nunca imaginei sentir tanto prazer, mas não foi só isso. Me senti completa, é acho que essa é a palavra para descrever o que senti, não foi apenas sexo, foi algo mais. Senti seu desejo por mim, mas também senti cuidado e carinho. Olho mais uma vez seu rosto que ainda sustenta o sorriso e imagino se ele também se sentiu assim.
Olho em volta para o quarto dele, ontem não prestei muita atenção, já que estava um pouco ocupada. O quarto é enorme mas, como o restante da casa, muito pouco decorado. Devo dizer que isso foi uma das coisas que mais me agradou, pois, não gosto de muita coisa pela casa, dá impressão de bagunça.
Em uma das paredes tem duas enormes portas de vidro, que dão em uma varanda, pela posição deve ter vista para a piscina, em outro canto tem uma poltrona branca, uma mesinha de vidro próxima a poltrona com alguns livros empilhados sobre ela e um abajur também branco. Na parede contrária a das portas de vidro tem uma porta que está entreaberta e parece dar em um closet. Curiosa como eu sou me levanto, como muito cuidado para não o acordar, e dou uma volta pelo quarto. Eu tinha razão, a varanda tem vista para a piscina.
Decido fazer-lhe uma surpresa. Já que ele parece ter gostado das minhas panquecas resolvo preparar um café da manhã para ele. Visto a camisa que ele me emprestou ontem e vou em direção a cozinha.
Começo a pegar os ingredientes para fazer um bolo de chocolate, é uma aposta fácil todo mundo gosta de chocolate, e também as panquecas que ele parece ter gostado.
Depois de tudo pronto arrumo a mesa e parece que ele tem um timing perfeito porque é justamente nessa hora que ele aparece. Ele se encosta na porta da cozinha.
– Bom dia. – Falo ao vê-lo me observando.
– Bom dia, acordei e não te vi, pensei que tivesse saído de fininho no meio da noite. – Ele está sorrindo.
– Engraçado você dizer isso, pois, essa é a primeira vez que não faço isso. – O seu sorriso aumenta e ele se aproxima de mim me dando um beijo muito carinhoso.
– Fico feliz por isso, ficaria muito decepcionado se tivesse ido embora. – Ele se senta e me puxa para o seu colo observando a mesa que preparei para o café. – Fez um bom trabalho, como sabia que eu gosto de bolo de chocolate?
– Eu não tenho as estatísticas precisas, mas acho que noventa por cento da população mundial gosta de chocolate. – Ele da um sorriso travesso passa do dedo na calda de chocolate e depois passa o mesmo dedo em minha boca beijando-a em seguida.
– Assim fica bem melhor.
Tento me levantar, mas ele me puxa novamente.
– Onde a senhorita pensa que vai? – Ele afasta os meus cabelos e beija o meu pescoço.
– Me sentar para tomarmos café.
– Mas já está sentada. – Ele diz e dessa vez beija a minha orelha. Sinto um arrepio por todo o meu corpo. Como ele consegue mexer tanto assim comigo?
Sirvo o nosso café ainda sentada em seu colo, já que ele não me deixa levantar e para ser bem honesta também não quero. Continuamos o café da manhã assim.
– Estava tudo ótimo, acho até que comi mais do que deveria.
– Que bom que gostou. – Aproveito sua distração e me levanto. Começo a tirar a mesa e lavar os pratos. Ele se aproxima de mim por trás me abraçando e encosta a boca em meu ouvido.
– Já tem algum compromisso para hoje?
– Planejava ir a praia, tentar me livrar desse horrível tom de branco da minha pele. – Ele continua com a boca próxima ao meu ouvido.
– Na sua programação tem espaço para mais um?
– Claro que tem. – Me viro para ele o abraçando também. Aproximo bem a minha boca da dele, mas não o beijo. – Mas tem que prometer se comportar. Falo me referindo a noite de ontem e pelo seu olhar ele entende.
– Prometo. – Ele então me beija.
Passamos o fim de semana juntos e nos divertimos muito. Passamos o sábado na praia e no domingo ele me levou para conhecer os seus lugares preferidos na cidade, foi um ótimo fim de semana, mas hoje já começam as aulas.
Minha primeira aula é de história da comunicação, com um professor que parece um maluco, a turma está fazendo um trabalho em equipe, como eu acabei de chegar e eles já estão mais adiantados o professor decide me colocar na equipe que tem menos pessoas.
Eles parecem ser pessoas legais e estão me tratando muito bem. O grupo tem cinco pessoas. Christina, ela é bastante animada, a outra garota é Shauna ela é um pouco mais reservada, não conversa muito, mas é bastante inteligente e parece ter uma personalidade muito forte, os outros são garotos. Tem Will que acho, pela troca de olhares, é namorado de Cristina ele também é muito legal e animado, o mais animado de todos é Uriah ele passa boa parte do tempo fazendo brincadeiras, tem também um garoto mais tímido o Albert. Por sorte acabo fazendo todas as minhas aulas com eles e nas matérias que tem trabalho em equipe continuei junto com eles. Gostei deles, vamos nos dar muito bem.
No fim do dia recebo uma ligação do Tobias me chamando para ir a sua casa, mas o dispenso, pois tenho muitas matérias para por em dia.
Quando chego em casa vejo que na portaria o porteiro me entrega um buquê de flores coloridas com um cartão do Tobias me desejando uma boa semana, acabamos nos vendo apenas dois dias essa semana. Passei bastante tempo com o grupo da faculdade, já que eles estão me ajudando com as matérias atrasadas, com a ajuda deles na sexta-feira já estava com todas as matérias em dia.
No final das aulas de sexta-feira Tobias me ligou convidando para ir a uma festa na casa dos pais dele, depois da semana corrida eu estava cansada e sem muita vontade ir a festa alguma, mas ele me convenceu dizendo que não queria ir para a festa sozinho e acabei aceitando. Combinamos de ele ir me buscar as oito, mas eu acabei me perdendo no horário e quando ele apareceu eu tinha acabado de tomar banho e, como da primeira vez que ele foi a minha casa, eu atendi a porta usando uma toalha.
– Desculpa, ainda não estou pronta. – Ele me lança um olhar sugestivo. – Senta aí e me espera que fico pronta rapidinho. – Vou correndo para o quarto, odeio me atrasar.
Me arrumo o mais rápido possível e quando volto para a sala ele está com uma cara bem séria.
– O que houve? – Pergunto e ele aponta meu celular.
– Parece que tem um tal de Albert querendo sair com você – Pego o celular e vejo a mensagem do Al me perguntado se estou livre para ir ao cinema com ele.
– Ah, isso? É o Al, um cara da minha sala, do grupo que eu te falei que estou fazendo os trabalhos. – Ele continua com a cara séria. – Acho que ele tem uma queda por mim, as vezes ele me convida para sair, mas eu nunca aceito.
– Ele te convida pra sair, mesmo sabendo que você tem namorado?
– Mas eu nunca disse que tenho namorado. – Ele levanta as sobrancelhas.
– Como assim? Por quê? – Não entendo sua pergunta, nem sua reação.
– Porque eu não tenho namorado. – Vejo sua expressão mudar, ele parece estar com muita raiva.
– Como assim você não tem namorado? E nós somos o quê? – Ele pergunta quase gritando.
– Não sei, nós saímos juntos, mas não sei se somos namorados. – Ele não fala mais nada e caminha até a porta, aí percebo que fiz a maior burrada. Vou atrás dele e seguro seu braço.
– Tobias, espera.
– Esperar pra que? – Ele fala ainda sem se virar para me olhar.
– Me desculpa, tá? Eu não tenho experiência nessa coisa de relacionamento, nunca fiquei tempo suficiente com um cara pra chamar ele de namorado, não sabia que você queria ser meu namorado e nunca fui namorada de ninguém, me desculpa, não quis te magoar. – Ele se vira, respira fundo e me olha.
– Certo Tris, eu te desculpo, mas honestamente, o que você achou que nós éramos? – Ele olha nos meus olhos e eu fico com medo de dizer mais besteira.
– Bem, estou sendo muito sincera quando digo que não sei, lembra que eu te falei que com você foi a primeira vez que eu de fato dormi com alguém e não fugi no meio da noite? Essa é a primeira vez que passo por isso, não sabia que estávamos namorado, mas sabia que não queria estar com ninguém além de você, por isso, recusei os convites do Al. – Ele dá um leve sorriso e me abraça.
– Tudo bem, mas para deixar as coisas oficiais, pois eu sou um homem sério. Tris, quer ser minha namorada? – Faço uma cara de dúvida.
– Deixa eu pensar. – Ele me olha incrédulo. – Brincadeira, claro que eu aceito, mas você vai precisar ter muita paciência comigo, pois eu não sei nada sobre essas coisas. – Ele me dá um beijo bem demorado.
– Pronto, o básico você já sabe o restante eu te ensino. – Ele me agarra pela cintura e começa a me beijar apaixonadamente, quando a porcaria do telefone toca. No começo ele ignora, mas seja lá quem for não desiste. Nos separamos e ele atende.
– Alô.
– Já estou chegando, não precisa de drama. Te vejo na festa. – Ele desliga o telefone.
– Era a minha mãe, ela quer saber por que eu ainda não estou na festa.
– Então acho melhor irmos. — Falo já pegando as minhas coisas e saímos do apartamento.
Chegamos a festa e já não me sinto confortável. Tobias me apresenta para os seus pais e tenho a impressão de que sua mãe não gosta de mim. Ela me olha como se estivesse avaliando uma peça de roupas e o pior é que parece me reprovar. Como se a situação já não estivesse ruim Nita, a louca que me atacou semana passada na casa de Tobias, chega a festa e vem em nossa direção. A mãe de Tobias não esconde a felicidade quando a vê.
– Nita querida, que bom que você está aqui. – As duas se cumprimentam daquela maneira bem perua, tenho que me conter para não vomitar.
– Claro que eu vim Evelyn querida.
– Tobias. – A vadia me ignora completamente e se joga em cima de Tobias que felizmente a empurra de uma forma bem grosseira. – Que grosseria Tobias. — Ela faz cara de vítima.
– Você ainda não me viu ser grosso, mas se chegar perto de mim de novo vai descobrir bem rápido. – Ele segura minha mão e saímos de lá.
– Sua mãe sabe que ela te traiu?
– Não, quase ninguém sabe o verdadeiro motivo do divórcio. Tentei evitar os comentários.
– Entendo. Parece que seus pais não gostaram de mim. – Ele coloca as mãos em torno dos meus ombros e fala em meu ouvido.
– O importante é que eu gosto.
Encontramos com alguns colegas dele e logicamente eles começam a falar de trabalho, o que não me interessa nem um pouco. Decido sair e tomar um pouco de ar, deixo Tobias conversando. Estou detestando essa festa.
Vou para a beira da piscina e fico observando o céu. Ouço passos e me viro para ver quem é.
– Olá Beatrice, posso falar com você um minuto? – O que será que a perua quer comigo?
– Pode falar.
– Escute Beatrice, você deve ser uma boa pessoa, mas não tem as qualidades para ser a companheira do meu filho, ele precisa de alguém a quem ele possa apresentar, ele precisa de alguém como a Nita. – O quê? Ela realmente acabou de me dizer isso? Ela está dizendo que eu não sou apresentável, o que isso quer dizer?
– E quais seriam essas qualidades? Futilidade, arrogância e completa falta de senso. – Poderia ser mais simpática com ela, mas não serei.
– A Nita tem classe, presença ela tem um sobrenome de respeito é o tipo de pessoa que se pode apresentar a qualquer um. E olhe só para você, quem é você? Uma estudante de jornalismo com um sobrenome que ninguém sabe de onde veio. Você não é digna do sobrenome Eaton. Faça um favor a você mesma e termine logo essa palhaçada. – A Nita tem classe? Não foi o que pareceu quando ela me atacou. Tenho que reunir toda a paciência que há em meu ser pra não dar na cara dessa perua.
– Em primeiro lugar, quem lhe disse que eu quero o sobrenome Eaton, estou muito feliz em ser uma Prior, em segundo lugar, parece que seu filho tem uma opinião diferente da sua e em terceiro lugar, sai da minha frente. – Tento passar, mas ela impede o meu caminho.
– Você não sabe com quem está mexendo, garota.
– Sei sim, estou mexendo com uma perua de meia idade que não tem o que fazer além de infernizar a vida dos outros. – Passo por ela que está me olhando atônita.
Volto para a festa extremamente chateada, penso em ir embora, mas decido provocar a Evelyn.
Volto para perto de Tobias, Zeck está com ele e mais alguns outros homens e eles estão conversando sobre um caso recente em que o marido matou a mulher e foi condenado. Felizmente acompanhei o caso pela TV e já tinha uma opinião sobre o assunto. Tobias me vê e abraça a minha cintura me dando um beijo na cabeça.
– Oi Tris, já estava ficando preocupado. – Ele me apresenta ao grupo.
– Tris, esses são Max, Robert e Edward. Zeck e meu pai você já conhece. Rapazes essa é a minha namorada Tris.
– Muito prazer. – Falo acenando com a cabeça. – Então, do que estão falando?
– Nada que possa ser do interesse feminino. – Max fala sorrindo. Nossa, quanto machismo.
– Por que não me deixa decidir isso? – Falo com o meu sorriso mais simpático que consigo e vejo Tobias sorrir também.
– Estávamos falando do caso do James Carter, você deve ter visto na televisão, ele foi condenado a prisão perpétua por matar a esposa.
– Eu vi sim, mas na minha opinião não havia muito que o advogado pudesse ter feito, a mídia já havia o condenado muito antes de ele ir a julgamento e um caso como esses indo a júri popular não tem muita chance, a única chance dele seria tornar a vítima culpada por sua morte, trazendo a simpatia do júri para o réu, mas nós temos a mania de Beatificar os mortos, então não podemos falar mal deles.
– Era exatamente isso que eu estava falando para eles. – Diz o Robert.
– Mas a mídia sempre fica do lado da vítima. – Zeck fala.
– Não necessariamente a imprensa sempre está interessada em audiência. Dramas sempre chamam atenção, mas tem uma coisa que chama mais ainda. Escândalos, encontre algum escândalo envolvendo a vítima e num piscar de olhos ela é transformada em vilã. – Todos estão me olhando admirados.
– Cuidado Tobias, acho que ela vai roubar o seu lugar. – Dessa vez é o pai te Tobias quem fala. Todos riem e voltamos a conversar, todos estão prestando atenção ao que falo e logo outras pessoas se juntam ao grupo. Olho para um canto e vejo Evelyn me fuzilar com o olhar. Toma essa perua, quem não tem presença?
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