Vidas Cruzadas
43 Capítulo 43
Notas iniciais
Tris
Não sei por quanto tempo fiquei desacordada, só sei que acordei com uma forte dor no meu abdome, acho que a bala não acertou nenhum órgão, caso contrário já estaria morta, mas com certeza deve ter causado um estrago enorme, pois a dor é insuportável. Olho para o lado e vejo que o corpo da Nita ainda está no mesmo lugar, ainda não acredito que o Marcos teve coragem de matar ela, sei que ele nunca foi uma boa pessoa, mas não imaginava que fosse a esse ponto. Meu, Deus, como o Tobias pode ter saído de pessoas tão ruins? Sou tirada dos meus pensamentos pelo barulho da porta se abrindo. Fecho meus olhos e finjo ainda estar desmaiada, ainda não sei o que fazer, mas tenho que fazer alguma coisa, caso contrário não só eu irei morrer, como o Theo também e isso eu não posso permitir. Ele levanta meu rosto e faço o impossível para não dar sinais de que estou acordada.
— A essa altura você já deve ter perdido sangue suficiente, acho que já está na hora de te levar para o hospital e bancar o grande herói, que infelizmente chegou tarde demais. — Ele se abaixa e retira as correntes do meu pulso, vejo nisso uma oportunidade, quando ele vai tirar as correntes dos meus pés eu pego a corrente livre do meu pulso, com cuidado para ele não perceber e em um movimento rápido enrolo acorrente em seu pescoço, ele se debate, cai por cima de mim, joga as mãos para trás e puxa meu cabelo, tentando fazer com que eu solte a corrente, não sei de onde tirei forças, mas consigui segurar a corrente tempo suficiente para que ele ficasse desacordado. Não sei por quanto tempo ele vai ficar assim, então é melhor eu agir rápido, pego a chave que acabou caindo no chão e solto as correntes dos meus pés, tento me levantar, mas não consigo ficar muito tempo de pé, acho que o esforço que acabei de fazer me fez perder mais sangue. Tento chegar até a porta, mas ela está trancada, volto para onde o Marcos está caído e vasculho seus bolsos em busca da chave, mas encontro seu celular antes. Graças a Deus. Começo a discar o número do Tobias, o telefone chama uma vez, duas vezes, três vezes. — Anda logo, Tobias, atende a porcaria desse telefone. — No quinto toque ele atende. — Tobias?
— Tris? — Sua voz soa incrédula. — Meu amor, onde você está? Você está bem? Eu estava tão preocupado com você. — Fico aliviada em ouvir a sua voz, mas não posso perder tempo.
— Eu estou bem. Você está com o Theo? — Pergunto apressadamente.
— Não, ele está na casa dos seus pais, depois que descobrir a sua mensagem no bilhete eu vim atras de pistas da Nita. — Droga, meu Deus, a essa hora meu filho pode estar correndo perigo com a Evelyn.
— Tobias, me escute bem, ok? O Theo corre perigo, a Evelyn está envolvida em tudo isso, ela o Marcos e a Nita estavam juntos e eles pretendiam matar a mim e ao Theo, amor você tem que voltar pra casa e proteger o nosso menino. — Atropelo as palavras, mas espero que ele tenha entendido.
— Tris, não estou entendendo, onde você está? Me fala que eu vou te buscar. — Ele fala já desesperado.
— Não sei onde eu estou e isso não importa agora, o que importa é você salvar o Theo, me promete que não vai deixar nada acontecer com ele?
— Tris. — Ele começa a falar, mas eu o interrompo.
— ME PROMETE, TOBIAS? — Grito já desesperada, nós não temos tempo, cada segundo que passa as chances da Evelyn matar o Theo aumentam.
— Ta bem, eu prometo, já estou voltando para casa, mas me diz onde você está. — Ele também está bastante desesperado.
— Eu não… — De repente o telefone é arrancado bruscamente da minha mão e sou atingida por uma pancada muito forte no rosto.
— Eu deveria te matar agora, sua vadia. — Ele me dá mais um tapa forte no rosto. — Olá filho… Você vai fazer exatamente o que eu mandar ou a sua noivinha morre, está me ouvindo?… quem faz as ameaças aqui sou eu, você tem meia hora para chegar até a antiga fabrica de tecidos, você virá sozinho, se eu vir a policia ou quem quer que seja com você ela morre, entendeu?
— TOBIAS, PEGUE O THEO E FUJA. — Grito e sou novamente atingida pelo Marcos.
— Então sugiro que se apresse se quiser encontra-la viva. — Ele encerra a ligação e digita outros números no telefone. — Mudança de planos, trás o pirralho pra cá agora… Não me faça perguntas só trás ele. — Ele desliga o telefone e me suspende pelos cabelos. — Eu vou fazer você assistir a morte do seu filho e do idiota do Tobias e então te matar, assim vocês poderão ser uma linda família no inferno. — Ele me solta bruscamente, me dá um chute bem no lugar do tiro e sai da sala novamente. — Eu já não me importo com o que vai acontecer comigo, só espero que o Tobias tenha me escutado e consiga salvar o Theo.
Tobias
Sai com o Zeck, o Andrew e o Caleb em busca de alguma pista sobre a Nita quando recebi a ligação da Tris, não acreditei quando ouvi a sua voz, não me sentia tão aliviado assim desde o dia em que a Mia me disse que ela e o Theo estavam vivos.
— Tris? Meu amor, onde você está? Você está bem? Eu estava tão preocupado com você. — Digo apressadamente sem realmente acreditar que estou falando com ela.
— Eu estou bem. Você está com o Theo? — Ela pergunta apressadamente, mas sua voz parece fraca.
— Não, ele está na casa dos seus pais, depois que descobrir a sua mensagem no bilhete eu vim atras de pistas da Nita.
— Tobias, me escute bem, ok? O Theo corre perigo, a Evelyn está envolvida em tudo isso, ela o Marcos e a Nita estavam juntos e eles pretendiam matar a mim e ao Theo, amor você tem que voltar pra casa e proteger o nosso menino. — Suas palavras saem atropeladas, mal consigo entender o que ela está falando e o que eu entendo não faz sentido.
— Tris, não estou entendendo, onde você está me fala que eu vou te buscar. — Já estou desesperado, ela não me diz onde está.
— Não sei onde eu estou e isso não importa agora, o que importa é você salvar o Theo, me promete que não vai deixar nada acontecer com ele? — Ela realmente está desesperada, o que eu não daria para poder conforta-la agora.
— Tris. — Tento perguntar mais uma vez onde ela está, mas ela me interrompe.
— ME PROMETE, TOBIAS? — Ela grita no telefone.
— Ta bem, eu prometo, já estou voltando para casa, mas me diz onde você está. — Tento mais uma vez descobrir onde ela está. Preciso saber onde ela está e traze-la para mim com segurança.
— Eu não… — De repente sua voz some.
— Eu deveria te matar agora, sua vadia. — Ouço a voz do Marcos e sinto meu coração gelar, o que ele fez com a Tris?
— Olá filho, você vai fazer exatamente o que eu mandar ou a sua noivinha morre, está me ouvindo? — Sinto nojo ao ouvir sua voz, pensei que nunca mais o veria novamente.
— Se você fizer algum mal a Tris eu te mato está me ouvindo? — Falo com a raiva transbordando em mim.
— Quem faz as ameaças aqui sou eu, você tem meia hora para chegar até a antiga fabrica de tecidos, você virá sozinho, se eu vir a policia ou quem quer que seja com você ela morre, entendeu? — Então é lá que ele a está mantendo, só de imaginar esse monstro com a a Tris fico apavorado.
— TOBIAS, PEGUE O THEO E FUJA. — Ouço o grito da Tris e depois um barulho, cerro meu punho já imaginando que ele está a machucando.
— Se alguma coisa acontecer com ela você vai se arrepender.
— Então sugiro que se apresse se quiser encontra-la viva. — Ele encerra a ligação e eu quase quebro o telefone de tanta raiva e frustração.
— Tobias? O que foi? Você está pálido. — Zeck fala se aproximando de mim.
— Mas uma pista da Nita. — Tento despistá-lo.
— Que bom, vamos atrás dela. — Eu não posso leva-lo comigo.
— Não, acho melhor eu ir sozinho, essa pista pode não dar em nada e não temos tempo a perder, é melhor você ficar aqui com os outros e tentar descobrir se mais alguém viu a Nita. — Ele parece não ter gostado da ideia.
— O Andrew e o Caleb podem ficar aqui, eu vou com você. — Ele não vai desistir assim tão facilmente.
— Não eu vou sozinho. — Digo de forma seca e já vou andando até o carro, não posso perder tempo aqui, a Tris precisa de mim.
— Nem pensar, eu vou com você? — Ele fala de forma firme e continua me seguindo.
— Não vai não. — entro no carro, bato a porta e já dou partida o deixando lá, foi uma ótima ideia termos vindo em dois carros ao invés de um, assim posso ir embora sem problemas. Entro no carro ligo para a Natalie, ela está em casa com a minha mãe e o Theo.
— Oi, Tobias. Alguma novidade? — Ela pergunta apreensiva.
— Não, o Theo está com você? Minha mãe está aí? — Ainda não consigo acreditar que a minha mãe está envolvida nisso.
— Não, ela acabou de sair, foi levar o Theo na casa da Susan para ele mamar e eu fiquei aqui para o caso de vocês ligarem. — Droga, tarde demais.
— Tudo bem, qualquer coisa eu te ligo, tchau. — Me apresso em encerrar a ligação, ela não pode desconfiar de nada. Volto a me concentrar na estrada, a antiga fabrica fica longe, espero que consiga chegar a tempo.
Faltando apenas três minutos para o prazo que o Marcos me deu eu paro o carro em frente a fábrica e vejo o Marcos parado em frente a ela com um a arma na mão, mas nem sinal da Tris, saio do carro e vou em direção a ele.
— Pensei que não conseguiria chegar a tempo. — Ele fala com um sorriso.
— Pois, eu estou aqui, onde está a Tris? — Pergunto me aproximando dele.
— Ela está lá em baixo te esperando. — Fico de frente para ele e ele aponta a arma para mim. — Pode ir andado e sem gracinhas ou eu atiro em você. — Eu continuo andando e ele vem logo atras de mim com a arma apontada para a minha cabeça. Ele me diz a direção por onde devo ir e chegamos até uma porta, quando ele abre a porta vejo a Tris deitada no chão e muito sangue em volta dela, tento correr em sua direção, mas sou impedido pelo Marcos quem segura meu braço, ainda com a arma apontada para mim.
— Não tão rápido. — Ele fala e vejo a Tris levantar o rosto devagar e olhar assustada para mim.
— O que você está fazendo aqui? Eu te disse para pegar o Theo e fugir. — Vejo lágrimas se formando em seus olhos e desejo matar o Marcos por estar fazendo isso com ela.
— Eu vim te buscar. — Falo carinhosamente, tentado conforta-la um pouco. Vejo que ela está muito pálida e há hematomas em seu rosto. — O que você fez com ela, seu desgraçado? — Pergunto a ele sem tirar os olhos da Tris.
— Nada comparado com o que eu ainda vou fazer. — Sinto novamente a raiva borbulhar dentro de mim e a única coisa que eu quero fazer é pular em cima dele e bater até que ele esteja morto, mas infelizmente não posso fazer nada. De repente ouço a porta se abrir e vejo a Evelyn passando por ela com o Theo nos braços, olho para a Tris e vejo o desespero em seu rosto. Ela tenta se levantar com dificuldade. — Ei? O que pensa que está fazendo, volte para o chão. — O marcos ordena caminhando até onde a Evelyn está. Conforme ele se aproxima do Theo a Tris se abaixa novamente voltando para o chão. O marcos pega o Theo no colo e aponta a arma para ele. — Então esse é o meu neto. O famoso Theo. — Tento andar até ele. — Eu não mandei ninguém sair do lugar. — Ele anda com o Theo ficando próximo a mim novamente. — Então, quem eu devo matar primeiro. O pai ou o filho? — Ele fala olhando para a Tris e ela começa a chorar.
— Por favor, pode me matar, mas deixe os dois irem, eu te imploro. — Ela fala chorando, mas o Marcos sorri.
— Acho que primeiro o filho, não é? Assim eu posso ver os pais sofrendo. — Ele não teria coragem de matar o Theo, não acredito que alguém possa matar uma criança, ainda mais o próprio neto, isso deve ser uma jogada para conseguir tirar dinheiro de mim, mas o dinheiro não me importa, nem todo dinheiro do mundo vale a vida do meu filho.
— O que você quer, Marcos? Pode dizer, eu te dou qualquer coisa, apenas nos deixe ir. — Tento barganhar com ele, não aguento vê-lo ameaçando a minha família.
— Não se preocupe, Tobias, eu vou ter tudo que eu quero, inclusive a satisfação de vê-los sofrendo antes de morrer.
— Você não precisa mata-lo, o plano era só matar ela e a criança. — Vejo Evelyn falar pela primeira vez desde que entrou na sala.
— O que foi? O instinto maternal lhe atingiu agora, Evelyn? Um pouco tarde não acha? — Ele fala com ironia.
— Só acho desnecessário matá-lo. Ele é nosso filho no fim das contas. — Olho para ela e não consigo sentir nada além de nojo. Não acredito que fui burro a ponto de achar que ela havia mudado.
— Então esse foi o seu plano desde o começo? — Não consigo esconder o nojo na minha voz.
— Sim. — Ela responde sem um pingo de remorso. — Nunca aceitei você ter escolhido essa aí ao invés de nós sua família e não reconheço essa criança como meu neto. — Como ela pôde
— Bela família eu tenho, uma mãe que é capaz de matar o próprio neto e um pai completamente sem escrúpulos. Sempre estive melhor sem vocês.
— Ok, apesar de achar lindo esse momento em família, se não quiser ver seu filho morrer pode sair. — Ele fala e ela se retira da sala, ainda sem mostrar remorso.
— Onde estávamos? Ah! Digam adeus ao Theo. — Ele aponta a arma novamente para o Theo e eu olho para a Tris e vejo o que ela pretende fazer. Ela se levanta.
— Por que não me mata primeiro, Marcos? — Ela fala andando com dificuldade na direção dele.
— Eu já disse que você vai ser a última — Ele desvia o olhar para a Tris e aponta a arma para ela. — Mas nada impede que eu atire em você novamente. — Eu aproveito sua distração e e me jogo sobre ele tomando cuidado para não machucar o Theo. O Marcos é pego de surpresa e eu consigo tirar o Theo dele, com a queda a arma caiu de sua mão.
— Fuja, Tobias. — Ouço a Tris falar, mas ao invés de sair pela porta eu vou na direção dela e a abraço ainda segurando o Theo. O Marcos alcança novamente a arma e aponta para a gente, abraço a Tris e o Theo para tentar protege-los e ouço o barulho de um tiro sendo disparado, mas não sinto nada, então a bala não me atingiu, olho para a Tris e o Theo e vejo que eles também não foram atingidos, finalmente olho para o Marcos e o vejo caído no chão. Olho para a porta e vejo o Andrew parado com uma arma na mão, ainda apontada na direção do Marcos.
— Andrew, o que está fazendo aqui? — Ele desvia o olhar de onde o Marcos está e nos olha.
— Eu vi você saindo sozinho e o Zeck me disse que você parecia estranho, logo percebi que tinha alguma coisa errada, todos falam do sexto sentidos das mães, mas nós pais também temos, sabia? — Ele vem em nossa direção e abraça a Tris, que mal consegue ficar em pé.
— O que houve com ela. — Ele pergunta preocupado.
— O Marcos atirou nela. — Respondo entregando o Theo para ele e a pegando no colo.
— Então vamos sair logo daqui, ela precisa de um médico. — Ele fala e começamos a andar para a saída, do lado de fora vejo o Zeck segurando a Evelyn, ele deve tê-la detido antes que ela conseguisse fugir. Não perco meu tempo com ela, vou direto para o carro e coloco a Tris no banco de trás. Ela está muito pálida, já está quase desmaiando.
— Aguenta firme, meu amor. — Lhe dou um beijo e sigo para o banco do motorista. Andrew entra no carro com o Theo e põe a cabeça da Tris no colo, sigo apressadamente para o hospital mais próximo, chegamos ao hospital e logo a Tris é levada para a sala de cirurgia.
— Pronto, já avisei a todos, eles estão vindo para cá. — Andrew me diz e se senta ao meu lado.
— Onde conseguiu a arma? — Pergunto tentando me distrair.
— Sempre tive, mas mantinha no carro, a Natalie nunca quis ter armas em casa, mas ainda bem que eu discordo dela. — Nós dois sorrimos e eu pego o Theo do seu colo.
— Ainda bem mesmo, muito obrigada, Andrew. — Eu serei eternamente grato a ele por isso.
— Não tem o que agradecer, ela é minha filha. Você achou mesmo que eu ficaria parado vendo ela correr perigo? — Isso sim é um pai de verdade. Ficamos lá conversando até o restante da família e os amigos aparecerem. — A Natalie vem correndo em nossa direção e pega o Theo do meu colo.
— Graças a Deus vocês estão bem. — Ela fala abraçando o Andrew e depois me abraçando. — E a minha filha, como ela está?
— Na sala de cirurgia, ainda não tivemos noticia. — Respondo e ela se senta ao nosso lado.
— Não acredito que a Evelyn teve coragem de fazer uma coisa dessas, tentar matar o próprio filho e neto? Que tipo de monstro faz isso. — Ela pergunta incrédula. Não respondo nada por vergonha. — Onde ela está agora?
— O Zeck a levou para a delegacia, parece que ela está confessando tudo. — O Andrew responde por mim.
Após uma eternidade um médico vem em nossa direção.
— Beatrice prior? — Ele pergunta olhando em volta e todos nos levantamos.
— É a minha esposa, doutor, como ela está? — Não consigo conter a minha ansiedade.
— Ela já está fora de perigo, nós conseguimos retirar a bala e por sorte não atingiu nenhum órgão, ela perdeu muito sangue, mas vai ficar bem. Logo ela estará em um quarto e vocês poderão vê-la. — Novamente sinto um alivio ao saber que realmente ela vai ficar bem.
— Obrigada doutor. — Ele apenas assente e sai. Pouco tempo depois vamos para o quarto onde a Tris está, no começo há uma pequena confusão, pois a enfermeira não permite que todos nós fiquemos no quarto, mas todos protestam e no final ela acaba permitindo.
Ficamos lá até a Tris acordar, o que leva bastante tempo, quando ela abre os olhos encontra todos no quarto e sorri, sento com o Theo ao lado dela na cama e lhe dou um beijo.
— Oi. — Digo e ela sorri parecendo cansada e abraça o Theo.
— Você tem que parar de fazer isso com a gente, já está ficando chato te visitar no hospital. — O Zeck brinca e todos sorriem.
— Concordo plenamente. — A Tris responde com a sua voz fraca. E nós continuamos sorrindo e brincando.
Por um instante olho a minha volta e vejo todas aquelas pessoas, sorrindo e fazendo piadas uns sobre os outros e percebo que apesar de ter perdido, definitivamente, a minha mãe e meu pai hoje, a minha família está completa, são todas essas pessoas a minha volta, pessoas que não hesitam um segundo quando se trata de proteger a quem amam, pessoas que veem o amor como a coisa mais importante do mundo, essa é realmente a minha família, pessoas que eu aprendi a amar e que me amam apesar de todos os meus defeitos.
Amor palavra que, a pouco mais de um ano atrás, eu não conhecia o real significado, até uma criatura baixinha esbarrar comigo na rua e cometer o ato mais improvável que foi levar um estranho para casa. Consigo me lembrar o exato momento em que eu me apaixonei por ela, foi quando a vi sentada na mesa para tomar café sem se importar que havia um completo estranho em sua casa, olho para ela e vejo a mesma pessoa aqui na minha frente e sei que não posso fazer nada além de amá-la mais a cada dia.
Passei muito tempo dormindo e a Tris me acordou, me acordou para viver de verdade, para amar, com sua força, lealdade e coragem ela me fez enfrentar tudo o que me mantinha preso e descobrir a liberdade do amor, descobrir que realmente existe amor incondicional, que eu não precisava me enquadrar em um padrão para que as pessoas gostassem de mim. Finalmente posso ser eu e saber que mesmo com tudo que me torna imperfeito serei amado.
Nosso amor é como uma chama, sempre acesa e que queima com muita intensidade, mas ao contrário do que dizem, uma chama que queime com tanta intensidade foi sim feita para durar.
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