Notas iniciais
Boa noite, mais um capítulo postado com muito carinho para vocês que acompanham a minha fic. Espero que gostem.

Tris

Já faz três dias desde a visita da Evelyn e o Tobias ainda está distraído com esse assunto, tentei convence-lo a conversar com ela, mas ele se recusa, acho que ele tem medo de se decepcionar e, em parte, ele não quer falar com ela por minha causa, ele pensa que eu não quero, o que por um lado é verdade, se pudesse manteria essa mulher longe de todos nós, mas eu sei que ele precisa, ao menos, conversar com ela para resolver isso de uma vez. Sei que no fundo ele gostaria de ter uma relação de mãe e filho com ela e se ela estiver realmente falando a verdade pode ser que isso aconteça, claro que existe uma grande possibilidade de tudo ser uma armação da parte dela, mas e se não for e ele perder essa oportunidade? Com certeza é essa dúvida que paira na cabeça dele e não há outra forma de tira-la de lá a não ser que ele tenha uma conversa com ela. Por isso, eu liguei para ela e pedi que viesse aqui em casa hoje, sei que ele vai ficar chateado comigo por ter agido pelas suas costas, mas foi o único jeito, já que se eu tivesse contado para ele, com certeza, ele tentaria evitar. Só espero que ele entenda os meus motivos.

Pouco depois da hora do almoço, quando estavámos brincando com o Theo na sala, ouvi a campainha tocar e já sabia quem era, por isso, levantei rapidamente para atender. Quando abro a porta e Evelyn entra, Tobias me olha com uma expressão confusa.

— Boa tarde, filho. — Ela diz se aproximando dele.

— Boa tarde. — Ele responde ajeitando o Theo no colo, quando Evelyn dá mais alguns passos na direção dele, Tobias dá alguns passos para trás se afastando. — O que você faz aqui? — Ele fala de forma fria e com uma expressão muito séria no rosto, estou começando a me questionar se fiz a coisa certa.

— A Tris me convidou. — Ele direciona seu olhar para mim e sinto um frio no estômago, ele parece realmente chateado.

— Isso é verdade, Tris? — Mordo o lábio, um pouco insegura de como agir.

— É verdade, eu a chamei. — Seu olhar se torna incrédulo e um pouco magoado. Ele não está acreditando que eu agi pelas suas costas. — Vocês precisam conversar, ok? Esse era o único jeito. — Pego o Theo do seu colo. — Vou deixar vocês a sós, mas se precisar de mim eu estarei no quarto do Theo. — Saio sem dar a chance do Tobias falar nada, mas vejo seu olhar magoado antes de me virar e subir as escadas.

Espero que dê tudo certo e que depois ele entenda os meus motivos e me perdoe por isso.

Tobias

Não acredito que a Tris fez isso sem me consultar, tudo bem que ela tem passado os últimos dias tentando me convencer de que eu precisava falar com a minha mãe, mas, mesmo assim, ela não tinha o direito de fazer isso, isso é assunto meu. Mas já que ela está aqui, vamos conversar.

— Pronto, eu estou aqui, pode falar. — Ela me olha de forma de forma diferente, mais humilde talvez e isso me surpreende, essa é a primeira vez que vejo a sua expressão assim. Ela se senta no sofá e olha para mim.

— Eu queria te pedir desculpas. — Ela começa e depois encara as próprias mãos.

— Desculpas pelo quê, exatamente? Pelo que eu sei a lista é grande. — Ela volta a me encarar e seus olhos parecem marejados. — Vamos começar pelos principais. Veio se desculpar por ter deixado o Marcos fazer tudo aquilo comigo quando era criança? Ou por ter me ignorado a vida inteira, ou ainda melhor, por tentar me separar da Tris usando os artifícios mais baixos possíveis? — Eu já estava com a voz um pouco alterada e com os punhos cerrados, nunca tinha percebido que sinto tanta mágoa da minha mãe. Espero por uma de suas respostas arrogantes e pretensiosas, mas elas não vem. Novamente ela encara as próprias mãos como se ali residisse a resposta para todos os seus problemas.

— Você tem razão em me tratar assim, nunca fui uma mãe para você, mas realmente gostaria de me desculpar. Sabe, Tobias? Os últimos meses não tem sido fáceis para mim. Depois de tudo o que aconteceu com o Marcos, ele se tornou uma pessoa pior do que era, não sei o que ele está fazendo, mas está metido em alguma coisa muito séria. — Isso não me surpreende, ele sempre foi mal caráter e agora e depois de perder o poder na empresa, com certeza, foi procurar em outro lugar, ele é viciado em poder, precisa controlar a tudo e a todos. — Tobias, eu sei que seu pai nunca foi um homem bom, mas agora eu realmente estou com medo dele. Nós não estamos mais morando juntos. — Nossa, disso eu não sabia, mas provavelmente isso é o melhor para ela. — E depois do escândalo eu fui literalmente excluída do ciclo social que eu frequentava, agora eu estou sozinha. — Então é disso que se trata.

— Então é por isso que está aqui, se sentiu sozinha, onde está a Nita, a sua fiel escudeira? Você sempre a tratou mais como filha do que eu, ela também te abandonou e você resolveu procurar o filho idiota aqui? — Minha voz fica cada vez mais alterada.

— Não é só por isso. — Ela levanta o tom de voz e agora parece mais a Evelyn que eu conheço. — Eu já não via a Nita muito antes do que aconteceu, depois que ela descobriu que você havia ficado noivo da Tris ela desapareceu, nunca mais tive noticias dela. — Ela diminui o tom de sua voz. — Depois do que aconteceu eu resolvi viajar para me afastar de tudo o que estava acontecendo e fui para uma cidadezinha na Itália, lá o estilo de vida deles é tão diferente do nosso, tão mais simples e eles conseguem ser felizes assim, isso me impressionou e passar um tempo por lá convivendo com eles me ajudou a ver que, apesar de eu achar que tinha tudo o que eu queria eu nunca fui feliz, tudo na minha vida estava errado, principalmente o meu relacionamento com você. Eu fui egoísta e imatura, eu pensava que dando festas, enchendo a casa de pessoas e mostrando para elas o quanto a minha vida é perfeita, talvez, a minha vida fosse menos vazia, mas o que eu não via era que se eu te desse amor e atenção teria mais chances de preencher esse vazio. Eu fui burra e sei que nunca poderei te recompensar por tudo que fiz, mas gostaria realmente de tentar de novo. — Ela me encara e acho que está esperando por uma resposta.

— E você espera mesmo que eu acredite em tudo isso que você está dizendo, depois de tudo o que você fez? Qual o seu plano agora Evelyn, o que você pretende com seu teatrinho?— A esse ponto eu já estou de pé praticamente gritando com ela.

— Não é teatrinho, Tobias, eu estou sozinha, entendeu? Sozinha, você é a minha ultima esperança, eu não quero ficar sozinha para sempre, eu preciso de você ou serei engolida por esse vazio que é a minha vida. Me perdoa, por favor. — Do nada ela começa a chorar e isso me assusta, eu nunca vi a minha mãe chorar, mas eu não sei o que dizer ou fazer. Ela nunca foi má de verdade, ela só era egoísta e sem noção, mas mesmo assim me fez muito mal. Não sei se consigo perdoa-la, mas ainda assim ela é a minha mãe e parece mesmo estar arrependida e falando a verdade. De repente sinto um impulso de consola-la e acabo a abraçando.

— Não sei se algum dia vou conseguir te perdoar pelas coisas que você fez, mas se você estiver falando sério sobre construirmos uma relação, eu acho que podemos tentar. — Digo enquanto a abraço e a sinto me abraçando mais forte. Eu posso até estar fazendo papel de idiota novamente acreditando nela, mas acho que dessa vez ela está sendo sincera e no fundo eu sempre quis ter uma mãe de verdade. Ficamos ainda um tempo abraçados.

— Acho melhor eu ir. Já te incomodei muito por um dia e você tem que voltar para a sua mulher e seu filho. — Ela se afasta e enxuga as lagrimas.

— Você não quer ver o Theo? — Não sei por que eu disse isso, novamente um impulso.

— A Tris não vai se incomodar? — Ela pergunta ajeitando o cabelo.

— Bem, se ela te chamou aqui, provavelmente já esperava que isso pudesse acontecer. — Ela sorri e seguimos para o quarto do Theo.

A Tris está brincando com o Theo no quarto dele, ela se vira quando nos aproximamos e sorri quando me vê, mas não fala nada. Entramos no quarto e ela se aproxima de nós dois.

— Ele é igualzinho a você, Tobias, quando tinha a idade dele, só não tinha esse cabelo loiro, pra falar a verdade não tinha cabelo nenhum, levou muito tempo para começar a crescer. — Todos rimos e se não nos conhecesse até diria que somos uma família normal.

— Quer segurar ele um pouco? — A Tris diz e eu me surpreendo, ela também quer que isso dê certo.

— Claro que eu quero. — A Tris passa o Theo para o colo ca minha mãe. — Ele é muito lindo, que coisa fofa. — Ela anda com ele até a janela e fica o embalando, o Theo, como sempre não reclama e nem chora, apenas fica olhando para ela com seus olhinhos atentos. Abraço a Tris por trás e ficamos assistindo a cena.

— Então? Não está chateado comigo? — Sorrio de sua pergunta, no inicio fiquei chateado com ela, mas como sempre, ela tinha razão.

— Mais uma vez você tinha razão, foi muito bom conversar com ela, me fez muito bem e quer saber? Eu acho que ela está sendo sincera dessa vez. — Sussurro em seu ouvido e ela vira o rosto para mim.

— Se você acha isso eu também acho, mas se ela não estiver ela vai se arrepender de ter pisado em nossa casa. — Eu sei que sua ameaça é verdadeira.

— Eu não duvido. — A beijo e continuamos vendo a minha mãe brincar com o Theo.

— Quando vocês pretendem casar? — Evelyn pergunta vindo em nossa direção com o Theo. E nós a olhamos confusos. — As alianças de vocês ainda estão na mão direita e da última vez que falei com vocês tinham planos de casar, mas já faz meses, ainda pretendem se casar? — Seu tom não é de repreensão ou critica, sua pergunta soa bastante normal.

— Pretendemos nos casar sim, no final do mês que vem, no dia do aniversário da Tris, já que o Theo nasceu no dia do meu aniversário nós pensamos que seria bom casarmos no dia do aniversário dela, assim em cada data teríamos mais de uma coisa boa para comemorar. — A Tris me dá um beijo no rosto e eu sorrio com isso.

— Vocês dois ficam muito bem juntos, sinto não ter percebido isso antes. Me desculpe por isso Tris.

— Tudo bem, Evelyn, se você diz que quer uma nova chance, então vamos esquecer isso, ok? Vamos começar do zero. — Evelyn apenas sorri, essa Evelyn é muito diferente da que eu conheci a minha vida inteira, mas eu estou gostando bastante dela. O Theo começa a chorar e ela o entrega para a Tris. — Ele deve estar com fome, já faz bastante tempo que comeu, esse é um dos poucos motivos que o fazem chorar, fome e fralda suja.

— Igualzinho ao Tobias quando bebê, a babá dele costumava dizer que ele era o bebê mais fácil de raptar, bastava encher a barriga que poderia levar pra qualquer lugar. Agora eu vou deixar vocês cuidando dessa coisa linda e vou para casa, já está ficando tarde. — Deixo a Tris no quarto com o Theo e vou acompanhar minha mãe até a porta. — Obrigada, filho, eu sempre soube que você tinha um enorme coração, antes eu achava que isso era uma fraqueza, mas agora eu sei o quanto isso é importante. Ainda bem que você se tornou esse homem que é hoje, apesar de ter sido criado por nós dois. Eu tenho muito orgulho de você, filho. — Minha mãe me abraça e eu fico emocionado com aquilo, nunca percebi, mas eu sempre quis ouvir alguma coisa como isso dela, acho que todo filho que ouvir isso dos pais.

— Obrigada, mãe, se a senhora continuar sendo essa pessoa que é agora eu vou sentir muito orgulho de você também. — Ela sai pela porta e eu volto para o quarto do Theo, onde a Tris o está amamentando.

— Ela parece realmente mudada, o que aconteceu? — A Tris pergunta quando eu entro no quarto. — Conto toda a história para ela. — Nossa, eu não esperava tudo isso. Ainda bem que ela tem você como filho, não acho que algum outro aceitaria ela de volta depois de tudo. — Ela me diz enquanto me entrega o Theo para que eu o coloque para dormir.

— Você também a aceitou de volta. — Digo enquanto embalo o Theo nos meus braços.

— Sim, mas eu não sou filha dela e eu fiz isso por você.

— Eu sei e obrigada por isso, você é a melhor futura esposa que eu poderia desejar. — Coloco o Theo, que já dormiu, no berço, vou até a Tris, que está guardando as coisas dele na gaveta, e a abraço por trás. — Agora que o Theo já dormiu, o que acha de irmos para o nosso quarto e aproveitarmos um pouquinho. — Coloco o seu cabelo de lado e começo a beijar o seu pescoço. Ela se vira para mim e pula colocando as pernas em volta da minha cintura.

— Acho uma ideia fantástica. — Ela diz já me beijando e eu a levo para o nosso quarto. Tudo em minha vida está perfeito e eu espero que essa felicidade nunca acabe.

Notas finais
Se gostaram comentem. Para quem ainda não sabe, estou com uma nova fic, também FourThris, juntamente com a Bes, se chama Dangerous Love, se quiserem dar uma passadinha lá para conferir aqui está o link. http://fanfiction.com.br/historia/608890/Dangerous_Love. Beijos