Notas iniciais
Boa noite, meninas, quero agradecer a todos os comentários e, por favor, me desculpem por levar tanto tempo para postar, mas fiquei sem internet essa semana e só consegui postar hoje, não se preocupem que para compensar vou postar o outro antes do próximo fim de semana, já que fiquei devendo um para vocês. Espero que gostem. Beijos!!

Tobias

A aula de hoje já acabou, o laboratório já está quase vazio, acho que agora é um bom momento para falar com a Holly, pela forma como a Tris falou ontem acho melhor resolver isso logo, conheço a Tris e ela não faz nenhuma ameaça que não tenha intenção de cumprir.

Vou em direção a Holly que está parada na porta me esperando, a essa altura já somos os únicos na sala.

– Posso falar com você um instante? – Ela me olha um pouco hesitante, mas logo abre um sorriso.

– Claro. – Ela fala animada e voltamos para dentro da sala.

Estou bastante desconfortável com a situação, não queria ter que falar nada disso para ela, tenho certeza que ela não pretendia atrapalhar meu relacionamento. Quando já estamos quase no fundo da sala eu tiro da mochila o envelope com as fotos e o entrego para Holly.

– Isso chegou ontem lá em casa. – Quando ela o abre faz cara de espanto, mas vejo um brilho estranho em seu olhar.

– Mas quem tirou essas fotos Tobias? – Ela diz ainda olhando para as fotos.

– Não sei, não faço ideia de quem tenha tirado.

– Ah, Tobias, eu sinto muito. A Tris deve ter surtado, né? — Ela me surpreende com um abraço. – Olha eu estou aqui para o que der e vier, pode contar comigo, viu?

– Pode ficar tranquila, Holly, está tudo bem. – Ela se afasta bruscamente me olhando com surpresa.

– A Tris não viu isso ainda? – A Holly parece ansiosa, mas não da forma como eu esperava.

– Já viu sim, pra falar a verdade, ela foi a primeira a ver. – Não tenho certeza, mas acho que vejo um sorriso em seus lábios por um segundo antes de sua expressão se tornar de espanto. Será que a Tris tem razão e a Holly realmente tem alguma coisa ver com isso. Não pode ser.

– Sinto muito Tobias, eu não sei onde eu estava com a cabeça para fazer aquilo, agora a Tris deve estar te odiando e tudo por minha causa. – A Holly me abraça novamente, acho que ela está tentando me consolar. A afasto com delicadeza.

– Não precisa se preocupar, a Tris não me odeia. Nós estamos muito bem. — A Holly fica sem fala por um momento e volta a olhar para as fotos em sua mão.

– Como assim? Você não acabou de dizer que ela foi a primeira a ver as fotos? – Ela está quase gritando ao pronunciar as palavras, mas logo se recompõe.

– Sim, também fiquei surpreso com a reação dela, mas depois de tudo que nós passamos ela sabe que eu a amo e que nunca a trairia com ninguém. – Agora, claramente, posso ver o desapontamento estampado em seu rosto.

– Nossa, isso é que é confiança, se eu fosse ela e visse essas fotos não sei se acreditaria em você. – Ela fala com desgosto e sem olhar para mim, uma reação muito estranha da parte dela.

– Holly, seja honesta comigo. Você tem alguma coisa a ver com isso? – Não queria acreditar nisso, mas todas as reações dela me mostram que ela não ficou feliz com o fato de a Tris não ter me largado por causa das fotos.

– Claro que não, Toby, nunca seria capaz de fazer uma coisa dessas com você. – Ela pisca os olhos e faz cara de inocente, mas eu estou começando a achar que a Tris tem razão.

– Eu poderia jurar que você parecia desapontada quando eu disse que a Tris não me odiava. — Ela me olha assustada.

– Claro que não, eu fiquei aliviada. – Desde que eu conheço a Holly ela sempre demonstrou ser minha amiga, acho que devo a ela o benéfico da dúvida. – Já que ninguém foi prejudicado, acho que podemos deixar isso pra lá, vamos almoçar? – Ela abre um sorriso e me puxa pela mão, mas eu não me movo.

– Espera, Holly, mesmo a Tris não tendo brigado comigo por causa das fotos ela não ficou nem um pouco feliz em saber que você tinha tentando me beijar, então acho melhor nos afastarmos um pouco. – Vejo a cor sumir do seu rosto.

– Como assim, Tobias? Nós somos amigos, eu sei que pisei na bola com o lance do beijo, mas já te disse, eu estava bêbada e não sabia o que estava fazendo, não tem por que nos afastarmos.

– Eu sei que nós somos amigos e eu valorizo muito a nossa amizade, mas eu entendo a Tris, se fosse eu no lugar dela provavelmente tentaria matar quem quer que tivesse tentado beijá-la. — Raiva é o único sentimento que eu consigo identificar na expressão da Holly nesse momento.

– Foi ela quem te pediu para você se afastar de mim? — Ela diz colocando as mãos na cintura e me olhando com cara feia, o que por alguma razão me irrita.

– Para falar a verdade foi sim, Holly. – Eu apenas suspiro, isso está sendo mais difícil do que eu imaginava.

– E você simplesmente vai fazer, vai me ignorar, olha, Tobias, eu pensei que nós fossemos amigos?. – A Holly já voltou a usar um tom mais alto em sua voz e eu não estou gostando disso, não tem por que ela estar tão revoltada.

– Vou sim, Holly, não me leve a mal, nós somos amigos, mas a Tris é a minha noiva e tem toda razão em me pedir isso e mesmo que ela não tivesse razão eu faria, ela está gravida, esperando um filho meu e a nossa médica disse que ela não pode se estressar por causa da pressão que pode subir e fazer mal para ela e o bebê e, por isso, eu não quero que ela se chateie, ela está em um momento muito delicado e não quero que nada afete o seu bem estar. – Nesse momento vendo a sua expressão magoada eu sinto um pouco de pena dela, mas estou fazendo o que deve ser feito.

– Então é isso, você simplesmente vai acabar com a nossa amizade por que a sua novinha insegura pediu? Eu pensei que eu fosse importante para você. — Não deveria ser tão difícil, por que ela não consegue me compreender?

– Olhe, Holly, não quero te ofender, mas não tem nem cabimento você comparar a sua importância na minha vida com a da Tris, ela é a mulher que eu amo e a mãe do meu filho e você, bem, você e simplesmente uma amiga e nem somos amigos a tanto tempo assim, não estou entendendo por que todo esse show. – Digo já irritado com seu comportamento. Vejo seu rosto se contorcer e sei que o que vem pela frente não é nada bom.

– Somente uma amiga? – Ela pronuncia cada palavra separadamente por entre dentes e eu me sinto desconfortável com o rumo da conversa. – Tobias, quando eu te conheci, você estava um caco, quem foi que passou horas tentando te animar? Com certeza não foi a sua namoradinha, muito pelo contrario, foi ela quem te deixou do jeito que você estava. Agora ela volta e você simplesmente me descarta como se eu fosse um lixo? – A essa altura ela já está gritando, o que chama a atenção de algumas pessoas que passavam pelo corredor.

– Pelo amor de Deus, pare de gritar, Holly, você está fazendo um escândalo desnecessário. – Falo em um tom mais baixo tentando acalma-la.

– Não vou parar de gritar não. Eu não vou ser descartada dessa maneira, mas não vou mesmo. – Estou tentando ter paciência com a Holly, mas ela está agindo como se nós fossemos namorados e não amigos e isso já está me tirando do sério, nem a Tris me fez passar por uma situação como essa, muito pelo contrario ela é muito discreta, nunca discutiria comigo dessa forma em um local público.

– Vamos parar por aqui, certo, você está agindo como se nós fossemos namorados e nós somos apenas amigos, isso já está ficando constrangedor. – Falo mais alto e a olho de forma bem séria para que ela entenda o que eu estou falando.

– Mas poderíamos ser mais, Tobias, você não vê? Eu quem deveria estar do seu lado. – Ela fala com uma voz mais baixa e controlada e novamente tenta me beijar, mas dessa vez eu seguro seus ombros e a empurro com força, ela quase cai no chão. A Tris tinha razão a Holly realmente está interessada em mim, mas quando isso aconteceu, ela sempre agiu apenas como minha amiga. De qualquer forma tenho que colocar um fim nisso, tenho que deixar bem claro que não há margem para outra pessoa em minha vida.

– Acho que você confundiu as coisas, eu sempre deixei bem claro que sou apaixonado pela Tris, mesmo quando eu achava que não teria mais nenhuma chance com ela nunca te fiz acreditar que poderia haver algo entre nós. — Digo com um Tom duro, pois, não quero que isso vá mais longe do que já foi.

– Eu sei, mas eu sempre imaginei que quando você superasse ela nós teríamos uma chance, nós ficamos tão bem juntos Tobias, nós gostamos das mesmas coisas, fomos criados no mesmo meio, tivemos a mesma educação, nós fomos feitos um para o outro, eu sabia que mais cedo ou mais tarde você perceberia isso esqueceria aquela coisinha sem graça e finalmente nós ficaríamos juntos. – Ela já está passando dos limites, não posso permitir que ela fale assim da Tris.

– Pare com isso agora, Holly, ou eu vou perder toda a consideração que eu tenho por você. – A repreendo com esperanças de colocar um pouco de sanidade em sua cabeça, mas pelo jeito isso só faz piorar as coisas.

– Não vou parar, não! Aquela vadia foi embora e te deixou em pedacinhos, mas bastou ela te querer de volta que você foi com o rabinho abanando para ela, isso não é justo, eu deveria estar ao seu lado, eu e não ela, não depois de te fazer sofrer tanto. – Nesse momento me arrependo de todas as conversas que tive com a Holly, de todas as vezes em que abri meu coração e expressei as minhas angustias em relação a Tris.

– Em primeiro lugar, a Tris tinha todo o direito de fazer o que fez, fui em quem a magoou e não se iluda achando que foi você quem me consertou, pois eu continuei um caco até ela voltar para mim, não vou dizer que você não me ajudou, pois estaria mentido, mas eu nunca nem considerei ter alguma coisa com você, para mim sempre foi a Tris e unicamente a Tris na minha vida. E se tem alguma vadia aqui essa vadia é você, por estar se humilhando para um homem comprometido e que está claramente dizendo que não te quer. – Paro um pouco, respiro fundo e passo as mãos em meus cabelos para tentar me acalmar, não imaginava que as coisas chegariam a esse ponto. – Olha eu vim falar com você em consideração a amizade que eu achava que nós tivéssemos, mas já vi que não tinha amizade nenhuma e não vou continuar aqui nessa discussão sem propósito. Vou voltar para casa que é o melhor que eu faço. – Me viro e sigo em direção a porta.

– Vá pode ir para casa ficar com a sua mulherzinha e aproveite enquanto pode. – Nem viro para ver como está a expressão da Holly nesse momento, apenas sigo meu caminho e a deixo lá. Nem por um segundo eu imaginei que a Holly fosse reagir dessa maneira, não sei como será agora ter que conviver com ela todos os dias nas aulas depois de tudo o que foi dito hoje, mas eu estou me sentindo melhor, fiz o que tinha que ser feito. No fim das contas a Tris tinha razão, ela sempre tem razão, a Holly estava interessada em mim esse tempo todo, juro que nunca mais duvido de nada que ela diga.

Volto para casa e fico mais feliz do que nunca em ver a minha Tris, ela está no jardim deitada na grama com uma mão na barriga e outra segurando um livro, ela sempre lê para o Theo, mesmo ele ainda estando dentro de sua barriga. Ela me vê e sorri para mim, não resisto, pego a câmera na minha mochila e tiro uma foto dela deitada na grama e sorrindo para mim, nesse momento toda a minha chateação pela discussão com a Holly desaparece.

– Oi meu amor, como foi o seu dia? – Ela me pergunta enquanto eu me aproximo dela ainda com a câmera na mão.

– Melhor agora, com certeza. – Deito ao seu lado na grama e lhe dou um beijo. – E o seu como foi?

– Normal. – Ela responde se aconchegando no meu peito. – Conseguiu resolver o problema com a Holly, ou eu vou ter que resolver eu mesma? — Posso ver o humor em sua voz apesar de tudo e isso me faz sorrir.

– Conversei com ela e quer saber? Você tinha razão esse tempo todo ela estava interessada em mim. Nunca mais eu duvido de você. – Sinto a Tris sorrir em meu peito. – O que foi? – ela levanta a cabeça se apoia no meu peito e sorri para mim.

– É que você as vezes é tão inocente, meu amor! — Ela me dá um beijinho rápido. — Mas fico feliz que tenha percebido. – Me inclino, lhe dou um beijo de verdade, um beijo bem apaixonado, quando falta o ar eu me separo dela olho para os seus olhos azuis, que claramente dizem que ela me ama e lhe dou um beijo na testa, com isso ela volta a se aconchegar em meu peito.

– O que você está lendo para o nosso menino? — Pergunto acariciando os seus cabelos.

– O magico de Oz.

– Nunca li esse livro. — Ela novamente se apoia em meu peito e me olha surpresa.

– Não acredito, ninguém nunca leu o Magico de Oz pra você? – Ela me pergunta com uma voz de incredulidade.

– Ninguém nunca leu livro nenhum para mim, você sabe que eu não tive a mãe mais carinhosa do mundo, na vida dela não tinha espaço para ler pra mim antes de dormir.

– Então temos que corrigir isso, fica aí quietinho que eu vou ler para vocês dois. – Ela me abraça forte e abre o livro novamente.

“DOROTHY VIVIA NO MEIO das grandes pradarias do Kansas, com seu tio Henry, que cuidava de uma fazenda, e a tia Em, mulher dele. A casa em que eles moravam era pequena, porque a madeira para a sua construção precisava ser trazida de carroça desde muito longe. Eram quatro paredes, um chão e um teto, que formavam uma única peça; e nesta peça ficavam um fogão a lenha com uma aparência bem enferrujada, um armário para os pratos, uma mesa, três ou quatro cadeiras e as camas. O tio Henry e a tia Em ocupavam uma cama de casal num dos cantos, e Dorothy, uma cama menor em outro. A casa não tinha sótão e nem porão – tirante um buraco não muito grande cavado na terra, que chamavam de abrigo de ciclone, onde a família poderia se esconder para o caso de aparecer um desses imensos redemoinhos de vento, tão fortes que são capazes de esmagar qualquer casa ou construção que encontrem no caminho. Ao abrigo se chegava por um alçapão que ficava no meio do piso da casa; do alçapão descia uma escada até o abrigo estreito e escuro...”

Fecho os olhos e fico escutando a voz da doce da Tris lendo para mim, sou inundado por um sentimento de pura e total felicidade. Felicidade por saber, diferente de mim, o meu filho vai ter uma família de verdade, uma família que vai ama-lo acima de tudo.

Notas finais
O que acharam? O Tobias finalmente colocou a Holly no lugar dela?