Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês.

Tobias

Acordo com a campainha tocando insistentemente, Tris acordou assustada.

– Quem pode ser a essa hora? – Ela pergunta me olhando.

– Não faço ideia. – Digo e me levanto. – Pode voltar a dormir, ainda é cedo e hoje é sábado, daqui a pouco eu volto pra te fazer companhia. Me inclino, lhe dou um beijo rápido e desço as escadas.

– Quando pensava em me informar? – Mal abro a porta e escuto minha mãe gritando.

– Não sei do que está falando. – Lhe respondo de forma fria.

– Quando iria me contar que ficou noivo? – Me surpreendo que ela saiba.

– Como ficou sabendo? E em que isso lhe interessa?

– Fiquei sabendo pelo joalheiro que você mandou fazer o anel, esqueceu que ele também faz as minhas joias? Se eu fiquei sabendo outras pessoas logo saberão e imagina o que elas vão dizer quando souberem que você ficou noivo e não fizemos uma festa. Quando você ficou noivo da Nita, fizemos uma festa de dar inveja, se não fizermos agora todos vão achar que algo está errado em nossa família. Podem até imaginar que estamos com problemas financeiros e não podemos dar uma festa. – Sinto vontade de rir com tanta futilidade.

– Sinto lhe informar, Dona Evelyn, mas realmente há algo de muito errado em nossa família, pra começar nós não somos uma família e eu estou pouco me importando para o que as pessoas vão pensar. – Lhe digo e ela me olha com raiva.

– Mas nós temos um acordo, lembra-se? – Droga, já tinha esquecido desse maldito acordo.

– Temos, sim, mas isso não tem a ver com você, isso é coisa minha e da Tris. – Já estou irritado.

– Aí é que você se engana, meu filho, querendo ou não você ainda é um Eaton e se você realmente decidir levar essa palhaçada a diante ela também será, então o noivado de vocês é um evento de família. — Ela sorri de forma cínica.

– Vou falar com a Tris, se ela concordar, e só se ela concordar, você poderá fazer a sua festa. – Ela me olha e dá um sorriso vitorioso.

– Aguardo sua ligação. – Ela se retira, eu volto para o quarto e deito ao lado da Tris.

– Quem era? – Ela me pergunta com sua voz sonolenta.

– Minha mãe. – Tris quase dá um pulo da cama.

– O que ela queria? – Sei que ela vai ficar furiosa.

– Ela quer organizar uma festa de noivado. – Digo e ela me olha como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.

– E por que ela iria querer isso? Ela me odeia.

– Ela pode até te odiar, mas vai odiar ainda mais o que as pessoas vão pensar se ela não oferecer uma festa bem extravagante para o noivado do seu único filho. – Ela revira os olhos e respira fundo.

– E nós temos que concordar, né? — Ela me pergunta sem ânimo, sua pergunta soa muito mais como uma afirmação.

– Não precisamos se você não quiser. – Digo e beijo a sua testa.

– Eu bem queria que isso fosse verdade, mas você fez um acordo com ela lembra? – Ela puxa o travesseiro e coloca em cima do rosto.

– Lembro sim, mas se você quiser eu posso quebra-lo. – Digo e tiro o travesseiro de cima do seu rosto. Ela fica calada por um tempo e parece considerar o que eu falei.

– Não, você não pode fazer isso, por menos que eu goste dela, você fez um acordo e se começar a faltar com a sua palavra vai mostrar que é igual a ela. – Essa é a minha Tris, sempre fazendo o que é certo, mesmo quando o certo não é o melhor para ela. A puxo para um beijo e assim ficamos a manhã toda, nos beijando e nos amando do jeito como deve ser.

Tris

Os últimos dias tem sido um inferno, Evelyn não para de me encher por causa da festa, todo dia é uma coisa diferente. Resolvi deixa-la fazer tudo do seu jeito, afinal essa festa não significa nada para mim. Ela está controlando tudo, já fiz milhares de provas de vestido, penteado, sapatos, maquiagem, não sou perua e nem tenho o dia todo para ficar fazendo isso, por esse motivo não estou com bom humor. Hoje é a prova final de tudo, já que a festa é amanhã, marquei de me encontrar com ela depois do estágio.

A encontro em frente ao atelier da estilista que fez o meu vestido. A cumprimento.

– Boa tarde Evelyn. — Ela me avalia de cima a baixo.

– Está atrasada. – Ela diz e se vira para entrar no atelier, eu a sigo.

Ponho o vestido e a estilista verifica o que ainda precisa ser feito.

– Pronto, acho que agora está bom, não precisa mais nenhum retoque. – Ana, a estilista fala enquanto me observa.

– Até que ficou bonito. – Diz Evelyn com um certo desprezo. – Você é muito magra e muito pequena, vai ter que colocar um salto maior, nossa família é alta e as fotos vão ficar horríveis se você ficar pequena demais perto de nós. – Não aguento com tanta futilidade, tento ficar calma e pensar que é só uma festa e que depois disso me verei livre dela, mas está difícil.

– Olha Evelyn, não vou usar nada mais alto do que isso, esses sapatos já estão desconfortáveis o bastante e se você tentar me obrigar eu vou acabar indo de tênis. – Ela parece horrorizada.

– Nem ouse, tudo bem, pode usar esse mesmo. – Terminamos tudo e eu volto para a casa de Tobias.

Entro em casa e Tobias ainda não chegou, subo para o quarto e tomo um banho demorado para aliviar o estresse. Não sei quanto tempo fiquei em baixo do chuveiro até que ouço a porta abrir.

– Tris? Pensei que fosse buscar seus pais no aeroporto. – Ele diz começando a tirar a gravata.

– Vou, mas o voo deles só chega as sete.

– Faltam dez para as sete. – Tomo um susto e quase caio no chão, não percebi que fiquei tanto tempo embaixo do chuveiro.

– Droga, ainda tinha que passar lá no apartamento para levar algumas roupas minhas, ajeitar o quarto de hospedes e agora não vai dar tempo. – Digo desligando o chuveiro e me enrolando na toalha.

– Tem certeza que não prefere traze-los para ficar aqui? – Tobias diz me seguindo para fora do banheiro.

– Tenho sim, você viu como meu pai é, se ele desconfiar que eu estou morando com você é capaz de ter um enfarto. – Digo enquanto visto a minha roupa. – Vou ter que me atrasar mais para passar em casa e deixar essas roupas.

– Vamos fazer o seguinte, vai para seu apartamento e arruma as coisas que eu vou buscar a sua família e os levo para lá. – Tobias diz enquanto me abraça por trás Me viro e o beijo.

– Já lhe disse que você é o melhor namorado do mundo. – Lhe dou mais um beijo.

– Noivo. – Ele me corrige e me beija mais uma vez, nos beijamos mais um pouco até que meu celular toca. Nos separamos e eu atendo o celular.

– Oi Caleb.

– Não, eu precisei fazer algumas coisas e o Tobias vai buscar vocês.

– Tudo bem, nos vemos em breve. – Desligo o telefone e nós saímos de casa.

Chego em casa e corro contra o tempo, já faz algum tempo que não venho aqui, então o apartamento parece estar um pouco abandonado, arrumo as coisas o mais rápido que posso e ouço a campainha tocar. Atendo a porta e minha família entra seguida de Tobias.

Minha mãe é a primeira a entrar e me abraçar.

– Filha que saudade. – Depois dela meu pai Caleb são os próximos. – Seu apartamento é lindo.

Ficamos conversando e depois jantamos.

– Já está tarde, vou dormir, vamos Natalie? – Meu pai diz levantando do sofá.

– O quarto de visitas já está arrumado. Caleb, você vai dormir no meu quarto, tudo bem?

– Tudo certo maninha, já vou dormir também, estou cansado da viagem. – Ele diz levantando e acompanhando meus pais. Fico no sofá sentada com Tobias.

– Tobias, já está tarde, não é melhor ir para a sua casa? – Diz meu pai nos olhando. Tobias ri e se levanta.

– Claro Andrew, já estou indo. – Tobias levanta e o acompanho até a porta. – Vou sentir sua falta. – Ele sussurra em meu ouvido.

– Também vou sentir a sua. – Lhe beijo bem demorado e ele sai pela porta.

Ponho meu pijama, vou para o quarto e Caleb já está deitado em minha cama.

– Chega pra lá. – Lhe empurro e me deito na cama.

– Tris, preciso conversar com você. – Olho para Caleb e ele está sério.

– O que houve Caleb? – Ele fica encarando o teto por um tempo e depois olha para mim.

– A Susan está grávida. – Fico chocada com a revelação. Se meu pai é super protetor ele fica parecendo o pai mais liberal do mundo na frente do pai da Susan.

– Tio George vai te matar, quando você descobriu? De quanto tempo ela está?

Descobri faz dois dias, ela está de seis semanas. A Susan está em pânico, não sei o que vamos fazer. – Abraço meu irmão e tento lhe confortar.

– Nós vamos dar um jeito e você, como está?

– Não sei dizer, eu amo a Susan e quero ter uma família com ela, mas não estamos prontos ainda. Eu ainda moro com nossos pais e meu emprego não paga o suficiente para eu sustentar uma família.

– Nós vamos achar uma solução para isso, eu prometo que vou lhe ajudar, mas nós precisamos contar para os nossos pais e pais da Susan, amanhã depois da festa nós conversaremos, eu vou ficar ao seu lado. – Caleb e eu sempre fomo muito unidos, sempre defendendo um ao outro, minha mãe sempre falava que irmãos devem ficar juntos, pois, no final são eles quem vão nos ajudar nos momentos em que precisarmos e é isso que eu vou fazer com meu irmão.

Passamos mais algum tempo conversando sobre a gravidez da Susan e dava para perceber que, apesar de estar assustado, Caleb estava adorando a ideia de ser pai, depois de um tempo pegamos no sono e dormimos.

Notas finais
Gostaram?