Vidas Cruzadas
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Tobias
Sai para atender a ligação de um cliente e quando voltei a Tris já não estava mais lá, onde será que ela foi? Christina ainda está sentada conversando com os outros.
– Chris, onde está a Tris?
– A Molly derrubou bebida na blusa dela e ela foi no banheiro limpar. – Desde o momento que essa Molly me abraçou sem nem me conhecer não gostei dessa dela, além do mais ela passou a noite toda provocando a Tris, por falar nisso ela também não está aqui, será que ela foi atrás da Tris. Acho melhor ir atrás delas para evitar algum tipo de confusão.
Vou em direção ao banheiro e logo vejo a Molly na porta e ela me olha assustada.
– Molly, onde está a Tris? Christina me disse que ela veio ao banheiro. – Noto que ela segurando a maçaneta da porta e fico desconfiado. – Porque você está segurando a maçaneta da porta? Por acaso essa é mais uma de suas brincadeiras idiotas para perturbar a Tris?
–Não, não...É... — Ela claramente não sabe o que me dizer e tenho certeza que é mais uma brincadeira estúpida.
– Molly saia da frente ou eu vou ter que te tirar a força. — Claro que eu jamais usaria fora contra ela, mas ela não precisa saber. Molly se afasta da porta e quando eu abro não enxergo mais nada a raiva me cega. Tris está caída no chão sangrando e Drew por cima dela tirando a sua calça. Vou até ele, o puxo pelo cabelo lançando-o contra a parede e em seguida começo a desferir socos em seu rosto, ele cai no chão, mas mesmo assim eu continuo batendo nele, não penso em mais nada apenas em destruir esse desgraçado. Sinto mãos me puxando e ouço vozes que parecem muito distantes.
– Tobias, pare você vai matar ele... Tris, ela está desmaiada, precisamos leva-la ao hospital. – É a voz da Christina e ela fala o nome da Tris, ouvir seu nome é a única coisa capaz de me tirar de onde estou, então volto a realidade, mas antes de me afastar dele lhe dou mais um chute no estômago.
Me ajoelho ao lado da Tris e a abraço, ela não se mexe, mas sinto sua respiração fraca em meu pescoço. – Christina está ajoelhada ao meu lado.
– O que houve? – Ela me pergunta enquanto olha assustada para a Tris.
– O Drew tentou estuprar a Tris enquanto a Molly vigiava a porta. – Cristina põe a mão na boca, claramente ela não esperava que eles fossem capazes disso. Levanto carregando a Tris e Cristina me segue, passamos pela multidão e logo os amigos dela nos veem e nos olham assustados. Olho para Christina.
– Pode leva-la para o hospital que eu explico para eles o que aconteceu e depois te encontro lá. – Ela fala alisando o cabelo da Tris.
Saio pela porta correndo com cuidado para não machuca-la ainda mais até chegar ao carro onde a coloco, com cuidado, deitada no banco de trás.
Chego ao hospital e a carrego desesperado até a emergência.
– Preciso de ajuda. – Grito desesperado. Aparecem dois enfermeiros que a tiram de mim e a colocam em uma maca.
– O que aconteceu com ela? – Me pergunta um dos enfermeiros.
– Ela foi espancada e sofreu uma tentativa de estupro. – Eles a levam para uma sala e eu tento segui-los, mas uma enfermeira me para.
– O senhor não pode acompanha-los, o melhor que pode fazer por ela agora e deixar os médicos fazerem o trabalho deles, por favor preencha esses formulário. – Ela diz me entregando uma prancheta com vários papéis com perguntas, parece ser um formulário para saber o histórico médico da Tris, mas não sei muita coisa, preencho o que eu sei, sei que ela é alérgica a penicilina, antibióticos, frutos do mar, castanhas e amendoim. Acho que ela nunca fez nenhuma cirurgia e nem sofre de nenhuma doença crônica.
Me sinto um inútil aqui sentado preenchendo esse formulário sem saber o que está acontecendo com minha pequena, tão frágil, mas tão forte ao mesmo tempo. Só de lembrar da cena que vi a raiva volta com toda força quase me fazendo quebrar a caneta que está em minhas mãos, mas isso não vai ficar assim, vou colocar aquele desgraçado na cadeia.
Termino o formulário e entrego para a enfermeira que segue para a sala onde a Tris foi levada. Apos algum tempo esperando vejo Christina, Zeck e Lynn entrarem, eles me veem e vem em minha direção.
– Como ela está? – É a primeira coisa que Zeck me pergunta e todos me olham com expectativa.
– Não sei, não tenho noticias desde que a trouxe. – Todos ficam tristes e Christina se aproxima mais de mim, vejo que suas mãos, assim como as minhas, ainda estão sujas com o sangue da Tris.
– Não se preocupe Tobias ela é forte, nossa Tris pode ser pequena, mas é muito forte, ela vai se recuperar. – Ela põe a mão em meu ombro e eu olho para ela.
– Não entendo por que eles fizeram isso com ela, justo com ela. – Olho para Christina, mas é a Lynn quem me responde.
– Eles tem inveja dela, eles já estão estagiando lá a mais de seis meses e nunca foram notados, Tris tem apenas uma semana, mas já é a estagiária preferida de todos, segundo Drew, eles só queria assusta-la, pelo menos eu acho que foi isso que ele quis dizer, ele parecia estar com a mandíbula quebrada, então não ficou muito claro o que ele quis dizer.
– Isso é pouco para ele. – Christina fala e sua raiva é palpável, quase tão forte quanto a minha, ela e Tris são muito próximas são quase como irmãs.
– Não se preocupe, ele já está demitido, eu mesma vou fazer o pedido de demissão dele, não podemos ter esse tipo de pessoa trabalhando conosco. – Isso para mim ainda não basta, quero acabar com a vida desse miserável, que tentou tirar de mim a coisa mais preciosa que eu tenho.
– Assim que a Tris tiver alta nós vamos formalizar um queixa e eu juro que vou pôr ele atrás das grades. — Digo e todos me olham.
A falta de noticias da Tris é angustiante. Depois de muito tempo um médico vem em nossa direção.
– Vocês quem trouxeram a paciente Beatrice Prior. – Me levanto, finalmente vou ter noticias.
– Sim, eu quem a trouxe, como ela está? – Ele olha para os formulários e olha novamente para mim.
– Qual o seu parentesco com ela? – Tenho vontade de bater nesse médico, eu querendo saber como minha pequena está e ele me pergunta qual o meu parentesco com ela?
– Sou namorado dela, como já lhe disse fui eu quem a trouxe. – Tento me controlar, pois já estou quase gritando.
– Bem, ela sofreu algumas fraturas no rosto, mas nada grave, o problema mesmo é a pancada na cabeça, a pancada foi muito forte nós fizemos uma ressonância magnética e constatamos que houve uma pequena lesão, que deve se curar sozinha, mas como qualquer lesão craniana devemos ter cuidado. Ela vai passar a noite aqui para observação e tudo correndo bem amanhã ela já deve ter alta. – Sinto um peso enorme deixar meu peito, minha Tris vai ficar bem, isso é tudo que me importa agora. – Ela ainda está inconsciente, mas já foi levada para o quarto querem vê-la? – Mas que tipo de pergunta, claro que quero vê-la.
Todos seguimos para o quarto em que Tris está, ela está deitada na cama e parece estar em paz, pena que quando ela acordar e se lembrar de tudo não restara paz alguma. Me aproximo dela, seguro sua mão e beijo a sua testa, do outro lado da cama Christina segura a sua outra mão.
– Vocês já a viram, mas infelizmente não posso permitir tantas pessoas no quarto fora do horário de visitas, apenas um pode permanecer. – Todos me olham.
– Podem ir para casa, eu vou dormir aqui com ela, qualquer coisa eu ligo para vocês. – Christina e Lynn me abraçam e se retiram, restando apenas Zeck e eu.
– Não fique assim meu amigo, ela está bem. – Ele tenta me confortar.
– Eu deveria ter protegido ela e se eu não tivesse chegado a tempo? Aquele desgraçado teria... – Eu nem consigo pronunciar, só o pensamento do que poderia ter acontecido com ela já me deixa enjoado.
– Mas você chegou e é isso que importa. Eu já vou, mas se precisar de alguma coisa é só me ligar, certo? – Ele me dá um abraço.
– Pode deixar, se eu precisar eu te ligo. – Ele sai do quarto e eu fico ali sentado ao lado da Tris, tentando lembrar qual foi o exato momento em que ela se tornou a razão do meu viver.
Não dormi durante a noite, queria estar lá quando a Tris acordasse, não quero que ela se sinta sozinha. Perto das quatro da manhã ela acorda.
– Tobias, onde eu estou? O que aconteceu? Ai! – Ela tenta se levantar, mas eu a seguro.
– Não tente se levantar, você está machucada, não se lembrar do que aconteceu? Ela me olha confusa.
– A Molly jogou bebida na minha blusa e eu fui ao banheiro tentar limpar... – Ela se interrompe e vejo nos seus olhos que ela se lembrou, vejo lagrimas se formando em seus olhos e ela começa a chorar, eu a abraço com cuidado, mas com força suficiente para que ela saiba que eu estou ao seu lado. Espero ela se acalmar e me afasto um pouco para olhar no seu rosto. – O Drew, ele... – Ela me olha com desespero, quer saber se ele conseguiu.
– Não, meu amor, eu cheguei antes que ele conseguisse. – Vejo seu alivio, mas olhando seus hematomas não me sinto aliviado. Passo a mão em seu rosto contornando seus machucados. – Está doendo? – Ela balança a cabeça negativamente, mas sei que ela está mentindo, ela detesta parecer fraca. – Me desculpe por não ter chegado antes, quando te vi caída no chão pensei que tinha lhe perdido e foi o pior momento da minha vida. Mas não se preocupe ele vai pagar pelo que fez, assim que você estiver melhor vamos a delegacia e você vai prestar queixa e eu vou colocar aquele miserável na cadeia, tudo bem. – Ela assente e me abraça novamente.
– O importante é que você chegou, não foi culpa sua. o que aconteceu com ele? – Me afasto novamente e olho nos seus olhos.
– Eu bati nele, disseram que ele está bastante machucado. — Olho para ela esperando por sua reação.
– Isso é bom, muito bom. — Vejo a raiva nos meus olhos refletida nos dela.
– Eu te prometo que nunca mais vou deixar que nada lhe aconteça.
– Eu acredito em você, agora deita aqui comigo, por favor. – Ela se afasta me dando espaço na cama, me deito com ela apoiada no meu peito e a observo voltar a dormir.
Christina
Saí do hospital já sabendo para onde iria, precisava acertar as contas com a Molly, Lynn me disse onde ela morava e eu estou indo para lá.
Chego ao seu apartamento e o porteiro me deixa entrar com facilidade. Toco a campainha e Molly atende a porta.
– O que você... – Nem deixo ela terminar a frase, lhe acerto um soco no nariz e vejo o sangue escorrer. Tive aulas de luta quando era adolescente e sei bater quando necessário.
– Isso é por você ter armado contra a Tris. – Ela está curvada com as mãos no nariz e aproveito para lhe dar um chute na barriga. – E isso é para aprender a nunca mais mexer com ela, que tipo de pessoa você é? Ela nunca te fez nada. – Ela me olha com raiva, ainda com a mão no nariz.
– Nunca me fez nada? Eu já estou no jornal a mais de seis meses e nunca me deram valor, aquela anã de jardim chega do nada e já está se achando melhor que todo mundo, sendo elogiada por todos, pegando os melhores trabalhos, eu tinha que dar uma lição nela, colocar ela no seu lugar. – Com isso eu a derrubo no chão e lhe dou uma sequencia de tapas na cara.
– Tudo isso é mérito dela e não lhe dá o direito de fazer o que fez. – Ela tenta se defender, mas eu sou mais rápida.
– O combinado só foi dar um susto nela, eu não sabia o que o Drew pretendia fazer. – Olho para o seu rosto e vejo que já está machucado o suficiente, a arrasto pelos cabelos para a frente do espelho que está na parede da sala e levanto-a ainda segurando pelos cabelos.
– Olhe bem para isso. – Digo me referindo ao reflexo dela no espelho. – Da próxima vez que mexer com a Tris, vai ser muito pior. – A largo no chão se contorcendo e saio do apartamento. Pronto minha missão está cumprida.
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