Notas iniciais
Mais um capítulo, quero agradecer a todos que tem comentado e acompanhado a minha fic. Espero que gostem.

Tobias

Não me canso de ver a Tris dormindo nos meus braços, ainda me pergunto as vezes o que eu fiz para merecer alguém como ela. Confessei que a amava, mas não esperava ouvir o mesmo, o que há para ser amado em mim? Não sou como ela, não sou forte e nem corajoso, mas mesmo assim, seja lá o que a fez me amar eu agradeço por isso.

– Bom dia. – Ela diz ainda sonolenta.

– Bom dia, meu amor. – Lhe dou um beijo na testa.

– Que horas são?

– Ainda é cedo, pode voltar a dormir.

– E você, não está dormindo por quê? – Ela ainda está com os olhos fechados e a fala arrastada.

– Fiquei com medo de acordar e tudo isso ser um sonho. – Ela levanta a cabeça e me beija, ainda de olhos fechados.

– Pode dormir, pois eu não vou a lugar nenhum. – Ela se enrosca ainda mais em mim e volta a dormir. Fico a observando e ouvindo a sua respiração, com isso acabo dormindo também.

Acordamos com o barulho do despertador. Tris levanta correndo, como de costume, e começa a se arrumar para sua aula.

– Vai com calma aí, você ainda não está atrasada. – Todos os relógios dela estão vinte minutos adiantados para que ela não perca o horário. – Pode ir mais devagar que eu te levo. – Levanto e vou em direção ao banheiro, onde ela já começou o seu banho.

– Não precisa, eu pego o ônibus, não quero que se atrase. – Ela se enrola na toalha e sai do box.

– Não vai me atrasar e eu faço questão. – Digo enquanto entro no box.

– Tudo bem se você insiste. – Ela fala e sai do banheiro.

Tomamos café e eu a deixo na universidade.

Tris

Hoje é meu aniversário e coincidentemente completa um mês que conheci Tobias. Ele está muito mais animado do que eu com a data. O mês foi relativamente tranquilo, com algumas visitas das peruas para me infernizar e o Tobias que ainda não consegue enfrentar os pais, mas eu estou tendo paciência com ele, acredito que um dia ele vai superar os seus traumas e se livrar dessas pessoas.

Fui acordada por Tobias, com um café servido na cama, o que é novidade, pois, sempre sou eu quem prepara o café. Não está muito bom, as torradas estão queimadas, o café está muito fraco e tem mais alguma coisa em cima de um prato que honestamente não consigo descobrir o que é. A única coisa que dá para comer são os morangos que ele trouxe.

Ele morde um pedaço do que quer que seja a coisa no prato e depois cospe no guardanapo.

– Ficou horrível, não foi? – Ele fala tomando um pouco do café e fazendo cara feia.

– O que vale é a intenção, mas o que é isso mesmo? – Aponto para a coisa misteriosa no prato.

– Isso. Deveriam ser panquecas, mas não deu muito certo. – Ele coça a cabeça e me olha envergonhado.

– Deveria ter me deixado fazer o café. – Ele tira a bandeja de cima da cama, colocando-a no criado mudo e me puxa para me abraçar fazendo com que fique de costas para ele.

– Nada disso, hoje é seu aniversário, nem deveria estar indo para a Universidade, se quiser faltar tiro o dia de folga e passamos o dia juntos. – Ele afasta meus cabelos e me beija no pescoço.

– Proposta tentadora, mas tenho trabalho para apresentar hoje e se eu faltar a Christina me mata. Por falar nisso, acho melhor me levantar para não me atrasar. – Me solto do seu abraço e levanto.

– Certo, se arrume que vou te levar para tomar um café da manha de verdade.

Tomamos café da manhã em minha padaria preferida a Toast Backery Cafe e Tobias me deixa na universidade. Logo sou interceptada por Christina que me dá um abraço forte, me tirando do chão.

– Feliz aniversário, Tris. – Me surpreendo por ela saber essa informação.

– Como você sabe que é meu aniversário?

– O Facebook me disse. – Ela fala sorrindo.

Assisto as aulas e quando chego em casa encontro um buquê de flores de varias cores e um cartão.

“Esse buquê contém trinta e uma flores, uma para cada dia que você está em minha vida. As diferentes cores representam as diferentes emoções que você trouxe para a minha vida.

Te amo.”

Fico olhando para as flores com cara de boba. Embrulho o presente que comprei para Tobias, hoje é meu aniversário, mas como ele mesmo disse, também é nosso aniversário.

Pela primeira vez estou pronta antes de Tobias chegar. E olha que hoje eu caprichei na produção. Com a inestimável ajuda da Christina comprei um vestido novo e me produzi.

Quando ele entra em meu apartamento e me vê fica parado com a boca um pouco aberta, depois de um tempo se aproxima, segura minha mão fazendo com que eu dê uma volta de trezentos e sessenta graus, depois me abraça e encosta a boca em meu ouvido.

– Está maravilhosa. – Ele se afasta novamente e me olha.

– Milagre da Santa Christina.

– Desse jeito estou quase desistindo de te levar para jantar. – Olho para ele confusa.

– Por quê?

– Você está irresistível, já estou imaginando a quantidade de olhares que serão direcionados para você. Vou ter que me controlar para não matar ninguém hoje. – Nós rimos de sua piada.

– Espera um pouco que tenho uma coisa para você. – Vou ao quarto para pegar o seu presente. Volto para a sala e lhe entrego uma caixa azul com laço vermelho.

– Que eu saiba a aniversariante é você. – Ele fala pegando a caixa da minha mão.

– Você mesmo fez questão de lembrar que também é nosso aniversário de um mês e eu quis te dar um presente.

– O seu presente está na minha casa e eu só pretendo te dar no final da noite.

– Cala a boca e abre logo. – Encaro seus olhos azuis cheia de expectativa. Espero que ele goste. Ele sorri e abre a caixa.

– Tris, esse é o melhor presente que já me deram na vida. Obrigada. – Ele me abraça e me beija, depois tira a maquina fotográfica da caixa.

– Vou pegar meu casaco e minha bolsa para nós irmos. – Saio da sala e o deixo mexendo na máquina, pelo sorriso em seu rosto sei que ele gostou. Quando volto par a sala sou surpreendida pelo som do click da maquina. Ele acabou de tirar uma foto minha de surpresa.

– Assim não vale. – Vou em sua direção tentando tirar a máquina da sua mão, mas ele a levanta tornando impossível que eu a alcance.

– Nada mais justo do que a primeira foto ser sua já que foi você quem me deu a máquina. – Ele coloca a máquina de volta na caixa e nós saímos.

Ele me leva em um restaurante lindo, com vista para a praia. A noite está linda, o céu está cheio de estrelas e a lua enorme e redonda. Tudo estava perfeito até o desastre acontecer.

Enquanto conversávamos escuto uma voz irritante e infelizmente familiar chamar por Tobias.

– Tobias. – Evelyn a perua entra no restaurante, acompanhada da cobra da Nita, e vem em direção a nossa mesa. Vejo o olhar irritado de Tobias e sei que ele reflete o meu, será que nem no dia do meu aniversário eu terei paz.

– Oi mãe, o que está fazendo aqui?

– Uma amiga minha me indicou esse restaurante e chamei Nita para me acompanhar, não é uma coincidência nos encontrarmos aqui, mas é bom, pois podemos jantar todos juntos. – Olho para Tobias esperando que ele diga alguma coisa. Mas como sempre é uma espera inútil.

– Infelizmente a mesa é para duas pessoas. – Falo para ver se a perua se toca.

– Isso não é Problema. – Evelyn chama o garçom e pede que ele coloque mais duas cadeiras na mesa. – Pronto, problema resolvido. – Ela sorri para mim e a vontade que tenho é arrancar cada fio de cabelo dela com uma pinça. Talvez um dia.

– Esse restaurante é uma graça, me lembra o que nós fomos no Havaí, lembra Tobias? – Tobias não responde e quando ela vai abrir a boca para falar novamente eu a interrompo.

– Já sei, Nita, vocês estavam comemorando algum momento muito bom que estavam vivendo. – Ela me olha com sua cara cínica.

– Como você adivinhou?

– O que você tem em tamanho, lhe falta em originalidade e você sempre vem com a mesma história o quanto os dois estava felizes, bla, bla, bla...

– Não tenho culpa se o Tobias e eu éramos muito felizes. – Ela sorri olhando para Tobias.

– Realmente não tem.

– Lembra Tobias... – A interrompo.

– Com licença – Levanto da mesa e Tobias me olha.

– Onde vai Tris?

– Para a minha casa, com licença. – Caminho em direção a saída e Tobias me segue. Quando chegamos a saída, tento chamar um taxi, mas não tem nenhum a vista. Tobias segura meu braço.

– O que está fazendo Tris?

– Tentando pegar um taxi. – Ele abre a boca para falar alguma coisa, mas eu o interrompo. – Olha Tobias, eu sei que você tem esse incrível poder de abstração e consegue ignorar tudo a sua volta, mas eu não e não estou com a mínima vontade de passar meu aniversário na presença de duas criaturas desprezíveis.

– Tris, se você esperar só mais um pouco... – O interrompo novamente.

– Esperar é a única coisa que eu faço Tobias, a um mês que eu venho aturando essas duas cobras me infernizando sem que eu tenha feito nada para merecer e nesse tempo todo esperando que você tome uma atitude, te prometi que seria paciente, mas paciência também tem limite. Hoje é meu aniversário e tudo que eu queria era me divertir com o meu namorado, mas agora só quero ficar sozinha, vou pra casa ler um livro, assistir TV ou até dormir, qualquer coisa vai ser melhor do que ficar aqui. Agora pode voltar para a mesa e se divirta só me deixe em paz, por favor. Será que isso você consegue fazer?

– Mas Tris, eu não entendo, por que quer que eu te deixe em paz? Eu não fiz nada. – Ele fala segurando meu braço.

– Você não vê Tobias, o problema é justamente esse, você não fez nada. Mas esquece tá, já estou até com dor de cabeça. Volta lá para sua mamãezinha antes que ela comece a segunda guerra mundial. – Vejo um taxi chegando faço sinal para que ele pare, o taxi para e eu entro sem olhar para trás.

Chego em casa com dor de cabeça e tomo um banho bem demorado para relaxar, mas não adianta, fico na cama pensando sobre o que aconteceu sem conseguir dormir e depois de algumas horas pensando, percebo que mesmo o Tobias tendo errado, eu também errei.

Eu prometi que seria paciente com ele e seus traumas, mas fui egoísta porque queria que meu aniversário fosse especial, mas ele já tinha sido especial, foi especial o dia todo e se não fossem por aquelas duas o dia seria perfeito. Finalmente a ficha cai, eu fiz exatamente o que elas queriam, como fui burra, depois de tanto tempo jogando o joguinho delas ainda assim me deixei enganar.

Ainda é madrugada, mas decido ir a casa de Tobias e tentar recuperar a noite que as vadias atrapalharam, temos a chave da casa um do outro e isso vai me facilitar fazer uma surpresa, aposto que ele vai adorar.

Ligo para uma empresa de taxi que logo manda um carro e vou para a casa de Tobias. Quando chego abro a porta e vejo a camisa que ele estava usando hoje jogada no chão e isso é muito estranho, pois, ele nunca tira a camisa na sala a não ser... ando um pouco mais e vejo outras pecas de roupa jogadas pelo chão, sigo a trilha e quando olho para o sofá não acredito no que vejo.

Tobias está deitado sem roupa e Nita está abraçada a ele também sem roupa, ele está dormindo com uma mão em volta da cintura dela e a outra em seu cabelo, exatamente como fica quando dorme comigo. Fico em choque e não consigo sair do lugar, sinto meu corpo dormente e acho que vou desmaiar, tenho que sair daqui agora. Reúno forças para ir embora, mas em meio ao meu desespero para sair esbarro em um dos quadros o derrubando no chão e vejo Tobias abrir os olhos.

– Tris? – Não fico para ouvir o que ele tem a dizer. Saio correndo e entro no primeiro taxi que aparece.

Notas finais
Gostaram? Se quiserem deixar a opinião de vocês serei muito grata. Me digam se estou no caminho certo.